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Edição n.º 1419
13/10 a 16/10/2017
 
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SEMANA MUNDIAL DO ESPAÇO 2017

14/10/2017 | 17:00
CAFÉ CIÊNCIA COM O PROFESSOR MANUEL PAIVA Professor jubilado da Universidade Livre de Bruxelas. Foi Professor de Física e Biofísica na Faculdade de Medicina e Director do Laboratório de Física Biomédica da mesma Universidade. Participou em dez missões espaciais tanto da NASA como da Agência Espacial Europeia.
Local: Chelsea - Restaurante e Pastelaria

Mais informações: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 13/10: 286.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1773, Charles Messier descobria a Galáxia do Rodamoinho (M51).

Em 1884, Greenwich, em Londres, Inglaterra, é estabelecida como o meridiano de longitude para a Hora Universal
Em 1892 (noite de 13 para 14), Edward Emerson Barnard descobre D/1892 T1, o primeiro cometa descoberto por meios fotográficos. 
Em 1933, criação da Sociedade Interplanetária Britânica.
Observações: Estamos a meio do mês de outubro e Deneb já substituiu Vega como a estrela mais próxima do zénite após o cair da noite (para observadores a latitudes médias norte) - e, assim sendo, Capricórnio substitui Sagitário como a mais notável constelação a sul.

Dia 14/10: 287.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1960, a sonda soviética Mars 1960B falha a inserção na órbita da Terra. 
Em 1968 tem lugar a primeira transmissão televisiva em direto de uma nave espacial, a Apollo 7.
Em 2012, Felix Baumgartner salta da estratosfera e quebra o recorde de maior queda livre, a uma altitude de 39.068 metros. É também a primeira pessoa a quebrar a barreira do som sem recurso a um veículo.

Observações: Vega é a estrela mais brilhante a oeste por estas noites. Mais baixa a sudoeste, Altair, não tão brilhante. Logo para cima e para a direita de Altair, a um dedo à distância do braço esticado, está a alaranjada Tarazed (Gamma Aquilae). Para baixo de Tarazed encontra-se a figura da constelação de Águia.

Dia 15/10: 288.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1582, o papa Gregório XIII implementava o calendário gregoriano. O dia 4 de outubro deste ano é seguido diretamente pelo 15 de outubro.
Em 1608 nascia Evangelista Torricelli, físico italiano famoso por ter inventado o barómetro. 
Em 1829 nascia Asaph Hall, astrónomo americano famoso por ter descoberto as luas de Marte, Fobos e Deimos.

Determinou também as órbitas de satélites de outros planetas e de estrelas duplas, a rotação de Saturno e a massa de Marte.
Em 1997, era lançada a sonda Cassini para Saturno a partir de Cabo Canaveral. 
Em 2001, a sonda Galileu da NASA passa a 181 km da lua de Júpiter, Io
Em 2003, a China lança a Shenzhou 5, a sua primeira missão espacial tripulada.
Observações: Pouco antes do amanhecer, olhe para este. A Lua, quase na sua fase Nova, encontra-se um pouco para cima de Régulo. Mais perto do horizonte estão os planetas Marte e Vénus.

Dia 16/10: 289.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2012, é descoberto o planeta extrasolar Alpha Centauri Bb.

Em outubro de 2015, astrónomos publicaram um artigo científico que refuta a existência do planeta. Isto levou o autor principal do artigo original a voltar atrás no anúncio.
Observações: A Lua moveu-se e agora está entre Régulo e os planetas Marte e Vénus, baixos a este antes do amanhecer.

 
CURIOSIDADES


O planeta anão Haumea tem duas luas conhecidas: Hi'iaka e Namaka.

