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Edição n.º 1141
13/02 a 16/02/2015
 
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27/02/15 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:30 – 22:30 - Apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Público: Público em geral
Local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens/ estudantes/ reformados (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: info@ccvalg.pt ou 289 890 922

 
EFEMÉRIDES

Dia 13/02: 44.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1633, Galileu Galilei chegava a Roma para ser julgado pela Inquisição.

Em 1852, nascia John Louis Emil Dreyer, astrónomo cuja principal contribuição foi o catálogo NGC em 1878.
Em 2004, o Centro para Astrofísica Harvard-Smithsonian descobre o maior diamante conhecido do Universo, a anã branca BPM 37093. Os astrónomos dão-lhe o nome "Lucy" por causa da canção "Lucy in the Sky with Diamonds" dos Beatles.
Em 2012, a Agência Espacial Europeia (ESA) leva a cabo o primeiro lançamento do foguetão europeu Vega a partir de Kourou, na Guiana Francesa. 
Observações: Ocultação de Ganimedes, entre as 02:29 e as 06:16.
Eclipse de Ganimedes, entre as 03:05 e as 06:57.
Depois do anoitecer, nesta altura do ano, quatro constelações "carnívoras" sobem em fila de nordeste para sudeste. São vistas todas em perfil, e os narizes estão apontados para cima e para a direita e os seus pés (se os tiverem) estão para a direita: Ursa Maior a nordeste, Leão a este, Hidra a sudeste (Júpiter brilha entre as cabeças de Leão e Hidra) e Cão Maior a sul.

Dia 14/02: 45.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1898, nascia Fritz Zwick, o primeiro a identificar as supernovas como uma classe separada de objetos e a sugerir a possibilidade das estrelas de neutrões; Zwicky também catalogou galáxias em enxames e desenhou motores a jacto.
Em 1989, o primeiro de 24 satélites GPS é colocado em órbita. 
Em 1990, as câmaras da Voyager 1 apontaram para o Sol e tiraram uma série de imagens da estrela e dos planetas, fazendo o primeiro "retrato" do nosso Sistema Solar visto de fora.

Em 2000, a sonda NEAR torna-se na primeira a orbitar um asteroide, 433 Eros.
Observações: "Estrela do Zénite". Se vive a latitudes médias norte, a brilhante estrela Capella passa perto do zénite entre as 20 e as 21 horas. Quando Capella está na sua posição mais alta, quer dizer que Rigel, na constelação de Orionte, aponta sempre para sul.

Dia 15/02: 46.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1564 nascia Galileu Galilei, um dos astrónomos mais famosos de sempre. Foi o primeiro a utilizar o telescópio para observar os céus, observando as manchas solares e também os satélites de Júpiter.
Em 1996, no Centro Espacial Xichang na China, um foguetão Long March 3, que transportava um Intelsat 708, colide com uma vila rural depois da descolagem, matando inúmeras pessoas.
Em 1999, lançamento do IKONOS 2 Athena 2.
Em 2013, um meteoro explode por cima da Rússia e a sua onda de choque acaba ferindo 1500 pessoas, estilhaçando vidros e agitando edifícios.

Isto inesperadamente acontece apenas horas antes da mais próxima passagem esperada do maior e não relacionado asteróide 2012 DA14.
Observações: A Ursa Maior apoia-se na sua "pega", alta a Nordeste por estas noites. As suas duas estrelas do topo apontam para a Estrela Polar.

Dia 16/02: 47.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1786 nascia François Arago, cientista pioneiro na natureza da onda da luz e o inventor do polarómetro e outros instrumentos óticos. A sua teoria da luz previa que a velocidade da luz diminuia ao passar por um meio mais denso.
Em 1948 é descoberta a lua de UranoMiranda, por Gerard Kuiper.

Em 1961, é lançado o Explorer 9 (S-56a).
Observações: Trânsito de Ganimedes, entre as 16:05 e as 19:51.
Trânsito da sombra de Ganimedes, entre as 17:03 e as 20:51.

 
CURIOSIDADES


A sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA, em Marte desde 2006, completou recentemente a sua 40.000.ª órbita marciana. E no solo, o rover Opportunity completará em breve uma distância percorrida equivalente a uma maratona olímpica (42,195 km).

 
ESTRELA QUE EXPLODIU FLORESCE COMO UMA FLOR CÓSMICA

Tendo em conta que os campos de destroços de estrelas que explodiram, conhecidos como remanescentes de supernovas, são muito quentes, energéticos e brilham intensamente em raios-X, o Observatório Chandra da NASA tem provado ser uma ferramenta valiosa no seu estudo. O remanescente de supernova chamado G299.2-2.9 (ou G299) está localizado dentro da nossa Via Láctea, mas a imagem do Chandra é uma reminiscência de uma bonita flor cá na Terra.

