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Edição n.º 1490
19/06 a 21/06/2018
 
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EFEMÉRIDES

Dia 19/06: 170.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 240 a.C. terá sido por volta deste dia que Eratóstenes  "mediu" a circumferência da Terra usando a sombra do Sol a duas latitudes diferentes, uma em Alexandria, a outra em Siena (atualmente Assuão).

Em 1963, Valentina Tereshkova, a primeira mulher no espaço, regressa à Terra após 3 dias em órbita a bordo da Vostok 6
Em 1976, a sonda Viking 1 entrava em órbita em torno de Marte após 10 meses de missão.
Observações: Com o verão a oficialmente dois dias de distância, o Triângulo de Verão está alto a este depois do anoitecer. A estrela do topo é a brilhante Vega. Deneb é a estrela mais brilhante para baixo e para a esquerda de Vega (a 2 ou 3 punhos à distância do braço esticado). Procure Altair a uma maior distância mas para baixo e para a direita de Vega.
Se tiver acesso a um céu escuro, repare que a Via Láctea passa logo abaixo de Vega, através do Triângulo de Verão.

Dia 20/06: 171.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1944, o foguetão V-2 torna-se no primeiro objeto artificial a atravessar o limite do espaço, a Linha de Kármán, com o lançamento V-177.
Em 1976, o módulo de aterragem da Viking 1 pousava em Marte.

Em 1990, era descoberto o asteroide Eureka.
Observações: Aviste Vega alta a este e Arcturo alta a sudoeste. Desenhe uma linha de Vega a Arcturo. A um-terço do caminho está a ténue constelação de Hércules. A dois-terços do caminho está o semicírculo de Coroa Boreal, com a sua única modesta "jóia", Gemma ou Alphecca.

Dia 21/06: 172.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1863, nascia Max Wolf, astrónomo alemão e pioneiro no campo da astrofotografia.
Em 2003, quase 20 anos depois da sua viagem ao espaço, Sally Ride entra para o Corredor da Fama dos Astronautas, tornando-se na primeira mulher a ser honrada por esta instituição. 

Em 2004, o SpaceShipOne torna-se no primeiro avião espacial privado a voar no espaço.
Em 2006, as recém-descobertas luas de Plutão são oficialmente denominadas Nix e Hydra.
Observações: O solstício de junho ocorre às 11:07, assinalando o início do verão para o hemisfério norte e o inverno para o hemisfério sul. É quando o Sol está no seu ponto mais a norte no céu e começa a sua viagem de seis meses em direção a sul. É o dia mais longo do ano para o hemisfério norte, e o dia mais pequeno para o hemisfério sul.
Se tiver acesso a um horizonte desimpedido a oeste-noroeste (a latitudes médias norte), marque precisamente o local onde o Sol se põe. Daqui a alguns dias conseguirá discernir que começa novamente a pôr-se um pouco para sul desse ponto.
À medida que as estrelas começam a aparecer, procure Espiga para baixo e para a esquerda da Lua. Para a esquerda de Espiga está o muito mais brilhante planeta Júpiter.

 
CURIOSIDADES

KIC 9832227
é um sistema binário de contacto, na direção da constelação de Cisne, localizado a aproximadamente 1800 anos-luz de distância. Prevê-se que em 2022 o sistema produza uma nova vermelha brilhante capaz de atingir magnitude aparente 2. Deverá ficar visível a olho nu durante mais ou menos um mês.
 
ASTRÓNOMOS VEEM ERUPÇÃO DISTANTE À MEDIDA QUE BURACO NEGRO DESTRÓI UMA ESTRELA
Impressão de artista de um evento de rutura de maré em Arp 299. A poderosa gravidade do buraco negro supermassivo despedaça a estrela, puxando material para um disco giratório em redor do buraco negro, e lançando para fora um jato de partículas. A imagem de fundo é uma imagem do par de galáxias em colisão Arp 299, pelo Telescópio Espacial Hubble.
Crédito. Sophia Dagnello, NRAO/AUI/NSF; NASA, STScI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Pela primeira vez, os astrónomos observaram diretamente a formação e expansão de um jato veloz de material expulso quando a poderosa gravidade de um buraco negro supermassivo rasgou uma estrela que se aproximou demasiado do monstro cósmico.

