Problemas ao ver este e-mail?
Veja no browser

 
 
  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
  Astroboletim #1843  
  05/11 a 08/11/2021  
     
 
Efemérides

Dia 05/11: 309.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1743, são organizadas observações científicas coordenadas do trânsito de Mercúrio por Joseph-Nicolas Delisle.
Em 1906, nascia Fred Whipple, que propôs o modelo da "bola de neve suja" para o núcleo dos cometas. 

Em 1964, lançamento da Mariner 3, com destino Marte. No entanto, a cobertura que alojava a sonda não abriu corretamente e a Mariner 3 não chegou ao planeta. Está agora numa órbita solar. 
Em 2007, o primeiro satélite lunar da China, Chang'e 1, entra em órbita da Lua.
Em 2013, a Índia lança a sua primeira sonda interplanetária, a MOM ou Mangalyaan.
Observações: Já chegámos ao início de novembro e Deneb ainda brilha perto do zénite ao anoitecer. E a mais brilhante Vega não está muito longe, para oeste. E a terceira estrela do Triângulo de "Verão", Altair, permanece muito alta a sudoeste (para cima e para a direita de Júpiter e Saturno). Parecem estar mais ou menos por aqui há um par de meses! Porque é que "pararam"? O que está a ver é o resultado do nascer-do-Sol e do anoitecer chegarem cada vez mais cedo durante o outono. O que significa que se sair à rua para observar as estrelas, pouco depois do anoitecer, estará a fazê-lo cada vez mais cedo, de acordo com os ponteiros do relógio. Isto contraria a viagem para oeste das constelações. Se se habituar a fazer as suas observações astronómicas sempre à mesma hora, as constelações teriam sempre o comportamento habitual. Claro que este "efeito do Triângulo de Verão" aplica-se a toda a esfera celeste, não apenas ao Triângulo de Verão. Claro, como sempre no que respeita à mecânica celeste, o efeito oposto faz o avanço sazonal das constelações parecer "acelerar" na primavera. Os marcos primaveris de Virgem e Corvo vão mover-se para oeste semana a semana antes que nos apercebamos, graças à escuridão que vem mais tarde. Podemos chamar a este efeito de "efeito de Corvo".

Dia 06/11: 310.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Aproveite a noite para observar os planetas Vénus, Saturn e Júpiter. Vénus já está baixo a sudoeste depois do pôr-do-Sol. Júpiter e Saturno estão mais para sul e ainda um pouco mais altos, na direção da constelação de Capricórnio.

Dia 07/11: 311.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1492, o Meteorito Ensisheim, o meteorito mais antigo com uma data de impacto conhecida, atinge a Terra por volta do meio-dia, num campo de trigo nos arredores da vila de Ensisheim, Alsácia, França.
Em 1867 nascia Marie Curie, física e química polaca, naturalizada francesa, que levou a cabo estudos pioneiros sobre a radioatividade. Foi a primeira mulher a ganhar o Prémio Nobel e a primeira pessoa a ganhá-lo duas vezes. 
Em 1996 era lançada a sonda Mars Global Surveyor.

Observações: Depois do anoitecer, Capella brilha a nordeste. Procure as Plêiades a três punhos à distância do braço esticado para a direita de Capella. Com o passar da noite, encontrará a alaranjada Aldebarã a subir para baixo das Plêiades.
Por volta das 22 horas, Orionte passa completamente acima do horizonte a este, por baixo de Aldebarã.

Dia 08/11: 312.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1656 nascia Edmond Halley (no calendário juliano corresponde a 29 de outubro).

