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  Astroboletim #1770  
  23/02 a 25/02/2021  
     
 
Efemérides

Dia 23/02: 54.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1583 nascia Jean-Baptiste Morin, astrólogo e astrónomo, conhecido por opôr-se a Galileu e às suas ideias.
Em 1950, descoberta do asteroide (29075) 1950 DA. Foi observado durante 17 dias e depois diminuíu de brilho até não poder ser visto durante meio século. No fim do ano 2000 (31 de dezembro), um objeto foi reconhecido como sendo o há muito perdido 1950 DA. Observações do objeto descrevem a rocha como tendo 1,1 km de diâmetro e uma rotação de 2,1 horas, a rocha com o período de rotação mais rápido já encontrada no nosso Sistema Solar. 
Em 1987, supernova na Grande Nuvem de Magalhães visível a olho nu, resultado de uma explosão da supergigante azul Sanduleak 69.
SN1987A. Crédito: HST
Conhecida como SN1987A, foi a primeira supernova "próxima" dos últimos três séculos.
Em 1999, conjunção de Júpiter com Vénus. As conjunções não são eventos raros. Mas as conjunções planetárias são raramente tão próximas e Vénus e Júpiter são os objetos astronómicos mais brilhantes do céu, a seguir ao Sol e à Lua (objetos naturais - o terceiro objeto em geral é agora a ISS).
Observações: Nesta altura do ano, após a hora de jantar, cinco constelações carnívoras estão alinhadas desde o nordeste até sul. Estão representadas todas em perfil, com os seus narizes apontados para cima e os seus pés (se é que os têm) para a direita: Ursa Maior a nordeste, Leão a este, Hidra, a Serpente do Mar, a sudeste, Cão Menor um pouco mais alta a sul-sudeste, e Cão Maior a sul.

Dia 24/02: 55.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1967, nascia Brian Schmidt, astrónomo e astrofísico australiano que em 2011 partilhou com Saul Perlmutter e Adam Riess o Prémio Nobel da Física por fornecer evidências da aceleração da expansão do Universo.
Em 1968 foi descoberto o primeiro pulsar, por Jocelyn Bell Burnell, numa pesquisa no rádio. Hewish e Ryle, codiretores do projeto, receberam o prémio Nobel da Física em 1974 por conjugar as observações com um modelo duma estrela de neutrões em rotação. 
Em 1969 era lançada a sonda americana Mariner 6. A 31 de julho de 1969, passou a 3330 km de Marte e enviou de volta 74 imagens.
Em 1979, lançamento do satélite Solwind P78-1.
Em 1996 foi lançada a sonda POLAR para estudar a região dos polos da Terra, uma região ativa do geoespaço.
Em 2011, voo final do vaivém Discovery, na sua missão STS-133.

Observações: A Lua encontra-se esta noite na direção da ténue constelação de Caranguejo. Pouco depois do cair da noite, encontrará Pollux e Castor para cima do nosso satélite natural, Régulo para baixo e Procyon para a sua direita. Com o avançar da noite, este panorama parece girar no sentido dos ponteiros do relógio em torno da Lua.

Dia 25/02: 56.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2007, a sonda Rosetta passa por Marte.

Observações: A Lua, quase Cheia, brilha em Leão, com Régulo cerca de 9º para baixo e para a sua direita e Algieba cerca de 9º para baixo e para a sua esquerda. Uns binóculos ajudam a observá-las por entre o luar. Um típico campo de visão binocular abrange cerca de 6º.

 
     
 
Curiosidades


A Lua vista da Terra tem o mesmo diâmetro aparente que o Sol. A Terra vista da Lua tem quatro vezes o diâmetro aparente do Sol.

 
 
   
Missões da NASA constroem mapa sem precedentes do campo magnético do Sol

Durante décadas após a sua descoberta, os observadores só podiam ver a cromosfera solar por alguns momentos fugazes: durante um eclipse solar total, quando um brilho vermelho rodeava a silhueta da Lua.

Mais de cem anos depois, a cromosfera continua a ser a mais misteriosa das camadas atmosféricas do Sol. Situada entre a brilhante superfície e a etérea coroa solar, a atmosfera externa do Sol, a cromosfera é um lugar de mudanças rápidas, onde a temperatura aumenta e os campos magnéticos começam a dominar o comportamento do Sol.

