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  Astroboletim #1624  
  01/10 a 03/10/2019  
     
 

05/10/19 - Observação da Lua
20:00-21:00 - No âmbito da Semana Mundial do Espaço que decorre de 4 a 10 de outubro e da Noite Internacional de Observação da Lua promovida pela NASA - National Aeronautics and Space Administration, o Centro Ciência Viva de Tavira irá realizar uma sessão de observação da Lua na Praça da República. Será também possível fazer um registo fotográfico da Lua e das suas crateras com auxílio de telescópio. Esta atividade é gratuita. Participe!
Local: Praça da República, Tavira
Informações:
281 326 231; 924 452 528; geral@cvtavira.pt

 
     
 
Efemérides

Dia 01/10: 274.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1958, era criada a NASA para suceder à NACA

Em 1962, entra em operação o radiotelescópio de 91 metros do NRAO. Este telescópio, que colapsou subitamente no dia 15 de novembro de 1988, era o segundo maior do mundo.
Observações: A oeste, bem para a esquerda da Ursa Maior, brilha Arcturo, a "Estrela da Primavera", um pouco mais baixa a cada semana que passa. O padrão estreito e parecido com um papagaio-de-papel da constelação de Boieiro estende-se 24º para cima e para a sua direita.

Dia 02/10: 275.º dia do calendário gregoriano.
História: Lançamento da Explorer 14.

Observações: A Lua Crescente forma, ao lusco-fusco, um triângulo com Júpiter para a sua esquerda e com a mais fraca estrela Antares mais perto e para baixo e para a esquerda do nosso satélite natural.

Dia 03/10: 276.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1815, cai um meteorito em Chassigny, França. Foi o primeiro meteorito a ser identificado como sendo de Marte.
Em 1942, era lançado da Alemanha o primeiro foguete V-2/A-4, que se tornaria também no primeiro artefacto humano a atingir o espaço.

Em 1962, era lançada de Cabo Canaveral a missão Mercúrio 8.
Em 1985, o vaivém Atlantis fazia a sua viagem inaugural
Em 2005, ocorreu o último eclipse anular de Sol visível em Portugal.
Observações: Esta noite a Lua brilha ao lado de Júpiter, que está 2200 vezes mais distante. As suas quatro grandes luas, visíveis como pontos de 5.ª ou 6.ª magnitudes através de um qualquer telescópio, têm aproximadamente o tamanho do nosso satélite natural.

 
     
 
Curiosidades


Sabe porque é que a exploração espacial é importante? Ou como o trabalho dos cientistas e engenheiros da NASA afetam o nosso dia-a-dia? O site "Home & City" da NASA mostra "spinoffs" da exploração do espaço - produtos comerciais e serviços derivados de tecnologia desenvolvida pela NASA.

 
 
   
Missão TESS da NASA avista o seu primeiro buraco negro destruidor de estrelas
 
Esta ilustração mostra uma perturbação de maré, que ocorre quando uma estrela aproxima-se demasiado de um buraco negro e é despedaçada numa corrente de gás. Parte deste gás eventualmente assenta numa estrutura em torno do buraco negro chamada disco de acreção.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA
 

Pela primeira vez, o satélite caçador de planetas da NASA, TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite), observou um buraco negro a despedaçar uma estrela num fenómeno cataclísmico chamado evento de perturbação por forças de maré. As observações seguintes do Observatório Neil Gehrels Swift da NASA e de outras instalações produziram o olhar mais detalhado, até à data, dos primeiros momentos de uma destas ocorrências destruidoras de estrelas.

"Os dados do TESS permitem-nos ver exatamente quando este evento destrutivo, de nome ASASSN-19bt, começou a ficar mais brilhante, o que nunca pudemos fazer antes," disse Thomas Holoien, membro dos Observatórios Carnegie em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia. "Dado que identificámos a perturbação de maré rapidamente com o ASAS-SN (All-Sky Automated Survey for Supernovae) cá no solo, conseguimos desencadear observações de acompanhamento em vários comprimentos de onda nos primeiros dias. Os dados iniciais serão incrivelmente úteis para modelar a física destas explosões."

