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Edição n.º 1486
05/06 a 07/06/2018
 
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EFEMÉRIDES

Dia 05/06: 156.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1819, nascia John Couch Adams, astrónomo e matemático inglês. É famoso por prever a existência e posição de Neptuno, usando apenas a matemática. Os cálculos foram feitos para explicar as discrepâncias entre a órbita de Úrano e as leis de Kepler e Newton. Ao mesmo tempo, para seu desconhecimento, os cálculos foram também feitos por Urbain Le Verrier, que ajudaria à localização do planeta em 1846.
Em 1965, nascia Michael E. Brown, cuja equipa descobriu muitos objectos trans-neptunianos, incluindo o planeta anão Éris, o único objeto desta categoria mais massivo que Plutão.

Refere-se a ele próprio como o homem que "matou Plutão", pois ajudou à sua demoção de planeta principal para anão.
Em 1995, é criado pela primeira vez um concentrado Bose-Einstein.
Em 2012, começa o último trânsito de Vénus do século XXI.
Observações: Com o verão a apenas 16 dias de distâncias, o grande Triângulo de Verão situa-se alto a este após o anoitecer. Vega é a sua estrela do topo. Deneb é a estrela mais brilhante para baixo e para a esquerda de Vega (a 2 ou 3 punhos à distância do braço esticado). Procure Altair a uma maior distância para baixo e para a direita de Vega.

Dia 06/06: 157.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1580, nascia Godefroy Wendelin, astrónomo da Flandres (norte da Bélgica), que mediu a distância entre a Terra e o Sol usando o método de Aristarco de Samos (que resultou em 60% do valor verdadeiro) e que reconheceu que a terceira lei de Kepler também se aplicava aos satélites de Júpiter.
Em 1966, aterragem da Gemini 9.
Em 1971 era lançada a Soyuz 11, a primeira e única missão tripulada que acoplou com a primeira estação espacial, a Salyut 1.

A missão acabou em desastre a 30 de Junho, quando a cápsula ficou despressurizada durante a reentrada, matando os cosmonautas a bordo.
Em 1983, lançamento da Venera 16, com destino Vénus. 
Observações: Mercúrio em conjunção superior, pelas 03:00.
Lua em Quarto Minguante, pelas 19:32.
Trânsito de Europa, entre as 21:20 e as 23:45.
Trânsito da sombra de Europa, entre as 22:40 e as 01:05 (já de dia 7).
A grande e alaranjada Arcturo, de magnitude 0, brilha alta a sul por estas noites. A forma de "papagaio-de-papel" da sua constelação, Boieiro, estende-se para cima e para a esquerda de Arcturo. O papagaio é estreito, ligeiramente torto e com 23º de comprimento: cerca de dois punhos à distância do braço esticado.
Para este de Boieiro está Coroa Boreal, uma bonita mas ténue constelação.

Dia 07/06: 158.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1992, era lançado o EUVE (Extreme Ultraviolet Explorer).

Observações: Neptuno na sua quadratura oeste, pelas 06:39.

 
CURIOSIDADES

excentricidade orbital de um objeto astronómico é um parâmetro que representa o afastamento de uma órbita circular. Uma órbita perfeitamente circular tem excentricidade 0; uma órbita elíptica varia entre 0 e 1; a excentricidade igual a 1 representa uma trajetória parabólica; uma excentricidade superior a 1 representa uma trajetória hiperbólica. A excentricidade da Terra é atualmente 0,0167 - é quase circular. O planeta do Sistema Solar com a maior excentricidade é Mercúrio: 0,2056. O planeta com a menor excentricidade é Vénus: 0,0068.
 
EVENTO DE ONDAS GRAVITACIONAIS PROVAVELMENTE ASSINALOU A FORMAÇÃO DE UM BURACO NEGRO

A espetacular fusão de duas estrelas de neutrões que gerou ondas gravitacionais, anunciada no ano passado, provavelmente fez ainda outra coisa: deu azo a um buraco negro. Este buraco negro recém-formado será o buraco negro de menor massa já encontrado.

Um novo estudo analisou dados do Observatório de raios-X Chandra da NASA obtidos nos dias, semanas e meses após a deteção das ondas gravitacionais pelo LIGO (Laser Interferometer Gravitational Wave Observatory) e raios-gama pela missão Fermi da NASA no dia 17 de agosto de 2017.

