Problemas ao ver este email? Consulte a versão web.
Edição n.º 1473
20/04 a 23/04/2018
 
Siga-nos:      
 

27/04/18 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS + PALESTRA
21:30 - Este evento inclui uma apresentação sobre um tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio no nosso maravilhoso terraço (dependente de meteorologia favorável).
Local: CCVAlg
Preço: 2€
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 20/04: 110.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1535, o fenómeno de parélio é observado por cima de Estocolmo e representado no quadro Vädersolstavlan.
Em 1865, o astrónomo Pietro Angelo Secchi demonstra o disco de Sechi, que mede a claridade da água, a bordo do iate do Papa Pio IX, o L'Imaculata Concezione.
Em 1972, a Apollo 16 aterra na Lua, uma das seis missões tripuladas à Lua com sucesso.

John W. Young e Thomas K. Mattingly III alunaram numa área de nome Descartes. Este foi o primeiro estudo das terras-altas, feito com várias câmaras e experiências. O "rover" lunar foi usado pela segunda vez. Os astronautas permaneceram 71 horas na superfície. Recolheram 95,8 kg de rochas lunares.
Observações: Ocultação de Europa, entre as 00:36 e as 02:56.
Ao anoitecer, olhe bem alto a oeste em busca de Pollux e Castor alinhadas quase horizontalmente (dependendo da latitude do observador). Estas duas estrelas, as cabeças dos Gémeos, formam o topo do enorme Arco da Primavera. Para baixo e para a sua esquerda está Procyon, a extremidade esquerda do Arco. Mais para baixo mas à direita, está o outro lado do Arco, Menkalinan (Beta Aurigae) e depois a brilhante Capella. O Arco desloca-se para perto do horizonte a oeste ao longo da noite.
A Lua encontra-se por baixo do Arco, entre Gémeos e Orionte.

Dia 21/04: 111.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1964, um satélite Transit-5bn falha a atingir órbita da Terra após lançamento. À medida que reentra na atmosfera, 0,95 kg de plutónio radioativo da sua fonte de alimentação SNAP RTG é largamente dispersado.
Em 1994, são anunciadas as primeiras descobertas de planetas extrasolares pelo astrónomos Alexander Wolszczan e Dale Frail. Descobiram dois planetas em órbita do pulsar PSR 1257+12
Em 2002, uma erupção no Sol providencia uma excelente oportunidade para uma panóplia de instrumentos nas sondas SOHO,
TRACE e RHESSI recolherem dados para comparação com o modelo Lin & Forbes de CMEs (ejeção de massa coronal).

Observações: A Lua, quase em Quarto Crescente, brilha para baixo e para a esquerda de Pollux e Castor após o anoitecer.

Dia 22/04: 112.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1500, Pedro Álvares Cabral chegava pela primeira vez ao Brasil, numa viagem épica em que o Oceano era o equivalente atual do Espaço.
Em 1891, nascia Harold Jeffreys, astrogeofísico e o primeiro a teorizar o núcleo líquido da Terra. Jeffreys também fez contribuições para o nosso conhecimento da fricção de marés, nutação, estrutura planetária geral e da origem do Sistema Solar. 
Em 1904, nascia Robert Oppenheimer, físico americano mais conhecido pelo seu papel como diretor científico do Projeto Manhattan.

É por isso lembrado como o "Pai da Bomba Atómica". 
Em 1970 comemorava-se pela primeira vez o Dia da Terra.
Observações: A chuva de meteoros Líridas atinge o pico antes do amanhecer sob um céu sem Lua.
Lua em Quarto Crescente, pelas 22:46.

Dia 23/04: 113.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1792, nascia John Thomas Romney Robinson, astrónomo irlandês que compilou o catálogo estelar Armagh, fez trabalhos sobre a construção de instrumentos astronómicos e foi também provavelmente o inventor de um aparelho que media a velocidade do vento, o anemómetro de Robinson. A cratera Robinson na Lua tem o seu nome.
Em 1858, nascia Max Planck, físico alemão considerado o fundador da teoria quântica, pela qual recebeu o Prémio Nobel da Física em 1918.

