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Edição n.º 1321
04/11 a 07/11/2016
 
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04/11/16 - NOITES ASTRONÓMICAS EM TAVIRA
19:00 - A Astronomia não existiria sem observação, para a qual os olhos humanos sempre foram essenciais... O truque para vermos nós também, é saber o que procurar e como ver o céu. Nesta atividade, que inclui uma apresentação no Centro e observação astronómica noturna com telescópio no Forte do Rato (dependente de meteorologia favorável), vamos descobrir no céu o que lemos nos livros, desde constelações, planetas, satélites, duração de órbitas, mudanças nas estrelas, distâncias, onde estamos na Galáxia, etc. O orador convidado é Filipe Dias, o responsável pela Astronomia no Centro Ciência Viva de Faro.
Local: CCV Tavira
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens (crianças até 12 anos grátis)
Inscrição obrigatória (a realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas e está sujeita a um número mínimo de participantes).
Informações e inscrições: 281 326 231 | 924 452 528 | geral@cvtavira.pt | www.cvtavira.pt

 

25/11/16 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS + OBSERVAÇÃO COM TELESCÓPIO
19:30 - Este evento inclui uma apresentação sobre um tema a determinar, seguido de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 922
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 04/11: 309.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2003 foi registada a mais forte erupção solar conhecida.

Observações: À medida que as estrelas começam a aparecer, olhe para a esquerda da Lua à procura de Marte, e bem acima da Lua em busca de Altair. Deneb ainda permanece perto do zénite. Vega, mais brilhante, está alta a oeste. Consegue ainda avistar Arcturo mesmo acima do horizonte a oeste-noroeste?

Dia 05/11: 310.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1743, são organizadas observações científicas coordenadas do trânsito de Mercúrio por Joseph-Nicolas Delisle.
Em 1906, nascia Fred Whipple, que propôs o modelo da "bola de neve suja" para o núcleo dos cometas. 

Em 1964, lançamento da Mariner 3, com destino Marte. No entanto, a cobertura que alojava a sonda não abriu corretamente e a Mariner 3 não chegou ao planeta. Está agora numa órbita solar. 
Em 2007, o primeiro satélite lunar da China, Chang'e 1, entra em órbita da Lua.
Em 2013, a Índia lança a sua primeira sonda interplanetária, a MOM ou Mangalyaan.
Observações: Com o seu tom alaranjado, Marte brilha para a esquerda da Lua ao início da noite. Marte tem o dobro do tamanho do nosso satélite natural, mas, a partir de hoje, está 485 vezes mais distante.
Esta semana, depois do anoitecer, Capella brilha a nordeste, e as Plêiades já estão razoavelmente altas a este-nordeste, a três punhos à distância do braço esticado para a direita de Capella. Com o avançar da noite, encontrará Aldebarã subindo no céu, abaixo das Plêiades. Por volta das 21:30 (dependendo de onde vive), Orionte começa a aparecer acima do horizonte, para baixo de Aldebarã.

Dia 06/11: 311.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Esta noite, o ponto alaranjado por baixo da Lua (a sul-sudoeste) é o planeta Marte.

Dia 07/11: 312.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1492, o Meteorito Ensisheim, o meteorito mais antigo com uma data de impacto conhecida, atinge a Terra por volta do meio-dia, num campo de trigo nos arredores da vila de Ensisheim, Alsácia, França.
Em 1867 nascia Marie Curie, física e química polaca, naturalizada francesa, que levou a cabo estudos pioneiros sobre a radioatividade. Foi a primeira mulher a ganhar o Prémio Nobel e a primeira pessoa a ganhá-lo duas vezes. 
Em 1996 era lançada a sonda Mars Global Surveyor.

Observações: Aviste, antes de se tornar noite, os planetas Vénus e Saturno baixos a sudoeste. Mais para cima e para a esquerda está o planeta Marte e continuando o mesmo percurso alcançamos a Lua em Quarto Crescente.
Lua em Quarto Crescente, pelas 19:51.

 
CURIOSIDADES


A Lua da Terra, embora seja apenas um satélite, é maior que o planeta anão Plutão.

 
ESTUDO CONFIRMA QUE NOVAS SÃO A PRINCIPAL FONTE DE LÍTIO NO UNIVERSO
Impressão de artista de um sistema binário parecido com o que deu origem à nova Sagittarii 2015 N.2.
Crédito: David A. Hardy e PPARC
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O lítio, o elemento sólido mais leve existente [à temperatura ambiente], desempenha um papel importante nas nossas vidas, tanto ao nível biológico como tecnológico. Tal como a maioria dos elementos químicos, as suas origens remontam aos fenómenos astrofísicos, mas o seu ponto de origem era, até agora, incerto. Recentemente, um grupo de investigadores detetou quantidades enormes de berílio-7 - um elemento instável que decai para lítio em 53,2 dias - na nova Sagittarii 2015 N.2, o que sugere que as novas são a principal fonte de lítio na Galáxia.