Os cientistas acompanharam o evento com radiotelescópios e telescópios infravermelhos, incluindo o VLBA (Very Long Baseline Array) do NSF (National Science Foundation), num par de galáxias em colisão chamado Arp 299, a quase 150 milhões de anos-luz da Terra. No centro de uma das galáxias, um buraco negro 20 milhões de vezes mais massivo do que o Sol despedaçou uma estrela com duas massas solares, desencadeando uma cadeia de eventos que revelou detalhes importantes acerca do encontro violento.

Apenas foram detetadas algumas destas mortes estelares, chamadas eventos de rutura de maré, embora os cientistas tenham teorizado que podem ser uma ocorrência mais comum. Os teóricos sugeriram que o material retirado da estrela moribunda forma um disco giratório em redor do buraco negro, emitindo raios-X intensos e luz visível, e que também lança jatos de material para fora a partir dos polos do disco, quase à velocidade da luz.

Animação que mostra a expansão da região que emite rádio onde a estrela foi dilacerada pelo buraco negro supermassivo. A expansão indica que o jato de partículas se move para fora.
Crédito: Matilla, Perez-Torres, et al.; Bill Saxton, NRAO/AUI/NSF
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Nunca tínhamos conseguido observar diretamente a formação e evolução de um jato destes eventos," afirma Miguel Perez-Torres, do Instituto Astrofísico da Andaluzia, em Granada, Espanha.

A primeira indicação veio no dia 30 de janeiro de 2005, quando astrónomos que usavam o Telescópio William Herschel nas Ilhas Canárias descobriram uma explosão brilhante de emissão infravermelha oriunda do núcleo de uma das galáxias em colisão em Arp 299. No dia de 17 de julho de 2005, o VLBA revelou uma nova e distinta fonte de emissão de rádio no mesmo local.

"Com o passar do tempo, o novo objeto permaneceu brilhante no infravermelho e no rádio, mas não no visível e raios-X," acrescenta Seppo Mattila, da Universidade de Turku, na Finlândia. "A explicação mais provável é que o espesso gás interestelar e a poeira perto do centro da galáxia absorveram os raios-X e a luz visível, irradiados depois no infravermelho". Os investigadores usaram o Telescópio Ótico Nórdico nas Ilhas Canárias e o telescópio espacial Spitzer da NASA para acompanhar a emissão infravermelha do objeto.

As observações de seguimento com o VLBA, com a EVN (European VLBI Network) e outros radiotelescópios, realizados ao longo de quase uma década, mostraram a fonte de emissão de rádio a expandir-se numa única direção, tal como o esperado para um jato. A expansão medida indicou que o material no jato se movia a uma média de um-quarto da velocidade da luz. Felizmente, as ondas de rádio não são absorvidas no núcleo da galáxia, mas encontram o seu caminho através dele até alcançar a Terra.

Estas observações usaram múltiplas antenas de rádio, separadas por milhares de quilómetros, para obter o poder de resolução, ou capacidade para ver bons detalhes, necessário para detetar a expansão de um objeto tão distante. A paciente recolha de dados, durante anos, recompensou os cientistas com evidências de um jato.

A maioria das galáxias tem um buraco negro supermassivo, com milhões ou milhares de milhões de vezes a massa do Sol, no núcleo. Num buraco negro, a massa está tão concentrada que a sua atração gravitacional é tão forte que nem a luz consegue escapar. Quando esses buracos negros supermassivos estão ativamente a atrair material do meio-ambiente em redor, esse material forma um disco giratório em redor do buraco negro, e jatos supervelozes de partículas são lançados para fora. Este é o fenómeno visto em galáxias de rádio e quasares.

"No entanto, na maior parte do tempo, os buracos negros supermassivos não estão a devorar nada, encontram-se num estado silencioso," explicou Perez-Torres. "Os eventos de rutura de maré podem fornecer-nos uma oportunidade única para avançar a nossa compreensão da formação e evolução de jatos nas vizinhanças desses poderosos objetos," acrescentou.

