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Edição n.º 1411
15/09 a 18/09/2017
 
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EFEMÉRIDES

Dia 15/09: 258.º dia do calendário gregoriano.
História:  Em 1968, lançamento da soviética Zond 5, tornando-se a primeira sonda a dar uma volta à Lua e a re-entrar na atmosfera da Terra.

Observações: Esta noite, a Lua mais brilhante de Saturno, Titã, está a cerca de 4 diâmetros anulares para este do planeta. Um telescópio com 4 polegadas consegue mostrar o tom laranja da sua atmosfera nublada.

Dia 16/09: 259.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1996, lançamento da missão STS-79 do vaivém Atlantis.

Observações: Antes do nascer-do-Sol, Mercúrio está a apenas 0,3º do mais ténue planeta Marte. Use binóculos para procurar bem perto do horizonte a este, para baixo e para a esquerda de Vénus.

Dia 17/09: 260.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1789, William Herschel descobre a Lua de Saturno, Mimas.

Em 1976, era apresentado pela NASA o primeiro Space Shuttle (ou vaivém espacial), Enterprise.
Observações: Antes do nascer-do-Sol, a Lua e Vénus apontam diagonalmente para Mercúrio e Marte, que aparecem tão perto um do outro quanto no sábado de madrugada.

Dia 18/09: 261.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1959, a Vanguard 3 é lançada para órbita terrestre.
Em 1977, a Voyager 1 tira a primeira fotografia da Terra e da Lua juntas. 
Em 1980, a Soyuz 38 transporta 2 cosmonautas (1 cubano) para a estação espacial Salyut 6.
Em 2013, lançamento da Cygnus Orb-D1.

Observações: Antes do amanhecer, a este, observe a Lua, que passou para baixo de Vénus e está entre esse planeta e o par Marte/Mercúrio, mais para perto do horizonte.

 
CURIOSIDADES


A Cassini transmitiu, ao todo, 635 gigabytes de dados. Quantidade incrível, tendo em conta que só tem 512 kilobytes de armazenamento.

 
TERMINA HOJE A MISSÃO DA SONDA CASSINI

A sonda Cassini da NASA está na aproximação final a Saturno, após a confirmação dos navegadores da missão de que está em curso para mergulhar na atmosfera do planeta hoje, dia 15 de setembro.

A Cassini termina o seu estudo de 13 anos do sistema saturniano com um mergulho intencional no planeta para garantir que as luas - em particular Encélado, com o seu oceano subterrâneo e sinais de atividade hidrotermal - permanecem pristinas para exploração futura. O mergulho fatídico da nave é a última etapa do Grande Final da missão, após 22 passagens rasantes semanais, que começaram no final de abril, entre a divisão que separa Saturno dos seus anéis. Nenhuma sonda jamais se tinha aventurado tão perto do planeta.

Os cálculos finais da missão preveem que a perda de contacto com a Cassini ocorra às 12:55 (hora portuguesa). A Cassini entra na atmosfera de Saturno aproximadamente um minuto antes, a uma altitude que ronda os 1915 km acima do topo das nuvens do planeta (a altitude onde a pressão do ar é de 1 bar, o equivalente ao nível do mar na Terra). Durante o mergulho pela atmosfera, a velocidade da Cassini rondará os 113.000 km/h. Tem lugar no lado diurno de Saturno, perto do meio-dia local, com a nave a entrar na atmosfera aproximadamente aos 10º latitude norte.

Marcos do mergulho final da Cassini em Saturno.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Quando a Cassini começar a encontrar a atmosfera de Saturno, os propulsores de controle de atitude da nave começam a disparar em breves pulsos para trabalhar contra o gás fino com o objetivo de manter a antena de alto ganho apontada para a Terra e assim transmitir os preciosos dados finais da missão. À medida que a atmosfera fica mais espessa, os propulsores são forçados a aumentar a atividade, passando de 10% da sua capacidade para 100% no espaço de um minuto. Assim que estiverem na capacidade máxima, os propulsores não conseguem mais estabilizar a sonda e esta começa a cair.

Quando a antena apontar apenas algumas frações de grau para longe da direção da Terra, as comunicações são cortadas permanentemente. A altitude prevista para a perda de sinal ronda os 1500 km acima do topo das nuvens de Saturno. A partir desse ponto, a Cassini começa a arder como um meteoro. Cerca de 30 segundos após a perda de sinal, começa a fragmentar-se; prevê-se que em dois minutos todos os fragmentos da sonda sejam completamente consumidos na atmosfera de Saturno.

