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Edição n.º 1240
26/01 a 28/01/2016
 
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29/01/16 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:00 – 22:00 - Apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Público: Público em geral
Local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: consultar este link
Telefone: 289 890 922
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 26/01: 26.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1949, é inaugurado o telescópio Hale no Observatório Palomar, sob a direção de Edwin Hubble, e torna-se no telescópio com maior abertura ótica até à construção do BTA-6 em 1975.
Em 1962, é lançada a Ranger 3 com o objetivo de estudar a Lua. A sonda falha o satélite por 35.400 km.
Em 1978 o satélite "International Ultraviolet Explorer" (IUE) é lançado para uma órbita geosíncrona.

Durante os anos de operação, enviou 104.470 imagens de alta e baixa resoluções de 9600 fontes astronómicas de todas as classes de objetos celestes na banda ultravioleta entre 1150-3350 Å. O satélite foi desligado a 30 de setembro de 1996.
Observações: Júpiter brilha para baixo e para a esquerda da Lua depois de ambos nascerem a meio da noite.

Dia 27/01: 27.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1593, começa no Vaticano o julgamento de Giordano Bruno, que durou sete anos.
Em 1941 nascia Beatrice Tinsley, astrónoma e cosmóloga neo-zelandesa cuja pesquisa fez contribuições importantes para a compreensão de como as galáxias evoluem com o passar do tempo.
Em 1967, os astronautas da Apollo 1 - Virgil (Gus) Grissom, Edward H. White II e Roger B. Chaffee - morrem num incêndio na plataforma de lançamento, durante um teste da Apollo 204 (AS-204), que era para ser a primeira missão tripulada do programa lunar, com lançamento a 21 de Fevereiro de 1967.

No mesmo ano, os Estados Unidos, o Reino Unido e a União Soviética assinam o Tratado do Espaço Exterior em Washington, D.C., proibindo a utilização de armas nucleares no espaço e limitando a Lua e os outros corpos espaciais para fins pacíficos.
Observações: Eclipse de Europa, entre as 02:29 e as 05:23.
Ocultação de Europa, entre as 04:18 e as 07:05.
A Lua só nasce pelas 21:30 (dependendo da sua localização), dando ao observador uma janela de céu escuro com a duração de duas horas e meia após o cair da noite. Quando a Lua nascer, terá um companheiro brilhante: Júpiter, que está poucos graus para a sua esquerda.
Trânsito de Calisto, entre as 23:35 e as 02:25 (já de dia 28).

Dia 28/01: 28.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1608 nascia Giovanni Alfonso Borelli, físico e matemático italiano e renascentista. Contribuiu para o princípio moderno da investigação científica através da continuação do costume de Galileu, de testar hipóteses contra observações. Fez também estudos prolongados das luas de Júpiter.
Em 1611, nascia Johannes Hevelius, que seria o primeiro astrónomo a observar as fases de Mercúrio.

Hevelius também ganhou reputação como "fundador da topografia lunar" e descreveu dez novas constelações, sete das quais são ainda hoje reconhecidas pelos astrónomos. Morreria neste mesmo dia em 1687, quando fazia 76 anos. 
Em 1612, Galileu observa pela primeira vez o planeta Neptuno, confundindo-o com uma estrela 233 anos antes da sua descoberta.
Em 1622 nascia Adrien Auzout, astrónomo francês que fez observações de cometas e argumentou a favor das suas órbitas elípticas ou parabólicas. Foi um dos membros fundadores do Observatório de Paris. 
Em 1986, o vaivém espacial Challenger explode 73 segundos depois de descolar. A tripulação inteira morre: Francis Scobee, Michael Smith, Judith Resnik, Ellison Onizuka, Ronald McNair, Gregory Jarvis e Sharon Christa McAuliffe.
Observações: Continue a observação de Júpiter perto da Lua até ao nascer do dia. Consegue discernir que a Lua afasta-se do planeta brilhante com o passar das horas?
Eclipse de Io, entre as 04:42 e as 07:04.
Ocultação de Io, entre as 05:37 e as 07:56.
O maior asterismo do céu (padrão informal de estrelas) - ou, pelo menos, o maior largamente reconhecido - é o Hexágono de Inverno. Preenche o céu a este e sul estas noites. Comece com Sirius a sudeste. Na direção dos ponteiros do relógio, prossiga até Procyon, por Pollux e Castor, suba até Capela, depois Aldebarã para a sua direita, descendo por Rigel até voltar a Sirius.
Trânsito da sombra de Europa, entre as 20:48 e as 23:42.
Trânsito de Europa, entre as 22:38 e as 01:25 (já de dia 29).

