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Edição n.º 1457
23/02 a 26/02/2018
 
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23/02/18 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS + PALESTRA
19:30 - Este evento inclui uma apresentação sobre um tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio no nosso maravilhoso terraço (dependente de meteorologia favorável).
Local: CCVAlg
Preço: 2€
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 23/02: 54.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1583 nascia Jean-Baptiste Morin, astrólogo e astrónomo, conhecido por opôr-se a Galileu e às suas ideias.
Em 1950, descoberta do asteroide (29075) 1950 DA. Foi observado durante 17 dias e depois diminuíu de brilho até não poder ser visto durante meio século. No fim do ano 2000 (31 de dezembro), um objeto foi reconhecido como sendo o há muito perdido 1950 DA. Observações do objeto descrevem a rocha como tendo 1,1 km de diâmetro e uma rotação de 2,1 horas, a rocha com o período de rotação mais rápido já encontrada no nosso Sistema Solar. 
Em 1987, supernova na Grande Nuvem de Magalhães visível a olho nu, resultado de uma explosão da supergigante azul Sanduleak 69.
SN1987A. Crédito: HST
Conhecida como SN1987A, foi a primeira supernova "próxima" dos últimos três séculos.
Em 1999, conjunção de Júpiter com Vénus. As conjunções não são eventos raros. Mas as conjunções planetárias são raramente tão próximas e Vénus e Júpiter são os objetos astronómicos mais brilhantes do céu, a seguir ao Sol e à Lua (objetos naturais - o terceiro objeto em geral é agora a ISS).
Observações: Lua em Quarto Crescente, pelas 08:09. Esta noite a Lua brilha para a esquerda ou para cima e para a esquerda de Aldebarã. Mais para a esquerda encontra-se a constelação de Orionte, e para o lado oposto do, aproximadamente à mesma distância, está o enxame aberto M45 (Plêiades).

Dia 24/02: 55.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1967, nascia Brian Schmidt, astrónomo e astrofísico australiano que em 2011 partilhou com Saul Perlmutter e Adam Riess o Prémio Nobel da Física por fornecer evidências da aceleração da expansão do Universo.
Em 1968 foi descoberto o primeiro pulsar, por Jocelyn Bell Burnell, numa pesquisa no rádio. Hewish e Ryle, codiretores do projeto, receberam o prémio Nobel da Física em 1974 por conjugar as observações com um modelo duma estrela de neutrões em rotação. 
Em 1969 era lançada a sonda americana Mariner 6. A 31 de julho de 1969, passou a 3330 km de Marte e enviou de volta 74 imagens.
Em 1979, lançamento do satélite Solwind P78-1.
Em 1996 foi lançada a sonda POLAR para estudar a região dos pólos da Terra, uma região ativa do geoespaço.
Em 2011, voo final do vaivém Discovery.

Observações: Trânsito da sombra de Ganimedes, entre as 05:12 e as 07:37.
A Lua brilha por cima de Orionte e forma um bonito triângulo com Betelgeuse (para baixo e para a esquerda) e com Aldebarã (para baixo e para a direita).

Dia 25/02: 56.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2007, a sonda Rosetta passa por Marte.

Observações: A Lua continua a deslocar-se para longe de Touro e de Orionte, estando agora situada na constelação de Gémeos. Pollux e Castor estão para a sua esquerda.

Dia 26/02: 57.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1880 nascia Kenneth Edgeworth, astrónomo irlandês conhecido por propôr a existência de um disco de corpos gelados para lá da órbita de Neptuno na década de 1940, como Gerard Kuiper publicaria dez anos depois.
Em 1966, lançamento do AS-201, do programa Apollo, o primeiro voo do foguetão Saturno IB.

Observações: Ao início da noite, a Lua forma uma linha curva com Castor, Pollux (para cima) e Procyon (para baixo). Se prolongarmos essa linha curva ainda mais para baixo, cheamos a Sirius.

 
CURIOSIDADES

A Astronomia é uma das poucas ciências onde os amadores dão importantes contribuições para o seu avanço.
 
