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Edição n.º 1247
19/02 a 22/02/2016
 
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26/02/16 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:00 - Apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Público: Público em geral
Local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: consultar este link
Telefone: 289 890 922
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 19/02: 50.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1473, nascia Nicolau Copérnico, conhecido como o fundador da Astronomia Moderna.

No ano de 1530, completa e anuncia ao mundo o seu grande trabalho "De Revolutionibus", que explica que a Terra roda sobre o seu próprio eixo uma vez por dia e viaja à volta do Sol anualmente.
Em 1924, Edwin Hubble escreve a Harlow Shapley: "Estará interessado em saber que encontrei uma variável Cefeida na Nebulosa de Andrómeda" (a atualmente conhecida "Galáxia de Andrómeda"). 
Em 2002, a sonda Mars Odyssey começava a mapear a superfície de Marte.
Observações: Trânsito da sombra de Europa, entre as 04:34 e as 07:29.
Esta noite, a Lua, quase na sua fase Cheia, brilha por baixo de Castor e Pollux. Se observar com binóculos para a esquerda da Lua, a mesma distância entre o nosso satélite natural e Pollux, encontrará o enxame do Presépio (M44).

Dia 20/02: 51.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1962, o astronauta John Glenn, a bordo da nave Friendship 7, orbita a Terra 3 vezes em 4 horas e 55 minutos, no âmbito do programa Mercury.

Em 1965, a sonda Ranger 8despenha-se sobre a Lua após uma missão bem sucedida a fotografar locais para a alunagem das missões Apollo.
Em 1986, a União Soviética lança a estação espacial Mir. Permanecendo em órbita durante 15 anos, é tripulada durante 10.
Em 2013, é descoberto o exoplaneta mais pequeno até à data, Kepler-37b, com um raio pouco maior que o da Lua.
Observações: Eclipse de Io, entre as 04:53 e as 07:15.
Ocultação de Io, entre as 05:17 e as 07:37.
Eclipse de Ganimedes, entre as 17:53 e as 21:29.
Ocultação de Ganimedes, entre as 19:36 e as 23:00.
Eclipse de Europa, entre as 23:26 e as 02:21 (já de dia 21).

Dia 21/02: 52.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1556 nascia Sethus Calvisius, astrónomo alemão que na sua obra "Opus Chronologicum" expôs um sistema baseado em registos de quase 300 eclipses.
Em 1901 é observada a primeira brilhante nova do século XX.

É também a primeira a ser estudada espectralmente e fotometricamente, atingindo uma magnitude de 0,2 a 23 de Fevereiro. O astrónomo amador T. D. Anderson foi o seu primeiro observador. Durante o declínio de brilho, mais ou menos 100 dias, este flutuou com um período de 4 dias e uma amplitude de magnitude e meia.
Em 1972, a sonda soviética Luna 20 aterra na Lua.
Observações: Ocultação de Europa, entre as 00:15 e as 03:03.
Trânsito da sombra de Io, entre as 02:10 e as 04:29.
Trânsito de Io, entre as 02:35 e as 04:52.
Eclipse de Calisto, entre as 17:19 e as 21:10.
Capela encontra-se na sua posição mais alta no céu um pouco antes da hora de jantar. À mesma altura, Rigel está na sua posição mais alta a sul. A declinação de Capella é +46º, de modo que passa exatamente no zénite se se encontrar à latitude 46º norte (França, norte de Itália).
Outro par menos famoso que transita o meridiano em conjunto, aproximadamente 10 minutos depois: Bellatrix (Gamma Orionis) e El Nath (Beta Tauri).
Ocultação de Calisto, entre as 21:26 e as 00:10 (já de dia 22).
Eclipse de Io, entre as 23:20 e as 01:42 (já de dia 22).