 
CURIOSIDADES


A Humanidade visitou apenas uma vez o planeta Úrano e a NASA está a comemorar os 30 anos desse encontro, que teve lugar no dia 24 de janeiro de 1986. A sonda Voyager 2 passou a cerca de 81.500 km do gigante gasoso, o que permitiu cerca de 5,5 horas de estudo íntimo. Muitas descobertas vieram desse "flyby": é o planeta mais frio do Sistema Solar, a composição da sua atmosfera, o seu invulgar campo magnético, a descoberta de 10 luas novas e dois novos anéis.

 
ROVER OPPORTUNITY OCUPADO DURANTE TODO O INVERNO MARCIANO

O rover Opportunity da NASA trabalhou nos dias de menor energia solar do sétimo inverno marciano da missão, enquanto usava um triturador de rochas e outras ferramentas para investigar pistas sobre a história ambiental do Planeta Vermelho.

O ambiente moderno de Marte deu uma ajuda, fornecendo vento que removeu alguma poeira dos painéis solares do Opportunity nas semanas antes e depois do solstício de inverno no hemisfério sul de Marte, que teve lugar dia 2 janeiro.

"O Opportunity permaneceu muito ativo este inverno, em parte porque os painéis solares têm estado muito mais limpos do que nos últimos invernos," afirma John Callas, gestor do projeto do rover no JPL da NASA em Pasadena, Califórnia, EUA.

Com o fim do solstício de inverno, a quantidade de luz solar disponível vai continuar a aumentar durante praticamente o resto de 2016.

O alvo por baixo da ferramenta no final do braço robótico do rover foi apelidado de "Private John Potts". Encontra-se no lado sul de "Marathon Valley", que corta a orla ocidental da Cratera Endeavour.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A missão acaba de passar o 12.º aniversário da sua aterragem em Marte - pousou no dia 25 de janeiro de 2004. Depois do invólucro de "airbags" ter parado de rolar dentro da Cratera Eagle, que mede cerca de 22 metros em diâmetro, abriu para libertar o rover. A inspeção das rochas na Cratera Eagle, durante os três meses da missão originalmente planeada, forneceu evidências de condições ambientais molhadas e acídicas no passado de Marte.

Os investigadores usaram o Opportunity para examinar uma série de crateras cada vez maiores e mais distantes durante os anos seguintes, acedendo a camadas mais profundas e antigas da história de Marte.

Cada ano marciano dura cerca de 1,9 anos terrestres. Dado que Marte está mais distante do Sol, leva mais tempo para concluir cada órbita. O eixo de rotação norte-sul de Marte está inclinado tal como o da Terra, por isso Marte também tem estações de verão e inverno. Mas são duas vezes mais longas que as da Terra. É por isso que, 12 anos após a aterragem do Opportunity, o rover está a atravessar o seu sétimo inverno marciano.

O Opportunity tem vindo a explorar, desde 2011, a orla ocidental de uma cratera com 22 km de diâmetro chamada Endeavour. Este inverno, está a examinar rochas no lado sul de "Marathon Valley", que corta a borda da Endeavour de oeste para este. É um local onde as observações pela sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA mapearam concentrações de minerais argilosos que se formaram sob condições molhadas e não-ácidas.

