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Edição n.º 1171
29/05 a 01/06/2015
 
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EFEMÉRIDES

Dia 29/05: 149.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1794, nascia Johann Heinrich von Mädler, astrónomo alemão.

Produziu os primeiros mapas verdadeiros de Marte, fez determinações preliminares do período de rotação de Marte com apenas poucos segundos de erro, e produziu o primeiro mapa exato da Lua.
Em 1919, um eclipse solar total foi observado por dois diferentes grupos de astrónomos (Arthur Eddington e Andrew Crommelin), tentando confirmar a Teoria da Relatividade Geral de Einstein, medindo se o Sol distorcia as posições aparentes das estrelas das Híades.
Em 1929, nascia Peter Higgs, físico teórico britânico, famoso pelo seu mecanismo Higgs, que prevê a existência do bosão de Higgs
Em 1974 era lançada a Luna 22(USSR).
Em 1999, o vaivém Discoverycompleta a sua primeira atracagem com a Estação Espacial Internacional.
Observações: Eclipse de Calisto, entre as 18:03 e as 23:05.
Trânsito de Io, entre as 20:15 e as 22:37.
Trânsito da sombra de Io, entre as 21:28 e as 23:49.
Assim que as estrelas ficam visíveis, encontramos Espiga a apenas poucos graus para a direita da Lua. A Lua continua a afastar-se desta estrela com o passar da noite.

Dia 30/05: 150.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1966, lançamento da Surveyor 1, a primeira sonda sonda americana a aterrar em segurança noutro corpo planetário (neste caso, a Lua). 

Em 1971 era lançada a Mariner 9. A 13 de Novembro alcança a órbita de Marte. Envia 6.900 imagens, que corresponderam a 70% da superfície do planeta. Estudou também as mudanças temporais na atmosfera e à superfície.
Observações: Conjunção inferior de Mercúrio.
A Lua brilha esta noite quase a meio do caminho entre Espiga e Saturno. Para baixo de Saturno, encontramos Antares, da constelação de Escorpião.

Dia 31/05: 151.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2001, a sonda Cassini completa o veu voo rasante por Júpiter e dirige-se para Saturno.

Imagens de despedida de um eclipse de Io mostram atividade auroral na atmosfera ioniana.
Em 2013, o asteroide 1998 QE2 e a sua lua fazem a maior aproximação da Terra dos próximos dois séculos. 
Observações: Neptuno na sua quadratura oeste.
A Lua está hoje mais próxima de Saturno do que de Espiga.

Dia 01/06: 152.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1633 nascia Geminiano Montanari, astrónomo italiano, fabricante de lentes e proponente da abordagem experimental na Ciência.

É mais conhecido pela sua observação, por volta de 1667, que a segunda estrela mais brilhante de Perseu, Algol, variava em brilho.
Observações: O ponto brilhante para a direita da Lua é o planeta Saturno. Esta noite estão muito próximos um do outro.

 
CURIOSIDADES


O Cometa Ikeya-Seki (C/1965 S1) decoberto em 1965 pelos astrónomos Kaoru Ikeya e Tsutomu Seki, atingiu magnitude -10. Foi um dos cometas mais brilhantes dos últimos mil anos e até chegou a ser visto durante o dia.

 
GALÁXIAS EM FUSÃO QUEBRAM O SILÊNCIO DE RÁDIO
Esta impressão de artista ilustra como os jatos velozes oriundos de buracos negros supermassivos podem parecer. Estes fluxos de plasma são o resultado da extração de energia da rotação de um buraco negro supermassivo à medida que consome o disco rodopiante de matéria que o rodeia. Estes jatos têm uma emissão muito forte no rádio.
Crédito: ESA/Hubble, L. Calçada (ESO)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Na mais extensa pesquisa do seu tipo já realizada, uma equipa de cientistas encontrou uma relação inequívoca entre a presença de buracos negros supermassivos que alimentam jatos velozes que emitem sinais de rádio e a história da fusão das suas galáxias hospedeiras. Descobriu-se que quase todas as galáxias que contêm estes jatos estão ou a fundir-se com outra galáxia, ou fizeram-no recentemente. Os resultados dão peso significativo ao caso dos jatos como o produto de buracos negros em fusão e serão publicados na revista The Astrophysical Journal.

Uma equipa de astrónomos usou o instrumento WFC3 (Wide Field Camera 3) a bordo do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA para realizar um grande levantamento sobre a relação entre as galáxias que sofreram fusões e a atividade dos buracos negros supermassivos nos seus núcleos.

A equipa estudou uma grande variedade de galáxias com centros extremamente luminosos - conhecidos como núcleos galácticos ativos (NGAs) - que se pensa serem o resultado de grandes quantidades de matéria aquecida que circula em redor e é consumida por um buraco negro supermassivo. Embora se pense que a maioria das galáxias albergue um buraco negro supermassivo, apenas uma pequena percentagem são assim tão luminosos e ainda menos dão um passo em frente e formam o que é conhecido como jatos relativistas. Os dois jatos de plasma altamente velozes movem-se quase à velocidade da luz e fluem para fora em sentidos opostos e perpendicularmente ao disco de matéria que rodeia o buraco negro, estendendo-se milhares de anos-luz para o espaço. O material quente dentro dos jatos é também a origem das ondas de rádio.