Dia 22/02: 53.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1632 era publicado o "Diálogo sobre os dois grandes sistemas do mundo" de Galileu.
Em 1824 nascia Pierre Janssen, astrónomo francês que, juntamente com o cientista inglês Joseph Norman Lockyer, é creditado com a descoberta da natureza gasosa da cromosfera solar e, com alguma justificação, o elemento hélio.
Em 1857 nascia Heinrich Hertz, físico alemão que clarificou e expandiu a teoria eletromagnética da luz de James Clerk Maxwell.

Foi o primeiro a provar conclusivamente a existência de ondas eletromagnéticas ao construir instrumentos para transmitir e receber pulsos de rádio. A unidade científica da frequência tem o nome "hertz" em sua honra. 
Em 1995, o cosmonauta Valeri Polyakov regressa à Terra depois de quebrar o recorde do maior tempo passado na estação espacial Mir: 438 dias.
Observações: Lua Cheia, pelas 18:20.
Trânsito da sombra de Europa, entre as 17:52 e as 20:47.
Trânsito de Europa, entre as 18:37 e as 21:27.

Trânsito de Io, entre as 20:41 e as 22:58.
Trânsito duplo de sombras (Europa e Io), entre as 20:41 e as 20:47.

 
CURIOSIDADES


O espaço interestelar não é um vácuo perfeito: existem alguns átomos de hidrogénio por metro cúbico.

 
BRILHO DO BIG BANG PERMITE DESCOBERTA DE JATO DE BURACO NEGRO DISTANTE

Astrónomos usaram o Observatório de raios-X Chandra da NASA para descobrir um jato de um buraco negro supermassivo muito distante iluminado pela luz mais antiga do Universo. Esta descoberta mostra que os buracos negros com jatos poderosos podem ser mais comuns do que se pensava nos primeiros milhares de milhões de anos após o Big Bang.

A luz detetada deste jato foi emitida quando o Universo tinha apenas 2,7 mil milhões de anos, um-quinto da sua idade atual. Nesse ponto, a intensidade da radiação cósmica de fundo em micro-ondas, ou CMB (inglês para "cosmic microwave background radiation"), deixada para trás pelo Big Bang, era muito maior do que é hoje.

O jato, descoberto no sistema conhecido como B3 0727+409, mede pelo menos 300.000 anos-luz. Já foram detetados muitos jatos longos emitidos por buracos negros supermassivos no Universo próximo, mas exatamente como estes jatos emitem raios-X, mantém-se uma questão de debate. Em B3 0727+409, parece que a CMB está a ser impulsionada para comprimentos de onda em raios-X.

O grande jato em raios-X associado com o quasar B3 0727+409.
Crédito: raios-X - NASA/CXC/ISAS/A. Simionescu et al; ótico: DSS
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Dado que estamos a ver este jato quando o Universo tinha menos de 3 mil milhões de anos, o jato é cerca de 150 vezes mais brilhante em raios-X do que seria no Universo próximo," afirma Aurora Simionescu do ISAS (Institute of Space and Astronautical Studies) da JAXA, que liderou o estudo.

À medida que os eletrões no jato voam a partir do buraco negro até perto da velocidade da luz, movem-se através do mar de radiação da CMB e colidem com fotões em micro-ondas, aumentando a energia dos fotões até à banda dos raios-X para serem detetados pelo Chandra. Isto significa que os eletrões no jato de B3 0727+409 devem manter-se em movimento quase à velocidade da luz durante centenas de milhares de anos-luz.

Os eletrões nos jatos dos buracos negros emitem fortemente em comprimentos de onda do rádio, por isso normalmente estes sistemas são descobertos com observações no rádio. A descoberta do jato em B3 0727+409 é especial, até agora, porque quase nenhum sinal no rádio foi detetado neste objeto, ao mesmo tempo que é facilmente observado na imagem de raios-X.

"Nós essencialmente deparámo-nos com este jato impressionante porque estava, por acaso, no campo de visão do Chandra enquanto observávamos outra coisa," explica o coautor Lukasz Stawarz da Universidade Jagiellonski na Polónia.

