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Edição n.º 1436
12/12 a 14/12/2017
 
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29/12/17 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS + PALESTRA
19:30 - Este evento inclui uma apresentação sobre um tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio no nosso maravilhoso terraço (dependente de meteorologia favorável).
Local: CCVAlg
Preço: 2€
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 12/12: 346.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1901, Marconi envia o primeiro sinal transatlântico de rádio (a letra "S" em código Morse), percursor da telecomunicações que hoje se utilizam no espaço.
Em 1970, lançamento do satélite Uhuru, o primeiro desenhado especificamente com o propósito de fazer astronomia em raios-X.

A missão terminou em março de 1973. Levou a cabo o primeiro estudo intensivo de todo o céu em busca de fontes raios-X, com uma sensibilidade de aproximadamente 0,001 vezes a intensidade da Nebulosa do Caranguejo. 
Em 2012, a Coreia do Norte lança com sucesso o seu primeiro satélite, a Unidade 2 do Kwangmyŏngsŏng-3, usando um foguetão Unha-3.
Observações: Orionte já vai começando a estar em boa posição para observação, baixo a este depois da hora de jantar. E isso significa que Gémeos está também a subir à sua esquerda (para latitudes médias norte). As estrelas das cabeças dos gémeos, Castor e Pollux, são o lado esquerdo da constelação - um por cima do outro, estando Castor no topo.
Já nota algumas Geminídeas? Veja as efemérides do dia seguinte!

Dia 13/12: 347.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1867, nascia Kristian Birkeland, cientista norueguês, conhecido por ter sido o primeiro a elucidar a natureza da Aurora Boreal.
Em 1920, era medido o primeiro diâmetro estelar (Betelgeuse), por Francis Pease com um interferómetro no Mt. Wilson.
Em 1962, lançamento do Relay 1 da NASA, primeiro satélite de comunicações em órbita.
Em 1972, Eugene Cernan e Harrison Schmitt fazem o seu terceiro e último passeio lunar com o rover, durante a missão Apollo 17.

Observações: Mercúrio em conjunção inferior, pelas 01:51.
Ao amanhecer de dia 13, a fina Lua Minguante situa-se para cima de Marte a sudeste. Espiga, um pouco mais brilhante, localiza-se um pouco mais distante para cima e para a direita do nosso satélite natural.
Durante a noite de dia 13 para 14 de dezembro, a chuva de meteoros das Geminídeas deverá atingir o seu pico, sem Lua para interferir. Agasalhe-se! Traga uma cadeira reclinável para um local com pouca ou nenhuma poluição luminosa e uma vista desimpedida do céu. Com um céu escuro poderá ver, pelo menos, um meteoro por minuto, em média. A poluição luminosa corta nos números.

Dia 14/12: 348.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1546 nascia Tycho Brahe.

Nascido em Knudstrup, o astrónomo dinamarquês estabeleceu o primeiro observatório moderno e alterou muitas teorias Copernianas. Deu a Kepler o seu primeiro trabalho de campo.
Em 1782, o primeiro balão dos irmãos Montgolfier levanta voo no seu primeiro teste. 
Em 1962, a sonda americana Mariner 2 encontra Vénus e torna-se na primeira sonda interplanetária bem-sucedida.
Em 1972, Eugene Cernan torna-se na última pessoa a pisar a Lua, após ele e Harrison Schmidt completarem o terceiro e último EVA (atividade extra-veicular) da missão Apollo 17.
Observações: Por volta das 03:00, alcançamos o pico das Geminídeas, quando o lado da Terra estiver virado para encontrar mais diretamente o fluxo meteoróide. Mas quaisquer meteoros que possa ver mais cedo, quando o radiante da chuva, em Gémeos, ainda estiver baixo, serão "raspantes" longos e dramáticos, que entram na atmosfera superior da Terra a um ângulo baixo.
Ao amanhecer, Júpiter brilha baixo e para baixo da Lua Minguante. Um bom "adeus" à chuva das Geminídeas!

 
CURIOSIDADES


Este website permite calcular o estrago que um cometa ou asteroide faria caso atingisse a Terra. Experimente!

