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Edição n.º 1413
22/09 a 25/09/2017
 
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EFEMÉRIDES

Dia 22/09: 265.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1959, nascia Saul Perlmutter, astrofísico americano que ganhou em 2011 o Prémio Nobel da Física (juntamente com Brian P. Schmidt e Adam Riess) por fornecer evidências da aceleração da expansão do Universo.
Em 2001, numa passagem arriscada, a sonda da NASA Deep Space 1 navega com êxito pelo Cometa Borrelly, dando aos cientistas o melhor olhar de dentro do núcleo denso e gelado de pó e gás (até à data).

Em 2011, cientistas do CERN anunciam a sua descoberta de neutrinos quebrando a velocidade da luz (que se sabe agora ter sido um erro devido a falhas nos seus equipamentos).
Observações: Aviste a fina Lua Crescente baixa a oeste-sudoeste durante o lusco-fusco. Consegue avistar Júpiter cerca de 4º para baixo e para sua direita?
Equinócio de outono. A estação começa pelas 21:02.
Por coincidência, todos os anos por volta da mudança de verão para outono, Deneb toma o lugar da mais brilhante Vega como a estrela do zénite ao cair da noite (para observadores a latitudes médias norte).

Dia 23/09: 266.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1791, nascia Johann Franz Encke, astrónomo alemão que trabalhou no cálculo de períodos de cometas e asteroides, mediu a distância da Terra ao Sol e fez observações do planeta Saturno.
Em 1819, nascia Hippolyte Fizeau, físico francês conhecido por medir a velocidade da luz numa experiência com o seu nome
Em 1846, Neptuno é descoberto pelo astrónomo francês Urbain Jean Joseph Le Verrier e pelo astrónomo inglês John Couch Adams; a descoberta é verificada pelo astrónomo alemão Johann Galle.
Em 1999, a NASA anunciava ter perdido o contato com a Mars Climate Orbiter

Observações: A lua mais brilhante de Saturno, Titã, está agora a 4 diâmetros anulares para oeste do planeta. Titã orbita Saturno a cada 16 dias, de modo que leva 8 dias a mover-se de este para oeste, de uma elongação para outra.

Dia 24/09: 267.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1970, a primeira sonda não-tripulada, a soviética Luna 16, regressa da Lua com mais de um quilograma de material lunar.
Em 1990, é observada a periódica Grande Mancha Branca em Saturno.
Em 2014, a sonda indiana MOM(Mars Orbiter Mission) alcança órbita marciana.

Observações: O padrão em forma de "W" de Cassiopeia está alto a nordeste depois do anoitecer. O lado direito do "W" está inclinado para cima. Olhe para o segundo segmento do "W", a partir do topo. Não está bem na horizontal. Observe as ténues estrelas a olho nu ao longo desse segmento (sem contar com as duas pontas). A ténue estrela à direita é Eta Cassiopeiae, de magnitude 3,4, uma estrela parecida com o Sol a apenas 19 anos-luz de distância com uma anã laranja como companheira - um bom binário telescópico.
A "estrela" à esquerda é um par largo visível à vista desarmada, Upsilon1 e Upsilon2 Cassiopeiae, separadas por 0,3º. Sâo gigantes alaranjadas sem relação uma com a outra, a 200 e 400 anos-luz de distância.

Dia 25/06: 268.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1644, nascia Ole Romer, astrónomo dinamarquês que foi responsável pela demonstração de que a velocidade da luz era finita contrariamente ao que se pensava à data.

Em 1992, a NASA lança a Mars Observer, uma sonda de 511 milhões de dólares com destino Marte, a primeira ao planeta em 17 anos. Onze meses mais tarde, a sonda falha. 
Em 2008, a China lança a nave Shenzhou 7.
Observações: Depois do anoitecer, Saturno, a Lua e Antares formam um triângulo baixo a sudoeste.