O artigo que descreve estas descobertas, liderado por Holoien, foi publicado na edição de 27 de setembro da revista The Astrophysical Journal e está disponível online.

ASAS-SN, uma rede mundial de 20 telescópios robóticos com sede na Universidade Estatal do Ohio em Columbus, descobriu o evento no dia 29 de janeiro. Holoien estava a trabalhar no Observatório Las Campanas, no Chile, quando recebeu o alerta vindo da África do Sul do instrumento sul-africano deste projeto. Holoien apontou rapidamente dois telescópios em Las Campanas para ASASSN-19bt e depois solicitou observações de acompanhamento com o Swift, o XMM-Newton da ESA e com telescópios terrestres de 1 metro na rede global do Observatório Las Cumbres.

O TESS, no entanto, não precisou de ser chamado à ação porque já estava a olhar para a mesma área. O caçador de planetas monitoriza grandes áreas do céu, chamadas sectores, durante 27 dias de cada vez. Esta visão prolongada permite que o TESS observe trânsitos, quedas periódicas no brilho de uma estrela que podem indicar planetas em órbita.

A rede ASAS-SN começou a passar mais tempo a olhar para os sectores do TESS quando o satélite iniciou as suas operações científicas em julho de 2018. Os astrónomos anteciparam que o TESS podia captar a luz precoce de explosões estelares de curta duração, incluindo supernovas e perturbações de maré. O TESS viu ASASSN-19bt no dia 21 de janeiro, mais de uma semana antes do evento ter ficado suficientemente brilhante para a rede ASAS-SN o detetar. No entanto, o satélite só transmite dados para a Terra a cada duas semanas e, uma vez recebidos, têm que ser processados no Centro de Pesquisa Ames da NASA em Silicon Valley, Califórnia. De modo que os dados iniciais do TESS sobre o evento de perturbação de maré só ficaram disponíveis no dia 13 de março. É por isso que a obtenção de observações precoces de acompanhamento destes eventos depende da coordenação de levantamentos terrestres como o ASAS-SN.

Felizmente, a perturbação também ocorreu na zona de visualização contínua sul do TESS, que estava sempre à vista de uma das quatro câmaras do satélite (O TESS passou a monitorizar o céu do hemisfério norte no final de julho). A localização de ASASSN-19bt permitiu com que Holoien e seus colegas acompanhassem o evento em vários sectores. Se tivesse ocorrido fora desta zona, o TESS podia ter perdido o início do surto explosivo.

"Os primeiros dados do TESS permitem-nos ver luz muito perto do buraco negro, muito mais perto do que pudemos ver antes," disse Patrick Vallely, coautor e investigador da NSF (National Science Foundation) na Universidade Estatal do Ohio. "Os dados também nos mostram que o aumento do brilho de ASASSN-19bt foi muito suave, o que nos ajuda a dizer que o evento foi uma perturbação de maré e não outro tipo de explosão, como no centro de uma galáxia ou uma supernova."

A equipa de Holoien usou os dados UV do Swift - os mais precoces já vistos para um evento de perturbação de maré - para determinar que a temperatura caiu cerca de 50%, de aproximadamente 40.000 para 20.000 graus Celsius, em poucos dias. É a primeira vez que uma diminuição tão precoce da temperatura já foi vista numa perturbação de maré, embora algumas teorias o tenham previsto, disse Holoien.

O mais típico para estes tipos de eventos foi o baixo nível de emissão de raios-X observado pelo Swift e pelo XMM-Newton. Os cientistas não entendem completamente por que razão as perturbações de maré produzem tanta emissão ultravioleta e tão poucos raios-X.

"Os cientistas têm sugerido várias teorias - talvez a luz 'ressalte' através dos detritos recém-formados e perca energia, ou talvez o disco se forme mais longe do buraco negro do que pensávamos originalmente e a luz não seja tão afetada pela extrema gravidade do objeto," disse S. Bradley Cenko, investigador principal do Swift no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland, EUA. "Mais observações precoces destes eventos poderão ajudar-nos a responder a algumas destas questões duradouras."

