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Edição n.º 1444
09/01 a 11/01/2018
 
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EFEMÉRIDES

Dia 09/01: 9.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1839, a Academia Francesa de Ciências anuncia o processo de fotografia por daguerreótipo. No mesmo dia, o astrónomo escocês Thomas Henderson é o primeiro a medir a distância até uma estrela (Alpha Centauri) que não o Sol usando paralaxe.

Em 1986, Stephen Synott (em imagens obtidas pela Voyager 2) descobre Cressida, uma lua de Úrano.
Em 1990, lançamento da missão STS-32 do vaivém Columbia.
Observações: Vénus em conjunção superior, pelas 06:32.
Conjunção de Plutão com o Sol, pelas 09:22.
À hora de jantar, o enorme complexo de Andrómeda-Pégaso vai desde o zénite até ao horizonte a oeste.
Para oeste do zénite, aviste o pé de Andrómeda: Gamma Andromedae (Almach), ligeiramente alaranjada e de segunda magnitude. A cerca de metade do caminho do zénite até ao horizonte a oeste, está o Grande Quadrado de Pégaso, apoiado num canto. Do seu canto inferior correm as estrelas que traçam o pescoço e a cabeça de Pégaso, terminando no seu nariz: Enif a oeste, também de segunda magnitude e um pouco alaranjada.

Dia 10/01: 10.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1936 nascia Robert Woodrow Wilson, astrónomo americano laureado com o prémio Nobel da Física em 1978. Juntamente com Arno Allan Penzias, descobriu em 1964 a radiação cósmica de fundo em microondas.
Em 1962, a NASA anuncia planos para construir o veículo de lançamento C-5.

Ficou mais conhecido pelo nome Saturno V, lançado em cada uma das missões Apollo. 
Em 1969, lançamento da Venera 6 (USSR). Alcançou Vénus a 17 de maio de 1969. Enviou dados até 11 km da superfície, antes de ser despedaçada pela pressão do planeta.
Observações: Depois da hora de jantar, nesta que costuma ser a época mais fria do ano (em média, para muitos locais), a pequena Ursa Menor apoia-se para baixo da Estrela Polar, o fim da sua longa "pega" - como se tivesse um prego para a fixar na parede norte e fria do céu. No quente mês de junho, em contraste, a "frigideira" da Ursa Menor flutua acima da Estrela Polar, como um balão de hélio que escapou de uma festa de verão, preso ao seu fio.

Dia 11/01: 11.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1787, William Herschel
 descobre Oberon e Titânia, os maiores satélites de Úrano.

Em 1996, missão STS-72 do vaivém Endeavour, no seu 10.º voo.
Observações: Antes do amanhecer, aviste a Lua a sudeste, com Júpiter e o mais ténue Marte para baixo e para a direita.

 
CURIOSIDADES


"Ponto Nemo" (ou Ponto Oceânico de Inacessibilidade) é o ponto do planeta que está mais afastado da civilização humana. Está localizado no Oceano Pacífico Sul (água). A área também é conhecida como "cemitério de naves espaciais" porque fragmentos de centenas de satélites desmantelados, estações espaciais e outras naves (aqueles detritos que conseguem sobreviver à reentrada) foram depositados nesta região com o intuito diminuir o risco de atingir locais habitados. Uma vez que fica a 2688 km de terra firme, os humanos mais próximos são regularmente astronautas (a ISS orbita a Terra a 416 km).

 
ONDAS GRAVITACIONAIS MEDEM O UNIVERSO
NGC4993, a galáxia que hospeda o evento de onda gravitacional GW170817 que foi usado para medir a idade do Universo. A fonte deste evento é o ponto avermelhado para cima e para a esquerda do centro da galáxia; não estava aí em imagens anteriores.
Crédito: NASA e ESA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A deteção direta de ondas gravitacionais em pelo menos cinco fontes nos últimos dois anos fornece uma confirmação espetacular do modelo de gravidade e espaço-tempo de Einstein. A modelagem destes eventos também forneceu informações sobre a formação de estrelas massivas, explosões de raios-gama, características das estrelas de neutrões e (pela primeira vez) a verificação de ideias teóricas sobre como os elementos muito pesados, como o ouro, são produzidos.

Os astrónomos usaram agora um único evento de onda gravitacional (GW170817) para medir a idade do Universo. Uma equipa composta por 1314 cientistas de todo o mundo contribuiu para a deteção de ondas gravitacionais oriundas da fusão de um par de estrelas de neutrões, seguida pela deteção de raios-gama e depois pela identificação da origem do cataclismo numa fonte localizada na galáxia NGC4993 avistada em imagens obtidas com vários atrasos de tempo e em comprimentos de onda que vão desde os raios-X até ao rádio.

