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Edição n.º 1550
15/01 a 17/01/2019
 
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EFEMÉRIDES

Dia 15/01: 15.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1969, a União Soviética lançava a Soyuz 5.

Em 1976, lançamento da Helios-B para órbita solar.
Em 2005, uma intensa proeminência solar liberta raios-X por todo o Sistema Solar. No mesmo dia, a sonda SMART-1 da ESA descobre elementos como o cálcio, alumínio, sílica, ferro e outros elementos à superfície da Lua.
Observações: A Lua brilha alta a sul pouco depois do anoitecer. Mais ou menos 7º para baixo (menos de um punho à distância do braço esticado) está Alpha Ceti, com magnitude 2,5. Consegue detetar o seu tom avermelhado? É uma gigante do tipo espectral K7.
O centro da nossa Galáxia está na direção da constelação de Sagitário. Mas isso é no verão. Sabe onde fica o anticentro, bem alto no céu de inverno? Está situado perto da fronteira que separa as constelações de Touro e Cocheiro. Beta Tauri (Elnath) ajuda.

Dia 16/01: 16.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1969, a Soyuz 4 e a  Soyuz 5 levam a cabo o primeiro acoplamento de naves em órbita, a primeira transferência de tripulação de um veículo para outro, e a única vez que tal transferência envolveu um passeio espacial.
Em 2003 a nave Columbia arrancava para a missão STS-107, que seria a sua última.

O Columbia acabaria por desintegrar-se 16 dias depois, durante a sua reentrada na atmosfera da Terra.
Observações: Depois do anoitecer, lute contra o luar e aviste as Plêiades, enxame este situado para cima do nosso satélite natural. Aldebarã e as ténues Híades estão para a esquerda.

Dia 17/01: 17.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2003, um foguetão Delta II transportando um satélite GP IIR-1 explode 13 segundos depois do lançamento deixando 250 toneladas de resíduos queimados na plataforma de lançamento. 
Em 2016, floresce a primeira flor a bordo da Estação Espacial Internacional.

Observações: Esta noite já a Lua se moveu para a esquerda de Aldebarã.

 
CURIOSIDADES

A estrela (neste caso, binária) com o nome mais longo é Torcularis Septentrionalis, mais conhecida por Omicron Piscium (constelação de Peixes).
 
TELESCÓPIOS ENCONTRAM FONTE DE RAIOS-X NO INTERIOR DE SUPERNOVA MISTERIOSA
AT2018cow explodiu dentro de ou próximo da galáxia CGCG 137-068, localizada a cerca de 200 milhões de anos-luz de distância na direção da constelação de Hércules. Esta ampliação mostra a posição do fenómeno.
Crédito: Sloan Digitized Sky Survey
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os telescópios espaciais de alta energia da ESA, INTEGRAL e XMM-Newton, ajudaram a encontrar uma poderosa fonte de raios-X no centro de uma explosão estelar, de brilho e evolução sem precedentes, que apareceu subitamente no céu.

O telescópio ATLAS no Hawaii foi o primeiro a avistar o fenómeno, desde então chamado AT2018cow, no dia 16 de junho. Pouco tempo depois, astrónomos de todo o mundo apontaram telescópios terrestres e espaciais para o objeto celeste recém-descoberto, localizado numa galáxia a aproximadamente 200 milhões de anos-luz.

Rapidamente perceberam que era algo completamente novo. Em apenas dois dias, o objeto excedeu o brilho de qualquer supernova observada anteriormente - uma poderosa explosão de uma estrela massiva e velha que expele a maior parte do seu material para o espaço circundante, varrendo a poeira e os gases interestelares na sua vizinhança.

O novo artigo, aceite para publicação na revista The Astrophysical Journal, descreve as observações dos primeiros 100 dias da existência do objeto, cobrindo todo o espectro eletromagnético da explosão, desde o rádio até aos raios-gama.

A análise, que inclui observações do INTEGRAL e XMM-Newton da ESA, bem como dos telescópios espaciais NuSTAR e Swift da NASA, encontrou uma fonte de raios-X altamente energéticos situada no interior da explosão.

O comportamento desta fonte, revelado nos dados, sugere que o fenómeno estranho pode ser ou um buraco negro nascente ou uma estrela de neutrões com um poderoso campo magnético, sugando o material circundante.

"A interpretação mais empolgante é que podemos ter visto pela primeira vez o nascimento de um buraco negro ou de uma estrela de neutrões," comenta Raffaella Margutti da Universidade Northwestern, EUA, autora principal do artigo.

