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Edição n.º 1556
05/02 a 07/02/2019
 
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EFEMÉRIDES

Dia 05/02: 36.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1924, o Observatório Real de Greenwich começa a emissão dos sinais horários conhecidos como o Sinal de Greenwich.
Em 1937 nascia Alar Toomre, astrónomo estónio-americano, cuja pesquisa se focou na dinâmica das galáxias. 
Em 1963, Maarten Schmidt descobre enormes desvios para o vermelho em quasares. Schmidt deu ao objeto 3C 273 o termo objeto "quasi-estelar" ou quasar; milhares foram descobertos desde então. 
Em 1967, a Lunar Orbiter 3 é lançada a partir de Cabo Canaveral, com o objetivo de descobrir locais de aterragem para as Surveyor e Apollo
Em 1971, o módulo lunar da missão Apollo 14 fazia a sua alunagem.
Alan Shepard em Fra Mauro (Crédito: NASA)
Em 1974, passagem da Mariner 10 por Vénus. A sonda mostra que as nuvens contornam o planeta em apenas 4 dias terrestres, embora o planeta propriamente dito demore 243 dias terrestres a completar uma rotação sobre o seu eixo.
Em 2002, o observatório solar RHESSI (Reuven Ramaty High Energy Solar Spectroscopic Imager) finalmente chega ao espaço, a bordo de um foguetão Pegasus. 
Observações: Sirius, a estrela mais brilhante da constelação de Cão Maior, encontra-se alta a sudeste depois da hora de jantar. Com um céu escuro que mostra muitas estrelas, os pontos da constelação podem ser ligados para formar um convincente perfil de um cão. Apoia-se agora nas suas pernas traseiras. Sirius está no seu peito. Mas através do tipo de poluição luminosa onde possa viver, só as suas cinco estrelas mais brilhantes são facilmente visíveis. Formam uma espécie de cutelo. Sirius é o topo traseiro do cutelo, a sua lâmina está para a direita; e a sua pega está em baixo.

Dia 06/02: 37.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1582, nascia Mario Bettinus, astrónomo, matemático e filósofo italiano. A cratera Bettinus, na Lua, tem o seu nome.
Em 1927, nascia Gerard K. O'Neill, físico americano e ativista espacial que desenvolveu um plano para construir habitações humanas no espaço, incluindo um habitat conhecido como cilindro de O'Neill.
Em 1959, era lançado com sucesso de Cabo Canaveral o primeiro míssil balístico Titan.

Em 1971, Alan Shepard (Apollo 14) dá as primeiras tacadas de golfe na Lua.
Em 2016, um objeto não identificado, alegadamente, mata um homem e fere outros três, deixando para trás uma cratera com mais de 1,2 metros, num campus universitário na Índia. A ser verdade, foi a primeira vez, na história moderna, que um ser humano foi morto por um meteorito.
Em 2018, o foguetão Falcon Heavy da SpaceX faz o seu voo inaugural.
Observações: Mais ou menos pelas 21 horas, a Ursa Maior apoia-se na sua "pega" a nordeste. A noroeste, a constelação de Cassiopeia, em forma de "W", está na vertical, apoiada no lado com as estrelas mais brilhantes, aproximadamente à mesma altura.

Dia 07/02: 38.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1979, Plutão movia-se para dentro da órbita de Neptuno pela primeira vez desde a sua descoberta. Sai de dentro da órbita de Neptuno no dia 11 de fevereiro de 1999.
Em 1984, durante a missão STS-41-B do programa do vaivém espacial, os astronautas Bruce McCandless II e Robert L. Stewart fazem o pimeiro passeio espacial sem ligação ao vaivém usando a Unidade de Manobra Tripulada.
Em 1991, a nave Salyut 7 despenha-se na atmosfera sobre a Argentina.
Em 1999, lançamento da sonda Stardust da NASA. Foi a primeira missão a recolher amostras de poeira cometária (Wild 2) e poeira cósmica.
Em 2001, lançamento da missão STS-98, do vaivém Atlantis, com o módulo "Destiny" da Estação Espacial Internacional. O lançamento ao pôr-do-Sol é descrito por muitos observadores experientes como dos lançamentos mais bonitos que alguma vez viram.

