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Edição n.º 1369
21/04 a 24/04/2017
 
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28/04/17 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:30 - Este evento inclui uma apresentação sobre um tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Local: CCVAlg
Preço: 2€
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 21/04: 111.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1964, um satélite Transit-5bn falha a atingir órbita da Terra após lançamento. À medida que reentra na atmosfera, 0,95 kg de plutónio radioativo da sua fonte de alimentação SNAP RTG é largamente dispersado.
Em 1994, são anunciadas as primeiras descobertas de planetas extrasolares pelo astrónomos Alexander Wolszczan e Dale Frail. Descobiram dois planetas em órbita do pulsar PSR 1257+12
Em 2002, uma erupção no Sol providencia uma excelente oportunidade para uma panóplia de instrumentos nas sondas SOHO,
TRACE e RHESSI recolherem dados para comparação com o modelo Lin & Forbes de CMEs (ejeção de massa coronal).

Observações: Ao anoitecer, olhe bem alto a oeste em busca de Pollux e Castor alinhadas quase horizontalmente (dependendo da latitude do observador). Estas duas estrelas, as cabeças dos Gémeos, formam o topo do enorme Arco da Primavera. Para baixo e para a sua esquerda está Procyon, a extremidade esquerda do Arco. Mais para baixo mas à direita, está o outro lado do Arco, Menkalinan (Beta Aurigae) e depois a brilhante Capella. O Arco desloca-se para perto do horizonte a oeste ao longo da noite.

Dia 22/04: 112.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1500, Pedro Álvares Cabral chegava pela primeira vez ao Brasil, numa viagem épica em que o Oceano era o equivalente atual do Espaço.
Em 1891, nascia Harold Jeffreys, astrogeofísico e o primeiro a teorizar o núcleo líquido da Terra. Jeffreys também fez contribuições para o nosso conhecimento da fricção de marés, nutação, estrutura planetária geral e da origem do Sistema Solar. 
Em 1904, nascia Robert Oppenheimer, físico americano mais conhecido pelo seu papel como diretor científico do Projeto Manhattan.

É por isso lembrado como o "Pai da Bomba Atómica". 
Em 1970 comemorava-se pela primeira vez o Dia da Terra.
Observações: Trânsito de Ganimedes, entre as 02:02 e as 04:36.
Trânsito da sombra de Ganimedes, entre as 03:16 e as 06:04.
A ténue chuva de meteoros das Lirídeas deverá atingir o seu pico antes do amanhecer deste sábado.

Dia 23/04: 113.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1792, nascia John Thomas Romney Robinson, astrónomo irlandês que compilou o catálogo estelar Armagh, fez trabalhos sobre a construção de instrumentos astronómicos e foi também provavelmente o inventor de um aparelho que media a velocidade do vento, o anemómetro de Robinson. A cratera Robinson na Lua tem o seu nome.
Em 1858, nascia Max Planck, físico alemão considerado o fundador da teoria quântica, pela qual recebeu o Prémio Nobel da Física em 1918.

Em 1967, era lançada a missão Soyuz 1 com o Coronel Valentim Komarov a bordo, que viria a morrer no dia seguinte quando a nave se despenhou contra o solo na reentrada.
Em 2009, a explosão de raios-gama GRB 090423 é observada durante 10 segundos, classificada à data como o segundo objeto mais distante e antigo do Universo conhecido.
Observações: A constelação primaveril de Corvo encontra-se a sudeste por estas noites, a cerca de 1,5 punhos à distância do braço esticado para a direita de Espiga. Mas para cima de Espiga está Júpiter, roubando o espetáculo.

Dia 24/04: 114.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1967, o cosmonauta Vladimir Komarov morre a bordo da Soyuz 1, quando o pára-quedas se recusa a abrir. É o primeiro ser humano a morrer numa missão espacial.
Em 1970, é lançado o primeiro satélite chinês, o Dong Fang Hong I.
Em 1971, a Soyuz 10 acopla com a Salyut 1. 
Em 1990, STS-31: o telescópio espacial Hubble é lançado a bordo do vaivém Discovery.