 
DADOS DO HERSCHEL LIGAM OS MISTERIOSOS VENTOS DOS QUASARES A FORMAÇÃO ESTELAR EXTREMA

Os astrónomos usaram o Observatório Espacial Herschel da ESA para resolver um mistério de décadas sobre a origem de poderosos ventos de gás frio nos arredores quentes de quasares. A evidência que liga estes poderosos ventos à formação estelar nas galáxias que albergam quasares também pode ajudar a resolver o mistério do porquê do tamanho das galáxias no Universo parecer estar limitado.

Desde a sua descoberta, na década de 1960, que os quasares têm fornecido um tesouro de perguntas para os astrónomos responderem. Estas fontes energéticas - até 10.000 vezes mais brilhantes do que a Via Láctea - são os núcleos de galáxias distantes com buracos negros supermassivos no seu centro. À medida que o gás é puxado para um disco de acreção em redor do buraco negro, é aquecido a temperaturas muito altas e irradia energia através do espectro eletromagnético, desde o rádio até aos raios-X - desta forma, nasce a assinatura de luminosidade do quasar.

Há cinco décadas que os astrónomos estudam os espectros de quasares para descobrir a origem da radiação eletromagnética que emitem e para traçar o percurso da luz até nós.

Impressão de artista de um quasar numa galáxia formadora de estrelas. O quasar é alimentado por um buraco negro supermassivo no centro da galáxia. À medida que o gás é puxado para um disco de acreção em torno do buraco negro, aquece até temperaturas muito altas e irradia energia através do espectro eletromagnético, preferencialmente na direção de dois jatos poderosos.
Além disso, a galáxia produz estrelas a uma taxa de centenas por ano. Em comparação, a nossa Via Láctea produz 1-2 estrelas por ano.
Crédito: ESA/C. Carreau
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Uma ferramenta valiosa na compreensão desta viagem são as linhas de absorção nos espectros de radiação dos quasares. Estas linhas indicam os comprimentos de onda absorvidos à medida que a radiação viaja desde a fonte até ao observador, fornecendo pistas sobre o material por onde passou. Ao longo do tempo, o estudo dessas linhas traçou a composição das galáxias e das nuvens de gás situadas entre nós e esses distantes objetos luminosos, mas um conjunto de linhas de absorção permanecia por explicar.

Os astrónomos observaram linhas de absorção em muitos quasares, indicativas da absorção, pelo caminho, por gás frio com elementos metálicos pesados como o carbono, magnésio e silício. As linhas indicam que a luz viajou através de ventos de gás frio com velocidades de milhares de quilómetros por segundo no interior das galáxias hospedeiras dos quasares. Embora o conhecimento de que esses ventos existem não seja uma notícia nova, a sua origem e o porquê de conseguirem alcançar velocidades tão impressionantes, permaneciam desconhecidos.

Agora, o astrónomo Peter Barther e o seu estudante de doutoramento Pece Podigachoski, ambos do Instituto Kapteyn da Universidade de Groninga, juntamente com os colegas Belinda Wilkes do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica (EUA) e Martin Haas da Ruhr-Universität Bochum (Alemanha), lançaram luz sobre as origens destes ventos frios. Usando dados obtidos com o Observatório Herschel da ESA, os astrónomos mostraram, pela primeira vez, que a força das linhas de absorção de metal associadas com estes misteriosos ventos gasosos está diretamente ligada com a taxa de formação estelar nas galáxias que hospedam os quasares. Ao encontrar esta tendência, os astrónomos são capazes de dizer com alguma confiança que a prodigiosa formação estelar dentro da galáxia-mãe pode ser o mecanismo que impulsiona esses ventos misteriosos e poderosos.

O Observatório Espacial Herschel.
Crédito: ESA/Herschel/NASA/JPL-Caltech; reconhecimento: T. Pyle e R. Hurt (JPL-Caltech)
(clique na imagem para versão maior)
 

"A identificação desta tendência para prolífica formação estelar e íntima relação com os poderosos ventos dos quasares é, para nós, um achado emocionante," explica Pece Podigachoski. "Uma explicação natural para tal é que os ventos são alimentados pela explosão de formação estelar e produzidos por supernovas - que se sabe ocorrerem com grande frequência durante períodos de formação estelar extrema."

Esta nova ligação não só resolve um quebra-cabeças sobre os quasares, mas também contribui para desvendar um mistério ainda maior: porque é que o tamanho das galáxias observadas no nosso Universo parece estar limitado na prática, mas não em teoria.