 
CURIOSIDADES


Vénus é o planeta do sistema solar com o dia mais longo (243 dias terrestres). De facto, o dia venusiano dura mais do que o seu ano, que corresponde a 224,7 dias terrestres.

 
HUBBLE DESCOBRE OBJETO ÚNICO NO SISTEMA SOLAR
Esta impressão de artista mostra o asteroide binário 288P, localizado na cintura principal de asteroides entre os planetas Marte e Júpiter. O objeto é único pois é um asteroido binário que também se comporta como um cometa. As propriedades cometárias são o resultado da sublimação de água gelada, provocada pelo calor do Sol. A órbita dos asteroides é marcada pela elipse azul.
Crédito: ESA/Hubble, L. Calçada
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Com a ajuda do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, um grupo de astrónomos observou as características intrigantes de um tipo de objeto invulgar na cintura de asteroides entre Marte e Júpiter: dois asteroides que se orbitam um ao outro e que exibem características semelhantes a cometas, incluindo uma cabeleira brilhante e uma longa cauda. Este é o primeiro asteroide binário, conhecido, também classificado como cometa. A investigação foi apresentada esta semana num artigo publicado na revista Nature.

Em setembro de 2016, pouco antes do asteroide 288P fazer a sua maior aproximação ao Sol, estava perto o suficiente da Terra para permitir aos astrónomos uma visão detalhada com o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA.

As imagens de 288P, localizado na cintura de asteroides entre Marte e Júpiter, revelou que na verdade não era um único objeto, mas dois asteroides quase da mesma massa e mesmo tamanho, orbitando-se um ao outro a uma distância de mais ou menos 100 quilómetros. Essa descoberta foi, só por si, um achado importante; tendo em conta que se orbitam um ao outro, as massas dos objetos em tais sistemas conseguem ser medidas.

Mas as observações também revelaram atividade continuada no sistema binário. "Nós detetámos fortes indícios de sublimação de água gelada devido ao aumento do aquecimento solar - semelhante à forma como é criada a cauda de um cometa," explica Jessica Agarwal (Instituto Max Planck para Pesquisa do Sistema Solar, Alemanha), a líder da equipa e autora principal do artigo. Isto torna 288P o primeiro asteroide binário também classificado como um cometa da cintura principal.

Este conjunto de imagens obtidas pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA revela dois asteroides com características parecidas às de um cometa que se orbitam um ao outro. As características são um halo brilhante de material, com o nome cabeleira, e uma longa cauda de poeira. O par de asteroides, chamado 288P, foi observado em setembro de 2016 pouco antes de fazerem a maior aproximação ao Sol.
As imagens revelam atividade no sistema binário. O movimento aparente da cauda é um efeito de projeção devido à mudança do alinhamento relativo entre o Sol, a Terra e 288P entre observações. A orientação da cauda é também afetada por uma alteração no tamanho das partículas. Inicialmente, a cauda apontava na direção onde as comparativamente grandes partículas de poeira (com cerca de 1mm de tamanho) eram emitidas no final de julho. No entanto, a partir de 20 setembro de 2016, a cauda começou a apontar na direção oposta à do Sol onde partículas pequenas (com aproximadamente 10 micrómetros em tamanho) são "sopradas" para longe do núcleo graças à pressão de radiação.
Crédito: NASA, ESA e J. Agarwal (Instituto Max Planck para Pesquisa do Sistema Solar)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Compreender a origem e evolução dos cometas da cintura principal - asteroides que orbitam entre Marte e Júpiter e que mostram atividade parecida com a de um cometa - é um elemento crucial na nossa compreensão da formação e evolução de todo o Sistema Solar. Entre as questões que os cometas da cintura principal de asteroides podem ajudar a responder, está a forma como a água chegou à Terra. Uma vez que apenas se conhecem alguns objetos deste tipo, 288P apresenta-se como um sistema extremamente importante para estudos futuros.

