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  Astroboletim #1621  
  20/09 a 23/09/2019  
     
 

05/10/19 - Observação da Lua
20:00-21:00 - No âmbito da Semana Mundial do Espaço que decorre de 4 a 10 de outubro e da Noite Internacional de Observação da Lua promovida pela NASA - National Aeronautics and Space Administration, o Centro Ciência Viva de Tavira irá realizar uma sessão de observação da Lua na Praça da República. Será também possível fazer um registo fotográfico da Lua e das suas crateras com auxílio de telescópio. Esta atividade é gratuita. Participe!
Local: Praça da República, Tavira
Informações:
281 326 231; 924 452 528; geral@cvtavira.pt

 
     
 
Efemérides

Dia 20/09: 263.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1999, o Telescópio Espacial de Raios-X Chandra, lançado a 23 de Julho de 1999, revela características ainda não observadas nos remanescentes de três explosões de supernova.

Observações: Eclipse de Europa, entre as 20:34 e as 23:16.
Estas noites sem Lua são uma boa altura para, com binóculos, tentar observar o invulgarmente compacto enxame aberto NGC 7160 no rico centro de Cefeu, agora alto a norte.

Dia 21/09: 264.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1974, a Mariner 10 faz o seu segundo voo rasante por Mercúrio.
Em 2003 termina a missão da Galileu, quando a sonda entra na atmosfera de Júpiter e é esmagada pela pressão a baixas altitudes.

Observações: Ocultação de Io, entre as 20:31 e as 22:50.
Eclipse de Io, entre as 21:48 e as 00:07 (já de dia 22).

Dia 22/09: 265.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1959, nascia Saul Perlmutter, astrofísico americano que ganhou em 2011 o Prémio Nobel da Física (juntamente com Brian P. Schmidt e Adam Riess) por fornecer evidências da aceleração da expansão do Universo.
Em 2001, numa passagem arriscada, a sonda da NASA Deep Space 1 navega com êxito pelo Cometa Borrelly, dando aos cientistas o melhor olhar de dentro do núcleo denso e gelado de pó e gás (à data).

Em 1993, termina a missão STS-51 do vaivém espacial Discovery.
Em 2011, cientistas do CERN anunciam a sua descoberta de neutrinos quebrando a velocidade da luz (que se sabe agora ter sido um erro devido a falhas nos seus equipamentos).
Observações: Lua em Quarto Minguante, pelas 03:41. Antes do amanhecer, encontra-se alta a sudeste, no meio do Hexágono de Inverno composto pelas estrelas Sirius, Procyon, Pollux, Castor, Menkalinan, Capella, Aldebarã e Rigel.
Trânsito da sombra de Io, entre as 19:08 e as 22:22.

Dia 23/09: 266.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1791, nascia Johann Franz Encke, astrónomo alemão que trabalhou no cálculo de períodos de cometas e asteroides, mediu a distância da Terra ao Sol e fez observações do planeta Saturno.
Em 1819, nascia Hippolyte Fizeau, físico francês conhecido por medir a velocidade da luz numa experiência com o seu nome
Em 1846, Neptuno é descoberto pelo astrónomo francês Urbain Jean Joseph Le Verrier e pelo astrónomo inglês John Couch Adams; a descoberta é verificada pelo astrónomo alemão Johann Galle.
Em 1999, a NASA anunciava ter perdido o contato com a Mars Climate Orbiter.

Observações: Equinócio de outono, pelas 08:50.
Ocultação de Ganimedes, entre as 21:15 e as 00:08 (já de dia 24).

 
     
 
Curiosidades


Existem mais de 187.400 kg de objectos artificais na Lua, restos de missões e sondas. Consulte aqui a lista.

 
 
   
Rochas "saltitantes" e colapsos de penhascos no Cometa 67P/C-G
 
Exemplo de um pedregulho a mover-se pela superfície do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, capturado em imagens da câmara OSIRIS da Rosetta.
Crédito: ESA/Rosetta/MPS para Equipa OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA
 

Cientistas que analisam o tesouro de imagens obtidas pela missão da Rosetta da ESA descobriram mais evidências de curiosas rochas "saltitantes" e quedas dramáticas de penhascos.

