Programa em atualização
Consulte sempre a página das atividades para informações mais detalhadas como o itinerário, ponto de encontro, coordenadas GPS, etc., e para fazer a sua inscrição obrigatória.
Todas as atividades estão dependentes de condições meteorológicas favoráveis.
Não dispensa a consulta do FAQ no site da Ciência Viva no Verão
Efemérides
Dia 24/08: 236.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1492 Cristovão Colombo partia pela segunda vez para o Novo Mundo.
Em 1966, a Luna 11 era lançada de uma plataforma em órbita da Terra.
Esta missão soviética tinha como objetivo estudar a composição química e anomalias gravitacionais da Lua.
Em 2006, a União Astronómica Internacional (UAI)redefine o termo "planeta", e Plutão é a partir daí considerado um planeta anão. Observações: Um sinal da estação que se aproxima - Cassiopeia está alta a nordeste, o seu padrão W inclinado. E, por baixo, Perseu começa a subir.
A parte mais alta de Perseu inclui o seu Enxame Duplo. Para o encontrar, procure por baixo das duas estrelas mais
baixas de Cassiopeia (são também as duas mais ténues), a pouco mais que a distância que separa as duas. Está à procura do que parece uma pequena mancha do brilho melhorado da Via Láctea. Binóculos ajudam a detetar o Enxame Duplo mesmo através de alguma poluição luminosa. O par é glorioso através de um telescópio.
Dia 25/08: 237.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1609, Galileu Galilei demonstra o seu primeiro telescópio aos legisladores de Veneza.
Em 1864 nascia Ole Romer, astrónomo dinamarquês que propôs a primeira determinação da velocidade da luz.
Em 1981, flyby da Voyager 2 por Saturno.
Em 1989, flyby da Voyager 2 por Neptuno.
Em 2000, a revista Science anuncia descobertas a partir de dados do magnetómetro da sonda Galileu que fornecem, à data, as mais sólidas provas da existência de um oceano de água líquida salgada por baixo da superfície de uma das luas de Júpiter, Europa.
No mesmo ano, o Telescópio Espacial Hubble faz um censo de anãs castanhas galácticas. A câmara NICMOS do Hubble revela a baixa energia das anãs castanhas, estrelas que não têm massa suficiente para começar a fusão nuclear.
Em 2012, a sonda Voyager 1 torna-se no primeiro objeto feito pelo Homem a entrar no espaço interestelar. Observações: À medida que agosto chega ao fim e as noites se tornam mais frias, o Grande Quadrado de Pégaso espreita a este, apoiado num canto. As suas estrelas são apenas de segunda ou terceira magnitudes, e o punho à distância do braço esticado cabe no seu interior.
A partir do canto esquerdo do Quadrado estende-se a linha principal da constelação de Andrómeda: três estrelas (incluindo o canto) tão brilhantes quanto aquelas que formam o Quadrado.
Dia 26/08: 238.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1978, Sigmund Jähn torna-se no primeiro cosmonauta alemão, a bordo da Soyuz 31.
Em 1999 são registadas as primeiras imagens de calibração do telescópio de raios-X mais poderoso do mundo, o Observatório Chandra da NASA.
Estas incluem os espetaculares remanescentes de uma supernova, Cassiopeia A, que explodiu há 300 anos atrás, uma concha de gás quente com 10 anos-luz de diâmetro e temperaturas de 50 milhões de graus, com um ponto de luz que pode ser uma estrela de neutrões ou um buraco negro no centro de uma explosão estelar. Outra imagem que fascinou os observadores foi o grande jato energético do quasarPKS 0637-752 a 6 mil milhões de anos-luz. O Chandra continuou com as suas calibrações nas semanas seguintes.
Em 2003, a comissão que investigava o acidente do vaivém Columbia anuncia o seu relatório final. Observações: Agosto é a melhor altura para observar a Via Láctea, agora que a Lua está finalmente a deixar o céu noturno. Depois do cair da noite, estende-se desde Sagitário a sul, para cima e para a esquerda por Águia e através do Triângulo de Verão bem alto a este, descendo por Cassiopeia até Perseu que nasce baixo a norte-nordeste.