Embora quase todos os telescópios à disposição dos astrónomos profissionais tenham observado esta fonte, conhecida oficialmente como GW170817, os raios-X do Chandra são cruciais para entender o que aconteceu depois da colisão entre as duas estrelas de neutrões.

Depois de duas estrelas separadamente explodirem como supernovas, dois núcleos ultradensos (isto é, estrelas de neutrões) ficaram para trás. Estas duas estrelas de neutrões estavam tão perto uma da outra que a radiação de ondas gravitacionais puxou-as na direção uma da outra até que se fundiram e colapsaram num buraco negro. A impressão de artista mostra uma parte fundamental do processo que formou este novo buraco negro, à medida que as duas estrelas de neutrões rodavam uma em torno da outra enquanto se fundiam. O material púrpura ilustra detritos da fusão.
Crédito: ilustração - CXC/M. Weiss; raios-X - NASA/CXC/Trinity University/D. Pooley et al.
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A partir dos dados do LIGO, os astrónomos têm uma boa estimativa de que a massa do objeto resultante da fusão das estrelas de neutrões ronda as 2,7 massas solares. Isto coloca-o numa "corda bamba" de identidade, implicando que ou é a estrela de neutrões mais massiva alguma vez encontrada ou o buraco negro de massa mais baixa já descoberto. Os detentores anteriores do recorde para esta última categoria astronómica não têm menos que quatro ou cinco vezes a massa do Sol.

"Embora as estrelas de neutrões e os buracos negros sejam misteriosos, nós estudámos muitos por todo o Universo usando telescópios como o Chandra," afirma Dave Pooley da Trinity University em San Antonio, no estado norte-americano do Texas, que liderou o estudo. "Isso significa que temos dados e teorias sobre o comportamento de tais objetos na gama dos raios-X."

As observações do Chandra são reveladoras, não apenas pelo que mostraram, mas também pelo que não mostraram. Se o resultado da fusão das duas estrelas de neutrões fosse uma estrela de neutrões mais massiva, então os astrónomos esperariam que girasse rapidamente e produzisse um campo magnético muito forte. Isto, por sua vez, teria formado uma bolha de partículas altamente energéticas que resultaria numa emissão de raios-X brilhantes. Em vez disso, os dados do Chandra mostram níveis de raios-X que são várias magnitudes mais fracos do que o esperado para uma estrela de neutrões e para uma bolha associada de partículas de alta energia, sugerindo ao invés a formação de um buraco negro.

Se confirmado, este resultado mostra que uma receita para produzir um buraco negro às vezes pode ser complicada. No caso de GW170817, seriam necessárias duas explosões de supernova para deixar para trás duas estrelas de neutrões numa órbita suficientemente íntima para a radiação de ondas gravitacionais unir as estrelas de neutrões.

"Podemos ter respondido a uma das perguntas mais básicas sobre este evento deslumbrante: o que é que produziu?" comenta o coautor Pawan Kumar da Universidade do Texas em Austin. "Há muito tempo que os astrónomos suspeitam que as fusões de estrelas de neutrões formariam um buraco negro e produziriam pulsos de radiação, mas não possuíamos até agora evidências fortes."

Uma observação do Chandra, dois a três dias após o evento, não conseguiu detetar uma fonte, mas observações subsequentes 9, 15 e 16 dias após o evento, resultaram em deteções. A fonte deslizou pouco tempo depois para trás do Sol, mas cerca de 110 dias após o evento o Chandra ainda continuou a observar um aumento de brilho, seguido por uma intensidade comparável em raios-X cerca de 160 dias depois.

Ao comparar as observações do Chandra com aquelas do VLA (Karl G. Jansky Very Large Array), Pooley e colaboradores explicam a emissão de raios-X observada como devida inteiramente à onda de choque - semelhante a um boom sónico de um avião supersónico - da fusão que esmagou o gás circundante. Não existem sinais de raios-X resultantes de uma estrela de neutrões.

A conclusão da equipa de Pooley pode ser testada por observações futuras em raios-X e no rádio. Se o remanescente for uma estrela de neutrões com um campo magnético forte, então a fonte deve ficar muito mais brilhante em raios-X e no rádio daqui a aproximadamente dois anos, quando a bolha de partículas altamente energéticas alcançar a onda de choque em desaceleração. Se for realmente um buraco negro, os astrónomos esperam que continue a ficar mais fraca do que o observado recentemente, à medida que a onda de choque enfraquece.

