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Edição n.º 1439
22/12 a 25/12/2017
 
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29/12/17 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS + PALESTRA
19:30 - Este evento inclui uma apresentação sobre um tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio no nosso maravilhoso terraço (dependente de meteorologia favorável).
Local: CCVAlg
Preço: 2€
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 22/12: 356.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1891, o asteroide 323 Brucia torna-se no primeiro asteroide descoberto usando astrofotografia.
Em 2015, a SpaceX aterra o primeiro estágio de um foguetão Falcon 9 no solo, depois de alcançar baixa órbita terrestre às 01:40 UTC pela primeira vez na história.

Observações: Esta é a altura do ano em que Orionte brilha a este-sudeste depois da hora de jantar. A constelação está agora bem alta, mas a sua Cintura de três estrelas está ainda quase na vertical. A Cintura aponta para cima em direção a Aldebarã e, ainda mais alto, para as Plêiades. Na outra direção, aponta para baixo até onde Sirius nasce, piscando furiosamente.

Dia 23/12: 357.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1672, Giovanni Cassini descobre a lua de SaturnoReia

Observações: Sirius, a estrela mais brilhante de Cão Maior, brilha baixa a este-sudeste depois da hora de jantar. Procyon, a estrela mais brilhante de Cão Menor, brilha a este a apenas dois punhos à distância do braço esticado para a esquerda de Sirius. Para nós que vivemos para norte da latitude 30º N, Procyon está um pouco mais alta. À latitude 30º N, estariam mais ou menos à mesma altura. Para sul da latitude 30º N, Sirius está mais alta que Procyon.

Dia 24/12: 358.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1761 nascia Jean-Louis Pons, astrónomo francês, o maior descobridor visual de cometas: entre 1801 e 1827, descobriu 37 cometas, mais do que qualquer pessoa na História.
Em 1818, nascia James Prescott Joule, físico inglês que estudou a natureza do calor e descobriu a sua relação com a mecânica. Isto levou à lei da conservação da energia, o que por sua vez levou ao desenvolvimento da primeira lei da termodinâmica. A unidade SI da energia, joule, tem o seu nome.
Em 1968, os astronautas da Apollo 8 tornam-se nos primeiros humanos a entrar em órbita da Lua.

Completam 10 órbitas lunares e enviam imagens televisivas que se tornam na famosa transmissão de Véspera de Natal, um dos programas mais vistos na História.
Em 1979, lançamento do primeiro foguetão europeu Ariane.
Observações: Com a chegada do Inverno, o Grande Quadrado de Pégaso está novamente apoiado sob um canto após a hora de jantar, agora descendo para o lado ocidental do céu. A linha principal de estrelas de Andrómeda prolonga-se desde o seu canto de topo.

Dia 25/12: 359.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1642, nascia Isaac Newton (de acordo com o calendário juliano), físico e matemático inglês, largamente considerado um dos cientistas mais influentes de todos os tempos e uma figura-chave da revolução científica.

O seu livro "Philosophiæ Naturalis Principia Mathematica", publicado pela primeira vez em 1687, estabelece as fundações da mecânica clássica.
Em 1968, a Apollo 8 faz a primeira manobra TEI (Trans Earth Injection), enviando a tripulação e a nave de volta à Terra desde órbita lunar.
Em 2003, a infeliz Beagle 2, libertada da sonda Mars Express no dia 19 de dezembro, desaparece pouco antes da sua prevista aterragem. No dia 16 de janeiro de 2015, mais de onze anos depois do seu desaparecimento, a sonda MRO localiza-a no solo marciano. 
Em 2004, a Cassini liberta a sonda Huygens, que aterra em Titã a 14 de janeiro do ano seguinte.
Observações: Feliz dia do Sol Invicto! Esta data era celebrada no final da época dos Romanos porque era quando o Sol começava a recuperar do seu longo declínio com a promessa, no frio e na escuridão, da vinda de uma nova primavera e verão.
Ao anoitecer, a estrela brilhante bem para baixo da Lua (e um pouco para a esquerda) a oeste-sudoeste é Fomalhaut, que pertence à constelação de Peixe Austral.

 
CURIOSIDADES


O enxame aberto de estrelas M44 é conhecido por Presépio, pois as estrelas parecem formar duas figuras altas em torno de um nicho de estrelas mais baixo.