A Rosetta operou no Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko entre agosto de 2014 e setembro de 2016, recolhendo dados sobre o ambiente de poeira, gás e plasma do cometa, sobre as suas características de superfície e sobre a sua estrutura interior.

Como parte da análise de cerca de 76.000 imagens de alta resolução capturadas com a sua câmara OSIRIS, os cientistas têm procurado mudanças na superfície. Em particular, estão interessados em comparar o período da maior aproximação do cometa ao Sol - conhecido como periélio - com aquele após esta fase mais ativa, para entender melhor os processos que impulsionam a evolução da superfície.

 
Exemplo de um pedregulho a mover-se pela superfície do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, capturado em imagens da câmara OSIRIS da Rosetta. A imagem da esquerda fornece uma visão de referência do cometa, juntamente com uma ampliação da região em estudo. As inserções mais pequenas à direita mostram o antes e o depois da região que alberga a rocha saltitante, capturadas nos dias 15 de março de 2015 e 19 de junho de 2016, respetivamente. A rocha deixou impressões no rególito suave que cobre a superfície do cometa enquanto saltava até parar. Pensa-se que tenha caído de um desfiladeiro próximo com 50 metros de altura. O gráfico em baixo ilustra o percurso da rocha enquanto saltava à superfície, com medições preliminares calculadas das "crateras".
Crédito: ESA/Rosetta/MPS para Equipa OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA; análise - J-B. Vincent et al. (2019)
 

Por todo o cometa existem detritos soltos, mas algumas vezes os pedregulhos são fotografados no ato de serem lançados para o espaço, ou de rolar pela superfície. Um novo exemplo de uma rocha saltitante foi recentemente identificado na região lisa do pescoço que liga os dois lóbulos do cometa, uma área que passou por muitas mudanças visíveis de superfície em larga escala ao longo da missão. Lá, uma rocha com mais ou menos 10 metros aparentemente caiu do penhasco próximo e saltou várias vezes pela superfície sem quebrar, deixando "pegadas" no material superficial pouco consolidado.

"Nós pensamos que caiu do penhasco de 50 metros nas proximidades e é o maior fragmento deste deslizamento de terra, com uma massa de cerca de 230 toneladas," disse Jean-Baptist Vincent do Instituto DLR para Pesquisa Planetária, que apresentou os resultados na conferência EPSC-DPS em Genebra.

"Entre maio e dezembro de 2015 aconteceram tantas coisas neste cometa, quando estava mais ativo, mas infelizmente por causa desta atividade tivemos que manter a Rosetta a uma distância segura. Como tal, não temos uma visão suficientemente próxima para discernir com resolução suficiente as superfícies iluminadas e assim identificar exatamente a localização 'anterior' da pedra."

 
No dia 12 de setembro de 2015 teve lugar um evento explosivo no Cometa 67P/churymov-Gerasimenko e pensa-se estar associado com um dos mais dramáticos colapsos de penhascos capturados durante a vida da missão Rosetta.
Crédito: ESA/Rosetta/MPS para Equipa OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA
 

O estudo de movimentos de rochas como estas, em diferentes partes do cometa, ajuda a determinar as propriedades mecânicas do material em queda e do terreno da superfície em que pousa. O material do cometa é, de modo geral, muito fraco em comparação com o gelo e com as rochas a que estamos habituados cá na Terra: os pedregulhos do Cometa 67P/C-G são cerca de cem vezes mais fracos do que a neve recém-compactada.

Outro tipo de mudança também foi testemunhado em vários locais em redor do cometa: o colapso de faces de penhascos ao longo de linhas de fraqueza, como a dramática captura da queda de um segmento de 70 metros no desfiladeiro Aswan, observada em julho de 2015. Mas Ramy El-Maarry e Graham Driver de Birbeck, Universidade de Londres, podem ter encontrado um evento de colapso ainda maior, ligado a uma explosão brilhante vista no dia 12 de setembro de 2015 ao longo da divisão do hemisfério norte-sul.

