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Edição n.º 1260
05/04 a 07/04/2016
 
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08/04/16 - ASTRÓNOMO POR UMA NOITE
20:00 - 22:00 - Esta atividade prática / "Workshop", destinada a adultos e jovens, comemora o Dia Mundial da Astronomia ao fazer com que os participantes imitem a noite de um curioso astrónomo que recorre à observação astronómica noturna com telescópio para resolver um problema. Após um "briefing" detalhado onde se explica o problema e é planeada a atividade noturna, realizar-se-á a observação, havendo no final uma conclusão sobre a missão realizada. (Esta atividade está fortemente dependente de meteorologia favorável, e é de inscrição obrigatória, tem lotação máxima limitada a 10 participantes, e recorre a técnicas e meios de observação normalmente não explorados nas atividades "Apresentação às Estrelas")
Local: CCVAlg
Preço: 3€ - adultos, 2€ jovens acima dos 13 anos
Pré-inscrição: info@ccvalg.pt
ou 289 890 922

22/04/16 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:00 - 22:00 - Apresentação às estrelas inclui uma apresentação sobre um tema de astronomia seguida de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: info@ccvalg.pt
ou 289 890 922

 
EFEMÉRIDES

Dia 05/04: 96.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1804 é registada a primeira queda de um meteorito na Escócia, em Possil.
Em 1935 nascia Donald Lynden-Bell, astrofísico inglês conhecido pelas suas teorias de que as galáxias albergam buracos negros gigantes nos seus centros, e que estes buracos negros são a fonte principal de energia nos quasares
Em 1979 a sonda Pioneer 11 faz as primeiras observações diretas de Saturno e estuda as partículas energéticas da helioesfera exterior. A missão Pioneer 11 termina a 30 de setembro de 1995, quando a última transmissão da sonda foi recebida. Com a sua fonte de energia exausta, não pode operar mais nenhum dos seus instrumentos científicos, nem apontar a sua antena para a Terra. A Pioneer viaja na direção da constelação de Escudo.
Em 1991 era lançado o Observatório de Raios-Gama Compton.

O objetivo desta missão era obter medições de raios-gama de toda a esfera celeste, com uma resolução angular bem melhor e com um aumento de sensibilidade em relação às anteriores missões espaciais de raios-gama. O Compton foi retirado de órbita e reentrou na atmosfera da Terra no dia 4 de junho do ano 2000.
Em 2009, a Coreia do Norte lança o seu polémico satélite Kwangmyŏngsŏng-2. Passou por cima do Japão, o que despoletou de imediato reações da ONU e de vários países.
Observações: O grande e brilhante Hexágono de Inverno está ainda em boa posição para observação ao cair da noite, preenchendo o céu a sudoeste e a oeste. Comece com Sirius a sudoeste, o canto inferior esquerdo do Hexágono. Bem para cima de Sirius está Procyon. A partir daí, olhe ainda mais para cima para Pollux e Castor, depois para baixo e para a direita de Castor para Menkalinen e para a brilhante Capella. Seguidamente, desça para a esquerda até Aldebarã, depois para Rigel na secção de baixo de Orionte, e de volta para Sirius.

Dia 06/04: 97.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1965, lançamento do Intelsat I, o primeiro satélite de telecomunicações a ser colocado em órbita geosíncrona.
Em 1973, lançamento da Pioneer 11.
Em 1993, cientistas da NASA, usando o Explorador Ultravioleta Internacional (IUE), descobrem provas diretas de que as estrelas supergigantes vermelhas terminam a sua existência em explosões massivas conhecidas como supernovas.

A 12 milhões de anos-luz de distância, na galáxia conhecida como M81, o Tipo II de supernova foi designado SN 1993J, a décima supernova do ano.
Observações: Plutão na sua quadratura oeste, pelas 20:59.

Dia 07/04: 98.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1983, durante a missão STS-6, os astronautas Story Musgrave e Don Peterson fazem primeio passeio espacial do vaivém espacial.
Em 1991, era ativado o Observatório de Raios-Gama Compton.
Em 2001, primeiro voo com êxito do Proton M.
Em 2001 era lançada a sonda Mars Odyssey. A missão orbital tem como objetivo mapear os elementos marcianos e os minerais, procurar água e analisar o ambiente da radiação. 