 
 
OBSERVAÇÕES RÁDIO APONTAM PARA EXPLICAÇÃO PROVÁVEL DE FENÓMENOS DE FUSÃO DE ESTRELAS DE NEUTRÕES
Cenários diferentes para o rescaldo da colisão entre duas estrelas de neutrões. À esquerda, um jato de material que se move quase à velocidade da luz é impulsionado a partir do local da colisão para uma esfera de material inicialmente expelido pela explosão resultante. Se visto a partir de um ângulo desviado do centro do jato, a emissão a longo-prazo de raios-X e de ondas rádio teria ficado mais fraca. À direita, o jato não consegue furar a concha de detritos da explosão, e ao invés "varre" material para um grande "casulo", que absorve a energia do jato e emite raios-X e ondas rádio num maior ângulo. Neste caso, a emissão ainda está a crescer em intensidade, tal como observado tanto com radiotelescópios como com telescópios de raios-X.
Crédito: NRAO/AUI/NSF; D. Berry
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Três meses de observações com o VLA (Karl G. Jansky Very Large Array) do NSF (National Science Foundation) permitiram aos astrónomos determinar a explicação mais provável para o que aconteceu após a violenta colisão de um par de estrelas de neutrões numa galáxia a 130 milhões de anos-luz da Terra. O que eles aprenderam significa que os astrónomos vão poder observar e estudar muitas mais colisões do género.

No dia 17 de agosto de 2017, os observatórios de ondas gravitacionais LIGO e VIRGO juntaram forças para localizar as fracas ondulações no espaço-tempo provocadas pela fusão de duas estrelas de neutrões superdensas. Foi a primeira deteção confirmada de uma fusão do género e apenas a quinta deteção direta de ondas gravitacionais, previstas há mais de um século por Albert Einstein.

As ondas gravitacionais foram seguidas por explosões de raios gama, raios-X e luz visível do evento. O VLA detetou as primeiras ondas de rádio provenientes do evento no dia 2 de setembro. Esta foi a primeira vez que um objeto astronómico foi detetado tanto em ondas gravitacionais como em ondas eletromagnéticas.

O "timing" e a força da radiação eletromagnética, em diferentes comprimentos de onda, forneceu os cientistas com pistas acerca da natureza dos fenómenos criados pela colisão inicial das estrelas de neutrões. Antes do evento de agosto, os teóricos propuseram várias ideias - modelos teóricos - sobre estes fenómenos. Como a primeira colisão a ser identificada positivamente, o evento de agosto proporcionou a primeira oportunidade para comparar previsões dos modelos com observações reais.

Usando o VLA, o ATCA (Australia Telescope Compact Array) e o GMRT (Giant Metrewave Radio Telescope) na Índia, os astrónomos observaram regularmente o objeto a partir de setembro em diante. Os radiotelescópios mostraram a emissão de rádio a ganhar força. Com base nisto, os astrónomos identificaram o cenário mais provável para as consequências da fusão.

"O brilho gradual do sinal de rádio indica que estamos a ver um fluxo exterior de material de grande angular, viajando a velocidades comparáveis à da luz, da fusão das estrelas de neutrões," afirma Kunal Mooley, agora no NRAO (National Radio Astronomy Observatory).

As medições observadas estão a ajudar os astrónomos a descobrir a sequência de eventos desencadeada pela colisão das estrelas de neutrões.

A fusão inicial dos dois objetos superdensos provocou uma explosão, chamada quilonova, que impulsionou para fora uma concha esférica de detritos. As estrelas de neutrões colapsaram num remanescente, possivelmente um buraco negro, cuja poderosa gravidade começou a puxar o material na sua direção. Esse material formou um disco com rápida rotação que produziu um par de jatos estreitos e velozes expelidos a partir dos polos.

Se um dos jatos estivesse apontado na direção da Terra, teríamos visto uma explosão de raios-gama de curta duração, como muitas já foram observadas antes, disseram os cientistas.

"Claramente não foi este o caso," comenta Mooley.

Algumas das primeiras medições do evento de agosto sugeriram, em vez disso, que um dos jatos podia estar ligeiramente desviado da direção da Terra. Este modelo explicaria o facto de que as emissões rádio e de raios-X foram vistas apenas pouco tempo depois da colisão.

"Esse modelo simples - de um jato sem estrutura (chamado jato 'cartola') visto ligeiramente desviado do eixo - teria mostrado uma emissão cada vez mais fraca de ondas rádio e raios-X. Tendo em conta que vimos a emissão rádio ficar mais forte, percebemos que a explicação exigiria um modelo diferente," explica Alessandra Corsi, da Universidade Texas Tech.

