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Edição n.º 1126
23/12 a 25/12/2014
 
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26/12/14 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:30 – 22:30 - Apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica nocturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Público: Público em geral
Local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens/ estudantes/ reformados (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: info@ccvalg.pt ou 289 890 922

 
EFEMÉRIDES

Dia 23/12: 357.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1672, Giovanni Cassini descobre a lua de SaturnoReia

Observações: A Lua Crescente é visível um pouco para cima de Vénus (ele próprio "colado" ao horizonte a Oeste-Sudoeste), cerca de 45 minutos após o pôr-do-Sol.

Dia 24/12: 358.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1761 nascia Jean-Louis Pons, astrónomo francês, o maior descobridor visual de cometas: entre 1801 e 1827, descobriu 37 cometas, mais do que qualquer pessoa na História.
Em 1818, nascia James Prescott Joule, físico inglês que estudou a natureza do calor e descobriu a sua relação com a mecânica. Isto levou à lei da conservação da energia, o que por sua vez levou ao desenvolvimento da primeira lei da termodinâmica. A unidade SI da energia, joule, tem o seu nome.
Em 1968, os astronautas da Apollo 8 tornam-se nos primeiros humanos a entrar em órbita da Lua.

Completam 10 órbitas lunares e enviam imagens televisivas que se tornam na famosa transmissão de Véspera de Natal, um dos programas mais vistos na História.
Em 1979, lançamento do primeiro foguetão europeu Ariane.
Observações: Eclipse de Io, entre as 05:15 e as 07:37.
O planeta Marte brilha para a esquerda da Lua Crescente, a Sudoeste ao lusco-fusco .
Eclipse de Ganimedes, entre as 23:16 e as 03:07 (já de dia 25).

Dia 25/12: 359.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1642, nascia Isaac Newton (de acordo com o calendário juliano), físico e matemático inglês, largamente considerado um dos cientistas mais influentes de todos os tempos e uma figura-chave da revolução científica.

O seu livro "Philosophiæ Naturalis Principia Mathematica", publicado pela primeira vez em 1687, estabelece as fundações da mecânica clássica.
Em 1968, a Apollo 8 faz a primeira manobra TEI (Trans Earth Injection), enviando a tripulação e a nave de volta à Terra desde órbita lunar.
Em 2003, a infeliz Beagle 2, libertada da sonda Mars Express no dia 19 de Dezembro, desaparece pouco antes da sua prevista aterragem. 
Em 2004, a Cassini liberta a sonda Huygens, que aterra em Titã a 14 de Janeiro do ano seguinte.
Observações: Eclipse de Europa, entre as 01:25 e as 04:22.
Trânsito da sombra de Io, entre as 02:33 e as 04:52.
Trânsito de Io, entre as 03:28 e as 05:49.
Ocultação de Europa, entre as 03:17 e as 06:14.
Ocultação de Ganimedes, entre as 03:06 e as 06:55.
Hoje, ao pôr-do-Sol, a Lua encontra-se para cima de Marte.

 
CURIOSIDADES


Aproximadamente 50% de todos os cometas conhecidos foram descobertos graças à SOHO.

 
 
KEPLER RENASCE, FAZ PRIMEIRA DESCOBERTA EXOPLANETÁRIA DA NOVA MISSÃO

O caçador de planetas da NASA, Kepler, regressou ao activo com a descoberta do primeiro exoplaneta durante a sua nova missão - K2.

A descoberta foi feita quando os astrónomos e engenheiros desenvolveram uma forma engenhosa de redireccionar o Kepler para a missão K2 e continuar a sua busca por outros mundos no cosmos.

"No Verão passado, a possibilidade de uma missão científica produtiva para o Kepler, após a falha na roda de reacção durante a sua missão estendida, não fazia parte da conversa," afirma Paul Hertz, director da divisão de astrofísica da NASA na sede da agência em Washington. "Hoje, graças a uma ideia inovadora e a muito trabalho duro pela equipa da NASA e da Ball Aerospace, o Kepler pode muito bem fornecer os primeiros candidatos para estudos de acompanhamento do Telescópio Espacial James Webb, a fim de caracterizar as atmosferas de mundos distantes e procurar sinais de vida."

Impressão de artista que mostra o caçador de exoplanetas Kepler, operando num novo perfil de missão com o nome K2. Usando dados disponíveis ao público, astrónomos confirmaram a primeira descoberta exoplanetária do K2, provando que o Kepler ainda consegue encontrar planetas.
Crédito: NASA Ames/JPL-Caltech/T. Pyle
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O investigador principal Andrew Vanderburg, estudante de pós-graduação do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica em Cambridge, no estado americano de Massachusetts, analisou dados disponíveis publicamente e recolhidos pelo telescópio durante um teste da missão K2 em Fevereiro de 2014. A descoberta foi confirmada com medições obtidas pelo espectrógrafo HARPS-Norte do Telescópio Nazionale Galileo nas Ilhas Canárias, que capturou a oscilação da estrela provocada pela força gravitacional do planeta na sua órbita.

