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Edição n.º 1229
18/12 a 21/12/2015
 
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EFEMÉRIDES

Dia 18/12: 352.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1856 nascia J. J. Thomson, físico inglês, conhecido pela descoberta do eletrão e pela invenção do espectrómetro de massa.
Em 1958, lançamento do Projecto SCORE, o primeiro satélite de comunicações.
Em 1966, Richard Walker descobre a lua de Saturno, Epimeteu, que depois esteve "perdida" durante 12 anos.

Em 1973, é lançada a Soyuz 13, tripulada pelos cosmonautas Valentin Lebedev e Pyotr Klimuk, de Baikonur, União Soviética.
Em 1999, a NASA lança para órbita a plataforma Terra, transportando cinco instrumentos de observação terrestre: o ASTERCERESMISR, MODIS e MOPITT
Observações: Lua em Quarto Crescente, pelas 15:14. Esta noite a Lua mais ou menos por baixo do lado este do Grande Quadrado de Pégaso. Consegue ver o movimento da Lua em relação a esta linha, com o passar do tempo?

Dia 19/12: 353.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1852 nascia Albert A. Michelson, físico americano conhecido pelo seu trabalho na medição da velocidade da luz e especialmente pela experiência Michelson-Morley.
Em 1972, a Apollo 17, a última missão lunar tripulada, regressava à Terra. 

Observações: O enxame das Plêiades brilha muito alto a sudeste depois da hora de jantar. Quantas estrelas deste enxame aberto consegue contar à vista desarmada? Demore o tempo que quiser e continue à procura. A maioria das pessoas consegue contar 6. Com um boa visão, um céu escuro e olhos bem adaptados, talvez consiga chegar às 8 ou 9.

Dia 20/12: 354.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1904, era fundado o Observatório Solar do Mt. Wilson
Em 1996, morria Carl Sagan, considerado por muitos o maior divulgador de Astronomia da História.
Em 1999, lançamento da missão STS-103 do vaivém Discovery, a terceira missão de serviço ao Telescópio Hubble.

Observações: Se há alguma constelação que todos devíamos conhecer durante esta altura do ano, é Orionte, que sobe a Este-Sudeste. Como sempre, quando Orionte sobe, a sua cintura composta por três estrelas, no meio da constelação, encontra-se quase na vertical. Mostre Orionte a quem quiser esta semana e eles sabê-la-ão para o resto das suas vidas.

Dia 21/12: 355.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1968, lançamento da Apollo 8William A. Anders, James A. Lovell Jr. e Frank Borman tornaram-se nos primeiros seres humanos a sair da órbita da Terra.

Esta missão teve como objetivo alcançar a órbita da Lua, observar a sua superfície e o seu lado escuro. Duração da missão: 6 dias, 3 horas, 0 minutos e 42 segundos. 
Em 1984 era lançada a sonda soviética Vega 2.
Observações: Durante a época natalícia, Sirius nasce a este-sudeste, bem para baixo de Orionte por volta das 20 horas. Enquanto Sirius estiver ainda baixa, os binóculos mostram que pisca com cores vívidas. Todas as estrelas têm este comportamento aparente quando estão perto do horizonte, mas Sirius é a estrela mais brilhante do céu noturno, o que realça ainda mais este efeito.

 
CURIOSIDADES


Os astronautas da ISS têm que dormir perto de um ventilador, ligado, ou arriscam-se a acordar subitamente (resposta involuntária) com falta de ar e com uma grande dor de cabeça. Isto devido à deprivação de oxigénio numa área sem mistura de ar e à formação de uma "bolha" do seu próprio dióxido de carbono expirado.

 
NUMA GALÁXIA NÃO MUITO DISTANTE, UMA ESTRELA ALBERGA UM PLANETA POTENCIALMENTE HABITÁVEL

Astrónomos da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália, descobriram o mais próximo exoplaneta potencialmente habitável, orbitando uma estrela a apenas 14 anos-luz de distância.

O planeta, com mais de quatro vezes a massa da Terra, é um dos três que a equipa detetou em redor de uma anã vermelha chamada Wolf 1061.

"É uma descoberta particularmente interessante porque todos os três planetas têm massa pequena o suficiente para serem potencialmente rochosos e para terem uma superfície sólida, e o planeta do meio, Wolf 1061c, está situado dentro da zona habitável da estrela, onde é possível a existência de água líquida - e, quem sabe, até vida," explica o Dr. Duncan Wright, autor principal do artigo científico que divulga a descoberta.