"Sabemos que os buracos negros e as estrelas de neutrões se formam quando as estrelas colapsam e explodem como supernovas, mas nunca vimos tais objetos no momento exato da sua formação," acrescenta Indrek Vurm do Observatório Tartu, na Estónia, que trabalhou na modelagem das observações.

A explosão AT2018cow não foi apenas 10 a 100 vezes mais brilhante do que qualquer outra supernova já observada anteriormente: também atingiu o pico de luminosidade muito mais depressa do que qualquer outro evento conhecido anteriormente - em apenas alguns dias em comparação com as duas semanas normais.

Os astrónomos, usando observações terrestres, avistaram a progressão do evento cósmico AT2018cow, visto nestas três imagens. Esquerda: o SDSS no estado norte-americano do Novo México observou a galáxia hospedeira em 2003, sem sinal à vista (o círculo verde indica a eventual posição da explosão). Centro: o Telescópio Liverpool nas Ilhas Canárias viu o fenómeno muito perto do seu brilho máximo no dia 20 de junho de 2018, quanto era muito mais brilhante do que a galáxia hospedeira. Direita: o Telescópio William Herschel, também nas Ilhas Canárias, obteve uma imagem de alta resolução de AT2018cow quase um mês depois de ter atingido o seu brilho máximo, enquanto diminuia de brilho.
Crédito: Daniel Perley, Universidade John Moores de Liverpool
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O INTEGRAL fez as suas primeiras observações do fenómeno cerca de cinco dias depois de ter sido relatado e manteve a monitorização durante 17 dias. Os seus dados mostraram-se cruciais para a compreensão do estranho objeto.

"O INTEGRAL estuda uma gama de comprimentos de onda que não é coberta por qualquer outro satélite," realça Erik Kuulkers, cientista do projeto INTEGRAL da ESA. "Nós temos uma certa sobreposição com o NuSTAR na parte dos raios-X altamente energéticos, mas também podemos observar a energias mais altas."

Assim, enquanto os dados do NuSTAR revelaram em grande detalhe o espectro de raios-X, com o INTEGRAL os astrónomos foram capazes de ver o espectro inteiro da fonte, incluindo o seu limite superior em raios-gama suaves.

"Vimos uma espécie de 'solavanco' com um corte acentuado no espectro mais energético," explica Volodymyr Savchenko, astrónomo da Universidade de Genebra, na Suíça, que trabalhou nos dados do INTEGRAL. "Este 'solavanco' é um componente adicional da radiação libertada pela explosão, brilhando através de um meio opaco ou opticamente espesso."

"Esta radiação altamente energética veio provavelmente de uma área de plasma muito quente e denso em torno da fonte," acrescenta Carlo Ferrigno, também da Universidade de Genebra.

Dado que o INTEGRAL continuou a monitorizar a explosão AT2018cow por um maior período de tempo, os seus dados também puderam mostrar que o sinal de raios-X altamente energéticos estava gradualmente a desvanecer.

Raffaella explica que a estes raios-X altamente energéticos que desapareceram se dá o nome radiação reprocessada - radiação da fonte que interage com material expelido pela explosão. À medida que o material se afasta do centro da explosão, o sinal diminui gradualmente e acaba por desaparecer completamente.

A evolução da explosão de supernova AT2018cow, observada em raios-X suaves com os observatórios espaciais Swift da NASA (círculos vermelhos) e XMM-Newton da ESA (triângulos vermelhos), e a raios-X mais energéticos com o NuSTAR da NASA (círculos cor-de-laranja) e com o INTEGRAL da ESA (círculos amarelos).
A supernova foi avistada pela primeira vez no dia 16 de junho de 2018 com o telescópio ATLAS no Hawaii. Os dados aqui presentes foram recolhidos entre os dias 22 de junho e 22 de julho.
Estas observações revelaram uma fonte de poderosos raios-X no centro desta explosão estelar de brilho e evolução sem precedentes, sugerindo que pode ou ser o nascimento de um buraco negro ou uma estrela de neutrões com um campo magnético poderoso, atraindo material em redor.
Crédito: Cortesia de R. Margutti et al. (2019)
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No entanto, neste sinal os astrónomos foram capazes de encontrar padrões típicos de um objeto que atrai matéria dos seus arredores - seja um buraco negro ou uma estrela de neutrões.

"É a característica mais invulgar que observámos em AT2018cow e é definitivamente algo sem precedentes no mundo dos eventos astronómicos transientes e explosivos," diz Raffaella.