Imagens rádio do evento de rutura de maré em Arp 299.
Crédito: Mattila, Perez-Torres, et al., B. Saxton, NRAO/AUI/NSF
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Por causa da poeira que absorveu qualquer luz visível, este evento específico de rutura de marés pode ser apenas a ponta do iceberg do que até agora era uma população oculta," afirma Mattila. "Ao procurarmos estes eventos com radiotelescópios e telescópios infravermelhos, podemos ser capazes de descobrir muitos mais e de aprender com eles," comenta.

Tais eventos podem ter sido mais comuns no Universo distante, de modo que o seu estudo pode ajudar os cientistas a entender o ambiente no qual as galáxias se desenvolveram há milhares de milhões de anos atrás.

A descoberta, disseram os cientistas, foi uma surpresa. A explosão infravermelha inicial foi descoberta como parte de um projeto que procurava detetar explosões de supernova em tais pares de galáxias em colisão. Já foram vistas várias explosões estelares em Arp 299, até apelidada de "fábrica de supernovas". Este novo objeto foi originalmente considerado uma explosão de supernova. Somente em 2011, seis anos após a descoberta, a porção de emissão de rádio começou a mostrar um alongamento. O acompanhamento subsequente mostrou a expansão a crescer, confirmando que o que os cientistas estavam a observar era um jato, não uma supernova.

Mattila e Perez-Torres lideraram uma equipa de 36 cientistas de 26 instituições em todo o mundo nas observações de Arp 299. Publicaram os seus achados na edição online de 14 de junho da revista Science. Para parte deste trabalho, foram usados dados do VLBA do NSF e do GBT (Green Bank Telescope).

Links:

Notícias relacionadas:
NRAO (comunicado de imprensa)
JPL/NASA (comunicado de imprensa)
ASTRON (comunicado de imprensa)
Universidade de Radboud (comunicado de imprensa)
Artigo científico (Science)
Astronomy
Sky & Telescope
Astronomy Now
ScienceDaily
Discover
SPACE.com
Science alert
Scientific American
PHYSORG
Popular Mechanics
Forbes
New York Times
Metro
sky news
Gizmodo
ars technica

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia
Evento de rutura de maré (Wikipedia)

Arp 299:
Wikipedia

VLBA:
NRAO
Wikipedia

Telescópio William Herschel:
Página principal
Wikipedia

NOT (Nordic Optical Telescope):
Página principal
Wikipedia

Telescópio Espacial Spitzer:
Página oficial 
NASA
Centro Espacial Spitzer 
Wikipedia

EVN:
JIVE
Página oficial
Wikipedia

Telescópio Robert C. Byrd Green Bank:
Página oficial
Wikipedia

 
UM OU DOIS BURACOS NEGROS? NUVENS DE POEIRA PODEM EXPLICAR CARACTERÍSTICAS INTRIGANTES DOS NÚCLEOS GALÁCTICOS ATIVOS

Investigadores da UCSC (Universidade da Califórnia em Santa Cruz) pensam que nuvens de poeira, em vez de buracos negros gémeos, podem explicar as características encontradas em NGAs (núcleos galácticos ativos). A equipa publicou os seus resultados na edição de 14 de junho da revista científica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Muitas galáxias grandes têm um NGA, uma pequena região central brilhante alimentada por matéria que espirala na direção de um buraco negro supermassivo. Quando estes buracos negros engolem vigorosamente a matéria, são cercados por gás quente e veloz que a que se dá o nome "região de linha ampla" (porque as linhas espectrais dessa região são ampliadas pelo movimento rápido do gás).

A emissão deste gás é uma das melhores fontes de informação sobre a massa do buraco negro central e sobre o seu crescimento. A natureza deste gás é, no entanto, mal compreendida; em particular, há menos emissão do que o esperado para gás que se move a certas velocidades. A quebra de modelos simples levou alguns astrofísicos a pensar que muitos NGAs podem ter não apenas um, mas dois buracos negros.

