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Edição n.º 1484
29/05 a 31/05/2018
 
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EFEMÉRIDES

Dia 29/05: 149.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1794, nascia Johann Heinrich von Mädler, astrónomo alemão.

Produziu os primeiros mapas verdadeiros de Marte, fez determinações preliminares do período de rotação de Marte com apenas poucos segundos de erro, e produziu o primeiro mapa exato da Lua.
Em 1919, um eclipse solar total foi observado por dois diferentes grupos de astrónomos (Arthur Eddington e Andrew Crommelin), tentando confirmar a Teoria da Relatividade Geral de Einstein, medindo se o Sol distorcia as posições aparentes das estrelas das Híades.
Em 1929, nascia Peter Higgs, físico teórico britânico, famoso pelo seu mecanismo Higgs, que prevê a existência do bosão de Higgs
Em 1974 era lançada a Luna 22 (USSR).
Em 1999, o vaivém Discovery completa a sua primeira atracagem com a Estação Espacial Internacional.
Observações: Ocultação de Europa, entre as 00:59 e as 03:21.
Eclipse de Europa, entre as 01:51 e as 04:18.
Lua Cheia, pelas 12:48.
Durante os próximos 12 dias, Júpiter fica mais ou menos a 1º da estrela de terceira magnitude, Alpha Librae (Zubenelgenubi): uma estrela dupla binocular. Os seus dois componentes, de magnitude 2,8 e 5,1, estão separados por uns generosos 231 segundos de arco. Mesmo assim, formam um par real ligado gravitacionalmente; estão a 77 anos-luz de distância. Ambas as estrelas são maiores e mais brilhantes do que o Sol, brilhando com 36 e 4 vezes a intensidade da nossa estrela.
Brilhando a este-nordeste, após o anoitecer, está Vega, a mais brilhante e atualmente a estrela mais alta do Triângulo de Verão. Mas com o verão a apenas três semanas de distância, a estrela final do Triângulo só nasce acima do horizonte a este por volta das 22 horas. É Altair, o canto inferior direito do Triângulo. A terceira estrela é Deneb, brilhando a uma distância menor mas para baixo e para a esquerda de Vega.

Dia 30/05: 150.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1966, lançamento da Surveyor 1, a primeira sonda sonda americana a aterrar em segurança noutro corpo planetário (neste caso, a Lua). 

Em 1971 era lançada a Mariner 9. A 13 de novembro alcança a órbita de Marte. Envia 6.900 imagens, que corresponderam a 70% da superfície do planeta. Estudou também as mudanças temporais na atmosfera e à superfície.
Observações: Trânsito da sombra de Europa, entre as 20:03 e as 22:30.
Vega é a estrela mais brilhante a este-nordeste após o anoitecer. As outras estrelas da constelação de Lira estão, atualmente, como que fixas por ela (para baixo).

Dia 31/05: 151.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2001, a sonda Cassini completa o veu voo rasante por Júpiter e dirige-se para Saturno.

Imagens de despedida de um eclipse de Io mostram atividade auroral na atmosfera ioniana.
Em 2013, o asteroide 1998 QE2 e a sua lua fazem a maior aproximação da Terra dos próximos dois séculos.
Observações: Trânsito da sombra de Io, entre as 03:34 e as 05:48.
Trânsito da sombra de Io, entre as 04:06 e as 06:18.
Ocultação de Ganimedes, entre as 21:51 e as 23:59.
A Lua, que já começou a minguar, nasce depois do anoitecer. Assim que fique visível, apercerber-se-á que Saturno brilha para baixo. Companheiras? Não, Saturno está 3400 vezes mais distante!

 
CURIOSIDADES

À procura de um destino exótico para visitar no próximo verão? Porque não fazer uma viagem virtual até um planeta parecido com a Terra para lá do Sistema Solar com o interativo Exoplanet Travel Bureau da NASA? Aí poderá explorar a superfície imaginária de vários mundos alienígenas.
 
METEORITO ANTIGO CONTA HISTÓRIAS DA TOPOGRAFIA DE MARTE

Ao examinarem um antigo meteorito marciano que pousou no deserto do Saara, cientistas e colaboradores do LLNL (Lawrence Livermore National Laboratory) determinaram como e quando a divisão crustal topográfica e geofísica do Planeta Vermelho se formou.