Entretanto, o XMM-Newton observou esta explosão invulgar duas vezes nos primeiros 100 dias da sua existência. Detetou a parte menos energética da sua emissão de raios-X que, segundo os astrónomos, vem diretamente do "motor" no núcleo da explosão. Ao contrário dos raios-X altamente energéticos provenientes do plasma circundante, ainda são visíveis os raios-X de baixa energia da fonte.

Os astrónomos planeiam usar o XMM-Newton para realizar uma observação de acompanhamento no futuro, o que permitirá com que compreendam o comportamento da fonte ao longo de um maior período de tempo e em grande detalhe.

"Continuamos a analisar os dados do XMM-Newton para tentar compreender a natureza da fonte," realça a coautora Giulia Migliori, da Universidade de Bolonha, na Itália, que trabalhou nos dados de raios-X. "A acreção dos buracos negros deixa marcas características em raios-X, que podemos detetar nos nossos dados."

"Este evento foi completamente inesperado e mostra que há muito que não entendemos completamente," diz Norbert Scharterl, cientista do projeto XMM-Newton da ESA. "Um satélite, um único instrumento, nunca seria capaz de entender um objeto tão complexo. Os conhecimentos detalhados que pudemos reunir sobre o funcionamento da misteriosa explosão AT2018cow só foram alcançados graças à ampla cooperação e combinação de muitos telescópios."

Links:

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
NASA (comunicado de imprensa)
NRAO (comunicado de imprensa)
Universidade Northwestern (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Visualização do evento AT2018cow (NASA/JPL via YouTube)
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AT2018cow:
NASA/IPAC Extragalactic Database
Transient Name Server
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INTEGRAL:
ESA
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Observatório XMM-Newton:
ESA
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Telescópio ATLAS:
Página principal
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NuSTAR:
NASA
Caltech
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Telescópio Swift:
NASA
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Supernovas:
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Buracos negros:
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Estrelas de neutrões:
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Universidade de Maryland

 
HUBBLE OBSERVA O QUASAR MAIS BRILHANTE DO UNIVERSO JOVEM
Esta impressão de artista mostra o potencial aspeto de J043947.08+163415.7, um quasar muito distante alimentado por um buraco negro supermassivo. Este objeto é, de longe, o quasar mais brilhante já descoberto no Universo jovem.
Crédito: ESA/Hubble, NASA, M. Kornmesser
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O Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA descobriu o quasar mais brilhante alguma vez visto no início do Universo. Após 20 anos de buscas, os astrónomos identificaram o antigo quasar com a ajuda de fortes lentes gravitacionais. Este objeto único fornece uma visão do nascimento das galáxias quando o Universo tinha menos de mil milhões de anos.

Os quasares são os núcleos extremamente brilhantes de galáxias ativas. O poderoso brilho de um quasar é produzido por um buraco negro supermassivo que está cercado por um disco de acreção. O gás que cai em direção ao buraco negro liberta quantidades incríveis de energia, que pode ser observada em todos os comprimentos de onda.

Este quasar recém-descoberto, catalogado como J043947.08+163415.7, não é exceção; o seu brilho é equivalente a aproximadamente 600 biliões de sóis (o brilho inclui o fator de ampliação da lente gravitacional, fator este de 50. Sem a lente, a luminosidade do quasar seria equivalente a mais ou menos 11 mil milhões de sóis) e o buraco negro supermassivo que o alimenta tem várias centenas de milhões de vezes a massa do nosso Sol. "É algo que procurávamos há muito tempo," disse o autor principal Xiaohui Fan (Universidade do Arizona, EUA). "Não esperamos encontrar muitos quasares mais brilhantes que este em todo o Universo observável!"

Apesar do seu brilho, o Hubble conseguiu identificá-lo apenas porque a sua aparência era fortemente afetada por poderosas lentes gravitacionais. Uma galáxia ténue está localizada entre o quasar e a Terra, curvando a luz do quasar e fazendo-o parecer três vezes maior e 50 vezes mais brilhante do que seria sem o efeito da lente gravitacional. Mesmo assim, a lente e o quasar com lente são extremamente compactos e não resolvidos em imagens de telescópios óticos terrestres. Só a visão nítida do Hubble permitiu resolver o sistema.