Impressão de artista do aspeto de um núcleo galáctico ativo. O disco de acreção produz a luz brilhante no centro. A região de linha ampla está logo acima do disco de acreção e perde-se no brilho. As nuvens de poeira são direcionadas para cima devido à intensa radiação.
Crédito: Peter Z. Harrington
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A nova análise é liderada por Martin Gaskell, investigador associado em astronomia e astrofísica da UCSC. Em vez de invocar dois buracos negros, explica grande parte da aparente complexidade e variabilidade das emissões da região de linha ampla como o resultado de pequenas nuvens de poeira que podem obscurecer parcialmente as regiões mais internas dos NGAs.

Gaskell comenta: "Nós mostrámos que muitas das misteriosas propriedades dos núcleos galácticos ativos podem ser explicadas por estas pequenas nuvens de poeira, que provocam mudanças no que observamos."

O coautor Peter Harrington, estudante da UCSC, explicou que o gás que espirala em direção ao buraco negro central de uma galáxia forma um "disco de acreção" achatado e o gás superaquecido no disco de acreção emite radiação térmica intensa. Alguma dessa luz é "reprocessada" (absorvida e reemitida) por hidrogénio e outros gases que circulam acima do disco de acreção na região de linha ampla. Para cima e além, encontra-se uma região de poeira.

"Assim que a poeira atravessa um certo limite, é submetida à forte radiação do disco de acreção," acrescenta Harrington. Os autores pensam que esta radiação é tão intensa que afasta a poeira do disco, resultando num fluxo irregular de nuvens de poeira que começam na orla externa da região de linha ampla.

As nuvens de poeira tornam a luz emitida mais ténue e avermelhada, assim como a atmosfera da Terra faz com que o Sol pareça mais fraco e avermelhado ao pôr-do-Sol. Gaskell e Harrington desenvolveram um software informático para modelar os efeitos dessas nuvens de poeira nas observações da região de linha ampla.

Os dois cientistas também mostram que, ao incluírem nuvens de poeira no seu modelo, este pode replicar muitas características da emissão da região de linha ampla que há muito tempo intrigam os astrofísicos. Em vez de o gás ter uma distribuição assimétrica e variável, difícil de explicar, encontra-se simplesmente num disco uniforme, simétrico e turbulento em torno do buraco negro. As aparentes assimetrias e mudanças são devidas a nuvens de poeira que passam em frente da região de linha ampla e que fazem com que as regiões atrás pareçam mais fracas e vermelhas.

"Achamos que é uma explicação muito mais natural das assimetrias e mudanças do que outras teorias mais exóticas, como buracos negros binários, invocadas para as explicar," realça Gaskell. "A nossa explicação permite-nos manter a simplicidade do modelo NGA padrão da matéria que espirala para um único buraco negro."

Links:

Notícias relacionadas:
Sociedade Real Astronómica (comunicado de imprensa)
UC Santa Cruz (comunicado de imprensa)
Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)
ScienceDaily
PHYSORG

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

Núcleo galáctico ativo:
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Tempestades de Areia em Marte
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: J. Bell (ASU)M. Wolff (SSI), Equipa do Arquivo Hubble (STScI / AURA), NASA
 
O que aconteceu ao planeta Marte? Em 2001, Marte passou por uma tremenda tempestade de poeira a nível global - uma das maiores já registadas a partir da Terra. Para mostrar a extensão da tempestade, estas duas imagens obtidas pelo Telescópio Espacial Hubble no final de junho e no início de setembro (2001) fornecem visões dramaticamente contrastantes da superfície marciana. À esquerda, o início de pequenas "sementes" de tempestades pode ser visto perto da bacia Hellas (limite inferior direito de Marte) e na calota polar norte. Uma vista similar da superfície à direita, obtida mais de dois meses depois, mostra a extensão totalmente desenvolvida da tempestade global obscurante. Embora esta tempestade tenha eventualmente desaparecido, nestes últimos dias (2018) surgiu uma nova tempestade de poeira, que tomou conta do Planeta Vermelho.
 

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