Halley foi um cientista inglês que usou a sua teoria das órbitas cometárias para calcular que o cometa de 1682 (Cometa Halley) era periódico e encorajou Isaac Newton a publicar a sua famosa obra de cálculo, gravidade, e das leis da gravidade. Também descobriu em 1718 que algumas das estrelas "fixas" (SiriusAldebarãBetelgeuse
 e Arcturo) na realidade tinham o que se chama de "movimento próprio", o que significa que não estão estacionárias ("fixas"). Pensava-se que as estrelas estavam fixas no céu desde a compilação da obra "Almagest" de Ptolomeu.
Em 1895, enquanto fazia experiências com eletricidade, Wilhelm Röntgen descobre os raios-X
Em 1984, lançamento da missão STS-51-A, do vaivém Discovery.
Em 2011, o asteroide potencialmente perigoso 2005 YU55 passa a 0,85 distâncias lunares da Terra (cerca de 324.600 km), a maior aproximação conhecida de um asteroide do seu brilho desde 2010 XC15 em 1976.
Observações: Vega é a estrela mais brilhante alta a oeste. Quase tão alta a sudoeste (dependendo da latitude do observador) está Altair, embora não tão brilhante.
Logo para a direita ou para cima e para a direita de Altair, à espessura de um dedo à distância do braço esticado, está a laranja Tarazed, que parece uma companheira de Altair mas na realidade é uma estrela muito maior e mais luminosa no plano de fundo. Altair está a 17 anos-luz. Tarazed encontra-se a aproximadamente 360 anos-luz, e é 100 vezes mais luminosa!

 
     
 
Curiosidades


A Galáxia de Andrómeda (M31) é a maior galáxia do Grupo Local, ao qual a Via Láctea também pertence. Tem um diâmetro que ronda os 220.000 anos-luz.

 
 
   
Cientistas do ALMA detetam sinais de água numa galáxia muito, muito distante

De acordo com novas observações do ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), foi detetada água na galáxia mais massiva do Universo primitivo. Os cientistas que estudavam SPT0311-58 descobriram H2O, juntamente com monóxido de carbono na galáxia, que está localizada a cerca de 12,88 mil milhões de anos-luz da Terra. A deteção destas duas moléculas em abundância sugere que o Universo molecular já era "forte" pouco depois dos elementos terem sido forjados nas estrelas primitivas. A nova investigação compreende o estudo mais detalhado, até ao momento, do conteúdo de gás molecular de uma galáxia no início do Universo e a deteção mais distante de H2O numa galáxia normal com formação estelar. A investigação foi publicada na revista The Astrophysical Journal.

 
Esta impressão de artista mostra o contínuo de poeira e as linhas moleculares de monóxido de carbono e água vistas no par de galáxias conhecido como SPT0311-58. Os dados do ALMA revelam CO e H2O abundantes na maior das duas galáxias, indicando que o Universo molecular já era "forte" logo depois dos elementos terem sido inicialmente forjados.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/S. Dagnello (NRAO)
 

SPT0311-58, situada na Época da Reionização, é na verdade composta por duas galáxias e foi vista pela primeira vez pelo ALMA em 2017. Esta época situa-se numa altura em que o Universo tinha apenas 780 milhões de anos - cerca de 5% da sua idade atual - e em que as primeiras estrelas e galáxias estavam a nascer. Os cientistas pensam que as duas galáxias podem estar a fundir-se e que a sua intensa formação estelar não só consome gás, o combustível da formação estelar, mas que também poderá eventualmente evoluir o par para galáxias elípticas massivas como aquelas vistas no Universo Local.

"Usando observações ALMA de alta resolução do gás molecular no par de galáxias conhecidas coletivamente como SPT0311-58, detetámos moléculas de água e de monóxido de carbono na maior das duas galáxias. O oxigénio e o carbono, em particular, são elementos de primeira geração e, nas formas moleculares do monóxido de carbono e da água, são essenciais para a vida como a conhecemos," disse Sreevani Jarugula, astrónoma da Universidade de Illinois e investigadora principal da nova investigação. "Esta galáxia é a galáxia mais massiva atualmente conhecida com um alto desvio para o vermelho, ou numa época em que o Universo era ainda muito jovem. Tem mais gás e poeira em comparação com outras galáxias no Universo primitivo, o que nos dá muitas potenciais oportunidades para observar moléculas abundantes e para melhor entender como estes elementos criadores da vida impactaram o desenvolvimento do Universo inicial."

