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Edição n.º 1423
27/10 a 30/10/2017
 
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EFEMÉRIDES

Dia 27/10: 300.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1961, primeiro lançamento com sucesso do foguetão Saturno I

Em 1973, o meteorito Cañon City, um condrito com 1,4 kg, atinge Fremont County, no estado norte-americano do Colorado. 
Em 1994, é inquestionavelmente identificado o primeiro objeto de massa subestelar, Gliese 229B.
Em 2005, é lançado o micro-satélite SSETI Express a partir do Cosmódromo de Plesetsk.
Observações: Lua em Quarto Crescente, pelas 23:22.
Ao cair da noite, encontrará Altair brilhando cerca de 30º (três punhos à distância do braço esticado) para cima e para a direita da Lua.
Muito mais perto para cima e para a direita da Lua, cerca de 6º, estão as estrelas de terceira magnitude Alpha e Beta Capricorni. Alpha é a estrela de cima. Consegue ver que Alpha é um par gémeo à vista desarmada? Os binóculos tornam esta tarefa fácil - e também conseguem resolver Beta, outro binário largo, embora os seus componentes estejam um pouco mais próximos um do outro e sejam muito desiguais.

Dia 28/10: 301.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1971 a Grã-Bretanha lança o Prospero, o seu primeiro satélite. 
Em 1974, lançamento da sonda Luna 23, missão soviética de recolha de amostras lunares. Mas o dispositivo de recolha falhou e nenhumas amostras foram enviadas.
Em 2009, a NASA lança com sucesso a sua missão Ares I-X, o único lançamento do cancelado programa Constellation

Observações: Altair está um pouco mais distante da Lua, para baixo e para a sua esquerda. Mesmo para cima e para a direita de Altair, cerca de um dedo à distância do braço esticado, está a alaranjada Tarazed. Parece uma companheira de Altair, mas na realidade é uma estrela muito maior e mais distante de fundo. Altair está a 17 anos-luz. Tarazed está a mais ou menos 360 anos-luz e é 100 vezes mais luminosa.
Não se esqueça de atrasar o seu relógio uma hora, nesta noite de 28 para 29 de outubro.

Dia 29/10: 302.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1991, a sonda Galileu faz a sua maior aproximação de 951 Gaspra, a primeira a visitar um asteroide.
Em 1998, o vaivém espacial Discovery partia para o espaço na missão STS-95, levando a bordo o astronauta John Glenn de 77 anos.

Glenn, que fora o primeiro norte-americano a orbitar a Terra em 1962, tornou-se deste modo a pessoa mais velha a alguma vez ter estado no espaço.
Observações: A Hora Legal muda para o regime de inverno. Às 02:00 da manhã atrase o seu relógio uma hora.
A Lua, como sempre, desloca-se sempre um pouco a cada dia [em relação ao céu estrelado]. Quase que está situada na linha que une Altair (para cima e para a direita, cerca de 39º) com Fomalhaut (para baixo e para a esquerda, cerca de 20º).

Dia 30/10: 303.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1981, lançamento da soviética Venera 13. A Venera 13 transmitiu fotografias e dados de Vénus até março de 1983.
Em 1985, o vaivém espacial Challenger é lançado na STS-61-A, a sua última missão bem sucedida.

Observações: Aproveite o amanhecer para observar, baixos a este, o brilhante Vénus e mais para cima o planeta Marte.

 
CURIOSIDADES


Todos os planetas cabem dentro da distância média entre a Terra e a Lua.

 
HUBBLE DESCOBRE "GALÁXIAS OSCILANTES"

Usando o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, os astrónomos descobriram que as galáxias mais brilhantes dentro de enxames galácticos "oscilam" em relação ao centro de massa do enxame. Este resultado inesperado é inconsistente com as previsões feitas pelo modelo padrão atual da matéria escura. Com uma análise mais aprofundada, pode fornecer informações sobre a natureza da matéria escura, talvez até indicando a presença de uma nova física.

A matéria escura constitui um pouco mais que 25% de toda a matéria no Universo, mas não pode ser observada diretamente, o que a torna num dos maiores mistérios da astronomia moderna. Halos invisíveis da elusiva matéria escura englobam tanto galáxias como enxames de galáxias. Estes últimos astros são agrupamentos gigantescos de até mil galáxias imersas em gás intergaláctico quente. Estes grupos têm núcleos muito densos, cada um contendo uma galáxia massiva chamada de "galáxia mais brilhante do enxame" (em inglês, "brightest cluster galaxy", ou BCG).

