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Edição n.º 1429
17/11 a 20/11/2017
 
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EFEMÉRIDES

Dia 17/11: 321.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1970, a União Soviética aterra o Lunokhod 1 em Mare Imbrium, na Lua. É o primeiro robot controlado remotamente a aterrar noutro mundo, transportado pela Luna 17.

Observações: Desafio - ao amanhecer, uma finíssima Lua (a pouco mais de 24 horas da fase Nova) esconde-se cerca de 4º para a esquerda ou para baixo e para a esquerda de Vénus. Traga binóculos! Para cima e para a direita de Vénus está Júpiter.

Dia 18/11: 322.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1923, nascia Alan Shepard, o primeiro americano no espaço.
Em 1989 a NASA lança o COBE (Cosmic Background Explorer).

Os instrumentos a bordo estudaram toda a esfera celeste a cada seis meses. As operações terminaram a 23 de dezembro de 1993. A partir de janeiro de 1994, foi transferido para o Wallops e serviu como satélite de testes. 
Em 1999, usando câmaras de vídeo, David Palmer, Brian Cudnick e Pedro Sada registam um impacto de uma Leónida na Lua. O evento torna-se no primeiro impacto cósmico lunar confirmado.
Em 2013, é lançada a MAVEN (Mars Atmosphere and Volatile EvolutioN Mission) em direção a Marte.
Observações: Lua Nova, pelas 11:42.
Segundo desafio planetário! Pouco depois do pôr-do-Sol, olhe baixo para sudoeste em busca dos planetas Saturno e Mercúrio. Estão separados por aproximadamente um punho à distância do braço esticado. Binóculos ajudam.

Dia 19/11: 323.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1711, nascia Mikhail Lomonosov, cientista russo, conhecido por ser a primeira pessoa a teorizar a existência de uma atmosfera em Vénus.
Em 1881, um meteorito aterra perto da vila de Grossliebenthal, no sudoeste de Odessa, Ucrânia.
Em 1969, a Apollo 12 faz a segunda aterragem humana na Lua. Os astronautas Pete Conrad e Alan Bean pisam solo lunar no Oceano das Tempestades.
Em 1999, a China lança a missão Shenzhou 1, não tripulada, para órbita.

Torna-se assim na terceira nação da História a lançar um veículo capaz de transportar uma pessoa até ao espaço, depois da antiga União Soviética e dos Estados Unidos.
Observações: Com a Lua ainda ausente do céu noturno, tire vantagem destas noites escuras para explorar as galáxias dentro do canto noroeste do Grande Quadrado de Pégaso - magnitudes 11 a 13 - usando um telescópio com 6 polegadas ou maior. Para um maior desafio e um telescópio mais potente, tente o enxame galáctico Abell 194, na constelação de Baleia (Cetus).

Dia 20/11: 324.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1889 nasce Edwin Hubble, astrónomo americano.

Foi o primeiro a identificar cefeidas em M31, provando a natureza extragaláctica das nebulosas espirais (galáxias). Apoiando-se sobre o trabalho de Carl Wirtz, e com os desvios de SlipherHubble estabelece a relação distância-velocidade das galáxias (Lei de Hubble) que demonstra a expansão do Universo.
Em 1984, é fundado o Instituto SETI.
Em 1998, é lançado o primeiro módulo da Estação Espacial Internacional (ISS), o Zarya.
Observações: Pouco depois das 20 horas, Capella, de magnitude zero, está exatamente à mesma altura, a nordeste, que Vega a oeste-noroeste, com o mesmo brilho aproximado. Com que precisão consegue determinar o "timing" deste evento? Não é necessário astrolábio... mas ajuda.

 
CURIOSIDADES


O enxame aberto das Híades (Melotte 25 ou Collinder 50 ou Caldwell 41) é o mais próximo da Terra. Está a uma distância de 151 anos-luz e contém entre 300 a 400 estrelas. Está situado na constelação de Touro, perto da gigante vermelha Aldebarã, embora esta não faça parte do enxame.

 
LIGO E VIRGO DETETAM MAIS OUTRA FUSÃO DE BURACOS NEGROS

Os cientistas que procuram ondas gravitacionais confirmaram mais uma deteção da sua frutuosa observação. Denominada GW170608, a descoberta mais recente foi produzida pela fusão de dois buracos negros relativamente leves, 7 e 12 vezes a massa do Sol, a uma distância de aproximadamente mil milhões de anos-luz da Terra. A fusão deixou um buraco negro final com 18 vezes a massa do Sol, o que significa que durante a colisão o equivalente energético a cerca de uma massa solar foi emitido sob a forma de ondas gravitacionais.

