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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
  Astroboletim #1784  
  13/04 a 15/04/2021  
     
 
 

Onde está o que queremos - via ZOOM

Astrometria é medir (a posição dos) astros; tentaremos descobrir para quê e como fazer isto!

O AstroClube tem por objetivo desenvolver uma componente didática mais importante que durante as observações das apresentações às estrelas, que são mais lúdicas.

Pretende-se que o AstroClube funcione como um "laboratório experimental" temático de astronomia. Assim, enquadram-se nesta filosofia uma cerca replicação do processo científico de descobertas na Astronomia, ou de exploração prática e "Hands-On" dos conceitos de astronomia.

Público-alvo: Jovens e Adultos | Preço: 30€ (5 sessões)

Data: 22 de abril de 2021
Hora: 21:00 horas

INSCRIÇÃO OBRIGATÓRIA - seguir este link
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
     
 
Efemérides

Dia 13/04: 103.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1960, os EUA lançam o Transit 1-B, o primeiro satélite de navegação do mundo.
Em 1970, "Houston, we have a problem". Foram estas as palavras que o astronauta Jack Swigert disse ao controlo da missão em Houston depois do tanque de oxigénio n.º 2 do módulo de serviço da nave Apollo 13 ter explodido.

Os astronautas Swigert, Jim Lovell e Fred Haise movem-se então para o módulo lunar, que permaneceu sem danos. O voo continuou até e em volta da Lua e de novo até à Terra. Todo o mundo observava com atenção à medida que a equipa terrestre e a tripulação da Apollo 13 ultrapassavam todos os obstáculos para salvar os astronautas. Estes conseguiram regressar em segurança à Terra.
Em 1974, a Western Union (em cooperação com a NASA e a Hughes Aircraft) lança o primeiro satélite comercial de comunicações geosíncrono, o Westar 1.
Observações: Vega, a brilhante "Estrela de Verão", sobe a nordeste ao final destas noites. Exatamente a que horas a pode observar? Aviste a Ursa Maior quase por cima das nossas cabeças a nordeste. Olhe para Mizar no curva da "pega" da sua "frigideira". Se conseguir ver a pequena e íntima companheira de Mizar, a estrela Alcor (binóculos ajudam), siga uma linha de Mizar, passando por Alcor, até ao horizonte. É aí que Vega vai nascer.

Dia 14/04: 104.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1629 nascia Christian Huygens, físico holandês e astrónomo, um dos cientistas mais proeminentes do século XVII.

Descobriu o anel e o quarto satélite (Titã) de Saturno (1655), e patenteou o primeiro relógio de pêndulo (1656). Na ótica propôs a teoria ondulatória da luz e descobriu a polarização. A sonda que há alguns anos atrás aterrou em Titã tem o seu nome.
Em 1958, o satélite soviético Sputnik 2 cai de órbita após uma missão com a duração de 162 dias. 
Em 1981, missão STS-1. O vaivém espacial Columbia completa o seu primeiro voo de testes. 
Em 2000, astrónomos detetam as primeiras provas observacionais dos restos de uma hipernova, explosões cem vezes mais energéticas que as supernovas e uma possível fonte dos poderosos GRB's (explosões de raios-gama), os eventos mais energéticos de todo o Universo conhecido, além do Big-Bang.
Observações: Arcturo brilho alta a este por estas noites. Arcturo forma o fim pontiagudo de um longo e estreito asterismo com a forma de papagaio-de-papel formado pelas estrelas mais brilhantes da constelação de Boieiro. O papagaio-de-papel está atualmente inclinado para o lado esquerdo de Arcturo. A cabeça do papagaio-de-papel, para a esquerda, está ligeiramente curvado para cima. Este asterismo tem 23º: cerca de dois punhos à distância do braço esticado.

Dia 15/04: 105.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1707 nascia Leonhard Euler, matemático e físico suiço.