Esta imagem mostra o quasar distante J043947.08+163415.7, observado pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA. O quasar é um dos objetos mais brilhantes do Universo jovem. No entanto, devido à sua distância, só é visível graças ao efeito de lente gravitacional de uma galáxia no plano da frente, que a faz parecer maior e mais brilhante.
O sistema composto pela imagem ampliada e pela lente gravitacional é tão compacto que o Hubble é o único telescópio ótico capaz de o resolver.
Crédito: NASA, ESA, X. Fan (Universidade do Arizona)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os dados mostram não apenas que o buraco negro supermassivo está a acumular matéria a uma taxa extremamente alta, mas também que o quasar pode estar a produzir até 10.000 estrelas por ano (devido ao efeito de ampliação da lente gravitacional, a real taxa de formação estelar pode ser muito mais baixa. Em comparação, a Via Láctea produz aproximadamente uma estrela por ano). "As suas propriedades e a sua distância tornam-no um grande candidato à investigação da evolução dos quasares distantes e à investigação do papel que os buracos negros supermassivos tiveram na sua formação estelar," explica o coautor Fabian Walter (Instituto Max Planck para Astronomia, Alemanha), ilustrando a razão porque esta descoberta é tão importante.

Os quasares parecidos com J043947.08+163415.7 existiram durante o período de reionização do jovem Universo, quando a radiação das jovens galáxias e quasares reaqueceu o hidrogénio obscurante que havia arrefecido apenas 400.000 após o Big Bang; o Universo reverteu de neutro para mais uma vez ser plasma ionizado. No entanto, ainda não se sabe com certeza quais os objetos que forneceram os fotões de reionização. Os objetos energéticos como este quasar recém-descoberto podem ajudar a resolver o mistério.

Por essa razão, a equipa está a reunir o máximo possível de dados sobre J043947.08+163415.7. Atualmente estão a analisar um espectro detalhado de 20 horas obtido pelo VLT (Very Large Telescope) do ESO, que lhes permitirá identificar a composição química e as temperaturas do gás intergaláctico no início do Universo. A equipa também está a usar o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) e espera também observar o quasar com o Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA. Com estes telescópios, poderão observar as redondezas do buraco negro supermassivo e medir diretamente a influência da sua gravidade sobre o gás circundante e sobre a formação estelar.

Links:

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
Observatório W. M. Keck (comunicado de imprensa)
Observatório Gemini (comunicado de imprensa)
Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)
Artigo científico (arXiv.org)
Hubblesite
Impressão de artista de um quasar distante (HubbleESA via YouTube)
Efeito de lente gravitacional sobre um quasar distante (HubbleESA via YouTube)
SPACE.com
Astronomy Now
COSMOS
PHYSORG
Forbes
Visão

Quasar:
Wikipedia

Buraco negro supermassivo:
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Lentes gravitacionais:
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

Formação estelar:
Wikipedia

Universo:
A expansão acelerada do Universo (Wikipedia)
Lei de Hubble (Wikipedia)
Universo (Wikipedia)
Idade do Universo (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Big Bang (Wikipedia)

 
O QUE 100.000 FÁBRICAS ESTELARES EM 74 GALÁXIAS NOS CONTAM SOBRE A FORMAÇÃO ESTELAR EM TODO O UNIVERSO
Seis imagens obtidas pelo ALMA de uma coleção de 74. Fazem parte do levantamento PHANGS-ALMA, que tem o objetivo de estudar as propriedades das nuvens de formação estelar em galáxias de disco.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO); NRAO/AUI/NSF, B. Saxton
(clique na imagem para ver versão maior)
 

As galáxias têm uma ampla variedade de formas e tamanhos. No entanto, algumas das diferenças mais significativas entre as galáxias dizem respeito a onde e como formam novas estrelas. As investigações convincentes para explicar essas diferenças têm sido elusivas, mas isso está prestes a mudar. O ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) está a levar a cabo um levantamento sem precedentes de galáxias de disco próximas com o objetivo de estudar os seus berçários estelares. Com ele, os astrónomos estão a começar a desvendar a relação complexa e ainda pouco entendida entre as nuvens de formação estelar e as suas galáxias hospedeiras.

Um novo e vasto projeto de investigação com o ALMA, conhecido como PHANGS-ALMA (Physics at High Angular Resolution in Nearby GalaxieS), debruça-se sobre esta questão com muito mais poder e precisão do que nunca, medindo a demografia e as características de uns impressionantes 100.000 berçários estelares individuais espalhados por 74 galáxias.

A campanha de pesquisa PHANGS-ALMA, sem precedentes, já acumulou um total de 750 horas de observações e deu aos astrónomos uma compreensão muito mais clara de como o ciclo de formação estelar muda, dependendo do tamanho, idade e dinâmica interna de cada galáxia individual. Esta campanha é dez a cem vezes mais poderosa (dependendo dos parâmetros) do que qualquer outro levantamento anterior do género.