"Este parece ser um dos maiores colapsos de penhascos que vimos no cometa durante a vida da Rosetta, com o colapso de uma área com cerca de 2000 metros quadrados," disse Ramy, que também falou na conferência.

Durante a passagem pelo periélio, o hemisfério sul do cometa foi submetido a altos fluxos solares, resultando num aumento dos níveis de atividade e numa erosão mais intensa do que em outras partes do cometa.

"A inspeção das imagens 'antes e depois' permitem-nos verificar que a escarpa estava intacta até pelo menos maio de 2015, pois ainda temos imagens de resolução suficientemente alta dessa região para a ver," explicou Graham, estudante que trabalha com Ramy para investigar o vasto arquivo de imagens de Rosetta.

"Esta região particularmente ativa aumenta a probabilidade de o evento de colapso estar vinculado à explosão ocorrida em setembro de 2015."

 
"Antes e depois" do colapso de um penhasco no Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko. Nos paineis superiores as setas amarelas mostram a localização da escarpa no limite entre o hemisfério norte iluminado e o hemisfério sul não iluminado do pequeno lóbulo antes e depois do evento (setembro de 2014 e junho de 2016, respetivamente). Os paineis em baixo mostram ampliações dos paineis em cima; a seta azul aponta para a escarpa que parece ter colapsado na imagem depois do evento. Os pedregulhos 1 e 2 estão marcados por motivos de orientação.
Crédito: ESA/Rosetta/MPS para Equipa OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA
 

A observação detalhada dos detritos em torno da região colapsada sugere que aconteceram aqui no passado outros grandes eventos de erosão. Ramy e Graham descobriram que os detritos incluem blocos que variam até algumas dezenas de metros em tamanho, substancialmente maiores do que a população de rochas após o colapso do desfiladeiro Aswan, que é composto principalmente por rochas com alguns metros de diâmetro.

"Esta variabilidade na distribuição de tamanho dos detritos caídos sugere diferenças na força dos materiais dos materiais em camadas do cometa e/ou nos mecanismos variados de colapso do penhasco," acrescentou Ramy.

O estudo de mudanças no cometa, como estas, não fornecem apenas uma visão da natureza dinâmica destes corpos pequenos em escalas de tempo curtas, mas o colapso de um penhasco a maior escala fornece informações sobre a estrutura interna do cometa, ajudando-nos a juntar o puzzle da evolução do cometa em escalas de tempo mais longas.

"Os dados da Rosetta continuam a surpreender-nos e é maravilhoso que a próxima geração de estudantes já esteja a fazer descobertas emocionantes," acrescentou Matt Taylor, cientista do projeto Rosetta da ESA.

// ESA (comunicado de imprensa)
// Resumo da apresentação de M.R. El-Maarry e G. Driver (conferência EPSC-DPS)
// Resumo da apresentação de Jean-Baptiste Vincent (conferência EPSC-DPS)

 


Saiba mais

Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko:
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Detetada a estrela de neutrões mais massiva, quase massiva demais para existir
 
Impressão de artista do pulsar de uma estrela de neutrões a ser "atrasado" pela passagem de uma anã branca entre a estrela de neutrões e a Terra.
Crédito: B. Saxton, NRAO/AUI/NSF
 

Usando o GBT (Green Bank Telescope), astrónomos descobriram a estrela de neutrões mais massiva até agora, um pulsar de rápida rotação a aproximadamente 4600 anos-luz da Terra. Este objeto recorde está no limite da existência, aproximando-se da massa máxima teoricamente possível para uma estrela de neutrões.

As estrelas de neutrões - remanescentes compactos de estrelas massivas transformadas em supernovas - são os objetos "normais" mais densos do Universo conhecido (os buracos negros são tecnicamente mais densos, mas estão longe de serem normais). Somente um cubo de açúcar de material de uma estrela de neutrões pesaria 100 milhões de toneladas aqui na Terra, o equivalente a toda a população humana. Embora os astrónomos e físicos estudem estes objetos há já décadas, permanecem muitos mistérios sobre a natureza dos seus interiores: será que os neutrões esmagados se tornam "superfluidos" e fluem livremente? Será que se decompõem numa sopa de quarks subatómicos ou de outras partículas exóticas? Qual é o ponto de inflexão em que a gravidade vence a matéria e forma um buraco negro?