As várias características de 288P - grande separação entre os dois componentes, tamanho quase igual, alta excentricidade e atividade semelhante a um cometa - também o tornam único entre os poucos asteroides binários no Sistema Solar. Igualmente, a atividade observada em 288P revela informações sobre o seu passado, realça Agarwal: "o gelo à superfície não consegue sobreviver na cintura de asteroides durante toda a vida do Sistema Solar, mas pode ser protegido durante milhares de milhões de anos por um manto de poeira refratária, com apenas alguns metros de espessura."

A partir daqui a equipa concluiu que 288P existe como sistema binário há cerca de 5000 anos. Agarwal elabora sobre o cenário de formação: "O cenário de formação mais provável para 288P é uma fragmentação devido à rápida rotação. Depois disso, os dois fragmentos podem ter-se afastado graças às forças de sublimação."

O facto de que 288P é tão diferente de todos os outros asteroides binários conhecidos levanta algumas questões sobre se algumas das suas propriedades únicas não são apenas coincidências. Dado que a descoberta de 288P envolveu muita sorte, é provável que permaneça como o único exemplo do seu género durante muito tempo. "Precisamos de mais trabalho teórico e observacional, bem como mais objetos semelhantes a 288P, para encontrar uma resposta a esta questão," conclui Agarwal.

Links:

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
NASA (comunicado de imprensa)
Instituto Max Planck (comunicado de imprensa)
Artigo científico (PDF)
Nature
Animação do asteroide binário (GIF)
Hubblesite
SPACE.com
EurekAlert!
PHYSORG

Asteroides binários:
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

 
DUAS ESTRELAS, TRÊS DIMENSÕES E QUANTIDADES GIGANTESCAS DE ENERGIA
Esta ilustração mostra o modelo tridimensional da explosão de V745 Sco. A onda de choque está a amarelo, a massa ejetada pela explosão tem tons púrpura e o disco de material mais frio, maioritariamente intocado pelos efeitos da onda de choque, está a azul. A cavidade visível no lado esquerdo do material ejetado (ver versão legendada) é o resultado dos detritos da superfície da anã branca ficando mais lentos à medida que atingem a gigante vermelha.
Crédito: NASA/CXC/M. Weiss
(clique na imagem para ver versão maior; aqui para ver versão legendada)
 

Os astrónomos conhecem há décadas as explosões irregulares da estrela dupla V745 Sco, localizada a aproximadamente 25.000 anos-luz da Terra. Mas ficaram surpreendidos quando explosões anteriores do sistema foram observadas em 1937 e 1989. No entanto, quando entrou em erupção no dia 6 de fevereiro de 2014, os cientistas estavam prontos para observar o evento com um conjunto de telescópios, incluindo o Observatório de raios-X Chandra da NASA.

V745 Sco é um sistema estelar binário composto por uma gigante vermelha e por uma anã branca ligadas pela gravidade. Estes dois objetos estelares orbitam tão perto um do outro que as camadas externas da gigante vermelha são atraídas pela intensa força gravitacional da anã branca. Este material cai gradualmente à superfície da anã branca. Ao longo do tempo acumula-se material suficiente para desencadear uma explosão termonuclear colossal, provocando um aumento dramático de brilho a que os astrónomos chamam nova. Os astrónomos viram V745 Sco enfraquecer por um fator de mil vezes, no visível, ao longo de mais ou menos 9 dias.

Os astrónomos observaram V745 Sco com o Chandra durante pouco mais de duas semanas após a erupção de 2014. A sua principal descoberta foi que a maioria do material expelido pela explosão movia-se na nossa direção. Para explicar isto, uma equipa de cientistas do INAF - Observatório Astronómico de Palermo, da Universidade de Palermo e do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica construiu um modelo tridimensional da explosão e ajustou o modelo até que explicasse as observações. Neste modelo, incluíram um grande disco de gás frio em torno do equador do binário, provocado pela anã branca que puxa um vento gasoso da gigante vermelha.