Praticamente todos os elementos químicos têm uma origem astronómica. A primeira génese teve lugar no que é conhecido como Nucleosíntese Primordial, pouco tempo depois do Big Bang (entre os 10 segundos e vinte minutos). Os elementos leves foram então formados: hidrogénio (75%), hélio (25%) e uma quantidade muito pequena de lítio e berílio.

Os restantes elementos químicos foram formados nas estrelas, quer através da fusão de outros elementos dentro do núcleo - que começa com a fusão do hidrogénio em hélio e produz elementos cada vez mais pesados até que se atinge o ferro - quer através de outros processos como explosões de supernovas ou reações na atmosfera de estrelas gigantes onde, entre outros, o ouro, chumbo e cobre são produzidos. Esses elementos, por sua vez, foram então reciclados em novas estrelas e planetas até ao dia de hoje.

"Mas o lítio constituía um problema: sabíamos que 25% do lítio existente vem da Nucleosíntese Primordial, mas não conseguíamos traçar as origens dos restantes 75%", comenta Luca Izzo, investigador do Instituto de Astrofísica da Andaluzia, que esteve envolvido no estudo.

Solução para o enigma do lítio

A solução para o enigma da origem do lítio está, segundo este estudo, nas novas, fenómenos explosivos que ocorrem em sistemas binários em que uma das estrelas é uma anã branca. A anã branca pode absorver material da sua estrela companheira e formar uma camada superficial de hidrogénio que, quanto atinge uma certa densidade, desencadeia uma explosão - uma nova - que pode aumentar o brilho de uma estrela até 100.000 vezes. Após algumas semanas o sistema estabiliza e o processo começa novamente.

Nova Sagittarii 2015 N.2 antes do amanhecer de dia 21 de março de 2015.
Crédito: Bob King
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os investigadores estudaram a nova Sagittarii 2015 N.2 (também conhecida como V5668 Sgr), que foi detetada no dia 15 de março de 2015 e permaneceu visível por mais de oitenta dias. A observação, feita com o instrumento UVES acoplado ao VLT (Very Large Telescope) do ESO, ao longo de vinte e quatro dias, possibilitou pela primeira vez o acompanhamento da evolução do sinal do berílio-7 no interior de uma nova e até mesmo o cálculo da quantidade presente. "O berílio-7 é um elemento instável que se decompõe em lítio em 53,2 dias, por isso a sua presença é um sinal inequívoco da existência de lítio," afirma Christina Thöne, investigadora do Instituto de Astrofísica da Andaluzia.

A existência de berílio-7 havia sido anteriormente documentada noutra nova, mas a medição da quantidade de lítio, que seria produzido na nova Sagittarii 2015 N.2, foi uma surpresa. "Estamos a falar de uma quantidade de lítio dez vezes maior que o Sol," acrescenta Luca Izzo. "Com estas quantidades em mente, duas novas semelhantes por ano bastariam para explicar todo o lítio na nossa Galáxia, a Via Láctea. As novas parecem ser a fonte predominante do lítio no Universo," conclui.

Links:

Notícias relacionadas:
Instituto de Astrofísico da Andaluzia (comunicado de imprensa)
Monthly Notices Letters of the Royal Astronomical Society
Artigo científico (arXiv.org)
Astronomy Now
PHYSORG
UPI

Lítio:
Wikipedia
Periodic Videos (YouTube)

Nova:
Wikipedia

Nova Sagittarii 2015 N.2:
Sky & Telescope
Universe Today

Nucleosíntese Primordial:
Wikipedia

VLT:
Página oficial
Wikipedia

 
ENCONTRO GALÁCTICO DEIXA PARA TRÁS BURACO NEGRO SUPERMASSIVO "QUASE NU"

Astrónomos que usaram a visão rádio supernítida do VLBA (Very Long Baseline Array) do NSF (National Science Foundation) descobriram os restos de uma galáxia que passou por uma outra galáxia maior, emergindo dessa fusão apenas um buraco negro supermassivo com uma velocidade de mais de 2000 km/s.

As galáxias fazem parte de um enxame a mais de 2 mil milhões de anos-luz da Terra. O encontro, que ocorreu há milhões de anos atrás, despojou a galáxia mais pequena de quase todas as suas estrelas e gás. O que resta é o seu buraco negro e um pequeno remanescente galáctico com apenas 3000 anos-luz. Em comparação, a nossa Via Láctea mede aproximadamente 100.000 anos-luz de diâmetro.

A descoberta foi feita como parte de um programa para detetar buracos negros supermassivos, com milhões ou milhares de milhões de vezes mais massivos que o Sol, que não estão no centro de galáxias. Os buracos negros supermassivos residem no centro da maioria das galáxias. Pensa-se que as grandes galáxias cresçam devorando companheiras mais pequenas. Nestes casos, os buracos negros de ambas as galáxias orbitam-se um ao outro, eventualmente fundindo-se.