 
Estas imagens científicas mostram as linhas moleculares e o contínuo de poeira visto nas observações do ALMA do par de galáxias massivas primitivas conhecidas como SPT0311-58. À esquerda: uma composição combinando o contínuo de poeira com linhas moleculares para H2O e CO. À direita: O contínuo de poeira visto em vermelho (topo), linha molecular para H2O mostrada a azul (2.ª a partir do topo), transições de linha molecular para monóxido de carbono , CO (6-5) mostrado a roxo (meio), CO (7-6) mostrado a magenta (segundo a partir da parte inferior) e CO (10-9) mostrado a rosa e a azul profundo (parte inferior).
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/S. Dagnello (NRAO)
 

A água, em particular, é a terceira molécula mais abundante no Universo depois do hidrogénio molecular e do monóxido de carbono. Estudos anteriores de galáxias no Universo local e no Universo primitivo correlacionaram a emissão de água e a emissão infravermelha da poeira. "A poeira absorve a radiação ultravioleta das estrelas na galáxia e reemite-a na forma de fotões infravermelhos," disse Jarugula. "Isto excita ainda mais as moléculas de água, dando origem à emissão de água que os cientistas conseguem observar. Neste caso, ajudou-nos a detetar a emissão de água nesta enorme galáxia. Esta correlação podia ser usada para desenvolver a água como um rastreador da formação estelar, que podia então ser aplicado às galáxias numa escala cosmológica."

O estudo das primeiras galáxias formadas no Universo ajuda os cientistas a entender melhor o nascimento, crescimento e evolução do Universo e de tudo nele, incluindo o Sistema Solar e a Terra. "As primeiras galáxias estão a formar estrelas a um ritmo milhares de vezes maior do que o da Via Láctea", disse Jarugula. "O estudo do conteúdo de gás e poeira destas primeiras galáxias informa-nos sobre as suas propriedades, como quantas estrelas estão a ser formadas, o ritmo a que o gás é convertido em estrelas, como as galáxias interagem umas com as outras e com o meio interestelar, e muito mais."

 
Esta animação move-se através do contínuo de poeira e das linhas moleculares da água e do monóxido de carbono em observações ALMA do par de galáxias massivas primitivas conhecidas como SPT0311-58. Este "gif" começa com uma composição combinando o contínuo de poeira com linhas moleculares para H2O e CO. É seguido pelo contínuo de poeira visto a vermelho, linhas moleculares para H2O vistas a azul, linhas moleculares para monóxido de carbono, CO (10-9) visto a rosa e a azul profundo, CO (7-6) visto a magenta e CO (6-5) visto a roxo.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/S. Dagnello (NRAO)
 

De acordo como Jarugula, ainda há muito para aprender sobre SPT0311-58 e sobre as galáxias do Universo primitivo. "Este estudo não só fornece respostas sobre onde e a que distância a água pode existir no Universo, mas também deu origem a uma grande questão: como é que tanto gás e poeira se juntaram para formar estrelas e galáxias tão cedo no Universo? A resposta requer um estudo mais aprofundado destas e de outras galáxias formadoras de estrelas semelhantes a fim de obter uma melhor compreensão da formação e evolução estrutural do Universo primitivo."

"Este resultado empolgante, que mostra o poder do ALMA, contribui para uma coleção crescente de observações do início do Universo," disse Joe Pesce, astrofísico e Diretor do Programa ALMA da NSF (National Science Foundation). "Estas moléculas, importantes para a vida na Terra, estão a formar-se assim que podem, e a sua observação está a dar-nos uma visão sobre os processos fundamentais de um universo muito diferente do de hoje."

// Observatório ALMA (comunicado de imprensa)
// NRAO (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Saiba mais

CCVAlg - Astronomia:
08/12/2017 - Galáxias primordiais gigantes descobertas a "nadar" em vasto oceano de matéria escura

Formação e evolução galáctica:
Wikipedia

Universo:
A expansão acelerada do Universo (Wikipedia)
Universo (Wikipedia)
Idade do Universo (Wikipedia)
Época da Reionização (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Big Bang (Wikipedia)
Modelo Lambda-CDM (Wikipedia)

ALMA:
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (NAOJ)
ALMA (ESO)
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
   
Um mistério cósmico: estudo do ALMA confirma a causa da "extinção galáctica"

Astrónomos que examinavam o Universo próximo com a ajuda do ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) acabaram de concluir o maior levantamento de alta resolução do combustível da formação estelar já realizado em enxames galácticos. Mas, mais importante, estão a debruçar-se sobre um antigo mistério da astrofísica: o que está a "matar" as galáxias? A investigação, que fornece a evidência mais clara até ao momento de que os ambientes extremos no espaço têm impactos severos nas galáxias dentro deles, será publicada numa próxima edição da revista The Astrophysical Journal Supplement Series.