"É fascinante olhar para a vastidão do espaço e pensar que uma estrela tão perto de nós - um vizinho próximo - pode hospedar um planeta habitável."

"Enquanto alguns outros planetas já foram descobertos a orbitar estrelas mais próximas de nós que Wolf 1061, esses planetas não são considerados, nem remotamente, habitáveis," explica o Dr. Wright.

A área do céu, na constelação de Ofíuco, perto da anã vermelha Wolf 1061, que inclui também o bonito, mas sem relação, enxame Messier 107. Wolf 1061 está a 14 anos-luz de distância.
Crédito: Universidade de Nova Gales do Sul/atlas do céu "Aladin", desenvolvido pelo Observatório de Estrasburgo, França
 

Os três planetas recém-detetados orbitam a pequena, relativamente fria e estável estrela a cada 5, 18 e 67 dias, respetivamente. As suas massas são de pelo menos 1,4, 4,3 e 5,3 vezes a da Terra, respetivamente.

O maior e mais exterior dos planetas está mesmo para lá do limite exterior da zona habitável e é também provavelmente rochoso, enquanto o planeta mais pequeno e interior está demasiado perto da estrela para ser habitável.

A descoberta será publicada na revista The Astrophysical Journal Letters.

A equipa da Universidade de Nova Gales do Sul usou observações de Wolf 1061 recolhidas pelo espectrógrafo HARPS acoplado ao telescópio de 3,6 metros do ESO em La Silla, no Chile.

"A nossa equipa desenvolveu uma nova técnica que melhora a análise dos dados recolhidos por este instrumento preciso e construído para caçar planetas, e estudámos mais de uma década de observações de Wolf 1061," explica o professor Chris Tinney, líder do grupo de Ciência Exoplanetária da mesma universidade.

"Estes três planetas aqui à nossa porta juntam-se ao pequeno, mas cada vez maior grupo de mundos rochosos potencialmente habitáveis que orbitam estrelas próximas mais frias do que o nosso Sol."

Wolf 1061 e os seus planetas. A zona habitável tem um tom de verde.
Crédito: Universidade de Nova Gales do Sul
 

Sabemos agora que pequenos planetas rochosos como o nosso são abundantes na Galáxia, e os sistemas multiplanetários também parecem ser comuns. No entanto, a maioria dos exoplanetas rochosos descobertos até agora estão a centenas ou milhares de anos-luz de distância.

Uma exceção é Gliese 667Cc que fica a 22 anos-luz da Terra. Orbita uma anã vermelha a cada 28 dias e tem pelo menos 4,5 vezes a massa da Terra.

"A proximidade dos planetas no sistema Wolf 1061 significa há uma boa chance que estes planetas passem em frente da sua estrela. Se tal acontecer, poderá então ser possível estudar as atmosferas destes planetas no futuro para ver se são apropriados para a vida," conclui o Dr. Rob Wittenmyer, membro da equipa.

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade de Nova Gales do Sul (comunicado de imprensa)
Artigo científico
PHYSORG
Astrobiology Magazine
Popular Mechanics
gizmag

Wolf 1061c:
Wikipedia

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

Observatório La Silla:
ESO
Wikipedia

 
ALMA REVELA LOCAIS DE CONSTRUÇÃO PLANETÁRIA
Os astrónomos utilizaram o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) para descobrir diferenças importantes entre as cavidades existentes no gás e na poeira em discos que rodeiam quatro estrelas jovens. Estas novas observações dão-nos as mais claras indicações conseguidas até à data de que planetas com várias vezes a massa de Júpiter se formaram recentemente nestes discos.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/M. Kornmesser
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Com o auxílio do ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), astrónomos obtiveram as mais claras indicações conseguidas até à data de que planetas com várias vezes a massa de Júpiter se formaram recentemente nos discos de gás e poeira que rodeiam quatro estrelas jovens. Medições do gás em torno das estrelas forneceram também pistas adicionais relativas às propriedades destes planetas.

Existem planetas em órbita de quase todas as estrelas, no entanto os astrónomos ainda não compreendem bem como - e sob que condições - é que estes corpos se formam. Para responder a estas perguntas, foi feito um estudo dos discos em rotação de gás e poeira que se situam em torno de estrelas jovens e a partir dos quais se formam os planetas. Como estes discos são pequenos e encontram-se muito distantes da Terra, foi necessário utilizar o ALMA para revelar os seus segredos.