A análise das ondas gravitacionais deste evento infere a sua força intrínseca. A força observada é menor, o que implica (porque a força diminui com a distância à fonte) que a fonte está a aproximadamente 140 milhões de anos-luz de distância. NGC4993, a sua galáxia hospedeira, tem uma velocidade externa devido à expansão do Universo que pode ser medida a partir das linhas do espectro. A determinação da distância da galáxia e da velocidade com que se afasta de nós permite que os cientistas calculem o tempo desde que a expansão começou - a idade do Universo: entre aproximadamente 11,9 e 15,7 mil milhões de anos, tendo em conta as incertezas experimentais.

A idade derivada deste único evento é consistente com as estimativas de décadas de observações que se baseiam em métodos estatísticos usando outras duas fontes: a radiação cósmica de fundo em micro-ondas e os movimentos das galáxias. A primeira baseia-se no mapeamento da distribuição muito fraca de luz que remonta a uma época mais ou menos 400 mil anos após o Big Bang; a segunda envolve uma análise estatística das distâncias e movimentos de dezenas de milhares de galáxias em épocas relativamente recentes. O facto de que este único evento de onda gravitacional foi capaz de determinar a idade do Universo, é incrível, e não é possível para cada deteção de ondas gravitacionais. Neste caso, houve a identificação ótica da fonte (de modo que uma velocidade pôde ser medida) e a fonte nem estava muito longe nem era muito ténue. Com uma grande amostra estatística de eventos de ondas gravitacionais de todos os tipos, o intervalo atual de valores para a idade vai ficar mais pequeno.

O novo resultado é intrigante por outro motivo. Embora tanto a radiação cósmica de fundo em micro-ondas e as medições das galáxias sejam bastante precisas, parecem discordar uma da outra em mais ou menos 10%. Esta divergência pode ser apenas um erro observacional, mas alguns astrónomos suspeitam que pode ser uma diferença real, refletindo algo que falta atualmente na nossa imagem do processo de expansão cósmica, talvez relacionada com o facto da radiação cósmica de fundo remontar a uma época radicalmente diferente do tempo cósmico do que os dados das galáxias. Este terceiro método, os eventos de ondas gravitacionais, podem ajudar a resolver o enigma.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
22/12/2017 - Observações rádio apontam para explicação provável de fenómenos de fusão de estrelas de neutrões
17/11/2017 - LIGO e VIRGO detetam mais outra fusão de buracos negros
17/10/2017 - Telescópios do ESO observam primeira luz de uma fonte de ondas gravitacionais
29/09/2017 - Ondas gravitacionais da fusão de um buraco negro binário observadas pelo LIGO e pelo VIRGO
02/06/2017 - LIGO deteta ondas gravitacionais pela terceira vez
07/03/2017 - Um novo olhar sobre a natureza da matéria escura
17/06/2016 - LIGO deteta ondas gravitacionais pela segunda vez
26/02/2016 - Buracos negros gémeos do LIGO podem ter nascido de uma única estrela
12/02/2016 - Detetadas ondas gravitacionais 100 anos após a previsão de Einstein

Notícias relacionadas:
Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Nature
PHYSORG

GW170817:
Wikipedia

Estrelas de neutrões:
Wikipedia
Universidade de Maryland

NGC 4993:
SIMBAD
DSO Browser
Wikipedia

Ondas gravitacionais:
Wikipedia
Astronomia de ondas gravitacionais - Wikipedia
Ondas gravitacionais: como distorcem o espaço - Universe Today
Detetores: como funcionam - Universe Today
As fontes de ondas gravitacionais - Universe Today
O que é uma onda gravitacional (YouTube)

 
"PESAGEM" DE ESTRELAS MASSIVAS EM GALÁXIA VIZINHA REVELA EXCESSO DE "PESOS-PESADOS"

Uma equipa internacional de astrónomos revelou uma superabundância "surpreendente" de estrelas massivas numa galáxia vizinha.

A descoberta, feita na gigantesca região de formação estelar 30 Doradus na Grande Nuvem de Magalhães, tem consequências importantes para a nossa compreensão de como as estrelas transformaram o Universo pristino no Universo em que vivemos hoje.

Os resultados foram publicados na revista Science.

O autor principal Fabian Schneider, investigador no Departamento de Física da Universidade de Oxford, afirma: "Ficámos surpreendidos quando percebemos que 30 Doradus formou muitas mais estrelas massivas do que o esperado."

A Nebulosa da Tarântula (ou 30 Doradus), na primeira imagem obtida pelo TRAPPIST no Observatório La Silla.
Crédito: TRAPPIST/E. Jehin/ESO
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Como parte do levantamento VFTS (VLT-FLAMES Tarantula Survey), a equipa usou o VLT (Very Large Telescope) do ESO para observar quase 1000 estrelas gigantes em 30 Doradus, um enorme berçário estelar também conhecido como Nebulosa da Tarântula. A equipa usou análises detalhadas de aproximadamente 250 estrelas com massas entre 15 e 200 vezes a massa do nosso Sol para determinar a distribuição de estrelas massivas nascidas em 30 Doradus - a chamada função de massa inicial (initial mass function ou IMF, em inglês).