São estes jatos que Marco Chiaberge do STScI (igualmente da Universidade Johns Hopkins, EUA e do INAF-IRA, Itália) e a sua equipa esperavam confirmar como o resultado de fusões galácticas.

A equipa examinou cinco categorias de galáxias em busca de sinais visíveis de fusões recentes ou em curso - dois tipos de galáxias com jatos, dois tipos de galáxias que tinham núcleos luminosos mas que não tinham jatos, e um conjunto de galáxias inativas regulares.

Esta imagem obtida pelo Telescópio Hubble da NASA mostra uma seleção de galáxias usadas no setudo para confirmar a ligação entre as fusões e os jatos velozes dos buracos negros supermassivos. Estas galáxias têm fortes emissões de rádio, o que significa que os buracos negros supermassivos aí abrigados estão a expelir grandes quantidades de plasma. No canto superior esquerdo tempo 3C 297, no canto inferior esquerdo está 3C 454.1 e à direita encontra-se a galáxia 3C 356.
Crédito: NASA, ESA, M. Chiaberge (STScI)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"As galáxias que abrigam estes jatos relativistas libertam grandes quantidades de radiação no rádio," explica Marco. "Ao usar a câmara WFC3 do Hubble, descobrimos que quase todas as galáxias com grandes quantidades de emissão de rádio, o que implica a presença de jatos, estavam associadas com fusões. No entanto, não eram só as galáxias que continha jatos as únicas a mostrar evidências de fusões!"

Outros estudos já tinham mostrado uma forte relação entre a história das fusões de uma galáxia e os altos níveis de radiação no rádio, o que sugere a presença de jatos relativistas escondidos no centro da galáxia. No entanto, este estudo é muito mais extenso e os resultados são muito claros, o que significa que agora pode ser dito com quase toda a certeza que os NGAs de rádio, isto é, galáxias com jatos relativistas, são o resultado de fusões galácticas.

"Nós descobrimos que a maioria dos eventos de fusão propriamente ditos não resultam na criação de NGAs com uma poderosa emissão de rádio," afirma o coautor Roberto Gilli do Osservatorio Astronomico di Bologna, Itália. "Cerca de 40% das outras galáxias que observámos também atravessam um período de fusão e no entanto falharam em produzir as espetaculares emissões de rádio e os jatos dos seus homólogos."

Embora seja agora muito claro que uma fusão galáctica é quase certamente necessária para uma galáxia albergar um buraco negro supermassivo com jatos relativistas, a equipa deduz que devem haver condições adicionais que precisam ser atingidas. Eles especulam que a colisão de uma galáxia com outra produz um buraco negro supermassivo com jatos quando este buraco negro central roda mais depressa - possivelmente como resultado de um encontro com outro buraco negro de massa similar - à medida que o excesso de energia extraída da rotação alimenta os jatos.

"Há duas maneiras das fusões provavelmente afetarem o buraco negro central. A primeira seria um aumento na quantidade de gás atraído para o centro da galáxia, acrescentando massa tanto ao buraco negro como ao disco matéria em seu redor," explica Colin Norman, coautor do artigo. "Mas este processo deve afetar os buracos negros em todas as fusões galácticas e, apesar disso, nem todas as galáxias em fusão que têm buracos negros acabam com jatos, por isso não é suficiente para explicar a origem destes jatos. A outra hipótese é que uma fusão entre duas galáxias gigantescas faz com que dois buracos negros de massa semelhante também se fundam. Pode ser que uma determinada classe de fusão entre dois buracos negros produza um único buraco negro supermassivo e veloz, o que explica a produção dos jatos."

Serão necessárias observações futuras usando tanto o Hubble como o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) do ESO para melhorar e expandir ainda mais o estudo, e para continuar a lançar luz sobre estes processos complexos e poderosos.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
PHYSORG
UPI

Fusões galácticas:
Wikipedia

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

Núcleo galáctico ativo:
Wikipedia

Jatos relativistas:
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Site dos 25 anos do Hubble 
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

 
NEW HORIZONS VÊ MAIS DETALHES EM PLUTÃO

Que diferença fazem 32 milhões de quilómetros! As imagens de Plutão pela New Horizons da NASA estão a crescer em escala à medida que a sonda aproxima-se do seu misterioso destino. As novas imagens, capturadas entre os dias 8 e 12 de maio usando uma poderosa câmara telescópica e enviadas na semana passada, revelam mais detalhes sobre a contrastante e complexa superfície de Plutão.

