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Edição n.º 1528
30/10 a 01/11/2018
 
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EFEMÉRIDES

Dia 30/10: 303.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1981, lançamento da soviética Venera 13. A Venera 13 transmitiu fotografias e dados de Vénus até março de 1983.
Em 1985, o vaivém espacial Challenger é lançado na STS-61-A, a sua última missão bem sucedida.

Observações: Aviste a brilhante Altair, alta a sudoeste pouco depois do cair da noite. Para cima estão duas pequenas constelações distintas: Golfinho, a pouco mais de um punho à distância do braço esticado para cima e para a esquerda de Altair, e a mais fraca Sagitta (Seta ou Flecha), menos distante mas agora para cima e para a direita de Altair.

Dia 31/10: 304.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1992, o Vaticano (Papa João Paulo II) anuncia que a Igreja Católica errou em condenar Galileu, que afirmava que a Terra não era o centro do Universo.
Em 2000, lançamento da Soyuz TM-31, transportando a primeira tripulação residente da Estação Espacial Internacional. A ISS permanece tripulada continuamente desde aí.

Em 2014, durante um voo de testes da VSS Enterprise, um veículo espacial da Virgin Galactic fragmenta-se catastroficamente e despenha-se no Deserto do Mojave, Califórnia.
Observações: Lua em Quarto Minguante, pelas 16:40.
Nesta noite de "Halloween" não temos lua. Ao início da noite, os dois objetos celestes mais brilhantes são Vega, bem alta a oeste, e Marte, mais baixo a sul.
Desenhe uma linha entre os dois astros. Um pouco para baixo do ponto médio da linha brilha Altair, com a mais ténue Tarazed para cima e para a direita a cerca de um dedo à distância do braço esticado.
A Lua, situada entre Caranguejo e Leão, nasce pouco antes da meia-noite, a este-nordeste, bem para baixo de Castor e Pollux.

Dia 01/11: 305.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1962, lançamento da Mars 1. No dia 21 de março de 1963, quando a sonda estava a 106.760.000 km da Terra, as comunicações falham. Orbita agora o Sol.
Em 1963, é inaugurado oficialmente o Observatório de Arecibo em Porto Rico.

Foi o maior radiotelescópio já construído até julho de 2016, quando o chinês FAST tomou o seu lugar.
Observações: Vega é a estrela mais brilhante muito alta a oeste nestas noites de novembro. A sua pequena constelação, Lira, prolonga-se para a esquerda, apontando na direção da Altair, a estrela mais brilhante a sudoeste.
Três das estrelas principais de Lira, depois de Vega, são binários interessantes. Logo acima de Vega está Eplison Lyrae, um duplo-duplo de quarta magnitude. Epsilon forma um canto de um triângulo quase equilátero com Vega e Zeta Lyrae. O triângulo tem menos de 2º de lado, quase a largura do polegar à distância do braço esticado.
Uns binóculos mostram Epsilon facilmente. E com um telescópio de 4" e ampliação de 100x ou mais podemos resolver os componentes de Epsilon em dois pares íntimos.
Zeta Lyrae é também um bom binário binocular; muito mais difícil mas observável através de um qualquer telescópio. Delta Lyrae, para cima e para a esquerda de Zeta, é um par muito mais largo e fácil.

 
CURIOSIDADES

O Sol queima 600 milhões de toneladas de hidrogénio por segundo. A massa da Terra ronda os 1,35x1021 toneladas. Assim sendo, o Sol consome a massa da Terra (em hidrogénio) em pouco mais de 71.000 anos.
 
ASTRÓNOMOS CONFIRMAM COLISÃO ENTRE DUAS GALÁXIAS SATÉLITES DA VIA LÁCTEA

Se, numa noite limpa, se encontrar no hemisfério sul, poderá ver duas nuvens luminosas deslocadas da Via Láctea.

Estas nuvens de estrelas são galáxias satélites da Via Láctea, chamadas Pequena Nuvem de Magalhães e Grande Nuvem de Magalhães.

