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Edição n.º 1344
24/01 a 26/01/2017
 
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27/01/17 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
19:30 - Este evento inclui uma apresentação sobre um tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Local: CCVAlg
Preço: 2€
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 24/01: 24.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1882, nascia Harold Babcock, astrónomo americano que propôs que o ciclo das manchas solares era o resultado da rotação diferencial e do campo magnético do Sol.
Em 1947 nasce Michio Kaku, físico teórico americano, futurista, comunicador e divulgador de ciência.
Em 1978, um satélite soviético chamado Kosmos 954, com um reator nuclear a bordo, é destruído na atmosfera da Terra, espalhando detritos radioativos por cima dos Territórios Noroeste do Canadá. Apenas 1% foi recuperado.
Em 1986, a Voyager 2 passa a 81.500 km de Úrano
Em 1990, o Japão lança a Hiten, a primeira sonda lunar deste país, a primeira sonda lunar desde a soviética Luna 24 em 1976 e a primeira sonda lunar lançada por um país sem ser a União Soviética ou os Estados Unidos.

Observações: Antes do amanhecer, olhe para sudeste e encontre a Lua 3º por cima de Saturno.

Dia 25/01: 25.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1736 nascia Joseph-Louis Lagrange, matemático e astrónomo italiano. Fez contribuições importantes para todos os campos da análise, teoria de números e mecânica celeste e clássica.
Em 1994, lançamento da sonda Clementine.
Em 2004, o rover Opportunity (MER-B) aterra na superfície de Marte.

Em 2006, três campanhas independentes anunciam a descoberta de OGLE-2005-BLG-390LB através de microlentes gravitacionais, o primeiro planeta extrasolar rochoso/gelado em torno de uma estrela de sequência principal.
Observações: Ocultação de Io, entre as 01:23 e as 03:40.
À medida que amanhece, olhe bem baixo a sudeste à procura da ténue e fina Lua. Saturno está aproximadamente 12º para cima e para a direita. O pequeno Mercúrio brilha 7º para baixo do nosso satélite natural. Os binóculos ajudam, especialmente com o aumentar de brilho do nascer-do-Sol.

Dia 26/01: 26.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1949, é inaugurado o telescópio Hale no Observatório Palomar, sob a direção de Edwin Hubble, e torna-se no telescópio com maior abertura ótica até à construção do BTA-6 em 1975.
Em 1962, é lançada a Ranger 3 com o objetivo de estudar a Lua. A sonda falha o satélite por 35.400 km.
Em 1978 o satélite "International Ultraviolet Explorer" (IUE) é lançado para uma órbita geosíncrona.

Durante os anos de operação, enviou 104.470 imagens de alta e baixa resoluções de 9600 fontes astronómicas de todas as classes de objetos celestes na banda ultravioleta entre 1150-3350 Å. O satélite foi desligado a 30 de setembro de 1996.
Observações: Trânsito da sombra de Ganimedes, entre as 02:40 e as 05:41.
Sirius brilha a sudeste, para baixo de Orionte, depois da hora de jantar. Por volta das 21 horas, dependendo da posição do observador, Sirius brilha precisamente para baixo de Betelgeuse, no ombro de Orionte. Consegue determinar a hora deste evento, talvez recorrendo à parede vertical de um edifício? Das duas estrelas, Sirius "ganha a corrida" ao início da noite; Betelgeuse "ganha" mais tarde.

 
CURIOSIDADES


Os romanos chamavam "via lactea" à nossa Galáxia porque, da perspetiva do céu noturno da Terra, é parecida com uma mancha de leite. Mas os romanos não foram os primeiros a dar este nome à galáxia onde vivemos: os gregos chamavam-lhe "galaxias kyklos". De acordo com a mitologia grega, Zeus trouxe Héracles (filho de Zeus com Alcmena, uma mortal) para ser amamentado por Hera, sua mulher, enquanto esta dormia. Zeus queria, com a ajuda do leite da deusa, dotá-lo de qualidades divinas. Hera não gostava de Héracles, sobretudo porque o bebé era semideus e o resultado de um dos muitos romances extraconjugais de Zeus. Quando Hera acordou, rapidamente apercebeu-se do que estava a acontecer e empurrou Héracles para longe do seu peito. O gesto fez com que algumas gotas de leite caíssem no céu noturno, formando assim a Via Láctea.

