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Edição n.º 1223
27/11 a 30/11/2015
 
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27/11/15 - A ESTRELA DAS MEGAESTRUTURAS + OBSERVAÇÃO ASTRONÓMICA NOTURNA COM TELESCÓPIO
20:00 - Conversa via tele-conferência com o investigador Vardan Adibekyan (CAUP/IA), sobre as variações de luminosidade da estrela KIC 8462852 (a estrela que ficou associada pelos media às megaestruturas alienígenas em outubro passado). De seguida far-se-á observação noturna com telescópio na Açoteia do CCVAlg.
Público: Público em geral
Local: CCVAlg
Inscrições: seguir este link
Telefone: 289 890 922
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 27/11: 331.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1701 nascia Anders Celsius, astrónomo, físico e matemático sueco. Fundou o Observatório Astronómico de Uppsala em 1741, e em 1742 propôs a escala de temperatura que tem o seu nome.
Em 1871 nascia Giovanni Giorgi, engenheiro eléctrico italiano que inventou o sistema de medição Giorgi, o percursor do SI (Sistema Internacional). 
Em 1971, a sonda soviética Mars-2, apesar do seu falhanço, torna-se no primeiro objeto feito pelo Homem a atingir Marte.

Em 2001, é descoberta, pelo Hubble, uma atmosfera de hidrogénio e sódio no planeta extrasolar HD 209458 (Osiris), a primeira atmosfera detetada num planeta extrasolar.
Observações: Sabia que nos nossos céus do Hemisfério Norte encontra-se um cometa visível a olho nu (sob céus escuros)? Chama-se Cometa Catalina (C/2013 US10) e pode ser observado antes do amanhecer, perto do horizonte a este-sudeste. Siga a linha formada por Júpiter, Marte e Vénus com binóculos e encontrará o pequeno mas visível cometa.

Dia 28/11: 332.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1964, a NASA lança a sonda Mariner 4.

Foi a primeira sonda a fazer um voo rasante pelo Planeta Vermelho e a primeira a enviar imagens da superfície de outro mundo a partir do espaço profundo.
Em 2000, é descoberto 20000 Varuna, um objeto da Cintura de Kuiper. É provavelmente um planeta anão.
Observações: Vénus brilha a menos de 5º de Espiga, antes do amanhecer, até ao dia 2 de dezembro.
O Cometa Catalina está um pouco mais alto do que estava ontem à mesma hora. Infelizmente, vai ficando mais ténue.
Pelas 22 horas, a Lua pode ser observada em Gémeos. Para a sua esquerda estã as estrelas Pollux e Castor. Orionte sobe para a sua direita.

Dia 29/11: 333.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1803, nascia Christian Doppler, matemático e físico austríaco, famoso pela sua descoberta do que é agora denominado efeito Doppler.

Em 1961, Enos, um chimpanzé, é lançado para o espaço a bordo da missão Mercury-Atlas 5. A nave orbitou a Terra duas vezes e aterrou no mar perto da costa de Porto Rico.
Em 1965, a agência espacial canadiana lança o satélite Alouette 2.
Em 1967, lançamento de primeiro satélite australiano, o WRESAT.
Observações: Continue as suas observações dos três planetas visíveis antes do amanhecer e do Cometa Catalina

Dia 30/11: 334.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1756 nascia Ernst Chladni, físico e músico alemão, conhecido como o "pai dos meteoritos". Também calculou a velocidade do som para gases diferentes.
Em 1954, Ann Elizabeth Hodges é atingida por um meteorito de 5 kg no estado americano do Alabama. É o único caso documentado de um meteorito ter atingido uma pessoa.

Observações: O Cometa Catalina continua a subir lentamente na constelação de Virgem, enquanto vai ficando mais ténue.

 
CURIOSIDADES


A explosão de VY Canis Majoris terá lugar em breve - segundo padrões astronómicos. Mas não há razão para alarme, dado que este evento dramático só deverá acontecer daqui a centenas de milhares de anos. Vista a partir da Terra, será espetacular - talvez tão brilhante quanto a Lua - mas não porá em perigo a vida.