Uma classe especial destes discos, os discos transitórios, possui uma falta surpreendente de poeira nos seus centros, na região em torno da estrela. Duas ideias principais foram adiantadas para explicar estas estranhas cavidades na poeira dos discos. A primeira diz que ventos estelares fortes e radiação intensa poderiam ter soprado para longe ou mesmo destruído o material circundante (processo conhecido como fotoevaporação). Alternativamente, planetas jovens massivos em processo de formação poderão também ter limpo o material à medida que orbitam a estrela.

Os astrónomos utilizaram o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) para descobrir diferenças importantes entre as cavidades existentes no gás e na poeira em discos que rodeiam quatro estrelas jovens. Estas novas observações dão-nos as mais claras indicações conseguidas até à data de que planetas com várias vezes a massa de Júpiter se formaram recentemente nestes discos. Este diagrama mostra como é que a poeira (a castanho) e o gás (a azul) se distribuem em torno da estrela e como é que um planeta jovem se encontra a limpar a cavidade central.
Crédito: ESO/M. Kornmesser
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A sensibilidade sem paralelo e a nitidez de imagem do ALMA permitiram a uma equipa de astrónomos, liderada por Nienke van der Marel do Observatório de Leiden, Holanda, mapear de modo muito rigoroso a distribuição do gás e poeira em quatro discos transitórios. Este estudo permitiu à equipa escolher pela primeira vez entre as duas diferentes opções que poderão causar estas cavidades na poeira dos discos.

Estas novas imagens mostram que existem quantidades significativas de gás no interior das cavidades da poeira. No entanto, e para surpresa da equipa, o gás possui também ele uma cavidade, embora esta seja até cerca de três vezes mais pequena que a da poeira.

Este resultado só pode ser explicado pelo cenário de planetas massivos recém-formados que limpam o gás à medida que viajam nas suas órbitas, mas que capturam as partículas de poeira mais longe.

"Observações anteriores apontavam já para a presença de gás no interior dos espaços vazios de poeira," explica Nienke van der Marel. "Mas como o ALMA consegue obter imagens do material no disco inteiro com muito mais detalhe do que outras infraestruturas de observação, pudemos excluir o outro cenário alternativo. Os espaços vazios apontam claramente para a presença de planetas com várias vezes a massa de Júpiter, que criam esta espécie de 'cavernas' à medida que varrem o disco."

Esta imagem combina uma vista da poeira situada em torno da jovem estrela HD 135344B (a laranja) com uma imagem do material gasoso (a azul). O buraco mais pequeno no gás interno informa-nos da presença de um jovem planeta a limpar o disco.
Crédito: ALMA (ESO/NOAJ/NRAO)
(clique na imagem para ver versão maior)
 
Esta imagem combina uma vista da poeira situada em torno da jovem estrela DoAr 44 (a laranja) com uma imagem do material gasoso (a azul). O buraco mais pequeno no gás interno informa-nos da presença de um jovem planeta a limpar o disco.
Crédito: ALMA (ESO/NOAJ/NRAO)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Surpreendentemente, estas observações foram feitas usando apenas um-décimo do atual poder resolvente do ALMA, já que foram executadas quando metade da rede se encontrava ainda em construção no Planalto do Chajnantor, no norte do Chile.

Estudos adicionais são agora necessários para determinar se os discos mais tradicionais também apontam para este cenário de planetas que limpam o disco, embora outras observações já obtidas com o ALMA tenham também, entretanto, dado aos astrónomos novas pistas sobre o complexo processo de formação planetária.

"Todos os discos transitórios estudados até agora que apresentam estas enormes cavidades na poeira, possuem também cavidades no gás. Por isso, com o ALMA podemos agora descobrir onde e quando é que planetas gigantes se estão a formar nestes discos e comparar estes resultados com os modelos de formação planetária," diz Ewine van Dishoeck, também da Universidade de Leiden e do Instituto Max Planck de Física Extraterrestre em Garching. "Deteções planetárias diretas estão já ao alcance dos atuais instrumentos e a próxima geração de telescópios que se encontra atualmente em construção, tal como o E-ELT (European Extremely Large Telescope), poderá ir muito mais além. O ALMA está a dizer-nos para onde é que estes telescópios devem apontar."