Curiosidades
Este mapa mostra a posição das estações europeias do LOFAR.
Cometa ATLAS pode ter sido uma "explosão do passado"
Suspeita-se que há cerca de 5000 anos um cometa passou a 37 milhões de quilómetros do Sol, mais perto do que o planeta Mercúrio. O cometa pode ter sido uma visão espetacular para as civilizações da Eurásia e do Norte de África no final da Idade da Pedra ou início da Idade do Bronze.
No entanto, este visitante espacial sem nome não está registado em qualquer relato histórico conhecido. Então, como é que os astrónomos sabem que existiu tal intruso interplanetário?
É aqui que entra o cometa ATLAS (C/2019 Y4), que apareceu pela primeira vez no início de 2020.
O cometa ATLAS, detetado pela primeira vez pelo ATLAS (Asteroid Terrestrial-impact Last Alert System), operado pela Universidade do Hawaii, rapidamente encontrou uma morte prematura em meados de 2020, quando se desintegrou numa cascata de pequenos pedaços de gelo.
Este par de imagens do cometa C/2019 Y4 (ATLAS) pelo Telescópio Espacial Hubble, obtidas dia 20 e 23 de abril de 2020, revelam a fragmentação do núcleo sólido do cometa. As fotos do Hubble identificam até 30 fragmentos separados. O cometa estava aproximadamente a 146 milhões de quilómetros da Terra quando as imagens foram capturadas. O cometa pode ter sido um pedaço que se separou de um cometa maior, cometa este que passou pelo Sol há 5000 anos. O cometa foi colorido artificialmente nas imagens para melhorar os detalhes para análise.
Crédito: ciência - NASA, ESA, Quanzhi Ye (UMD); processamento - Alyssa Pagan (STScI)
Num novo estudo usando observações do Telescópio Espacial Hubble da NASA, o astrónomo Quanzhi Ye da Universidade de Maryland em College Park, EUA, relata que o ATLAS é um pedaço que se separou desse antigo visitante de há 5000 anos atrás. Porquê? Porque o ATLAS segue a mesma "linha férrea" de um cometa visto em 1844. Isto significa que os dois cometas são provavelmente irmãos de um cometa original que se fragmentou muitos séculos antes. A ligação entre os dois cometas foi observada pela primeira vez pelo astrónomo amador Maik Meyer.
Estas famílias de cometas são comuns. O exemplo visual mais dramático foi em 1994, quando o cometa condenado Shoemaker-Levy 9 (SL9) foi puxado numa cadeia de fragmentos pela atração gravitacional de Júpiter. Este "comboio de cometas" teve vida curta. Pedaço a pedaço, caiu em Júpiter em julho de 1994.
Mas o cometa ATLAS é simplesmente "estranho", diz Ye, que o observou com o Hubble por volta da fragmentação. Ao contrário do seu hipotético cometa parente, o ATLAS desintegrou-se enquanto estava mais longe do Sol do que a Terra, a uma distância superior a 160 milhões de quilómetros. Este valor fica muito acima da distância em que o seu pai passou pelo Sol. "Isto enfatiza a sua estranheza," disse Ye.
"Se se separou assim tão longe do Sol, como é que sobreviveu à última passagem pelo Sol há 5000 anos? Esta é a grande questão," disse Ye. "É muito invulgar porque não seria de esperar. Esta é a primeira vez que um membro da família de um cometa de longo período foi visto a separar-se antes de passar perto do Sol."
A observação da fragmentação fornece pistas de como o cometa original se formou. A sabedoria convencional diz-nos que os cometas são aglomerações frágeis de poeira e gelo. E podem ser irregulares, como pudim de passas.