 
O levantamento VERTICO (Virgo Environment Traced in Carbon Monoxide) observou os reservatórios de gás em 51 galáxias no Enxame de Virgem e descobriu que o ambiente extremo no enxame estava a matar galáxias, roubando-lhes o seu combustível de formação estelar. Nesta composição, as observações, no rádio, do ALMA dos discos de gás molecular das galáxias VERTICO são ampliadas por um fator de 20. Estão sobrepostas numa imagem de raios-X do plasma quente dentro do Enxame de Virgem.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/S. Dagnello (NRAO)/Böhringer et al. (ROSAT All-Sky Survey)
 

O levantamento VERTICO (Virgo Environment Traced in Carbon Monoxide) teve como objetivo melhor entender a formação estelar e o papel das galáxias no Universo. "Sabemos que as galáxias estão a 'morrer' devido aos seus ambientes e queremos saber porquê," disse Toby Brown, do NRC (National Research Council) do Canadá e autor principal do artigo científico. "O que o VERTICO revela melhor do que nunca é quais os processos físicos que afetam o gás molecular e como ditam a vida e a morte da galáxia."

As galáxias são grandes coleções de estrelas e os seus nascimentos, vidas e mortes são influenciados pelo local onde vivem no Universo e pelo modo como interagem com os seus arredores. Os enxames de galáxias, em particular, são alguns dos ambientes mais extremos do Universo, tornando-os de particular interesse para os cientistas que estudam a evolução das galáxias.

Lar de milhares de galáxias, o Enxame de Virgem é o enxame massivo de galáxias mais próximo do Grupo Local, onde a Via Láctea reside. O tamanho extremo e a proximidade tornam este enxame fácil de estudar, mas também possui outras características que o tornam adequado para a observação. "O Enxame de Virgem é um pouco invulgar, pois tem uma população relativamente grande de galáxias que ainda formam estrelas," disse Christine Wilson, professora na Universidade McMaster e coinvestigadora principal do projeto VERTICO. "Muitos enxames galácticos no Universo são dominados por galáxias vermelhas com pouco gás e pouca formação estelar."

 
NGC 4567 e NGC 4568 são duas das milhares de galáxias do Enxame de Virgem, localizadas a cerca de 65 milhões de anos-luz da Terra. Observadas pelo levantamento VERTICO, as duas galáxias estão entre aquelas no enxame de galáxias impactadas por processos físicos extremos que podem levar à morte das galáxias. As galáxias são vistas aqui numa composição no rádio pelo ALMA, com gás molecular em vermelho/laranja, e dados óticos do Telescópio Espacial Hubble com estrelas em branco/azul.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/S. Dagnello (NRAO)
 

O projeto VERTICO observou os reservatórios de gás de 51 galáxias no Enxame de Virgem em alta resolução, revelando um ambiente tão extremo e inóspito que pode impedir que galáxias inteiras formem estrelas num processo conhecido como extinção galáctica. "O Enxame de Virgem é a região mais extrema do Universo local, repleta de plasma com um milhão de graus, velocidades galácticas extremas, interações violentas entre galáxias e os seus arredores, tem uma 'casa de repouso' galáctica e, consequentemente, um cemitério de galáxias," disse Brown, acrescentando que o projeto revelou como a remoção de gás pode prejudicar, ou desligar, um dos processos físicos mais importantes do Universo: a formação estelar. "A remoção de gás é um dos mecanismos externos mais espetaculares e violentos que pode interromper a formação estelar nas galáxias," disse Brown. "A remoção de gás ocorre quando as galáxias se movem tão depressa através do plasma quente no enxame que vastas quantidades de gás molecular frio são removidas da galáxia, como se o gás estivesse a ser 'varrido' por uma enorme vassoura cósmica. A excelente qualidade das observações do VERTICO permite-nos ver e compreender melhor estes mecanismos."