Agora, pela primeira vez, três missões da NASA perscrutaram a atmosfera para enviar medições a várias altitudes do seu campo magnético. As observações - capturadas por dois satélites e pela missão CLASP2 (Chromospheric Layer Spectropolarimeter 2), a bordo de um pequeno foguete suborbital - ajudam a revelar como os campos magnéticos à superfície do Sol dão origem às erupções brilhantes na sua atmosfera externa. O artigo científico foi publicado na passada sexta-feira na revista Science Advances.

 
A medição da força do campo magnético a quatro altitudes diferentes usando dados do CLASP2 e do Hinode permitiu o mapeamento da propagação das linhas do campo magnético na cromosfera da "praia" solar.
Crédito: NAOJ
 

Um objetivo principal da heliofísica - a ciência da influência do Sol no espaço, incluindo as atmosferas planetárias - é prever o clima espacial, que geralmente começa no Sol, mas pode espalhar-se rapidamente pelo espaço e causar distúrbios perto da Terra.

O que impulsiona estas erupções solares é o campo magnético do Sol, as linhas invisíveis de força que se estendem da superfície solar ao espaço bem para lá da Terra. Este campo magnético é difícil de ver - só pode ser observado indiretamente, pela luz do plasma, ou gás superaquecido, que traça as suas linhas como faróis de carros que viajam numa estrada distante. No entanto, a forma como essas linhas magnéticas se organizam - sejam frouxas e retas ou firmes e emaranhadas - faz toda a diferença entre um Sol silencioso e uma erupção solar.

"O Sol é belo e misterioso, com atividade constante desencadeada pelos seus campos magnéticos," disse Ryoko Ishikawa, física solar no NAOJ (National Astronomical Observatory of Japan) em Tóquio e autora principal do artigo.

Idealmente, os investigadores poderiam ler as linhas do campo magnético na coroa, onde ocorrem as erupções solares, mas o plasma é muito esparso para leituras precisas (a coroa é mais de mil milhões de vezes menos densa do que o ar ao nível do mar).

Ao invés, os cientistas medem a fotosfera mais densamente compactada - a superfície visível do Sol - duas camadas abaixo. Usam então modelos matemáticos para propagar esse campo para cima até à coroa. Esta abordagem ignora a medição da cromosfera, que fica entre as duas, na esperança de simular o seu comportamento.

 
A cromosfera está situada entre a fotosfera, ou a brilhante superfície do Sol que emite luz visível, e a coroa superaquecida, ou atmosfera externa do Sol, fonte de erupções solares. A cromosfera é um elo fundamental entre estas duas regiões e uma variável em falta na determinação da estrutura magnética do Sol.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA
 

Infelizmente, a cromosfera é "selvagem", onde as linhas do campo magnético reorganizam-se de maneiras difíceis de prever. Os modelos lutam para capturar esta complexidade.

"A cromosfera é uma 'bagunça' quente," disse Laurel Rachmeler, ex-cientista do projeto CLASP2 da NASA, agora na NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration). "Nós fazemos suposições simplificadas da física na fotosfera e suposições separadas na coroa. Mas na cromosfera, a maioria dessas suposições desfazem-se."

Instituições nos EUA, Japão, Espanha e França trabalharam juntas para desenvolver uma nova abordagem para medir o campo magnético da cromosfera, apesar da sua natureza desorganizada. Modificando um instrumento que voou em 2015, acoplaram o seu observatório solar num foguete de sondagem, assim chamado devido ao termo náutico "sondar", que significa investigar, explorar. Este tipo de foguetões é lançado para o espaço para breves pesquisas de alguns minutos antes de cair de volta à Terra. Mais acessíveis e rápidos de construir e voar do que missões com satélites maiores, são também um palco ideal para testar novas ideias e técnicas inovadoras.

Lançado a partir do Campo de Teste de Mísseis de White Sands, no estado norte-americano do Novo México, o foguete atingiu uma altitude de 274 km para uma visão do Sol acima da atmosfera da Terra, que de outra forma bloqueia certos comprimentos de onda da luz. Os cientistas voltaram-se para a "praia solar", a orla de uma "região ativa" do Sol onde a força do campo magnético era forte, ideal para os seus sensores.

Enquanto o CLASP2 observava o Sol, o IRIS (Interface Region Imaging Spectrograph) da NASA e o satélite Hinode da JAXA/NASA, ambos observando o Sol a partir de órbita terrestre, ajustaram os seus telescópios para olhar para o mesmo local. Em coordenação, as três missões concentraram-se na mesma parte do Sol, mas perscrutaram profundidades diferentes.