ASTRÓNOMO AMADOR CAPTURA RARA PRIMEIRA LUZ DE MASSIVA EXPLOSÃO ESTELAR

Graças aos fortuitos instantâneos captados por um astrónomo amador na Argentina, cientistas obtiveram a sua primeira visão do surto inicial de luz da explosão de uma estrela massiva.

Durante testes de uma nova câmara, Víctor Buso capturou imagens de uma galáxia distante antes e depois da "rutura de choque" da supernova - quando uma onda de pressão supersónica do núcleo explosivo de uma estrela atinge e aquece o gás à superfície a uma temperatura muito alta, fazendo com que emita luz e aumente rapidamente de brilho.

Até à data, ninguém tinha conseguido capturar a "primeira luz ótica" de uma supernova normal - isto é, uma não associada com uma explosão de raios-gama ou raios-X - uma vez que as estrelas explodem aparentemente ao acaso no céu, e a luz da rutura de choque é fugaz. Os novos dados fornecem pistas importantes sobre a estrutura física da estrela logo antes do seu desaparecimento catastrófico e sobre a natureza da própria explosão.

A supernova 2016gkg (indicava com as linhas vermelhas) na galáxia NGC 613, localizada a cerca de 40 milhões de anos-luz da Terra na direção da constelação de Escultor.
Crédito: C. Kilpatrick, UC Santa Cruz e Instituto Carnegie para Ciência, Observatório Las Campanas, Chile
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Os astrónomos profissionais há muito tempo que procuram este evento," comenta o astrónomo Alex Filippenko, da Universidade da Califórnia em Berkeley, EUA, que acompanhou a descoberta com observações nos observatórios Lick e Keck, que se mostraram fundamentais para uma análise mais detalhada da explosão com o nome SN 2016gkg. "As observações de estrelas nos primeiros momentos em que começam a explodir fornecem informações que não podem ser obtidas diretamente de qualquer outra forma."

"Os dados de Buso são excecionais," acrescenta. "Este é um excelente exemplo de uma parceria entre astrónomos amadores e profissionais."

A descoberta e os resultados das observações de acompanhamento de todo o mundo foram publicados na edição de 22 de fevereiro da revista Nature.

No dia 20 de setembro de 2016, Buso, de Rosario, Argentina, testava uma nova câmara no seu telescópio de 16 polegadas, captando uma série de exposições de curta duração da galáxia espiral NGC 613, localizada a aproximadamente 80 milhões de anos-luz da Terra na direção da constelação do hemisfério sul de Escultor.

Por sorte, examinou estas imagens imediatamente e notou um fraco ponto de luz que aumentou rapidamente de brilho perto do final de um braço espiral e que não era visível no seu primeiro conjunto de imagens.

A astrónoma Melina Bersten e colegas do Instituto de Astrofísica de La Plata, na Argentina, souberam rapidamente da descoberta serendipitosa e perceberam que Buso havia capturado um evento raro, parte da primeira hora após a luz emergir da explosão de uma enorme estrela. Ela estimou que as hipóteses de uma tal descoberta, a primeira supernova de Buso, são de uma em 10 milhões, talvez até ainda menos, uma em 100 milhões.

"É como ganhar a lotaria cósmica," comenta Filippenko.

Imagens negativas de SN 2016gkg à medida que aumenta de brilho nos arredores da galáxia espiral NGC 613. O objeto aumentou gradualmente de brilho ao longo de 25 minutos, como indicado no painel em baixo e à direita.
Crédito: imagens de Víctor Buso; dados de Melina Bersten
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Estrela libertou três-quartos da sua massa antes de explodir

Bersten entrou imediatamente em contato com um grupo internacional de astrónomos para ajudar a realizar observações frequentes e adicionais de SN 2016gkg ao longo dos dois meses seguintes, revelando mais sobre o tipo de estrela que explodiu e a natureza da explosão.