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Astronomy & Astrophysics
SPACE.com
PHYSORG

ALMA:
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (NAOJ)
ALMA (ESO)
Wikipedia

E-ELT (European Extremely Large Telescope):
ESO
ESO - 2
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
CAÇADA XXL DE ENXAMES DE GALÁXIAS
Esta imagem mostra o campo sul do XXL (XXL-S), um dos dois campos observados pelo rastreio XXL.
O XXL é o maior rastreio de enxames de galáxias jamais executado e dá-nos a melhor vista de sempre do céu profundo em raios X. O rastreio foi levado a cabo pelo observatório XMM-Newton da ESA. Observações adicionais vitais para medir as distâncias aos enxames de galáxias foram obtidas nos observatórios do ESO.
A área que mostramos nesta imagem foi obtida com cerca de 220 observações do XMM-Newton e, vista no céu, teria uma área bidimensional - ou seja, sem levar em linha de conta a profundidade explorada no rastreio - de 100 vezes a área da Lua Cheia (a qual cobre cerca de meio grau do céu).
Os círculos vermelhos mostram os enxames de galáxias detetados pelo rastreio. Juntamente com o outro campo - o campo norte do XXL (XXL-N) - foram descobertos cerca de 450 enxames neste rastreio, que os mapeou até uma altura em que o Universo tinha apenas metade da sua idade atual.
A imagem mostra também algumas das 12.000 galáxias detetadas no campo, que apresentam núcleos muito brilhantes contendo buracos negros.
Crédito: ESA/XMM-Newton/consórcio do rastreio XXL/(S. Snowden, L. Faccioli, F. Pacaud)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os telescópios do ESO forneceram a uma equipa internacional de astrónomos a terceira dimensão na maior caçada de sempre das maiores estruturas gravitacionalmente ligadas do Universo — os enxames de galáxias. Observações obtidas pelo VLT e pelo NTT complementam as capturadas por outros observatórios em todo o globo e no espaço, no âmbito do rastreio XXL - uma das maiores buscas destes enxames.

Os enxames de galáxias são aglomerados massivos de galáxias que albergam enormes reservatórios de gás quente - as temperaturas são tão elevadas que se produzem raios-X. Estas estruturas são úteis para os astrónomos porque pensa-se que a sua construção é influenciada pelas componentes mais estranhas do Universo - a matéria escura e a energia escura. Por isso, ao estudar as suas propriedades em diferentes fases da história do Universo, os enxames de galáxias podem ajudar-nos a compreender melhor o lado escuro do Universo.

A equipa, composta por mais de 100 astrónomos de todo o mundo, começou uma busca destes monstros cósmicos em 2011. Apesar da radiação de raios-X de alta energia que revela a sua localização ser absorvida pela atmosfera terrestre, podemos detetá-la com a ajuda de observatórios de raios-X colocados no espaço. Assim, combinou-se um rastreio realizado pelo XMM-Newton da ESA - executado com a maior quantidade de tempo de observação alguma vez concedido neste telescópio - com observações do ESO e de outros observatórios. O resultado é uma enorme e crescente coleção de dados que cobre todo o espectro eletromagnético, coletivamente chamada rastreio XXL.

Esta imagem mostra uma imagem de raios-X de um enxame distante (imagem azul onde se vê claramente os pixéis, obtida pelo satélite XMM do ESA) sobreposta a uma imagem do céu obtida a partir do solo - pelo Telescópio Canada France Hawaii. Alguns dos objetos mais brilhantes em raios-X são galáxias cujos centros brilhantes estão a ser alimentados por buracos negros supermassivos. O enxame no centro da imagem mostra uma mancha extensa de radiação de raios-X, emitida por gás quente.
Crédito: ESA/consórcio do rastreio XXL/Telescópio do Canadá-França-Hawaii
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"O objetivo principal do rastreio XXL é fornecer uma amostra bem definida de cerca de 500 enxames de galáxias até uma distância correspondente a uma idade do Universo de cerca de metade da sua idade atual," explica a investigadora principal do XXL, Marguerite Pierre do CEA, Saclay, França.

O telescópio XMM-Newton fez imagens de duas zonas do céu - cada uma com cem vezes a área da Lua Cheia - numa tentativa de descobrir um grande número de enxames de galáxias previamente desconhecidas. A equipa do rastreio XXL divulgou agora os seus resultados numa série de artigos científicos sobre os 100 enxames mais brilhantes descobertos.

Observações obtidas com o instrumento EFOSC2 instalado no NTT (New Technology Telescope), juntamente com observações do instrumento FORS montado no VLT do ESO (Very Large Telescope), foram também utilizadas para analisar cuidadosamente a radiação emitida pelas galáxias no seio destes enxames de galáxias. Estas observações permitiram aos astrónomos medir as distâncias precisas aos enxames de galáxias, dando-nos assim uma vista tridimensional do cosmos, absolutamente necessária para fazer medições da matéria escura e da energia escura.

