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Edição n.º 1300
23/08 a 25/08/2016
 
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EFEMÉRIDES

Dia 23/08: 236.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1962 estreia a série televisiva, "The Jetsons", uma produção da Hanna-Barbara que introduziu a uma geração um futuro com base na tecnologia. 
Em 1966, a Lunar Orbiter 1 tira a primeira fotografia da Terra a partir de órbita lunar. 
Em 1993, a sonda Galileu descobre uma lua, mais tarde chamada Dactyl, em torno de 243 Ida, a primeira lua conhecida em torno de um asteroide.

Observações: Saturno, Marte e Antares estão finalmente alinhados. Fazem uma linha quase reta, quase na vertical a sul-sudoeste aquando do aparecimento das estrelas no céu noturno. Amanhã a linha estará igualmente direita, mas com Marte agora do outro lado da linha Saturno-Antares.

Dia 24/08: 237.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1492 Cristovão Colombo partia pela segunda vez para o Novo  Mundo.
Em 1966, a Luna 11 era lançada de uma plataforma em órbita da Terra.

Esta missão soviética tinha como objetivo estudar a composição química e anomalias gravitacionais da Lua
Em 2006, a União Astronómica Internacional (UAI) redefine o termo "planeta", e Plutão é a partir daí considerado um planeta anão.
Observações: Última oportunidade para ver Saturno, Marte e Antares alinhados numa linha reta. É uma boa oportunidade fotográfica!

Dia 25/08: 238.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1609, Galileu Galileidemonstra o seu primeiro telescópio aos legisladores de Veneza.
Em 1864 nascia Ole Romer, astrónomo dinamarquês que propôs a primeira determinação da velocidade da luz.
Em 1981, flyby da Voyager 2 por Saturno.
Em 1989, flyby da Voyager 2 por Neptuno
Em 2000, a revista Science anuncia descobertas a partir de dados do magnetómetro da sonda Galileu que providenciam as mais sólidas provas da existência de um oceano de água líquida salgada por baixo da superfície de uma das luas de JúpiterEuropa.

No mesmo ano, o Telescópio Espacial Hubble faz um censo de anãs castanhas galácticas. A câmara NICMOS do Hubble revela a baixa energia das anãs castanhas, estrelas que não têm massa suficiente para começar a fusão nuclear.
Em 2012, a sonda Voyager 1 torna-se no primeiro objeto feito pelo Homem a entrar no espaço interestelar
Observações: Lua em Quarto Minguante, pelas 04:41. Nasce por volta das 00:30 e está em Touro. Um pouco abaixo e para a esquerda está Aldebarã

 
CURIOSIDADES


O primeiro pulsar foi observado em 1967, por Jocelyn Bell e Antony Hewish. As emissões pareciam demasiado precisas (a cada 1,3373 segundos) para serem naturais, por isso a fonte foi por algum tempo apelidada de LGM-1 (de Little Green Men). Só quando uma segunda fonte pulsante foi descoberta, noutra parte do céu, é que a hipótese LGM foi abandonada.

 
ASTRÓNOMOS IDENTIFICAM UM JOVEM PESO PESADO ESTELAR NA VIA LÁCTEA
Impressão de artista do disco e do fluxo em redor da estrela massiva.
Crédito: A. Smith (Instituto de Astronomia, Cambridge)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Astrónomos identificaram uma estrela jovem, localizada a quase 11.000 anos-luz de distância, que poderá ajudar-nos a entender como é que as estrelas mais extremas do Universo se formam. Esta estrela jovem, já com mais de 30 vezes a massa do nosso Sol, está ainda no processo de recolha de material da sua nuvem molecular e poderá ficar ainda mais massiva quando finalmente atingir a idade adulta.

Os investigadores, liderados por uma equipa da Universidade de Cambridge, identificaram uma etapa fundamental no nascimento de estrelas muito massivas e descobriram que estas estrelas se formam de maneira semelhante às estrelas muito mais pequenas como o nosso Sol - a partir de um disco rotativo de gás e poeira. Os resultados serão apresentados esta semana na Conferência de Formação Estelar 2016 na Universidade de Exeter e serão publicados na revista Monthly Notices da Sociedade Astronómica Real.