 
REVELADO SEGREDO DA PERDA DE PESO DE ESTRELA A ENVELHECER
A estrela VY Canis Majoris é uma hipergigante vermelha, uma das maiores estrelas conhecidas na Via Láctea. Tem 30 a 40 vezes a massa do Sol e é 300.000 vezes mais luminosa. No seu estado atual, a estrela atingiria a órbita de Júpiter, uma vez que se expandiu de forma tremenda agora que está a entrar nas fases finais da sua vida.
Novas observações desta estrela obtidas com o instrumento SPHERE montado no VLT revelaram de forma clara como é que a luz brilhante da VY Canis Majoris ilumina as nuvens de material que a rodeiam e permitiram determinar, muito melhor do que anteriormente, as propriedades dos grãos de poeira que as compõem.
Nesta imagem de grande plano obtida pelo SPHERE, a estrela propriamente dita encontra-se escondida pelo disco escuro. As cruzes são apenas artefactos inerentes às caraterísticas do instrumento.
Crédito: ESO
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Com o auxílio do VLT (Very Large Telescope) do ESO uma equipa de astrónomos capturou as imagens mais detalhadas de sempre da estrela hipergigante VY Canis Majoris. Estas observações mostram como é que o tamanho inesperadamente grande das partículas de poeira que rodeiam a estrela, faz com que esta perca uma enorme quantidade de massa na altura em que começa a morrer. Este processo, agora compreendido pela primeira vez, é crucial já que prepara estrelas tão grandes para o seu final explosivo sob a forma de supernovas.

VY Canis Majoris é um golias estelar, uma hipergigante vermelha, uma das maiores estrelas conhecidas na Via Láctea. Tem 30 a 40 vezes a massa do Sol e é 300.000 vezes mais luminosa. No seu estado atual, a estrela atingiria a órbita de Júpiter, uma vez que se expandiu de forma tremenda agora que está a entrar nas fases finais da sua vida.

As novas observações desta estrela foram obtidas com o instrumento SPHERE montado no VLT. O sistema de ótica adaptativa deste instrumento corrige as imagens muito melhor do que os anteriores sistemas, permitindo a observação muito detalhada de estruturas muito próximas de fontes luminosas. O SPHERE revelou de forma clara como é que a luz brilhante de VY Canis Majoris ilumina as nuvens de material que a rodeiam.

Ao usar o modo ZIMPOL do SPHERE, a equipa pôde ver não apenas mais profundamente o coração da nuvem de gás e poeira que rodeia a estrela, mas também como é que a radiação estelar está a ser dispersada e polarizada pelo material circundante. Estas medições foram cruciais para descobrir as propriedades elusivas da poeira.

Análises cuidadas dos resultados da polarização revelaram que os grãos de poeira são partículas relativamente grandes, com um tamanho de 0,5 micrómetros, o que pode parecer pequeno, mas grãos deste tamanho são cerca de 50 vezes maiores do que a poeira encontrada normalmente no espaço interestelar.

Esta imagem de grande angular mostra o céu em torno da estrela hipergigante vermelha muito brilhante VY Canis Majoris, uma das maiores estrelas que se conhecem na Via Láctea. A estrela propriamente dita encontra-se no centro da imagem, a qual inclui também nuvens de hidrogénio gasoso vermelho resplandescente, nuvens de poeira e o enxame estelar brilhante em torno da estrela brilhante Tau Canis Majoris, na parte superior direita. Esta imagem foi criada a partir de dados do Digitized Sky Survey 2.
Crédito: ESO/Digitized Sky Survey 2. Reconhecimento: Davide De Martin
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Através da sua expansão, as estrelas massivas libertam enormes quantidades de matéria - todos os anos VY Canis Majoris expele da sua superfície o equivalente a 30 vezes a massa da Terra sob a forma de gás e poeira. Esta nuvem de material é empurrada para o exterior antes da estrela explodir, altura em que alguma poeira é destruída e a restante é lançada para o meio interestelar. Esta matéria é depois usada, juntamente com os elementos mais pesados formados durante a explosão da supernova, pela nova geração de estrelas, que podem usar o material para formar planetas.