Uma equipa de astrónomos usou o GBT da NSF (National Science Foundation) para nos levar mais perto das respostas.

Os cientistas, membros do NANOGrav Physics Frontiers Center, descobriram que um pulsar de milissegundo, chamado J0740+6620, é a estrela de neutrões mais massiva já medida, acumulando 2,17 vezes a massa do nosso Sol numa esfera com apenas 30 km de diâmetro. Esta medição está perto dos limites de quão grande e compacto um único objeto se pode tornar sem se esmagar a ele próprio num buraco negro. Trabalhos recentes envolvendo ondas gravitacionais observadas pelo LIGO durante a colisão de estrelas de neutrões sugerem que o valor de 2,17 massas solares pode estar muito perto desse limite.

"As estrelas de neutrões são tão misteriosas quanto fascinantes," disse Thankful Cromartie, estudante da Universidade da Virgínia e do NRAO (National Radio Astronomy Observatory) em Charlottesville, no mesmo estado norte-americano. "Estes objetos do tamanho de cidades são essencialmente núcleos atómicos gigantes. São tão grandes que os seus interiores assumem propriedades estranhas. A determinação da massa máxima permitida pela física e pela natureza pode ensinar-nos muito sobre este domínio inacessível da astrofísica."

Os pulsares recebem este nome devido aos feixes gémeos de ondas rádio que emitem dos seus polos magnéticos. Estes feixes varrem o espaço de maneira semelhante a um farol. Alguns giram centenas de vezes por segundo. Dado que os pulsares giram com velocidade e regularidade fenomenais, os astrónomos podem usá-los como equivalentes cósmicos dos relógios atómicos. Esta cronometragem precisa ajuda os astrónomos a estudar a natureza do espaço-tempo, a medir as massas de objetos estelares e a melhorar a sua compreensão da relatividade geral.

No caso deste sistema binário, que é visto quase de lado da perspetiva da Terra, esta precisão cósmica forneceu um percurso para os astrónomos calcularem a massa das duas estrelas.

À medida que o pulsar passa por trás da sua anã branca companheira, há um atraso subtil (na ordem dos 10 milionésimos de segundo) no tempo de chegada dos sinais. Este fenómeno é conhecido como "Atraso de Shapiro". Em essência, a gravidade da anã branca distorce levemente o espaço em seu redor, de acordo com a teoria geral da relatividade de Einstein. Esta distorção significa que os pulsos da estrela de neutrões giratória têm que viajar um pouco mais enquanto se desviam das distorções do espaço-tempo provocadas pela anã branca.

Os astrónomos podem usar esse atraso cronológico para calcular a massa da anã branca. Uma vez conhecida a massa de um dos corpos em co-órbita, a determinação precisa da massa do outro é um processo relativamente simples.

Cromartie é a autora principal de um artigo aceite para publicação na Nature Astronomy. As observações do GBT foram no âmbito da sua tese de doutoramento, que propunha observar este sistema em dois pontos especiais das suas órbitas mútuas para calcular com precisão a massa da estrela de neutrões.

"A orientação deste sistema binário criou um laboratório cósmico fantástico," disse Scott Ransom, astrónomo do NRAO e coautor do artigo. "As estrelas de neutrões têm este ponto de inflexão, onde as suas densidades interiores se tornam tão extremas que a força da gravidade supera a capacidade dos neutrões em resistir a um colapso gravitacional. Cada estrela de neutrões 'mais massiva' que encontramos aproxima-nos da identificação deste ponto crítico e ajuda-nos a compreender a física da matéria a estas densidades surpreendentes."