Fez importantes descobertas em vários campos como o cálculo infinitesimal e teoria dos grafos. Também introduziu muita da terminologia matemática moderna e da notação, particularmente da análise matemática, como por exemplo a noção de função matemática. Também trabalhou na mecânica, dinâmica de fluidos, ótica, astronomia e teoria musical. Relativamente à astronomia, os seus feitos incluem a determinação, com uma grande precisão, da órbita de cometas e de outros corpos celestes, a compreensão da natureza dos cometas e o cálculo da paralaxe do Sol.
Em 1793 nascia Friedrich Georg Wilhelm von Struve, astrónomo báltico-alemão. Struve é conhecido pelo seu enorme estudo das estrelas duplas e foi um dos primeiros astrónomos a identificar os efeitos da extinção interestelar.
Em 1800, James Ross descobre o polo magnético norte
Em 1961, Yuri Gagarin, o primeiro ser humano no espaço, é galardoado com a Ordem de Lenine
Em 1999, lançamento do Landsat 7.
Observações: A Lua Crescente brilha perto de Aldebarã e das Plêiades esta noite.

 
 
   
NICER descobre surtos de raios-X nos pulsos de rádio do pulsar da Nebulosa do Caranguejo

Uma colaboração científica global usando dados do telescópio NICER (Neutron star Interior Composition Explorer) da NASA a bordo da Estação Espacial Internacional descobriu surtos de raios-X que acompanham as explosões de rádio do pulsar situado na Nebulosa do Caranguejo. A descoberta mostra que estes surtos, chamados pulsos gigantes de rádio, libertam muito mais energia do que se suspeitava anteriormente.

Um pulsar é um tipo de estrela de neutrões que gira rapidamente, o núcleo esmagado - do tamanho de uma cidade - de uma estrela que explodiu como uma supernova. Uma estrela de neutrões jovem e isolada pode girar dezenas de vezes por segundo, e o seu campo magnético circundante alimenta feixes de ondas de rádio, luz visível, raios-X e raios-gama. Se estes feixes passarem pela perspetiva da Terra, os astrónomos observam pulsos de emissão semelhantes aos de um relógio e classificam o objeto como um pulsar.

 
A Nebulosa do Caranguejo, uma nuvem de detritos em expansão com seis anos-luz de diâmetro, de uma explosão de supernova, alberga uma estrela de neutrões que gira 30 vezes por segundo e está entre os pulsares mais brilhantes do céu em raios-X e no rádio. Esta composição de imagens pelo Telescópio Espacial Hubble revela gases diferentes expelidos na explosão: o azul revela o oxigénio neutro, o verde mostra o enxofre ionizado e o vermelho indica o oxigénio duplamente ionizado.
Crédito: NASA, ESA, J. Hester e A. Loll (Universidade Estatal do Arizona)
 

"Dos mais de 2800 pulsares catalogados, o pulsar da Nebulosa do Caranguejo é um dos poucos que emite pulsos gigantes de rádio, que ocorrem esporadicamente e podem ser centenas a milhares de vezes mais brilhantes do que os pulsos regulares," disse o cientista Teruaki Enoto do RIKEN em Wako, prefeitura de Saitama, Japão. "Após décadas de observações, apenas o pulsar da Nebulosa do Caranguejo demonstrou aumentar os seus pulsos gigantes de rádio com emissão de outras partes do espectro."

O novo estudo, publicado na edição de 9 de abril da revista Science e também disponível online, analisou a maior quantidade de dados simultâneos de raios-X e rádio já recolhidos de um pulsar. O estudo estende por um fator de milhares a faixa de energia observada associada a este fenómeno.

Localizado a cerca de 6500 anos-luz de distância na direção da constelação de Touro, a Nebulosa do Caranguejo e o seu pulsar formaram-se numa supernova cuja luz atingiu a Terra em julho de 1054. A estrela de neutrões gira 30 vezes por segundo, e em comprimentos de onda de raios-X e rádio está entre os pulsares mais brilhantes do céu.

Entre agosto de 2017 e agosto de 2019, Enoto e colegas usaram o NICER para observar repetidamente o pulsar da Nebulosa do Caranguejo em raios-X a energias de até 10.000 eletrões-volt, ou milhares de vezes a energia da luz visível. Enquanto o NICER observava, a equipa também estudava o objeto usando pelo menos um de dois radiotelescópios terrestres no Japão - a antena de 34 metros do Centro Espacial Kashima e a antena de 64 metros do Centro Espacial Usuda da JAXA (a agência espacial japonesa), ambos operando na frequência de 2 gigahertz.