Em 2007, Gliese 581 d é descoberto por um observatório chileno, que se acredita ser um planeta extrasolar habitável.
Observações: A Ursa Maior flutua numa posição diagonal a nordeste quando se começam a ver as estrelas à noite. Em apenas uma hora, a Ursa Maior fica na horizontal (se olhar para Norte-Nordeste). Quanto mais longe do Norte estiver, mais depressa esta transição ocorre.

 
CURIOSIDADES


O pulsar com velocidade de rotação mais rápida conhecida é PSR J1748-2446ad que tem uma frequência de 716 rotações por segundo (716 Hz). Tem menos de duas vezes a massa do Sol, com um raio inferior a 16 km. No equador, gira a quase 24% da velocidade da luz, mais de 70.000 km/s.

 
OCEANOS EM ABUNDÂNCIA: NOVO ESTUDO SUGERE QUE MAIORIA DOS PLANETAS HABITÁVEIS TÊM POUCA TERRA SECA
Os continentes noutros mundos habitáveis podem ter dificuldade em subir acima do nível do mar, tal como grande parte da Europa nesta ilustração, que representa a Terra com uma cobertura oceânica de 80%.
Crédito: © Antartis/Depositphotos.com
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Para os exploradores exoplanetários do futuro, talvez seja aconselhado trazer equipamento de mergulho. Um novo estudo, publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, usou um modelo estatístico para prever que a maioria dos planetas habitáveis podem ser dominados por oceanos que abrangem mais de 90% da sua superfície.

O autor do estudo, o Dr. Fergus Simpson do Instituto de Ciências do Cosmos da Universidade de Barcelona, construiu um modelo estatístico - baseado na probabilidade bayesiana - para prever a divisão entre terra e água em exoplanetas habitáveis.

Para uma superfície planetária possuir extensas áreas, tanto de terra como de água, deverá ter atingido um delicado equilíbrio entre o volume de água que retém ao longo do tempo e o espaço que tem para a armazenar nas suas bacias oceânicas. Ambas estas quantidades podem variar substancialmente em todo o espectro dos mundos que contêm água, e o porquê de os valores da Terra estarem tão bem equilibrados é um enigma de longa data ainda não resolvido.

O modelo de Simpson prevê que a maioria dos planetas habitáveis são dominados por oceanos que abrangem mais de 90% da sua área de superfície. Esta conclusão foi alcançada porque o próprio planeta Terra está muito próximo de ser considerado um "mundo aquático" - um mundo onde toda a terra está imersa sob um único oceano.

"Um cenário no qual a Terra contém menos água que a maioria dos outros planetas habitáveis seria consistente com os resultados das simulações, e pode ajudar a explicar porque é que alguns planetas são menos densos do que esperávamos," explica Simpson.

No artigo científico, o autor Fergus Simpson construiu um modelo estatístico para prever a divisão entre terra e água em exoplanetas habitáveis.
Crédito: © Antartis/Depositphotos.com
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No novo trabalho, Simpson descobriu que os oceanos finamente equilibrados da Terra podem ser uma consequência do princípio antrópico - mais frequentemente usado num contexto cosmológico - que explica como as nossas observações do Universo são influenciadas pela exigência da formação de vida senciente.

"Com base na cobertura oceânica da Terra, 71%, encontrámos evidências substanciais que suportam a hipótese de que os efeitos da seleção antrópica estão em funcionamento," comenta Simpson.

Para testar o modelo estatístico, Simpson teve em conta mecanismos de feedback, como o ciclo de águas profundas e os processos de erosão e de deposição. Ele também propõe uma aproximação estatística para determinar a diminuição da área de terra habitável para planetas com oceanos mais pequenos, à medida que se tornam cada vez mais dominados por desertos.

Porque é que evoluímos neste planeta e não em qualquer outro dos milhares de milhões de mundos habitáveis? Neste estudo, Simpson sugere que a resposta poderá estar ligada a um efeito de seleção que envolve um equilíbrio entre terra e água.