// Green Bank Telescope (comunicado de imprensa)
// West Virginia University (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Astronomy)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


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Estrelas de neutrões:
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Buraco negro:
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Ondas gravitacionais:
GraceDB (Gravitational Wave Candidate Event Database)
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Astronomia de ondas gravitacionais - Wikipedia
Ondas gravitacionais: como distorcem o espaço - Universe Today
Detetores: como funcionam - Universe Today
As fontes de ondas gravitacionais - Universe Today
O que é uma onda gravitacional (YouTube)

GBT:
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LIGO:
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Advanced LIGO
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Lenta aniquilação de exolua pode explicar mudanças no brilho da Estrela de Tabby, a estrela mais misteriosa do Universo
 
Esta ilustração mostra um hipotético anel disforme de poeira em redor de KIC 8462852, também conhecida como Estrela de Boyajian ou Estrela de Tabby.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

Durante anos, os astrónomos olharam para o céu e especularam sobre o estranho comportamento da Estrela de Tabby. Identificada pela primeira vez há mais de um século, a estrela diminui de brilho durante dias ou semanas antes de recuperar a sua luminosidade prévia. Ao mesmo tempo, a estrela parece lentamente estar a perder o seu brilho geral, deixando os investigadores a coçar a cabeça.

Agora, astrónomos da Universidade de Columbia pensam que desenvolveram uma explicação para esta estranheza.

Num novo artigo publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, os astrofísicos Brian Metzger, Miguel Martinez e Nicholas Stone propõem que o escurecimento a longo prazo é o resultado de um disco de detritos - produzido pela fragmentação de uma exolua - que está a acumular-se e a orbitar a estrela, bloqueando a sua luz enquanto o material passa entre a estrela e a Terra.

"A exolua é como um cometa de gelo que está a evaporar-se e a expelir estas rochas para o espaço," disse Metzger, professor associado de astrofísica da Universidade de Columbia e investigador principal do estudo. "Eventualmente, a exolua evaporará completamente, mas levará milhões de anos até que seja completamente consumida pela estrela. Temos a sorte de ver este evento de evaporação a acontecer."

A Estrela de Tabby, também conhecida como KIC 8462852 ou Estrela de Boyajian, recebeu o nome de Tabetha Boyajian, astrofísica da Universidade Estatal do Louisiana que descobriu o comportamento invulgar de escurecimento estelar em 2015. Boyajian descobriu que a Estrela de Tabby diminui ocasionalmente de brilho - às vezes apenas 1% e outras vezes até 22% - durante dias ou semanas antes de recuperar o seu brilho. Um ano depois, o astrónomo Bradley Schaefer, da mesma universidade, descobriu que o brilho da estrela também está a tornar-se mais fraco com o tempo, diminuindo cerca de 14% entre 1890 e 1989.

Cientistas de todo o mundo propuseram uma variedade de teorias, variando de tempestades de cometas a "megaestruturas" alienígenas, para explicar as quedas de brilho a curto prazo, mas só recentemente concordaram num culpado mais mundano - a poeira.

À medida que um exoplaneta é destruído por fortes interações ou colisões com a sua estrela-mãe, explicou Metzger, a exolua em órbita do exoplaneta pode tornar-se vulnerável à atração da estrela central do sistema. A força pode ser tão grande que a estrela arranca a exolua do seu planeta, fazendo com que colida com a estrela ou seja expulsa do sistema.

No entanto, numa pequena percentagem de casos, a estrela rouba a exolua e coloca-a numa nova órbita em seu redor. Nesta nova órbita, a gelada e empoeirada exolua é exposta à radiação da estrela, que rasga as suas camadas exteriores, criando nuvens de poeira que eventualmente são "sopradas" pelo sistema. Quando estas nuvens de poeira passam entre a estrela e a Terra, observam-se quedas intermitentes no brilho estelar.

Isto explica o escurecimento inconsistente a curto prazo da Estrela de Tabby, mas os cientistas tiveram mais dificuldade em explicar a diminuição geral a longo prazo.