 
A galáxia espiral NGC 4254 está entre as milhares de galáxias que vivem e morrem por processos físicos extremos no Enxame de Virgem. A galáxia é vista aqui no rádio, pelo ALMA, com gás molecular em vermelho/laranja e no visível pelo Telescópio Espacial Hubble com estrelas em branco/azul.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/S. Dagnello (NRAO)
 

O projeto foi auxiliado pelo recetor Banda 6 do ALMA - desenvolvido pelo CDL (Central Development Laboratory) do NRAO (National Radio Astronomy Observatory) - que fornece alta sensibilidade e alta resolução, enquanto minimizando o tempo de observação necessário. Isso, por sua vez, levou à recolha de uma quantidade significativa de dados, que podem conter as pistas necessárias para resolver os mistérios restantes de como os ambientes quentes impactam as galáxias e, consequentemente, de como as galáxias morrem. Wilson disse: "Têm havido muitas perguntas, ao longo dos anos, sobre se e como o ambiente do enxame afeta o gás molecular nas galáxias, e exatamente como esses ambientes podem contribuir para as suas mortes. Ainda temos trabalho a fazer, mas estou confiante de que o VERTICO vai permitir-nos responder a estas perguntas de uma vez por todas."

O novo artigo científico é o primeiro do VERTICO e prevê-se a publicação de investigações adicionais no futuro próximo.

// Observatório ALMA (comunicado de imprensa)
// NRAO (comunicado de imprensa)
// ICRAR (comunicado de imprensa)
// Universidade da Austrália Ocidental (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Saiba mais

Formação estelar:
Wikipedia

Formação e evolução galáctica:
Wikipedia
Extinção galáctica (Wikipedia)

Enxame de Virgem:
SEDS
Wikipedia

Levantamento VERTICO:
Página oficial

ALMA:
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (NAOJ)
ALMA (ESO)
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
   
"Recuo" gravitacional pode explicar forma estranha no centro de Andrómeda

Quando duas galáxias colidem, os buracos negros supermassivos nos seus núcleos libertam um devastador "recuo" gravitacional, semelhante ao de uma arma quando disparada. Uma nova investigação sugere que este recuo pode ser tão poderoso que pode lançar milhões de estrelas para órbitas instáveis.

A investigação, publicada dia 29 de outubro na revista The Astrophysical Journal Letters, ajuda a resolver um mistério de décadas em torno de um enxame estelar com uma forma estranha no coração da Galáxia de Andrómeda. Também pode ajudar os investigadores a melhor entender o processo de como as galáxias crescem alimentando-se umas das outras.

"Quando os cientistas olharam pela primeira vez para Andrómeda, esperavam ver um buraco negro supermassivo rodeado por um enxame de estrelas relativamente simétrico," disse Ann-Marie Madigan do JILA (Joint Institute for Laboratory Astrophysics), um instituto de pesquisa conjunto da Universidade do Colorado em Boulder e do NIST (National Institute of Standards and Technology). "Ao invés, encontraram esta massa enorme e alongada."

 
A Galáxia de Andrómeda vista pelo WISE (Wide-field Infrared Survey Explorer) da NASA.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA
 

Agora, ela e colegas pensam ter uma explicação.

Na década de 1970, os cientistas lançaram balões para o alto da atmosfera da Terra a fim de observar Andrómeda no ultravioleta, a grande galáxia mais próxima da Via Láctea. O Telescópio Espacial Hubble avançou estas observações iniciais na década de 1990 e forneceu uma descoberta surpreendente: tal como a nossa própria Galáxia, Andrómeda tem a forma de uma espiral gigante. Mas a área rica em estrelas, perto do centro dessa espiral, não tem o aspeto que devia ter - as órbitas destas estrelas assumem uma estranha forma oval, como se alguém as tivesse esticado.