Em 2016, a Coreia do Norte lança o satélite Kwangmyŏngsŏng-4 para o espaço.
Observações: A Lua Crescente brilha a oeste-sudoeste após o anoitecer. Bem para cima, a cerca de dois punhos à distância do braço esticado, está Marte, de brilho mais fraco devido à sua distância desde que deu o seu grande espetáculo este verão que passou.

 
CURIOSIDADES

A missão Hera da ESA irá estabelecer um novo recorde no espaço. Será a primeira nave a explorar um asteroide binário - o par Didymos - e o mais pequeno destes dois objetos, comparável em tamanho com a Grande Pirâmide de Gizé, no Egipto, tornar-se-á no asteroide mais pequeno alguma vez visitado. A missão tem lançamento previsto para 2023.
 
HUBBLE DESCOBRE FORTUITAMENTE GALÁXIA NA NOSSA VIZINHANÇA CÓSMICA

Astrónomos usaram o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA para estudar algumas das mais antigas e ténues estrelas no enxame globular NGC 6752 e fizeram uma descoberta inesperada. Descobriram uma galáxia anã na nossa vizinhança cósmica, a apenas 30 milhões de anos-luz de distância. A descoberta foi divulgada na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society: Letters.

Uma equipa internacional de astrónomos usou recentemente o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA para estudar anãs brancas dentro do enxame globular NGC 6752. O objetivo das suas observações era usar estas estrelas para medir a idade do aglomerado, mas no processo fizeram uma descoberta inesperada.

Nas margens exteriores da área observada com o instrumento ACS (Advanced Camera for Surveys) do Hubble era visível uma coleção compacta de estrelas. Após uma análise cuidadosa dos seus brilhos e das suas temperaturas, os astrónomos concluíram que estas estrelas não pertenciam ao enxame - que faz parte da Via Láctea - mas que estão milhões de anos-luz mais distantes.

Esta composição mostra a posição da galáxia anã descoberta acidentalmente, Bedin 1, por trás do enxame globular NGC 6752. A imagem de baixo, que mostra a totalidade do enxame, é uma observação terrestre pelo DSS2. (Digitized Sky Survey 2). A imagem de cima, à direita, mostra o campo total do Telescópio Espacial Hubble. A imagem de topo, à esquerda, realça a secção que contém a galáxia Bedin 1.
Crédito: ESA/Hubble, NASA, Bedin et al., DSS2
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O nosso recém-descoberto vizinho cósmico, que recebeu a alcunha Bedin 1 pelos astrónomos, é uma galáxia alongada de tamanho modesto. Mede apenas cerca de 3000 anos-luz - uma fração do tamanho da Via Láctea. Não só é pequena, como também incrivelmente ténue. Estas propriedades levaram os astrónomos a classificá-la como uma galáxia anã esferoidal.

As galáxias anãs esferoidais são definidas pelo seu pequeno tamanho, baixa luminosidade, falta de poeira e populações estelares velhas. Sabe-se que existem 36 galáxias deste tipo no Grupo Local de Galáxias, 22 das quais são galáxias satélites da Via Láctea.

Embora as galáxias anãs esferoidais não sejam invulgares, Bedin 1 tem algumas características notáveis. Não só é uma das poucas anãs esferoidais com uma distância bem estabelecida, como está também extremamente isolada. Fica a cerca de 30 milhões de anos-luz da Via Láctea e a 2 milhões de anos-luz da mais próxima e grande galáxia hospedeira, NGC 6744. Isto torna-a, possivelmente, na mais isolada das galáxias anãs descobertas até à data.

Esta imagem, obtida com o instrumento ACS do Hubble, mostra parte do enxame globular NGC 6752. Por trás das estrelas brilhantes do enxame está uma coleção densa de estrelas ténues - uma galáxia anã esferoidal previamente desconhecida. Esta galáxia, com a alcunha Bedin 1, fica a cerca de 30 milhões de anos-luz da Terra.
Crédito: ESA/Hubble, NASA, Bedin et al.
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A partir das propriedades das suas estrelas, os astrónomos foram capazes de inferir que a galáxia tem mais ou menos 13 mil milhões de anos - é quase tão antiga quanto o próprio Universo. Devido ao seu isolamento - que resultou em quase nenhuma interação com outras galáxias - e à sua idade, Bedin 1 é o equivalente cósmico a um fóssil vivo do Universo inicial.

