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Edição n.º 1238
19/01 a 21/01/2016
 
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29/01/16 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:00 – 22:00 - Apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Público: Público em geral
Local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: consultar este link
Telefone: 289 890 922
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 19/01: 19.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1747 nascia Johann Bode, autor da Lei de Titius-Bode, uma progressão quase geométrica das distâncias dos planetas a partir do Sol.

Também determinou a órbita de Urano e sugeriu o nome do planeta. 
Em 1851 nascia Jacobus Kapteyn, que estudou a distribuição e o movimento de meio milhão de estrelas e criou o primeiro modelo moderno do tamanho e estrutura da Via Láctea.
Em 2006, era lançada a sonda New Horizons, a primeira missão a Plutão. A maior aproximação ocorreu no dia 14 de julho de 2015, a 12.472 km da superfície.
Observações: A Lua encontra-se entre algumas estrelas das Híades. A estrela brilhante para a sua esquerda é Aldebarã.

Dia 20/01: 20.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1573 nascia Simon Marius, astrónomo alemão que afirmou ter descoberto as luas de Júpiter dias antes de Galileu.

De facto, a sua primeira observação foi na mesma data que Galileu. Mesmo assim, os nomes dos satélites galileanos são os dados por Simon Marius.
Em 1775 nascia André-Marie Ampère, físico e matemático francês que é geralmente reconhecido como um dos principais fundadores da ciência do eletromagnetismo clássico, que ele referia como "eletrodinâmica". A unidade SI da medição da corrente elétrica, oampere, tem o seu nome. 
Em 1930, nascia Buzz Aldrin, astronauta americano e a segunda pessoa a pisar a Lua
Em 1961, a agência soviética Tass anunciava que a cadela Strelka, que havia tripulado a Spacecraft II em agosto de 1960, tinha dado à luz 6 cachorros.
Observações: A Lua oculta Aldebarã pelas 03:33. Infelizmente, já está demasiado perto do horizonte para o evento ser observado eficazmente.

Dia 21/01: 21.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1960, a nave MercuryLittle Joe 1B, levantava voo a partir de Wallops Island, com Miss Sam, uma fêmea de macaco a bordo.

Em 2004, a NASA "perdia" contacto com o rover Spirit, um problema de gestão de memória "flash" que viria a ser resolvido remotamente a partir da Terra a 6 de fevereiro.
Observações: Sirius brilha a sudeste, por baixo de Orionte, depois da hora de jantar. Por volta das 21 horas, dependendo da sua localização, Sirius brilha precisamente para baixo de Betelgeuse, o ombro do Caçador. Quão precisamente consegue determinar a hora deste evento, talvez usando o lado de um prédio?

 
CURIOSIDADES


Os ventos de Neptuno podem atingir velocidades na ordem dos 2400 quilómetros por hora!

 
O NASCIMENTO TURBULENTO DE UM QUASAR
Impressão artística de W2246-0526, uma galáxia individual que brilha no infravermelho tão intensamente como 350 biliões de sóis. É um objeto tão turbulento que eventualmente ejetará o seu fornecimento total de gás destinado à formação estelar, de acordo com novas observações obtidas pelo ALMA.
Crédito: NRAO/AUI/NSF; Dana Berry / SkyWorks; ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A galáxia mais luminosa conhecida no Universo — o quasar W2246-0526, observado quando o Universo tinha menos de 10% da sua idade atual — é tão turbulenta que se encontra a ejetar o seu fornecimento total de gás destinado a formação estelar, de acordo com novas observações obtidas com o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array).

Os quasares são galáxias distantes que possuem buracos negros supermassivos nos seus centros, os quais libertam jatos poderosos de partículas e radiação. A maioria dos quasares brilha intensamente, mas uma pequena fração (apenas 1 em cada 3000 quasares observados são deste tipo) destes objetos muito energéticos são de um tipo invulgar conhecido por Hot DOGs (acrónimo do inglês para Hot, Dust-Obscured Galaxies), ou seja, galáxias quentes obscurecidas por poeira, incluindo a galáxia WISE J224607.57-052635.0, a galáxia mais luminosa que se conhece no Universo.

Agora e pela primeira vez, uma equipa de investigadores liderada por Tanio Díaz-Santos, da Universidad Diego Portales em Santiago do Chile, utilizou as capacidades únicas do ALMA para observar o interior de W2246-0526 e traçar os movimentos dos átomos de carbono ionizado entre as estrelas da galáxia.

"Descobrimos enormes quantidades deste material interestelar num estado extremamente dinâmico e turbulento, a deslocar-se pela galáxia com uma velocidade de cerca de dois milhões de quilómetros por hora," explicou o autor principal do estudo, Tanio Díaz-Santos.