O planeta recém-confirmado, HIP 116454b, tem 2,5 vezes o diâmetro da Terra e segue uma órbita íntima de nove dias em redor de uma estrela mais pequena e fria que o nosso Sol, o que torna o planeta demasiado quente para a vida como a conhecemos. HIP 116454b e a sua estrela estão localizados a 180 anos-luz da Terra, na direcção da constelação de Peixes.

A câmara a bordo do Kepler detecta planetas procurando trânsitos - quando uma estrela distante diminui ligeiramente de brilho devido à passagem de um planeta, a partir da perspectiva da Terra. Quanto mais pequeno o planeta, mais fraca a diminuição de brilho, por isso as medições têm que ser primorosamente precisas. Para atingir essa precisão, o telescópio tem que manter-se constantemente apontado ao objecto de estudo. Em Maio de 2013, a recolha de dados durante a missão principal estendida do Kepler chegou ao fim com a avaria da segunda das quatro rodas de reacção, que são usadas para estabilizar o telescópio.

Em vez de desistirem do Kepler, uma equipa de cientistas e engenheiros elaborou uma estratégia engenhosa de usar a pressão da luz solar como uma "roda de reacção virtual" para ajudar a controlar o telescópio. A missão resultante, K2, promete não só continuar a caça exoplanetária do Kepler, mas também expandir a pesquisa para estrelas próximas e brilhantes que abrigam planetas e que podem ser estudadas em detalhe para melhor compreender a sua composição. A missão K2 também vai introduzir novas oportunidades para observar enxames estelares, galáxias activas e supernovas.

Esta ilustração mostra o primeiro planeta descoberto pelo telescópio Kepler durante a sua missão K2. Conseguiu-se descobrir um trânsito do planeta nos dados "ruidosos" da missão K2, usando engenhosos algoritmos de computador. O planeta recém-descoberto, HIP 116454b, tem um diâmetro 2,5 vezes superior ao da Terra e tem 12 vezes a massa do nosso planeta. Completa uma órbita em torno da sua estrela a cada 9,1 dias.
Crédito: David A. Aguilar (CfA)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Planetas pequenos como HIP 116454b, em órbita de estrelas próximas e brilhantes, estão "no ponto" para a missão K2, pois dão boas perspectivas para estudos de acompanhamento no solo com o objectivo de obter medições de massa. Usando as medições de tamanho do K2 e as medições da massa obtidas cá à superfície da Terra, os astrónomos podem calcular a densidade de um planeta para determinar se é provavelmente um mundo rochoso, aquático ou gasoso.

"A missão Kepler mostrou-nos que planetas maiores que a Terra [em tamanho] e mais pequenos que Neptuno são comuns na Galáxia, mas estão ausentes no nosso Sistema Solar," afirma Steve Howell, cientista do projecto Kepler/K2 no Centro de Pesquisa Ames da NASA em Moffett Field, Califórnia, EUA. "A missão K2 está singularmente posicionada para refinar dramaticamente a nossa compreensão desses mundos alienígenas e definir melhor a fronteira entre mundos rochosos como a Terra e gigantes de gelo como Neptuno."

Desde que a missão K2 começou oficialmente em Maio de 2014, observou mais de 35.000 estrelas e recolheu dados sobre enxames, regiões densas de formação estelar e vários objectos planetários dentro do nosso Sistema Solar. Está actualmente na sua terceira campanha.

O artigo científico que explica esta descoberta foi aceite para publicação na revista The Astrophysical Journal.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica (comunicado de imprensa)
Universidade de Columbia Britânica (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Astronomy
Universe Today
SPACE.com
Space Daily
PHYSORG
redOrbit
(e) Science News
Diário de Notícias
SAPOTEK
Sulinformação
Observador
AstroPT

HIP 116454b:
SIMBAD
Exoplanet.eu
Wikipedia

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de planetas não confirmados (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net

Telescópio Espacial Kepler:
NASA (página oficial)
Arquivo de dados do Kepler
Descobertas planetárias do Kepler
Wikipedia

 
CIENTISTAS DESCOBREM EVIDÊNCIAS METEORÍTICAS DE RESERVATÓRIO MARCIANO DE ÁGUA

A NASA e uma equipa internacional de cientistas planetários encontraram evidências em meteoritos cá na Terra que indicam que Marte teve um reservatório distinto e global de água ou gelo perto da sua superfície.

Apesar da controvérsia que ainda rodeia a origem, abundância e história da água em Marte, esta descoberta ajuda a resolver a questão de para onde foi a "água marciana que falta". Os cientistas continuam a estudar o registo histórico do planeta, tentando entender a aparente mudança de um clima húmido e quente para as condições secas e frias de hoje.

A existência do reservatório também pode ser uma chave para a compreensão da história e do potencial de vida em Marte. Os resultados da equipa foram apresentados na revista Earth and Planetary Science Letters.

