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Edição n.º 1189
31/07 a 03/08/2015
 
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EFEMÉRIDES

Dia 31/07: 212.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1964, a Ranger 7 envia as primeiras imagens detalhadas da Lua, 1000 vezes melhores do que quaisquer imagens telescópicas da altura.
Em 1971, os astronautas da Apollo 15, David Scott e James Irwin, conduzem o primeiro rover lunar.

Em 1999, despenhava-se intencionalmente sobre a Lua a sonda Lunar Prospector, que pretendia encontrar água sob a crosta da Lua.
Observações: Lua Cheia, pelas 11:43.

Dia 01/08: 213.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1774, o elemento oxigénio é descoberto pela terceira (e última) vez.
Em 1818 nascia Maria Mitchell, a primeira mulher eleita como astrónoma pela Academia Americana de Artes e Ciências.

Ganhou notoriedade mundial pela descoberta de um cometa brilhante em 1847.
Observações: Já passou dia e meio da fase de Lua Cheia. Hoje, o nosso satélite natural está entre as constelações de Capricórnio e Aquário. Consegue discernir que já não está totalmente cheia?

Dia 02/08: 214.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1934 nascia Valery Bykovsky, cosmonauta soviético que voou em três missões espaciais: Vostok 5Soyuz 22 e Soyuz 31.

Detém ainda o recorde de maior tempo passado no espaço, sozinho: cinco dias em órbita, a bordo da Vostok 5 em 1963.
Em 2005, "flyby" da Mercury MESSENGER pela Terra.
Observações: A brilhante Vega brilha quase por cima das nossas cabeças, para quem vive a latitudes médias norte. Para sudeste está Altair, quase do mesmo brilho. Por cima de Altair está Tarazed, a sua companheira alaranjada de terceira magnitude.

Dia 03/08: 215.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1596 era descoberta a primeira estrela variável, Mira, por David Fabricius.
Em 2004, lançamento da missão MESSENGER a Mercúrio, que orbitou o planeta entre 2011 e 2015.

Observações: Encontre Altair novamente, a sudeste após o anoitecer. Para a sua esquerda, a cerca de um punho e meio à distância de um braço esticado, está a ténue mas bonita e pequena constelação de Golfinho, saltando para a esquerda.

 
CURIOSIDADES


Mira é a variável periódica mais brilhante do céu, que não é visível a olho nu durante parte do seu ciclo (magnitude máxima que pode variar entre 3,5 e 2,0; e magnitude mínima que pode variar entre 8,6 e 10,1).

 
 
ASTRÓNOMOS DESCOBREM PODEROSA AURORA PARA LÁ DO SISTEMA SOLAR

Astrónomos descobriram a primeira aurora jamais vista num objeto para lá do nosso Sistema Solar. A aurora - semelhante às auroras boreais da Terra - é 10.000 vezes mais poderosa do que qualquer outra já vista. Encontraram a aurora não num planeta, mas numa estrela de baixa massa no limite entre estrelas e anãs castanhas.

Os cientistas dizem que a descoberta revela uma grande diferença entre a atividade magnética de estrelas mais massivas e de anãs castanhas e planetas.

"Toda a atividade magnética que vemos neste objeto pode ser explicada por auroras poderosas," afirma Gregg Hallinan, do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech). "Isto indica que a atividade auroral substitui a atividade coronal tipo-Sol em anãs castanhas e objetos mais pequenos," acrescenta.

Impressão de artista de uma aurora por cima da região polar de uma anã castanha.
Crédito: Chuck Carter e Gregg Hallinan, Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os astrónomos observaram o objeto, chamado LSR J1835+3259, usando o VLA (Very Large Array) Karl G. Jansky no rádio, juntamente com o Telescópio Hale de 5 metros em Palomar e com o Telescópio Keck de 10 metros no Hawaii em comprimentos de onda visíveis. A combinação das observações óticas e rádio mostraram que o objeto, a 18 anos-luz da Terra, tem características diferentes de todas as já vistas em estrelas mais maciças.