A descoberta de Bedin 1 foi um achado verdadeiramente fortuito. Poucas imagens do Hubble permitem com que objetos assim tão ténues possam ser vistos e cobrem apenas uma pequena área do céu. Os telescópios futuros com um grande campo de visão, como o telescópio WFIRST, terão câmaras que cobrem uma área muito maior do céu e poderão encontrar muitas mais destas vizinhas galácticas.

Links:

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society: Letters)
Artigo científico (PDF)
Fazendo zoom a NGC 6752 e Bedin 1 (HubbleEsa via YouTube)
Voando até Bedin 1 (HubbleESA via YouTube)
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Bedin 1:
Wikipedia

NGC 6752:
Wikipedia

NGC 6744:
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

WFIRST:
NASA
Wikipedia

 
ROVER CURIOSITY MEDE GRAVIDADE DE UMA MONTANHA
Imagens, lado a lado, do rover Curiosity (esquerda) e do "buggy" lunar conduzido durante a missão Apollo 16. Os "buggies" lunares foram usados durantes as Apollo 15, 16 e 17 para transportar os astronautas, amostras lunares e equipamentos. Durante a missão Apollo 17, um dos equipamentos era o TGE (Traverse Gravimeter Experiment), usado para medir a gravidade. O Curiosity não foi enviado para Marte com gravímetros, mas tem acelerómetros que são usados para navegação. Um artigo publicado na Science, no dia 31 de janeiro de 2019, detalha como estes sensores foram reaproveitados para medir a atração gravitacional do Monte Sharp, a montanha que o Curiosity tem vindo a escalar desde 2014.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior da animação)
 

Os astronautas da Apollo 17 conduziram um "buggy" através da superfície lunar em 1972, medindo a gravidade com um instrumento especial. Não existem astronautas em Marte, mas um grupo de investigadores inteligentes percebeu que possuem as ferramentas para realizar experiências semelhantes com o "buggy" marciano que estão a operar.

Num novo artigo publicado na revista Science, os investigadores detalham como reaproveitaram os sensores usados para conduzir o rover Curiosity e os transformaram em gravímetros, que medem mudanças na atração gravitacional. Isto permitiu que medissem o subtil puxão das camadas rochosas na região inferior do Monte Sharp, que sobe 5 quilómetros desde a base da Cratera Gale e que o Curiosity tem vindo a escalar desde 2014. Os resultados? Ao que parece, a densidade dessas camadas rochosas é muito mais baixa do que o esperado.

Tal como um "smartphone", o Curiosity contém acelerómetros e giroscópios. A localização e orientação do utilizador pode ser determinada através do movimento do "smartphone". Os sensores do Curiosity fazem o mesmo, mas com uma precisão muito maior, desempenhando um papel crucial na navegação pela superfície marciana em cada viagem. O conhecimento da orientação do rover também permite com que os engenheiros apontem com precisão os seus instrumentos e a antena multidirecional de alto ganho.

Por feliz coincidência, os acelerómetros do rover podem ser usados tal como o gravímetro da Apollo 17. Os acelerómetros detetam a gravidade do planeta sempre que o rover está parado. Usando dados de engenharia dos primeiros cinco anos da missão, os autores do artigo científico mediram a atração gravitacional de Marte sobre o rover. À medida que o Curiosity sobe o Monte Sharp, a montanha acrescenta gravidade - mas não tanto quanto os cientistas esperavam.

"As regiões mais baixas do Monte Sharp são surpreendentemente porosas," disse o autor principal Kevin Lewis da Universidade Johns Hopkins. "Sabemos que as camadas inferiores da montanha foram enterradas ao longo do tempo. Isso compacta-as, tornando-as mais densas. Mas este achado sugere que não foram enterradas com tanto material quanto pensávamos."