 
DESCOBERTA UMA DAS MAIS BRILHANTES GALÁXIAS DISTANTES ATÉ AGORA CONHECIDAS

Uma equipa internacional liderada por investigadores do Instituto de Astrofísica das Canárias (IAC) e da Universidade de La Laguna (ULL) descobriu uma das galáxias "não-ativas" mais brilhantes no início do Universo. A descoberta de BG1429+1202 foi possível graças à "ajuda" de uma enorme galáxia elíptica ao longo da linha de visão do objeto, que agiu como uma espécie de lente, amplificando o brilho e distorcendo a imagem observada. Os resultados, publicados na revista científica The Astrophysical Journal Letters, fazem parte do projeto BELLS GALLERY, com base na análise de 1,5 milhões de espectros de galáxias do SDSS (Sloan Digital Sky Survey).

O fenómeno de lente gravitacional, previsto pela Teoria Geral da Relatividade de Einstein, é produzido quando a luz é desviada à medida que passa por um objeto muito massivo. Para um observador distante, a massa da galáxia elíptica atua sobre a luz como se fosse uma lente enorme, produzindo uma imagem mais brilhante da fonte, BG1429+1202, permitindo-nos ver detalhes que de outra forma seriam demasiado fracos de detetar.

O sistema de lente gravitacional BG1429+1202. Esta imagem mostra quão forte é a lente gravitacional de uma galáxia massiva (cor vermelha) quando atua sobre a luz de uma galáxia muito distante (de tom azulado), produzindo, neste caso, quatro imagens separadas e aumentando o fluxo total. Sem este efeito, o estudo detalhado de galáxias distantes como BG1429+1202 necessitaria da próxima geração de telescópios extremamente grandes, como o TMT e o E-ELT.
Crédito: Gabriel Pérez (IAC), GTC, Isaac Newton Group e projeto DECaLS
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Este é um dos poucos casos conhecidos de galáxias," diz Rui Marques Chaves, doutorando do IAC-ULL e autor principal do artigo, "com um brilho aparente muito alto e também uma luminosidade intrinsecamente elevada. As observações permitiram-nos determinar as suas propriedades principais num espaço de tempo muito curto." Para estudar este sistema, foram usados dois telescópios no Observatorio del Roque de los Muchachos (Garafía, La Palma): o GTC (Gran Telescopio CANARIAS) e o WHT (William Herschel Telescope), do ING (Isaac Newton Group of Telescopes). O sistema é formado por uma galáxia elíptica a uma distância de 5,4 mil milhões de anos e por trás encontra-se BG1429+1202, que emite radiação Lyman-alfa, a 11,4 mil milhões de anos-luz de nós (vemos esta galáxia como era cerca de 2,3 mil milhões de anos após o Big Bang). A galáxia que age como lente produz quatro imagens distintas da galáxia distante, com um fluxo que é nove vezes maior do que seria sem esta lente natural ao longo da nossa linha de visão.