Este evento, detetado pelos dois instrumentos LIGO do NSF às 02:01:16 UTC do dia 8 de junho de 2017, foi na realidade a segunda fusão de um buraco negro binário descoberta durante a segunda observação do LIGO desde que este foi atualizado durante o programa Advanced LIGO. Mas a sua divulgação foi adiada devido ao tempo necessário para compreender outras duas descobertas: uma observação com os três detetores LIGO-Virgo, de ondas gravitacionais, de outra fusão de um buraco negro binário (GW170814) no dia 14 de agosto, e a primeira deteção da fusão de uma estrela de neutrões binária (GW170817), na radiação eletromagnética e em ondas gravitacionais de dia 17 de agosto.

O artigo que descreve esta observação recém-confirmada, da autoria da Colaboração Científica LIGO e da Colaboração Virgo, foi submetida à The Astrophysical Journal Letters e está disponível online.

Os buracos negros descobertos pelo LIGO. O LIGO e o Virgo detetaram uma gama de buracos negros de massa estelar. Nos mais leves, encontramos fontes como este recém-anunciado GW170608, e também GW151226, que têm massas comparáveis aos buracos negros observados em binários de raios-X. As fontes GW150914, GW170104 e GW170814 apontam para uma população mais massiva que não tinha sido observada antes destas deteções de ondas gravitacionais. A figura também mostra LVT151012, um candidato do LIGO a evento que foi considerado demasiado fraco para ser confirmado, conclusivamente, como deteção.
Crédito: LIGO/Caltech/Sonoma State (Aurore Simonnet)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Uma deteção fortuita

O facto de os cientistas terem sido capazes de detetar GW170608 envolveu alguma sorte.

Um mês antes desta deteção, o LIGO fez uma pausa na sua segunda campanha de observação para abrir os sistemas de vácuo em ambos os complexos e assim realizar manutenção. Enquanto os investigadores do LIGO em Livingston, no estado norte-americano do Louisiana, completavam a sua manutenção e ficavam prontos para retomar as suas observações cerca de duas semanas depois, o LIGO em Hanford, no estado norte-americano de Washington, encontrou problemas adicionais que atrasaram o seu regresso à observação.

Na tarde de dia 7 de junho, o LIGO em Hanford finalmente conseguiu ficar online de forma confiável e os colaboradores estavam fazendo os preparativos finais para mais uma vez "ouvir" as ondas gravitacionais. Como parte dessas preparações, a equipa de Hanford estava fazendo ajustes de rotina para reduzir o nível de ruído nos dados das ondas gravitacionais provocadas pelo movimento angular dos espelhos principais. Para desenlear o quanto esse movimento angular afetava os dados, os cientistas sacudiram os espelhos muito ligeiramente em frequências específicas. Alguns minutos após esse procedimento, GW170608 passou através do interferómetro de Hanford, chegando ao de Louisiana cerca de 7 milissegundos depois.

O LIGO em Livingston relatou rapidamente a possível deteção, mas dado que o detetor em Hanford estava a sofrer manutenção, o seu sistema automático de deteção não estava ligado. Apesar do procedimento de manutenção ter afetado a capacidade do LIGO em Hanford para analisar automaticamente os dados recebidos, não impediu com que o LIGO em Hanford detetasse ondas gravitacionais. O procedimento afetou apenas uma estreita faixa de frequências, de modo que os investigadores do LIGO, depois de terem sabido da deteção no estado do Louisiana, ainda puderam procurar e encontrar as ondas nos dados depois de excluir essas frequências. Para esta deteção, o Virgo ainda estava numa fase de comissionamento; começou a captar dados no dia 1 de agosto.

Mais para aprender sobre buracos negros

GW170608 é o mais leve dos buracos negros binários que o LIGO e o Virgo já observaram - e também é um dos primeiros casos em que os buracos negros detetados através de ondas gravitacionais possuem massas parecidas com as dos buracos negros detetados indiretamente via radiação eletromagnética, como por exemplo em raios-X.

Esta descoberta permitirá que os astrónomos comparem as propriedades dos buracos negros recolhidas a partir das observações de ondas gravitacionais com aquelas dos buracos negros de massa semelhante anteriormente detetados com estudos de raios-X, e preenche um elo perdido entre as duas classes de observações de buracos negros.

Apesar do tamanho relativamente pequeno, os buracos negros de GW170608 vão contribuir muito para o crescente campo da "astronomia multimensageiro", onde os astrónomos de ondas gravitacionais e os astrónomos eletromagnéticos trabalham juntos para aprender mais sobre estes objetos exóticos e misteriosos.