Espera-se que o rastreio XXL produza muitos resultados excitantes e inesperados, mas apenas com um quinto dos dados que se esperam obter no final, obtiveram-se já alguns resultados importantes e surpreendentes.

Um dos artigos científicos relata a descoberta de cinco novos superenxames - enxames de enxames de galáxias - a juntar àqueles já conhecidos, tais como o nosso próprio superenxame, o Superenxame Laniakea.

Este enxame de galáxias distante foi descoberto pelo rastreio XXL, através da sua emissão raios-X vinda do gás quente. Esta radiação foi detetada pelo satélite XMM da ESA. As distâncias às galáxias individuais foram medidas com o auxílio do ESO e de outros telescópios, permitindo a obtenção de uma vista tridimensional da distribuição dos enxames de galáxias.
Esta imagem foi obtida pelo Telescópio Canada France Hawaii.
Crédito: consórcio do rastreio XXL/Telescópio do Canadá-França-Hawaii
(clique na imagem para ver versão maior; aqui para ver uma composição de dados visíveis com dados em raios-X)
 

Outro artigo trata de observações de seguimento obtidas para um enxame de galáxias em particular (conhecido pelo nome informal de XLSSC-116), situado a cerca de seis mil milhões de anos-luz de distância. Com o instrumento MUSE do VLT, observou-se neste enxame uma fonte de luz difusa invulgarmente brilhante.

"Esta é a primeira vez que conseguimos estudar com detalhe a radiação difusa de um enxame de galáxias distante, pondo assim em evidência o poder do MUSE neste tipo de estudos," explicou o coautor Christoph Adami do Laboratoire d'Astrophysique, Marseille, França.

A equipa utilizou também os dados para confirmar a ideia de que no passado os enxames de galáxias são muito mais pequenos que os que observamos atualmente - uma descoberta importante para a compreensão teórica da evolução dos enxames ao longo da vida do Universo.

O simples ato de contar os enxames de galáxias nos dados XXL confirmou também um resultado anterior algo estranho - existem menos enxames distantes do que o esperado com base nas previsões dos parâmetros cosmológicos medidos pelo telescópio Planck da ESA. A razão desta discrepância não é conhecida, no entanto a equipa espera resolver esta curiosidade cosmológica quando tiver acesso à amostra total de enxames em 2017.

Estes quatro resultados importantes são apenas o preâmbulo do que ainda está para vir deste enorme rastreio de alguns dos mais massivos objetos do Universo.

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigos científicos do rastreio XXL (Astronomy & Astrophysics)
Astronomy
ScienceDaily
PHYSORG
gizmag

Rastreio XXL:
Irfu (página oficial)

Enxames galácticos:
Wikipedia

Matéria escura:
Wikipedia

Energia escura:
Wikipedia

Universo:
Universo (Wikipedia)
Idade do Universo (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Big Bang (Wikipedia)

VLT:
Página oficial
Wikipedia

NTT:
ESO
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

Observatório do Canadá-França-Hawaii (CFHT):
Página oficial
Wikipedia

Observatório XMM-Newton:
ESA
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Hubble captura a primeira explosão estelar prevista (via ESA)
O Telescópio Hubble da NASA/ESA capturou a imagem da primeira explosão de supernova já prevista. O reaparecimento da supernova de Refsdal foi calculada com modelos diferentes do enxame galáctico cuja gravidade imensa distorce a luz da supernova. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - A Nebulosa Cabeça de Cavalo
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: José Jiménez Priego
 
A Nebulosa Cabeça de Cavalo é uma das mais famosas nebulosas do céu. É visível como a forma escura por entre a avermelhada nebulosa de emissão no centro da fotografia. A cabeça de cavalo é escura porque na realidade é uma nuvem opaca de poeira situada em frente da nebulosa de emissão. Tal como as nuvens na atmosfera da Terra, esta nuvem cósmica assumiu uma forma reconhecível por acaso. Depois de milhares de anos, os movimentos internos da nuvem irão alterar certamente a sua aparência. A cor avermelhada da nebulosa de emissão é provocada pela recombinação de eletrões com protões para formar átomos de hidrogénio. À esquerda está a Nebulosa da Chama, uma nebulosa de tom alaranjado que também contém filamentos de poeira escura. Para baixo e para a esquerda desta imagem da Nebulosa Cabeça de Cavalo está uma nebulosa de reflexão que preferencialmente reflete a luz azul das estrelas próximas.
 

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