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Edição n.º 1513
07/09 a 09/09/2018
 
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ASTRONOMIA NO VERÃO DO CCVAlg

Atividades astronómicas planeadas para o mês de setembro:

12/09 - Observação astronómica noturna - Castelo de Paderne, Albufeira, junto ao Castelo, a partir das 20:30

15/09 - Observação astronómica noturna - Alto da Fóia, Monchique, a partir das 21:30

(todas as atividades estão dependentes de condições meteorológicas favoráveis)

 
EFEMÉRIDES

Dia 07/09: 250.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1914, nascia James Van Allen, cientista americano, instrumental no estabelecimento do campo da pesquisa magnetosférica no espaço.

As cinturas de Van Allen têm o seu nome.
Em 1995, lançamento da missão STS-69 do vaivém espacial Endeavour. Foi o 100.º voo espacial bem sucedido da NASA.
Observações: Neptuno em oposição, pelas 19:06.
O verão está a chegar ao fim. Escorpião já está a sul-sudoeste com o chegar da noite. A sua estrela mais brilhante, a alaranjada Antares, está entre Júpiter e Saturno. Júpiter brilha bem para a direita de Antares, em Balança, e Saturno para cima e para a esquerda de Antares, em Sagitário.

Dia 08/09: 251.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1966 estreia a série televisiva "Star Trek", inspirando o interesse de uma geração pelo espaço, astronomia, tecnologia, efeitos especiais e sistemas sociais alternativos. 

Em 1967, lançamento da sonda Surveyor 5. Aterrou no Mar da Tranquilidade 3 dias depois e enviou mais de 19.000 imagens para a Terra. 
Em 1999, passagem mais próxima do asteroide 699 Hela pela Terra (0,644 UA). 
Em 2000, lançamento da missão STS-106 do vaivém Atlantis
Em 2004, a sonda Genesis da NASA colide com a Terra quando o seu pára-quedas falha em abrir.
Em 2016, a NASA lança a OSIRIS-REx, a primeira missão de recolha de amostras de um asteroide da agência espacial. A sonda vai visitar 101955 Bennu e espera-se que regresse em 2023 à Terra com amostras do astro.
Observações: O "W" de Cassiopeia está a inclinar-se a nordeste depois do anoitecer. Procure o segmento inferior do "W", siga para baixo um pouco mais que a distância correspondente do segmento, para avistar uma mancha no brilho da Via Láctea caso tenha acesso a um céu suficientemente escuro. Os binóculos vão mostrar que esta mancha é o Enxame Duplo de Perseu.

Dia 09/09: 252.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1789 nascia William Cranch Bond, astrónomo americano e o primeiro diretor do Observatório de Harvard College. Pioneiro na fotografia celeste, descobriu o sétimo satélite de Saturno, Hiperião, juntamente com o seu filho George.
Em 1839, John Herschel faz a primeira fotografia em chapa de vidro.
Curiosamente, a foto era do telescópio de 12 metros do seu pai, William Herschel, que caíra em desuso durante algumas décadas e que foi depois desmontado. 
Em 1892, o astrónomo Edward Emerson Barnard, do Observatório Lick descobre o satélite mais interior de Júpiter, Amalteia

Em 1975, lançamento da Viking 2, orbitador e módulo de aterragem marciano. No solo, o módulo operou durante 1316 dias (ou 1281 sols). Em órbita, a sonda enviou quase 16.000 imagens em 706 órbitas.
Em 1994, lançamento da missão STS-64 do vaivém Discovery.
Em 2006, lançamento da missão STS-115 do vaivém espacial Atlantis.
Observações: Lua Nova, pelas 19:01.

Dia 10/09: 253.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1857 nascia James Edward Keeler, astrónomo americano que realizou importantes trabalhos espectroscópicos em 120.000 nebulosas.

Em 1895, mostrou que três partes diferentes dos anéis de Saturno giravam a velocidades diferentes e que não eram corpos sólidos mas uma coleção de objetos pequenos em órbitas independentes.
Em 1858, George Mary Searle descobre o asteroide 55 Pandora.
Em 2008, o LHC no CERN, descrito como a maior experiência científica da História, é ligado em Genebra, Suiça.
Observações: Trânsito de Io, entre as 18:39 e as 20:56.
Trânsito da sombra de Io, entre as 19:46 e as 22:01.
Trânsito de Europa, entre as 19:46 e as 22:16.
Trânsito da sombra de Europa, entre as 22:03 e as 00:30 (já de dia 11).