O percurso da Cassini na atmosfera superior de Saturno, com pontos de passagem assinalados a cada 10 segundos.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
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Devido ao tempo de viagem dos sinais de rádio, que varia consoante a distância que separa os planetas, os eventos têm lugar 83 minutos antes de serem captados na Terra. Isto significa que, apesar da sonda começar a cair e cortar comunicações às 11:31 (hora portuguesa), o sinal desse evento só vai ser recebido na Terra 83 minutos mais tarde.

"O sinal final da Cassini será como um eco. Vai viajar pelo Sistema Solar durante quase hora e meia depois da própria Cassini desaparecer," comenta Earl Maize, gestor do projeto Cassini no JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia. "Mesmo sabendo que, em Saturno, a Cassini já se entregou ao destino, a sua missão só acaba realmente quando nós, cá na Terra, recebermos o seu último sinal."

As últimas transmissões da Cassini vão ser recebidas por antenas da rede DSN (Deep Space Network) da NASA em Canberra, na Austrália.

Gráfico que mostra as altitudes relativas das últimas cinco passagens da Cassini pela atmosfera superior de Saturno, comparadas com a profundidade que alcançar quando perder comunicação com a Terra.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A Cassini está preparada para fazer observações científicas únicas de Saturno, usando oito dos seus 12 instrumentos científicos, incluindo os seus magnetómetros, espectrómetros e sistema rádio de ciência.

Entre estas destacam-se as observações pelo INMS (Ion and Neutral Mass Spectrometer) durante o mergulho. O instrumento vai "provar" diretamente a composição e estrutura da atmosfera, o que não pode ser feito a partir de órbita. A nave estará orientada de modo a que o INMS esteja na direção do movimento, para permitir o melhor acesso possível aos gases atmosféricos.

O canal da NASA vai emitir, entre as 12:00 e as 13:30 (hora portuguesa), comentários e vídeos em direto do Controlo da Missão no JPL.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
12/09/2017 - Retrospetiva da incrível missão da Cassini em Saturno
12/09/2017 - Depois da Cassini: ponderando o legado da missão a Saturno

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
ESA (comunicado de imprensa)
Canal de streaming da NASA
Ferramentas do "Grande Final" (JPL)
Cassini: Uma Odisseia em Saturno (NASA/JPL via YouTube)
NASA em Saturno: O Grande Final da Cassini (JPL via YouTube)
As Muitas Coisas que a Cassini nos Ensinou (Podcast da NASA)
Livro "Através dos Olhos da Cassini - O Sistema de Saturno" (PDF)
Astronomy
Sky & Telescope
SPACE.com
Universe Today
New Scientist
PHYSORG
BBC News

Cassini:
Página oficial (NASA)
Wikipedia

Saturno:
Solarviews
Wikipedia
Luas de Saturno (Wikipedia)
Anéis de Saturno (Wikipedia)

 
MUNDO INFERNAL COM CÉU DE TITÂNIO

Os astrónomos usaram o VLT (Very Large Telescope) do ESO para detetar pela primeira vez óxido de titânio na atmosfera de um exoplaneta. Esta descoberta feita em torno do planeta do tipo Júpiter quente chamado WASP-19b fez uso do poder do instrumento FORS2, tendo-nos fornecido informação única sobre a composição química e a estrutura de temperatura e pressão na atmosfera deste mundo quente e invulgar. Os resultados foram publicados na revista Nature.

Uma equipa de astrónomos liderada por Elyar Sedaghati, um bolseiro do ESO recentemente graduado pela TU Berlin, examinou a atmosfera do exoplaneta WASP-19b com o maior detalhe conseguido até à data. Este planeta notável tem aproximadamente a mesma massa de Júpiter, mas encontra-se tão perto da sua estrela progenitora que completa uma órbita em apenas 19 horas e estima-se que a sua atmosfera tenha uma temperatura de cerca de 2000 graus Celsius.