Os astrónomos pensam que este comportamento turbulento pode estar ligado à luminosidade extrema da galáxia. W2246-0526 liberta tanta luz como cerca de 350 biliões de Sóis. Este brilho surpreendente é gerado por um disco de gás que é sobreaquecido à medida que espirala em direção ao buraco negro supermassivo situado no núcleo da galáxia. Esta radiação vinda do imensamente brilhante disco de acreção no centro desta Hot DOG não escapa logo, sendo absorvida por uma espessa camada de poeira, que seguidamente reemite esta energia sob a forma de radiação infravermelha.

Esta energia infravermelha tem um impacto direto e violento em toda a galáxia. A região em torno do buraco negro é cerca de 100 vezes mais luminosa que todo o resto da galáxia, emitindo assim radiação intensa mas extremamente localizada que exerce uma pressão tremenda em toda a galáxia.

"Suspeitámos que esta galáxia estivesse numa fase de transformação da sua vida devido às enormes quantidades de energia infravermelha detetadas," disse o coautor do trabalho Peter Eisenhardt, Cientista de Projeto do WISE, do Jet Propulsion Laboratory da NASA, em Pasadena, Califórnia.

"O ALMA mostrou-nos agora que o forno devastador nesta galáxia está a fazer com que 'o tacho deite por fora'," acrescentou Roberto Assef, também da Universidad Diego Portales e líder das observações ALMA.

Se estes movimentos turbulentos continuarem, a intensa radiação infravermelha irá fazer desaparecer todo o gás interestelar da galáxia. Modelos de evolução de galáxias baseados nestes novos dados do ALMA indicam que o gás interestelar se encontra já a ser ejetado pela galáxia em todas as direções.

"Se este efeito persistir, é possível que W2246 se transforme num quasar mais tradicional," concluiu Manuel Aravena, também da Universidad Diego Portales. "Apenas o ALMA, com a sua resolução sem precedentes, nos permite observar este objeto em alta definição e sondar um episódio tão importante da sua vida."

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
22/05/2015 - WISE descobre galáxia mais luminosa do Universo

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
NASA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Astronomy
Astronomy Now
(e) Science News
PHYSORG
UPI

Quasar:
Wikipedia

ALMA:
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (NAOJ)
ALMA (ESO)
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

WISE:
Wikipedia
Arquivo de dados do WISE
NEOWISE
U. Berkeley

 
DESCOBERTA A SUPERNOVA MAIS LUMINOSA
Impressão de artista de como aparecia a poderosa supernova superluminosa ASAS-SN-15lh a partir de um exoplaneta localizado a 10.000 anos-luz de distância na galáxia hospedeira da supernova.
Crédito: Wayne Rosing
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Uma equipa de astrónomos descobriu a supernova mais luminosa já observada, com o nome ASAS-SN-15lh. Os seus resultados foram publicados na revista Science.

As supernovas são explosões estelares violentas e alguns dos objetos mais brilhantes do Universo. Os registos humanos observam a sua existência há quase 2000 anos. Ao longo das últimas duas décadas foi descoberta uma nova categoria rara de supernovas superluminosas, cem a mil vezes mais brilhantes que as supernovas mais comuns. Foi teorizado que estas supernovas superluminosas são alimentadas por magnetares, estrelas de neutrões com campos magnéticos extremamente poderosos, com o magnetismo fornecendo o motor da luminosidade imensa. De acordo com esta teoria, a rotação do campo magnético amplia a energia da explosão, aumentando a luminosidade.

Por mais contraintuitivo que possa parecer, as supernovas superluminosas são difíceis de detetar. Isto porque são raras e tendem a formar-se em galáxias de baixa luminosidade com formação estelar vigorosa, ao passo que os estudos do céu tradicionalmente usados para localizar supernovas têm como alvo galáxias brilhantes com taxas baixas de formação estelar.

Comparação entre uma imagem a cores falsas pré-explosão pelo DES (Dark Energy Survey) e uma imagem a cores falsas pós-explosão pela rede LCOGT de 1 metro.
Crédito: Benjamin Shappee
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A supernova superluminosa foi descoberta pela equipa do ASAS-SN (All Sky Automated Survey for SuperNovae), uma colaboração internacional com sede na Universidade Estatal do Ohio, EUA, que usa uma rede de telescópios com 14 cm de abertura espalhados pelo mundo para varrer o céu visível a cada duas ou três noites à procura de supernovas muito brilhantes. O único levantamento da variabilidade de todo o céu em existência, é capaz de encontrar supernovas normais até 350 milhões de anos-luz da Terra.

"No dia 14 de junho deste ano [referindo-se a 2015], avistámos uma explosão numa galáxia a uma distância desconhecida," afirma Benjamin Shappee, do Instituto Carnegie para Ciência, Washington, EUA. "As observações subsequentes - incluindo aquelas feitas no nosso Observatório de Las Campanas por Nidia Morrell e Ian Thompson [também do mesmo instituto] - permitiram com que a equipa confirmasse a existência da supernova ASAS-SN-15lh."