"Além da questão de quais os processos responsáveis pelos ventos gasosos, o seu efeito é um tópico muito importante na astrofísica atual," explica Peter Barthel. "Embora as teorias prevejam que as galáxias podem crescer muito, não têm sido observadas galáxias ultramassivas. Parece que existe um processo que atua como um travão na formação de tais galáxias: os ventos internos, por exemplo, podem ser responsáveis por este denominado feedback negativo."

A teoria prevê que as galáxias devem ser capazes de crescer até massas cem vezes o observado. O facto de haver um déficit de gigantes no Universo implica a existência de um processo que esgota as reservas de gás nas galáxias antes de poderem alcançar o seu potencial máximo. Existem dois mecanismos que podem levar a esta redução de gás: o primeiro são os ventos das supernovas associados com a formação estelar. O segundo, os ventos associados ao buraco negro supermassivo no coração de cada quasar. Embora seja possível que ambos os mecanismos desempenhem um papel, a evidência de correlação entre os ventos de gás frio e a taxa de formação estelar descoberta pela equipa científica sugere que no caso dos quasares, a formação estelar, que requer um fornecimento constante de gás frio, pode ser a principal responsável no corte de gás da galáxia e na supressão da capacidade de fazer crescer a próxima geração de estrelas.

"Este é um resultado importante para a ciência dos quasares, um que se baseou nas capacidades únicas do Herschel," explica Göran Pilbratt, cientista do projeto Herschel na ESA. "O Herschel observa radiação no infravermelho distante e nos comprimentos de onda submilimétricos, permitindo o conhecimento detalhado do ritmo de formação estelar nas galáxias observadas, necessário para fazer esta descoberta."

Links:

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
The Astrophysical Journal Letters
Artigo científico (arXiv.org)
PHYSORG

Quasar:
Wikipedia

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

Galáxia "starburst" (de intensa formação estelar):
Wikipedia

Observatório Espacial Herschel:
ESA (ciência e tecnologia)
ESA (centro científico)
ESA (página de operações)
NASA
Caltech
Wikipedia

 
DUAS SUPER-TERRAS EM REDOR DE K2-18

Uma nova pesquisa, usando dados recolhidos pelo ESO, revelou que um exoplaneta pouco conhecido de nome K2-18b poderá muito bem ser uma versão ampliada da Terra. Igualmente emocionante, os mesmos investigadores também descobriram pela primeira vez que o planeta tem um vizinho.

"Ser capaz de medir a massa e densidade de K2-18b foi tremendo, mas ainda descobrir um novo exoplaneta exigiu muita sorte e foi também impressionante," afirma o autor principal Ryan Cloutier, estudante de doutoramento do Centro Scarborough para Ciência Planetária do Departamento de Astronomia e Astrofísica da Universidade de Toronto e do iREx (Institute for research on exoplanets) da Universidade de Montreal.

Ambos os planetas orbitam K2-18, uma anã vermelha localizada a aproximadamente 111 anos-luz de distância na direção da constelação de Leão. Quando o planeta K2-18b foi descoberto pela primeira vez em 2015, determinou-se que orbitava dentro da zona habitável da estrela, tornando-se num candidato ideal para ter água líquida à superfície, um elemento-chave para albergar condições para a vida como a conhecemos.

Investigadores do Centro de Ciências Planetárias descoriram que K2-18b poderá muito bem ser uma versão mapliada da Terra. Também descobriram que tem um vizinho.
Crédito: Alex Boersma
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os dados usados pelos cientistas foram recolhidos pelo instrumento HARPS (High Accuracy Radial Velocity Planet Searcher) acoplado ao telescópio de 3,6 metros do Observatório La Silla do ESO, no Chile. O HARPS permite medir velocidades radiais de estrelas, que são afetadas pela presença de planetas, medições estas obtidas com a máxima precisão atualmente disponível. Por isso, este instrumento permite a deteção de planetas muito pequenos em seu redor.

A fim de descobrir se K2-18b era uma versão ampliada da Terra (principalmente rocha), ou uma versão reduzida de Neptuno (principalmente gás), os astrónomos tiveram primeiro que descobrir a massa do planeta, usando as medições de velocidade radial obtidas com o HARPS.