Num novo artigo publicado na revista The Astronomical Journal, após um ano de análise, Ye e coinvestigadores relatam que um fragmento do ATLAS se desintegrou em questão de dias, enquanto outro durou semanas. "Isto diz-nos que parte do núcleo era mais forte do que a outra," explicou.
Uma possibilidade é que correntes de material ejetado podem ter feito o cometa girar tão depressa que as forças centrífugas o rasgaram. Uma explicação alternativa é que tem os denominados gelos supervoláteis que simplesmente explodiram o cometa como fogo de artifício. "É complicado porque começamos a ver estas hierarquias e a evolução da fragmentação do cometa. O comportamento do cometa ATLAS é interessante, mas difícil de explicar."
O irmão sobrevivente do cometa ATLAS só regressará no século L (50).
LOFAR revela as suas imagens mais detalhadas de galáxias
Os astrónomos publicaram as imagens mais detalhadas já vistas de galáxias para lá da nossa, revelando o seu funcionamento interno com detalhes sem precedentes.
As imagens foram criadas a partir de dados recolhidos pelo LOFAR (Low Frequency Array), uma rede de mais de 70.000 pequenas antenas espalhadas por nove países europeus. Os resultados vêm de anos de trabalho da equipa, liderada pela Dra. Leah Morabito, da Universidade de Durham.
Uma imagem que mostra o aspeto da emissão de rádio de alta resolução do LOFAR, usando uma galáxia de Morabito et al. (2021). A maior resolução significa que podemos ver todos os detalhes dos jatos.
Crédito: L.K. Morabito/DESI Legacy Imaging Surveys
Revelando um universo oculto de luz em HD
O Universo está inundado de radiação eletromagnética, da qual a luz visível compreende apenas uma fatia mais ínfima. De raios-gama e raios-X, a ondas de rádio e micro-ondas, cada parte do espectro da luz revela algo único sobre o Universo.
A rede LOFAR captura imagens em frequências de rádio FM que, ao contrário de fontes de comprimento de onda mais curto, como a luz visível, não são bloqueadas pelas nuvens de poeira e gás que podem cobrir objetos astronómicos.
Regiões no espaço que parecem escuras aos nossos olhos, na verdade brilham intensamente no rádio. Isto permite que os astrónomos observem as regiões de formação estelar ou o coração das próprias galáxias.
As novas imagens, possíveis graças à natureza internacional da colaboração, empurram os limites do que sabemos sobre galáxias e buracos negros supermassivos. Uma edição especial da revista Astronomy & Astrophysics é dedicada a onze artigos científicos que descrevem estas imagens e os resultados científicos.
Melhor resolução, trabalhando juntos
As imagens revelam o funcionamento interno de galáxias próximas e distantes com uma resolução 20 vezes mais nítida do que as imagens típicas do LOFAR. Isto foi possível graças à maneira única como a equipa usou a rede.
As mais de 70.000 antenas do LOFAR estão espalhadas pela Europa, sendo a maioria localizada nos Países Baixos. Na operação normal, apenas os sinais de antenas localizadas nos Países Baixos são combinados, criando um telescópio "virtual" com uma "lente" que tem um diâmetro de 120 km.
Ao usar os sinais de todas as antenas europeias, a equipa aumentou o diâmetro da "lente" para quase 2000 km, o que fornece um aumento de vinte vezes na resolução.
Ao contrário das redes de antenas convencionais que combinam sinais múltiplos em tempo real para produzir imagens, o LOFAR usa um novo conceito. Neste, os sinais recolhidos por cada antena são digitalizados, transportados para um processador central e, em seguida, combinados para criar uma imagem. Cada imagem LOFAR é o resultado da combinação dos sinais de mais de 70.000 antenas, o que torna possível a sua extraordinária resolução.
Compreendendo buracos negros supermassivos
Os buracos negros supermassivos podem ser encontrados à espreita no coração de muitas galáxias. Muitos são buracos negros "ativos" que devoram matéria em queda e a expelem de volta para o cosmos na forma de poderosos jatos e fluxos de radiação. Estes jatos são invisíveis a olho nu, mas brilham no rádio e é neles que as novas imagens de alta resolução se concentraram.