A equipa de Columbia sugere que a Estrela de Tabby raptou uma exolua de um planeta vizinho há muito desaparecido e colocou-a em órbita de si própria, onde foi destruída por uma radiação estelar mais forte do que a que existia na sua órbita anterior. Pedaços das camadas exteriores empoeiradas de gelo, gás e rochas carbonáceas têm sido capazes de suportar a pressão de explosão que ejeta nuvens de poeira com grãos mais pequenos, e o material volátil maior herdou a nova órbita da exolua em torno da Estrela de Tabby, onde formou um disco que bloqueia persistentemente a luz da estrela. A opacidade do disco pode mudar lentamente, à medida que nuvens de grãos menores passam e partículas maiores presas em órbita se movem do disco em direção à Estrela de Tabby, eventualmente ficando tão quentes que derretem e caem na superfície da estrela.

Em última análise os astrofísicos sugerem que, após milhões de anos, a exolua em torno da Estrela de Tabby evaporará completamente.

Martinez disse que o modelo da equipa é único na sua hipótese do que leva o planeta original até à estrela. "Naturalmente, resulta em que as exoluas órfãs acabem em órbitas (altamente excêntricas) com exatamente as propriedades que as investigações anteriores mostraram serem necessárias para explicar a diminuição de brilho da Estrela de Tabby. Nenhum outro modelo anterior foi capaz de juntar todas estas peças."

Existem outros sistemas estelares que demonstram quedas invulgares de brilho, acrescentou Martinez, e podem haver outras explicações para o fluxo que sejam igualmente atraentes. A Estrela de Tabby é invulgar porque é muito semelhante ao Sol, mas exibe um comportamento drasticamente diferente. É única entre um milhão de estrelas observadas pelo Kepler, mas há muitos milhões de vezes mais estrelas no Universo que ainda precisam de ser observadas.

O desafio agora é encontrar outras estrelas como a Estrela de Tabby, que sequestraram exoluas e ainda não terminaram de aniquilá-las. Se a explicação da equipa estiver correta, disse Metzger, indica que as luas são uma característica comum dos sistemas exoplanetários, fornecendo assim uma maneira de estudar a existência de exoluas.

"Nós na realidade não temos nenhuma evidência sólida da existência de exoluas para lá do nosso Sistema Solar, mas uma lua destruída pela sua estrela hospedeira não pode ser tão invulgar," disse. "Isto é uma contribuição para a ampliação do nosso conhecimento dos acontecimentos exóticos noutros sistemas solares que não teríamos conhecido há 20 ou 30 anos atrás."

// Universidade de Columbia (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)

 


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06/10/2017 - Misteriosa diminuição de brilho da Estrela de Tabby pode ser provocada por poeira

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Num artigo publicado na revista Nature Astronomy e apresentado na conferência EPSC-DPS em Genebra, os autores ressuscitaram o debate sobre a idade dos anéis de Saturno, que afirma que os anéis provavelmente foram formados no início do Sistema Solar. Ler fonte
     
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Álbum de fotografias - Ao Longo do Véu Ocidental
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Min Xie
 
De aparência delicada, estes filamentos de gás incandescente estão espalhados pelo céu do planeta Terra na direção da constelação de Cisne. Formam a parte ocidental da Nebulosa do Véu. A Nebulosa do Véu, propriamente dita, é um grande remanescente de supernova, uma nuvem em expansão nascida da morte explosiva de uma estrela gigante. A luz da explosão original provavelmente alcançou a Terra há mais de 5000 anos. Expelida pelo evento cataclísmico, a onda de choque interestelar espalha-se pelo espaço, varrendo e excitando o material interestelar. Os filamentos brilhantes são, na verdade, mais parecidos com longas ondulações num lençol visto quase de lado, notavelmente bem separados nos gases atómicos hidrogénio (vermelho) e oxigénio (azul-verde). Também conhecida como Loop de Cisne, a Nebulosa do Véu abrange agora aproximadamente 3 graus ou 6 vezes o diâmetro da Lua Cheia. Enquanto isso se traduz em mais de 70 anos-luz à sua distância estimada de 1500 anos-luz, esta imagem telescópica da porção oeste estende-se por cerca de metade dessa distância. As partes mais brilhantes do Véu ocidental são reconhecidas como nebulosas separadas, incluindo A Vassoura da Bruxa (NGC 6960) ao longo do topo da imagem e o Triângulo de Pickering (NGC 6979) em baixo e à esquerda.
 
   
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