"Algumas galáxias produzem furiosamente novas estrelas, enquanto outras já consumiram a maior parte do seu combustível para a formação estelar. A origem desta diversidade pode muito provavelmente estar nas propriedades dos próprios berçários estelares," comenta Erik Rosolowsky, astrónomo da Universidade de Alberta no Canadá e um dos principais investigadores da equipa de investigação do levantamento PHANGS-ALMA.

Rosolowsky apresentou os achados iniciais da investigação na 233.ª reunião da Sociedade Astronómica Americana, que teve lugar a semana passada em Seattle, Washington, EUA. Vários artigos baseados nesta campanha também foram publicados nas revistas The Astrophysical Journal e The Astrophysical Journal Letters.

"As observações anteriores com as gerações anteriores de radiotelescópios fornecem algumas informações cruciais sobre a natureza dos berçários estelares densos e frios," disse Rosolowsky. "No entanto, estas observações carecem de sensibilidade, de resolução e de poder para estudar a grande diversidade dos berçários estelares em toda a população de galáxias locais. Isto limitou seriamente a nossa capacidade para relacionar o comportamento ou propriedades dos berçários estelares individuais com as propriedades das galáxias em que residem."

Imagem ALMA da galáxia NGC 4321, também conhecida como Messier 100, uma galáxia espiral intermédia localizada a mais ou m enos 55 milhões de anos-luz da Terra, na direção da constelação de Cabeleira de Berenice. A imagem faz parte do levantamento PHANGS-ALMA, com o objetivo de estudar as propriedades das nuvens de formação estelar em galáxias de disco.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO); NRAO/AUI/NSF, B. Saxton
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Durante décadas, os astrónomos especularam que existem diferenças fundamentais na forma como as galáxias de disco com vários tamanhos convertem o hidrogénio em novas estrelas. Alguns astrónomos teorizam que galáxias maiores e geralmente mais velhas não são tão eficientes na produção estelar quanto as suas primas mais pequenas. A explicação mais lógica seria que essas grandes galáxias têm berçários estelares menos eficientes. Mas tem sido difícil testar esta ideia com observações.

Pela primeira vez, o ALMA está a permitir com que os astrónomos realizem o censo abrangente necessário para determinar como as propriedades de grande escala (tamanho, movimento, etc.) de uma galáxia influenciam o ciclo de formação estelar à escala de nuvens moleculares individuais. Estas nuvens têm apenas algumas dezenas a centenas de anos-luz de tamanho, o que é fenomenalmente pequeno à escala de uma galáxia inteira, especialmente quando vista a milhões de anos-luz de distância.

"As estrelas formam-se de modo mais eficiente em algumas galáxias do que noutras, mas a falta de observações em alta resolução e à escala das nuvens fez com que as nossas teorias não fossem bem testadas, razão pela qual estas observações do ALMA são tão críticas," explica Adam Leroy, astrónomo da Universidade Estatal do Ohio e coinvestigador principal da equipa PHANGS-ALMA.

Parte do mistério da formação estelar, realçam os astrónomos, tem a ver com o meio interestelar - toda a matéria e energia que preenche o espaço entre as estrelas.

Os astrónomos entendem que existe um ciclo de feedback contínuo no interior e em redor dos berçários estelares. Dentro destas nuvens, regiões de gás denso colapsam e formam estrelas, o que perturba o meio interestelar.

"De facto, a comparação entre as observações iniciais do PHANGS e as posições das estrelas recém-formadas mostra que estas destroem rapidamente as suas nuvens natais," acrescenta Rosolowsky. "A equipa PHANGS está a estudar como esta perturbação tem lugar em diferentes tipos de galáxias, o que pode ser um fator-chave na formação estelar."

Para esta investigação, o ALMA está a observar moléculas de monóxido de carbono (CO) em todas as galáxias espirais relativamente massivas, vistas geralmente de face, visíveis do hemisfério sul. As moléculas de CO emitem naturalmente luz em comprimentos de onda milimétricos que o ALMA pode detetar. São particularmente eficazes em destacar a localização de nuvens de formação estelar.

"O ALMA é uma máquina incrivelmente eficiente a mapear monóxido de carbono em grandes áreas de galáxias próximas," salienta Leroy. "Foi capaz de realizar este levantamento graças ao poder combinado das antenas de 12 metros, que estudam características de escala fina, e às antenas mais pequenas de 7 metros, no centro do complexo, sensíveis a características de grande escala, essencialmente preenchendo as lacunas."