Os astrónomos pensam que o buraco negro supermassivo que gerou ASASSN-19bt tem cerca de 6 milhões de vezes a massa do Sol. Está situado no centro de uma galáxia chamada 2MASX J07001137-6602251 localizada a mais ou menos 375 milhões de anos-luz na direção da constelação de Peixe Voador. A estrela destruída pode ter um tamanho parecido ao do nosso Sol.

As perturbações de maré são incrivelmente raras, ocorrendo uma vez a cada 10.000-100.000 anos numa galáxia do tamanho da nossa própria Via Láctea. As supernovas, em comparação, ocorrem mais ou menos a cada 100 anos. No total, os astrónomos observaram apenas cerca de 40 eventos de perturbação por forças de maré, e os cientistas previram que o TESS veria apenas um ou dois na sua missão inicial de dois anos.

"O TESS observar ASASSN-19bt tão cedo na sua missão, e na zona de observação constante onde podíamos vê-lo durante tanto tempo, é realmente extraordinário," disse Padi Boyd, cientista do projeto TESS em Goddard. "As futuras colaborações com observatórios em todo o mundo e em órbita ajudar-nos-ão a aprender ainda mais sobre as diferentes explosões que iluminam o cosmos."

// NASA (comunicado de imprensa)
// Universidade Estatal do Ohio (comunicado de imprensa)
// Universidade do Hawaii (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal)
// Artigo científico (arXiv.org)
// TESS avista o seu primeiro buraco negro destruidor de estrelas (NASA Goddard via YouTube)

 


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Notícias relacionadas:
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Diário de Notícias

ASASSN-19bt:
Wikipedia

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia
Evento de rutura/perturbação de maré (Wikipedia)

TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite):
NASA
NASA/Goddard
Programa de Investigadores do TESS (HEASARC da NASA)
MAST (Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais)
Wikipedia

ASAS-SN:
Página oficial (Universidade Estatal do Ohio) 
Wikipedia

Telescópio Swift:
NASA
Wikipedia

Observatório XMM-Newton:
ESA
Wikipedia

Observatório Las Cumbres:
Página principal
Wikipedia

 
   
Astrónomos detetam moléculas de gás em 2I/Borisov
 
Composição colorida de 2I/Borisov, com quatro exposições de 60 segundos obtidas pelo Observatório Gemini. Os riscos azuis e vermelhos são estrelas de fundo que parecem "mover-se" devido ao movimento do cometa.
Crédito: composição por Travis Rector; Observatório Gemini/NSF/AURA
 

Uma equipa internacional de astrónomos, incluindo investigadores da Queen's University em Belfast, Irlanda do Norte, fez uma descoberta histórica, detetando moléculas de gás num cometa que entrou no nosso Sistema Solar, vindo de outra estrela.

É a primeira vez que os astrónomos conseguem detetar este tipo de material num objeto interestelar.

A descoberta representa um importante passo em frente para a ciência, pois agora permitirá que os cientistas decifrem exatamente a composição destes objetos e como o nosso Sistema Solar se compara com outros na nossa Galáxia.

"Pela primeira vez, podemos medir com precisão a composição de um visitante interestelar e compará-lo com o nosso próprio Sistema Solar," disse o professor Alan Fitzsimmons do Centro de Investigação Astrofísica da Queen's University em Belfast.

O Cometa Borisov foi descoberto pelo astrónomo amador da Crimeia, Gennady Borisov, em agosto. Observações ao longo dos 12 dias seguintes mostraram que não estava em órbita do Sol, apenas a passar pelo Sistema Solar no seu próprio percurso em torno da nossa Galáxia.

A 24 de setembro recebeu a designação oficial 2I/Borisov, o segundo objeto interestelar já descoberto pelos astrónomos. Ao contrário do primeiro objeto, descoberto há dois anos, 1I/'Oumuamua, este objeto parecia um cometa ténue, com uma atmosfera circundante de partículas de poeira e uma cauda curta.