Alta luminosidade ultravioleta

Uma característica excecional de BG1429+1202 é a sua muito alta luminosidade na linha de emissão Lyman-alfa, uma das mais brilhantes no espectro ultravioleta, porque outros casos semelhantes de galáxias ampliadas não mostram uma emissão tão forte nesta linha. Embora o efeito de lente gravitacional já tenha sido usado em muitos projetos de pesquisa, o método de selecionar galáxias que emitem radiação Lyman-alfa foi usado pela primeira vez no projeto BELLS GALLERY. "Nós analisámos cerca de milhão e meio de espectros de galáxias," acrescenta Yiping Shu, astrónomo do NAOC (National Astronomical Observatories) em Pequim (China) e o autor principal de publicações anteriores do mesmo projeto. "Foram obtidos com o Telescópio Sloan do Observatório Apache Point no Novo México (EUA), e detetámos emissão Lyman-alfa em galáxias muito mais distantes do que as suas lentes em 187 casos, 21 dos quais passámos a observar com o Telescópio Espacial Hubble. Essas observações confirmam que a maioria destes objetos são distorcidos por lentes gravitacionais."

O aumento do brilho aparente (o brilho observado da Terra) de galáxias distantes que é produzido por lentes gravitacionais permite-nos obter dados de qualidade melhorada. "Com telescópios como o GTC e o WHT", explica Ismael Pérez Fournon, investigador do IAC-ULL e coordenador deste artigo, "podemos realizar estudos que seriam impossíveis sem a presença das lentes. Na prática, é como estivéssemos a observar já com um dos telescópios gigantes do futuro, como o E-ELT (European Extremely Large Telescope) de 39 metros ou o TMT (Thirty Meter Telescope)." "BG1429+1202 é tão brilhante que até pode ser vista em imagens fotográficas do DSS (Digital Sky Survey)," acrescenta Paloma Matínez Navajas, investigadora do IAC e outra autora do estudo.

Apesar dos numerosos estudos anteriores de lentes gravitacionais baseados em imagens e espectros do SDSS, BG1429+1202 não tinha sido descoberta até este trabalho. "Descobertas como BG1429+1202 demonstram a maneira pela qual grandes conjuntos de dados astronómicos de grandes levantamentos podem ser extraídos para novas aplicações astrofísicas. No NOAO (National Optical Astronomy Observatory, em Tucson, no estado norte-americano do Arizona), estamos a implementar capacidades de acesso livre para suportar estes projetos de pesquisa de arquivo usando dados públicos de campo largo do DECam (Dark Energy Camera) e outros instrumentos, bem como dados futuros de projetos como o DESI (Dark Energy Spectroscopic Instrument), conclui Adam Bolton, diretor associado do NOAO e também ele autor deste artigo.

Links:

Notícias relacionadas:
Instituto de Astrofísica das Canárias (comunicado de imprensa)
The Astrophysical Journal Letters
EurekAlert!
PHYSORG
UPI

Lentes gravitacionais:
Wikipedia

GTC (Gran Telescópio CANARIAS):
Página principal
Wikipedia

WHT (William Herschel Telescope):
Página principal
Wikipedia

E-ELT (European Extremely Large Telescope):
ESO
ESO - 2
Wikipedia

TMT (Thirty Meter Telescope):
Pagina oficial
Wikipedia

 
MICRÓBIOS PODEM SOBREVIVER AO FINO AR DE MARTE

Um novo estudo descobriu que os micróbios, que estão classificados como dos organismos mais simples e antigos da Terra, podem sobreviver ao ar extremamente frio de Marte.

A superfície marciana é atualmente fria e seca, mas há uma abundância de evidências que sugerem que rios, lagos e mares já cobriram o Planeta Vermelho há milhares de milhões de anos atrás. Como a vida existe virtualmente onde quer que haja água líquida cá na Terra, os cientistas sugeriram que a vida pode ter evoluído em Marte quando este era mais molhado, e que a vida poderá ainda existir mesmo agora.

"Dos ambientes que encontramos aqui na Terra, existe um determinado tipo de micro-organismo em quase todos," comenta Rebecca Mickol, astrobióloga do Centro de Ciências Espaciais e Planetárias da Universidade do Arkansas em Fayetteville, autora principal do estudo. "É difícil acreditar que não existem outros organismos lá fora noutros planetas ou até em luas."