Os investigadores usaram este mês a ferramenta de abrasão rochosa do Opportunity para remover a crosta superficial de um alvo rochoso que chamaram "Private John Potts" (a equipa está a usar os nomes dos membros da Expedição de Lewis e Clark como nomes informais de alvos em Marathon Valley). A composição e textura do interior exposto da rocha foram examinados com instrumentos no braço robótico do Opportunity.

A área de trabalho durante o inverno, no lado sul do vale, mantém os painéis solares do rover inclinados para o Sol que cruza os céus a norte. Os benefícios dos eventos que limpam a poeira e a estratégia de escolher locais de inverno em encostas voltadas para norte são dois fatores-chave no prolongamento da carreira produtiva do Opportunity 48 vezes mais, até agora, do que a missão originalmente planeada de três meses após a aterragem.

Os painéis solares estão atualmente a gerar mais de 460 Wh (watt-hora) por dia. Este valor é cerca de 40% mais do que outras alturas deste inverno marciano, mas o Opportunity tem sido capaz de realizar operações de uso intenso de energia, tais como condução e perfuração rochosa durante todo o inverno. Em contraste, durante o primeiro inverno marciano do Opportunity na orla da Endeavour, a produção energética caiu abaixo dos 300 Wh por mais de dois meses e a missão absteve-se de conduzir ou usar ferramentas durante mais de quatro meses.

"Com estes níveis saudáveis de energia, estamos ansiosos pela conclusão dos trabalhos em Marathon Valley este ano e de seguir em frente com o Opportunity," comenta Callas.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)

Rovers Spirit e Opportunity:
Rovers Spirit e Opportunity - pontos altos das missões (NASA)
NASA
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
ENXAMES GALÁCTICOS REVELAM NOVAS PERSPETIVAS SOBRE A MATÉRIA ESCURA
Esta imagem do Telescópio Espacial Hubble mostra a região interna de Abell 1689, um enorme enxame de galáxias. Os cientistas dizem que os enxames galácticos que vemos hoje resultaram de flutuações na densidade da matéria no início do Universo.
Crédito: NASA/ESA/JPL-Caltech/Yale/CNRS
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A matéria escura é um fenómeno cósmico misterioso que corresponde a 27% de toda a matéria e energia. Embora a matéria escura esteja sempre à nossa volta, não a podemos ver ou sentir. Mas os cientistas podem inferir a presença da matéria escura observando como a matéria normal se comporta em torno dela.

Os enxames galácticos, que consistem em milhares de galáxias, são importantes para explorar a matéria escura porque residem numa região onde tal matéria é mais densa do que a média. Os cientistas pensam que quanto mais massivo é o enxame, mais matéria escura tem no seu ambiente. Mas uma nova pesquisa sugere que a ligação é mais complicada do que isso.

"Os enxames galácticos são como as grandes cidades do nosso Universo. Da mesma forma que podemos olhar para as luzes de uma cidade à noite, a partir de um avião, e inferir o seu tamanho, estes enxames dão-nos uma ideia da distribuição da matéria escura que não podemos ver," afirma Hironao Miyatake do JPL da NASA em Pasadena, no estado americano da Califórnia.

Um novo estudo publicado na Physical Review Letters, liderado por Miyatake, sugere que a estrutura interna de um aglomerado de galáxias está ligada ao ambiente de matéria escura em seu redor. Esta é a primeira vez que se mostra que uma propriedade, além da massa do enxame, está associada com a matéria escura.

Os investigadores estudaram cerca de 9000 enxames galácticos do catálogo de galáxias SDSS (Sloan Digital Sky Survey) DR8 e dividiram-nos em dois grupos consoante as suas estruturas internas: um, no qual as galáxias individuais dentro dos enxames estavam mais espalhadas, e o outro no qual estavam agrupadas mais intimamente. Os cientistas usaram uma técnica chamada lente gravitacional - observando como a gravidade dos enxames curva a luz de outros objetos - para confirmar que ambos os grupos tinham massas semelhantes.