Alan Fitzsimmons e colegas da Europa, dos EUA e do Chile usaram o Telescópio William Herschel em La Palma, nas Ilhas Canárias, para detetar o gás no cometa. Mas isto foi complicado.

Ele disse: "A nossa primeira tentativa foi na sexta-feira, 13 de setembro, mas tivemos azar e fomos impedidos de o fazer devido ao brilho do céu, tão perto do Sol. Mas a tentativa seguinte foi bem-sucedida."

Os astrónomos do observatório apontaram o telescópio gigante para o cometa antes e durante o amanhecer, entre as 6 e as 7 da manhã da sexta-feira seguinte. Ao passar a fraca radiação do cometa por um espectrógrafo, os astrónomos conseguiram medir a quantidade de luz emitida pelo cometa em função do comprimento de onda ou cor.

O professor Fitzsimmons explicou: "Um espectro permite-nos detetar tipos individuais de gás graças às suas impressões digitais espectrais. Recebemos os dados ao meio-dia e às 17 horas sabíamos que havíamos detetado gás com sucesso e pela primeira vez."

O gás detetado foi o cianogénio, composto por um átomo de carbono e um átomo de azoto ligados entre si. É um gás tóxico se inalado, mas é relativamente comum nos cometas.

Ao combinar estes espectros com imagens filtradas do cometa obtidas com o telescópio TRAPPIST-Norte em Marrocos, a equipa também mediu a quantidade de poeira expelida pelo cometa e estabeleceu limites para o tamanho do núcleo central.

O Dr. Emmanuel Jehin está a monitorizar o cometa usando o telescópio TRAPPIST-Norte em Marrocos e forneceu dados cruciais para medir a quantidade de poeira cometária emitida por 2I. Ele disse: "Estamos habituados a ver imagens de cometas, mas este é tão especial! Observo-o há duas semanas, quase todas as manhãs, estou fascinado pelo facto deste objeto não ser como os outros que tenho observado, que realmente veio de outra estrela, provavelmente muito distante."

A professora Karen Meech da Universidade do Hawaii já havia observado anteriormente o cometa e usou os novos dados para calcular o possível tamanho do cometa.

Ela relatou: "A nossa análise preliminar, usando a quantidade de gás vista a sair do núcleo, sugere que é provável que grande parte da superfície esteja ativa, em contraste com os típicos cometas de curto período."

A equipa concluiu que a característica mais notável do cometa é que parece vulgar em termos de gás e poeira que está a emitir. Parece que nasceu há 4,6 mil milhões de anos atrás, juntamente com os outros cometas no nosso Sistema Solar, mas veio de um sistema estelar ainda não identificado.

À medida que o cometa se aproxima do Sol, ficará mais brilhante e mais visível para os astrónomos. O Dr. Olivier Hainaut, do ESO, acrescentou: "O próximo ano será extremamente empolgante, pois poderemos acompanhar a evolução de 2I à medida que passa pelo nosso Sistema Solar. Em comparação, tivemos apenas algumas semanas para estudar 'Oumuamua antes que ficasse ténue demais."

A ESA aprovou este ano uma missão espacial que poderá visitar um futuro visitante interestelar. A missão Comet Interceptor tem lançamento previsto para 2028.

// Queen's University em Belfast (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Saiba mais

CCVAlg - Astronomia:
27/09/2019 - Novo visitante interestelar já tem nome: 2I/Borisov
17/09/2019 - Cometa recém-descoberto é provavelmente visitante interestelar

Notícias relacionadas:
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astrobiology web
PHYSORG

2I/Borisov:
NASA/JPL
Wikipedia

'Oumuamua:
NASA/JPL
Wikipedia

Objeto interestelar:
Wikipedia

Comet Interceptor:
Página principal
Wikipedia

 
   
Explosão rádio enigmática ilumina o halo tranquilo de uma galáxia

Com o auxílio do VLT (Very Large Telescope) do ESO, os astrónomos observaram pela primeira vez uma rápida explosão de ondas rádio a passar por um halo galáctico. Com uma duração de menos de um milissegundo, esta explosão enigmática de ondas rádio cósmicas chegou quase imperturbável até à Terra, sugerindo assim que o halo da galáxia atravessado tem uma densidade surpreendentemente baixa e um campo magnético bastante fraco. Esta nova técnica poderá ser usada para explorar halos esquivos de outras galáxias.