 
O PLANETA ANÃO HAUMEA TEM UM ANEL

Nos confins do Sistema Solar, para lá da órbita de Neptuno, existe uma cintura de objetos compostos por gelo e rochas, entre os quais se destacam quatro planetas anões: Plutão, Éris, Makemake e Haumea. Este último é o menos conhecido dos quatro e foi recentemente o objeto de uma campanha de observação internacional que foi capaz de estabelecer as suas principais características físicas. O estudo, liderado por astrónomos do Instituto de Astrofísica da Andaluzia e publicado na revista Nature, revela a presença de um anel em redor do planeta anão.

Os objetos trans-neptunianos são difíceis de estudar devido ao seu pequeno tamanho, ao seu baixo brilho e às enormes distâncias que nos separam. Um método muito eficiente, mas complexo, baseia-se no estudo de ocultações estelares, a passagem desses objetos em frente de uma estrela (como um pequeno eclipse). Permite aos astrónomos determinarem as principais características físicas de um objeto (tamanho, forma e densidade) e foi aplicado com sucesso aos planetas anões Plutão, Éris e Makemake.

"Nós previmos que Haumea ia passar em frente de uma estrela no dia 21 de janeiro de 2017, e doze telescópios de dez diferentes observatórios europeus focaram-se no evento," afirma José Luis Ortiz, investigador do Instituto de Astrofísica da Andaluzia (IAA-CSIC), responsável pelo estudo. "Estes meios técnicos permitiram-nos reconstruir, com uma precisão muito alta, a forma e o tamanho do planeta anão Haumea e descobrir, para nossa surpresa, que é consideravelmente maior e menos refletor do que se pensava anteriormente. É também muito menos denso do que se pensava, o que respondeu a perguntas que estavam pendentes acerca do objeto."

Haumea é um objeto interessante: gira em torno do Sol numa órbita elíptica que demora 284 anos para completar (atualmente está cinquenta vezes mais longe do Sol do que a Terra), e completa uma rotação sob si próprio a cada 3,9 horas, muito menos do que qualquer outro corpo com mais de 100 km de comprimento no Sistema Solar. Esta velocidade de rotação torna-o achatado, dando-lhe uma forma elipsoidal semelhante a uma bola de rugby. Os dados recém-publicados revelam que Haumea mede 2320 km no seu eixo maior - quase o mesmo que Plutão -, mas que não tem uma atmosfera global.

Impressão de artista de Haumea, com as proporções corretas do corpo principal e do anel. O anel fica a uma distância de 2287 km do centro do corpo principal e é mais escuro do que a própria superfície do planeta anão.
Crédito: Instituto de Astrofísica da Andaluzia
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Primeiro objeto trans-neptuniano com um anel

"Uma das descobertas mais interessantes e inesperadas foi a descoberta de um anel em torno de Haumea. Até alguns anos atrás, só conhecíamos a existência de anéis em torno dos planetas gigantes; recentemente, a nossa equipa descobriu que dois corpos pequenos situados entre Júpiter e Neptuno, pertencentes a um grupo chamado centauros, têm anéis densos em seu redor, o que se revelou uma grande surpresa. Agora descobrimos que corpos ainda mais distantes do que os centauros, maiores e com características gerais muito diferentes, também podem ter anéis," comenta Pablo Santos-Sanz, outro membro da equipa do IAA-CSIC.

De acordo com os dados obtidos a partir da ocultação estelar, o anel fica no plano equatorial do planeta anão, tal como o seu maior satélite, Hi'iaka, e exibe uma ressonância 3:1 em relação à rotação de Haumea, o que significa que as partículas geladas que compõem o anel giram três vezes mais devagar do que o planeta anão gira sob o seu próprio eixo.

"Existem diferentes explicações possíveis para a formação do anel; pode ser originário de uma colisão com outro objeto, ou da dispersão de material de superfície devido à alta velocidade de rotação do planeta anão," realça Ortiz (IAA-CSIC). É a primeira vez que um anel foi descoberto em torno de um objeto trans-neptuniano, e mostra que a presença de anéis pode ser muito mais comum do que se pensava anteriormente, tanto no nosso Sistema como noutros sistemas planetários.