Usando dados recém-divulgados da um novo e poderoso telescópio espacial, astrónomos da Universidade do Michigan descobriram que a região sudeste, ou "Asa", da Pequena Nuvem de Magalhães, está a afastar-se do corpo principal dessa galáxia anã, fornecendo a primeira evidência inequívoca de que a Pequena e a Grande Nuvem de Magalhães colidiram recentemente.

"Este é realmente um dos nossos resultados empolgantes," comenta Sally Oey, professora de astronomia na Universidade de Michigan e autora principal do estudo. "Podemos realmente ver que a 'Asa' é a sua própria região separada que está a afastar-se do resto da Grande Nuvem de Magalhães."

Esta imagem mostra uma vista geral da Pequena Nuvem de Magalhães e foi composta a partir de duas exposições do DSS2 (Digitized Sky Survey 2), que digitalizou levantamentos fotográficos do céu noturno.
Crédito: Davide De Martin (ESA/Hubble)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os resultados foram publicados na revista The Astrophysical Research Letters.

Juntamente com uma equipa internacional, Oey e o investigador Johny Dorigo Jones estavam a examinar a Pequena Nuvem de Magalhães em busca de estrelas "fugitivas", estrelas que foram expelidas de enxames no interior da galáxia anã. Para observar esta galáxia, usaram um recente lançamento de dados do Gaia, um telescópio espacial da Agência Espacial Europeia.

O Gaia está desenhado para fotografar as estrelas várias vezes ao longo de um período de vários anos a fim de traçar os seus movimentos em tempo real. Dessa forma, os cientistas podem medir como as estrelas se movem pelo céu.

"Temos observado estrelas muito massivas e quentes - as estrelas mais quentes e luminosas, que são bastante raras," afirma Oey. "A beleza da Pequena Nuvem de Magalhães e da Grande Nuvem de Magalhães é que são as suas próprias galáxias, de modo que estamos a observar todas as estrelas massivas numa única galáxia."

O estudo de estrelas numa única galáxia ajuda os astrónomos de duas maneiras: em primeiro lugar, fornece uma amostra estatisticamente completa das estrelas numa galáxia-mãe. Em segundo lugar, isto dá aos astrónomos uma distância uniforme de todas as estrelas, o que ajuda a medir as suas velocidades individuais.

"É realmente interessante que o Gaia tenha obtido os movimentos próprios destas estrelas. Estes movimentos contêm tudo o que estamos a ver," afirma Dorigo Jones. "Por exemplo, se observarmos alguém a andar na cabine de um avião em voo, o movimento que vemos contém o do avião, bem como o movimento muito mais lento da pessoa a caminhar.

"Removemos o movimento em massa de toda a Pequena Nuvem de Magalhães para aprender mais sobre as velocidades de estrelas individuais. Estamos interessados na velocidade de estrelas individuais porque estamos a tentar entender os processos físicos que ocorrem na nuvem."

As setas mostram a velocidade relativa e direções do movimento no plano do céu para os 315 alvos estelares na Pequena Nuvem de Magalhães. As cores vermelha e azul mostram a velocidade relativa na linha de visão, com o vermelho e azul correspondendo ao movimento para longe, e para perto, da Terra, respetivamente. Para a esquerda da linha tracejada está a região da "Asa", mostrando um movimento em massa para longe do resto da galáxia. Nesta imagem, o norte está para cima e este é para a esquerda.
Crédito: Johnny Dorigo Jones
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Oey e Dorigo Jones estudam estrelas em fuga para determinar como foram expulsas desses aglomerados. Num mecanismo, chamado de cenário de supernova binária, uma estrela num par ligado gravitacionalmente explode como uma supernova, ejetando a outra estrela como uma fisga. Este mecanismo produz estrelas binárias emissoras de raios-X.

Outro mecanismo é que um enxame de estrelas gravitacionalmente instável eventualmente ejeta uma ou duas estrelas do grupo. Isto é chamado de ejeção dinâmica, que produz estrelas binárias normais. Os investigadores encontraram números significativos de estrelas fugitivas entre binários de raios-X e binários normais, indicando que ambos os mecanismos são importantes na expulsão de estrelas de enxames.

