Dia 26/01: 26.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1949, é inaugurado o telescópio Hale no Observatório Palomar, sob a direção de Edwin Hubble, e torna-se no telescópio com maior abertura ótica até à construção do BTA-6 em 1975.
Em 1962, é lançada a Ranger 3 com o objetivo de estudar a Lua. A sonda falha o satélite por 35.400 km.
Em 1978 o satélite "International Ultraviolet Explorer" (IUE) é lançado para uma órbita geosíncrona.
Durante os anos de operação, enviou 104.470 imagens de alta e baixa resoluções de 9600 fontes astronómicas de todas as classes de objetos celestes na banda ultravioleta entre 1150-3350 Å. O satélite foi desligado a 30 de setembro de 1996. Observações: Úrano na sua quadratura este, pelas 12:33.
Esta noite a Lua brilha em Gémeos, com Castor e Pollux para a sua esquerda. Um pouco para a direita e para baixo do nosso satélite natural encontra-se Procyon. Ainda mais longe, para a direita da Lua, está a constelação de Orionte.
Dia 27/01: 27.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1593, começa no Vaticano o julgamento de Giordano Bruno, que durou sete anos.
Em 1941 nascia Beatrice Tinsley, astrónoma e cosmóloga neo-zelandesa cuja pesquisa fez contribuições importantes para a compreensão de como as galáxias evoluem com o passar do tempo.
Em 1967, os astronautas da Apollo 1 - Virgil (Gus) Grissom, Edward H. White II e Roger B. Chaffee - morrem num incêndio na plataforma de lançamento, durante um teste da Apollo 204 (AS-204), que era para ser a primeira missão tripulada do programa lunar, com lançamento a 21 de fevereiro de 1967.
No mesmo ano, os Estados Unidos, o Reino Unido e a União Soviética assinam o Tratado do Espaço Exterior em Washington, D.C., proibindo a utilização de armas nucleares no espaço e limitando a Lua e os outros corpos espaciais para fins pacíficos. Observações: A Lua brilha esta noite para baixo de Pollux e Castor. A estrela mais brilhante para baixo e para a direita do nosso satélite natural é Procyon, a estrela de Cão Menor. Mais para baixo e para a direita de Procyon encontra-se Sirius, a estrela de Cão Maior.
Dia 28/01: 28.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1608 nascia Giovanni Alfonso Borelli, físico e matemático italiano e renascentista. Contribuiu para o princípio moderno da investigação científica através da continuação do costume de Galileu, de testar hipóteses contra observações. Fez também estudos prolongados das luas de Júpiter.
Em 1611, nascia Johannes Hevelius, que seria o primeiro astrónomo a observar as fases de Mercúrio.
Hevelius também ganhou reputação como "fundador da topografia lunar" e descreveu dez novas constelações, sete das quais são ainda hoje reconhecidas pelos astrónomos. Morreria neste mesmo dia em 1687, quando fazia 76 anos.
Em 1612, Galileu observa pela primeira vez o planeta Neptuno, confundindo-o com uma estrela 233 anos antes da sua descoberta.
Em 1622 nascia Adrien Auzout, astrónomo francês que fez observações de cometas e argumentou a favor das suas órbitas elípticas ou parabólicas. Foi um dos membros fundadores do Observatório de Paris.
Em 1986, o vaivém espacial Challenger explode 73 segundos depois de descolar. A tripulação inteira morre: Francis Scobee, Michael Smith, Judith Resnik, Ellison Onizuka, Ronald McNair, Gregory Jarvis e Sharon Christa McAuliffe. Observações: Lua Cheia, pelas 19:16. Brilha na direção da constelação de Caranguejo, para baixo de Pollux e Castor e quase a essa distância de Procyon, que nasce mais tarde.
Intrigante sistema de seis exoplanetas com movimentos rítmicos desafia teorias de formação planetária
Com o auxílio de vários telescópios, incluindo o VLT (Very Large Telescope) do Observatório Europeu do Sul (ESO), os astrónomos descobriram um sistema com seis exoplanetas, cinco dos quais estão presos numa dança rítmica rara em torno da sua estrela central. Os investigadores pensam que o sistema poderá dar-nos pistas importantes sobre como é que os planetas, incluindo os do Sistema Solar, se formam e evoluem.