"Se conseguirmos obter a massa e raio, podemos medir a densidade do planeta e isso pode dizer-nos se o planeta é rochoso ou gasoso," comenta Cloutier.

Depois de usar uma abordagem de aprendizagem computacional para descobrir a massa, Cloutier e equipa conseguiram determinar que o planeta ou é principalmente rochoso com uma pequena atmosfera gasosa - como a da Terra, mas maior - ou um planeta principalmente oceânico com uma espessa camada de gelo por cima.

"Com os dados atuais, não conseguimos distinguir entre essas duas possibilidades," realça. "Mas com o JWST (Telescópio Espacial James Webb), podemos investigar a atmosfera e ver se é extensa ou se é um planeta coberto por água."

O JWST, que será lançado em 2019, será fundamental na recolha de uma variedade de dados para o estudo do Sistema Solar do início do Universo e dos exoplanetas.

"A utilização deste telescópio tem muita demanda, de modo que precisamos ser meticulosos na escolha dos exoplanetas para observação," comenta René Doyon, coautor do artigo, que também é o investigador principal do NIRISS, o instrumento da Agência Espacial Canadiana a bordo do JWST.

"K2-18b é agora um dos melhores alvos para estudo atmosférico, vai estar perto do topo da lista."

Foi ao olhar através dos dados de K2-18b que Cloutier notou algo invulgar. Além de um sinal que ocorria a cada 39 dias a partir da rotação de K2-18, e um que ocorre a cada 33 dias da órbita de K2-18b, ele notou um sinal diferente que ocorria a cada nove dias.

Ryan Coultier é um estudante de doutoramento do Centro Scarborough para Ciência Planetária do Departamento de Astronomia e Astrofísica da Universidade de Toronto.
Crédito: Ken Jones
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Debruçámo-nos sobre os dados para tentar descobrir o que era. Temos que garantir que o sinal não é apenas ruído e precisamos de fazer uma análise meticulosa para o verificar, mas a observação desse sinal inicial era uma boa indicação de que havia aqui outro planeta," explica Cloutier.

Cloutier colaborou com uma equipa internacional de investigadores do Observatório Astronómico da Universidade de Genebra, do iREx, da Universidade de Grenoble, da Universidade de Toronto e da Universidade do Porto.

Apesar do recém-descoberto planeta K2-18c estar mais perto da sua estrela, e de provavelmente ser demasiado quente para estar na zona habitável, tal como K2-18b, também parece ser uma super-Terra, o que significa que tem uma massa semelhante à do nosso planeta. Cloutier, que tinha estabelecido o objetivo de descobrir um novo exoplaneta durante o seu doutoramento, considera-se muito sortudo por tê-lo descoberto neste conjunto de dados.

"Não foi um momento 'eureka' porque ainda precisávamos passar por uma lista de verificação. Assim que foi tudo verificado é que me apercebi, uau, era realmente um planeta."

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade de Toronto (comunicado de imprensa)
Universidade de Montreal (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
SPACE.com
PHYSORG
Seeker

K2-18b:
Wikipedia

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

Anãs vermelhas:
Wikipedia

Observatório La Silla:
ESO
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Poeira Estelar em Carneiro
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Rogelio Bernal Andreo (Deep Sky Colors)
 
Esta composição de poeira estelar cobre mais de 8 graus no céu do hemisfério norte. O campo de visão em mosaico está para oeste do famoso enxame estelar das Plêiades, na direção da constelação zodiacal de Carneiro e do plano da nossa Galáxia, a Via Láctea. Para a direita na paisagem celeste está a azulada Epsilon Arietis, uma estrela visível a olho nu e a cerca de 330 anos-luz de distância. Refletindo a luz estelar na região, as nebulosas empoeiradas LBN762, LBN753 e LBN743 prolongam-se da esquerda para a direita no campo, mas estão provavelmente a mais ou menos 1000 anos-luz de distância. A esta distância estimada, a tela cósmica ultrapassa os 140 anos-luz de comprimento. Perto do limite de uma grande nuvem molecular, os seus interiores escuros podem esconder estrelas recém-formadas e jovens objetos estelares ou protoestrelas dos telescópios óticos curiosos. Colapsando devido à própria gravidade, as protoestrelas formam-se em redor de núcleos densos embebidos na nuvem molecular.
 

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