Mickol e a sua equipa divulgaram os seus achados no artigo, "Low Pressure Tolerance by Methanogens in an Aqueous Environment: Implications for Subsurface Life on Mars", publicado na revista científica Origins of Life and Evolution of Biospheres.

Impressão de artista de como Marte poderá ter sido com água, quando quaisquer potenciais micróbios marcianos poderiam ter evoluído.
Crédito: ESO/M. Kornmesser
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Investigações anteriores detetaram metano, a molécula orgânica mais simples, na atmosfera marciana. Embora existam maneiras abióticas de produzir metano - como atividade vulcânica - grande parte deste gás incolor, inodoro e inflamável presente na atmosfera da Terra é produzido por vida, como gado quando digere alimentos.

"Um dos momentos mais excitantes, para mim, foi a deteção de metano na atmosfera marciana," realça Mickol. "Na Terra, a maioria do metano é produzido biologicamente por organismos passados ou presentes. O mesmo pode ser verdade para Marte. Claro, existem montes de alternativas possíveis para a existência do metano marciano e este ainda é considerado controverso. Mas isso só aumenta a excitação."

Na Terra, os micróbios conhecidos como metanógenos produzem metano, também conhecido como gás natural. Os metanógenos vivem tipicamente em pântanos, mas também podem ser encontrados nas entranhas de bovinos, térmitas e outros herbívoros, bem como em matéria orgânica morta e em decomposição.

Os metanógenos estão entre os organismos mais simples e mais antigos da Terra. Estes micro-organismos são anaeróbios, isto é, não requerem oxigénio. Ao invés, muitas vezes dependem de hidrogénio para energia e o dióxido de carbono é a fonte principal dos átomos de carbono que usam para criar moléculas orgânicas.

O facto dos metanógenos não necessitarem de oxigénio nem de fotossíntese significa que podem viver mesmo abaixo da superfície marciana, protegidos dos duros níveis de radiação ultravioleta do Planeta Vermelho. Isto pode torná-los candidatos ideais para a vida em Marte.

No entanto, a área mesmo por baixo da superfície de Marte está exposta a pressões atmosféricas extremamente baixas, normalmente consideradas inóspitas para a vida. A pressão à superfície de Marte, em média e ao longo do ano marciano, varia de um centésimo a um milésimo da pressão da Terra, demasiado baixa para a água líquida permanecer à superfície. Neste ar tão fino, a água ferve facilmente (em contraste, a pressão no ponto mais alto da superfície terrestre, o topo do Monte Evereste, é cerca de um-terço da pressão da Terra ao nível do mar).

Para determinar se os metanógenos poderiam sobreviver a um ar tão fino, Mickol e Timothy Kral, o autor sénior do estudo e astrobiólogo da Universidade do Arkansas em Fayetteville, levaram a cabo experiências com quatro espécies de metanógenos. Incluíram: Methanothermobacter wolfeii, Methanosarcina barkeri, Methanobacterium formicicum e Methanococcus maripaludis. As experiências anteriores com base nestas quatro espécies, ao longo de mais de 20 anos, geraram uma grande quantidade de dados sobre estes organismos e sobre as suas taxas de sobrevivência em condições marcianas simuladas.

Os metanógenos contidos nestes tubos de ensaio, que também continham nutrientes para crescimento, areia e água, sobreviveram quando sujeitos a ciclos de arrefecimento-aquecimento marcianos.
Crédito: Rebecca Mickol
 

O conjunto mais recente de experiências, que levou cerca de um ano, envolveu o crescimento de micróbios em tubos de ensaio dentro de líquidos que serviam como representações dos fluídos potencialmente correndo em aquíferos marcianos subterrâneos. Os micróbios foram alimentados com gás hidrogénio e os líquidos foram cobertos com bocados de algodão, por sua vez cobertos com solo que simulava o que pode ser encontrado à superfície de Marte. Os interiores de cada tubo de ensaio foram então submetidos a baixas pressões.