A primeira vez que observou TOI-178, uma estrela a cerca de 200 anos-luz de distância da Terra na direção da constelação do Escultor, a equipa de investigadores pensou que tinha descoberto dois planetas em torno desta estrela a percorrer essencialmente a mesma órbita. No entanto, um olhar mais detalhado revelou algo inteiramente diferente. "Através de mais observações percebemos que não tínhamos dois planetas em órbita da estrela praticamente à mesma distância dela, mas antes planetas múltiplos numa configuração muito especial," explica Adrien Leleu da Universidade de Genève e da Universidade de Berna, Suíça, que liderou um novo estudo deste sistema, publicado ontem na revista da especialidade Astronomy & Astrophysics.
Esta imagem artística mostra o planeta do sistema TOI-178 com a órbita mais afastada da sua estrela. Um novo trabalho de investigação levado a cabo por Adrien Leleu e colegas, usando vários telescópios, incluindo o VLT do ESO, revelou que este sistema possui seis exoplanetas e que todos menos um estão trancados numa dança rítmica especial à medida que se movem nas suas órbitas.
Apesar do movimento orbital neste sistema estar em harmonia, as propriedades físicas dos planetas apresentam-se mais desordenadas, com variações significativas em densidade de planeta para planeta. Este contraste desafia a compreensão dos astrónomos relativamente à formação e evolução dos sistemas planetários.
Esta imagem artística baseia-se em parâmetros físicos conhecidos para os planetas e estrela e usa uma vasta base de dados de objetos no Universo.
Crédito: ESO/L. Calçada/spaceengine.org
O novo trabalho de investigação revelou que o sistema possui seis exoplanetas e que todos menos um estão trancados numa dança rítmica especial à medida que se movem nas suas órbitas. Por outras palavras, encontram-se em ressonância, o que significa que há padrões que se repetem à medida que os planetas se deslocam em redor da estrela, com alguns planetas a alinharem-se entre si ao fim de algumas órbitas. Observamos uma ressonância semelhante nas órbitas de três das luas de Júpiter: Io, Europa e Ganimedes. Io, o mais próximo de Júpiter dos três, completa quatro órbitas completas em torno de Júpiter para uma única órbita de Ganimedes, o mais afastado, e completa duas órbitas completas para cada órbita de Europa.
Os cinco exoplanetas mais exteriores do sistema TOI-178 seguem uma cadeia de ressonância muito mais complexa, uma das mais longas descobertas até à data num sistema de planetas. Enquanto as três luas de Júpiter têm uma ressonância 4:2:1, os cinco planetas mais exteriores do sistema TOI-178 seguem a cadeia 18:9:6:4:3, ou seja, enquanto o segundo planeta a contar da estrela (o primeiro na cadeia de ressonância) completa 18 órbitas, o terceiro planeta a contar da estrela (o segundo da cadeia) completa 9 órbitas e assim por diante. De facto, inicialmente os cientistas encontraram apenas cinco planetas no sistema, mas, ao seguirem o ritmo de ressonância, calcularam onde é que estaria um planeta adicional na sua órbita, na próxima altura em que os cientistas podiam observar o sistema.
Mais do que uma curiosidade orbital, esta dança de planetas ressonantes dá-nos pistas sobre o passado do sistema. "As órbitas neste sistema estão muito bem ordenadas, o que nos diz que o sistema evoluiu bastante suavemente desde o seu nascimento," explica Yann Alibert, da Universidade de Berna, Suíça e um dos coautores deste trabalho. Se o sistema tivesse sido significativamente perturbado no início da sua vida como, por exemplo, por um impacto gigante, esta frágil configuração de órbitas não teria sobrevivido.