O conjunto de dados combinado deu efetivamente aos investigadores quase dia e meio de cobertura simultânea de raios-X e rádio. Ao todo, capturaram atividade durante 3,7 milhões de rotações do pulsar e cerca de 26.000 pulsos gigantes de rádio.

Os pulsos gigantes explodem rapidamente, atingindo milionésimos de segundo, e ocorrem de forma imprevisível. No entanto, quando ocorrem, coincidem com as pulsações regulares tipo-relógio do pulsar.

 
Entre 2017 e 2019, o NICER da NASA e radiotelescópios no Japão estudaram o pulsar da Nebulosa do Caranguejo ao mesmo tempo. Nesta visualização, que representa apenas 13 minutos das observações do NICER, são apresentados milhões de raios-X em relação à fase rotacional do pulsar, centrada na emissão rádio mais forte. Para efeitos de clareza, são mostradas duas rotações completas. À medida que os feixes do pulsar varre a linha de visão, produzem dois picos para cada rotação, o mais brilhante associado com maiores números de de pulsos gigantes de rádio. Pela primeira vez, os dados do NICER mostram um ligeiro aumento na emissão de raios-X associada a estes eventos.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA/Enoto et al., 2021
 

O NICER regista o tempo de chegada de cada raio-X e deteta-o até uma precisão de 100 nanossegundos, mas o rigor cronométrico do telescópio não é a sua única vantagem para este estudo.

"A capacidade do NICER em observar fontes brilhantes de raios-X é quase quatro vezes maior do que o brilho combinado do pulsar e da sua nebulosa," disse Zaven Arzoumanian, líder científico do projeto no Centro Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. "Portanto, estas observações não foram afetadas em grande parte pela acumulação - onde um detetor conta dois ou mais raios-X como um único evento - e outros problemas que complicaram as análises anteriores."

A equipa de Enoto combinou todos os dados de raios-X que coincidiam com os pulsos gigantes de rádio, revelando um aumento de raios-X de cerca de 4% que ocorreu em sincronia com eles. É notavelmente semelhante ao aumento de 3% na luz visível também associada ao fenómeno, descoberto em 2003. Em comparação com a diferença de brilho entre os pulsares regulares do Caranguejo e os gigantes, estas mudanças são notavelmente pequenas e representam um desafio que os modelos teóricos têm de explicar.

Assim sendo, sugere-se que os pulsos gigantes são uma manifestação de processos subjacentes que produzem emissões que abrangem o espetro eletromagnético, do rádio aos raios-X. E como os raios-X têm milhões de vezes a "força" das ondas de rádio, mesmo um aumento modesto representa uma grande contribuição de energia. Os investigadores concluíram que a energia total emitida associada a um pulso gigante é dezenas a centenas de vezes maior do que a estimada anteriormente apenas a partir de dados no rádio e no visível.

"Ainda não entendemos como ou onde os pulsares produzem a sua emissão complexa e abrangente, e é gratificante ter contribuído com outra peça do puzzle de vários comprimentos de onda destes objetos fascinantes," conclui Enoto.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Science)
// Artigo científico (arXiv.org)
// NICER descobre surtos de raios-X nos pulsos de rádio do pulsar da Nebulosa do Caranguejo (NASA Goddard via YouTube)

 


Saiba mais

Nebulosa do Caranguejo:
SEDS
Wikipedia

Estrelas de neutrões:
Wikipedia
Universidade de Maryland

Pulsares:
Wikipedia

NICER:
NASA
Wikipedia

Centro Espacial Kashima:
Página principal

Centro Espacial Usuda:
JAXA
Wikipedia

 
   
Vendo a quadruplicar

Com a ajuda de técnicas de aprendizagem de máquina, uma equipa de astrónomos descobriu uma dúzia de quasares que foram distorcidos por uma "lente" cósmica natural e divididos em quatro imagens semelhantes. Os quasares são núcleos extremamente luminosos de galáxias distantes alimentados por buracos negros supermassivos.