Abell S1063, um enxame de galáxias, observado pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA como parte do programa Frontier Fields.A enorme massa do enxame age como uma lupa cósmica e amplia galáxias ainda mais distantes, que se tornam suficientemente brilhantes para o Hubble as observar.
Crédito: NASA, ESA e J. Lotz (STScI)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O modelo padrão da matéria escura (modelo da matéria escura fria) prevê que assim que um enxame galáctico regresse a um estado "relaxado" após sofrer turbulência de um evento de fusão, a BCG não se move do centro do enxame. É mantida no lugar pela enorme influência gravitacional da matéria escura.

Mas agora, uma equipa de astrónomos suíços, franceses e britânicos analisou dez enxames galácticos com o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA e descobriu que as suas BCGs não estão fixas no centro como esperado.

Os dados do Hubble indicam que "oscilam" em torno do centro de massa de cada enxame muito tempo depois do enxame galáctico regressar a um estado relaxado após uma fusão. Por outras palavras, o centro das partes visíveis de cada enxame galáctico e o centro da massa total do enxame - incluindo o halo de matéria escura - não coincidem, até um máximo de 40.000 anos-luz.

Esta imagem do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA mostra o enxame galáctico MACS J1206. Enxames como este têm massas gigantescas, e a sua gravidade é forte o suficiente para curvar o percurso da luz, como uma espécie de lupa cósmica.
Estes enxames são ferramentas úteis para o estudo de objetos muito distantes, porque este comportamento tipo-lupa amplia a luz de galáxias de fundo. Também contribuem para vários tópicos da cosmologia, pois a natureza precisa das imagens das lentes gravitacionais contém informações sobre as propriedades do espaço-tempo, sobre a expansão do cosmos e sobre a distribuição da matéria escura no enxame.
Este é um de 25 enxames estudados como parte do programa CLASH (Cluster Lensing and Supernova survey with Hubble), um grande projeto para construir uma biblioteca de dados científicos sobre enxames com efeito de lente gravitacional.
Crédito: NASA, ESA, M. Postman (STScI) e Equipa CLASH
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Descobrimos que as BCGs oscilam em torno do centro dos halos," explica David Harvey, astrónomo da EPFL (École polytechnique fédérale de Lausanne), Suíça, e autor principal do artigo. "Iso indica que, ao invés de uma região densa no centro do enxame de galáxias, conforme previsto pelo modelo da matéria escura fria, há uma densidade central muito menor. Este é um sinal impressionante de formas exóticas da matéria escura no coração dos enxames galácticos."

A oscilação das BCGs só podia ser analisada caso os enxames galácticos estudados também atuassem como lentes gravitacionais. São tão massivos que distorcem o espaço-tempo o suficiente para curvar a luz de objetos mais distantes por trás. Este efeito, chamado lente gravitacional forte, pode ser usado para mapear a matéria escura associada com o enxame, permitindo que os astrónomos determinem a posição exata do centro de massa e depois meçam o deslocamento da BCG em relação a esse centro.

O enorme enxame galáctico no centro desta imagem contém tanta matéria escura que a sua gravidade curva a luz de objetos mais distantes. Isto significa que para galáxias muito distantes no fundo, o campo gravitacional do enxame atua como uma espécie de lupa cósmica, dobrando e concentrando a luz de objetos distantes na direção do Hubble. Estas lentes gravitacionais são uma ferramenta que os astrónomos podem usar para alargar a visão do Hubble além do que seria normalmente capaz de observar. Desde modo, algumas das primeiras galáxias do Universo podem ser estudadas pelos astrónomos.
O efeito de lente também pode ser usado para determinar a distribuição da matéria - tanto matéria normal quando matéria escura - no enxame.
Crédito: NASA, ESA, J. Richard (CRAL) e J.-P. Kneib (LAM). Reconhecimento: Marc Postman (STScI)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Se esta "oscilação" não é um fenómeno astrofísico desconhecido e for, de facto, o resultado do comportamento da matéria escura, então é inconsistente com o modelo padrão da matéria escura e só pode ser explicado caso as partículas de matéria escura possam interagir umas com as outras - uma forte contradição da compreensão atual da matéria escura. Isto poderá indicar que é necessária uma nova física fundamental para resolver o mistério da matéria escura.