Composição entre uma imagem do ALMA (laranja) e do Hubbe (azul), da galáxia Messier 74, também conhecida como NGC 628, uma galáxia espiral na constelação de Peixes, localizada a cerca de 32 milhões de anos-luz da Terra. A imagem faz parte do levantamento PHANGS-ALMA, com o objetivo de estudar as propriedades das nuvens de formação estelar em galáxias de disco.
Crédito: ALMA - NRAO/AUI/NSF, B. Saxton; NASA/Hubble
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Um estudo complementar, PHANGS-MUSE (Multi-Unit Spectroscopic Explorer), está a usar o VLT (Very Large Telescope) para obter imagens óticas das primeiras 19 galáxias observadas pelo ALMA. Ainda outro levantamento, PHANGS-HST, usa o Telescópio Espacial Hubble para estudar 38 destas galáxias e para encontrar os seus mais jovens enxames estelares. Juntos, estes três levantamentos fornecem uma imagem surpreendentemente completa de quão eficazmente as galáxias produzem estrelas ao estudar o gás molecular frio, o seu movimento, a localização de gás ionizado (regiões onde as estrelas já estão a ser formadas) e as populações estelares completas das galáxias.

"Em astronomia, não temos capacidade para observar o cosmos a mudar ao longo do tempo; as escalas de tempo simplesmente superam avassaladoramente a existência humana," diz Rosolowsky. "Não podemos observar um objeto para todo o sempre, mas podemos observar centenas de milhares de nuvens de formação estelar em galáxias de diferentes tamanhos e idades para inferir como a evolução galáctica funciona. Esse é o valor real da campanha PHANGS-ALMA."

"Também analisamos milhares a dezenas de milhares de regiões de formação estelar dentro de cada galáxia, capturando-as ao longo do seu ciclo de vida. Isto permite-nos construir uma imagem do nascimento e da morte dos berçários estelares nas galáxias, algo quase impossível antes do ALMA," acrescenta Leroy.

Até agora, o PHANGS-ALMA estudou aproximadamente 100.000 objetos semelhantes à Nebulosa de Orionte no Universo próximo. Espera-se que a campanha acabe eventualmente por observar cerca de 300.000 regiões de formação estelar.

Links:

Notícias relacionadas:
Observatório ALMA (comunicado de imprensa)
NRAO (comunicado de imprensa)
Artigo científico - 1 (The Astrophysical Journal)
Artigo científico - 1 (arXiv.org)
Artigo científico - 2 (The Astrophysical Journal Letters)
Artigo científico - 2 (arXiv.org)
Artigo científico - 3 (The Astrophysical Journal Letters)
Artigo científico - 3 (arXiv.org)
PHANGS-ALMA (NRAO via vimeo)
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Formação estelar:
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  Sistema estelar duplo coloca disco de formação planetária na perpendicular (via Universidade de Warwick)
Uma nova investigação, que obteve imagens de alta resolução com o ALMA, encontrou o primeiro sistema binário que inclinou o seu disco circundante para uma posição perpendicular ao plano das duas estrelas. Ler fonte
     
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Remanescente da Supernova de Tycho em Raios-X
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASA/CXC/F.J. Lu (Academia Chinesa de Ciências) et al.
 
Que estrela criou estou enorme esfera de poeira e gás? Na imagem temos a nebulosa quente e em expansão do remanescente da supernova de Tycho, o resultado de uma explosão estelar registada pela primeira vez há mais de 400 anos pelo famoso astrónomo Tycho Brahe. Em destaque, uma composição de três cores em raios-X obtida pelo Observatório de raios-X Chandra, em órbita da Terra. A nuvem de gás em crescimento é extremamente quente, enquanto diferentes velocidades de expansão deram à nuvem uma aparência inchada. Embora a estrela que deu origem a SN 1572 tenha desaparecido completamente, pensa-se que exista uma estrela companheira apelidada Tycho G, demasiado fraca para ser aqui discernida. A procura por remanescentes progenitores da supernova de Tycho é particularmente importante porque a supernova é do Tipo Ia, uma classificação bastante pertinente na "régua de distâncias cósmicas" que calibra a escala do Universo visível. Pensa-se que o brilho máximo das supernovas do Tipo Ia seja bem compreendido, o que as torna bastante valiosas no que toca à exploração da relação entre o brilho e a distância.
 

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