Links:

Notícias relacionadas:
Instituto de Astrofísica da Andaluzia (comunicado de imprensa)
Um anel em torno de Haumea (José Maria Madiedo via YouTube)
Nature
The Planetary Society
SPACE.com
Universe Today
New Scientist
spaceref
PHYSORG
Science alert
ScienceNews
Scientific American
Popular Mechanics
The Verge
ars TECHNICA

Haumea:
Wikipedia

 
CAÇADORES DE EXOPLANETAS GIGANTES: PROCUREM DISCOS DE DETRITOS
Esta impressão de artista mostra um grande exoplaneta a fazer com que corpos mais pequenos colidam num dsco de poeira.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Não existe um mapa que mostre todos os milhares de milhões de exoplanetas que se escondem na nossa Galáxia - estão tão distantes e são tão ténues em comparação com as suas estrelas, que é difícil encontrá-los. Agora, os astrónomos à procura de novos mundos estabeleceram um possível marcador para exoplanetas gigantes.

Um novo estudo descobriu que os exoplanetas gigantes que orbitam longe das suas estrelas são mais propensos a ser encontrados em torno de estrelas jovens que têm um disco de poeira e detritos do que aquelas sem discos. O estudo, publicado na revista The Astronomical Journal, focou-se em planetas com mais de cinco vezes a massa de Júpiter. Este estudo é o maior, até à data, de estrelas com discos de detritos empoeirados, e encontrou as melhores evidências, até à data, de que os planetas gigantes são responsáveis por manter esse material sob controlo.

"A nossa investigação é importante para o modo como as missões futuras vão planear quais as estrelas a observar," afirma Tiffany Meshkat, autora principal e cientista assistente do IPAC/Caltech em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia. Meshkat trabalhou neste estudo como investigadora pós-doutoral no JPL da NASA. "Muitos dos planetas já descobertos através de imagens diretas estão em sistemas com discos de detritos, e agora sabemos que a poeira pode ser indicadora de mundos por descobrir."

Os astrónomos descobriram que a probabilidade de encontrar planetas gigantes de longo período é nove vezes superior para as estrelas com discos de detritos do que em estrelas sem discos. A estudante Martha Bryan, do Caltech, realizou a análise estatística que determinou este resultado.

Os cientistas combinaram dados de 130 sistemas estelares, compostos por uma estrela individual, com discos de detritos detetados pelo Telescópio Espacial Spitzer da NASA, e compararam-nos com 277 estrelas que parecem não hospedar discos. Os dois grupos estelares têm entre alguns milhões e mil milhões de anos. Das 130 estrelas, 100 já tinham sido anteriormente examinadas à procura de exoplanetas. Como parte deste estudo, os investigadores estudaram as restantes 30 com o Observatório W. M. Keck no Hawaii e com o VLT (Very Large Telescope) do ESO no Chile. Não detetaram quaisquer novos planetas nesses 30 sistemas, mas os dados adicionais ajudaram a caracterizar a abundância de planetas em sistemas com discos.

A investigação não resolve diretamente porque é que os exoplanetas gigantes causariam a formação de discos. Os autores sugerem que a enorme gravidade dos planetas gigantes faz com que corpos mais pequenos, de nome planetesimais, colidam violentamente em vez de formar planetas, e permaneçam em órbita como parte de um disco.

"É possível que não encontremos planetas pequenos nestes sistemas porque, ao início, estes corpos massivos destruíram os blocos de construção de planetas rochosos, enviando-os violentamente uns contra os outros a altas velocidades em vez de se combinarem gentilmente," afirma o coautor Dimitri Mawet, professor associado de astronomia no Caltech e cientista de pesquisa sénior no JPL.

Por outro lado, os exoplanetas gigantes são mais fáceis de detetar do que os planetas rochosos, e é possível que existam alguns nesses sistemas onde não foram encontrados.