 
CURIOSIDADES

O asteroide Bennu (o alvo da missão OSIRIS-REx) tem a hipótese acumulada de 1 em 2700, colidir com a Terra entre 2175-2199 (0,037%). Se ocorresse um impacto, a colisão libertaria uma energia equivalente a 1200 megatoneladas de TNT.
 
OBSERVAÇÕES RÁDIO CONFIRMAM JATO VELOZ DE MATERIAL DE FUSÃO DE ESTRELAS DE NEUTRÕES

Medições precisas usando uma coleção continental de radiotelescópios da NSF (National Science Foundation) revelaram que um jato estreito de partículas se movendo quase à velocidade da luz irrompeu no espaço interestelar depois que um par de estrelas de neutrões se fundiram numa galáxia a 130 milhões de anos-luz da Terra. A fusão, cujo sinal foi captado em agosto de 2017, expulsou ondas gravitacionais pelo espaço. Foi o primeiro evento a ser detetado tanto por ondas gravitacionais como por ondas eletromagnéticas, incluindo raios-gama, raios-X, luz visível e ondas de rádio.

O rescaldo da fusão, de nome GW170817, foi observado por telescópios espaciais e terrestres espalhados pelo globo. Os cientistas observaram as características das ondas recebidas a mudar com o tempo e usaram essas alterações como pistas para revelar a natureza dos fenómenos que se seguiram à fusão.

Uma questão que se destacou, mesmo meses após a fusão, era se o evento havia produzido ou não um jato estreito e veloz de material que chegou ao espaço interestelar. É uma questão importante, porque esses jatos são necessários para produzir o tipo de explosões de raios-gama que os teóricos dizem ser provocadas pela fusão de pares de estrelas de neutrões.

Rescaldo da fusão de duas estrelas de neutrões. Material ejetado da explosão original formou uma concha em redor do buraco negro formado a partir da colisão. Um jato de material expelido de um disco em redor do buraco negro interagiu em primeiro lugar com o material ejetado para formar um "casulo" amplo. Mais tarde, o jato conseguiu atravessar o casulo para emergir para o espaço interestelar, onde o seu movimento extremamente rápido se tornou aparente.
Crédito: Sophia Dagnello, NRAO/AUI/NSF
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A resposta surgiu quando os astrónomos usaram uma combinação do VLBA (Very Long Baseline Array) da NSF, do VLA (Karl G. Jansky Very Large Array) e do GBT (Robert C. Byrd Green Bank Telescope) e descobriram que uma região de emissão de rádio da fusão tinha-se movido e o movimento era tão rápido que apenas um jato podia explicar a sua velocidade.

"Nós medimos um movimento aparente que é quatro vezes mais rápido do que a luz. Essa ilusão, chamada de movimento superluminal, resulta quando o jato é apontado quase na direção da Terra e o material no jato aproxima-se da velocidade da luz," comenta Kunal Mooly, do NRAO (National Radio Astronomy Observatory) e do Caltech.

Os astrónomos observaram o objeto 75 dias após a fusão e novamente 230 dias depois.

"Com base na nossa análise, este jato é provavelmente muito estreito, no máximo com 5 graus de largura, e foi apontado a apenas 20 graus da direção da Terra," salienta Adam Deller, da Universidade de Tecnologia de Swinburne e anteriormente do NRAO. "Mas, para coincidir com as nossas observações, o material no jato tem que ter sido expelido a mais de 97% da velocidade da luz," acrescentou.

O cenário que surgiu é que a fusão inicial das duas estrelas de neutrões superdensas provocou uma explosão que impulsionou uma "concha" esférica de detritos para fora. As estrelas de neutrões colapsaram num buraco negro cuja poderosa gravidade começou a puxar o material na sua direção. Esse material formou um disco com rotação rápida, que por sua vez gerou um par de jatos que se movem para fora dos seus polos.

À medida que o evento se desenrolava, a questão alterou-se para determinar se os jatos irromperiam da "concha" de detritos da explosão original. Os dados das observações indicaram que um jato tinha interagido com os detritos, formando um "casulo" amplo de material que se expandia para fora. Esse casulo expande-se mais lentamente do que um jato.