Em 1967, era lançada a missão Soyuz 1 com o Coronel Valentim Komarov a bordo, que viria a morrer no dia seguinte quando a nave se despenhou contra o solo na reentrada.
Em 2009, a explosão de raios-gama GRB 090423 é observada durante 10 segundos, classificada à data como o segundo objeto mais distante e antigo do Universo conhecido.
Observações: Plutão estacionário, pelas 03:00.
A constelação primaveril de Corvo encontra-se a sudeste por estas noites, a cerca de 1,5 punhos à distância do braço esticado para a direita de Espiga. 

 
CURIOSIDADES

O Sol detém 99,86% de toda a massa do Sistema Solar. Ou seja, excluíndo o Sol, a massa conjunta de todos os outros objetos, como planetas, cometas, asteroides, luas, corresponde a apenas 0,14% de todo o Sistema Solar.
 
CAÇADOR DE PLANETAS DA NASA A CAMINHO DE ÓRBITA
O TESS foi lançado com sucesso a bordo de um foguetão Falcon 9 da SpaceX no dia 18 de abril de 2018. Vai procurar novos mundos para lá do nosso Sistema Solar para estudo mais acompanhado.
Crédito: NASA TV
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA foi lançado na primeira missão do seu tipo com o objetivo de encontrar mundos para lá do nosso Sistema Solar, incluindo alguns que podem suportar vida.

O satélite TESS, que deverá encontrar milhares de novos exoplanetas em órbita de estrelas próximas, levantou voo às 23:51 (hora portuguesa) de quarta-feira passada a bordo de um foguetão Falcon 9 da SpaceX a partir do Complexo de Lançamentos Espaciais 40 na Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral, no estado norte-americano da Flórida. Às 00:53 (hora portuguesa, já de quinta-feira), os painéis solares gémeos que vão alimentar a nave foram implantados com sucesso.

"Estamos muito contentes que o TESS esteja a caminho para nos ajudar a descobrir mundos que ainda não imaginámos, mundos possivelmente habitáveis, ou mundos que abriguem vida," comenta Thomas Zurbuchen, administrador associado do Diretorado de Missões Científicas da NASA em Washington. "Com missões como a do Telescópio Espacial James Webb para nos ajudar a estudar os detalhes desses planetas, estamos cada vez mais perto de descobrir se estamos sozinhos no Universo."

Ao longo de várias semanas, a nave TESS irá usar seis queimas de propulsão para viajar numa série de órbitas progressivamente alongadas para alcançar a Lua, que fornecerá uma assistência gravitacional para que o TESS possa transferir-se para a sua órbita científica final de 13,7 dias em torno da Terra. Depois de aproximadamente 60 dias a testar os instrumentos, o satélite começará o seu trabalho.

"Uma peça fundamental para o retorno científico do TESS é a alta taxa de dados associados com a sua órbita," comenta George Ricker, investigador principal do TESS do Instituto Kavli para Astrofísica e Investigação Espacial no MIT (Massachusetts Institute of Technology) em Cambridge. "Cada vez que a nave passa perto da Terra, transmite imagens tiradas com as câmaras. Esta é uma das coisas únicas que o TESS faz, que não era possível antes."

O foguetão Falcon 9 da SpaceX segue para o espaço depois de descolar do Complexo de Lançamentos Espaciais 40 na Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral, no estado norte-americano da Flórida.
Crédito: NASA/Kim Shiflett
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Para esta missão de dois anos, os cientistas dividiram o céu em 26 setores. O TESS vai utilizar quatro câmaras únicas de campo amplo para mapear 13 setores correspondentes ao hemisfério sul durante o seu primeiro ano de observações e 13 setores do hemisfério norte durante o segundo ano, cobrindo um total de 85% do céu.