"GW170817 é um evento astronómico que continua a fornecer surpresas," comenta J. Craig Wheeler, coautor do estudo, também da Universidade do Texas. "Estamos a aprender muito sobre a astrofísica dos objetos mais densos conhecidos, somente com este único evento."

Se as observações subsequentes descobrirem uma estrela de neutrões muito massiva, tal descoberta desafiará as teorias da estrutura das estrelas de neutrões e quão massivas podem ficar.

"No início da minha carreira, os astrónomos só podiam observar estrelas de neutrões e buracos negros na nossa própria Galáxia, e agora estamos a observar estes objetos exóticos em todo o cosmos," comenta o coautor Bruce Gossan da Universidade da Califórnia em Berkeley. "Que momento emocionante para estar vivo, para ver instrumentos como o LIGO e o Chandra a mostrarem tantas coisas excitantes que a natureza tem para oferecer."

O artigo que descreve este resultado aparece na última edição da revista The Astrophysical Journal Letters e está disponível online.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
23/01/2018 - Fusão de estrelas de neutrões oferece um novo puzzle aos astrofísicos
19/01/2018 - Quão massivas podem ser as estrelas de neutrões?
09/01/2018 - Ondas gravitacionais medem o Universo
22/12/2017 - Observações rádio apontam para explicação provável de fenómenos de fusão de estrelas de neutrões
28/11/2017 - Novo método para medir o tamanho das estrelas de neutrões 
17/10/2017 - Telescópios do ESO observam primeira luz de uma fonte de ondas gravitacionais

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
ESA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Astronomy Now
PHYSORG
ScienceNews
Newsweek
Forbes
Gizmodo

GW170817:
Wikipedia

Estrelas de neutrões:
Wikipedia
Universidade de Maryland

Buraco negro:
Wikipedia

Ondas gravitacionais:
Wikipedia
Astronomia de ondas gravitacionais - Wikipedia
Ondas gravitacionais: como distorcem o espaço - Universe Today
Detetores: como funcionam - Universe Today
As fontes de ondas gravitacionais - Universe Today
O que é uma onda gravitacional (YouTube)

Observatório Chandra:
Página oficial (Harvard)
Página oficial (NASA)
Wikipedia

LIGO:
Página oficial
Caltech
Advanced LIGO
Wikipedia

Telescópio Espacial Fermi:
NASA
Wikipedia

VLA:
Página oficial
NRAO
Wikipedia

 
CIENTISTAS REVELAM OS SEGREDOS POR TRÁS DAS DUNAS DE PLUTÃO

Os cientistas descobriram dunas em Plutão e dizem que provavelmente foram formadas por grãos de metano gelado libertados para a sua atmosfera rarefeita.

Divulgada na revista Science, uma equipa internacional de geógrafos, físicos e cientistas planetários analisou imagens detalhadas da superfície do planeta anão, captadas em julho de 2015 pela sonda New Horizons da NASA.

Essas imagens mostraram que na fronteira da planície gelada Sputnik Planitia, e empurradas contra uma grande cadeia de montanhas, existem uma série de dunas espalhadas por uma área com menos de 75 km de comprimento.

Esta imagem, captada durante a missão New Horizons, mostra a cadeia de montanhas no limite da planície gelada Sputnik Planitia, com formações de dunas facilmente visíveis na parte de baixo da imagem.
Crédito: NASA/Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins/SwRI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Após análises espaciais das dunas e de rajadas de vento próximas da superfície do planeta anão, bem como modelagem espectral e numérica, os cientistas pensam que a sublimação (que converte azoto sólido diretamente para gás) resulta em grãos de metano libertados para o meio ambiente.

Estes são então transportados pelos ventos moderados de Plutão (que podem atingir entre 30 e 40 km/h), com a orla da planície gelada e a cadeia montanhosa proporcionando a localização perfeita para o aparecimento de tais formações superficiais regulares.

Os cientistas também acham que a morfologia não perturbada das dunas e a sua relação com o gelo glacial subjacente sugere que as características provavelmente se formaram nos últimos 500.000 anos, possivelmente muito mais recentemente.

A investigação foi liderada por cientistas da Universidade de Plymouth (Reino Unido), da Universidade de Colónia (Alemanha) e da Universidade Brigham Young (EUA).