Desordem no sistema rítmico
Apesar do arranjo das órbitas ser bem organizado e ordenado, as densidades dos planetas "são muito mais desordenadas", diz Nathan Hara da Universidade de Genève, Suíça, que também esteve envolvido no estudo. "Parece haver um planeta tão denso como a Terra mesmo ao lado de um outro planeta muito 'fofo', com metade da densidade de Neptuno, seguido por um planeta com a densidade de Neptuno. Não é o que estamos habituados a ver." No nosso Sistema Solar, por exemplo, os planetas estão arranjados de forma ordenada, com os planetas rochosos, mais densos, mais próximos da estrela central e os planetas gasosos 'fofos', de baixa densidade, mais afastados.
"Este contraste entre a harmonia rítmica dos movimentos orbitais e as densidades desordenadas desafia claramente a nossa compreensão da formação e evolução dos sistemas planetários," diz Leleu.
Infografia do sistema planetário TOI-178.
Crédito: ESA/Consórcio da Missão Cheops/A. Leleu et al.
Combinando técnicas
De modo a investigar a invulgar arquitetura deste sistema, a equipa usou dados do satélite CHEOPS da ESA, assim como do instrumento ESPRESSO montado no VLT do ESO e do NGTS e SPECULOOS, ambos situados no Observatório do Paranal do ESO, no Chile. Uma vez que os exoplanetas são extremamente difíceis de observar de forma direta através de telescópios, os astrónomos usam outras técnicas para os detetar. Os principais métodos utilizados são imagens de trânsitos — observando a luz emitida pela estrela central que diminui de intensidade quando um planeta passa na sua frente, quando observada a partir da Terra — e velocidades radiais — observando o espectro de luz da estrela em busca de pequenos sinais de oscilação que ocorrem quando os exoplanetas de deslocam nas suas órbitas. A equipa usou ambos os métodos para observar o sistema: CHEOPS, NGTS e SPECULOOS para trânsitos e ESPRESSO para velocidades radiais.
Ao combinar as duas técnicas, os astrónomos conseguiram reunir informação crucial sobre o sistema e os seus planetas, que orbitam a estrela central muito mais perto e com maior velocidade do que a Terra orbita o Sol. O mais rápido (o planeta mais interior) completa uma órbita em apenas alguns dias, enquanto o mais lento demora cerca de dez vezes mais. Os seis planetas apresentam tamanhos que vão desde o tamanho da Terra até cerca de três vezes este valor, enquanto as suas massas estão entre 1,5 e 30 vezes a massa terrestre. Alguns dos planetas são rochosos, mas maiores que a Terra — os chamados super-Terras. Outros são planetas gasosos, como os planetas exteriores do nosso Sistema Solar, mas são muito mais pequenos — os chamados mini-Neptunos.
Apesar de nenhum destes seis exoplanetas se encontrar na zona de habitabilidade da estrela, os investigadores sugerem que, ao continuar a seguir a cadeia de ressonância, poderão encontrar planetas adicionais que poderão existir nesta zona ou muito perto dela. O ELT (Extremely Large Telescope) do ESO, que deverá começar a operar esta década, será capaz de observar diretamente exoplanetas rochosos na zona de habitabilidade da estrela e até caracterizar as suas atmosferas, dando-nos a oportunidade de conhecer sistemas como o TOI-178 com muito mais detalhe.
Os sete planetas rochosos de TRAPPIST-1 podem ter composições semelhantes
A estrela anã vermelha TRAPPIST-1 é o lar do maior grupo de planetas aproximadamente do tamanho da Terra já encontrados num único sistema estelar. Localizados a cerca de 40 anos-luz de distância, estes sete irmãos rochosos fornecem um exemplo da tremenda variedade de sistemas planetários que provavelmente preenchem o Universo.
Um novo estudo publicado na revista The Planetary Science Journal mostra que os planetas TRAPPIST-1 têm densidades notavelmente semelhantes. Isto pode significar que todos eles contêm aproximadamente a mesma proporção de materiais que se pensa compor a maioria dos planetas rochosos, como ferro, oxigénio, magnésio e silício. Mas se for este o caso, esta proporção deverá ser notavelmente diferente da da Terra: os planetas de TRAPPIST-1 são cerca de 8% menos densos do que seriam se tivessem a mesma composição do nosso planeta natal. Com base nesta conclusão, os autores do artigo científico levantaram a hipótese de que algumas misturas diferentes de ingredientes poderiam dar aos planetas TRAPPIST-1 a densidade medida.