Ao longo das últimas quatro décadas, os astrónomos encontraram cerca de 50 destes "quasares com imagem quadruplicada", que ocorrem quando a gravidade de uma galáxia massiva que se encontra na frente de um quasar divide a sua imagem singular em quatro. O estudo mais recente, que durou apenas ano e meio, aumenta o número destes quasares quadruplicados conhecidos em cerca de 25% e demonstra o poder da aprendizagem de máquina para ajudar os astrónomos na sua busca por estas extravagâncias cósmicas.

"Os quadruplicados são minas de ouro para todos os tipos de questões. Podem ajudar a determinar o ritmo de expansão do Universo e ajudar a resolver outros mistérios, como a matéria escura e os 'motores centrais' dos quasares," disse Daniel Stern, autor principal do novo estudo e investigador do JPL, que é gerido pelo Caltech para a NASA. "Não são apenas agulhas num palheiro, mas também canivetes suíços, porque têm muitas aplicações."

As descobertas, a serem publicadas na revista The Astrophysical Journal, foram feitas combinando ferramentas de aprendizagem de máquina com dados de vários telescópios terrestres e espaciais, incluindo a missão Gaia da ESA; o WISE (Wide-field Infrared Survey Explorer) da NASA; o Observatório W. M. Keck em Maunakea, Hawaii; o Observatório Palomar do Caltech; o NTT (New Technology Telescope) do ESO; e o telescópio Gemini South no Chile.

 
Quatro dos recém-descobertos quasares com imagem quadruplicada. Os objetos são: " GraL J0659+1629 ou "Gemini's Crossbow"; GraL J1537-3010 ou "Wolf's Paw"; GraL J1651-0417 ou "Dragon's Kite"; GraL J2038-4008 ou "Microscope Lens". A mancha difusa no centro das fotografias é a galáxia que atua como lente, a gravidade da qual está a dividir a luz do quasar por trás de modo a produzir quatro imagens desse objeto. Ao modelar estes sistemas e ao monitorizar como as imagens diferentes variam em termos de brilho ao longo do tempo, os astrónomos podem determinar o ritmo de expansão do Universo e ajudar a resolver problemas cosmológicos.
Crédito: Colaboração GraL
 

Dilema cosmológico

Nos últimos anos, surgiu uma discrepância no que toca ao valor preciso do ritmo de expansão do Universo, também conhecido como constante de Hubble. Dois meios principais podem ser usados para determinar este valor: um baseia-se nas medições da distância e velocidade dos objetos no nosso Universo local, e o outro extrapola o ritmo a partir de modelos baseados na radiação distante remanescente do nascimento do nosso Universo, chamada radiação cósmica de fundo em micro-ondas. O problema é que os números não coincidem.

"Existem erros potencialmente sistemáticos nas medições, mas isso parece cada vez menos provável," diz Stern. "O mais atraente é que a discrepância nos valores pode significar que algo sobre o nosso modelo do Universo está errado e que há uma nova física por descobrir."

As novas imagens quadruplicadas, que a equipa deu alcunhas como "Wolf's Paw" ou "Dragon Kite", vão ajudar nos cálculos futuros da constante de Hubble e podem iluminar porque é que as duas medições principais não estão em concordância. Os quasares ficam entre os alvos locais e distantes usados para os cálculos anteriores, de modo que fornecem aos astrónomos uma maneira de examinar o alcance intermédio do Universo. Uma determinação da constante de Hubble, baseada em quasares, poderia indicar qual dos dois valores está correto ou, talvez mais interessante, poderia mostrar que a constante se situa algures entre o valor determinado localmente e o distante, um possível sinal de física desconhecida.

Ilusões gravitacionais

As imagens multiplicadas de quasares e de outros objetos no cosmos ocorrem quando a gravidade de um objeto em primeiro plano, como uma galáxia, curva e amplia a luz de objetos por trás. O fenómeno, chamado lente gravitacional, já foi visto antes muitas vezes. Às vezes, os quasares ficam com duas imagens; menos frequentemente, mostram quatro imagens.

"Os quadruplicados são melhores dos que os quasares vistos a dobrar para estudos de cosmologia, como a medição da distância dos objetos, porque podem ser modelados perfeitamente," diz o coautor George Djorgovski, professor de astronomia e ciência de dados do Caltech. "São laboratórios relativamente limpos para fazer estas medições cosmológicas."