O que aí vem

Os detetores LIGO e Virgo estão atualmente offline para atualizações adicionais a fim de melhorar a sua sensibilidade. Os cientistas esperam começar uma nova campanha de observações no outono de 2018, embora existam testes ocasionais durante os quais podem ocorrer deteções.

Os cientistas do LIGO e do Virgo continuam a estudar os dados da campanha de observação O2 já terminada, à procura de outros eventos possivelmente presentes nos dados recolhidos, e estão a preparar-se para a maior sensibilidade esperada da campanha de observação O3 do próximo ano.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
17/10/2017 - Telescópios do ESO observam primeira luz de uma fonte de ondas gravitacionais
29/09/2017 - Ondas gravitacionais da fusão de um buraco negro binário observadas pelo LIGO e pelo VIRGO
02/06/2017 - LIGO deteta ondas gravitacionais pela terceira vez
07/03/2017 - Um novo olhar sobre a natureza da matéria escura
17/06/2016 - LIGO deteta ondas gravitacionais pela segunda vez
26/02/2016 - Buracos negros gémeos do LIGO podem ter nascido de uma única estrela
12/02/2016 - Detetadas ondas gravitacionais 100 anos após a previsão de Einstein

Notícias relacionadas:
LIGO (comunicado de imprensa)
LSC (comunicado de imprensa)
Virgo (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Sky & Telescope
spaceref
PHYSORG
BBC News
The Verge
Gizmodo

GW170608:
Ficha informativa - LIGO (PDF)
Wikipedia

Ondas gravitacionais:
Wikipedia
Astronomia de ondas gravitacionais - Wikipedia
Ondas gravitacionais: como distorcem o espaço - Universe Today
Detetores: como funcionam - Universe Today
As fontes de ondas gravitacionais - Universe Today
O que é uma onda gravitacional (YouTube)

LIGO:
Página oficial
Caltech
Advanced LIGO
Wikipedia

Virgo:
EGO
Wikipedia

 
DESCOBERTO O MUNDO TEMPERADO MAIS PERTO DE NÓS EM ÓRBITA DE UMA ESTRELA CALMA
Esta imagem artística mostra o planeta temperado Ross 128 b com a sua estrela anã vermelha progenitora ao fundo. Este planeta, que se situa a apenas 11 anos-luz de distância da Terra, foi descoberto por uma equipa que utilizou o instrumento HARPS, o caçador de planetas único do ESO. O novo mundo é o segundo planeta temperado mais próximo a ser detetado depois de Proxima b. Trata-se também do planeta mais próximo a ser descoberto em torno de uma estrela anã vermelha inativa, o que aumenta a probabilidade deste planeta poder potencialmente sustentar vida. Ross 128 b será o alvo principal do ELT (Extremely Large Telescope) do ESO, o qual terá a capacidade de procurar marcadores biológicos na atmosfera do planeta.
Crédito: ESO/M. Kornmesser
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Com o auxílio do instrumento HARPS, o caçador de planetas único do ESO, descobriu-se um exoplaneta temperado do tamanho da Terra a apenas 11 anos-luz de distância do Sistema Solar. O novo mundo, designado Ross 128 b, é o segundo planeta temperado mais próximo a ser detetado depois de Proxima b. Trata-se também do planeta mais próximo a ser descoberto em torno de uma estrela anã vermelha inativa, o que aumenta a probabilidade deste planeta poder potencialmente sustentar vida. Ross 128 b será o alvo principal do ELT (Extremely Large Telescope) do ESO, o qual terá a capacidade de procurar marcadores biológicos na atmosfera do planeta.

Com o auxílio do instrumento HARPS (High Accuracy Radial velocity Planet Searcher) do ESO, instalado no Observatório de La Silla, no Chile, uma equipa de astrónomos descobriu um exoplaneta de pequena massa, que orbita a estrela anã vermelha Ross 128 a cada 9,9 dias. Pensa-se que este mundo do tamanho da Terra seja temperado, com uma temperatura de superfície que poderá também ser próxima da da Terra. A estrela Ross 128 é a estrela próxima "mais calma" que alberga um tal exoplaneta temperado.

"Esta descoberta baseia-se em mais de uma década de monitorização intensa por parte do HARPS, juntamente com técnicas de redução e análise de dados de vanguarda. Só o HARPS tem demonstrado uma tal precisão, permanecendo o melhor instrumento de velocidades radiais, mesmo após 15 anos de operações," diz Nicola Astudillo-Defru (Observatório de Genebra — Universidade de Genebra, Suíça), coautor do artigo científico que revela a descoberta.