Mas quando os cientistas compararam os dois grupos, encontraram uma diferença importante na distribuição dos enxames galácticos. Normalmente, os aglomerados de galáxias estão separados dos outros, em média, por 100 milhões de anos-luz. Mas para o grupo de enxames com galáxias mais próximas umas das outras, havia menos aglomerados vizinhos a esta distância do que no grupo com enxames mais dispersos. Por outras palavras, o ambiente de matéria escura em seu redor determina quão agrupado é o enxame de galáxias.

Esta comparação de enxames galácticos do catálogo SDSS DR8 mostra um enxame disperso (esquerda) e um enxame mais densamente agrupado (direita). Um novo estudo mostra que estas diferenças estão relacionadas com o ambiente de matéria escura em redor.
Crédito: Sloan Digital Sky Survey
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"A diferença é o resultado dos diferentes ambientes de matéria escura em que os grupos de enxames se formam. Os nossos resultados indicam que a ligação entre um aglomerado de galáxias e a matéria escura em redor não se caracteriza apenas pela massa do enxame, mas também pela sua história de formação," comenta Miyatake.

David Spergel, coautor do estudo e professor de astronomia na Universidade de Princeton em Nova Jersey, acrescenta: "estudos observacionais anteriores haviam mostrado que a massa dos enxames é o fator mais importante na determinação das suas propriedades globais. O nosso trabalho mostra que a 'idade também conta': enxames mais jovens vivem em ambientes diferentes de matéria escura em grande escala do que os enxames mais velhos."

Os resultados estão em linha com as previsões da teoria principal acerca das origens do nosso Universo. Depois de um evento chamado inflação cósmica, um período de menos de um bilionésimo de segundo após o Big Bang, existiram pequenas mudanças na energia do espaço chamadas flutuações quânticas. Estas mudanças, em seguida, desencadearam uma distribuição não uniforme da matéria. Os cientistas dizem que os aglomerados de galáxias que vemos hoje resultaram de flutuações na densidade da matéria no início do Universo.

"A ligação entre a estrutura interna dos enxames galácticos e a distribuição da matéria escura em redor é uma consequência da natureza das flutuações de densidade iniciais estabelecidas antes do Universo ter sequer um segundo de idade," explica Miyatake.

Os investigadores vão continuar a explorar estas ligações.

"Os enxames galácticos são janelas notáveis sobre os mistérios do Universo. Ao estudá-los, podemos aprender mais sobre a evolução da estrutura em larga escala do Universo e sobre a sua história, bem como da matéria escura e da energia escura," conclui Miyatake.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Physical Review Letters
Artigo científico (arXiv.org)

Enxames galácticos:
Wikipedia

Matéria escura:
Wikipedia

Lentes gravitacionais:
Wikipedia

Universo:
Universo (Wikipedia)
Idade do Universo (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Big Bang (Wikipedia)

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - De Onde os Elementos Vêm
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Cmglee (trabalho próprio) CC BY-SA 3.0 ou GFDL, via Wikimedia Commons
 
O hidrogénio no nosso corpo, presente em cada molécula de água, veio do Big Bang. Não existem outras fontes apreciáveis de hidrogénio no Universo. O carbono no nosso corpo foi produzido por fusão nuclear no interior das estrelas, tal como o oxigénio. Grande parte do ferro no nosso corpo foi fabricado durante supernovas de estrelas que ocorreram há muito tempo e muito longe. O ouro nas nossas joias foi provavelmente feito a partir de estrelas de neutrões durante colisões que podem ter sido visíveis como explosões de raios-gama de curta duração. Elementos como o fósforo e o cobre estão presentes no nosso corpo apenas em pequenas quantidades, mas são essenciais para o funcionamento de toda a vida conhecida. A tabela periódica em destaque está colorida para indicar o melhor palpite da Humanidade quanto à origem nuclear de todos os elementos conhecidos. Os locais da criação nuclear de alguns elementos, como o cobre, não são muito bem conhecidos e continuam como tópicos de investigação observacional e computacional.
 

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