Os astrónomos debruçaram-se num modelo publicado em outubro por Mansi Kasliwal do Caltech, e colegas, e desenvolvido posteriormente por Ore Gottlieb, da Universidade de Tel Aviv, e colegas. Nesse modelo, o jato não percorre o caminho para fora da esfera dos detritos da explosão. Ao invés, reúne material circundante enquanto se dirige para fora, produzindo um "casulo" amplo que absorve a energia do jato.

Os astrónomos favoreceram esse cenário com base na informação que recolheram graças aos radiotelescópios. Logo após as observações iniciais do local da fusão, a viagem anual da Terra em redor do Sol colocou o objeto demasiado perto da nossa estrela, no céu, para que os telescópios de raios-X e óticos o pudessem observar. Durante semanas, os radiotelescópios foram a única maneira de continuar a recolha de dados do evento.

"Se as ondas rádio e os raios-X provêm ambos de um casulo em expansão, percebemos que as nossas medições rádio significavam que, quando o Observatório de Raios-X Chandra da NASA pudesse observar mais uma vez, encontraria que os raios-X, tal como as ondas de rádio, tinham aumentado de força," realça Corsi.

Mooley e colegas publicaram um artigo com as suas medições no rádio, o seu cenário preferido para o evento e esta previsão online no dia 30 de novembro. O Chandra observou novamente o objeto nos dias 2 e 6 de dezembro.

"No dia 7 de dezembro, foram divulgados os resultados do Chandra, e a emissão de raio-X tinha ficado mais forte, exatamente como havíamos previsto," afirma Gregg Hallinan, do Caltech.

"A concordância entre os dados no rádio e os dados de raios-X sugere que os raios-X são provenientes do mesmo fluxo exterior que produz as ondas de rádio," explica Mooley.

"Foi muito emocionante ver as nossas previsões confirmadas," realça Hallinan. Acrescenta: "Uma implicação importante para o modelo de casulo é que devemos poder ver muitas mais destas colisões através da deteção das suas ondas eletromagnéticas, não apenas das suas ondas gravitacionais."

Mooley, Hallinan, Corsi e colegas divulgaram os seus achados num artigo publicado na revista Nature.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
17/10/2017 - Telescópios do ESO observam primeira luz de uma fonte de ondas gravitacionais

Notícias relacionadas:
NRAO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Nature
EurekAlert!
SPACE.com
COSMOS
PHYSORG

GW170817:
Wikipedia

Ondas gravitacionais:
Wikipedia
Deteção do LIGO - Wikipedia
Ondas gravitacionais: como distorcem o espaço - Universe Today
Detetores: como funcionam - Universe Today
As fontes de ondas gravitacionais - Universe Today
O que é uma onda gravitacional (YouTube)

Estrelas de neutrões:
Wikipedia
Universidade de Maryland

Quilonova:
Wikipedia

VLA:
Página oficial
NRAO
Wikipedia

LIGO:
Página oficial
Caltech
Advanced LIGO
Wikipedia

Virgo:
EGO
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Observatório Chandra:
Página oficial (Harvard)
Página oficial (NASA)
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ATCA:
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GMRT:
Página principal
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BOLHAS GIGANTES NA SUPERFÍCIE DE ESTRELA GIGANTE VERMELHA
Com o auxílio do VLT do ESO, os astrónomos observaram diretamente padrões de granulação na superfície de uma estrela exterior ao Sistema Solar — a gigante vermelha π1 Gruis. Esta nova imagem obtida com o instrumento PIONIER revela as células convectivas que constituem a superfície desta enorme estrela. Cada célula cobre mais de um-quarto do diâmetro da estrela e tem cerca de 120 milhões de km de comprimento.
Crédito: ESO
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Com o auxílio do VLT (Very Large Telescope) do ESO, os astrónomos observaram diretamente pela primeira vez padrões de granulação na superfície de uma estrela exterior ao Sistema Solar — a gigante vermelha π1 Gruis. Esta nova imagem obtida com o instrumento PIONIER revela as células convectivas que constituem a superfície desta enorme estrela — com um diâmetro 350 vezes maior que o do Sol. Cada célula cobre mais de um-quarto do diâmetro da estrela e tem cerca de 120 milhões de km de comprimento. Estes novos resultados foram publicados esta semana na revista Nature.

Situada a 530 anos-luz de distância da Terra na constelação do Grou, π1 Gruis é uma estrela gigante vermelha fria. Possui cerca da mesma massa do Sol, mas é 350 vezes maior e vários milhares de vezes mais brilhante. O nosso Sol irá também aumentar de tamanho, tornando-se uma gigante vermelha semelhante a esta, daqui a cerca de 5 mil milhões de anos.