No novo estudo, os investigadores usaram dados do WISE, que tem resolução relativamente grosseira, para encontrar os prováveis quasares, e depois usaram a resolução nítida do Gaia para identificar quais dos quasares vistos pelo WISE estavam associados com possíveis quasares quadruplicados. Os investigadores então aplicaram ferramentas de aprendizagem de máquina para escolher quais os candidatos mais prováveis para imagens múltiplas e não apenas estrelas diferentes situadas perto uma das outras no céu. As observações de acompanhamento com o LRIS (Low Resolution Imaging Spectrometer) do Observatório Keck, bem como com o Observatório Palomar, com o NTT (New Technology Telescope) e com o Gemini South confirmaram quais os objetos eram de facto quasares quadruplicados situados a milhares de milhões de anos-luz.

 

Este diagrama ilustra como os quasares com imagem quádrupla, são produzidos no céu. A luz de um quasar distante, situado a milhares de milhões de anos-luz, é distorcida pela gravidade de uma galáxia massiva situada à sua frente, vista da perspetiva da Terra. Este dobrar da luz resulta na ilusão, uma espécie de miragem gravitacional, onde o quasar parece ter sido dividido em quatro objetos idênticos que rodeiam a galáxia no plano da frente.
Crédito: R. Hurt (IPAC/Caltech)/Colaboração GraL

 

Humanos e máquinas trabalham juntos

O primeiro quadruplicado encontrado com a ajuda de aprendizagem de máquina, com a alcunha "Centauru's Victory", foi confirmado durante uma noite que a equipa passou no Caltech, com colaboradores da Bélgica, França e Alemanha, enquanto usavam um computador dedicado no Brasil, lembra o coautor Alberto Krone-Martins da Universidade da Califórnia em Irvine. A equipa estava a observar remotamente os seus objetos usando o Observatório Keck.

"A aprendizagem de máquina foi fundamental para o nosso estudo, mas não pretende substituir as decisões humanas," explica Krone-Martins. "Nós treinamos e atualizamos continuamente os modelos num ciclo de aprendizagem contínua, de forma que os humanos a experiência humana são parte essencial do ciclo. Quando falamos em IA, em referência a ferramentas de aprendizagem de máquina como estas, significa Inteligência Aumentada, não Inteligência Artificial."

"Alberto não só desenvolveu os inteligentes algoritmos de aprendizagem de máquina para este projeto, como também teve a ideia de usar os dados do Gaia, algo que não havia sido feito antes para este tipo de projeto," diz Djorgovski.

"Esta história não se trata apenas de encontrar lentes gravitacionais," realça, "mas também de mostrar como a combinação de grandes conjuntos de dados com aprendizagem de máquina pode levar a novas descobertas."

// Observatório W. M. Keck (comunicado de imprensa)
// ESA (comunicado de imprensa)
// Caltech (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Saiba mais

Quasar:
Wikipedia

Lentes gravitacionais:
Wikipedia

Universo:
A expansão acelerada do Universo (Wikipedia)
Universo (Wikipedia)
Idade do Universo (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Big Bang (Wikipedia)
Modelo Lambda-CDM (Wikipedia)

Gaia:
ESA
ESA - 2
Gaia/ESA
Programa Alertas de Ciência Fotométrica do Gaia
EDR3 do Gaia
SPACEFLIGHT101
Wikipedia

WISE:
Wikipedia
NEOWISE (NASA)
U. Berkeley

Observatório W. M. Keck:
Página principal
Wikipedia

Observatório Palomar:
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NTT (New Technology Telescope):
ESO
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Observatório Gemini:
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Mars Odyssey da NASA celebra 20 anos a mapear o Planeta Vermelho

A sonda Mars Odyssey de 2001 da NASA foi lançada há 20 anos atrás no dia 7 de abril, tornando-a a nave espacial mais antiga ainda em funcionamento no Planeta Vermelho. O orbitador, que tem o nome do clássico romance de ficção científica de Arthur C. Clarke "2001: Odisseia no Espaço" (Clarke abençoou a sua utilização antes do lançamento), foi enviado com o objetivo de mapear a composição da superfície marciana, fornecendo uma janela para o passado para que os cientistas pudessem juntar as peças de como o planeta evoluiu.