O coautor Frederic Courbin, também da EPFL, conclui: "estamos ansiosos por levantamentos maiores - como o levantamento Euclides - que irá ampliar o nosso conjunto de dados. Podemos então determinar se a oscilação das BCGs é o resultado de um fenómeno astrofísico novo ou de uma nova física fundamental. Ambos os quais seriam excitantes!"

Links:

Notícias relacionadas:
Hubble/ESA (comunicado de imprensa)
Ecole Polytechnique Federale de Lausanne (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
EurekAlert!
ScienceDaily
PHYSORG

Enxames galácticos:
Wikipedia

Matéria escura:
Wikipedia

Lentes gravitacionais:
Lente gravitacional forte (Wikipedia)
Wikipedia

Universo:
Universo (Wikipedia)
Idade do Universo (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Big Bang (Wikipedia)

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

 
MISSÃO A COMETA REVELA "ELO PERDIDO" NA NOSSA COMPREENSÃO DA FORMAÇÃO PLANETÁRIA

O elo perdido na nossa compreensão da formação planetária foi revelado pela primeira nave a orbitar e a pousar num cometa, dizem cientistas alemães. O estudo foi publicado numa edição recente da revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Uma equipa de investigação liderada por Jürgen Blum (Technische Universität Braunschweig, Alemanha) analisou dados da histórica missão Rosetta para descobrir como o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko (ou "Chury"), surgiu há mais de 4,5 mil milhões de anos.

Representação esquemática da porosa estrutura da superfície do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko. Com base nos resultados da missão Rosetta, Blum e colegas concluem que o cometa 67P é composto por seixos de poeira com vários milímetros de tamanho. Assume-se que os seixos no interior do cometa consistem de uma mistura de poeira e gelo (as esferas azul claro na imagem) e apenas as camadas superiores, expostas à luz solar direta, não contêm gelo (esferas cinzentas).
Crédito: Maya Krause, TU Braunschweig
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Compreender a evolução do nosso Sistema Solar e dos seus planetas era um dos principais objetivos da missão Rosetta ao cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko. Para Jürgen Blum e para sua equipa internacional, valeu a pena, porque os resultados dos vários instrumentos da Rosetta e do "lander" Philae revelaram que apenas um dos muitos modelos propostos pode explicar as suas observações. O Cometa 67P consiste de vários "seixos de poeira" que variam entre vários milímetros e vários centímetros de tamanho.

O professor Blum explica as implicações das observações da equipa: "os nossos resultados mostram que apenas um modelo para a formação de corpos sólidos maiores no Sistema Solar jovem pode ser considerado para o Chury. Segundo este modelo de formação, os 'seixos de poeira' são concentrados com tanta força por uma instabilidade na nebulosa solar que a sua força gravitacional conjunta leva, em última análise, a um colapso."

Este processo forma o elo perdido entre a formação bem-estabelecida de "seixos de poeira" (blocos de construção planetária formados na nebulosa solar através da colisão de partículas de poeira e gelo) e a acreção gravitacional de planetesimais em planetas, que os cientistas ponderaram durante anos.

"Embora tudo isto pareça muito dramático," continue Blum, "na realidade é um processo gentil no qual os aglomerados de poeira não são destruídos, mas combinados num corpo maior com uma atração gravitacional ainda mais elevada - a acumulação dos aglomerados de poeira, num corpo coerente, é virtualmente o nascimento do cometa." Devido à massa relativamente pequena do cometa 67P, os seixos sobreviveram intactos até hoje, permitindo que os cientistas confirmassem a hipótese pela primeira vez.

De facto, o modelo de formação do colapso de seixos pode explicar muitas propriedades observadas do cometa 67P, por exemplo, a sua alta porosidade e a quantidade de gás que escapa do interior. "Agora, todas as fases do modelo de formação planetária foram estabelecidas," conclui Blum.

Links:

Notícias relacionadas:
Sociedade Astronómica Real (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Monthly Notices of the Royal Astronomical Society
PHYSORG

Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko:
Wikipedia
ESA

Sonda Rosetta:
ESA
Blog da Rosetta - ESA
NASA
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EQUIPA DA NASA ENCONTRA NUVEM DE GELO NOCIVO NA LUA DE SATURNO, TITÃ

Investigadores da missão Cassini da NASA encontraram evidências de um gelo híbrido e tóxico numa nuvem fina acima do polo sul da maior lua de Saturno, Titã.