Alcançou a órbita do Planeta Vermelho a 24 de Outubro de 2001, mas os seus instrumentos só foram ligados a 14 de Fevereiro de 2002.
Em 2010, imagens obtidas pela sonda Cassini confirmam a existência de uma exosfera em redor da lua Dione.
Observações: Trânsito da sombra de Io, entre as 03:32 e as 05:48.
Ocultação de Europa, entre as 03:46 e as 06:36.
Eclipse de Europa, entre as 05:06 e as 07:58.
Lua Nova, pelas 12:24.

 
CURIOSIDADES


Antes da descoberta de G1.9+0.3 em 1984, a última supernova da Via Láctea a ficar visível da Terra foi provavelmente Cassiopeia A, por volta de 1667 (segundo cálculos que traçam a expansão do objeto). John Flamsteed poderá ter avistado o remanescente, por acaso, em 1680. Este remanescente foi definitivamente descoberto em 1947.

 
INVESTIGADORES IDENTIFICAM ANÃ BRANCA COM ATMOSFERA DE OXIGÉNIO

Investigadores da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), Brasil, e da Universidade de Kiel, na Alemanha, identificaram, pela primeira vez, uma anã branca com uma atmosfera principalmente composta por oxigénio. O surpreendente, segundo o estudo publicado na revista Science da sexta-feira passada, dia 1 de abril, é que, diferentemente das anãs brancas conhecidas até então, que possuem atmosferas dominadas por hidrogénio e hélio, a nova estrela não possui traços de nenhum dos dois elementos. A pesquisa foi levada a cabo pelo professor da UFRGS Kepler Oliveira, Detlev Koester, professor da Universidade de Kiel, na Alemanha, e pelo bolsista de Gustavo Ourique. A descoberta foi feita em meados do ano passado, quando os cientistas analisavam os 4,5 milhões de espectros do SDSS (Sloan Digital Sky Survey), procurando novas anãs brancas.

O estágio final da evolução de todas as estrelas que nascem com menos de 8 a 11 massas solares – a depender de suas composições iniciais –, as anãs brancas possuem brilho ténue, porte pequeno e uma densidade extremamente alta. Esta é a última etapa da vida da maioria das estrelas.

As anãs brancas são o estágio final da evolução da maioria das estrelas.
Crédito: WikiImages
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Cerca de 80% das anãs brancas possuem atmosferas dominadas por hidrogénio, e o restante tem o hélio como principal componente. Isto acontece porque, por sedimentação, os elementos mais leves vão para as camadas mais altas. A atmosfera da nova estrela descoberta, entretanto, é dominada por oxigénio e apresenta traços de néon e magnésio, o que indica que não pode haver hidrogénio, hélio ou carbono na sua composição – todos mais leves que o oxigénio.

De acordo com Kepler, a estrela, com uma massa muito inferior à do Sol, desafia os modelos de evolução estelar existentes, que não preveem um objeto como este. Espera-se que a mistura de oxigénio, néon e magnésio seja encontrada num pequeno número de estrelas, através da queima nuclear de carbono. No entanto, as anãs brancas formadas por este processo costumam ser muito mais pesadas. "Se nem o núcleo deveria ser de oxigénio para massas menores que uma massa solar, muito menos a atmosfera", enfatiza o professor.

Uma das possíveis explicações para a formação da anã branca com esta composição é a origem por fusão de duas estrelas – num sistema binário, em que as suas atmosferas interagiram e, no final, perderam massa. A descoberta revela-se um importante objeto de estudo sobre o caminho evolutivo das estrelas e, segundo a análise do investigador da Universidade de Warwick, Boris Gänsicke, pode conter uma ligação com alguns dos tipos de supernovas descobertas ao longo da última década. "Precisamos de calcular modelos que resultem numa estrela de baixa massa e com invólucro de oxigénio, o que nenhum modelo atual prevê", afirma Kepler.

Links:

Notícias relacionadas:
UFRGS (comunicado de imprensa)
Science
Astronomy Now
PHYSORG
redOrbit
The Verge

Anãs brancas:
Wikipedia
NASA

 
IDENTIFICADO O "GATILHO" DA MAIS RECENTE SUPERNOVA DESCOBERTA NA VIA LÁCTEA
A supernova G1.9+0.3.
Crédito: NASA/CXC/CfA/S. Chakraborti et al.
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Usando dados do Observatório de Raios-X Chandra da NASA e do VLA (Karl G. Jansky Very Large Array), investigadores foram capazes de determinar a causa provável da mais recente supernova descoberta na Via Láctea. Aplicaram uma nova técnica que poderá ter implicações para a compreensão de outras supernovas do Tipo Ia, uma classe de explosões estelares que os cientistas usam para determinar a velocidade de expansão do Universo.