O Dr. Matt Telfer, professor de Geografia Física da Universidade de Plymouth, autor principal do estudo, disse: "Sabíamos que todos os corpos do Sistema Solar com uma atmosfera e uma superfície rochosa sólida têm dunas, mas não sabíamos o que íamos encontrar em Plutão. Parece que, embora exista tão pouca atmosfera, e que a temperatura à superfície ronde os -230º C, ainda se formam dunas. Os dados da New Horizons deram-nos um novo nível de detalhes, mas tivemos que trabalhar arduamente para explicar como era possível obter os sedimentos, a superfície não coesa e o vento necessário para as dunas. É outra peça do quebra-cabeças para dar sentido a este corpo diverso e remoto, e fornece-nos uma compreensão mais fundamental dos processos geológicos que o influenciam."

O Dr. Eric Parteli, professor de Geociências Computacionais da Universidade de Colónia, afirmou: "Na Terra, precisamos de uma certa força do vento para libertar partículas de areia para o ar, mas para manter o transporte são suficientes ventos 20% mais fracos. Com a gravidade consideravelmente mais pequena de Plutão e a pressão atmosférica extremamente baixa, os ventos necessários para manter o transporte de sedimentos na camada de gelo granular, provocado pela radiação solar, também desempenham um papel importante no início do processo de salinização. Descobrimos que estes processos combinados podem formar dunas sob condições normais de vento em Plutão."

A Dra. Jani Radebaugh, professora associada do Departamento de Ciências Geológicas da Universidade Brigham Young, acrescentou: "Quando vimos as imagens da New Horizons pela primeira vez, pensámos instantaneamente que eram dunas, mas foi realmente surpreendente porque sabemos que não há muita atmosfera. No entanto, apesar de estar 30 vezes mais longe do Sol do que o nosso planeta, Plutão ainda tem características semelhantes à Terra. Temo-nos focado no que está perto de nós, mas também há uma riqueza enorme de informação nos distantes confins do Sistema Solar."

Os investigadores planeiam agora continuar as suas investigações sobre a história das dunas de Plutão através de simulações de computador, o que lhes permitirá ampliar o conhecimento do papel que o vento tem desempenhado na geologia mais ampla de Plutão.

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade de Plymouth (comunicado de imprensa)
Universidade de Colónia (comunicado de imprensa)
Universidade Brigham Young (comunicado de imprensa)
Artigo científico - Science
O segredo das dunas de Plutão (Universidade de Plymouth via YouTube)
Dunas em Plutão (Universidade de Plymouth via YouTube)
Características em Plutão parecidas com as da Terra (UBY via YouTube)
Nature
Astronomy
Sky & Telescope
SPACE.com
ScienceDaily
PHYSORG
New Scientist
ScienceNews
National Geographic
Science alert
EurekAlert!
Scientific American
Popular Mechanics
BBC News
CNN
ars technica
Gizmodo

Sistema de Plutão:
Plutão (Wikipedia)
Caronte (Wikipedia)
Nix (Wikipedia)
Hidra (Wikipedia)
Cérbero (Wikipedia)
Estige (Wikipedia)

New Horizons:
Página oficial
NASA
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MÚLTIPLOS METAIS - E POSSÍVEIS SINAIS DE ÁGUA - ENCONTRADOS EM EXOPLANETA ÚNICO

Uma equipa internacional de investigadores identificou "impressões digitais" de múltiplos metais num dos exoplanetas menos densos já encontrados. "A deteção de traços de lítio numa atmosfera planetária é um grande avanço," comenta o coautor Nikku Madhusudhan.

A equipa, da Universidade de Cambridge e do IAC (Instituto de Astrofísica das Canárias), usou o GTC (Gran Telescopio Canarias) para observar WASP-127b, um gigante gasoso com céus parcialmente limpos e assinaturas fortes de metais na sua atmosfera. Os resultados foram aceites para publicação na revista Astronomy & Astrophysics.

WASP-127b tem um raio 1,4 vezes maior do que o de Júpiter, mas apenas 20% da sua massa. Um tal planeta não tem análogo no nosso Sistema Solar e é raro até nos milhares de exoplanetas descobertos até agora. Demora pouco mais de quatro dias a orbitar a sua estrela-mãe e a sua temperatura ronda os 1400 K (1127º C).