Estará atento a fenómenos chamados trânsitos. Um trânsito ocorre quando um planeta passa em frente da sua estrela da perspetiva do observador, provocando um mergulho periódico e regular no brilho estelar. Mais de 78% dos aproximadamente 3700 exoplanetas confirmados foram encontrados usando trânsitos.

A nave espacial Kepler da NASA encontrou mais de 2600 exoplanetas, a maioria em órbita de estrelas fracas situadas a 300-3000 anos-luz da Terra, usando este mesmo método para observar trânsitos. O TESS vai focar-se em estrelas a 30-300 anos-luz de distância e 30 a 100 vezes mais brilhantes do que os alvos do Kepler.

O brilho dessas estrelas-alvo permitirá aos investigadores usar espectroscopia, o estudo da absorção e emissão da luz, a fim de determinar a massa, densidade e composição atmosférica de um planeta. A água e outras moléculas-chave, na sua atmosfera, podem dar-nos dicas sobre a capacidade de um planeta em hospedar vida.

"Os alvos que o TESS vai encontrar serão objetos fantásticos para investigação durante décadas," comenta Stephen Rinehart, cientista do projeto TESS no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. "É o início de uma nova era de pesquisa exoplanetária."

Por meio do Programa de Investigadores TESS, a comunidade científica mundial será capaz de realizar pesquisas além da missão principal do TESS em áreas que vão desde a caracterização de exoplanetas a astrofísica estelar, galáxias distantes e ciência do Sistema Solar.

Links:

Cobertura da missão TESS pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
17/04/2018 - Estamos sozinhos? O novo caçador de planetas da NASA tem como objetivo descobrir
30/03/2018 - NASA prepara o lançamento da próxima missão a procurar novos mundos

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Science
SPACE.com
Sky & Telescope
Universe Today
COSMOS
PHYSORG
Popular Science
Science alert
Popular Mechanics
Forbes
Spaceflight Now
BBC News
Reuters
CNN
engadget
UPI
RTP
Jornal de Notícias
Diário de Notícias
Observador

TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite):
NASA
NASA/Goddard
Programa de Investigadores do TESS (HEASARC da NASA)
Wikipedia

Telescópio Espacial Kepler:
NASA (página oficial)
K2 (NASA)
Arquivo de dados do Kepler
Arquivo de dados da missão K2

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

 
ONDE ESTÁ A MATÉRIA EM FALTA DO UNIVERSO?

Esta imagem ilustra a emissão de raios-X em torno de um conjunto de cinco galáxias que foram "empilhadas" juntas para mostrar os detalhes dos seus halos esféricos e gasosos. Foi criada por uma equipa de cientistas usando o observatório espacial XMM-Newton da ESA, com a emissão de raios-X destacada em roxo.
Compreende dois componentes: uma imagem de fundo de três cores de uma galáxia chamada NGC 5908 juntamente com estrelas circundantes do SDSS (Sloan Digital Sky Survey), e uma sobreposição empilhada combinando cinco galáxias diferentes observadas pelo XMM-Newton, visível como a névoa roxa que permeia a foto.
As cinco galáxias incluídas no conjunto de dados XMM-Newton são NGC 5908 (a mesma galáxia vista no fundo); UGC 12591, NGC 669, ESO 142-G019 e UGC A145; a equipa também observou NGC 550, mas essa galáxia não foi empilhada porque tinha um enxame de galáxias brilhantes logo atrás dela, dificultando a visualização de forma clara sem afetar os outros dados. A neblina roxa representa assim a emissão de raios-X de um halo tal como o que rodeia NGC 5908.
Todos os dados do XMM-Newton cobrem a faixa de energia de 0,5 a 1,25 keV e têm um tempo de exposição de aproximadamente 5 dias. As galáxias foram redimensionadas para a mesma distância e girada e reposicionadas para serem empilhadas com precisão. Cada foi suavizada, e as fontes de raios-X especialmente brilhantes que podem interferir na emissão galáctica foram mascaradas e suavizadas (ainda são visíveis manchas residuais).
Crédito: ESA/XMM-Newton; J-T. Li (Universidade de Michigan, EUA); SDSS
(clique na imagem para ver versão maior)

 

Através do observatório espacial XMM-Newton da ESA, os astrónomos sondaram os halos cheios de gás ao redor de galáxias, numa missão para encontrar material "desaparecido" que deveria aí residir, mas acabaram de mãos vazias - então, onde está?