Ao observar estes dados, a equipa também observou que todas as estrelas da Asa - a parte sudeste da Pequena Nuvem de Magalhães - estão a mover-se numa direção e velocidade semelhantes. Isto demonstra que a Pequena e a Grande Nuvens de Magalhães provavelmente tiveram uma colisão há algumas centenas de milhões de anos.

Gurtina Besla, colaboradora do estudo e astrónoma da Universidade do Arizona, modelou a colisão da Pequena com a Grande Nuvem de Magalhães. Ela e a sua equipa previram, há alguns anos, que uma colisão direta faria com que a região da Asa da Pequena Nuvem de Magalhães se movesse em direção à Grande Nuvem de Magalhães, ao passo que se as duas galáxias simplesmente passassem perto uma da outra, as estrelas da Asa estariam movendo-se numa direção perpendicular. Em vez disso, a Asa afasta-se da Pequena Nuvem de Magalhães, em direção à Grande Nuvem de Magalhães, realça Oey, confirmando que ocorreu uma colisão direta.

"Nós queremos o máximo possível de informações sobre estas estrelas a fim de restringir melhor esses mecanismos de ejeção," comenta Dorigo Jones. "Todos nós gostamos de ver imagens de galáxias e de nebulosas incrivelmente distantes. No entanto, a Pequena Nuvem de Magalhães está tão perto de nós que até podemos ver a sua beleza no céu noturno à vista desarmada. Estes factos, juntamente com os dados do Gaia, permitem-nos analisar os movimentos complexos de estrelas dentro da Pequena Nuvem de Magalhães e até determinar fatores da sua evolução."

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade do Michigan (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Artigo científico (The Astrophysical Research Letters)
Astrónomos confirmam colisão entre duas galáxias satélites da Via Láctea (U-M via YouTube)
COSMOS
PHYSORG
UPI

Nuvens de Magalhães:
Pequena Nuvem de Magalhães (Wikipedia)
Grande Nuvem de Magalhães (Wikipedia)

Gaia:
ESA
ESA - 2
Arquivo de dados do Gaia
Como usar os dados do Gaia
Recursos VR
SPACEFLIGHT101
Wikipedia

 
CONFIRMADOS OS "SATÉLITES DE POEIRA" DA TERRA

Uma equipa de astrónomos e físicos húngaros pode ter confirmado duas elusivas nuvens de poeira, em pontos semiestáveis a apenas 400 mil quilómetros da Terra. As nuvens, relatadas pela primeira vez pelo astrónomo polaco Kazimierz Kordylewski em 1961 (que receberam o seu nome), são excecionalmente fracas, de modo que a sua existência é controversa. O novo trabalho foi publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

O sistema Terra-Lua tem cinco pontos de estabilidade onde as forças gravitacionais mantêm a posição relativa de objetos aí localizados. Dois desses chamados pontos de Lagrange, L4 e L5, formam um triângulo de lados iguais com a Terra e a Lua e movem-se em redor da Terra à medida que a Lua se move na sua órbita.

Impressão de artista da nuvem de Kordylewski no céu noturno (com o seu brilho muito exagerado), aquando das observações.
Crédito: G. Horváth
(clique na imagem para ver versão maior)
 

L4 e L5 não são completamente estáveis, pois são perturbados pela atração gravitacional do Sol. No entanto, são considerados locais onde a poeira interplanetária se pode acumular, pelo menos temporariamente. Kordylewski observou dois aglomerados próximos de poeira em L5 em 1961, com vários relatos desde então, mas a sua extrema fraqueza torna-os difíceis de detetar e muitos cientistas duvidam da sua existência.