Uma equipa internacional de astrónomos liderada por Claudia Paladini (ESO) usou o instrumento PIONIER montado no VLT do ESO para observar π1 Gruis com o maior detalhe conseguido até à data. A equipa descobriu que a superfície desta gigante vermelha tem apenas algumas células convectivas, ou grânulos, cada um com cerca de 120 milhões de km de dimensão — cerca de um-quarto do diâmetro da estrela. Em termos de comparação, um destes grânulos estender-se-ia desde o Sol até para além da órbita de Vénus. As superfícies — chamadas fotosferas — de muitas estrelas gigantes encontram-se obscurecidas por poeira, o que dificulta as observações. No entanto, no caso de π1 Gruis, e apesar de haver poeira longe da estrela, este efeito não é significativo nas novas observações infravermelhas.

Esta imagem colorida mostra o céu em torno das estrelas π1 Gruis (no centro à direita, muito vermelha) e π2 Gruis (no centro à esquerda, branca azulada). Logo à direita do centro encontra-se a galáxia em espiral IC 5201 e podem também ver-se em todo o campo muitas outras galáxias mais ténues. Esta imagem de grande angular foi criada a partir de dados do Digitized Sky Survey 2.
Crédito: ESO/Digitized Sky Survey 2. Reconhecimento: Davide De Martin
(clique na imagem para ver versão maior

 

Quando π1 Gruis gastou todo o hidrogénio que tinha para queimar, há muito tempo atrás, esta estrela anciã terminou a primeira fase da sua fusão nuclear. A estrela diminuiu de tamanho quando ficou sem energia, o que fez com que aquecesse a uma temperatura de mais de 100 milhões de graus. Estas temperaturas extremas deram origem à próxima fase da estrela, que começou então a queimar hélio, transformando-o em átomos mais pesados como o carbono e o oxigénio. O núcleo intensamente quente expeliu as camadas mais exteriores da estrela, fazendo com que esta aumentasse o seu tamanho em centenas de vezes relativamente ao tamanho original. A estrela que vemos hoje é uma gigante vermelha variável. Até agora, a superfície de uma destas estrelas nunca tinha sido observada com tanto detalhe.

Em termos de comparação, a fotosfera do Sol contém cerca de 2 milhões de células convectivas, com diâmetros típicos de apenas 2000 km. A enorme diferença nas células convectivas destas duas estrelas pode ser explicada em parte pelas suas gravidades de superfície variáveis. π1 Gruis tem apenas 1,5 vezes a massa do Sol mas é muito maior, o que resulta numa gravidade de superfície muito menor e em apenas alguns grânulos extremamente grandes.

Enquanto estrelas com massas maiores que 8 massas solares terminam as suas vidas em explosões de supernova, as estrelas com menos massa, como esta, expelem gradualmente as suas camadas exteriores, dando origem a bonitas nebulosas planetárias. Estudos anteriores de π1 Gruis tinham revelado uma concha de material a 0,9 anos-luz de distância da estrela central, que se pensa ter sido ejetada há cerca de 20.000 anos. Este período relativamente curto da vida de uma estrela dura apenas algumas dezenas de milhares de anos — comparado com a vida total de cerca de vários milhares de milhões — e por isso estas observações mostram um novo método para investigar esta fase fugidia das gigantes vermelhas.

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (PDF)
Nature
EarthSky
ScienceDaily
PHYSORG

π1 Gruis:
Wikipedia

Gigante vermelha:
Wikipedia
Diagrama Hertzsprung-Russell (Wikipedia)

VLT:
Página oficial
Wikipedia

ESO:
Página oficial
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PODEM EXISTIR PLANETAS HABITÁVEIS EM TORNO DE PULSARES
Impressão de artista de um planeta habitável em torno de um pulsar (direita).
Crédito: Amanda Smith, Universidade de Cambridge
 

É teoricamente possível a existência de planetas habitáveis em torno de pulsares - estrelas de neutrões giratórias que emitem pulsos de radiação curtos e rápidos. De acordo com uma nova investigação, tais planetas devem ter uma atmosfera enorme que converte os mortíferos raios-X e partículas altamente energéticas do pulsar em calor. Os resultados, por astrónomos da Universidade de Cambridge e da Universidade de Leiden, foram publicados na revista Astronomy & Astrophysics.

Os pulsares são conhecidos pelas suas condições extremas. São estrelas de neutrões de rápida rotação - o núcleo colapsado de uma estrela massiva que se tornou supernova no final da sua vida. Com apenas 10 a 30 km de diâmetro, os pulsares possuem enormes campos magnéticos, acretam matéria e produzem regularmente grandes rajadas de raios-X e partículas altamente energéticas.