O Hinode focou-se na fotosfera, procurando linhas espectrais do ferro neutro aí formado. O CLASP2 visou três alturas diferentes dentro da cromosfera, examinando linhas espectrais do magnésio ionizado e do manganês. Entretanto, o IRIS media as linhas de magnésio em mais alta resolução, para calibrar os dados do CLASP2. Juntas, as missões monitorizaram quatro camadas diferentes dentro e ao redor da atmosfera.

 
A imagem em tons avermelhados, obtida pelo telescópio da SDO da NASA, mostra a região ativa simultaneamente observada pelo CLASP2 e pelo Hinode. As linhas verdes nos paineis à esquerda mostram a posição da ranhura vista pelo espectropolarímetro do CLASP2. A cada ponto desta linha, o CLASP2 mediu a variação de comprimentos de onda em termos de intensidade (painel superior direito) e a polarização circular (painel inferior direito) de várias linhas cromosféricas do espectro ultravioleta solar. Ao mesmo tempo, a polarização circular das linhas fotosféricas na gama espectral visível foi medida pelo telescópio espacial Hinode. Estes sinais de polarização circular surgem dos campos magnéticos presentes a diferentes alturas na atmosfera solar e, a partir daí, os investigadores conseguiram determinar como o campo magnético varia desde a fotosfera até à base da coroa.
Crédito: NAOJ, IAC, NASA/MSFC, IAS
 

Eventualmente, chegaram os resultados: o primeiro mapa a várias alturas do campo magnético da cromosfera.

"Quando Ryoko me mostrou estes resultados pela primeira vez, eu simplesmente não consegui ficar sentado," disse David McKenzie, investigador principal do CLASP2 no Centro de Voo Espacial Marshall da NASA em Huntsville, Alabama. "Eu sei que parece esotérico - mas acabou de me mostrar o campo magnético a quatro alturas ao mesmo tempo. Ninguém faz isso!"

O aspeto mais impressionante dos dados foi o quão variada a cromosfera acabou por ser. Tanto ao longo da porção do Sol que estudaram, quanto a diferentes alturas no seu interior, o campo magnético variou significativamente.

"Na superfície do Sol, vemos campos magnéticos que mudam a distâncias curtas: mais acima, essas variações são muito mais difusas. Em alguns lugares, o campo magnético não alcançou todo o caminho até ao ponto mais alto que medimos, enquanto noutros lugares, ainda estava com força total."

 
Componente longitudinal do campo magnético (em gauss) a cada ponto ao longo da direção espacial indicada pela linha verde na imagem acima. Os campos magnéticos mais fortes e mais fracos podem ser encontrados na fotosfera (curva verde), onde existem regiões fortemente magnetizadas (até 1250 gauss) separadas por outras que são fracamente magnetizadas (10 gauss). Esta variação substancial na intensidade do campo magnético quando movendo-se horizontalmente na fotosfera diminui a altitudes correspondentes à cromosfera inferior (símbolos azuis) e até mais baixas nas camadas intermédias (símbolos pretos) e superiores (símbolos vermelhos) da cromosfera. Estes resultados confirmam e provam que, em tais regiões ativas da atmosfera solar, a força do campo magnético diminui com a altitude e que as linhas da força do campo magnético expandem-se e preenchem toda a cromosfera antes de alcançar a base da coroa.
Crédito: NAOJ, IAC, NASA/MSFC, IAS
 

A equipa espera usar esta técnica para medições magnéticas a várias alturas para mapear todo o campo magnético da cromosfera. Isto não apenas ajudaria na nossa capacidade de prever o clima espacial, mas também nos forneceria informações importantes sobre a atmosfera em torno da nossa estrela.

"Sou física coronal - estou muito interessada nos campos magnéticos lá de cima," disse Rachmeler. "Ser capaz de elevar o nosso limite de medição ao topo da cromosfera ajudar-nos-ia a entender muito mais, ajudar-nos-ia a prever muito mais - seria um grande passo em frente na física solar."

Terão em breve a oportunidade de dar esse passo em frente: um novo voo da missão recebeu o sinal verde da NASA. Embora a data de lançamento ainda não tenha sido definida, a equipa planeia usar o mesmo instrumento, mas com uma nova técnica para medir uma faixa muito mais ampla do Sol.

"Em vez de apenas medirmos os campos magnéticos ao longo de uma faixa muito estreita, queremos examiná-lo ao longo do alvo e fazer um mapa bidimensional," disse McKenzie.