A medição da massa e do diâmetro de um planeta revela a sua densidade, o que pode dar aos cientistas pistas sobre a sua composição. Os cientistas sabem agora a densidade dos sete planetas de TRAPPIST-1 com uma precisão mais alta do que qualquer outro exoplaneta.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
Alguns destes planetas são conhecidos desde 2016, quando os cientistas anunciaram que encontraram os três planetas em torno da estrela TRAPPIST-1 usando o TRAPPIST (TRAnsiting Planets and PlanetesImals Small Telescope) no Chile. As observações subsequentes do agora aposentado Telescópio Espacial Spitzer da NASA, em colaboração com telescópios terrestres, confirmou dois dos planetas originais e descobriram outros cinco. Gerido pelo JPL da NASA no sul do estado norte-americano da Califórnia, o Spitzer observou o sistema durante mais de 1000 horas antes de ser desativado em janeiro de 2020. O telescópio espacial Hubble e o agora também aposentado telescópio espacial Kepler também estudaram o sistema.
Todos os sete planetas de TRAPPIST-1, que estão tão perto da sua estrela que caberiam na órbita de Mercúrio, foram encontrados por meio do método de trânsito: os cientistas não podem observar os planetas diretamente (são demasiado pequenos e fracos em relação à estrela), de modo que procuram quedas no brilho da estrela provocadas quando os planetas passam à sua frente, da perspetiva do Sistema Solar.
Observações repetidas das quedas de luz estelar combinadas com medições do tempo das órbitas dos planetas permitiram aos astrónomos estimar as massas e os diâmetros dos planetas, que por sua vez foram usados para calcular as suas densidades. Os cálculos anteriores determinaram que os planetas têm aproximadamente o tamanho e a massa da Terra e, portanto, também devem ser rochosos, ou terrestres - em oposição a gasosos como Júpiter e Saturno. O novo artigo fornece as medições de densidade mais precisas já feitas para qualquer grupo de exoplanetas - planetas para lá do nosso Sistema Solar.
A densidade de um planeta é determinada pela sua composição bem como pelo seu tamanho: a gravidade comprime o material, aumentando a densidade do planeta. A densidade não comprimida ajusta o efeito da gravidade e pode revelar a diferença composicional entre vários planetas.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
Reinado de Ferro
Quanto mais precisamente os cientistas conhecem a densidade de um planeta, mais limites podem colocar na sua composição. Considere que um peso de papel pode ter aproximadamente o mesmo tamanho que uma bola de ténis, mas geralmente é muito mais pesado. Juntos, o tamanho e a massa revelam a densidade do objeto, e a partir daí é possível inferir que a bola de ténis é feita de algo mais leve (plástico e feltro) e que o peso de papel é feito de algo mais pesado (geralmente vidro ou metal).
As densidades dos oito planetas no nosso próprio Sistema Solar variam amplamente. Os gigantes gasosos - Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno - são maiores, mas muito menos densos do que os quatro mundos terrestres, porque são compostos principalmente de elementos mais leves como hidrogénio e hélio. Mesmo os quatro mundos terrestres mostram alguma variedade nas suas densidades, que são determinadas pela composição e compressão devido à gravidade do próprio planeta. Ao subtrair o efeito da gravidade, os cientistas podem calcular o que é conhecido como densidade descomprimida de um planeta e potencialmente aprender mais sobre a composição de um planeta.
Os sete planetas de TRAPPIST-1 possuem densidades semelhantes - os valores diferem em não mais do que 3%. Isto torna o sistema bastante diferente do nosso. A diferença de densidades entre os planetas de TRAPPIST-1 e a Terra e Vénus pode parecer pequena - cerca de 8% - mas é significativa a escalas planetárias. Por exemplo, uma maneira de explicar porque é que os planetas de TRAPPIST-1 são menos densos é que têm uma composição semelhante à da Terra, mas com uma percentagem mais baixa de ferro – cerca de 21% em comparação com os 32% da Terra, segundo o estudo.