Num artigo publicado no início deste ano, a equipa húngara, liderada por Gábor Horváth da Universidade Eötvös Loránd, modelou as nuvens de Kordylewski para avaliar como se formaram e como podiam ser detetadas. Os investigadores estavam interessados na sua aparência usando filtros polarizados, que transmitem luz numa direção particular de oscilação, semelhante aos encontrados em alguns tipos de óculos de sol. A luz refletida ou dispersa é sempre mais ou menos polarizada, dependendo do ângulo de dispersão ou reflexão.

De seguida, estabeleceram o objetivo de encontrar as nuvens de poeira. Com um sistema de filtros polarizados acoplado a uma lente de uma câmara e a um detetor CCD no observatório privado de Slíz-Balogh, na Hungria (Badacsonytördemic), os cientistas obtiveram exposições da suposta localização da nuvem de Kordylewski no ponto L5.

Mosaico do ângulo de polarização em redor do ponto L5 (ponto branco) do sistema Terra-Lua. As cinco exposições correspondem aos campo de visão do telescópio polarimétrico no qual os padrões de polarização das nuvens de Kordylewski foram medidos.
Crédito: J. Slíz-Balogh
(clique na imagem para ver versão maior)
 

As imagens obtidas mostram a luz polarizada refletida pela poeira, estendendo-se bem para fora do campo de visão da lente da câmara. O padrão observado corresponde às previsões feitas pelo mesmo grupo de investigadores num artigo anterior e é consistente com as primeiras observações das nuvens de Kordylewski há seis décadas atrás. O grupo de Horváth foi capaz de descartar artefactos óticos e outros efeitos, o que significa que a presença da nuvem de poeira foi confirmada.

Judit Slíz-Balogh comenta sobre a sua descoberta: "As nuvens de Kordylewski são dois dos objetos mais difíceis de encontrar e, embora estejam tão próximas da Terra quanto a Lua, são amplamente ignoradas pelos investigadores da astronomia. É intrigante confirmar que o nosso planeta tem pseudosatélites em órbita, juntamente com a nossa vizinha lunar."

Dada a sua estabilidade, os pontos L4 e L5 são vistos como potenciais locais para sondas espaciais em órbita e como estações de transferência para missões que exploram o Sistema Solar. Existem também propostas para armazenar poluentes nos dois pontos. Investigações futuras olharão para L4 e L5, e para as nuvens de Kordylewski associadas, a fim de compreender quão estáveis realmente são e se a poeira representa algum tipo de ameaça para os equipamentos e futuros astronautas.

Links:

Notícias relacionadas:
Sociedade Astronómica Real (comunicado de imprensa)
Artigo científico - 1 (Monthly Notices of the Royal Astronomica Society)
Artigo científico - 2 (Monthly Notices of the Royal Astronomica Society)
EurekAlert!
ScienceDaily
PHYSORG
Gizmodo

Nuvens de Kordylewski:
Wikipedia

Pontos de Lagrange:
Wikipedia
L4 e L5 (Wikipedia)

 
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - IC 59 e IC 63 em Cassiopeia
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Ken Crawford (Obs. Rancho Del Sol)
 
Estas orlas brilhantes e formas fluídas parecem fantasmagóricas numa escala cósmica. Uma vista telescópica em direção à constelação de Cassiopeia, a colorida paisagem estelar (ampliável)possui as nuvens em forma de cometa IC 59 (esquerda) e IC 63. A cerca de 600 anos-luz de distância, as nuvens não são realmente fantasmas, mas estão sim a desaparecer lentamente sob a influência da radiação energética da estrela quente e luminosa gamma Cas. Gamma Cas está fisicamente localizada a apenas 3 ou 4 anos-luz das nebulosas, logo para lá da fronteira superior direita da imagem. Um pouco mais perto de gamma Cas, IC 63 é dominada pela luz vermelha H-alfa emitida à medida que os átomos de hidrogénio ionizados pela radiação ultravioleta da estrela são recombinados com eletrões. Mais longe da estrela, IC 59 mostra proporcionalmente menos emissão H-alfa, mas mais do característico tom azulado da luz estelar refletida por poeira. O campo de visão abrange cerca de 1 grau à distância estimada de gamma Cas e companheiras.
 

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