Impressão de artista da origem do buraco negro supermassivo "quase nu".
Crédito: Bill Saxton, NRAO/AUI/NSF
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Estávamos à procura de pares orbitantes de buracos negros supermassivos, com um deslocamento do centro da galáxia, sinais indicadores de uma fusão galáctica anterior," explica James Condon, do NRAO (National Radio Astronomy Observatory). "Em vez disso, encontrámos este buraco negro fugindo da galáxia maior e deixando para trás um rastro de detritos," acrescenta.

"Nunca tínhamos visto nada assim," comenta Condon.

Os astrónomos começaram a sua pesquisa usando o VLBA para obter imagens de alta resolução de mais de 1200 galáxias, anteriormente identificadas em levantamentos de larga escala com telescópios infravermelhos e radiotelescópios. As suas observações com o VLBA mostraram que os buracos negros supermassivos de quase todas estas galáxias se encontravam no centro das galáxias.

No entanto, um objeto, num enxame galáctico chamado ZwCl 8193, não encaixava neste padrão. Estudos posteriores mostraram que este objeto, chamado B3 1715+425, é um buraco negro supermassivo rodeado por uma galáxia muito mais pequena e ténue do que se esperava. Além disso, este objeto acelera para longe do núcleo de uma galáxia muito maior, deixando para trás um rastro de gás ionizado.

Os cientistas concluíram que B3 1715+425 é o que resta de uma galáxia que passou pela galáxia maior, galáxia esta que "roubou" a maioria das estrelas e gás durante o encontro - um buraco negro supermassivo "quase nu".

O remanescente veloz, dizem os cientistas, provavelmente perderá ainda mais massa e deixará de formar novas estrelas.

"Daqui a cerca de mil milhões de anos, será provavelmente invisível," comenta Condon. Isso significa, segundo o investigador, que podem existir muitos mais destes objetos, deixados para trás por encontros galácticos, que os astrónomos não conseguem detetar.

No entanto, os cientistas vão continuar à procura. Estão a observar mais objetos num projeto a longo prazo com o VLBA. Dado que não tem data limite, explica Condon, usam "tempo livre" do telescópio quando este não está a ser usado para outras observações.

"Os dados que obtemos do VLBA são de alta qualidade. Obtemos as posições dos buracos negros supermassivos com uma precisão extremamente boa. O nosso fator limitante é a precisão das posições das galáxias vistas noutros comprimentos de onda que usamos para comparação," salienta Condon. Com a próxima geração de telescópios óticos, como por exemplo o LSST (Large Synoptic Survey Telescope), diz, eles terão imagens melhoradas que podem ser comparadas com as imagens do VLBA. Esperam que isto lhes permita descobrir mais objetos como B3 1714+425.

"E talvez alguns dos buracos negros supermassivos binários que originalmente procurávamos," conclui.

Links:

Notícias relacionadas:
NSF (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Buraco Negro "Quase Nu" (NRAO via vimeo)
Astronomy
Universe Today
ScienceDaily
PHYSORG

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

VLBA:
NRAO
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Rover Curiosity examina estranho meteorito de ferro (via NASA)
O estudo laser de um objeto globular com o tamanho de uma bola de golfe, pelo rover Curiosity da NASA, confirma que é um meteorito de ferro-níquel que caiu do céu do Planeta Vermelho. São uma classe comum de rochas espaciais encontradas cá na Terra, e já tinham sido vistos exemplares do género em Marte, mas este é o primeiro examinado com um espectrómetro laser. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - M27: A Nebulosa do Haltere
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: John Hayes
 
A primeira pista do que ocorrerá no final da vida do nosso Sol foi descoberta inadvertidamente em 1764. Nessa altura, Charles Messier estava a compilar uma lista de objetos difusos para não os confundir com cometas. O 27.º objeto da lista de Messier, hoje conhecido como M27 ou Nebulosa do Haltere, é uma nebulosa planetária, o tipo de nebulosa que o nosso Sol produzirá quando a fusão nuclear no seu núcleo parar. M27 é uma das nebulosas planetárias mais brilhantes do céu, podendo ser vista na direção da constelação de Vulpecula (Raposa) com binóculos. A sua luz demora cerca de 1.000 anos até chegar até nós, vista aqui em cores emitidas pelo hidrogénio e pelo oxigénio. A compreensão da física e a importância de M27 estava muito além da ciência do século XVIII. Ainda hoje, muitas coisas misteriosas acerca das nebulosas planetárias bipolares como M27 permanecem por resolver, incluindo o mecanismo físico que expulsa o invólucro externo e gasoso de uma estrela de baixa massa, deixando para trás uma quente (em raios-X) anã branca.
 

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