// NASA (comunicado de imprensa)
// JAXA (comunicado de imprensa)
// NAOJ (comunicado de imprensa)
// IAC (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Science Advances)
// Primeiros resultados do CLASP2 (IAC via YouTube)

 


Saiba mais

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Sol:
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CLASP2:
NAOJ

IRIS:
NASA
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Hinode:
JAXA
Wikipedia

 
   
Primeiro buraco negro detetado é mais massivo do que se pensava

Novas observações do primeiro buraco negro já detetado levaram os astrónomos a questionar o que sabem sobre os objetos mais misteriosos do Universo.

Publicada a semana passada na revista Science, a investigação mostra que o sistema conhecido como Cygnus X-1 contém o buraco negro de massa estelar mais massivo já detetado sem a utilização de ondas gravitacionais.

Cygnus X-1 é um dos buracos negros mais próximos da Terra. Foi descoberto em 1964, quando um par de contadores Geiger foram transportados a bordo de um foguete suborbital lançado a partir do estado norte-americano do Novo México.

O objeto foi o foco de uma famosa aposta científica entre os físicos Stephen Hawking e Kip Thorne, com Hawking apostando em 1974 que não era um buraco negro. Hawking concedeu a aposta em 1990.

 
Impressão de artista do sistema Cygnus X-1. Este sistema contém o buraco negro estelar mais massivo já detetado sem a utilização de ondas gravitacionais, com 21 vezes a massa do Sol. Clique aqui para a mesma imagem com comparação com o Sol.
Crédito: ICRAR
 

Neste trabalho mais recente, uma equipa internacional de astrónomos usou o VLBA (Very Long Baseline Array) - um radiotelescópio do tamanho de um continente composto por 10 antenas espalhadas pelos EUA - juntamente com uma técnica inteligente para medir distâncias no espaço.

"Se pudermos ver o mesmo objeto de locais diferentes, podemos calcular a sua distância medindo como o objeto parece mover-se em relação ao plano de fundo," disse o professor e investigador principal James Miller-Jones da Universidade Curtin e do ICRAR (International Centre for Radio Astronomy Research).

"Se colocarmos o dedo à frente dos nossos olhos e o observarmos com um olho de cada vez, vamos notar que o dedo parece saltar de posição em relação ao plano de fundo. É exatamente o mesmo princípio."

"Ao longo de seis dias observámos uma órbita completa do buraco negro e usámos observações obtidas do mesmo sistema com a mesma rede de telescópios em 2011", disse o professor Miller-Jones. "Este método e as nossas novas medições mostram que o sistema está mais longe do que se pensava, com um buraco negro que é significativamente mais massivo."

O coautor Ilya Mandel, professor na Universidade Monash e do OzGrav (ARC Centre of Excellence in Gravitational Wave Discovery) disse que o buraco negro é tão massivo que está a desafiar o modo como os astrónomos pensam que foi formado.

"As estrelas perdem massa para o ambiente circundante por meio de ventos estelares que sopram da sua superfície. Mas para formar um buraco negro assim tão massivo, precisamos de diminuir a quantidade de massa que as estrelas brilhantes perdem durante as suas vidas," explicou.

 
Os astrónomos observaram o sistema Cygnus X-1 a partir de diferentes ângulos usando a órbita da Terra em torno do Sol para medir o movimento aparente do sistema contra o plano das estrelas de fundo. Isto permitiu-lhes refinar a distância ao sistema e, portanto, a massa do buraco negro.
Crédito: ICRAR
 

"O buraco negro no sistema Cygnus X-1 começou a sua vida como uma estrela com aproximadamente 60 vezes a massa do Sol e colapsou há dezenas de milhares de anos," disse. "Incrivelmente, está a orbitar a sua estrela companheira - uma supergigante - a cada cinco dias e meio a apenas um-quinto da distância entre a Terra e o Sol.

"Estas novas observações dizem-nos que o buraco negro tem mais de 20 vezes a massa do nosso Sol - um aumento de 50% em relação às estimativas anteriores."

Xueshan Zhao é coautora do artigo e candidata a doutoramento que estuda no NAOC (National Astronomical Observatories, Chinese Academy of Sciences) em Pequim.

"Usando as medições atualizadas para a massa do buraco negro e a sua distância da Terra, fui capaz de confirmar que Cygnus X-1 gira incrivelmente depressa - muito perto da velocidade da luz e mais depressa do que qualquer outro buraco negro encontrado até à data," acrescentou.

"Estou no início da minha carreira de investigação, portanto fazer parte de uma equipa internacional e ajudar a refinar as propriedades do primeiro buraco negro já descoberto foi uma grande oportunidade."