Esta imagem artística mostra o exoplaneta WASP-19b, em cuja atmosfera os astrónomos detetaram pela primeira vez óxido de titânio. Em quantidades suficientemente elevadas, o óxido de titânio pode impedir o calor de entrar ou escapar duma atmosfera, levando a uma inversão térmica — a temperatura apresenta-se mais elevada na atmosfera superior e mais baixa na inferior, ou seja, o contrário do que acontece numa situação normal.
Crédito: ESO/M. Kornmesser
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Quando WASP-19b passa em frente da sua estrela progenitora, parte da radiação estelar atravessa a atmosfera do planeta, deixando assinaturas subtis na radiação que chega eventualmente à Terra. Ao usar o instrumento FORS2 montado no VLT, a equipa conseguiu analisar cuidadosamente esta radiação e deduzir que a atmosfera contém pequenas quantidades de óxido de titânio, água e vestígios de sódio, para além de uma forte neblina global de dispersão.

"A deteção de tais moléculas não é de todo fácil," explica Elyar Sedaghati, que passou dois anos como estudante do ESO a trabalhar neste projeto. "Para além de dados de qualidade excecional, precisamos ainda de realizar uma análise muito sofisticada. Usámos um algoritmo que explora muitos milhões de espectros, que cobrem uma grande variedade de composições químicas, temperaturas e propriedades de nuvens ou neblinas, de modo a podermos tirar as nossas conclusões."

O óxido de titânio é raramente visto na Terra. Sabe-se que existe em atmosferas de estrelas frias. Nas atmosferas de planetas quentes como WASP-19b, esta molécula atua como um absorvedor de calor. Se estiverem presentes em grandes quantidades, estas moléculas impedem o calor de entrar ou escapar da atmosfera, levando a uma inversão térmica — a temperatura apresenta-se mais elevada na atmosfera superior e mais baixa na inferior, ou seja, o contrário do que acontece numa situação normal. O ozono desempenha um papel semelhante na atmosfera terrestre, causando uma inversão na estratosfera.

Quando WASP-19b passa em frente da sua estrela progenitora, parte da radiação estelar atravessa a atmosfera do planeta, deixando assinaturas subtis na radiação que chega eventualmente à Terra. Ao usar o instrumento FORS2 montado no Very Large Telescope, a equipa conseguiu analisar cuidadosamente esta radiação e deduzir que a atmosfera contém pequenas quantidades de óxido de titânio, água e vestígios de sódio, para além de uma forte neblina global de dispersão.
Crédito: ESO/M. Kornmesser
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"A presença de óxido de titânio na atmosfera de WASP-19b tem efeitos substanciais na estrutura da temperatura atmosférica e na circulação," explica Ryan MacDonald, outro membro da equipa e astrónomo da Universidade de Cambridge, Reino Unido. "Conseguir estudar exoplanetas com este nível de detalhe é muito promissor e excitante," acrescenta Nikku Madhusudhan da Universidade de Cambridge, que supervisionou a interpretação teórica das observações.

Os astrónomos recolheram observações de WASP-19b durante um período de mais de um ano. Ao medir as variações relativas do raio do planeta em diferentes comprimentos de onda da radiação que passa através da atmosfera do exoplaneta e comparando-as aos modelos atmosféricos, os investigadores puderam extrapolar diferentes propriedades, tais como o conteúdo químico da atmosfera do exoplaneta.

Esta nova informação sobre a presença de óxidos de metal, tais como o óxido de titânio e outras substâncias, permitirá uma modelização muito melhor das atmosferas de exoplanetas. Olhando para o futuro, quando os astrónomos conseguirem observar atmosferas de planetas possivelmente habitáveis, estes modelos melhorados dar-nos-ão uma ideia muito melhor de como interpretar tais observações.

"Esta importante descoberta é o resultado de uma renovação do instrumento FORS2, feita exatamente para este efeito," acrescenta o membro da equipa Henri Boffin do ESO, que liderou o projeto de renovação. "Desde essa altura, o FORS2 tornou-se o melhor instrumento para realizar este tipo de estudos a partir do solo."

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (PDF)
Nature
PHYSORG
SPACE.com
Popular Mechanics
COSMOS
Gizmodo
Diário de Notícias
Público

WASP-19b:
Exoplanet.eu
NASA Exoplanets
Wikipedia

Planetas extrasolares:
Wikipedia
NASA Exoplanet Arquive
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

VLT:
Página oficial
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
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