O nosso próprio Sistema Solar é o lar de gigantes gasosos responsáveis pela produção de "cinturas de detritos" - a cintura de asteroides entre Marte e Júpiter, esculpida por Júpiter, e a Cintura de Kuiper, esculpida por Neptuno. Muitos dos sistemas estudados por Meshkat e Mawet também têm dois discos, mas também são muito mais jovens do que o nosso - até mil milhões de anos, em comparação com a idade atual de 4,5 mil milhões de anos do nosso. A juventude destes sistemas explica em parte porque contêm muito mais poeira - resultante das colisões de corpos pequenos - do que o nosso.

Um sistema discutido no estudo é o de Beta Pictoris, que foi fotografado diretamente com telescópios terrestres. Este sistema tem um disco de detritos, cometas e um exoplaneta confirmado. De facto, os cientistas previram a existência deste planeta bem antes de ser confirmado, com base na presença e estrutura do disco proeminente.

Num cenário diferente, a presença de duas cinturas de poeira num único disco de detritos sugere que existem, provavelmente, mais planetas no sistema cuja gravidade mantém essas cinturas, como é o caso do sistema HR 8799 que tem quatro planetas gigantes. As forças gravitacionais dos gigantes empurram cometas na direção da estrela, evento que poderá imitar o período da história do nosso Sistema Solar há cerca de 4 mil milhões de anos conhecido como "Último Grande Bombardeamento". Os cientistas pensam que durante esse período a migração de Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno desviou poeira e corpos pequenos para as cinturas de asteroides e de Kuiper que vemos hoje. Quando o Sol era jovem, também havia muito mais poeira no nosso Sistema Solar.

"Ao mostrar aos astrónomos onde as futuras missões com o Telescópio Espacial James Webb da NASA têm as melhores hipóteses de encontrar exoplanetas gigantes, esta investigação abre caminho para futuras descobertas," afirma Karl Stapelfeldt do JPL, cientista-chefe do Gabinete do Programa de Exploração Exoplanetária da NASA e coautor do estudo.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
ScienceDaily
PHYSORG

Beta Pictoris:
Solstation 
Wikipedia

HR 8799:
Wikipedia

Planetas extrasolares:
Wikipedia
NASA Exoplanet Arquive
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

Telescópio Espacial Spitzer:
Página oficial 
NASA
Centro Espacial Spitzer 
Wikipedia

Observatório W. M. Keck:
Página oficial
Wikipedia

VLT:
Página oficial
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Cientistas descobrem mais sobre os ingredientes da formação estelar (via Universidade do Oeste da Austrália)
Os astrónomos lançaram nova luz sobre a importância dos átomos de hidrogénio no nascimento de novas estrelas. Pensa-se que só as moléculas de hidrogénio alimentem, diretamente, a formação estelar, mas uma investigação mostra que existem mais átomos de hidrogénio do que moléculas até em galáxias jovens que produzem muitas estrelas. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Enxame Globular NGC 362 pelo Hubble
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Hubble WFC3NASAESAJ. HeylI. Caiazzo, & Javiera Parada (UBC)
 
Se o nosso Sol estivesse perto do centro de NGC 362, o céu noturno brilharia como uma caixa de joias de estrelas brilhantes. Centenas de estrelas seriam mais brilhantes do que Sirius, e de muitas cores diferentes. Embora essas estrelas pudessem tornar-se parte de maravilhosas constelações com complexas mitologias, seria difícil para os habitantes planetários, aí, verem e, assim, entenderem, o maior Universo que existia para lá do enxame. NGC 362 é um dos cerca de 170 enxames globulares que existem na nossa Via Láctea. É um dos enxames globulares mais jovens, formado provavelmente bem depois da nossa Galáxia. NGC 362 pode ser encontrado a olho nu quase em frente da Pequena Nuvem de Magalhães, e angularmente próximo do segundo enxame globular mais brilhante, conhecido como 47 Tucanae. A imagem em destaque foi obtida pelo Telescópio Espacial Hubble para ajudar a melhor entender como as estrelas massivas acabam perto do centro de alguns enxames globulares.
 

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