Na nossa Galáxia, as jovens estrelas massivas - aquelas cuja massa é pelo menos oito vezes superior à do Sol - são mais difíceis de estudar do que as estrelas mais pequenas. Isto porque vivem pouco tempo e morrem jovens, o que as torna raras entre as 100 mil milhões de estrelas na Via Láctea e, em média, estão muito mais longe.

"Uma estrela média como o nosso Sol é formada ao longo de alguns milhões de anos, enquanto que as estrelas massivas são formadas ordens de magnitude mais rapidamente - cerca de 100.000 anos," afirma o Dr. John Ilee do Instituto de Astronomia de Cambridge, o autor principal do estudo. "Estas estrelas massivas também queimam o seu combustível muito mais rapidamente, de modo que têm vidas mais curtas, o que as torna mais difíceis de apanhar quando são 'crianças'."

A protoestrela que Ilee e colegas identificaram reside numa nuvem escura infravermelha - uma região muito fria e densa do espaço, ideal para um berçário estelar. No entanto, esta rica região de formação estelar é difícil de observar usando telescópios convencionais, pois as jovens estrelas estão rodeadas por uma nuvem espessa e opaca de gás e poeira. Mas ao usar o SMA (Submillimeter Array) no Hawaii e o VLA (Karl G. Jansky Very Large Array) no estado americano do Novo México, ambos os quais utilizam comprimentos de onda relativamente longos para observar o céu, os investigadores foram capazes de "ver" através da nuvem e espiar o berçário estelar propriamente dito.

Ao medir a quantidade de radiação emitida pela poeira fria perto da estrela, e utilizando as impressões digitais únicas de várias moléculas diferentes no gás, os cientistas foram capazes de determinar a presença de um disco "Kepleriano" - um que gira mais rapidamente no seu centro do que nas orlas.

"Este tipo de rotação é também observado no Sistema Solar - os planetas interiores giram em torno do Sol mais depressa do que os planetas exteriores," realça Ilee. "É emocionante encontrar um disco destes em redor de uma jovem estrela massiva, porque sugere que as estrelas massivas se formam de maneira semelhante com as estrelas mais leves, como o Sol."

As fases iniciais deste trabalho fizeram parte de um projeto de pesquisa de verão da Universidade de St. Andrews, financiado pela Sociedade Astronómica Real. O estudante que executou o projeto, Pooneh Nazari, afirma: "O meu projeto envolvia uma exploração inicial das observações, e o desenvolvimento de um software que 'pesasse' a estrela central."

A partir destas observações, a equipa determinou que a massa da protoestrela é superior a 30 vezes a massa do Sol. Além disso, também se descobriu que o disco que rodeia a jovem estrela é relativamente massivo, entre duas a três a massa do nosso Sol. O Dr. Duncan Forgan, também da Universidade de St. Andrews e o autor principal de um artigo companheiro, comenta: "Os nossos cálculos teóricos sugerem que o disco pode, de facto, estar a esconder ainda mais massa sobre camadas de gás e poeira. O disco pode até ser tão massivo para quebrar-se sob a sua própria gravidade, formando uma série de protoestrelas companheiras menos massivas."

O próximo passo dos investigadores será o de observar a região com o ALMA (Atacama Large Millimetre Array), localizado no chile. Este poderoso instrumento permitirá com que quaisquer potenciais companheiras sejam observadas, e com que os cientistas aprendam mais sobre este jovem e intrigante peso pesado na nossa Galáxia.

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade de Cambridge (comunicado de imprensa)
Sociedade Astronómica Real (comunicado de imprensa)
Artigo científico - Ilee et al. (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)
Artigo científico - Forgan et al. (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)
PHYSORG
UPI

Formação estelar:
Wikipedia

SMA (Submillimeter Array):
Página oficial
Wikipedia

VLA:
Página oficial
Wikipedia

ALMA:
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (NAOJ)
ALMA (ESO)
Wikipedia

 
UMA NOVA ZONA HABITÁVEL
Um novo estudo sugere que um planeta tem de começar com uma temperatura interna "ideal" a fim de suportar vida.
Crédito: Michael S. Helfenbein/Universidade de Yale
(clique na imagem para ver versão maior)
 

De acordo com um investigador da Universidade de Yale, a procura por mundos habitáveis precisa abrir espaço para uma segunda "zona habitável".