À medida que o jato do evento de fusão das estrelas de neutrões emergia para o espaço, as imagens rádio simuladas nesta impressão de artista ilustram o seu movimento extremamente rápido. Nos 155 dias entre as duas observações, o jato aparentemente moveu-se dois anos-luz, uma distância que exigiria viajar quatro vezes mais depressa que a luz. Este "movimento superluminal" é uma ilusão criada quando jato é apontado quase na direção da Terra e na realidade move-se a mais de 97% da velocidade da luz (não à escala).
Crédito: D. Berry, O. Gottlieb, K. Mooley, G. Hallinan, NRAO/AUI/NSF
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"A nossa interpretação é que o casulo dominou a emissão rádio até cerca de 60 dias após a fusão, e que depois o jato é que dominou a emissão," comenta Ore Gottlieb, da Universidade de Tel Aviv, um dos principais teóricos do estudo.

"Tivemos a sorte de poder observar este evento, porque se o jato tivesse sido apontado para muito mais longe da [perspetiva da] Terra, a emissão rádio teria sido demasiado fraca para a detetarmos," observa Gregg Hallinan do Caltech.

Os cientistas afirmaram que a deteção de um jato veloz em GW170817 fortalece bastante a ligação entre as fusões de estrelas de neutrões e as explosões de raios-gama de curta duração. Acrescentaram também que é necessário que os jatos apontem para relativamente perto da Terra para que a explosão de raios-gama seja detetada.

"O nosso estudo demonstra que a combinação de observações do VLBA, do VLA e do GBT é um método poderoso de estudar os jatos e a física associada com os eventos de ondas gravitacionais," realça Mooley.

"O evento de fusão foi importante por várias razões, e continua a surpreender os astrónomos com mais informações," observa Joe Pesce, diretor do programa da NSF para o NRAO. "Os jatos são fenómenos enigmáticos vistos em vários ambientes, e agora estas observações extraordinárias na faixa de rádio do espetro eletromagnético estão a proporcionar uma visão fascinante sobre elas, ajudando-nos a entender como funcionam."

Mooley e colegas relataram as suas descobertas na versão online da revista Nature de dia 5 de setembro.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
05/06/2018 - Evento de ondas gravitacionais provavelmente assinalou a formação de um buraco negro
23/01/2018 - Fusão de estrelas de neutrões oferece um novo puzzle aos astrofísicos
19/01/2018 - Quão massivas podem ser as estrelas de neutrões?
09/01/2018 - Ondas gravitacionais medem o Universo
22/12/2017 - Observações rádio apontam para explicação provável de fenómenos de fusão de estrelas de neutrões
28/11/2017 - Novo método para medir o tamanho das estrelas de neutrões 
17/10/2017 - Telescópios do ESO observam primeira luz de uma fonte de ondas gravitacionais

Notícias relacionadas:
NRAO (comunicado de imprensa)
Universidade de Tecnologia de Swinburne (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Nature
SPACE.com
Science alert
ScienceDaily
PHYSORG
ars technica

GW170817:
Wikipedia

Estrelas de neutrões:
Wikipedia
Universidade de Maryland

Buraco negro:
Wikipedia

Ondas gravitacionais:
Wikipedia
Astronomia de ondas gravitacionais - Wikipedia
Ondas gravitacionais: como distorcem o espaço - Universe Today
Detetores: como funcionam - Universe Today
As fontes de ondas gravitacionais - Universe Today
O que é uma onda gravitacional (YouTube)

VLA:
Página oficial
NRAO
Wikipedia

VLBA:
NRAO
Wikipedia

GBT:
Página oficial
Wikipedia

 
TELESCÓPIO MAPEIA RAIOS CÓSMICOS NAS NUVENS DE MAGALHÃES

Os cientistas usaram um radiotelescópio no interior da Austrália Ocidental para observar a radiação dos raios cósmicos em duas galáxias vizinhas, mostrando áreas de formação estelar e ecos de supernovas passadas.

O telescópio MWA (Murchison Widefield Array) foi capaz de mapear a Grande e a Pequena Nuvem de Magalhães em detalhes sem precedentes enquanto orbitam em torno da Via Láctea.

Ao observar o céu em frequências muito baixas, os astrónomos detetaram raios cósmicos e gás quente nas duas galáxias e identificaram manchas onde podem ser encontradas estrelas recém-nascidas e remanescentes de explosões estelares.

A investigação foi publicada esta semana na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, uma das principais revistas astronómicas do mundo.