As anãs castanhas, por vezes chamadas "estrelas falhadas", são objetos mais massivos que planetas, mas demasiado pequenos para despoletar as reações termonucleares nos seus núcleos. Os astrónomos dizem que as suas observações de LSR J1835+3259 indicam que as estrelas mais frias e as anãs castanhas têm atmosferas exteriores que suportam atividade auroral, em vez do tipo de atividade magnética visto em estrelas mais massivas e quentes.

A descoberta também tem implicações para o estudo de exoplanetas. A aurora que os cientistas observaram em LSR J1835+3259 parece ser alimentada por um processo pouco conhecido mas semelhante àquele observado nos maiores planetas do Sistema Solar. Este processo é diferente do que provoca as auroras da Terra - o campo magnético que interage com o vento solar.

"O que vemos neste objeto parece ser o mesmo fenómeno que vemos, por exemplo, em Júpiter, mas milhares de vezes mais poderoso," comenta Hallinan. "Isto sugere que poderá ser possível detetar este tipo de atividade em exoplanetas, muitos dos quais são significativamente mais massivos que Júpiter," acrescenta.

Hallinan trabalhou com uma equipa internacional de investigadores dos EUA, Reino Unido, Irlanda, Alemanha, Rússia e Bulgária. Os cientistas publicaram as suas descobertas na edição de 30 de julho da revista Nature.

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Notícias relacionadas:
NRAO (comunicado de imprensa)
Universidade de Sheffield (comunicado de imprensa)
Nature
Science
Astronomy
Sky & Telescope
Astronomy Now
Science Daily
SPACE.com
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EarthSky
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Discovery News

Anãs castanhas:
Wikipedia
NASA
Andy Lloyd's Dark Star Theory

VLA:
Página oficial
Wikipedia

Observatório Palomar:
Página oficial
Telescópio Hale

Observatório W. M. Keck:
Página oficial
Wikipedia

 
PRIMEIRA DETEÇÃO DE LÍTIO NUMA ESTRELA EM EXPLOSÃO
Esta imagem obtida pelo NTT (New Technology Telescope) instalado no Observatório de La Silla do ESO mostra a Nova Centauri 2013 em julho de 2015, facilmente visível como a estrela mais brilhante no centro da fotografia. A imagem foi obtida mais de 18 meses após a explosão inicial. Esta nova foi a primeira onde se encontrou evidências de lítio.
Crédito: ESO
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O elemento químico lítio foi encontrado pela primeira vez em material ejetado por uma nova. Observações da Nova Centauri 2013 obtidas com o auxílio de telescópios no Observatório de La Silla do ESO e perto de Santiago do Chile, ajudaram a explicar por que é que muitas estrelas jovens parecem ter mais quantidade deste elemento químico do que o esperado. Esta nova descoberta acrescenta uma importante peça que faltava ao puzzle que representa a evolução química da nossa Galáxia e é um enorme passo em frente na compreensão das quantidades dos diferentes elementos químicos nas estrelas da Via Láctea.

O elemento químico leve lítio é um dos poucos elementos que se prevê ter sido criado pelo Big Bang, há 13,8 mil milhões de anos atrás. No entanto, tentar compreender as quantidades de lítio observadas nas estrelas que nos rodeiam hoje tem sido um processo muito difícil. Estrelas mais velhas possuem menos lítio do que o esperado e algumas estrelas jovens têm dez vezes mais lítio do que o que pensávamos.

Desde a década de 1970 que os astrónomos especulam que a enorme quantidade de lítio encontrado nas estrelas jovens poderá vir de novas — explosões estelares que libertam material para o espaço entre as estrelas, contribuindo assim para a matéria que forma a próxima geração de estrelas. No entanto, observações cuidadas de várias novas não tinham, até agora, fornecido resultados claros.

Uma equipa liderada por Luca Izzo (Universidade Sapienza de Roma e ICRANet, Pescara, Itália) utilizou o instrumento FEROS montado no telescópio MPG/ESO de 2,2 metros instalado no Observatório de La Silla, assim como o espectrógrafo PUCHEROS montado no telescópio de 0,5 metros do ESO, no Observatório da Pontificia Universidad Catolica de Chile em Santa Marina, perto de Santiago, para estudar a nova Nova Centauri 2013 (V1369 Centauri). Esta estrela explodiu no céu austral perto da estrela brilhante Beta Centauri em dezembro de 2013, tratando-se, até agora, da nova mais brilhante deste século — facilmente observada a olho nu.