Toda a matéria no Universo existe na forma de matéria "normal" ou na matéria escura notoriamente elusiva e invisível, sendo esta última cerca de seis vezes mais prolífica.

Curiosamente, os cientistas que estudam galáxias próximas descobriram, nos últimos anos, que estas contêm três vezes menos matéria normal do que o esperado, com a nossa própria galáxia Via Láctea a conter menos de metade da quantidade esperada.

"Isto tem sido um mistério há já muito tempo, e os cientistas empenharam muito esforço à procura dessa matéria em falta," diz Jiangtao Li, da Universidade de Michigan, EUA, autor principal do novo artigo.

"Porque é que não está nas galáxias - ou está lá, mas nós simplesmente não a conseguimos ver? Se não está lá, onde está? É importante resolver este enigma, pois é uma das partes mais incertas dos nossos modelos, tanto do Universo primitivo quanto de como as galáxias se formam."

Em vez de estar dentro da massa principal da galáxia, a matéria que pode ser observada oticamente, os pesquisadores pensaram que poderia estar numa região de gás quente que se estende mais para o espaço para formar o halo de uma galáxia.

Estes halos esféricos e quentes foram detetados antes, mas a região é tão fraca que é difícil observar em detalhe – a sua emissão de raios-X pode perder-se e ser indistinguível da radiação de fundo. Frequentemente, os cientistas observam uma pequena distância nessa região e extrapolam as suas descobertas, mas isto pode dar azo a resultados pouco claros e variados.

Jiangtao e os seus colegas queriam medir o gás quente a distâncias maiores, usando o observatório espacial XMM-Newton da ESA. Analisaram seis galáxias espirais semelhantes e combinaram os dados para criar uma galáxia com as suas propriedades médias.

"Ao fazer isso, o sinal da galáxia torna-se mais forte e o fundo de raios-X comporta-se melhor," acrescenta o coautor Joel Bregman, também da Universidade de Michigan.

"Fomos então capazes de ver a emissão de raios-X cerca de três vezes mais longe do que se observássemos uma única galáxia, o que tornou a nossa extrapolação mais precisa e confiável."

Galáxias espirais massivas e isoladas oferecem a melhor oportunidade de procurar por matéria perdida. Estas são maciças o suficiente para aquecer o gás a temperaturas de milhões de graus, de modo que emitem raios-X e evitam, em grande parte, a contaminação por outros materiais por meio da formação de estrelas ou de interações com outras galáxias.

Ainda desaparecida

Os resultados da equipa mostraram que o halo em torno das galáxias, como as que foram observadas, não pode conter todo o material que falta, afinal. Apesar de extrapolar para quase 30 vezes o raio da Via Láctea, quase três-quartos do material esperado ainda estava em falta.

Existem duas teorias alternativas principais sobre onde a matéria poderá estar: ou encontra-se armazenada noutra fase gasosa que é mal observada - talvez uma fase mais quente e mais ténue ou uma fase mais fria e mais densa - ou dentro de um trecho do espaço que não é coberto pelas nossas observações atuais, ou emite raios-X demasiado fracos para serem detetados.

De qualquer forma, uma vez que as galáxias não contêm material em falta suficiente, podem tê-lo ejetado para o espaço, talvez impulsionadas por injeções de energia de estrelas em explosão ou por buracos negros supermassivos.