Filippenko e colegas obtiveram uma série de sete espectros, onde a luz é dividida nas suas cores componentes, como um arco-íris, com o telescópio Shane de 3 metros do Observatório Lick da Universidade da Califórnia perto de San Jose, e com os telescópios gémeos de 10 metros do Observatório W. M. Keck em Maunakea, Hawaii. Isto permitiu que a equipa internacional determinasse que a explosão era uma supernova do Tipo IIb: a explosão de uma estrela massiva que já tinha perdido a maior parte do invólucro de hidrogénio, uma espécie de explosão estelar primeiramente identificada observacionalmente por Filippenko em 1987.

Combinando os dados com modelos teóricos, a equipa estimou que a massa inicial da estrela rondava as 20 vezes a massa do nosso Sol, embora tenha perdido a maior parte dela, provavelmente para uma estrela companheira, e ficado reduzida a mais ou menos 5 massas solares antes da explosão.

A equipa de Filippenko continuou a monitorizar a mudança de brilho da supernova ao longo de dois meses com outros telescópios do Observatório Lick: o Telescópio Automático de Imagem Katzman de 0,76 metros e o Telescópio Nickel de 1 metro.

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade da Califórnia em Berkeley (comunicado de imprensa)
Nature
Astronomy
Sky & Telescope
EurekAlert!
SPACE.com
Popular Science
EarthSky
COSMOS
Science alert
Popular Mechanics
Gizmodo

SN 2016gkg:
Transient Name Server

Supernova do Tipo IIb:
Wikipedia

Observatório Lick:
Página oficial
Wikipedia

Observatório W. M. Keck:
Página oficial
Wikipedia

 
ASTRÓNOMOS REVELAM SEGREDOS DA MAIS DISTANTE SUPERNOVA JÁ DETETADA

Uma equipa internacional de astrónomos confirmou a descoberta da supernova mais distante já detetada - uma enorme explosão cósmica que ocorreu há 10,5 mil milhões de anos, três-quartos da idade do próprio Universo.

A estrela explosiva, de nome DES16C2nm, foi detetada pelo Levantamento DES (Dark Energy Survey), uma colaboração internacional para mapear centenas de milhões de galáxias a fim de descobrir mais informações sobre a energia escura - a misteriosa força que se acredita estar a provocar a expansão acelerada do Universo.

Conforme detalhado num novo estudo publicado na revista The Astrophysical Journal, a luz do evento levou 10,5 mil milhões de anos para alcançar a Terra, tornando-se na supernova mais antiga já descoberta e estudada. Pensa-se que o próprio Universo tenha 13,8 mil milhões de anos.

Impressão de artista de uma supernova.
Crédito: NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Uma supernova é a explosão de uma estrela massiva no final do seu ciclo de vida. DES16C2nm está classificada como uma supernova superluminosa, a classe mais brilhante e mais rara de supernova, descoberta pela primeira vez há dez anos, que se pensa ser provocada pela queda de material no objeto mais denso do Universo - uma estrela de neutrões de rotação rápida, recém-formada na explosão de uma estrela massiva.

Bob Nichol, coautor do estudo, professor de Astrofísica e Diretor do Instituto de Cosmologia e Gravitação da Universidade de Portsmouth, Reino Unido, comentou: "Não tínhamos estas supernovas em mente quando começámos o DES há mais uma década. Estas descobertas mostram a importância da ciência empírica; às vezes só temos que olhar para cima e encontrar algo incrível."

O autor principal do estudo, o Dr. Mathew Smith, da Universidade de Southampton, disse: "É emocionante fazer parte da investigação que descobriu a mais antiga supernova conhecida. DES16C2nm é extremamente distante, extremamente brilhante e extremamente rara - não é o tipo de objeto que encontramos todos os dias como astrónomos.

Antes da explosão.
Crédito: Mat Smith e colaboração DES
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Além de ser uma descoberta muito emocionante por direito próprio, a distância extrema de DES16C2nm dá-nos uma visão única da natureza das supernovas superluminosas.

"A luz ultravioleta das supernovas superluminosas informa-nos sobre a quantidade de metal produzido na explosão e sobre a temperatura da própria explosão, que são fundamentais para compreender o que provoca e impulsiona estas explosões cósmicas."