"A nossa compreensão do desenvolvimento da vida poderá estar longe de completa, mas não é terrível ao ponto de aderirmos à aproximação convencional de que todos os planetas habitáveis têm uma probabilidade igual de hospedar vida inteligente," conclui Simpson.

Links:

Notícias relacionadas:
Sociedade Astronómica Real (comunicado de imprensa)
Universidade de Barcelona (comunicado de imprensa)
Monthly Notices of the Royal Astronomical Society
Artigo científico (arXiv.org)
Terra Inundada (Sociedade Astronómica Real via YouTube)
ScienceDaily
PHYSORG
UPI

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

Princípio Antrópico:
Wikipedia

 
EXOPLANETA RECENTEMENTE DESCOBERTO PODE SER O MELHOR CANDIDATO PARA A PROCURA DE SINAIS DE VIDA

Um exoplaneta em órbita de uma estrela anã vermelha, situada a 40 anos-luz de distância da Terra, pode ser o novo detentor do título "melhor local para procurar sinais de vida para além do Sistema Solar". Com o auxílio do instrumento HARPS montado em La Silla, e outros telescópios em todo o mundo, uma equipa internacional de astrónomos descobriu uma "super-Terra" em órbita na zona de habitabilidade da ténue estrela LHS 1140. Este mundo é um pouco maior do que a Terra, mas muito mais massivo e reteve muito provavelmente a sua atmosfera. Este aspeto, juntamente com o facto de passar em frente da sua estrela progenitora ao longo da sua órbita, torna-o num dos mais interessantes alvos futuros para estudos atmosféricos. Os resultados deste trabalho foram publicados ontem na revista Nature.

A recentemente descoberta super-Terra LHS 1140b orbita na zona de habitabilidade de uma ténue estrela anã vermelha, chamada LHS 1140, situada na constelação de Baleia. As anãs vermelhas são muito mais pequenas e frias que o Sol e, embora LHS 1140b esteja dez vezes mais próximo da sua estrela do que a Terra está do Sol, recebe apenas cerca de metade da radiação estelar da sua estrela, quando comparado com a Terra, situando-se no meio da zona de habitabilidade. A partir da Terra vemos a sua órbita quase de perfil e quando o exoplaneta passa em frente da estrela bloqueia um pouco da radiação estelar emitida, algo que acontece uma vez por órbita, a cada 25 dias.

Esta impressão artística mostra o exoplaneta LHS 1140b, que orbita uma estrela anã vermelha situada a 40 anos-luz de distância da Terra. Este planeta pode ser o novo detentor do título "melhor local para procurar sinais de vida para além do Sistema Solar". Com o auxílio do instrumento HARPS montado em La Silla, e outros telescópios em todo o mundo, uma equipa internacional de astrónomos descobriu esta super-Terra em órbita na zona de habitabilidade da ténue estrela LHS 1140. Este mundo é um pouco maior do que a Terra mas muito mais massivo e reteve muito provavelmente a sua atmosfera.
Crédito: ESO/spaceengine.org
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Trata-se do exoplaneta mais interessante que descobrimos na última década," explica o autor principal deste estudo Jason Dittmann, do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica (Cambridge, EUA). "Não podíamos desejar um melhor alvo para realizar uma das maiores buscas da ciência — a procura de vida para além da Terra."

"As atuais condições da anã vermelha são particularmente favoráveis — LHS 1140 roda mais lentamente e emite menos radiação de alta energia que outras estrelas de baixa massa semelhantes," explica o membro da equipa Nicola Astudillo-Defru do Observatório de Genebra, na Suíça.

Apesar do planeta se situar numa zona onde a vida tal como a conhecemos pode potencialmente existir, este corpo celeste não entrou muito provavelmente nesta região antes de 40 milhões de anos após a formação da estrela anã vermelha. Durante esta fase, o exoplaneta pode ter estado sujeito ao passado activo e volátil da sua estrela progenitora. Uma anã vermelha pode facilmente "limpar" a água da atmosfera de um planeta que se está a formar na sua vizinhança, levando a um efeito de estufa descontrolado, semelhante ao que observamos em Vénus.