Ciência de um "Buggy" Marciano

Os astronautas da Apollo 17 conduziram o seu "buggy" pelo Vale Taurus-Littrow da Lua, parando periodicamente para obter 25 medições. Lewis estudou os campos de gravidade marciana usando dados recolhidos por orbitadores da NASA e estava familiarizado com o gravímetro da Apollo 17.

O artigo científico utiliza mais de 700 medições dos acelerómetros do Curiosity, obtidas entre outubro de 2012 e junho de 2017. Estes dados foram calibrados para filtrar o "ruído", como os efeitos da temperatura e a inclinação do rover durante a sua subida. Os cálculos foram então comparados com os modelos dos campos de gravidade de Marte para garantir a precisão.

Os resultados também foram comparados com as estimativas de densidade mineral do instrumento CheMin (Chemistry and Mineralogy) do Curiosity, que caracteriza os minerais cristalinos em amostras de rochas usando um feixe de raios-X. Esses dados ajudam a informar quão porosas são as rochas.

Montanha Misteriosa

Existem muitas montanhas dentro de crateras ou ravinas em Marte, mas poucas chegam perto da escala do Monte Sharp. Os cientistas ainda não sabem ao certo como a montanha cresceu dentro da Cratera Gale. Uma ideia é que a cratera foi preenchida com sedimentos. A que percentagem, continua a ser um tema de debate, mas o pensamento é que muitos milhões de anos de vento e erosão eventualmente acabaram por escavar a montanha.

Se a cratera tivesse sido preenchida até aos rebordos, todo esse material deveria ter pressionado ou compactado as muitas camadas de sedimentos finos por baixo. Mas o novo artigo sugere que as camadas inferiores do Monte Sharp foram compactadas apenas 1 a 2 quilómetros - muito menos do que se a cratera tivesse sido completamente preenchida.

"Ainda há muitas dúvidas sobre o desenvolvimento do Monte Sharp, mas este artigo acrescenta uma importante peça ao quebra-cabeças," disse o coautor do estudo Ashwin Vasavada, cientista do projeto Curiosity do JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia. "Estou muito contente que cientistas e engenheiros criativos ainda encontrem formas inovadoras de fazer novas descobertas científicas com o rover," realçou.

Lewis disse que Marte tem muitos mistérios além do Monte Sharp. A sua paisagem é como a da Terra, mas esculpida mais pelo vento e pela areia do que pela água. São irmãos planetários, ao mesmo tempo parecidos e completamente diferentes.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Universidade Johns Hopkins (comunicado de imprensa)
Universidade de Maryland (comunicado de imprensa)
Artigo científico (Science)
EurekAlert!
Universe Today
SPACE.com
ScienceDaily
PHYSORG

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia 

Rover Curiosity (MSL):
NASA
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Programa Apollo:
NASA 
Wikipedia
Apollo 17 (NASA)
Apollo 17 (Wikipedia)

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Os "ingredientes" do Universo continuam a mudar (via Universidade Estatal do Ohio)
A composição do Universo - os elementos que são os blocos de construção da matéria - está sempre a mudar e a evoluir, graças às vidas e mortes das estrelas. Um esboço de como esses elementos se formam à medida que as estrelas crescem e explodem e se fundem é detalhado num artigo publicado dia 31 de janeiro na revista Science. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Henize 70: Superbolha na Grande Nuvem de Magalhães
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Josep M. Drudis
 
As estrelas massivas afetam profundamente os seus ambientes galácticos. Agitando e misturando nuvens interestelares de gás e poeira, as estrelas - mais notavelmente aquelas com dezenas de vezes a massa do nosso Sol - deixam a sua marca nas composições e localizações das futuras gerações de estrelas. A nossa galáxia vizinha, a Grande Nuvem de Magalhães, contém tais evidências dramáticas, por exemplo, com esta nebulosa em destaque, Henize 70 (também conhecida como N70 e DEM301). Henize 70 é na verdade uma superbolha luminosa de gás interestelar com aproximadamente 300 anos-luz de diâmetro, soprada por ventos de estrelas quentes e massivas e explosões de supernova, com o seu interior cheio de gás quente e em expansão. Dado que as superbolhas se podem expandir por toda uma galáxia, fornecem à humanidade a chance de explorar a ligação entre os ciclos de vida das estrelas e a evolução das galáxias.
 

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