Alternativamente, o ferro nos planetas de TRAPPIST-1 pode estar infundido com altos níveis de oxigénio, formando óxido de ferro ou ferrugem. O oxigénio adicional diminuiria as densidades dos planetas. A superfície de Marte obtém a sua coloração vermelha devido ao óxido de ferro, mas, como os seus três irmãos terrestres, tem um núcleo composto de ferro não oxidado. Em contraste, se a densidade mais baixa dos planetas TRAPPIST-1 fosse provocada inteiramente por ferro oxidado, os planetas teriam que estar "enferrujados" e não podiam ter núcleos de ferro sólido.
Eric Angol, astrofísico da Universidade de Washington e autor principal do novo estudo, disse que a resposta pode ser uma combinação dos dois cenários - menos ferro em geral e algum ferro oxidado.
Três possíveis interiores dos exoplanetas de TRAPPIST-1. Quanto mais precisamente os cientistas conhecem a densidade de um planeta, mais limites podem colocar na sua composição. Todos os sete planetas têm densidades muito semelhantes, por isso provavelmente têm composições parecidas.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
A equipa também investigou se a superfície de cada planeta poderia estar coberta por água, que é ainda mais leve que a ferrugem que e mudaria a densidade geral do planeta. Se fosse esse o caso, a água teria que representar cerca de 5% da massa total dos quatro planetas exteriores. Em comparação, a água representa menos de um-décimo de 1% da massa total da Terra.
Por estarem posicionados demasiado perto da sua estrela para a água permanecer no estado líquido na maioria das circunstâncias, os planetas interiores de TRAPPIST-1 exigiram atmosferas densas e quentes, como a de Vénus, para a água permanecer ligada ao planeta sob a forma de vapor. Mas Agol diz que esta explicação parece menos provável porque seria uma coincidência que todos os sete planetas tivessem apenas água suficiente presente para ter densidades semelhantes.
"O céu noturno está repleto de planetas, e só nos últimos 30 anos é que pudemos começar a desvendar os seus mistérios," disse Caroline Dorn, astrofísica da Universidade de Zurique e coautora do artigo científico. "O sistema TRAPPIST-1 é fascinante porque em torno desta estrela podemos aprender mais sobre a diversidade dos planetas rochosos num único sistema. E podemos realmente aprender mais sobre um planeta estudando os seus vizinhos também, de modo que este sistema é perfeito para isso."
Astrónomos descobrem primeiro planeta sem nuvens semelhante a Júpiter
Os astrónomos do Centro para Astrofísica | Harvard & Smithsonian detetaram o primeiro planeta semelhante a Júpiter sem nuvens ou neblina na sua atmosfera observável. As descobertas foram publicadas este mês na revista The Astrophysical Journal Letters.
Batizado de WASP-62b, o gigante gasoso foi detetado pela primeira vez em 2012 pelo levantamento WASP (Wide Angle Search for Planets). A sua atmosfera, no entanto, nunca havia sido estudada detalhadamente até agora.
"Para a minha tese, estive a trabalhar na caracterização do exoplaneta," diz Munazza Alam, estudante do Centro para Astrofísica que liderou o estudo. "Pego em planetas descobertos e acompanho-os a fim de caracterizar as suas atmosferas."
Impressão de artista de WASP-62b, o primeiro exoplaneta semelhante a Júpiter sem nuvens ou neblina na sua atmosfera observável. A ilustração é desenhada a partir da perspetiva de um observador perto do planeta.
Crédito: M. Weiss/Centro para Astrofísica | Harvard & Smithsonian
Conhecido como um "Júpiter quente", WASP-62b fica a 575 anos-luz de distância e tem aproximadamente metade da massa de Júpiter. No entanto, ao contrário do nosso planeta Júpiter, que leva quase 12 anos para orbitar o Sol, WASP-62b completa uma translação em torno da sua estrela em apenas quatro dias e meio. Esta proximidade com a estrela torna-o extremamente quente, daí o nome "Júpiter quente".