Uma composição colorida (vermelho, verde e azul) da Grande Nuvem de Magalhães feita a partir de dados de rádio a 123, 181 e 227 MHz. Nestes comprimentos de onda, é visível a emissão dos raios cósmicos e dos gases quentes que pertencem a regiões de formação estelar e remanescentes de supernova da galáxia.
Crédito: ICRAR
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O astrofísico e professor Lister Staveley-Smith, do ICRAR (International Centre for Radio Astronomy Research), disse que os raios cósmicos são partículas carregadas muito energéticas que interagem com campos magnéticos para criar radiação que podemos ver com radiotelescópios.

"Estes raios cósmicos são originários de remanescentes de supernova - restos de estrelas que explodiram há muito tempo," afirma.

"As explosões de supernova de onde são originários estão relacionadas com estrelas muito massivas, muito mais massivas do que o nosso próprio Sol.

"O número de raios cósmicos produzidos depende da taxa de formação destas estrelas massivas há milhões de anos."

A Grande e a Pequena Nuvem de Magalhães estão muito próximas da nossa Via Láctea - a menos de 200.000 anos-luz - e podem ser vistas no céu noturno a olho nu.

A Dra. Bi-Qing For, astrónoma do ICRAR que liderou a investigação, disse que esta é a primeira vez que as galáxias foram mapeadas em detalhe a frequências de rádio tão baixas.

"A observação das Nuvens de Magalhães nestas frequências muito baixas - entre 76 e 227 MHz - significa que podemos estimar o número de novas estrelas formadas nessas galáxias," realça.

"Descobrimos que a taxa de formação estelar na Grande Nuvem de Magalhães é aproximadamente equivalente a uma nova estrela com a massa do nosso Sol a cada 10 anos.

"Na Pequena Nuvem de Magalhães, a taxa de formação estelar é mais ou menos equivalente a uma nova estrela com a massa do nosso Sol a cada 40 anos."

Incluídas nas observações estão 30 Dourado, uma excecional região de formação estelar na Grande Nuvem de Magalhães que é mais brilhante do que qualquer região de formação estelar na Via Láctea, e a Supernova 1987A, a supernova mais brilhante desde a invenção do telescópio.

O professor Staveley-Smith disse que os resultados são um vislumbre emocionante da ciência que será possível com os radiotelescópios de próxima geração.

"São indicativos dos resultados que vamos obter com a atualização do MWA, que agora tem o dobro da resolução anterior," acrescentou.

Além disso, o futuro SKA (Square Kilometre Array) fornecerá imagens excecionalmente boas.

"Com o SKA, as linhas de base são novamente oito vezes mais longas, de modo que vamos conseguir fazer mais e melhor," concluiu o professor Staveley-Smith.

Links:

Notícias relacionadas:
ICRAR (comunicado de imprensa)
Universidade da Austrália Ocidental (comunicado de imprensa)
Artigo científico (PDF)
Monthly Notices of the Royal Astronomical Society
ScienceDaily
PHYSORG

Nuvens de Magalhães:
Pequena Nuvem de Magalhães (Wikipedia)
Grande Nuvem de Magalhães (Wikipedia)

Formação estelar:
Wikipedia

MWA (Murchison Widefield Array):
Página principal
Wikipedia

ICRAR:
Página principal

SKA (Square Kilometre Array):
Página internacional
Wikipedia

 
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Crédito: Earth Observatory da NASAGEOS FP, Joshua Stevens
 
Esta dramática visualização global mostra a identificação e distribuição de aerossóis na atmosfera da Terra no dia 23 de agosto de 2018. Produzida em tempo real, o modelo GEOS FP (Goddard Earth Observing System Forward Processing) baseia-se na combinação de satélites que monitorizam a Terra e dados obtidos no solo para calcular a presença de tipos de aerossóis, minúsculas partículas sólidas e gotículas líquidas, à medida que circulam acima do globo. Este modelo de 23 de agosto mostra partículas escuras de carbono em vermelho, dos processos de combustão, como fumo dos fogos nos Estados Unidos e Canadá, espalhando-se por grandes regiões da América do Norte e de África. Os aerossóis de sal marinho estão a azul, rodopiando sobre tufões ameaçadores perto da Coreia do Sul e do Japão, e o furacão que na altura se aproximava do Hawaii. A poeira é ilustrada em tons roxos e sopra por cima dos desertos africanos e asiáticos. A localização de cidades pode ser discernida a partir das concentrações de luzes com base em dados de imagens de satélites da Terra à noite.
 

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