Durante décadas, pensava-se que o factor chave para determinar se um planeta pode suportar vida era a distância à sua estrela. No nosso Sistema Solar, por exemplo, Vénus está demasiado perto do Sol e Marte está demasiado longe, mas a Terra está numa posição ideal. Essa distância é o que os cientistas chamam de "zona habitável".

Pensava-se também que os planetas eram capazes de autorregular a sua temperatura interna através da convecção do manto - o deslocamento subterrâneo de rochas provocado pelo aquecimento e arrefecimento internos. Um planeta pode começar demasiado frio ou demasiado quente mas, eventualmente, acabar por se adaptar à temperatura certa.

Um novo estudo, publicado na edição de 19 de agosto da revista Science Advances, sugere que simplesmente estar na zona habitável não é o suficiente para suportar vida. Um planeta também deve começar com uma temperatura interna ideal.

"Se reunirmos todos os tipos de dados científicos de como a Terra evoluiu ao longo dos últimos milhares de milhões de anos e tentarmos perceber o sentido, eventualmente acabamos por perceber que a convecção do manto é bastante indiferente à temperatura interna," afirma Jun Korenaga, autor do estudo e professor de geologia e geofísica em Yale. Korenaga apresenta uma estrutura teórica geral que explica o grau de autorregulação esperado para a convecção do manto e sugere que a autorregulação é improvável para planetas parecidos com a Terra.

"A falta do mecanismo de autorregulação tem implicações enormes para a habitabilidade planetária," comenta Korenaga. "Os estudos da formação planetária sugerem que os planetas como a Terra formam-se através da colisão de múltiplos impactos gigantes, e sabe-se que o resultado deste processo altamente aleatório é muito diverso."

A diversidade do tamanho e da temperatura interna não prejudicaria a evolução planetária caso existisse autorregulação da convecção do manto, explica Korenaga. "O que nós tomamos como adquirido neste planeta, como oceanos e continentes, não poderia existir caso a temperatura interna da Terra não estivesse entre um determinado intervalo, e isto significa que o começo da história da Terra não pode ser nem demasiado quente nem demasiado frio."

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade de Yale (comunicado de imprensa)
Science Advances
(e) Science News
PHYSORG

Zona habitável:
Wikipedia
Simulador de zonas habitáveis (Universidade do Nebraska-Lincoln)

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Raios-Gama e Poeira Cometária
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Daniel López (El Cielo de Canarias)
 
Os raios-gama e poeira do cometa periódico Swift-Tuttle atravessaram a atmosfera do planeta Terra na noite de 11 para 12 de agosto. Colidindo a cerca de 60 km/s, os grãos de poeira cometária produziram, este ano, uma extremamente ativa chuva de meteoros das Perseidas. Esta composição de grande angular da chuva de estrelas cadentes cobre um período de aproximadamente quatro horas e meia durante essa noite. Na imagem estão os rastos de meteoros que podem ser traçados até à origem da chuva no céu. Ao lado da Via Láctea na constelação de Perseu, o radiante marca a direção ao longo da órbita do cometa periódico. Viajando à velocidade da luz, os raios-gama cósmicos que impactam a atmosfera da Terra também produzem chuvas, chuvas estas de partículas altamente energéticas. Tal como os rastos meteóricos apontam para a sua origem no céu, os ainda mais breves "flashes" das partículas podem ser usados para reconstruir a direção da chuva, que apontam para a origem dos raios-gama no céu. Ao contrário dos meteoros, a chuva incrivelmente veloz das partículas não pode ser seguida a olho nu. Mas ambas podem ser seguidas por câmaras de alta-velocidade nas antenas situadas no pano da frente. Claro, estas antenas são os telescópios MAGIC (Major Atmospheric Gamma Imaging Cherenkov), um observatório terrestre de raios-gama situado na ilha La Palma das Canárias.
 

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