Usando o Telescópio Espacial Hubble, Alam recolheu dados e observações do planeta usando espectroscopia, o estudo da radiação eletromagnética para ajudar a detetar elementos químicos. Alam monitorizou especificamente WASP-62b quando passou três vezes em frente da sua estrela hospedeira, fazendo observações no visível que podem detetar a presença de sódio e potássio na atmosfera de um planeta.
"Admito que ao início não estava muito excitada com este planeta," disse Alam. "Mas quando comecei a analisar os dados, fiquei animada."
Embora não houvesse evidências de potássio, a presença de sódio foi surpreendentemente clara. A equipa foi capaz de visualizar todas as linhas de absorção de sódio nos seus dados, ou a sua impressão digital completa. As nuvens ou neblina na atmosfera obscureceriam a assinatura completa do sódio, explica Alam, e os astrónomos geralmente só conseguem perceber pequenos indícios da sua presença.
"Esta é uma prova de que estamos a ver uma atmosfera limpa," salientou.
Os planetas sem nuvens são extremamente raros; os astrónomos estimam que menos de 7% dos exoplanetas têm atmosferas limpas, de acordo com investigações recentes. Por exemplo, o primeiro e único outro exoplaneta conhecido como uma atmosfera limpa foi descoberta em 2018. Chamado WASP-96b, está classificado como um Saturno quente.
Os astrónomos pensam que o estudo de exoplanetas com atmosferas sem nuvens pode levar a uma melhor compreensão de como foram formados. A sua raridade "sugere que algo mais está a acontecer ou que se formaram de maneira diferente da maioria dos planetas," diz Alam. As atmosferas claras também tornam mais fácil o estudo da composição química dos planetas.
Com o lançamento do Telescópio Espacial James Webb ainda este ano, a equipa espera ter novas oportunidades para estudar e melhor compreender WASP-62b. As tecnologias aprimoradas do telescópio, como maior resolução e melhor precisão, deverão ajudá-los a analisar a atmosfera ainda mais detalhadamente a fim de procurar a presença de mais elementos, como o silício.
Grande parte do azoto da Terra era de origem local
De onde veio o azoto da Terra? Cientistas da Universidade Rice mostram que uma fonte primordial do elemento indispensável à vida estava perto de casa.
As assinaturas isotópicas de azoto em meteoritos de ferro revelam que a Terra provavelmente recolheu o seu azoto não apenas da região para lá da órbita de Júpiter, mas também da poeira no disco protoplanetário interno.
O azoto é um elemento volátil que, como o carbono, o hidrogénio e o oxigénio, torna possível a vida na Terra. A determinação da sua origem fornece pistas não apenas sobre como os planetas rochosos se formaram na região interior do nosso Sistema Solar, mas também sobre a dinâmica de discos protoplanetários distantes.
O disco protoplanetário solar foi separado em dois reservatórios, com o material do Sistema Solar interior tendo uma concentração mais baixa de azoto-15 e o material do Sistema Solar exterior sendo rico em azoto-15. A composição isotópica do azoto da Terra atual está entre os dois, de acordo com uma nova investigação, que mostra que veio de ambos os reservatórios.
Crédito: Amrita P. Vyas
O trabalho pelo estudante da Universidade Rice e autor principal, Damanveer Grewal, pelo docente Rajdeep Dasgupta e pelo geoquímico Bernard Marty da Universidade de Lorraine, França, foi publicado na revista Nature Astronomy.
O seu estudo ajuda a resolver um longo debate sobre a origem dos elementos voláteis essenciais à vida na Terra e noutros corpos rochosos do Sistema Solar.
"Os investigadores sempre pensaram que a parte mais interior do Sistema Solar, dentro da órbita de Júpiter, era demasiado quente para o azoto e para outros elementos voláteis se condensarem como sólidos, o que significa que os elementos voláteis no disco interno estavam no estado gasoso," disse Grewal.
Dado que as "sementes" dos planetas rochosos atuais, conhecidas como protoplanetas, cresceram no disco interno por meio da acreção de poeira de origem local, ele disse que pareciam não conter azoto ou outros voláteis, necessitando uma entrega a partir do Sistema Solar exterior. Um estudo anterior da equipa sugeriu que grande parte deste material rico em voláteis veio para a Terra por meio da colisão que formou a Lua.