Até agora, os cientistas identificaram muito poucos jatos distantes o suficiente para que o seu brilho em raios-X seja amplificado pela CMB tão claramente quanto no sistema B3 0727+409. Mas, acrescenta Stawarz, "se os jatos brilhantes em raios-X podem existir com homólogos muito fracos ou não detetados no rádio, isso significa que poderão haver muito mais lá fora, porque não temos andado sistematicamente à procura deles."

"A atividade dos buracos negros supermassivos, incluindo o lançamento de jatos, pode ser diferente no início do Universo do que o que vemos mais tarde," afirma o coautor Teddy Cheung do Laboratório de Pesquisa Naval em Washington DC, EUA. "Ao descobrir e estudar mais destes jatos distantes, podemos começar a entender como as propriedades dos buracos negros supermassivos podem mudar ao longo de milhares de milhões de anos."

Os resultados foram publicados na edição de 1 janeiro de 2016 da revista The Astrophysical Journal Letters e estão disponíveis online.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Observatório Chandra (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Astronomy
COSMOS
redOrbit
PHYSORG

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

Universo:
Universo (Wikipedia)
Idade do Universo (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Big Bang (Wikipedia)
Reionização (Wikipedia)

Observatório Chandra:
Página oficial (Harvard)
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
PRIMEIRA ANÁLISE DA ATMOSFERA DE UMA SUPER-TERRA

Pela primeira vez, astrónomos foram capazes de analisar a atmosfera de um exoplaneta da classe conhecida como super-Terra. Usando dados recolhidos com o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA e novas técnicas de análise, foi revelado que o exoplaneta 55 Cancri e tem uma atmosfera seca sem quaisquer indícios de vapor de água. Os resultados, que serão publicados na revista The Astrophysical Journal, indicam que a atmosfera é composta principalmente de hidrogénio e hélio.

A equipa internacional, liderada por cientistas da UCL (University College London) no Reino Unido, obteve observações do exoplaneta vizinho 55 Cancri e, uma super-Terra com oito vezes a massa da Terra. Está localizado no sistema planetário de 55 Cancri, uma estrela a cerca de 40 anos-luz da Terra.

Usando observações feitas com o instrumento WFC3 (Wide Field Camera 3) a bordo do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, os cientistas foram capazes de analisar a atmosfera deste exoplaneta. É a primeira deteção de gases na atmosfera de uma super-Terra. Os resultados permitiram com que a equipa analisasse a atmosfera de 55 Cancri e em detalhe e revelaram a presença de hidrogénio, hélio e a ausência de vapor de água. Estes resultados só foram possíveis através da exploração de uma técnica de processamento recém-desenvolvida.

Impressão de artista que mostra a super-Terra 55 Cancri e em frente da sua estrela hospedeira. Usando observações feitas com o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA e um novo software de análise, cientistas foram capazes de estudar a composição da atmosfera. É a primeira vez que tal foi possível para uma super-Terra.
Crédito: ESA/Hubble, M. Kornmesser
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Este é um resultado muito emocionante porque é a primeira vez que fomos capazes de encontrar as assinaturas espectrais que mostram a presença de gases na atmosfera de uma super-Terra," explica Angelos Tsiaras, estudante de doutoramento na UCL, que desenvolveu a técnica de análise juntamente com os colegas Ingo Waldmann e Marco Rocchetto. "As observações da atmosfera de 55 Cancri e sugerem que o planeta conseguiu agarrar uma quantidade significativa de hidrogénio e hélio da nebulosa a partir da qual se formou."

Pensa-se que as super-Terras como 55 Cancri e sejam o tipo mais comum de planeta na nossa Galáxia. Recebem o nome "super-Terra" porque têm uma massa maior que a Terra mas são ainda bem mais pequenos que os gigantes gasosos do Sistema Solar. O instrumento WFC3 do Hubble já tinha sido utilizado para estudar as atmosferas de outras duas super-Terras (GJ1214b e HD97658b), mas não foram encontradas características espectrais nesses estudos anteriores.