O Dr. Neal Jackson, da Universidade de Manchester, disse: "Estas imagens de alta resolução permitem-nos ampliar e ver o que está realmente a acontecer quando buracos negros supermassivos lançam jatos de rádio, o que não era antes possível em frequências perto da banda de rádio FM.
O trabalho da equipa forma a base de nove estudos científicos que revelam novas informações sobre a estrutura interna dos jatos de rádio numa variedade de galáxias diferentes.
O desafio de uma década
Mesmo antes do LOFAR iniciar as suas operações em 2012, a equipa europeia de astrónomos começou a trabalhar para enfrentar o desafio colossal de combinar os sinais de mais de 70.000 antenas localizadas até 2000 km de distância. O resultado, um "pipeline" de processamento de dados disponível ao público, que é descrito em detalhe num dos artigos científicos, permitirá que os astrónomos de todo o mundo usem o LOFAR para fazer imagens de alta resolução com relativa facilidade.
Morabito acrescentou: "O nosso objetivo é que isto permita com que a comunidade científica use toda a rede europeia de telescópios LOFAR para a sua própria ciência, sem ter que gastar anos para se tornar um especialista."
Superimagens requerem supercomputadores
A relativa facilidade da experiência para o utilizador final desmente a complexidade do desafio computacional que torna cada imagem possível. Porque o LOFAR não tira apenas "fotos" do céu noturno, tem também que juntar os dados recolhidos por mais de 70.000 antenas, o que é uma enorme tarefa computacional.
Para produzir uma única imagem, mais de 13 terabits de dados brutos por segundo têm que ser digitalizados, transportados para um processador central e então combinados. Isto é o equivalente a mais de 300 DVDs.
Frits Sweijen da Universidade de Leiden, explicou: "Para processar volumes de dados tão imensos, precisamos de usar supercomputadores. Isto permite-nos, num par de dias, transformar os terabytes de informação destas antenas em apenas alguns gigabytes de dados científicos.
Mapeando as primeiras estruturas do Universo com o COSMOS-Webb
Quando o Telescópio Espacial James Webb da NASA iniciar as suas operações científicas em 2022, uma das suas primeiras tarefas será um programa ambicioso para mapear as estruturas mais atingas do Universo. Chamado COSMOS-Webb, este amplo e profundo levantamento de meio milhão de galáxias é o maior projeto que o Webb empreenderá durante o seu primeiro ano.
Com mais de 200 horas de tempo de observação, o COSMOS-Webb vai examinar uma grande região do céu - com 0,6º quadrados - com o seu instrumento NIRCam (Near-Infrared Camera). É equivalente ao tamanho de três Luas Cheias. Vai mapear simultaneamente uma área mais pequena com o instrumento MIRI (Mid-Infrared Instrument).
O levantamento COSMOS-Webb vai mapear 0,6º quadrados do céu - cerca de três Luas Cheias - usando o instrumento NIRCam do Telescópio Espacial James Webb, enquanto mapeia simultaneamente uma área com 0,2º quadrados com o MIRI. As fronteiras denteadas do contorno do campo do Hubble são devido às imagens separadas que compõem o campo de levantamento.
Crédito: Jeyhan Kartaltepe (RIT); Caitlin Casey (UT em Austin); e Anton Koekemoer (STScI)
Design gráfico: Alyssa Pagan (STScI)
É um grande "pedaço" do céu, o que é bastante único para o programa COSMOS-Webb. A maioria dos programas do Webb vai perscrutar muito profundamente, como levantamentos "ponta de lápis" que estudam pequenos trechos do céu," explicou Caitlin Casey, professora assistente na Universidade do Texas e colíder do programa COSMOS-Webb. "Dado que estamos a cobrir uma grande área, podemos olhar para estruturas em grande escala no início da formação galáctica. Vamos também procurar algumas das galáxias mais raras que existiram no início, bem como mapear a distribuição de matéria escura a grande escala das galáxias até tempos muito primitivos."