O espectro da supernova corresponde ao de outras supernovas superluminosas pobres em hidrogénio. Mas só quando foram realizadas novas observações de acompanhamento é que Subo Dong, do Instituto Kavli para Astronomia e Astrofísica, autor principal do estudo, e o resto da equipa, perceberam quão invulgar é esta supernova. É duas vezes mais luminosa que qualquer outra supernova descoberta anteriormente. Na verdade, no seu pico, ASAS-SN-15lh era quase 50 vezes mais luminosa que toda a nossa Galáxia, a Via Láctea.

A curva de luz de ASAS-SN-15lh é bem mais luminosa do que outras supernovas, mesmo aquelas na classe de "superluminosa". No seu pico, ASAS-SN-15lh era 200 vezes mais brilhante que uma supernova do Tipo Ia e duas vezes mais brilhante que a detentora anterior do recorde, iPTF13ajg.
Crédito: Sky & Telescope
 

"Quando o primeiro espectro du Pont ficou disponível, como de costume, verifiquei rapidamente que tipo de supernova era. Para minha surpresa, nem fui capaz de dizer que era uma supernova. A minha primeira reação foi: 'isto é interessante, devíamos recolher mais dados,'" comenta Morrell. "Só quando obtivemos espectros de mais alta resolução, pelo SALT (Southern African Large Telescope) e pelo Telescópio Magalhães, é que me apercebi quão distante estava a galáxia hospedeira [3,8 mil milhões de anos-luz] e, consequentemente, quão luminosa era a supernova."

Além do mais, determinaram que a galáxia a que pertence ASAS-SN-15lh é muito atípica para uma supernova superluminosa, o que levanta questões sobre como estes tipos de supernovas se formam. A sua galáxia hospedeira não é a típica galáxia de baixa luminosidade e com formação estelar onde as supernovas superluminosas anteriores foram avistadas. A galáxia de ASAS-SN-15lh é, de facto, mais luminosa que a nossa própria Via Láctea.

"A espantosa quantidade de energia libertada por esta supernova esforça a teoria de formação por magnetar," explicou Shappee. "Será necessário mais trabalho para compreender a fonte de energia deste objeto e para compreender se existem outras supernovas semelhantes lá fora no Universo."

Links:

Notícias relacionadas:
Instituto Carnegie para Ciência (comunicado de imprensa)
Fundação Kavli (comunicado de imprensa)
Universidade Estatal do Ohio (comunicado de imprensa)
SAAO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Science
Nature
Astronomy
Sky & Telescope
redOrbit
Scientific American
Astronomy Now
PHYSORG
New Scientist
(e) Science News
science 2.0
Discovery News
BBC News
Forbes
RTP
SIC Notícias
Observador
ZAP.aeiou
AstroPT

ASAS-SN-15lh:
Wikipedia

Supernova:
Wikipedia

Magnetar:
Wikipedia
AstronomyOnline.org

ASAS-SN:
Página oficial (Universidade Estatal do Ohio)

SALT:
Página oficial
Wikipedia

Telescópio Magalhães:
Observatório Las Campanas
Instituto Carnegie
Universidade do Arizona
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Sinais do segundo maior buraco negro na Via Láctea (via arXiv.org)
Astrónomos usaram o Radiotelescópio Nobeyama de 45 metros para detetar sinais de um buraco negro invisível com uma massa de 100.000 sóis em redor do centro da Via Láctea. A equipa assume que este possível "buraco negro de massa intermédia" é fundamental para compreender o nascimento dos buracos negros supermassivos localizados nos centros das galáxias. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Wright Mons a Cores
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASAUniv. Johns Hopkins/APLSwRI
 
Com o nome informal de Wright Mons, uma montanha larga com cerca de 150 quilómetros de diâmetro e 4 de altura tem uma depressão ampla e profunda e está destacada na inserção desta imagem captada durante a passagem rasante da New Horizons por Plutão em julho de 2015. Claro, grandes montanhas com crateras podem ser encontradas noutras partes do Sistema Solar, como o grande vulcão Mauna Loa na Terra ou o gigante Olympus Mons em Marte. Os cientistas da New Horizons realçam que a impressionante parecença de Wright Mons de Plutão, e do vizinho Piccard Mons, com grandes vulcões, sugere que os dois podem ser criovulcões gigantes que já expeliram gelo derretido do interior do mundo frio e distante. Na verdade, Wright Mons pode ser o maior vulcão do Sistema Solar exterior. Uma vez que só foi identificada uma cratera de impacto nas suas encostas, Wright Mons pode muito bem ter estado ativo até há relativamente pouco tempo da história de Plutão. Esta imagem colorida de alta resolução também revela material vermelha espalhado escassamente pela região.
 

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