 
 
Estas imagens mostram Plutão na última série de fotografias obtidas pelo instrumento LORRI (Long Range Reconnaissance Imager) da New Horizons, obtidas entre os dias 8 e 12 de maio de 2015 e comparadas com imagens obtidas um mês antes. No mês que separa os dois conjuntos de imagens, a distância da sonda até Plutão diminuiu dos 110 milhões de quilómetros para os 75 milhões de quilómetros. As imagens de abril estão à esquerda, as imagens de maio à direita. Todas foram rodadas para alinhar o eixo de rotação de Plutão com a direção vertical (cima/baixo), como representado esquemticamente no painel do centro. Entre abril e maio, Plutão parece ficar maior à medida que a sonda se aproxima, o tamanho aparente de Plutão aumentando aproximadamente 50%. Plutão completa uma rotação a cada 6,4 dias terrestres e estas imagens mostram as variações à superfície durante a sua rotação. Estas imagens exibem quatro vezes o tamanho nativo das imagens do LORRI e foram processadas usando um método chamado deconvolução, que melhora a nitidez das imagens originais a fim de realçar as características de Plutão. A deconvolução pode ocasionalmente acrescentar detalhes "falsos", de modo que os detalhes terão de ser confirmados por imagens obtidas de mais perto ao longo das próximas semanas. Todas as imagens são exibidas usando a mesma escala linear de brilho.
 

Estas imagens de Plutão foram obtidas a 77 milhões de quilómetros de distância, usando o instrumento LORRI (Long-Range Reconnaissance Imager) a bordo da sonda New Horizons. Tendo em conta que a New Horizons estava aproximadamente 32 milhões de quilómetros mais próxima de Plutão em meados de maio do que em meados de abril, as novas imagens contêm cerca do dobro dos pixéis do que aquelas obtidas há um mês atrás.

A técnica chamada deconvolução melhora a nitidez das imagens não processadas enviadas para a Terra. Nas imagens de abril, os cientistas da New Horizons determinaram que Plutão tem grandes marcas à superfície - algumas brilhantes, outras escuras - incluindo uma área num polo que poderá ser uma calote. As novas imagens mostram detalhes mais refinados. A deconvolução pode ocasionalmente produzir detalhes adulterados, de modo que os detalhes destas imagens necessitarão confirmação com imagens obtidas de mais perto ao longo das próximas semanas.

"À medida que a New Horizons se aproxima de Plutão, está a transformar o objeto de um ponto de luz para um intenso ponto de interesse planetário," afirma Jim Green, Diretor de Ciência Planetária da NASA. "As próximas sete semanas vão ser uma montanha-russa alucinante."

"Estas novas imagens mostram-nos que os diferentes rostos de Plutão são distintos: provavelmente insinuam o que poderá ser uma geologia superficial complexa ou variações na composição de lugar para lugar," afirma Alan Stern, investigador principal da New Horizons, do Instituto de Pesquisa do Sudoeste em Boulder, no estado americano do Colorado. "Estas imagens também continuam a apoiar a ideia que Plutão tem uma calote polar cuja extensão varia de acordo com a longitude; vamos ser capazes de fazer uma determinação definitiva do gelo na região brilhante quando obtivermos informações espectrográficas dessa área em julho."

As imagens que a New Horizons envia vão melhorar dramaticamente nas próximas semanas à medida que a sonda acelera cada vez mais perto do seu encontro de 14 de julho com o sistema de Plutão, avançando 1,2 milhões de quilómetros por dia.

"No final de junho a resolução já será quatro vezes superior à das imagens obtidas entre os dias 8 e 12 de maio e, durante a maior aproximação, esperamos obter imagens com mais de 5000 vezes a resolução atual," afirma Hal Weaver, cientista do projeto e do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins em Laurel, Maryland, EUA.

A New Horizons foi lançada em janeiro de 2006 e está atualmente a 4,75 mil milhões de quilómetros de casa; a sonda está de boa saúde e todos os sistemas estão a operar normalmente.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Universe Today
PHYSORG
Astronomy Now
Discovery News
POPULAR SCIENCE
AstroPT

New Horizons:
Página oficial
NASA
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Sistema de Plutão:
Plutão (Wikipedia)
Caronte (Wikipedia)
Nix (Wikipedia)
Hidra (Wikipedia)
Cérbero (Wikipedia)
Estige (Wikipedia)

 
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Galáxia Espiral NGC 4945
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Petri Kehusmaa, Observatório Harlingten Atacama
 
A grande galáxia espiral NGC 4945 é vista de lado perto do centro deste retrato cósmico. De facto, NGC 4945 é quase do tamanho da nossa Via Láctea. O seu disco de poeira, enxames estelares azuis e jovens e regiões cor-de-rosa de formação estelar sobressaem nesta nítida e colorida imagem telescópica. A cerca de 13 milhões de anos-luz na direção da constelação do hemisfério sul, Centauro, NGC 4945 está apenas cerca de seis vezes mais longe do que Andrómeda, a grande galáxia espiral mais próxima da Via Láctea. Embora a região central da galáxia esteja em grande parte escondida dos telescópios óticos, as observações em raios-X e no infravermelho indicam grandes emissões energéticas e formação estelar no núcleo de NGC 4945. O seu núcleo obscurecido mas ativo qualifica o belíssimo universo-ilha como uma galáxia Seyfert e provavelmente o lar de um buraco negro supermassivo central.
 

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