A descoberta é uma nova demonstração da química complexa que ocorre na atmosfera de Titã - neste caso, a formação de nuvens na estratosfera da lua gigante - e faz parte de uma coleção de processos que, em última instância, ajudam a fornecer uma variedade de moléculas orgânicas à superfície de Titã.

Esta imagem de Titã, a maior lua de Saturno, está entre as últimas enviadas até à Terra pela Cassini antes de mergulhar na atmosfera do planeta gigante.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/SSI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Invisível ao olho humano, a nuvem foi detetada em comprimentos de onda infravermelhos pelo instrumento CIRS (Composite Infrared Spectrometer) a bordo da sonda Cassini. Localizada a altitudes entre os 160 e os 210 km, esta formação está muito acima das nuvens de chuva de metano da troposfera de Titã, a região mais baixa da atmosfera. A nova nuvem cobre uma grande área perto do polo sul, mais ou menos entre os 75 e 85 graus de latitude sul.

Foram usadas experiências laboratoriais para encontrar uma mistura química que correspondia à assinatura espectral da nuvem - a impressão digital química medida pelo instrumento CIRS. As experiências determinaram que o gelo exótico na nuvem é uma combinação da molécula orgânica simples cianeto de hidrogénio com a substância química em forma de anel, benzeno. Os dois produtos químicos parecem ter condensado ao mesmo tempo para formar partículas de gelo, ao invés de um estar em camadas em cima do outro.

"Esta nuvem representa uma nova fórmula química de gelo na atmosfera de Titã," comenta Carrie Anderson do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland, coinvestigadora do CIRS. "O interessante é que este gelo nocivo é composto por duas moléculas que se condensaram numa mistura rica de gases no polo sul."

Anteriormente, os dados do CIRS ajudaram a identificar o gelo cianeto de hidrogénio em nuvens sobre o polo sul de Titã, bem como outras substâncias químicas tóxicas na estratosfera da lua.

Na estratosfera de Titã, um padrão de circulação global envia uma corrente de gases quentes do hemisfério onde é verão para o polo de inverno. Esta circulação inverte a sua direção quando as estações mudam, levando a uma acumulação de nuvens no polo onde é inverno. Pouco depois da sua chegada a Saturno, a Cassini encontrou evidências deste fenómeno no polo norte de Titã. Mais tarde, perto do final dos 13 anos da sonda no sistema saturniano, foi avistada a acumulação de uma nuvem semelhante, mas no polo sul.

A maneira mais simples de pensar na estrutura da nuvem é que tipos diferentes de gases vão condensar-se em nuvens de gelo a diferentes altitudes, quase como camadas num Parfait. Exatamente quais as nuvens que se condensam, e onde, depende da quantidade de vapor presente e das temperaturas, que ficam mais frias a altitudes mais baixas na estratosfera. No entanto, a realidade é mais complicada, porque cada tipo de nuvem forma-se ao longo de uma variedade de altitudes, por isso é possível que alguns gelos se condensem simultaneamente, ou que se co-condensem.

Anderson e colegas usaram o CIRS para classificar o conjunto complexo de assinaturas espectrais infravermelhas de muitas moléculas na atmosfera de Titã. O instrumento separa a radiação infravermelha nas suas cores componentes, como gotas de chuva que criam um arco-íris, e mede os pontos fortes do sinal nos diferentes comprimentos de onda.

"O CIRS atua como um termómetro remoto e como uma sonda química, determinando a radiação de calor emitida pelos gases individuais numa atmosfera," explica F. Michael Flasar, investigador principal do CIRS em Goddard. "E o instrumento faz tudo remotamente, enquanto passa por um planeta ou por uma lua."

A nova nuvem, que os investigadores chamam de nuvem polar de alta altitude, tem uma assinatura química distinta e muito forte que apareceu em três conjuntos de observações de Titã obtidas de julho a novembro de 2015. Tendo em conta que as estações de Titã duram sete anos terrestres, durante todo esse tempo estávamos no final de outono no polo sul.

As assinaturas espectrais dos gelos não coincidem com as de qualquer substância química individual, de modo que a equipa iniciou experiências laboratoriais para condensar simultaneamente misturas de gases. Usando uma câmara de gelo que simula as condições na estratosfera de Titã, testaram pares de produtos químicos que tinham impressões digitais infravermelhas na parte correta do espectro.