O professor Mark Sullivan, coautor do estudo, também da Universidade de Southampton, realça: "O próximo passo é encontrar eventos mais distantes, a fim de determinar a sua variedade e o seu número."

"Agora que sabemos como encontrar estes objetos a distâncias ainda maiores, estamos ativamente à procura de mais como parte do DES."

DES16C2nm foi detetada pela primeira vez em agosto de 2016 e a sua distância e brilho extremo confirmados em outubro desse ano usando três dos telescópios mais poderosos do mundo - o VLT (Very Large Telescope) e o Magalhães no Chile, e o Observatório Keck no Hawaii.

O levantamento DES envolve mais de 400 cientistas de mais de 25 instituições de todo o mundo, um projeto de cinco anos que começou em 2013.

Depois da explosão.
Crédito: Mat Smith e colaboração DES
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A colaboração construiu e está a usar uma câmara digital extremamente sensível de 570 megapixéis, a DECam, acoplada ao telescópio Blanco de 4 metros no Observatório Inter-Americano de Cerro Tololo, no alto dos Andes Chilenos.

Ao longo de cinco anos (2013-2018), a colaboração DES está a usar 525 noites de observação para realizar um levantamento profundo e abrangente a fim de registar informação sobre 300 milhões de galáxias que estão a milhares de milhões de anos-luz da Terra.

A pesquisa está a captar imagens de 5000 graus quadrados do céu do hemisfério sul através de cinco filtros óticos para obter informações detalhadas sobre cada galáxia. Uma fração do tempo de observação é usada para observar regiões mais pequenas do céu, aproximadamente uma vez por semana, para encontrar e estudar milhares de supernovas e outros eventos astrofísicos transientes.

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade de Portsmouth (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
The Astrophysical Journal
SPACE.com
Universe Today
EurekAlert!
PHYSORG
Gizmodo

Supernova superluminosa:
Wikipedia
Lista de todas as supernovas superluminosas conhecidas (The Open Supernova Catalog)

Universo:
Universo (Wikipedia)
Idade do Universo (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Big Bang (Wikipedia)

Colaboração DES:
Página principal
Wikipedia

Telescópio Blanco:
NOAO
Wikipedia

VLT:
Página oficial
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

Telescópio Magalhães:
Observatório Las Campanas
Instituto Carnegie
Universidade do Arizona
Wikipedia

Observatório W. M. Keck:
Página oficial
Wikipedia

 
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Júpiter no Infravermelho pelo Hubble
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASAESAHubble; Dados: Michael Wong (UC Berkeleyet al.; Processamento e LicençaJudy Schmidt
 
Júpiter parece um pouco diferente no infravermelho. Para melhor entender os movimentos das nuvens de Júpiter e para ajudar a nave robótica Juno da NASA a compreender os contextos planetários dos pequenos campos que observa, o Telescópio Espacial Hubble está sendo direcionado para regularmente fotografar o gigante joviano por inteiro. As cores de Júpiter aqui monitorizadas vão além do alcance visual para incluir tanto a radiação ultravioleta como a infravermelha. A imagem em destaque, obtida em 2016, mostra três bandas de luz no infravermelho próximo que foram reatribuídas digitalmente numa imagem a cores. Júpiter parece diferente no infravermelho em parte porque a quantidade de luz solar refletida é distinta, proporcionando às diferentes alturas das nuvens e latitudes brilhos discrepantes. No entanto, permanecem muitas características familiares em Júpiter, incluindo as zonas claras e as faixas escuras que circulam o planeta perto do equador, a Grande Mancha Vermelha para baixo e para a esquerda e os sistemas de tempestades parecidos com colares de pérolas para sul da Grande Mancha Vermelha. Os polos brilham porque a névoa a alta altitude é energizada por partículas carregadas da magnetosfera de Júpiter. A Juno já completou 10 das 12 órbitas científicas planeadas em torno de Júpiter e continua a registar dados que estão a ajudar a humanidade a compreender não apenas o clima de Júpiter, mas também o que fica por baixo das espessas nuvens do gigante gasoso.
 

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