Para que a vida tal como a conhecemos possa existir, um planeta tem que ter água à sua superfície e possuir atmosfera. Sabe-se que quando as anãs vermelhas são jovens emitem radiação que pode ser prejudicial às atmosferas dos planetas que as orbitam. Neste caso, o grande tamanho do planeta aponta para que um oceano de magma possa ter existido na sua superfície durante milhões de anos. Este oceano de lava fervente pode ter alimentado a atmosfera com vapor, muito depois da estrela ter atingido o seu atual estado calmo e de brilho constante, tendo assim fornecido água ao planeta.

Este planeta situa-se na zona de habitabilidade de água líquida que rodeia a sua estrela progenitora, uma anã vermelha pequena e ténue chamada LHS 1140. O planeta tem cerca de 6,6 vezes mais massa que a Terra e na imagem vemo-lo a passar em frente de LHS 1140. A azul mostramos a atmosfera que o planeta pode ter retido.
Crédito: M. Weiss/CfA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A descoberta foi inicialmente feita pela infraestrutura MEarth, que detetou as primeiras depressões características na radiação estelar quando o planeta passa em frente à estrela. O instrumento HARPS do ESO (High Accuracy Radial velocity Planet Searcher) fez seguidamente as cruciais observações de seguimento que confirmaram a presença de um exoplaneta do tipo super-Terra. O HARPS ajudou igualmente a determinar o período orbital e permitiu que tanto a massa do exoplaneta como a sua densidade fossem deduzidas.

Os astrónomos estimaram que a idade do planeta é pelo menos de 5 mil milhões de anos e deduziram também que tem um diâmetro 1,4 vezes maior do que o da Terra — quase 18.000 km. A massa é cerca de 7 vezes maior que a da Terra e por isso a sua densidade é muito mais elevada, o que aponta para que o exoplaneta seja muito provavelmente constituído por rochas com um núcleo denso de ferro.

Esta super-Terra pode ser a melhor candidata descoberta até agora para futuras observações para estudar e caracterizar a sua atmosfera, se esta existir. Dois dos membros europeus da equipa, Xavier Delfosse e Xavier Bonfils, ambos no CNRS e no IPAG em Grenoble, França, concluem: "O sistema LHS 1140 pode vir a ser um alvo ainda mais importante para a futura caracterização de planetas na zona de habitabilidade do que Proxima b ou TRAPPIST-1. Este tem sido um ano extraordinário no que concerne descobertas de exoplanetas!"

Em particular, observações a realizar brevemente com o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA mostrarão exatamente quanta radiação de alta energia está a ser enviada para LHS 1140b, por isso a sua capacidade de poder suportar vida poderá ser melhor limitada.

Num futuro não muito distante — quando novos telescópios como o ELT (Extremely Large Telescope) do ESO estiverem operacionais — é muito provável que possamos fazer observações detalhadas das atmosferas de exoplanetas e LHS 1140b é um candidato excecional para tais estudos.

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica (comunicado de imprensa)
Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (comunicado de imprensa)
Artigo científico (PDF)
Nature
Astronomy
Sky & Telescope
SPACE.com
Smithsonian
PHYSORG
Science alert
Astrobiology web
COSMOS
New Scientist
Scientific American
ScienceDaily
National Geographic
Gizmodo
engadget
Público
Jornal de Notícias
Observador
AstroPT
ZAP.aeiou

LHS 1140:
SIMBAD
Wikipedia

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

Observatório La Silla:
ESO
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

Projeto MEarth:
Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
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Uma estrela recém-nascida, escondida nas profundezas da Nebulosa de Orionte, está a alimentar-se de um "hamburger espacial" gigante e poeirento. Esta sanduiche astronómica é na realidade um disco de acreção, ou uma nuvem de gás e poeira que gira em torno de um ponto central - neste caso, uma jovem protoestrela. Ler fonte
 
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