E ninguém sabia porquê, comentou Madigan, que também é professora assistente de astrofísica. Os cientistas chamam ao padrão "disco nuclear excêntrico".

No novo estudo, a equipa usou simulações de computador para rastrear o que acontece quando dois buracos negros supermassivos colidem - Andrómeda provavelmente foi formada durante uma fusão semelhante há milhares de milhões de anos. Com base nos cálculos da equipa, a força gerada por tal fusão poderia curvar e puxar as órbitas das estrelas perto de um centro galáctico, criando aquele padrão alongado e revelador.

"Quando as galáxias se fundem, os seus buracos negros supermassivos juntam-se e eventualmente tornam-se num único buraco negro," disse Tatsuya Akiba, autor principal do estudo e estudante de astrofísica. "Queríamos saber: quais são as consequências disso?"

Curvando o espaço e o tempo

Ele acrescentou que as descobertas da equipa ajudam a revelar algumas das forças que podem estar a impulsionar a diversidade das estimadas duas biliões de galáxias no Universo atual - algumas das quais se parecem muito com a nossa espiral, enquanto outras se parecem mais com bolas de râguebi ou bolhas irregulares.

As fusões podem desempenhar um papel importante na formação destas massas de estrelas: quando as galáxias colidem, disse Akiba, os buracos negros nos centros podem começar a girar uns em torno dos outros, movendo-se cada vez mais rápido até que finalmente chocam. No processo, libertam enormes pulsos de "ondas gravitacionais", ou ondulações literais na estrutura do espaço e do tempo.

"Essas ondas gravitacionais transportam momento para longe do buraco negro remanescente e obtemos um recuo, como o de uma arma," disse Akiba.

Ele e Madigan queriam saber o que tal recuo poderia fazer às estrelas até 1 parsec, cerca de 3,26 anos-luz, do centro de uma galáxia. Andrómeda, que pode ser vista da Terra a olho nu, estende-se por dezenas de milhares de parsecs de ponta a ponta.

Tudo fica bem selvagem.

 
Gráfico que mostra a órbita de estrelas em torno de um buraco negro supermassivo antes (esquerda) e depois (direita) de um "recuo" gravitacional.
Crédito: Steven Burrows/JILA
 

Recuo galáctico

A dupla usou computadores para construir modelos de centros galácticos falsos contendo centenas de estrelas - e depois simulou o recuo das ondas gravitacionais provenientes da formação do novo buraco negro.

Madigan explicou que as ondas gravitacionais produzidas por este tipo de colisão desastrosa não afetam as estrelas de uma galáxia diretamente. Mas o recuo impulsiona o buraco negro supermassivo remanescente através do espaço - a velocidades que podem chegar a milhões de quilómetros por hora, nada mau para um corpo com uma massa milhões ou milhares de milhões de vezes a massa do nosso Sol.

"Um buraco negro que começa a mover-se a centenas de milhares de quilómetros por segundo pode efetivamente escapar da galáxia onde vive," disse Madigan.

No entanto, quando os buracos negros não escapam, a equipa descobriu que podem puxar as órbitas das estrelas nas proximidades, fazendo com que sejam esticadas. O resultado acaba sendo muito semelhante à forma que os cientistas veem no centro de Andrómeda.

Madiga e Akiba disseram que querem ampliar as simulações para que possam comparar diretamente os resultados de computador com o núcleo verdadeiro da Galáxia de Andrómeda - que contém muitas vezes mais estrelas. Realçaram que as suas descobertas também podem ajudar os cientistas a entender os acontecimentos invulgares em torno de outros objetos no Universo, como planetas em órbita de corpos misteriosos chamados estrelas de neutrões.

"Esta ideia - a de se estivermos em órbita de um objeto central e esse objeto sair disparado de repente - pode ser diminuído para examinar muitos sistemas diferentes," disse Madigan.