"Tem havido sugestões de um terceiro reservatório planetário de água em estudos anteriores de meteoritos marcianos, mas os nossos novos dados exigem a existência de um reservatório de água ou gelo que parece também ter interagido com um conjunto diverso de amostras marcianas," afirma Tomohiro Usui do Instituto de Tecnologia de Tóquio no Japão, autor principal do artigo e ex-colega de pós-doutorado do Instituto Lunar e Planetário da NASA. "Até este estudo não existiam evidências directas deste reservatório ou da sua interacção com rochas que vieram parar à Terra a partir da superfície de Marte."

Esta ilustração mostra os reservatórios marcianos de água. Pesquisas recentes fornecem evidências para a existência de um terceiro reservatório que é intermédio em composição isotópica entre o manto do Planeta Vermelho e a sua atmosfera actual. Estes resultados suportam a hipótese que uma criosfera enterrada corresponde a uma grande parte do orçamento inicial de água de Marte.
Crédito: NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os investigadores do Instituto de Tecnologia de Tóquio, do Instituto Lunar e Planetário de Houston, da Instituição Carnegie para a Ciência em Washington e da Divisão Científica de Pesquisa e Exploração de Astromateriais da NASA, localizada no Centro Espacial Johnson da agência em Houston, estudaram três meteoritos marcianos.

As amostras revelaram água composta por átomos de hidrogénio que têm uma proporção de isótopos diferente da água do manto e atmosfera actuais do Planeta Vermelho. Os isótopos são átomos do mesmo elemento com números diferentes de neutrões.

Embora as missões orbitais recentes tenham confirmado a presença de gelo à subsuperfície, e se acredite que em certas características geomorfológicas de Marte ainda exista formação de gelo que derrete à superfície, este estudo usou meteoritos de idades diferentes para mostrar que uma quantidade significativa de água gelada no solo pode ter permanecido relativamente intacta ao longo do tempo.

Os investigadores enfatizam que a distinta assinatura isotópica do hidrogénio do reservatório de água deve ter um tamanho suficiente para não atingir um equilíbrio isotópico com a atmosfera.

"A composição isotópica do hidrogénio na atmosfera actual pode ser corrigida por um processo quási-constante que envolve a perda rápida de hidrogénio para o espaço e pela sublimação de uma camada de gelo generalizada," afirma John Jones, co-autor do estudo, petrologista experimental do Centro Espacial Johnson e membro da equipa do rover Curiosity da NASA.

As observações do Curiosity num leito de um lago, numa área chamada Monte Sharp, indicam que Marte perdeu a sua água num processo gradual durante um período de tempo significativo.

"Na ausência de amostras trazidas de Marte até à Terra, este estudo enfatiza a importância de descobrir mais meteoritos marcianos e de continuar a estudar os que temos com as técnicas analíticas cada vez mais avançadas que temos ao nosso dispor," afirma Conel Alexander cosmoquímico da Instituição Carnegie para a Ciência.

Nesta investigação, os cientistas compararam água, outras concentrações de elementos voláteis e composições isotópicas de hidrogénio em vidros no interior dos meteoritos, que se podem ter formado em erupções vulcânicas no passado de Marte ou por eventos de impacto que atingiram a superfície marciana, expelindo-os do planeta.

"Nós examinámos duas possibilidades, que a assinatura do reservatório de hidrogénio recentemente identificado ou reflecte gelo perto da superfície misturado com sedimentos ou que reflecte rochas hidratadas perto do topo da crosta marciana," afirma Justin Simon, co-autor do artigo e cosmoquímico do Centro Espacial Johnson. "Ambos os cenários são possíveis, mas o facto das medições com maiores concentrações de água parecem não estar relacionadas com as concentrações de alguns dos outros elementos voláteis medidos, em particular do cloro, sugere que o reservatório de hidrogénio provavelmente existiu sob a forma de gelo."

A informação recolhida sobre Marte a partir de estudos na Terra, e os dados enviados por uma frota de naves robóticas e rovers em órbita e à superfície do Planeta Vermelho, estão pavimentando o caminho para futuras missões humanas numa viagem até Marte na década de 2030.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (Earth and Planetary Science Letters)
redOrbit
PHYSORG
spaceref

Meteoritos marcianos:
JPL
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Panorama do Local de Aterragem da Apollo 11
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Neil ArmstrongApollo 11NASA
 
Há quanto tempo não vê um panorama do outro mundo? Montado a partir de digitalizações de alta-resolução de quadros do filme original, este panorama mostra a magnífica desolação do local de aterragem da Apollo 11, no Mar da Tranquilidade da Lua. Capturados por Neil Armstrong enquanto olhava pela janela do módulo lunar Eagle, o quadro à extrema esquerda (AS11-37-5449) é a primeira imagem obtida por uma pessoa noutro mundo. Em direcção a Sul, podem ser vistos os propulsores à esquerda, enquanto a sombra do Eagle é visível para Oeste à direita. Para escala, a cratera grande e rasa da direita tem um diâmetro de aproximadamente 12 metros. As imagens obtidas das janelas do módulo lunar, cerca de hora e meia após a aterragem, antes de caminharem na superfície lunar, serviram inicialmente para documentar o local de pouso no caso de ser necessária uma partida antecipada.
 

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