Utilizando um mistério cósmico para investigar outro, os astrónomos analisaram o sinal de uma rápida explosão de ondas rádio no intuito de estudarem o gás difuso existente no halo de uma galáxia massiva. Em novembro de 2018, o rádio telescópio ASKAP (Australian Square Kilometre Array Pathfinder) observou uma rápida explosão de ondas rádio, chamada FRB 181112. Observações de seguimento levadas a cabo com o VLT e outros telescópios revelaram que as pulsações rádio passaram pelo halo de uma galáxia massiva na sua trajectória até à Terra. Esta descoberta permitiu aos astrónomos analisar os sinais rádio no intuito de extrair informações sobre a natureza do halo de gás.

"O sinal da rápida explosão rádio expôs a natureza do campo magnético existente em torno da galáxia e a estrutura do halo de gás. O estudo demonstra uma nova técnica para explorar a natureza dos halos das galáxias," disse J. Xavier Prochaska, professor de Astronomia e Astrofísica na Universidade de Santa Cruz, Califórnia, EUA, autor principal de um artigo científico que apresenta estes novos resultados e que foi publicado a semana passada na revista Science.

 
O sinal de FRB 181112 era composto por diversas pulsações, cada uma com menos de 40 microssegundos de duração (10.000 vezes mais curtas que um piscar de olhos). Esta curta duração das pulsações dá-nos um limite superior para a densidade do gás do halo da galáxia atravessada, uma vez que a passagem por um meio mais denso alargaria a duração do sinal rádio.
Crédito: ESO/M. Kornmesser
 

Os astrónomos ainda não sabem o que causa as rápidas explosões de ondas rádio e apenas recentemente conseguiram localizar as galáxias que deram origem a alguns destes novos sinais rádio muito brilhantes e curtos. "Assim que sobrepusemos as imagens rádio e visíveis, vimos logo que esta explosão rádio passava pelo halo de uma galáxia localizada mais perto de nós e que, pela primeira vez, tínhamos uma maneira direta de investigar a matéria que rodeia esta galáxia, matéria esta que é invisível doutro modo," disse a coautora do artigo Cherie Day, estudante de doutoramento na Universidade de Tecnologia de Swinburne, na Austrália.

Um halo galáctico contém tanto matéria escura como normal ou bariónica, esta última encontrando-se essencialmente sob a forma de um gás quente ionizado. Enquanto a parte luminosa de uma galáxia massiva pode ter uma dimensão de cerca de 30.000 anos-luz, o seu halo mais ou menos esférico apresenta um diâmetro dez vezes maior. O gás do halo alimenta a formação estelar, à medida que se move em direção ao centro da galáxia, enquanto outros processos, tais como explosões de supernovas, podem lançar material para fora das regiões de formação estelar e em direção ao halo galáctico. Uma das razões pelas quais os astrónomos estudam o gás do halo prende-se com o facto de tentarem compreender melhor estes processos de ejeção, os quais podem "desligar" a formação estelar.

"O halo desta galáxia é surpreendentemente calmo," diz Prochaska. "O sinal rádio passou pela galáxia quase sem ser perturbado, o que contradiz modelos anteriores que previam o que deveria acontecer a explosões rádio nestas circunstâncias."

O sinal de FRB 181112 era composto por diversas pulsações, cada uma com menos de 40 microssegundos de duração (10.000 vezes mais curtas que um piscar de olhos). Esta curta duração das pulsações dá-nos um limite superior para a densidade do gás do halo, uma vez que a passagem por um meio mais denso alargaria a duração do sinal rádio. Os investigadores calcularam que a densidade do gás do halo deverá ser inferior a 0,1 átomos por centímetro cúbito (equivalente a algumas centenas de átomos num volume correspondente a um balão de criança). A densidade limita também a possibilidade de existência de turbulência ou nuvens de gás frio no halo. Frio aqui é um termo relativo, referindo-se a temperaturas de cerca de 10.000º C, comparativamente ao gás quente do halo com cerca de 1 milhão de graus Celsius.