Mas novas evidências mostram claramente que apenas parte do azoto do planeta veio de para lá de Júpiter.
Nos últimos anos, os cientistas analisaram elementos não voláteis em meteoritos, incluindo meteoritos de ferro que ocasionalmente caem na Terra, para mostrar que a poeira no Sistema Solar interior e exterior tinha composições isotópicas completamente diferentes.
"Esta ideia de reservatórios separados só foi desenvolvida para elementos não voláteis," disse Grewal. "Queríamos ver se isso também é verdade para os elementos voláteis. Se assim for, pode ser usado para determinar de qual reservatório os voláteis dos planetas rochosos atuais vieram."
Os meteoritos ferrosos são remanescentes dos núcleos de protoplanetas que se formaram ao mesmo tempo que as sementes dos planetas rochosos atuais, tornando-se a cartada essencial que os autores usaram para testar a sua hipótese.
Impressão de artista que mostra um disco protoplanetário de poeira e gás em torno de uma estrela jovem. Uma nova investigação mostra que o azoto da Terra veio das regiões internas e externas do disco que formou o nosso Sistema Solar, ao contrário das teorias anteriores.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
Os cientistas encontraram uma assinatura isotópica distinta do azoto na poeira que banhou os protoplanetas interiores cerca de 300.000 anos após a formação do Sistema Solar. Todos os meteoritos de ferro do disco interno continham uma concentração mais baixa do isótopo de azoto-15, enquanto os do disco externo eram ricos em azoto-15.
Isto sugere que, nos primeiros milhões de anos, o disco protoplanetário dividiu-se em dois reservatórios, o externo rico no isótopo de azoto-15 e o interno rico no isótopo azoto-14.
"O nosso trabalho muda completamente a narrativa atual," disse Grewal. "Mostrámos que os elementos voláteis estavam presentes na poeira do disco interno, provavelmente na forma de material orgânico refratário, desde o início. Isto significa que, ao contrário do entendimento atual, as sementes dos planetas rochosos atuais - incluindo a Terra - não estavam desprovidos de voláteis."
Dasgupta disse que a descoberta é significativa para aqueles que estudam a potencial habitabilidade dos exoplanetas, um tópico de grande interesse pessoal como investigador do CLEVER Planets, um projeto colaborativo financiado pela NASA que explora como os elementos essenciais à vida podem juntar-se em exoplanetas distantes.
"Pelo menos para o nosso próprio planeta, sabemos agora que todo o orçamento de azoto não vem apenas de materiais do Sistema Solar exterior," disse Dasgupta, professor de Ciências da Terra, Ambientais e Planetárias da Universidade Rice.
"Mesmo que outros discos protoplanetários não tenham o tipo de migração de planetas gigantes que resulta na infiltração de materiais ricos em voláteis das zonas externas, os seus planetas rochosos internos mais próximos da estrela ainda podem adquirir voláteis das suas zonas vizinhas," concluiu.
É uma das galáxias mais massivas conhecidas. A uns meros 46 milhões de anos-luz de distância, a galáxia espiral NGC 2841 pode ser encontrada na direção da constelação de Ursa Maior. Esta nítida imagem do esplêndido universo-ilha mostra um impressionante núcleo amarelado e um disco galáctico. Correntes de poeira, regiões pequenas e cor-de-rosa de formação estelar, e jovens enxames azuis encontram-se embebidos nos braços espirais irregulares e intimamente entrelaçados. Em contraste, muitas outras espirais exibem enormes braços arrebatadores com grandes regiões de formação estelar. NGC 2841 tem um diâmetro de mais de 150.000 anos-luz, ainda maior que a nossa própria Via Láctea. A imagem em destaque junta exposições do Telescópio Espacial Hubble de 2,4 metros e do Telescópio Subaru (terrestre) com 8,2 metros. Imagens em raios-X sugerem que os ventos e explosões estelares resultantes criam plumas de gás quente que se estendem até um halo em torno de NGC 2841.
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