NWA (Northwest Africa) 7034 é o mais antigo meteorito marciano descoberto até à data, com aproximadamente 4,4 mil milhões de anos. O meteorito é uma brecha (contém uma variedade de rochas crustais que foram misturadas e depois sinterizadas por aquecimento) e é a única amostra de Marte com uma composição representativa da crosta média marciana. O meteorito forneceu aos investigadores uma oportunidade única para estudar a antiga crosta de Marte.

A equipa aplicou um número de técnicas de datação radioisotópica para determinar que a divisão (ou dicotomia) entre os planaltos meridionais fortemente craterados do planeta e as planícies mais lisas das terras baixas do norte se formou antes da produção de NWA 7034 há 4,4 mil milhões de anos. Esta idade antiga é consistente com uma origem de impacto gigante para a dicotomia crustal. A pesquisa foi publicada na edição de 23 de maio da revista Science Advances.

O meteorito marciano Northwest Africa (NWA) 7034, com a alcunha "Black Beauty", pesa aproximadamente 320 gramas.
Crédito: NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Se a dicotomia crustal marciana se formou como resultado de um impacto gigante, e os dados e modelos disponíveis sugerem que isso é provável, a história de NWA 7034 exige que se tenha formado muito cedo na história do planeta, há mais de 4,4 mil milhões de anos atrás," comenta o cosmoquímico Bill Cassata, do LLNL e autor principal do artigo.

A dicotomia é um contraste forte entre o hemisfério sul e norte. A geografia dos dois hemisférios difere em elevação entre 1 e 3 km. A espessura média da crosta marciana é de 45 km, com 32 km nas terras baixas a norte e 58 km nas terras altas a sul. As terras baixas a norte compreendem cerca de um-terço da superfície de Marte e são relativamente planas. Os outros dois-terços da superfície marciana são as terras altas do hemisfério sul. A diferença em elevação entre os hemisférios é dramática (as terras altas são muito montanhosas e vulcânicas). Foram propostas três grandes hipóteses para a origem da dicotomia crustal: endógena (por processos no manto), impacto único ou múltiplos impactos. A equipa teve como objetivo determinar quando e como a dicotomia crustal se formou.

Com base em novas medições radioisotópicas e em conjunto com outros dados publicados, a equipa determinou que todas as rochas que eventualmente foram incorporadas na brecha NWA 7034 foram instaladas há cerca de 4,4 mil milhões de anos no "terreno da fonte" (a região de origem crustal a partir da qual os diferentes componentes rochosos são derivados). Os resultados mostram que este terreno foi submetido a um metamorfismo prolongado associado a uma grande pluma alimentada por um centro vulcânico há ~1,7 a 1,3 mil milhões de anos. As extensões areais de grandes centros vulcânicos alimentados com plumas em Marte têm milhares de quilómetros quadrados, e o terreno da fonte era provavelmente de tamanho comparável. Finalmente, mostraram que a rocha foi aglomerada há ~200 milhões de anos ou mais recentemente. Quando vistos em conjunto, os dados de NWA 7034 demonstraram que grandes terrenos vulcânicos sobreviveram a poucos quilómetros da superfície de Marte há mais de 4400 milhões de anos. Isto indica que a dicotomia se formou antes destes 4,4 mil milhões de anos, já que rochas próximas da superfície teriam sido enterradas ou destruídas pelo evento de formação da dicotomia.

Imagem de microscópio eletrónico de varredura retrodifundida de NWA 11522, um meteorito similar a NWA 7034. Parte de um clasto de grande impacto é visível em baixo e à esquerda. Alguns dos clastos mais proeminentes são indicados por contornos tracejados.
Crédito: LLNL
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Este estudo multidisciplinar, combinando técnicas geoquímicas tradicionais e inovadoras, forneceu-nos algumas novas ideias sobre os principais processos que moldaram o jovem Marte," comenta Caroline Smith, diretora de Coleções de Ciências da Terra, principal curadora de meteoritos do Museu de História Natural e coautora do artigo.

Os resultados desta equipa têm implicações importantes para a compreensão de quando e como uma das características geológicas globais mais antigas e mais distintas de Marte foi formada.

"Este estudo demonstra que os vários sistemas de datação radioisotópica, que são restabelecidos por diferentes processos metamórficos, podem ser usados para desvendar a história térmica de uma amostra ao longo de milhares de milhões de anos," concluiu Cassata.