As observações do remanescente de supernova G299.2-2.9 pelo Chandra revelam informações importantes sobre este objeto.
Crédito: NASA/CXC/U. Texas
(clique na imagem para ver versão maior)
 

G299 foi deixado por uma classe particular de supernovas chamada Tipo Ia. Os astrónomos pensam que a supernova de Tipo Ia é uma explosão termonuclear - envolvendo a fusão de elementos e a libertação de grandes quantidades de energia - de uma anã branca num órbita íntima com uma estrela companheira. Se a parceira da anã branca for uma estrela normal, parecida com o Sol, a anã branca pode tornar-se instável e explodir quando atrair o material da sua companheira. Alternativamente, se a anã branca estiver em órbita com outra anã branca, as duas podem fundir-se e desencadear uma explosão.

Independentemente do mecanismo de desencadeamento, há muito que se sabe que as supernovas do Tipo Ia são uniformes no que toca ao seu brilho extremo, geralmente ultrapassando o brilho da galáxia onde se encontram. Tal é importante porque os cientistas usam estes objetos como "marcos quilométricos" cósmicos, o que lhes permite medir com precisão as distâncias de galáxias a milhares de milhões de anos-luz e determinar a taxa de expansão do Universo.

Os modelos teóricos tradicionais das supernovas de Tipo Ia geralmente preveem que estas explosões são simétricas, criando uma esfera quase perfeita à medida que expandem. Estes modelos têm sido apoiados por resultados que mostram que os remanescentes de supernovas do Tipo Ia são mais simétricos que os remanescentes de supernovas que envolvem o colapso de estrelas maciças.

No entanto, os astrónomos estão descobrindo que algumas explosões de supernova do Tipo Ia podem não ser tão simétricas como se pensava. G299 pode ser um exemplo desse tipo "invulgar" de supernova do Tipo Ia. Usando uma observação longa do Chandra, os investigadores descobriram que a concha de detritos da estrela que explodiu está expandindo-se de forma diferente em várias direções.

Nesta nova imagem do Chandra, o vermelho, verde e azul representam raios-X de baixa, média e alta energia, respetivamente, detetados pelo telescópio. Os raios-X de energia média incluem a emissão do ferro e os raios-X altamente energéticos incluem a emissão de silício e enxofre. Os dados de raios-X foram combinados com dados infravermelhos do levantamento terrestre 2MASS que mostra as estrelas no campo de visão.

Ao realizar uma análise detalhada dos raios-X, os investigadores encontraram vários exemplos claros de assimetrias em G299. Por exemplo, a razão entre as quantidades de ferro e silício na parte do remanescente mesmo acima do centro é maior que na região do remanescente mesmo por baixo do centro. Esta diferença pode ser vista na cor mais esverdeada da secção superior em comparação com a cor mais azulada da secção inferior. Além disso, existe uma porção fortemente alongada no remanescente que estende para a direita. Nesta região, a relação ferro-silício é similar à encontrada na região sul do remanescente.

Os padrões observados nos dados do Chandra sugerem que esta supernova do Tipo Ia pode ter sido produzida por uma explosão muito desequilibrada. Também pode ser que o remanescente está a expandir-se para um ambiente onde o meio que encontra é irregular. Independentemente da explicação definitiva, as observações de G299 e de outros objetos como este estão a mostrar aos astrónomos quão variadas estas flores cósmicas podem ser.

O artigo que descreve estes resultados foi publicado na edição de 1 de Setembro de 2014 da revista The Astrophysical Journal e está disponível online.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Observatório de Raios-X Chandra
Artigo científico (arXiv.org)
redOrbit
PHYSORG

Supernovas:
Wikipedia 
Tipo Ia (Wikipedia)
NASA 
Restos de supernovas (Núcleo de Astronomia do CCVAlg)

Observatório Chandra:
Página oficial (Harvard)
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
ASTRÓNOMOS "APANHAM" SISTEMA ESTELAR MÚLTIPLO NOS PRIMEIROS ESTÁGIOS DE FORMAÇÃO

Pela primeira vez, os astrónomos apanharam um sistema estelar múltiplo nos estágios iniciais da sua formação. As suas observações diretas deste processo dão um forte apoio a um dos vários caminhos sugeridos para a produção de tais sistemas.

Os cientistas observaram uma nuvem de gás a cerca de 800 anos-luz da Terra, especificamente um núcleo gasoso que contém uma jovem protoestrela e três condensações densas que, dizem, entrarão em colapso para formar estrelas num astronomicamente curto prazo de 40.000 anos. Das eventuais quatro estrelas, os astrónomos preveem que três possam tornar-se num sistema triplo estável.