(A matéria escura não absorve, reflete ou emite luz, de modo que não pode ser vista diretamente. Sabemos que a matéria escura existe devido ao efeito que tem sobre os objetos que podemos observar.)
O COSMOS-Webb estudará meio milhão de galáxias com imagens multibanda no infravermelho próximo e de alta resolução, e 32.000 galáxias sem precedentes no infravermelho médio. Com a rápida divulgação dos dados ao público, este levantamento será um conjunto primário de dados para cientistas de todo o mundo que estudam galáxias para lá da Via Láctea.
Apoiando-se nos "ombros" do Hubble
O levantamento COSMOS começou em 2002 como um programa do Hubble para criar imagens de uma região muito maior do céu, com cerca de 10 Luas Cheias. A partir daí, a colaboração cresceu para incluir a grande parte dos maiores telescópios do mundo na Terra e no espaço. Agora, o COSMOS é um levantamento em vários comprimentos de onda que cobre todo o espectro, desde raios-X ao rádio.
Este mar de galáxias é o campo completo e original do COSMOS pelo instrumento ACS (Advanced Camera for Surveys) do Telescópio Espacial Hubble. O mosaico completo é uma composição de 575 imagens separadas, onde cada imagem ACS tem cerca de um-décimo do diâmetro da Lua Cheia. As bordas recortadas do contorno são devido às imagens separadas que compõem o campo do levantamento.
Crédito: Anton Koekemoer (STScI) e Nick Scoville (Caltech)
Devido à sua localização no céu, o campo COSMOS é acessível a observatórios de todo o mundo. Localizado no equador celeste, pode ser estudado tanto no hemisfério norte quanto no sul, resultando num rico e diversificado tesouro de dados.
"O COSMOS tornou-se o levantamento a que muitos cientistas extragalácticos se dirigem para realizar as suas análises porque os dados estão amplamente disponíveis e porque cobre uma área tão ampla do céu," disse Jeyhan Kartaltepe, professora assistente de física no Instituto de Tecnologia de Rochester e colíder do programa COSMOS-Webb. "O COSMOS-Webb é a próxima edição, onde estamos a usar o Webb para estender a nossa cobertura na parte do infravermelho próximo e médio do espectro e, portanto, a ampliar o nosso horizonte, a distância que podemos ver."
O ambicioso programa COSMOS-Webb basear-se-á em descobertas anteriores para fazer avanços em três áreas específicas de estudo, incluindo: revolucionar a nossa compreensão da Era da Reionização; procurar galáxias precoces totalmente evoluídas; e aprender como a matéria escura evoluiu com o conteúdo estelar das galáxias.
1.ª meta: Revolucionar a nossa compreensão da Era da Reionização
Pouco depois do Big Bang, o Universo estava completamente escuro. As estrelas e as galáxias, que banham o cosmos com luz, ainda não haviam se formado. Ao invés, o Universo consistia de uma sopa primordial de átomos de hidrogénio e hélio neutros e matéria escura invisível. A esta época chamamos "Idade das Trevas" cósmica.
Após várias centenas de milhões de anos, surgiram as primeiras estrelas e galáxias e forneceram energia para reionizar o Universo primitivo. Esta energia destruiu os átomos de hidrogénio que preenchiam o Universo, dando-lhes uma carga elétrica e pondo fim à Idade das Trevas. Esta nova era em que o Universo foi inundado de luz é chamada Era da Reionização.
O primeiro objetivo do COSMOS-Webb foca-se nesta época de reionização, que ocorreu de 400.000 a mil milhões de anos após o Big Bang. A reionização provavelmente aconteceu em pequenas bolsas, não de uma só vez. O COSMOS-Webb vai procurar as primeiras bolhas do Universo primitivo reionizado. A equipa espera mapear a escala dessas bolhas de reionização.