 
Pouco depois do rádio telescópio ASKAP (Australian Square Kilometre Array Pathfinder) ter descoberto uma rápida explosão rádio chamada FRB 181112, o VLT do ESO capturou esta imagem e outros dados para determinar a distância à galáxia hospedeira (a localização de FRB 181112 está assinalada pelas eclipses brancas). A análise destes dados revelou que as pulsações rádio passaram pelo halo de uma galáxia massiva (no topo da imagem) no seu percurso até à Terra.
Crédito: ESO/X. Prochaska et al.
 

"Tal como o ar estremece num dia quente de verão, também a atmosfera ténue nesta galáxia massiva deveria deformar o sinal da explosão das rápidas ondas rádio. Em vez disso, recebemos um sinal tão limpo e nítido que não existe praticamente nenhuma assinatura do gás por onde passou," disse o coautor Jean-Pierre Macquart, astrónomo no ICRAR (International Center for Radio Astronomy Research) da Universidade de Curtin, na Austrália.

O estudo não encontrou evidências de nuvens turbulentas frias ou pequenos nodos densos de gás frio. O sinal de rádio também nos deu informação sobre o campo magnético do halo, o qual é muito fraco — um milhar de milhões de vezes mais fraco que o de um imã de frigorífico.

Nesta altura, com resultados para apenas um halo galáctico, os investigadores não podem dizer se a densidade baixa e campo magnético fraco que mediram são invulgares ou se estudos anteriores de halos galácticos sobrestimaram estas propriedades. Prochaska espera que o ASKAP e outros rádio telescópios usem mais explosões de ondas rádio rápidas para estudarem outros halos galácticos e investigar as suas propriedades.

"Esta galáxia pode ser especial," disse Prochaska. "Temos que utilizar explosões de rápidas ondas rádio para estudar dezenas ou centenas de galáxias com uma grande variedade de massas e idades para investigarmos a população completa." Telescópios óticos como o VLT do ESO desempenham um papel importante ao revelar quão longe se encontra a galáxia que deu origem a cada explosão de ondas rádio, assim como se a explosão passou através do halo de alguma galáxia situada mais perto de nós.

// ESO (comunicado de imprensa)
// Universidade da Califórnia em Santa Cruz (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Science)
// Artigo científico (arXiv.org)
// ESOcast 207 (ESO via YouTube)

 


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FRB ("Fast Radio Burst"):
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Catálogo de FRBs (Universidade de Swinburne)

VLT:
ESO
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ESO:
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ASKAP:
ATNF
CSIRO
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ICRAR:
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Álbum de fotografias - MyCn 18: A Nebulosa da Ampulheta
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASAESAHubble; Processamento e LicençaJudy Schmidt
 
Vê a forma da ampulheta - ou é ela que o(a) vê a si? Os anéis de MyCn 18 traçam o contorno de uma ampulheta - embora com um olho invulgar no seu centro. As areias do tempo estão a esgotar-se para a estrela central desta nebulosa planetária em forma de ampulheta. Com o seu combustível nuclear esgotado, esta breve, mas espetacular fase final da vida de uma estrela parecida com o Sol tem lugar quando as suas camadas externas são expelidas - o seu núcleo tornando-se numa anã branca mais fria e ténue. Em 1995, os astrónomos usaram o Telescópio Espacial Hubble para obter uma série de imagens de nebulosas planetárias, incluindo a aqui apresentada. Na imagem, anéis delicados de gás colorido, brilhante e delicado (azoto-vermelho, hidrogénio-verde e oxigénio-azul) traçam as paredes ténues da ampulheta. A nitidez sem precedentes das imagens do Hubble revelou detalhes surpreendentes do processo de libertação de nebulosas que estão a ajudar a resolver os mistérios das formas e simetrias complexas de nebulosas planetárias como MyCn 18.
 
   
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