Mas fez muito mais do que isso, descobrindo água gelada, servindo como um elo de comunicação crucial para outras espaçonaves e ajudando a pavimentar o caminho não apenas para pousos mais seguros, mas também para futuros astronautas.

Aqui fica uma lista parcial dos muitos feitos da Odyssey.

 
Às 11:02 (hora local) do dia 7 de abril de 2001, multidões observaram o lançamento da Mars Odyssey no topo de um foguetão Boeing Delta II a partir da Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral, Flórida, EUA.
Crédito: NASA
 

Mapeando o gelo marciano

As duas décadas de dados da Mars Odyssey foram inestimáveis para os investigadores que trabalham para determinar onde a água gelada está presa no planeta. Compreender o ciclo de água em Marte - um planeta que já foi muito mais húmido, como a Terra - fornece uma visão sobre como mudou ao longo do tempo: como é que a água se move pelo planeta hoje? A inclinação do planeta afeta a estabilidade do gelo? As descobertas da Mars Odyssey ajudaram a responder a estas questões.

"Antes da Odyssey, não sabíamos onde esta água era armazenada no planeta," disse o cientista do projeto Jeffrey Plaut do JPL da NASA no sul da Califórnia, EUA, que lidera a missão da Mars Odyssey. "Nós detetámos a água pela primeira vez em órbita e depois confirmámos que estava lá usando o 'lander' Phoenix."

Esta água gelada também é necessária para ajudar os astronautas a sobreviver em Marte e para fornecer combustível para as suas naves espaciais (de facto, os astronautas eram o foco de um instrumento a bordo da Mars Odyssey que media quanta radiação espacial teriam que enfrentar antes deste deixar de funcionar em 2003). O orbitador encontra a água gelada usando o seu espectrómetro de raios-gama, que provou ser um caçador eficaz de hidrogénio próximo da superfície - um substituto da água gelada. Este instrumento mede a quantidade de elementos diferentes na superfície marciana e também serve como um nodo na rede interplanetária de deteção de GRBs ("gamma-ray burts", explosões de raios-gama) da NASA, que identifica os locais de origem dos GRBs para observações astronómicas de acompanhamento.

 
Imagens obtidas entre 2002 e 2004 pela câmara THEMIS da Mars Odyssey deste mar esculpido pelo vento de dunas escuras que cobre uma área tão grande quanto o estado norte-americano do Texas na calote polar norte de Marte. Nesta imagem a cores melhoradas, as áreas mais frias têm tons mais azulados, enquanto as características mais quentes têm tons amarelados e alaranjados.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/ASU
 

A composição de Marte

Examine qualquer um dos estudos de mapeamento da superfície marciana e provavelmente inclui dados da Mars Odyssey. Durante muitos anos, os mapas globais mais completos de Marte foram feitos usando a câmara infravermelha da Odyssey, de nome THEMIS (Thermal Emission Imaging System). A câmara mede a temperatura da superfície dia e noite, permitindo aos cientistas determinar que materiais físicos, como rocha, areia ou poeira, existem. Os seus dados revelam a presença desses materiais com base em como aquecem ou arrefecem ao longo de um dia marciano.

O resultado de duas décadas de todo este mapeamento? Os cientistas não apenas usaram os dados para mapear redes de vales e crateras, também conseguiram localizar arenito, rochas ricas em ferro, sais e mais - descobertas que ajudam a fornecer uma visão mais profunda da história de Marte. "Não há como negar que o mapa global THEMIS preencheu lacunas no nosso conhecimento," disse Laura Kerber do JPL, cientista assistente do projeto Odyssey.

 
Esta imagem obtida pela câmara THEMIS da Mars Odyssey mostra uma cratera dupla. Se um meteorito se parte em dois pouco antes de atingir a superfície, a típica forma de uma cratera de impacto em forma de "tigela" ganha um gémea. As duas regiões circulares intersetam-se, criando uma parede direita que separa as duas crateras, enquanto "asas" de detritos expelidos são disparadas para os lados. A imagem cobre uma área com 13 km de comprimento.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/ASU
 

Aterragens mais seguras

A câmara THEMIS transmitiu mais de 1 milhão de imagens desde que começou a orbitar Marte. As imagens e mapas produzidos destacam a presença de perigos, como características topográficas e rochas, mas também ajudam a garantir a segurança dos futuros astronautas, mostrando a localização de recursos como água gelada. Isto ajuda a comunidade científica de Marte e a NASA e decidir para onde enviar "landers" e "rovers" - incluindo o rover Perseverance, que pousou no dia 18 de fevereiro de 2021.