Há mais de 13 mil milhões de anos, durante a Era da Reionização, o Universo era um lugar muito diferente. O gás entre as galáxias era em grande parte opaco à luz energética, tornando difícil observar galáxias jovens. O que permitiu que o Universo se tornasse completamente ionizado, ou transparente, eventualmente levando às condições "limpas" detetadas hoje em grande parte do Universo? O Telescópio Espacial James Webb vai examinar as profundezas do espaço para recolher mais informações sobre objetos que existiram durante a Era da Reionização para nos ajudar a compreender esta importante transição na história do Universo.
Crédito: NASA, ESA e Joyce Kang (STScI)
"O Hubble fez um ótimo trabalho em encontrar um punhado destas galáxias iniciais, mas precisamos de milhares de galáxias para entender o processo de reionização," explicou Casey.
Os cientistas nem sabem o tipo de galáxias que deu início à Era da Reionização, se são sistemas muito massivos ou de massa relativamente baixa. O COSMOS-Webb terá a capacidade única de encontrar galáxias raras e muito massivas e ver como é a sua distribuição em estruturas de grande escala. Assim sendo, será que as galáxias responsáveis pela reionização vivem no equivalente a uma metrópole cósmica ou estão distribuídas de maneira uniforme pelo espaço? Só um levantamento do tamanho do COSMOS-Webb pode ajudar os cientistas a responder a esta questão.
O COSMOS-Webb vai procurar galáxias muito antigas e totalmente evoluídas que interromperam o nascimento de estrelas nos primeiros dois mil milhões de anos após o Big Bang. O Hubble encontrou algumas destas galáxias, que desafiam os modelos existentes sobre como o Universo se formou. Os cientistas lutam para explicar como estas galáxias podem ter estrelas velhas e não estar a formar nenhuma estrela nova tão cedo na história do Universo.
Com um grande levantamento como o COSMOS-Webb, a equipa vai encontrar muitas destas galáxias raras. Planeiam estudos detalhados destas galáxias para entender como podem ter evoluído tão rapidamente e desligado a formação de estrelas tão cedo.
3.ª Meta: Aprender como a matéria escura evoluiu com o conteúdo estelar das galáxias
O COSMOS-Webb vai dar aos cientistas uma visão sobre como a matéria escura nas galáxias evoluiu com o conteúdo estelar das galáxias ao longo da vida do Universo.
As galáxias são compostas por dois tipos de matéria: matéria luminosa normal que vemos nas estrelas e noutros objetos, e matéria escura invisível, que geralmente é mais massiva do que a galáxia e pode envolvê-la num halo estendido. Estes dois tipos de matéria estão interligados na formação e evolução da galáxia. No entanto, atualmente não há muito conhecimento sobre como a massa de matéria escura nos halos das galáxias se formou e como essa matéria escura impacta a formação das galáxias.
O COSMOS-Webb lançará luz sobre este processo, permitindo aos cientistas medir diretamente estes halos de matéria escura por meio de "lentes fracas". A gravidade de qualquer tipo de massa - seja escura ou luminosa - pode servir como uma lente para "curvar" a luz que vemos de galáxias mais distantes. Lentes fracas distorcem a forma aparente das galáxias de fundo, de modo que quando um halo está localizado em frente de outras galáxias, os cientistas podem medir diretamente a massa da matéria escura no halo.
"Pela primeira vez, seremos capazes de medir a relação entre a massa da matéria escura e a massa luminosa das galáxias desde os primeiros 2 mil milhões de anos do tempo cósmico," disse o membro da equipa Anton Koekemoer, investigador do STSCI (Space Telescope Science Institute) em Baltimore, EUA, que ajudou a projetar a estratégia de observação do programa e é responsável pela construção de todas as imagens do programa. "Esta é uma época crucial para tentarmos entender como a massa das galáxias foi estabelecida pela primeira vez e como isso é impulsionado pelos halos de matéria escura. E isso pode então alimentar indiretamente o nosso entendimento da formação galáctica."