Os astrónomos já haviam identificado G1.9+0.3 como o remanescente da mais recente supernova descoberta na nossa Galáxia. Estima-se que apareceu no nosso céu há cerca de 110 anos, estando situada a 27.700 anos-luz numa região poeirenta da Galáxia que impede com que a luz visível alcance a Terra.

G1.9+0.3 pertence à categoria de Tipo Ia, uma classe importante de supernovas que exibem padrões confiáveis de brilho e que as tornam ferramentas valiosas para medir a expansão do Universo.

"Os astrónomos usam as supernovas do Tipo Ia como marcadores de distância em todo o Universo, o que nos ajudou a descobrir que a expansão do Universo está a acelerar," afirma Sayan Chakraborti, que liderou o estudo na Universidade de Harvard. "Se existirem diferenças no modo como estas supernovas explodem e na quantidade de luz que produzem, isso poderá ter um impacto no nosso conhecimento desta expansão."

A maioria dos cientistas concorda que as supernovas do Tipo Ia ocorrem quando as anãs brancas, os restos densos de estrelas parecidas com o Sol que esgotaram o seu combustível, explodem. No entanto, ainda existe um debate sobre o que desencadeia estas explosões de anãs brancas. As duas ideias principais são a acumulação de material na anã branca a partir de uma companheira estelar ou a fusão violenta entre duas anãs brancas.

A nova pesquisa, levada a cabo com dados de arquivo do Chandra e do VLA, examina como o remanescente de supernova G1.0+0.3 interage com o gás e com a poeira em torno da explosão. A emissão de rádio e raios-X, daí resultante, fornece pistas sobre a causa da explosão. Em particular, um aumento de brilho em raios-X e rádio do remanescente de supernova, com o passar do tempo, e segundo trabalhos teóricos da equipa de Chakraborti, só é esperado se tiver ocorrido uma fusão de anãs brancas.

"Nós observámos que o brilho de raios-X e rádio aumentou com o tempo e, assim sendo, como o gatilho da explosão de supernova em G1.9+0.3, os dados apontam fortemente para uma colisão entre duas anãs brancas," afirma a coautora Francesca Childs, também de Harvard.

O resultado implica que as supernovas do Tipo Ia ou são todas provocadas por colisões entre anãs brancas, ou são produzidas por uma mistura de colisões entre anãs brancas e o mecanismo em que a anã branca puxa material de uma estrela companheira.

"É importante identificar o mecanismo que desencadeia as supernovas do Tipo Ia porque caso exista mais do que uma origem, então a contribuição de cada uma pode mudar ao longo do tempo," afirma Alicia Soderberg, outra coautora do estudo e também de Harvard. Isto significa que os astrónomos têm que recalibrar algumas das maneiras que as usamos como 'velas padrão' na cosmologia."

A equipa também derivou uma nova estimativa para a idade do remanescente de supernova ["idade" no sentido de ser, possivelmente, quando a supernova apareceu no céu, do ponto de vista da Terra], cerca de 110 anos, mais jovem do que as estimativas anteriores que a colocavam em aproximadamente 150 anos (esta supernova foi descoberta "postumamente" em 1984, assim sendo, muitos anos depois de ter aparecido no nosso céu).

Mais progressos na compreensão do mecanismo de gatilho deverão vir do estudo de supernovas do Tipo Ia em galáxias vizinhas, usando o aumento de sensibilidade proporcionado por uma atualização recente do VLA.

O artigo que descreve estes resultados foi publicado na edição de 1 de março de 2016 da revista The Astrophysical Journal e está disponível online.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
The Astrophysical Journal
Astronomy
SPACE.com
PHYSORG
Forbes
gizmag

G1.9+0.3:
SIMBAD
Pesquisa de Dave Green
Wikipedia

Supernovas:
Wikipedia 
Tipo Ia (Wikipedia)

Remanescente de supernova:
NASA
Wikipedia
Núcleo de Astronomia do CCVAlg

Observatório Chandra:
Página oficial (Harvard)
Página oficial (NASA)
Wikipedia

VLA:
Página oficial
Wikipedia

 
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