Impressão de artista do explaneta WASP-127b e da sua estrela hospedeira.
Crédito: Instituto de Astrofísica das Canárias
(clique na imagem para ver versão maior)
 

As observações de WASP-127b revelam a presença de uma grande concentração de metais alcalinos na sua atmosfera, permitindo a deteção simultânea de sódio, potássio e lítio pela primeira vez num exoplaneta. As absorções de sódio e potássio são muito amplas, o que é característico para atmosferas relativamente limpas. De acordo com o trabalho de modelagem feito pelos cientistas, os céus de WASP-127b são aproximadamente 50% limpos.

"As características particulares destes planetas permitiram-nos realizar um estudo detalhado da sua rica composição atmosférica," comenta o Dr. Guo Chen, investigador pós-doutoral do IAC e autor principal do estudo. "A presença de lítio é importante para entender a história evolutiva do sistema planetário e pode lançar luz sobre os mecanismos de formação planetária."

A estrela-mãe do planeta, WASP-127, é também rica em lítio, o que poderá apontar para que uma estrela AGB - uma gigante vermelha e brilhante milhares de vezes mais luminosa do que o Sol - ou uma supernova tenha enriquecido a nuvem de material da qual este sistema se formou.

Os investigadores também encontraram possíveis sinais de água. "Embora esta deteção não seja estatisticamente significativa, já que as características da água são fracas na faixa visível, os nossos dados indicam que observações adicionais no infravermelho próximo devem ser capazes de a detetar," comenta o coautor Enric Pallé, também do IAC.

Os resultados demonstram o potencial dos telescópios terrestres para o estudo das atmosferas planetárias. "A deteção de traços de lítio numa atmosfera planetária é um grande avanço e motiva novas observações de acompanhamento e modelagem teórica detalhada para corroborar as descobertas," comenta o coautor Nikku Madhusudhan, do Instituto de Astronomia de Cambridge.

Estamos apenas a começar a estudar as atmosferas de exoplanetas com telescópios terrestres, mas os autores pensam que este também será um exoplaneta de referência para futuros estudos com telescópios espaciais, como o Telescópio Espacial James Webb, o sucessor do Telescópio Hubble. Estes estudos futuros vão revelar a natureza detalhada de WASP-127b como referência para esta nova classe de exoplanetas de densidade muito baixa.

Links:

Notícias relacionadas:
Instituto de Astrofísica das Canárias (comunicado de imprensa)
Universidade de Cambridge (comunicado de imprensa)
Artigo científico - Astronomy & Astrophysics
Artigo científico (arXiv.org)
Simulação artística de WASP-127b em órbita da sua estrela (IACvideos via YouTube)
PHYSORG

WASP-127b:
Exoplanet.eu
Open Exoplanet Catalogue

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

GTC (Gran Telescopio Canarias):
Página principal
Wikipedia

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
ESA
Wikipedia

 
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Jápeto: A Estranha Lua Pintada de Saturno
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASAESAJPLSSIEquipa de Imagem da Cassini
 
O que aconteceu com a lua de Saturno, Jápeto? Vastas secções deste estranho mundo são escuras como carvão, enquanto outras são tão brilhantes quanto o gelo. A composição do material escuro é desconhecida, mas os espectros infravermelhos indicam que possivelmente contém alguma forma escura de carbono. Jápeto também tem uma crista equatorial invulgar que a faz parecer uma noz. Para melhor entender esta lua aparentemente pintada, a NASA dirigiu a sonda espacial Cassini, enquanto orbitava Saturno, para passar a 2000 km em 2007. Na imagem em destaque, a 75.000 quilómetros, a trajetória da Cassini permitiu uma imagem sem precedentes do hemisfério de Jápeto que está sempre na direção oposta à do planeta. Pode ser vista uma grande cratera a sul, com uns tremendos 450 km de diâmetro, que parece sobreposta a uma cratera de tamanho similar mais antiga. O material escuro é visto revestindo cada vez mais a parte oriental de Jápeto, escurecendo crateras e terras altas. Uma inspeção mais aprofundada indica que o revestimento escuro geralmente está voltado para o equador da lua e tem menos de um metro de espessura. Uma das principais hipóteses diz que o material escuro é principalmente material remanescente de gelo "sujo" relativamente quente que foi sublimado. Um revestimento inicial de material escuro pode ter sido efetivamente pintado pela acreção de detritos libertados por meteoros de outras luas.
 

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