As estrelas massivas são particularmente importantes para os astrónomos devido à sua enorme influência nos arredores (conhecida como "feedback"). Podem explodir como espetaculares supernovas no final das suas vidas, formando alguns dos objetos mais exóticos do Universo - estrelas de neutrões e buracos negros.

O coautor Hugues Sana da Universidade de Leuven, na Bélgica, acrescenta: "Nós fomos não só surpreendidos pelo grande número de estrelas massivas, mas também pela sua IMF que é densamente amostrada até às 200 massas solares." Até recentemente, a existência de estrelas até 200 massas solares era altamente disputada e o estudo mostra que parece provável uma massa máxima de nascimento estelar de 200-300 sóis.

Na maior parte dos locais do Universo estudados pelos astrónomos até à data, as estrelas tornam-se mais raras quanto mais massivas são. A IMF prevê que a maioria da massa estelar se encontre em estrelas de baixa massa e que menos de 1% de todas as estrelas nascem com massas superiores a 10 vezes a do Sol. A medição da proporção de estrelas massivas é extremamente complexa - principalmente devido à sua escassez - e há apenas um punhado de locais no Universo onde isto pode ser feito.

A equipa voltou-se para 30 Doradus, a maior região local de formação estelar, que hospeda algumas das estrelas mais massivas já encontradas, e determinou as massas estelares com ferramentas observacionais, teóricas e estatísticas únicas. Esta grande amostra permitiu que os cientistas obtivessem o segmento mais preciso de massa elevada da IMF até à data, e mostrar que as estrelas massivas são muito mais abundantes do que se pensava. Chris Evans do Centro de Astronomia e Tecnologia do Reino Unido, investigador principal do VFTS e coautor do estudo, acrescenta: "De facto, os nossos resultados sugerem que a maioria da massa estelar, na realidade, já não está em estrelas de baixa massa, mas que uma fração significativa está em estrelas de massa elevada."

As estrelas são motores cósmicos e produziram a maioria dos elementos químicos mais pesados do que o hélio, desde o oxigénio que respiramos todos os dias até ao ferro no nosso sangue. Durante as suas vidas, as estrelas gigantes produzem grandes quantidades de radiação ionizante e energia cinética através de fortes ventos estelares. A radiação ionizante das estrelas massivas foi crucial para a reiluminação do Universo após a chamada Idade das Trevas, e o seu feedback mecânico impulsiona a evolução das galáxias. Philipp Podsiadlowski, coautor do estudo e da Universidade de Oxford, explica: "Para entender quantitativamente todos estes mecanismos de feedback e, portanto, o papel das estrelas gigantes no Universo, precisamos de saber quantos destes astros gigantes nascem."

Fabian Schneider acrescentou: "Os nossos resultados têm consequências de longo alcance para a compreensão do nosso cosmos: podem existir 70% mais supernovas, triplicando os rendimentos químicos e até quatro vezes a radiação ionizante das populações de estrelas massivas. Além disso, a taxa de formação de buracos negros pode aumentar 180%, traduzindo-se diretamente num aumento correspondente de fusões de buracos negros binários que foram recentemente detetados através dos seus sinais de ondas gravitacionais."

A investigação da equipa deixa muitas questões em aberto, que pretendem investigar no futuro: quão universais são os achados e quais são as consequências para a evolução do nosso cosmos e para a ocorrência de supernovas e eventos de ondas gravitacionais?

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade de Oxford (comunicado de imprensa)
Science
Astronomy
Sky & Telescope
SPACE.com
ScienceDaily
PHYSORG
COSMOS
Gizmodo
ars technica

Função de massa inicial (initial mass function, IMF):
Wikipedia

Formação estelar:
Wikipedia

30 Doradus (Nebulosa da Tarântula):
Wikipedia
SEDS

Grande Nuvem de Magalhães:
Wikipedia

VFTS (VLT-FLAMES Tarantula Survey):
Centro de Astronomia e Tecnologia do Reino Unido

VLT:
Página oficial
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - M1: Nebulosa do Caranguejo em Expansão
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Detlef Hartmann
 
A Nebulosa do Caranguejo está catalogada como M1, o primeiro da famosa lista de objetos que não são cometas criada por Charles Messier. De facto, sabe-se que M1 é o remanescente de uma supernova, uma nuvem de detritos em expansão resultante da explosão de uma estrela massiva. O nascimento violento do Caranguejo foi testemunhado por astrónomos no ano 1054. Hoje com mais ou menos 10 anos-luz de diâmetro, a nebulosa está ainda a crescer a um ritmo superior a 1000 km/s. Ao longo da última década, a sua expansão foi documentada neste deslumbrante filme. Todos os anos entre 2008 e 2017, foi produzida uma imagem com o mesmo telescópio e câmara a partir de um observatório remoto na Áustria. Combinadas no vídeo, as 10 imagens representam 32 horas de integração total. As exposições processadas e nítidas até revelam a dinâmica emissão energética no interior do incrível Caranguejo em expansão. A Nebulosa do Caranguejo está situada a cerca de 6500 anos-luz de distância na direção da constelação de Touro.
 

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