Ao início, deixaram um gás condensar-se antes do outro. Mas o melhor resultado foi alcançado através da introdução simultânea de cianeto de hidrogénio e benzeno na câmara e permitindo que se condensassem ao mesmo tempo. Por si só, o benzeno não tem uma assinatura infravermelha distinta. No entanto, quando os cientistas permitiram que se co-condensasse com o cianeto de hidrogénio, a impressão no infravermelho longínquo do gelo co-condensado tinha uma íntima correspondência com as observações do CIRS.

Serão necessários estudos adicionais para determinar a estrutura das partículas de gelo co-condensado. Os investigadores esperam que sejam grumosas e desordenadas, em vez de cristais bem definidos.

Anderson e colegas encontraram anteriormente um exemplo semelhante de gelo co-condensado nos dados do CIRS em 2005. Essas observações foram feitas perto do polo norte, cerca de dois anos após o solstício de inverno no hemisfério norte de Titã. Essa nuvem formou-se a uma altitude muito mais baixa, abaixo dos 150 km, e tinha uma composição química diferente: cianeto de hidrogénio e cianoacetileno, uma das moléculas orgânicas mais complexas encontradas na atmosfera Titã.

Anderson atribui as diferenças nas duas nuvens a variações sazonais nos polos norte e sul. A nuvem a norte foi avistada cerca de dois anos após o solstício de inverno no polo norte, mas a nuvem a sul foi avistada cerca de dois anos antes do solstício de inverno no polo sul. É possível que a mistura de gases fosse ligeiramente diferente nos dois casos, ou que as temperaturas tivessem subido um pouco quando a nuvem polar norte foi avistada, ou uma combinação de ambos.

"Uma das vantagens da Cassini foi que conseguimos passar por Titã repetidas vezes durante a missão de treze anos para ver mudanças ao longo do tempo," salienta Anderson. "Esta é uma grande parte do valor de uma missão de longo prazo."

A sonda Cassini terminou a sua missão no dia 15 de setembro de 2017.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Universe Today
Astrobiology web
PHYSORG

Cianeto de hidrogénio:
Wikipedia

Benzeno:
Wikipedia

Titã:
Solarviews
Wikipedia

Saturno:
Solarviews
Wikipedia
Luas de Saturno (Wikipedia) 
Anéis de Saturno (Wikipedia)

Cassini:
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Manchas em estrela supergigante conduzem espirais do vento estelar (via Sociedade Astronómica Real)
Uma equipa internacional de astrónomos descobriu recentemente que as manchas à superfície de uma estrela supergigante estão a esculpir grandes estruturas espirais no seu vento estelar. Os resultados foram publicados numa edição recente da revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. Ler fonte
     
  Sonda cometária revela nuvem de poeira (via Sociedade Max Planck)
Cinco instrumentos a bordo da sonda Rosetta registaram a erupção de jatos de poeira no Cometa 67P/Chuyrumov-Gerasimenko. Os jatos que os cometas emitem para o espaço não são alimentados exclusivamente pela sublimação da água gelada. Em alguns casos, outros processos aumentam a intensidade destes episódios. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - NGC 7635: Bolha num Mar Cósmico
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Rolf Geissinger
 
À deriva num mar cósmico de estrelas e gás incandescente, a aparição delicada e flutuante para a esquerda do centro, nesta imagem de campo-largo, está catalogada como NGC 7635, a Nebulosa da Bolha. Com apenas 10 anos-luz de diâmetro, a pequena Nebulosa da Bolha foi esculpida pelos ventos de uma estrela gigante. Encontra-se dentro do complexo maior de nuvens de gás e poeira interestelar situado a cerca de 11.000 anos-luz de distância, cruzando o limite entre as constelações parentais de Cefeu e Cassiopeia. Incluído na vista deslumbrante, está o enxame aberto M52 (para baixo e para a esquerda), a mais ou menos 5000 anos-luz de distância. Para cima e para a direita da Nebulosa da Bolha está uma região de emissão identificada como Sh2-157, também conhecida como a Nebulosa da Garra. Construída a partir de 47 horas de exposições de banda estreita e banda larga, esta imagem abrange aproximadamente 3 graus no céu. Este valor é correspondente a uma largura de 500 anos-luz à distância estimada da Nebulosa da Bolha.
 

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