Até agora não se sabia como é que o material existente nas camadas mais superiores da atmosfera destas estrelas gigantes era empurrado para o espaço antes da estrela explodir. O candidato mais provável foi sempre a pressão de radiação, a força exercida pela radiação estelar. Como esta pressão é muito fraca, o processo apoiava-se em grãos de poeira grandes, de modo a garantir uma área de superfície suficiente para a obtenção de um efeito apreciável.

"As estrelas massivas têm vidas curtas," diz o autor principal do artigo científico que descreve estes resultados, Peter Scicluna, da Academia Sinica, Instituto de Astronomia e Astrofísica da Ilha Formosa. "Quando se aproximam dos seus últimos dias, estas estrelas perdem muita massa. No passado, podíamos apenas tecer teorias sobre como é que isto aconteceria. Mas agora, e graças aos novos dados obtidos pelo SPHERE, descobrimos enormes grãos de poeira em torno da hipergigante. Estas partículas são suficientemente grandes para ser empurradas pela intensa pressão de radiação da estrela, o que explica a rápida perda de massa deste objeto."

Os grandes grãos de poeira observados tão próximo da estrela implicam que a nuvem pode dispersar de modo efetivo a radiação visível emitida pela estrela e pode ser empurrada por esta pressão de radiação. O tamanho dos grãos de poeira significa também que muitos serão capazes de sobreviver à radiação produzida pela explosão inevitável de VY Canis Majoris sob a forma de supernova. Esta poeira contribuirá assim para o meio interestelar circundante, alimentando futuras gerações de estrelas e "encorajando-as" a formar planetas.

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico
Science
spaceref
Astronomy Now
SPACE.com
PHYSORG
(e) Science News
Discovery News
UPI
gizmag

VY Canis Majoris:
AAVSO
Universe Today
Wikipedia

Hipergigante:
Wikipedia

VLT:
Página oficial
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
UM EXOPLANETA AZUL, DO TAMANHO DE NEPTUNO, EM REDOR DE UMA ANÃ VERMELHA

Uma equipa de astrónomos usou a rede LCOGT (Las Cumbres Observatory Global Telescope) para detetar luz dispersa por partículas minúsculas (com o nome dispersão de Rayleigh), através da atmosfera de um exoplaneta em trânsito, exoplaneta este com o tamanho de Neptuno. Isto sugere um céu azul neste mundo, localizado a apenas 100 anos-luz de distância. Os resultados foram publicados na revista The Astrophysical Journal de 20 de novembro e estão disponíveis online.

Os trânsitos ocorrem quando um exoplaneta passa em frente da sua estrela-mãe, reduzindo por uma pequena fração a quantidade de luz estelar que recebemos. Quando a órbita de um exoplaneta está alinhada com o nosso ponto de vista na Terra, os astrónomos podem medir o tamanho de um planeta em diferentes comprimentos de onda a fim de gerar um espectro da sua atmosfera. O espectro então revela as substâncias presentes na atmosfera exoplanetária e, portanto, a sua composição. Esta medição é frequentemente realizada usando radiação infravermelha, onde o planeta é mais brilhante e mais facilmente observado. Durante os últimos anos, os investigadores têm vindo a estudar as atmosferas de vários exoplanetas pequenos com telescópios terrestres e espaciais, mas a determinação da sua composição é sempre um desafio com este método. Isto porque ou os planetas têm nuvens (que obscurecem a atmosfera) ou as medições não são suficientemente precisas.

Impressão de artista de GJ 3470b e da sua estrela-mãe.
Crédito: NAOJ
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Com quatro vezes o tamanho da Terra, GJ 3470b é um exoplaneta mais perto, em tamanho, do nosso próprio planeta do que dos chamados "Júpiteres Quentes" (com cerca de dez vezes o tamanho da Terra), que até agora perfazem a maioria dos exoplanetas com atmosferas bem caracterizadas. Astrónomos liderados por Diana Dragomir da Universidade de Chicago, EUA, debruçaram-se sobre a descoberta feita por outro grupo, cujos resultados sugeriram tentativamente a presença de dispersão de Rayleigh na atmosfera de GJ 3470b. A equipa da Dra. Dragomir adquiriu e combinou observações de trânsito de todos os locais do observatório LCOGT (Hawaii, Texas, Chile, Austrália e África do Sul) para confirmar de forma conclusiva a deteção de dispersão de Rayleigh em GJ 3470b.