"Este trabalho é importante para ajudar a criar modelos de galáxias mais realistas e, por sua vez, ajudar-nos a entender melhor como a nossa própria Galáxia se formou e evoluiu," diz Norbert Schartel, cientista do projeto XMM-Newton da ESA. "Este tipo de descoberta simplesmente não é possível sem a incrível sensibilidade do XMM-Newton."

"No futuro, os cientistas poderão adicionar ainda mais galáxias às nossas amostras de estudo e utilizar o XMM-Newton em colaboração com outros observatórios de alta energia, como o futuro Telescópio Avançado da ESA para Astrofísica de Alta Energia, Athena, para sondar partes densas das orlas externas de uma galáxia, enquanto continuamos a desvendar o mistério da matéria desaparecida do Universo."

Links:

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
The Astrophysical Journal Letters
PHYSORG

Observatório XMM-Newton:
ESA
Wikipedia

Athena:
ESA
Universidade de Cantabria
Wikipedia

 
"INTERROGADAS" 340.000 ESTRELAS EM BUSCA DAS IRMÃS DO SOL

Um grupo australiano de astrónomos, trabalhando com colaboradores europeus, revelou o "ADN" de mais de 340.000 estrelas na Via Láctea, o que deverá ajudar a encontrar as irmãs do Sol, agora espalhadas pelo céu.

Este é um grande anúncio de um ambicioso levantamento de arqueologia galáctica, chamado GALAH (GALactic Archaeology with HERMES), lançado no final de 2013 como parte de uma missão para descobrir a formulação e evolução das galáxias. Quando concluído, o GALAH terá investigado mais de um milhão de estrelas.

O Levantamento GALAH usa o espectrógrafo HERMES do Telescópio Anglo-Australiano de 3,9 metros do Observatório Astronómico Australiano perto de Coonabarabran, Nova Gales do Sul, para recolher os espectros das 340.000 estrelas.

O Levantamento GALAH fez anteontem o seu primeiro grande lançamento público de dados.

O "ADN" recolhido traça a ancestralidade das estrelas, mostrando aos astrónomos como o Universo passou de apenas hidrogénio e hélio - logo após o Big Bang - para todos os elementos que temos aqui na Terra que são necessários para a vida.

O espectro do Sol.
Crédito: Nigel Sharp (NSF), FTS, NSO, KPNO, AURA, NSF
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Nenhuma outra pesquisa foi capaz de medir tantos elementos para tantas estrelas quanto o GALAH," comenta a Dra. Gayandhi De Silva, da Universidade de Sydney e do Observatório Astronómico Australiano, cientista do HERMES que supervisionou os grupos que trabalham neste grande lançamento de dados.

"Estes dados permitirão descobertas como os enxames estelares originais da Galáxia, incluindo o grupo natal do Sol e as suas irmãs solares - não há nenhum outro conjunto de dados como este já recolhido em qualquer outro lugar do mundo," comenta a Dra. De Silva, da Escola de Física da Universidade de Sydney.

A Dra. Sarah Martell da Universidade de Sydney de Nova Gales do Sul, que lidera as observações do GALAH, explicou que o Sol, tal como todas as estrelas, nasceu num grupo ou enxame de milhares de estrelas.

"Cada estrela nesse enxame terá a mesma composição química, ou 'ADN' - estes enxames são rapidamente separados pela nossa própria Via Láctea e estão agora espalhados pelo céu," acrescenta a Dra. Martell.

"O objetivo da equipa do GALAH é fazer combinações de ADN entre as estrelas a fim de encontrar as suas irmãs há muito perdidas."

Para cada estrela, este ADN é a quantidade que contêm de cada um de quase duas dúzias de elementos químicos como oxigénio, alumínio e ferro.

Infelizmente, os astrónomos não podem recolher o ADN de uma estrela com um cotonete, mas usam a luz estelar, com uma técnica chamada espectroscopia.

A luz da estrela é recolhida pelo telescópio e passa depois por um instrumento chamado espectrógrafo, que divide a luz em arco-íris detalhados, ou espectros.