// ICRAR (comunicado de imprensa)
// MIT (comunicado de imprensa)
// INAF (comunicado de imprensa)
// Universidade de Tecnologia do Texas (comunicado de imprensa)
// Academia Chinesa de Ciências (comunicado de imprensa)
// Universidade Friedrich-Alexander de Erlangen-Nuremberga (comunicado de imprensa)
// ASTRON (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Science)
// Artigo científico (arXiv.org)
// Artigo científico complementar #1 (The Astrophysical Journal)
// Artigo científico complementar #1 (arXiv.org)
// Artigo científico complementar #2 (The Astrophysical Journal)
// Artigo científico complementar #2 (arXiv.org)
// Cygnus X-1: o buraco negro mais massivo perto da Terra (ICRAR via vimeo)

 


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Astrónomos publicam mapa que mostra 25.000 buracos negros supermassivos

Uma equipa internacional de astrónomos publicou um mapa do céu mostrando mais de 25.000 buracos negros supermassivos. O mapa, a ser publicado na revista Astronomy & Astrophysics, é o mapa celeste mais detalhado no campo das chamadas baixas frequências de rádio. Os astrónomos usaram 52 estações com antenas LOFAR espalhadas por nove países europeus.

 
Mapa do céu que mostra 25.000 buracos negros supermassivos. Cada ponto é um buraco negro supermassivo na sua própria galáxia.
Crédito: LOFAR/Levantamento LOL
 

Estrelas ou buracos negros?

Para olhos não treinados, o mapa do céu parece conter milhares de estrelas, mas na verdade são buracos negros supermassivos. Cada buraco negro está localizado numa galáxia diferente e distante. As emissões de rádio são emitidas por matéria que foi ejetada ao se aproximar do buraco negro.

O líder de investigação, Francesco de Gasperin (anteriormente da Universidade de Leiden, Países Baixos, agora da Universidade de Hamburgo, Alemanha), diz acerca do estudo: "Este é o resultado de muitos anos de trabalho com dados incrivelmente difíceis. Tivemos que inventar novos métodos para converter os sinais de rádio em imagens do céu."

Do fundo de uma piscina

As observações em longos comprimentos de onda de rádio são complicadas pela ionosfera que envolve a Terra. Esta camada de eletrões livres age como uma lente turva que se move constantemente pelo radiotelescópio. O coautor Reinout van Weeren (Observatório de Leiden) explica: "É parecido a tentarmos observar o mundo enquanto imersos numa piscina. Quando olhamos para cima, as ondas na água da piscina desviam os raios de luz e distorcem a vista."

Mapa de todo o céu

O novo mapa foi criado combinando 256 horas de observações do céu do hemisfério norte. Os investigadores utilizaram supercomputadores com novos algoritmos que corrigem o efeito da ionosfera a cada quatro segundos. Huub Röttgering, diretor científico do Observatório de Leiden, é o autor final da publicação. Ele está encantado com os resultados: "depois de tantos anos de desenvolvimento de software, é maravilhoso ver que agora realmente funcionou."

O novo mapa cobre 4% do céu do hemisfério norte. Os astrónomos planeiam continuar até que tenham mapeado todo o céu do hemisfério norte. Além dos buracos negros supermassivos, o mapa também fornece informações sobre a estrutura a larga escala do Universo, entre outras coisas.

// Universidade de Leiden (comunicado de imprensa)
// ASTRON (comunicado de imprensa)
// Universidade de Durham (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


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Buracos negros:
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Buraco negro supermassivo (Wikipedia)

LOFAR:
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Álbum de fotografias - Perseverance: Como Aterrar em Marte
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASAJPLMars 2020
 
Pendurado sob o seu estágio de descida movido a propulsores, o rover Perseverance paira apenas alguns metros acima da superfície marciana, capturado aqui momentos antes do seu pouso de dia 18 de fevereiro no Planeta Vermelho. A vista de tirar o fôlego seguiu-se a uma intensa viagem de sete minutos desde o topo da atmosfera marciana. Parte de um vídeo de alta resolução, a imagem foi capturada do próprio estágio de descida durante a manobra final de aterragem via grua espacial. Três cabos mecânicos com aproximadamente 7 metros de comprimentos são visíveis ao baixar o Perseverance, juntamente com uma ligação elétrica umbilical alimentando sinais (como esta imagem) para um computador a bordo do rover, rover este que tem o tamanho de um carro. Por baixo do Perseverance, poeira marciana é levantada da superfície pelos propulsores de descida. Imediatamente após o pouso, os cabos foram libertados, permitindo que o estágio de descida voasse para uma distância segura antes de esgotar o combustível, conforme planeado.
 
   
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