55 Cancri e, no entanto, é uma super-Terra invulgar pois orbita muito perto da sua estrela-mãe. A duração de um ano neste exoplaneta é de apenas 18 horas e pensa-se que as temperaturas à superfície atinjam os 2000 graus Celsius. Dado que o exoplaneta orbita a sua estrela-mãe a uma distância tão pequena, a equipa foi capaz de usar novas técnicas de análise para extrair informação sobre o planeta durante os seus trânsitos.

Esta impressão de artista mostra o exoplaneta 55 Cancri e. Devido à pequena distância entre o exoplaneta e a sua estrela-mãe, pensa-se que as temperaturas à superfície do planeta atinjam os 2000 graus Celsius.
Crédito: ESA/Hubble, M. Kornmesser
(clique na imagem para ver versão maior)
 

As observações foram feitas pelo estudo muito rápido do WFC3 enquanto o planeta passava em frente da estrela, obtendo assim múltiplos espectros. Combinando estas observações e processando-as por meio de software de análise, os investigadores foram capazes de obter o espectro de 55 Cancri e embebido na luz da sua estrela hospedeira.

"Este resultado dá-nos uma primeira visão sobre a atmosfera de uma super-Terra. Agora temos pistas sobre o aspeto do planeta e pistas sobre a sua formação e evolução, e isto tem implicações importantes para 55 Cancri e para outras super-Terras," comenta Giovanni Tinetti, também da UCL no Reino Unido.

Curiosamente, os dados também contêm indícios da presença de cianeto de hidrogénio, um sinal de atmosferas ricas em carbono.

"Esta quantidade de cianeto de hidrogénio poderá indicar uma atmosfera com uma elevada proporção de carbono/oxigénio," afirma Olivia Venot, da Universidade de Leuven, Bélgica, que desenvolveu o modelo de química atmosférica para 55 Cancri e que apoia a análise das observações.

"Se a presença de cianeto de hidrogénio e outras moléculas for confirmada em poucos anos pela próxima geração de telescópios infravermelhos, vai apoiar a teoria que este planeta é, de facto, rico em carbono e um lugar muito exótico," conclui Jonathan Tennycon, da UCL. "O cianeto de hidrogénio, ou ácido cianídrico, é altamente venenoso, por isso talvez não seja um planeta onde gostasse de viver!"

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
08/05/2015 - Astrónomos encontram primeiras evidências de alterações numa super-Terra
25/04/2014 - Resolvidos mistérios de sistema planetário próximo
03/05/2011 - Super-Terra descoberta em estrela visível a olho nu

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Animação de um trânsito de 55 Cancri e (ESA via YouTube)
Astronomy
SPACE.com
Universe Today
redOrbit
PHYSORG
BBC News
TIME
Forbes
UPI
POPULAR MECHANICS
engadget
gizmag
ars technica
Gizmodo

55 Cancri e:
Exoplanet.eu 
Wikipedia

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
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(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASAESAArquivo do Hubble; Processamento e direitos de autor: Brandon Pimenta
 
A estrela massiva IRS 4 começa a espalhar as suas asas. Nascida há apenas 100.000 anos atrás, o material expelido desta recém-nascida estrela formou a nebulosa denominada Sharpless 2-106 (S106), na imagem acima. Um grande disco de poeira e gás orbitam a Fonte Infravermelha 4 (InfraRed Source 4, IRS 4), visível a castanho perto do centro da imagem, que dá à nebulosa a forma de uma ampulheta ou de uma borboleta. O gás de S106 perto de IRS 4 age como uma nebulosa de emissão à medida que emite luz após ser ionizada, enquanto a poeira longe de IRS 4 reflete luz da estrela central e por isso age como uma nebulosa de reflexão. Uma inspeção mais detalhada de uma imagem infravermelha recente de S106 revela centenas de anãs castanhas de baixa-massa que espreitam por entre o gás da nebulosa. S106 mede cerca de 2 anos-luz e está situada a aproximadamente 2000 anos-luz de distância na direção da constelação de Cisne.
 

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