Daniel Zucker, professor associado da Universidade Macquarie e do Observatório Astronómico Australiano, disse que os astrónomos mediram os locais e tamanhos de linhas escuras no espectro para determinar a quantidade de cada elemento numa estrela.

"Cada elemento químico deixa um padrão único de bandas escuras em comprimentos de onda específicos nestes espectros, como impressões digitais," comenta.

O Dr. Jeffrey Simpson, do Observatório Astronómico Australiano, disse que é necessário cerca de uma hora para recolher fotões de luz suficientes para cada estrela, mas "felizmente, podemos observar 360 estrelas ao mesmo tempo usando fibra ótica," realça.

A equipa do GALAH passou mais de 280 noites no telescópio desde 2014 a recolher todos os dados.

Esquema do instrumento HERMES que mostra o percurso de como a luz estelar recolhida pelo telescópio AAT é dividida em quatro canais diferentes.
Crédito: AAO
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O levantamento GALAH é uma criação do professor Joss Bland-Hawthorn da Universidade de Sydney e do Centro de Excelência ARC para a Astrofísica do Céu em 3 Dimensões (ASTRO 3D) e do professor Ken Freeman da Universidade Nacional Australiana. Foi concebido há mais de uma década como uma maneira de desvendar a história da nossa Galáxia; o instrumento HERMES foi projetado e construído especificamente pelo Observatório Astronómico Australiano para o levantamento GALAH.

A medição da abundância de cada elemento em tantas estrelas é um enorme desafio. Para o fazer, o GALAH desenvolveu técnicas sofisticadas de análise.

O estudante de doutoramento Sven Buder do Instituto Max Planck para Astronomia, Alemanha, autor principal do artigo científico que descreve o lançamento dos dados do GALAH, faz parte do esforço de análise do projeto, trabalhando com a estudante de doutoramento Ly Duong e com o professor Martin Asplund da Universidade Nacional Australiana e do ASTRO 3D.

Buder afirma: "Nós treinamos o nosso código de computador (denominado 'The Cannon') para reconhecer padrões nos espectros de um subconjunto de estrelas que analisamos com muito cuidado, e depois algoritmos de aprendizagem de máquina do 'The Cannon' para determinar a quantidade de cada elemento para todas as 340.000 estrelas." Doung acrescenta que "'The Cannon' honra Annie Jump Cannon, uma astrónoma americana pioneira na classificação dos espectros de mais ou menos 340.000 estrelas, a olho e manualmente, ao longo de várias décadas há um século atrás - o nosso código analisa essa quantidade de estrelas em muito maior detalhe em menos de um dia."

O lançamento dos dados do levantamento GALAH foi calendarizado para coincidir com a enorme divulgação de dados no dia 25 de abril do satélite Gaia da ESA, que tem vindo a mapear mais de 1,6 mil milhões de estrelas na Via Láctea, tornando-o de longe e até à data o maior e mais preciso atlas do céu noturno.

Em combinação com as velocidades do GALAH, os dados do Gaia fornecerão não só as posições e distâncias das estrelas, mas também os seus movimentos dentro da Via Láctea.

O professor Tomaz Zwitter (Universidade de Ljubljana, Eslovénia) disse que os resultados do GALAH serão cruciais para interpretar os resultados do Gaia: "A precisão das velocidades que estamos a atingir com o GALAH não tem precedentes para um estudo tão grande."

O Dr. Sanjib SHarma da Universidade de Sydney, conclui: "Pela primeira vez, poderemos obter uma compreensão detalhada da história da Galáxia."

Os onze artigos científicos que acompanham esta divulgação de dados foram simultaneamente publicados na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society e na Astronomy and Astrophysics.