O resultado é importante por várias razões. GJ 3470b é o exoplaneta mais pequeno para qual existe uma deteção de dispersão de Rayleigh. Embora se pense que este planeta seja nublado ou enevoado, a medição diz aos astrónomos que o planeta tem uma atmosfera espessa e rica em hidrogénio por baixo de uma camada de neblina que espalha luz azul. Na verdade, em GJ 3470b o céu é azul. Além disso, o planeta orbita uma pequena anã vermelha, o que significa que bloqueia uma grande quantidade de luz estelar durante cada trânsito, o que os torna fáceis de detetar e que torna o planeta mais facilmente caracterizável. Finalmente, esta medição é a primeira deteção clara de uma característica espectroscópica na atmosfera de um exoplaneta feita apenas com telescópios pequenos (1,0 e 2,0 m). A equipa também complementou os dados do LCOGT com observações obtidas pelo Telescópio Kuiper de 1,5 m no estado americano do Arizona.

A Dra. Dragomir, que realizou o projeto enquanto investigadora no LCOGT, diz que "esta deteção leva-nos mais perto de compreender a natureza de exoplanetas cada vez mais pequenos através do uso de uma nova abordagem que permite investigar as atmosferas de exoplanetas, mesmo que sejam nublados." Ao mesmo tempo, o resultado destaca o papel que telescópios com poucos metros de abertura podem desempenhar na caracterização das atmosferas destes mundos.

Links:

Notícias relacionadas:
LCOGT.net (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
The Astrophysical Journal
Astronomy
PHYSORG

GJ 3470b:
Exoplanet.eu
Open Exoplanet Catalogue
Wikipedia

Dispersão de Rayleigh:
Universidade da Califórnia em Riverside
Universidade de Georgia State
Wikipedia

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

LCOGT (Las Cumbres Observatory Global Telescope):
LCOGT.net
Sky & Telescope
Wikipedia

Telescópio Kuiper:
Observatório Steward
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Explicada a perda de carbono na atmosfera marciana (via NASA)
Marte tem uma atmosfera composta principalmente por dióxido de carbono - que é demasiado fina para impedir a água de congelar ou de evaporar rapidamente. No entanto, evidências geológicas levaram os cientistas a concluir que, no passado, Marte já foi um local mais quente e com água líquida à superfície. Para produzir um clima mais temperado, os cientistas sugeriram que o planeta já foi envolto numa atmosfera muito mais espessa de dióxido de carbono. Durante décadas, permaneceu a questão: "Para onde é que foi todo o carbono?" Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Planetas ao Amanhecer
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Yuri Beletsky (Observatório Las Campanas de CarnegieTWAN)
 
Este recente retrato de grupo do Sistema Solar mostra também o horizonte do Planeta Terra, a partir do Observatório Las Campanas no hemisfério sul. Captado antes do amanhecer, traça a eclíptica com uma paisagem familiar para quem tem que acordar cedo durante este mês de novembro. Perto do ponto cardeal Este estão os brilhantes planetas Vénus, Marte e Júpiter, juntamente com Régulo, a estrela alfa da constelação de Leão. Claro, os planetas estão embebidos no ténue brilho da luz zodiacal, visível a partir de locais escuros e subindo a partir do horizonte. Por vezes conhecida como "falso amanhecer", não é por acaso que tanto a luz zodiacal como os planetas estão situados ao longo da eclíptica. Formados no disco protoplanetário achatado, os planetas do Sistema Solar orbitam todos perto do plano da eclíptica, enquanto a poeira perto do plano espalha luz solar, a fonte do fraco brilho zodiacal.
 

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