Surpreendentemente, apesar deste ambiente hostil, sabemos que as estrelas de neutrões hospedam planetas em seu redor. Os primeiros exoplanetas que os astrónomos descobriram orbitam o pulsar PSR B1257+12 - mas se estes planetas estavam originalmente em órbita da massiva estrela percursora e sobreviveram à explosão de supernova, ou se se formaram mais tarde, permanece uma questão em aberto. Tais planetas recebem pouca luz visível, mas são continuamente "atacados" por radiação energética e ventos estelares. Podem esses planetas abrigar vida?

Pela primeira vez, os astrónomos tentaram calcular as zonas "habitáveis" perto das estrelas de neutrões - a gama de órbitas em torno de uma estrela onde uma superfície planetária poderia, possivelmente, suportar água na forma líquida. Os seus cálculos mostram que a zona habitável em torno de uma estrela de neutrões pode ser tão grande quanto a distância da Terra ao Sol. Uma premissa importante é que o planeta tem que ser uma super-Terra, com 1 a 10 vezes a massa da Terra. Um planeta mais pequeno perderia a sua atmosfera em apenas alguns milhares de anos devido ao ataque constante dos ventos do pulsar. Para sobreviver a este bombardeamento, a atmosfera do planeta tem que ser um milhão de vezes mais espessa do que a do nosso planeta - as condições à superfície de um planeta que orbita um pulsar assemelham-se às condições do fundo do oceano da Terra.

Os astrónomos examinaram o pulsar PSR B1257+12 a cerca de 2300 anos-luz de distância como estudo de caso, usando o telescópio espacial de raios-X Chandra. Dos três planetas em órbita do pulsar, dois são super-Terras com uma massa de quatro a cinco vezes a massa da Terra e orbitam suficientemente perto do pulsar para se aquecerem. De acordo com o coautor Alessandro Patruno da Universidade de Leiden: "a temperatura dos planetas pode ser adequada à presença de água líquida à superfície. No entanto, ainda não sabemos se as duas super-Terras têm uma ideal atmosfera extremamente densa."

No futuro, Patruno e o seu coautor Mihkel Kama do Instituto de Astronomia de Cambridge gostariam de observar o pulsar em mais detalhe e compará-lo com outros pulsares. O Telescópio ALMA do ESO seria capaz de mostrar discos de poeira em torno de estrelas de neutrões, bons indícios de planetas. A Via Láctea contém cerca de mil milhões de estrelas de neutrões, das quais aproximadamente 200.000 são pulsares. Até agora, já foram estudados 3000 pulsares e só se encontraram planetas em cinco.

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade de Cambridge (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Astronomy
PHYSORG
AstroPT

PSR B1257+12:
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Pulsares:
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Catálogo ATNF de Pulsares

Estrelas de neutrões:
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Universidade de Maryland

Observatório Chandra:
Página oficial (Harvard)
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ALMA:
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ALMA (NRAO)
ALMA (NAOJ)
ALMA (ESO)
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  Marte: não tão seco quanto parece (via Universidade de Oxford)
Quando procuram vida, os cientistas olham primeiro para um elemento fundamental que a sustém: água fresca. Investigações anteriores sugeriram que a maioria da água do passado de Marte foi perdida para o espaço, mas cientistas de Oxford propõem que a superfície marciana reagiu com a água e absorveu-a, aumentando a oxidação das rochas no processo, tornando o planeta inabitável. Ler fonte
     
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - A Magnífica Nebulosa Cabeça de Cavalo
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Marco Burali, Tiziano Capecchi, Marco Mancini (Osservatorio MTM)
 
Esculpida por ventos estelares e radiação, uma magnífica nuvem de poeira interestelar por acaso assumiu esta forma reconhecível. Concretamente chamada de Nebulosa Cabeça de Cavalo, fica a cerca de 1500 anos-luz de distância, embebida no vasto complexo de nuvens de Orionte. Com aproximadamente 5 anos-luz de "altura", a nuvem escura está catalogada como Barnard 33 e é visível apenas porque a sua poeira obscurecida é vista em silhueta contra a brilhante e avermelhada nebulosa de emissão IC 434. Estão a formar-se estrelas na nuvem escura. A contrastante e azulada nebulosa de reflexão NGC 2023 rodeia uma estrela jovem e quente na parte inferior esquerda. Esta esplêndida imagem a cores combina tanto dados obtidos em banda estreita como em banda larga, usando três telescópios diferentes.
 

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