Esta imagem de V745 Sco (também conhecida como Nova 1937) foi obtida dia 6 de fevereiro de 2014.
Crédito: S. O'Connor, St. Georges, Bermuda)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os cálculos de computador mostraram que a onda de choque da nova e o material ejetado foram provavelmente concentrados ao longo dos polos norte e sul do sistema binário. A sua forma foi provocada pela explosão que colidiu com o disco de gás frio em torno da estrela dupla. Esta interação fez com que a onda de choque e o material ejetado diminuíssem de velocidade ao longo da direção do disco e produzissem um anel em expansão de gás emissor de raios-X. Os raios-X do material que se movia na direção contrária à da Terra foram principalmente absorvidos e bloqueados pelo material que se movia na direção da Terra, explicando por que parecia que a maioria do material se movia na nossa direção.

A figura mostra o novo modelo 3D da explosão, a onda de choque está a amarelo, a massa ejetada pela explosão tem tons púrpura e o disco de material mais frio, maioritariamente intocado pelos efeitos da onda de choque, está a azul. A cavidade visível no lado esquerdo do material ejetado (ver versão legendada) é o resultado dos detritos da superfície da anã branca ficando mais lentos à medida que atingem a gigante vermelha.

Uma quantidade extraordinária de energia foi libertada durante a explosão, equivalente a cerca de 10 triliões de bombas de hidrogénio. Os autores estimam que o material expelido tem uma massa equivalente a um-décimo da massa da Terra.

Embora este "arroto" estelar seja impressionante, a quantidade de massa ejetada é ainda muito menor do que o valor que os cientistas calculam ser necessário para despoletar a explosão. Isto significa que apesar de explosões recorrentes, uma quantidade substancial de material está a ser acumulada à superfície da anã branca. Se for acumulado material suficiente, a anã branca sofre uma explosão termonuclear e pode ser completamente destruída. Os astrónomos usam estas chamadas supernovas do Tipo Ia como marcadores cósmicos de distância para medir a expansão do Universo.

Os cientistas também foram capazes de determinar a composição química do material ejetado pela nova. A sua análise destes dados mostra que a anã branca é composta principalmente por carbono e oxigénio.

O artigo que descreve estes resultados foi publicado na edição de 1 fevereiro de 2017 da revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society e está disponível online.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Monthly Notices of the Royal Astronomical Society
Um Olhar Rápido Sobre V745 Sco (Observatório de raios-X Chandra via YouTube)
SPACE.com
PHYSORG

V745 Sco:
Simbad
Tour de V745 Sco (Observatório de raios-X Chandra via YouTube)

Nova:
Wikipedia

Observatório Chandra:
Página oficial (Harvard)
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Nebulosa do Véu: Filamentos de uma Estrela que Explodiu
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASAESA, e Equipa de Arquivo do Hubble (STScI/AURA)
 
Filamentos como estes são tudo o que restam de uma estrela da Via Láctea. Há cerca de 7000 anos atrás essa estrela explodiu como uma supernova deixando para trás a Nebulosa do Véu. Nessa altura, a nuvem em expansão era provavelmente tão brilhante como uma Lua Crescente, permanecendo visível durante semanas para os humanos que viviam no auge da história registada. Hoje, o remanescente de supernova resultante, também chamado Cygnus Loop, dissipou-se e agora é visível apenas através de um pequeno telescópio direcionado para a constelação de Cisne. O remanescente da Nebulosa do Véu é fisicamente enorme, no entanto, e embora esteja a aproximadamente 1400 anos-luz de distância, cobre cinco vezes o tamanho da Lua Cheia no céu. A fotografia é um mosaico de seis imagens do Telescópio Espacial Hubble que cobre uma extensão de apenas mais ou menos dois anos-luz, uma pequena fração do expansivo remanescente de supernova. Nas imagens da Nebulosa do Véu completa, até os leitores mais estudiosos podem não ser capazes de identificar os filamentos aqui em destaque.
 

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