// Universidade do Colorado em Boulder (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Saiba mais

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

Ondas gravitacionais:
GraceDB (Gravitational Wave Candidate Event Database)
Wikipedia
Astronomia de ondas gravitacionais - Wikipedia
Ondas gravitacionais: como distorcem o espaço - Universe Today
Detetores: como funcionam - Universe Today
As fontes de ondas gravitacionais - Universe Today
O que é uma onda gravitacional (YouTube)

Galáxia de Andrómeda (M31):
SEDS
Wikipedia

 
   
Também em destaque
  Deteção do mais distante flúor observado até à data numa galáxia com formação estelar (via ESO)
Com o auxílio do ALMA, uma equipa de astrónomos detetou este elemento numa galáxia que está tão longe que a sua luz demora mais de 12 mil milhões de anos a chegar até nós. Esta é a primeira vez que se descobre flúor numa galáxia a formar estrelas tão distante. Ler fonte
     
  Exoplanetas rochosos são ainda mais estranhos do que pensávamos (via NOIRLab)
Um astrónomo juntou-se a um geólogo para fazer as primeiras estimativas dos tipos de rocha que existem em planetas orbitando estrelas próximas. Depois de estudarem a composição química das anãs brancas "poluídas", concluíram que a maioria dos planetas rochosos que orbitam estrelas próximas são mais diversos e exóticos do que se pensava anteriormente, com tipos de rochas não encontrados no nosso Sistema Solar. Ler fonte
 
   
Álbum de fotografias - As Nebulosas da Cabeça de Cavalo e da Chama
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Wissam Ayoub
 
A Nebulosa Cabeça de Cavalo é uma das nebulosas mais famosas do céu. É visível como a forma escura da nebulosa de emissão laranja, perto do limite direito da imagem em destaque. Esta característica em forma de cabeça de cavalo é escura porque, na verdade, é uma nuvem de poeira opaca que fica em frente da brilhante nebulosa de emissão. Como as nuvens na atmosfera da Terra, esta nuvem cósmica assumiu uma forma reconhecível por acaso. Após muitos milhares de anos, os movimentos internos da nuvem vão certamente alterar a sua aparência. A cor laranja da nebulosa de emissão é provocada pela recombinação de eletrões com protões para formar átomos de hidrogénio. Mais em baixo e para a esquerda está a Nebulosa da Chama, uma nebulosa alaranjada que também contém filamentos complexos de poeira escura. São visíveis duas proeminentes nebulosas de reflexão: a redonda IC 432 à esquerda e a azulada NGC 2023 para baixo e para a esquerda da Nebulosa Cabeça de Cavalo. Cada uma brilha principalmente ao refletir a luz da sua estrela central.
 
   
Arquivo | Feed RSS | Contacte o Webmaster | Remover da lista
 
       
       
   
Centro Ciência Viva do Algarve
Rua Comandante Francisco Manuel
8000-250, Faro
Portugal
Telefone: 289 890 922
E-mail: info@ccvalg.pt
Centro Ciência Viva de Tavira
Convento do Carmo
8800-311, Tavira
Portugal
Telefone: 281 326 231 | Telemóvel: 924 452 528
E-mail: geral@cvtavira.pt
   

Os conteúdos das hiperligações encontram-se na sua esmagadora maioria em Inglês. Para o boletim chegar sempre à sua caixa de correio, adicione noreply@ccvalg.pt à sua lista de contactos. Este boletim tem apenas um caráter informativo. Por favor, não responda a este email. Contém propriedades HTML e classes CSS - para vê-lo na sua devida forma, certifique-se que o seu cliente de webmail suporta este tipo de mensagem, ou utilize software próprio, como o Outlook ou outras apps para leitura de mensagens eletrónicas.

Recebeu esta mensagem por estar inscrito na newsletter de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve e do Centro Ciência Viva de Tavira. Se não a deseja receber ou se a recebe em duplicado, faça a devida alteração clicando aqui ou contactando o webmaster.

Esta mensagem destina-se unicamente a informar e está de acordo com as normas europeias de proteção de dados (ver RGDP), conforme Declaração de Privacidade e Tratamento de dados pessoais.

2021 - Centro Ciência Viva do Algarve | Centro Ciência Viva de Tavira

ccvalg.pt cvtavira.pt