As anãs vermelhas encontram-se entre as estrelas mais frias e ténues do Universo — sendo também as mais comuns. São, por isso, bons alvos para a procura de exoplanetas, sendo cada vez mais estudadas. De facto, o autor principal Xavier Bonfils (Institut de Planétologie et d'Astrophysique de Grenoble – Université Grenoble-Alpes/CNRS, Grenoble, França) chamou ao seu programa HARPS "Atalho para a felicidade", uma vez que é mais fácil detetar pequenos planetas frios do tipo terrestre em torno destas estrelas do que em torno de estrelas mais parecidas ao Sol.

Muitas estrelas anãs vermelhas, incluindo Proxima Centauri, ejetam ocasionalmente plumas de material que banham os planetas que se encontram em sua órbita com radiação ultravioleta e raios-X. No entanto, Ross 128 é uma estrela muito mais calma e, por isso, os seus planetas podem bem ser os mais próximos conhecidos que poderão sustentar vida de modo confortável.

Apesar de se situar atualmente a 11 anos-luz de distância da Terra, Ross 128 move-se na nossa direção, esperando-se que seja a nossa vizinha mais próxima daqui a apenas 79.000 anos — um piscar de olhos em termos cósmicos. Nessa altura, Ross 128 b destronará Proxima b, tornando-se o exoplaneta mais próximo da Terra!

Com dados do HARPS, a equipa descobriu que Ross 128 b se encontra numa órbita 20 vezes mais próxima da sua estrela do que a Terra do Sol. Apesar da proximidade, Ross 128 b recebe apenas 1,38 vezes mais radiação do que a Terra, o que resulta numa temperatura de equilíbrio estimada entre -60º C e 20º C, graças à natureza fria e ténue da sua pequena estrela anã vermelha progenitora — que apresenta apenas cerca de metade da temperatura de superfície do Sol. Embora os cientistas envolvidos na descoberta considerem Ross 128 b um planeta temperado, não se sabe se o planeta se situa no interior, no exterior ou na periferia da zona habitável, onde pode existir água líquida à superfície do planeta.

Os astrónomos detetam cada vez mais exoplanetas temperados, sendo que a próxima fase será estudar as suas atmosferas, composições e química com mais detalhe. A deteção de marcadores biológicos, como por exemplo o oxigénio, nas atmosferas dos planetas mais próximos, constituirá um enorme passo em frente. O futuro ELT (Extremely Large Telescope) do ESO estará muito bem preparado para levar a cabo tais estudos.

"Novas infraestruturas no ESO desempenharão um papel crucial na construção de um census de planetas com a massa da Terra favoráveis a serem caracterizados. Em particular, o NIRPS, o braço infravermelho do HARPS, aumentará a eficiência na observação de anãs vermelhas, as quais emitem a maior parte da sua radiação no infravermelho. Por fim, o ELT dar-nos-á a oportunidade de observar e caracterizar uma grande fração destes planetas," conclui Xavier Bonfils.

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (PDF)
Astronomy & Astrophysics
Astronomy
Sky & Telescope
SPACE.com
The Planetary Society
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New Scientist
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Popular Mechanics
National Geographic
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Ross 128:
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Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

Anãs vermelhas:
Wikipedia

Observatório La Silla:
ESO
Wikipedia

ELT (Extremely Large Telescope):
ESO
ESO - 2
Wikipedia

ESO:
Página oficial
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NEBLINA DE HIDROCARBONETOS DE PLUTÃO MANTÉM PLANETA ANÃO MAIS FRIO DO QUE O ESPERADO

A composição gasosa da atmosfera de um planeta geralmente determina a quantidade de calor que fica aí preso. No entanto, para o planeta anão Plutão, a temperatura prevista com base na composição da sua atmosfera era muito maior do que as medições reais obtidas pela sonda New Horizons da NASA em 2015.

Um novo estudo, publicado na edição de 16 de novembro da revista Nature, propõe um novo mecanismo de arrefecimento controlado por partículas de neblina para explicar a atmosfera frígida de Plutão.

A camada de neblina de Plutão, azul nesta imagem obtida pela New Horizons, gerada através de computador para replicar a sua cor verdadeira. A neblina é produzida por reações químicas iniciadas pela luz solar, sobre o azoto e metano, levando a pequenas partículas que crescem e assentam à superfície.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Tem sido um mistério desde que obtivemos os dados de temperatura da New Horizons," afirma o autor principal Xi Zhang, professor assistente de Ciências da Terra e Planetárias da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, EUA. "Plutão é o primeiro corpo planetário que conhecemos onde o 'orçamento' energético da atmosfera é dominado por partículas de neblina em fase sólida, em vez de gases."