Duas das estrelas mais brilhantes do céu austral, Alfa e Beta Centauri, têm agora uma nova companheira visível a olho nu, a Nova Centaurus 2013.
Esta fotografia foi tirada pelo Embaixador Fotográfico do ESO Yuri Beletsky no Observatório de La Silla do ESO, no deserto chileno do Atacama, nas primeiras horas da manhã do dia 9 de dezembro de 2013.
Esta nova foi descoberta a 2 de dezembro de 2013 por John Seach, na Austrália, quando o objeto se aproximava da luminosidade possível de observar a olho nu. A nova Centaurus 2013 é a nova mais brilhante que ocorreu até agora neste milénio.
Este evento particular é conhecido como uma nova clássica e não deve ser confundido com uma supernova. As novas clássicas ocorrem em sistemas binários de estrelas quando o hidrogénio gasoso originário da parceira estelar é acretado na superfície da estrela principal, dando origem a um evento termonuclear que faz com que a estrela principal brilhe mais intensamente. Nas novas clássicas a estrela principal não é destruída como no caso das supernovas. Em vez disso, a estrela torna-se dramaticamente mais brilhante ao mesmo tempo que se dá uma expansão da concha de detritos.
Podemos ver esta nova logo à esquerda de Beta Centauri, a mais azul e mais alta das duas estrelas brilhantes na zona inferior direita da fotografia. O Cruzeiro do Sul e a Nebulosa do Saco de Carvão também aparecem na imagem, próximo do topo.
Em primeiro plano à esquerda temos o telescópio de 3,6 metros do ESO, inaugurado em 1976, onde está atualmente montado o espectrógrafo HARPS, o mais prolífico detector de exoplanetas do mundo. Situado 600 km a norte de Santiago, a uma altitude de 2400 metros na periferia do deserto chileno do Atacama, La Silla foi o primeiro observatório do ESO e o maior da sua época.
Crédito: Y. Beletsky (LCO)/ESO
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os novos dados extremamente detalhados revelaram uma assinatura clara de lítio a ser expelido da nova com uma velocidade de dois milhões de quilómetros por hora. Trata-se da primeira deteção, até à data, de lítio a ser ejetado por uma nova.

O coautor Massimo Della Valle (INAF — Osservatorio Astronomico di Capodimonte, Nápoles, e ICRANet, Pescara, Itália) explica a importância desta descoberta: "Trata-se de um importantíssimo passo em frente. Se imaginarmos a história da evolução química da Via Láctea como um enorme puzzle, então o lítio das novas corresponde a uma das peças mais importantes e difíceis de encontrar que faltavam. Adicionalmente, qualquer modelo do Big Bang é sempre questionável até este problema do lítio estar resolvido."

Estima-se que a massa do lítio ejetado pela Nova Centauri 2013 é minúscula (menos de uma milésima milionésima parte da massa do Sol), no entanto, uma vez que existiram muitos milhares de milhões de novas ao longo da história da Via Láctea, tal quantidade é suficiente para explicar as quantidades inesperadamente grandes de lítio observadas na nossa Galáxia.

Os autores Luca Pasquini (ESO, Garching, Alemanha) e Massimo Della Valle procuram evidências de lítio em novas desde há mais de um quarto de século. Esta é por isso uma conclusão muito satisfatória da sua longa busca. E para o jovem cientista líder do projeto existe outro tipo de satisfação:

"É muito excitante," diz Luca Izzo, "encontrar algo que foi previsto antes de eu nascer e que foi depois observado no dia do meu aniversário em 2013!"

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Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico
Science
Astronomy
SPACE.com
redOrbit
(e) Science News
Discovery News
Forbes

Nova Centauri 2013:
Wikipedia

Nova:
Wikipedia

Observatório La Silla:
ESO
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
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