Links:

Notícias relacionadas:
LLNL (comunicado de imprensa)
Artigo científico - Science Advances
Natural History Museum
PHYSORG

NWA 7034:
Instituto Lunar e Planetário
Wikipedia
Meteorite Studies

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
ROCHAS MARCIANAS PODEM CONTER SINAIS DE VIDA

Uma investigação sugere que rochas ricas em ferro, perto de lagos antigos em Marte, podem conter pistas cruciais que mostram que a vida lá existiu.

Estas rochas - que se formaram em leitos de lagos - são o melhor lugar para procurar evidências fósseis de vida de há milhares de milhões de anos atrás, dizem os cientistas.

Um novo estudo que lança luz sobre o local onde fósseis podem estar preservados pode ajudar a procurar vestígios de criaturas minúsculas - conhecidas como micróbios - em Marte, que se pensa ter tido a capacidade para suportar formas de vida primitivas há cerca de 4 mil milhões de anos.

O delta da Cratera Jezero, o delta de um rio antigo bem preservado em Marte.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS/JHU-APL
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Rochas antigas

Uma equipa liderada por um investigador da Universidade de Edimburgo determinou que rochas sedimentares feitas de barro ou argila compacta são as mais propensas a conter fósseis. Estas rochas são ricas em ferro e um mineral chamado sílica, que ajuda a preservar os fósseis.

As rochas formaram-se durante os períodos Noachiano e Hesperiano da história marciana, há 3 ou 4 mil milhões de anos. Naquela época, a superfície do planeta era abundante em água, o que poderia ter sustentado a vida.

As rochas estão muito mais bem preservadas do que as da mesma idade cá na Terra, dizem os cientistas. Isto porque Marte não está sujeito a tectónica de placas - o movimento de enormes placas rochosas que formam a crosta de alguns planetas - que, com o tempo, podem ajudar a destruir rochas e fósseis dentro delas.

Missões a Marte

A equipa reviu estudos de fósseis na Terra e avaliou os resultados de experiências de laboratório que replicavam as condições de Marte para identificar os locais mais promissores do planeta para explorar vestígios de vida passada.

As suas descobertas podem ajudar a informar a próxima missão rover da NASA ao Planeta Vermelho, que se concentrará na busca por evidências de vida passada. O rover Mars 2020 da agência espacial vai recolher amostras rochosas para serem transportadas para a Terra por uma missão futura para análise.

Uma missão similar, liderada pela ESA, também está planeada para os próximos anos.

O estudo mais recente poderá ajudar na seleção de locais de pouso para ambas as missões e ajudar a identificar os melhores locais para recolher amostras de rochas.

O Dr. Sean McMahon, da Escola de Física e Astronomia da Universidade de Edimburgo: afirma: "Existem muitos afloramentos rochosos e minerais interessantes em Marte onde gostaríamos de procurar fósseis, mas já que não podemos enviar rovers para todos, tentamos priorizar os depósitos mais promissores com base nas melhores informações disponíveis."

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade de Edimburgo (comunicado de imprensa)
Artigo científico - Journal of Geophysical Research: Planets
ScienceDaily
PHYSORG
Metro

Mars 2020:
NASA
NASA - 2
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Simulações para a missão InSight (via Centro Nacional Suiço para Supercomputação)
No dia 5 de maio, um foguetão lançou o "lander" InSight na sua viagem até Marte. A bordo: um sismómetro para investigar a estrutura interna do Planeta Vermelho. Usando o conhecimento existente, investigadores da ETH em Zurique preparam a análise de dados das medições usando "Piz Daint" para simular como as ondas sísmicas podem viajar através de Marte. Ler fonte
     
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Galáxias Longínquas
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Dados - Equipa de Arquivo do Hubble, Processamento - Domingo Pestana
 
Este espetacular grupo de galáxias está longe, muito longe - a cerca de 450 milhões de anos-luz do planeta Terra - e está catalogado como o enxame galáctico Abell S0740. Dominado pela grande galáxia elíptica central ESO 325-G004, esta imagem reprocessada do Hubble mostra um conjunto distinto de formas e tamanhos de galáxias com apenas algumas estrelas da Via Láctea espalhadas pelo campo de visão. A gigante galáxia elíptica (para a direita do centro) cobre uma área com aproximadamente 100.000 anos-luz e contém cerca de 100 mil milhões de estrelas, comparável em tamanho com a nossa Galáxia espiral, a Via Láctea. Os dados do Hubble revelam uma riqueza de detalhe até mesmo nas galáxias mais distantes, incluindo magníficos braços e correntes de poeira, enxames estelares, estruturas anulares e arcos de lentes gravitacionais.
 

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