Partilhando dados rapidamente com a comunidade
O COSMOS-Webb é um programa que está desenhado para criar conjuntos de dados de valor científico duradouro. Estes tipos de programas esforçam-se por resolver vários problemas científicos com um único conjunto de dados coerente. Os dados obtidos geralmente não têm um período de acesso exclusivo, permitindo a análise imediata por outros investigadores.
"Estamos comprometidos a divulgar rapidamente os dados e os produtos desses dados," explicou Kartaltepe. "Vamos produzir este recurso comunitário e torná-lo disponível publicamente para que o resto da comunidade possa usá-lo nas suas análises científicas."
Koekemoer acrescentou: "O nosso programa compromete-se a disponibilizar publicamente todos estes produtos científicos para que qualquer pessoa na comunidade, mesmo em instituições muito pequenas, possa ter o mesmo acesso igual aos produtos de dados e então apenas fazer ciência."
O COSMOS-Webb é um programa de Observadores Gerais do Ciclo 1. Os programas de Observadores Gerais foram selecionados competitivamente usando um sistema de revisão anónima e dupla, o mesmo sistema que é usado para alocar tempo no Hubble.
O Telescópio Espacial James Webb será o principal observatório de ciências espaciais do mundo quando for lançado ainda no final deste ano. O Webb resolverá mistérios no nosso Sistema Solar, olhará mais além para mundos distantes em redor de outras estrelas e investigará as misteriosas estruturas e origens do nosso Universo e o nosso lugar nele. O Webb é um programa internacional liderado pela NASA com os seus parceiros, a ESA e a Agência Espacial Canadiana.
Cientistas planetários descobrem evidências de mudanças na Lua conduzida pelo Sol (via Universidade do Norte do Arizona)
Minúsculas nanopartículas de ferro, ao contrário de qualquer outra encontrada naturalmente na Terra, estão em quase todos os lugares da Lua - e os cientistas estão tentando entender porquê. Num novo artigo científico, investigadores relatam a descoberta de que a radiação solar pode ser uma fonte mais importante de nanopartículas de ferro lunar do que se pensava anteriormente. Ler fonte
Decifrando um mistério de enormes buracos negros e quasares com simulações de supercomputador (via Universidade de Connecticut)
No centro das galáxias encontram-se enormes buracos negros cercados por gás em rotação. Alguns brilham intensamente, com um suprimento contínuo de combustível, enquanto outros ficam dormentes por milhões de anos, apenas para despertar novamente com um influxo fortuito de gás. Permanece um grande mistério como o gás flui pelo universo para alimentar esses enormes buracos negros.
Um artigo publicado recentemente aborda algumas destas questões. Ler fonte
Álbum de fotografias - Abell 3827: Lente Gravitacional de Enxame Canibal
Aquilo é uma galáxia ou três? À direita da imagem em destaque, obtida pelo Hubble, temos o massivo enxame de galáxias Abell 3827, que parece ser uma galáxia invulgar - curva e com três centros. Uma análise detalhada, no entanto, descobriu que estas são três imagens da mesma galáxia de fundo - e que existem pelo menos mais quatro imagens. A luz que vemos da única galáxia azul de fundo passa por vários percursos através da gravidade complexa do enxame, assim como uma única luz distante pode percorrer vários caminhos através da haste de uma taça de vinho. O estudo de como enxames como Abell 3827 e das suas galáxias componentes desviam a luz distante fornece informações sobre como a massa e a matéria escura estão distribuídas. Abell 3827 está tão distante, tendo um desvio para o vermelho de 0,1, que a luz que vemos deixou o objeto há 1,3 mil milhões de anos - antes dos dinossauros vaguearem pela Terra. Portanto, as galáxias centrais do enxame agora certamente fundiram-se - num banquete de canibalismo galáctico - numa enorme galáxia perto do centro do enxame.
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