A região B5 (vermelho e verde; imagens de rádio) vista dentro da sua vizinhança, embebida em poeira (azul) observada pelo Herschel da ESA no infravermelho.
Crédito: Bill Saxton, NRAO/AUI/NSF
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"A observação de um sistema múltiplo de estrelas nestas fases iniciais de formação tem sido um desafio de longa data, mas a combinação do VLA (Very Large Array) com o GBT (Green Bank Telescope) deu-nos o primeiro olhar para um sistema tão jovem," afirma Jaime Pineda, do Instituto de Astronomia, ETH Zurique, na Suíça.

Os cientistas usaram o VLA e o GBT, juntamente com o JCMT (James Clerk Maxwell Telescope) no Hawaii, para estudar um núcleo denso de gás chamado Barnard 5 (B5) numa região onde estrelas jovens estão a formar-se na direção da constelação de Perseu. Sabia-se que este objeto tinha uma estrela jovem em formação.

Quando a equipa de investigação, liderada por Pineda, usou o VLA para mapear a emissão de rádio das moléculas de metano, descobriram que os filamentos de gás em B5 estão a fragmentar-se e que estes fragmentos estão a começar a formar estrelas adicionais para fabricar um sistema múltiplo de estrelas.

O complexo B5 de gás, no processo de formar um sistema estelar múltiplo.
Crédito: Bill Saxton, NRAO/AUI/NSF
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Nós sabemos que estas estrelas eventualmente formarão um sistema múltiplo porque as nossas observações mostram que estas condensações de gás estão gravitacionalmente ligadas," acrescenta Pineda. "Esta é a primeira vez que fomos capazes de ver um sistema tão jovem ligado pela gravidade," comenta.

"Isto fornece evidências fantásticas de que a fragmentação dos filamentos de gás é um processo que pode produzir sistemas estelares múltiplos," afirma Pineda. Outros mecanismos propostos incluem a fragmentação do núcleo principal de gás, a fragmentação dentro de um disco de material em órbita de uma estrela jovem e a captura gravitacional. "Acrescentámos agora e de forma convincente à lista a fragmentação de filamentos gasosos," explica Pineda.

De acordo com os cientistas, as condensações em B5 que vão produzir estrelas variam de momento entre um-décimo até mais de um-terço da massa do Sol. As suas separações vão variar desde 3000 até 11.000 vezes a distância Terra-Sol.

Impressão de artista do complexo B5 visto hoje, à esquerda, e como aparecerá como um sistema múltiplo daqui a aproximadamente 40.000 anos.
Crédito: Bill Saxton, NRAO/AUI/NSF
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os astrónomos analisaram a dinâmica das condensações de gás e preveem que, quando coalescerem em estrelas, formarão um sistema estável de um binário interior, orbitado por uma terceira estrela mais distante. A quarta estrela, sugerem, não fará parte do sistema durante muito tempo.

"Quase metade de todas as estrelas encontram-se em sistemas múltiplos, mas a descoberta destes sistemas nos primeiros estágios de formação tem sido um desafio. Graças à combinação do VLA e do GBT, temos agora informações importantes sobre a formação de sistemas múltiplos. O nosso próximo passo será observar outras regiões de formação estelar utilizando os novos recursos do VLA e do ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) no Chile," conclui Pineda.

Além de Pineda, a equipa internacional de investigação inclui membros dos EUA, do Reino Unido, Alemanha e do Chile. Os astrónomos relatam os seus achados na edição de 12 de Fevereiro da revista científica Nature.

Links:

Notícias relacionadas:
NRAO (comunicado de imprensa)
Universidade de Manchester (comunicado de imprensa)
Nature
SPACE.com
AstronomyNow
PHYSORG
National Geographic

Formação estelar:
Wikipedia

VLA:
Página oficial
Wikipedia

Telescópio Robert C. Byrd Green Bank:
Página oficial
Wikipedia

ALMA:
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (NAOJ)
ALMA (ESO)
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Um Filamento Extremamente Longo no Sol
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Oliver Hardy
 
No dia 9 de Fevereiro, o Sol exibiu um dos filamentos mais longos já registados. Pode ainda estar lá hoje. Visível como o "risco" escuro logo abaixo do centro na imagem, o enorme filamento estende-se em quase toda a face visível do Sol a um comprimento ainda maior que o raio do Sol - mais de 700.000 quilómetros. Um filamento é na realidade gás quente erguido pelo campo magnético do Sol, de modo que visto de lado afigura-se como uma proeminência levantada. A imagem mostra o filamento na luz emitida pelo hidrogénio e, portanto, destaca a cromosfera do Sol. Os telescópios solares, incluindo a SDO (Solar Dynamics Observatory) da NASA, monitorizaram esta característica invulgar. A SDO registou um campo magnético em espiral que o engole. Tendo em conta que os filamentos geralmente duram horas ou dias, partes deste em específico podem colapsar ou entrar em erupção a qualquer momento, seja retornando plasma quente de volta para o Sol ou expelindo-o para o Sistema Solar. Será que o filamento ainda lá está? Verifique clicando na imagem atual do Sol obtida pela SDO.
 

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