O oxigénio mata estes metanógenos e a manutenção de um ambiente livre deste elemento químico e a baixa pressão "foi uma tarefa difícil," comenta Mickol. Além disso, a água evapora rapidamente a baixa pressão, o que pode limitar o tempo de duração das experiências e também obstruir o sistema de vácuo.

Apesar destes problemas, os investigadores descobriram que todos estes metanógenos sobreviveram a exposições que variaram entre os 3 e os 21 dias, e a pressões idênticas a seis milésimos da pressão à superfície da Terra. "Estas experiências mostram que, para algumas espécies, a baixa pressão pode não ter qualquer efeito sobre a sobrevivência do organismo," realça Mickol.

As estudantes Rebecca Mickol e Navita Sinha preparam-se para colocar metanógenos na câmara Pegasus localizada o Laboratório W. M. Keck.
Crédito: Universidade do Arkansas
 

Os cientistas também estão a medir o metano para ver se os metanógenos crescem ativamente a baixa pressão e se produzem metano.

"O próximo passo é também incluir a temperatura," acrescenta Mickol. "Marte é muito, muito frio, regularmente descendo abaixo dos -100º C durante a noite e, por vezes, ao meio-dia do dia mais quente do ano, a temperatura pode subir acima da temperatura de congelamento. Nós realizámos as nossas experiências a uma temperatura logo acima da de congelamento, mas a fria temperatura limitaria a evaporação dos meios líquidos e criaria um ambiente mais semelhante a Marte."

Mickol enfatizou que estas experiências não provam que a vida existe noutros planetas. "Dito isto, com a abundância de vida na Terra, em todos os diferentes ambientes extremos aqui encontrados, é bem possível que exista vida - bactérias ou micro-organismos minúsculos - em algum outro lugar do Universo," comenta. "Estamos apenas a tentar explorar essa ideia."

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (Origins of Life and Evolution of Biospheres)
Universe Today
Astrobiology Magazine
PHYSORG
engadget
Inverse

Metano:
Wikipedia

Metanógenos (Wikipedia)

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
ASTRÓNOMOS PROCURAM SINAIS DE VIDA EM EXOPLANETA DO SISTEMA WOLF 1061
Impressão de artista de um exoplaneta. Um exoplaneta é um planeta que existe para lá do nosso Sistema Solar.
Crédito: NASA/Ames/JPL-Caltech
 

Existe alguém lá fora? A questão de se os terráqueos estão sozinhos no Universo tem intrigado todos, desde biólogos a físicos, passando por filósofos e cineastas. É também a força motriz por trás da investigação sobre exoplanetas do astrónomo Stephen Kane da Universidade Estatal de San Francisco - planetas que existem para lá do nosso Sistema Solar.

Como um dos principais "caçadores de planetas" do mundo, Kane concentra-se na descoberta de "zonas habitáveis", áreas onde a água pode existir em estado líquido à superfície de um planeta, caso exista pressão atmosférica suficiente. Kane e a sua equipa, que inclui Miranda Waters, antiga estudante de graduação, examinaram a zona habitável de um sistema planetário a 14 anos-luz de distância. Os seus achados serão publicados na próxima edição da revista The Astrophysical Journal, num artigo com o nome "Characterization of the Wolf 1061 Planetary System."

"O sistema Wolf 1061 é importante porque está muito perto e isso dá-nos várias oportunidades para fazer estudos de acompanhamento com o objetivo de ver se realmente tem vida," comenta Kane.

Mas não é apenas a proximidade de Wolf 1061 com a Terra que o torna num tema atraente para Kane e para a sua equipa. Um dos três planetas conhecidos do sistema, um planeta rochoso chamado Wolf 1061c, está inteiramente dentro da zona habitável. Com a ajuda de colaboradores da Universidade Estatal do Tennessee e de Genebra, na Suíça, foram capazes de medir a estrela em torno da qual o planeta orbita para obter uma imagem mais clara se a vida pode lá existir.