Chamadas rotineiras para casa

Desde o início, a Mars Odyssey serviu como uma central de chamadas de longa distância para rovers e landers da NASA, retransmitindo os seus dados para a Terra como parte da MRN (Mars Relay Network). A ideia de um relé em Marte remonta à década de 1970, quando os dois módulos de aterragem Viking enviaram dados científicos e imagens para a Terra através de um orbitador. Um orbitador pode transportar rádios ou antenas capazes de enviar mais dados do que um módulo à superfície. Mas a Odyssey tornou o processo rotineiro quando começou a transmitir dados de e para os rovers Spirit e Opportunity da NASA.

"Quando os rovers gémeos pousaram, o sucesso da retransmissão de dados usando a frequência UHF mudou o jogo completamente," disse Chris Potts do JPL, gerente da missão Mars Odyssey.

Todos os dias, os rovers podiam ir a um lugar diferente e enviar imagens novas para a Terra. Por meio de um relé como a Odyssey, os cientistas obtiveram mais dados, mais cedo, enquanto o público obtinha mais imagens de Marte com que se entusiasmar. A Mars Odyssey já apoiou mais de 18.000 sessões de retransmissão. Atualmente, partilha a tarefa de comunicações com a MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) e com a MAVEN, juntamente com a TGO (Trace Gas Orbiter) da ESA.

 
Seis imagens da lua marciana Fobos capturadas pela THEMIS em março de 2020. A câmara mede temperaturas à superfície dia e noite. O estudo da termofísica de cada lua ajuda os cientistas a determinar as propriedades dos materiais à superfície, como fez para a superfície marciana.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/ASU/NAU
 

Luas "coloridas"

A Mars Odyssey fez um trabalho tão completo de estudar a superfície marciana que os cientistas começaram a apontar a sua câmara THEMIS para obter vistas únicas das luas de Marte, Fobos e Deimos. Tal como acontece com a superfície marciana, o estudo da termofísica de cada lua ajuda os cientistas a determinar as propriedades dos materiais à superfície. Estas informações podem fornecer vislumbres do seu passado: não está claro se as luas são asteroides capturados ou pedaços de Marte, expelidos da superfície por um impacto antigo.

As missões futuras, como a MMX (Martian Moons eXploration) da JAXA (agência espacial japonesa), vão tentar pousar nestas luas. Num futuro distante, as missões poderão até criar aí bases para os astronautas. E se o fizerem, vão contar com os dados de um orbitador que começou a sua odisseia no início do milénio.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Universidade Estatal do Arizona (comunicado de imprensa)

 


Saiba mais

Mars Odyssey:
NASA
Wikipedia

Marte:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia

 
   
Álbum de fotografias - Alnitak e a Nebulosa da Chama
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: AstroARO
 
O que ilumina a Nebulosa da Chama? A 1500 anos-luz de distância na direção da constelação de Orionte, encontra-se uma nebulosa cujo brilho e faixas de poeira escura parecem, à esquerda, um fogo ondulante. Mas o fogo, a rápida aquisição de oxigénio, não é o que faz esta Chama brilhar. Ao invés, a estrela brilhante Alnitak, a estrela mais a este da Cintura de Orionte, visível à esquerda, ilumina energeticamente a Chama que afasta os eletrões das grandes nuvens de gás de hidrogénio que ali residem. Grande parte do brilho ocorre quando os eletrões e o hidrogénio ionizado se recombinam. A foto em destaque da Nebulosa da Chama (NGC 2024) foi obtida através de três bandas de cores visíveis com detalhes adicionados por uma exposição de longa duração obtida na luz emitida apenas pelo hidrogénio. A Nebulosa da Chama faz parte do Complexo da Nuvem Molecular de Orionte, uma região de formação estelar que inclui a famosa Nebulosa Cabeça de Cavalo.
 
   
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