O mecanismo de arrefecimento envolve a absorção de calor pelas partículas de neblina, que então emitem radiação infravermelha, arrefecendo a atmosfera através de libertação de energia para o espaço. O resultado é uma temperatura atmosférica de aproximadamente 70 Kelvin (-203º C), em vez dos 100 K previstos (-173º C).

Segundo Zhang, o excesso de radiação infravermelha das partículas de neblina na atmosfera de Plutão deve ser detetável pelo Telescópio Espacial James Webb, permitindo a confirmação da hipótese da equipa após o lançamento planeado do telescópio em 2019.

Impressão de artista que mostra a lua Caronte através das camadas atmosféricas de Plutão, por cima de uma paisagem montanhosa de gelo, coberta parcialmente com depóstiso de partículas de neblina escuras e avermelhadas.
Crédito: X. Liu
 

As extensas camadas de neblina atmosférica podem ser vistas em imagens de Plutão captadas pela New Horizons. A neblina resulta de reações químicas na atmosfera superior, onde a radiação ultravioleta do Sol ioniza o azoto e o metano, que reagem para formar pequenas partículas de hidrocarbonetos com dezenas de nanómetros em diâmetro. À medida que essas minúsculas partículas "se afundam" através da atmosfera, colam-se para formar agregados que crescem à medida que descem, eventualmente assentando à superfície.

"Acreditamos que estas partículas de hidrocarbonetos estão relacionadas com o material avermelhado e acastanhado visto em imagens da superfície de Plutão," acrescenta Zhang.

Os investigadores estão interessados em estudar os efeitos das partículas de neblina no balanço energético e atmosférico noutros corpos planetários, como na lua de Neptuno, Tritão, e na lua de Saturno, Titã. Os seus achados também podem ser relevantes para investigações de exoplanetas com atmosferas nubladas.

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Notícias relacionadas:
UC Santa Cruz (comunicado de imprensa)
Artigo científico (Nature)
Nature
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New Scientist
ScienceDaily
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Popular Science

Plutão:
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New Horizons:
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JWST (Telescópio Espacial James Webb):
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TAMBÉM EM DESTAQUE
  Astrónomos descobrem novo tipo de explosão cósmica (via Universidade de Southampton)
Uma equipa internacional de astrónomos descobriu um novo tipo de explosão numa galáxia distante. Este tipo de explosão, cujo exemplo foi chamado PS1-10adi, parece preferir galáxias ativas que abrigam buracos negros supermassivos que consomem o gás e o material em seu redor. Ler fonte
     
  Escolhidos os primeiros alvos espaciais do Webb (via ESA)
O gigante de gás Júpiter, moléculas orgânicas em nuvens formadoras de estrelas e galáxias-bebés no Universo distante, estão entre os primeiros alvos para os quais os dados estarão imediatamente disponíveis a partir do Telescópio Espacial James Webb, assim que este comece a lançar o seu poderoso olhar no Universo, em 2019. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - NGC 7789: A Rosa de Caroline
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Guillaume Seigneure
 
Encontrado entre os ricos campos estelares da Via Láctea, o enxame NGC 7789 fica a cerca de 8000 anos-luz de distância na direção da constelação de Cassiopeia. Uma descoberta de céu profundo, no final do século XVIII, pela astrónoma Caroline Lucretia Herschel, o enxame é também conhecido como a Rosa de Caroline. A sua aparência visual florida, através de telescópios pequenos, é criada pelo complexo aninhado de estrelas e vazios do enxame. Agora com uma idade estimada em 1,6 mil milhões de anos, o enxame aberto de estrelas também mostra a sua idade. Todas as estrelas no enxame provavelmente nasceram ao mesmo tempo, mas as mais brilhantes e massivas esgotaram rapidamente o combustível de hidrogénio nos seus núcleos. Estas evoluíram de estrelas de sequência principal, como o Sol, para as muitas gigantes vermelhas vistas com um tom amarelado nesta esplêndida composição colorida. Usando a cor e o brilho medidos, os astrónomos podem modelar a massa e, portanto, a idade das estrelas do enxame que começam a "desligar-se" da sequência principal e a se tornar gigantes vermelhas. Com mais de 50 anos-luz de diâmetro, a Rosa de Caroline abrange cerca de meio-grau (o tamanho angular da Lua) perto do centro desta imagem telescópica de campo-largo.
 

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