Quando os cientistas procuram por planetas que possam sustentar vida, estão basicamente à procura de um planeta com propriedades quase idênticas às da Terra, realça Kane. Tal como a Terra, o planeta terá que existir num ponto ideal a que chamamos "zona habitável", onde as condições são ideais para a vida. Simplificando, o planeta não pode estar demasiado perto nem demasiado longe da sua estrela hospedeira. Um planeta que está demasiado perto seria muito quente. Se está muito longe, poderá ser muito frio e qualquer água aí presente estaria sob o estado sólido, que é o que acontece em Marte, acrescentou Kane.

Por outro lado, quando os planetas aquecem, pode ocorrer um "efeito de estufa", onde o calor fica preso na atmosfera. Os cientistas pensam que foi isto que aconteceu com o gémeo da Terra, Vénus. Pensa-se que Vénus já teve oceanos, mas, devido à sua proximidade com o Sol, o planeta tornou-se demasiado quente e toda a água evaporou-se. Dado que o vapor de água é extremamente eficaz a "prender" o calor, tornou a superfície planetária ainda mais quente. A temperatura à superfície de Vénus atinge agora os 460º C.

Uma vez que Wolf 1061c está perto da orla interna da zona habitável, o que significa que está mais perto da estrela, é possível que o planeta tenha uma atmosfera mais parecida com a de Vénus. "Está perto o suficiente da estrela para suspeitarmos da existência de um efeito de estufa," explica Kane.

Kane e a sua equipa também observaram que, ao contrário da Terra, que atravessa mudanças climáticas como idades do gelo devido a variações lentas na sua órbita em torno do Sol, a órbita de Wolf 1061c muda a um ritmo muito mais rápido, o que poderá significar que o clima é bastante caótico. "Pode fazer com que a frequência com que o planeta arrefece ou aquece seja bastante severa," afirma Kane.

Estes achados deixam no ar a pergunta: será que a vida é possível em Wolf 1061c? Uma possibilidade é que as escalas curtas de tempo, nas quais a órbita de Wolf 1061c muda, podem ser suficientes para arrefecer o planeta, realça Kane. Mas para entender realmente o que se está a passar na superfície do planeta são necessárias mais investigações.

Ao longo dos próximos anos serão lançados novos telescópios como o Telescópio Espacial James Webb, o sucessor do Telescópio Espacial Hubble, e este será capaz de detetar componentes atmosféricos dos exoplanetas e mostrar o que está a acontecer à superfície.

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade Estatal de San Francisco (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
ScienceDaily
PHYSORG
UPI
Gizmodo

Wolf 1061:
Wikipedia
Wolf 1061c (Wikipedia)
Wolf 1061c (Open Exoplanet Catalogue)

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Arquivo de Exoplanetas da NASA

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
ESA
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Dafne, a Lua Que Faz Ondas
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Equipa de Imagem da CassiniSSIJPLESANASA
 
Mergulhando perto das orlas exteriores dos anéis de Saturno, no passado dia 16 de janeiro a sonda Cassini capturou esta imagem, a melhor até agora, da lua Dafne. Com cerca de 8 km em diâmetro e orbitando dentro da divisão Keeler do brilhante sistema de anéis, a pequena lua está a fazer ondas. A lacuna com 42 km é encurtada na imagem devido ao ângulo de visão da Cassini. Elevadas pela influência da fraca gravidade da pequena lua, enquanto viaja da esquerda para a direita, formam-se ondas no material do anel situado na borda da divisão. Seguindo Dafne, é visível uma ténue corrente em forma de onda, composta por material anular. A imagem também mostra detalhes notáveis da lua Dafne, que incluem um cume estreito em redor do seu equador, provavelmente uma acumulação de partículas do anel.
 

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