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade de Sydney (comunicado de imprensa)
Universidade de Nova Gales do Sul - Sydney (comunicado de imprensa)
EurekAlert!
EarthSky
PHYSORG

Artigos científicos:
S. Buder et al. - The GALAH Survey: Second Data Release (arXiv.org)
Quillen et al. - The GALAH Survey: Stellar Streams (arXiv.org)
Duong et al. - The GALAH Survey: properties of the Galactic disks (arXiv.org)
Kos et al. - The GALAH Survey: chemical tagging the Pleiades (arXiv.org)
Buder et al. - 2 - The GALAH Survey: Chemo-dynamics of the Galaxy (arXiv.org)
Simpson et al. - The GALAH Survey: co-orbiting stars and chemical tagging (arXiv.org)
Simpson et al. - 2 - The GALAH Survey: GALAH and the Magellanic clouds (arXiv.org)
Gao et al. - The GALAH Survey: NLTE trends in the open cluster M67 (arXiv.org)
Zwitter et al. - The GALAH Survey: Radial Velocity Library (arXiv.org)
Kos et al. - 2 - The GALAH Survey: Holistic spectroscopy (arXiv.org)

Levantamento GALAH:
Página principal
Dados do GALAH

AAT (Anglo Australian Telescope):
Página oficial
Wikipedia

Gaia:
ESA
ESA - 2
Arquivo de dados do Gaia
SPACEFLIGHT101
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Modelo das luas marcianas indica formação após grande impacto (via SwRI)
Cientistas argumentam que as pequenas luas marcianas, Fobos e Deimos, nasceram num violento impacto mas mais pequeno que o que formou o sistema Terra-Lua. O seu modelo mostra que o impacto entre o proto-Marte e um objeto do tamanho de um planeta anão provavelmente produziu as duas luas. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - M57: A Nebulosa do Anel
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASAESAArquivo do Legado Hubble; Composição: Giuseppe Donatiello
 
À exceção dos anéis de Saturno, a Nebulosa do Anel (M57) é provavelmente a banda celeste mais famosa. A sua aparência clássica é entendida como sendo devida à nossa própria perspetiva. O recente mapeamento tridimensional da nebulosa em expansão, baseado em parte nesta imagem clara do Hubble, indica que a nebulosa é um anel relativamente denso em forma de donut enrolado no meio de uma nuvem de gás incandescente parecida a uma bola de futebol americano. A vista do planeta Terra observa ao longo do eixo maior da bola de futebol americano, de frente para o anel. Claro, neste exemplo bem estudado de nebulosa planetária, o material brilhante não vem dos planetas. Em vez disso, o invólucro gasoso representa as camadas exteriores expelidas aquando da morte de uma estrela outrora semelhante ao Sol, agora um pontinho de luz visto no centro da nebulosa. A intensa radiação ultravioleta da quente estrela central ioniza átomos no gás. A Nebulosa do Anel mede aproximadamente 1 ano-luz de diâmetro e encontra-se a 2000 anos-luz de distância.
 

Arquivo | Feed RSS | CCVAlg.pt | CCVAlg - Facebook | CCVAlg - Twitter | Remover da lista

Os conteúdos das hiperligações encontram-se na sua esmagadora maioria em Inglês. Para o boletim chegar sempre à sua caixa de correio, adicione noreply@ccvalg.pt à sua lista de contactos. Este boletim tem apenas um carácter informativo. Por favor, não responda a este email. Contém propriedades HTML - para vê-lo na sua devida forma, certifique-se que o seu cliente suporta este tipo de mensagem, ou utilize software próprio, como o Outlook, o Windows Mail ou o Thunderbird.

Recebeu esta mensagem por estar inscrito na newsletter do Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve. Se não a deseja receber ou se a recebe em duplicado, faça a devida alteração clicando aqui ou contactando-nos.

Esta mensagem do Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve destina-se unicamente a informar e não pode ser considerada SPAM, porque tem incluído contacto e instruções para a remoção da nossa lista de email (art. 22.º do Decreto-lei n.º 7/2004, de 7 de Janeiro).

2018 - Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve