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  Astroboletim #1885  
  01/04 a 04/04/2022  
     
 

Apresentação às Estrelas | Abril estrelas mil!
Data: 14 de abril de 2022
Hora: 20:30-22:30
Local: Centro Ciência Viva do Algarve
Abril é o mês da Astronomia! E o tema desta sessão vai ser mesmo só "Estrelas", sejam elas verdadeiras ou alusivas. Celebramos o Global Astronomy Month (GAM) a maior celebração de Astronomia a nível global!
Adulto: 4€
Jovem: 2€
Menores de 12 anos: gratuito.
A observação astronómica com telescópio depende de condições meteorológicas favoráveis.
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
     
 
Efemérides

Dia 01/04: 91.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1960 os Estados Unidos lançavam o primeiro satélite meteorológico, TIROS-1, que produz também a primeira imagem televisiva a partir do espaço.

Em 1976, o efeito gravitacional Joviano-Plutoniano, um embuste do "Dia das Mentiras", é pela primeira vez anunciado pelo astrónomo Patrick Moore
Em 1997, o Cometa Hale-Bopp passa o periélio.
Observações: Lua Nova, pelas 07:24.
Esta é a altura do ano em que ténue Ursa Menor está logo para a direita da Estrela Polar (a extremidade da "pega" da pequena "frigideira") depois da hora de jantar. A muito mais brilhante Ursa Maior enrola-se para cima, "deitando água" sobre ela. Invertem as posições no outono.

Dia 02/04: 92.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1618 nascia Francesco Maria Grimaldi, matemático e físico italiano, bem como padre jesuíta.

Investigou a queda livre de objetos e calculou a constante gravitacional ao registar oscilações num pêndulo. Construiu e usou instrumentos para medir montanhas na Lua bem como a altura de nuvens. Foi o primeiro a fazer observações precisas da difração da luz.
Em 1964, lançamento da soviética Zond 1.
Observações: Castor e Pollux brilham juntas quase no zénite a sudoeste depois do anoitecer. Pollux é ligeiramente mais brilhante que o seu "gémeo" estelar. Desenhe uma linha a partir de Castor, passando por Pollux, siga-a por aproximadamente 26º (cerca de 2,5 punhos à distância do braço esticado) e chega à ténue cabeça de Hidra, a Serpente Marinha. Num céu escuro é um grupo estelar subtil mas distintivo, com mais ou menos o tamanho do polegar à distância do braço esticado. Uns binóculos mostram-na facilmente através de poluição luminosa ou luar.
Continue a linha por outro punho e meio e chega a Alphard, o coração alaranjado de Hidra.
Outra maneira de encontrar a cabeça de Hidra: fica quase no ponto intermédio entre Procyon e Régulo.

Dia 03/04: 93.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1966, o Luna 10, o primeiro orbitador lunar da União Soviética, foi colocado numa órbita selenocêntrica e torna-se no primeiro satélite artifical da Lua. Lançado no dia 31 de março de 1966, concluiu a sua missão e enviou dados valiosos sobre emissões de raios-gama da superfície lunar.
Em 1984, o líder de esquadrão Rakesh Sharma é lançado a bordo de um Soyuz T-11, e torna-se o primeiro indiano no espaço.

Observações: O grande e brilhante Hexágono de Inverno ainda pode ser observado depois do anoitecer, preenchendo o céu a sudoeste e oeste. Comece com a brilhante Sirius a sudoeste, o canto inferior esquerdo do Hexágono. Bem para cima de Sirius encontra-se Procyon. Daí, salte até Pollux e Castor, ainda mais altas, e para a direita de Castor até Menkalinen e Capella, para Aldebarã, Rigel em Orionte, e depois novamente para Sirius.

Dia 04/04: 94.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1968, era lançada a Apollo 6
Em 1983, o vaivém espacial Challenger fazia o seu voo inaugural no espaço (STS-6).

Em 1996, o cometa Hyakutake é observado pela NEAR.
Observações:
A Lua Crescente situa-se a oeste, para baixo das Plêiades, durante a(s) hora(s) de jantar.

 
 
   
Quebrado um recorde: Hubble encontra a estrela mais distante alguma vez vista

O Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA estabeleceu uma nova e extraordinária referência: a deteção da luz de uma estrela que existiu nos primeiros mil milhões de anos após o nascimento do Universo no Big Bang - a estrela individual mais distante alguma vez vista até à data.

A descoberta é um enorme salto no tempo em relação à anterior detentora estelar do recorde; detetada pelo Hubble em 2018. Essa estrela existiu quando o Universo tinha cerca de 4 mil milhões de anos, ou 30% da sua idade atual, numa altura a que os astrónomos se referem como "desvio para o vermelho de 1,5". Os cientistas usam o termo "desvio para o vermelho" porque à medida que o Universo se expande, a luz de objetos distantes é esticada ou "desviada" para comprimentos de onda mais longos e avermelhados à medida que viaja na nossa direção.

A estrela recentemente detetada está tão longe que a sua luz levou 12,9 mil milhões de anos para chegar à Terra, situada numa altura em que o Universo tinha apenas 7% da sua idade atual, a um desvio para o vermelho de 6,2. Os objetos mais pequenos anteriormente vistos a uma distância tão grande são enxames de estrelas, embebidos dentro das primeiras galáxias.

 
Esta vista detalhada destaca a posição da estrela Earendel ao longo de uma ondulação no espaço-tempo (linha pontilhada) que a amplia e torna possível que a estrela seja detetada ao longo de uma distância tão grande - 13 mil milhões de anos-luz. Também indicado, um enxame de estrelas que está espelhado em ambos os lados da linha de ampliação. A distorção e a ampliação são criadas pela massa de um enorme enxame de galáxias localizado entre o Hubble e Earendel. A massa do enxame de galáxias é tão grande que distorce o tecido do espaço, e olhar através desse espaço é como olhar através de uma lupa - ao longo da borda do vidro ou da lente, a aparência das coisas do outro lado são distorcidas, bem como ampliadas.
Crédito: ciência - NASA, ESA, Brian Welch (Universidade Johns Hopkins), Dan Coe (STScI); processamento da imagem - NASA, ESA, Alyssa Pagan (STScI)
 

"Quase não acreditámos ao início, está muito mais longe do que a anterior estrela com desvio para o vermelho mais distante e mais alto," disse o astrónomo Brian Welch da Universidade Johns Hopkins em Baltimore, autor principal do artigo que descreve a descoberta, publicado na revista Nature dia 30 de março. A descoberta foi feita a partir de dados recolhidos durante o programa RELICS (Reionization Lensing Cluster Survey), liderado pelo coautor Dan Coe no STScI (Space Telescope Science Institute), também em Baltimore.

"Normalmente, a estas distâncias, galáxias inteiras parecem pequenas manchas, com a luz de milhões de estrelas a misturar-se," disse Welch. "A galáxia que acolhe esta estrela foi ampliada e distorcida por uma lente gravitacional num longo crescente a que demos o nome de 'Arco do Sol Nascente'."

Depois de estudar a galáxia em detalhe, Welch determinou que uma das suas características é uma estrela extremamente ampliada que chamou de Earendel, que significa "estrela da manhã" em inglês antigo. A descoberta contém a promessa de abrir uma era desconhecida de formação estelar muito precoce.

"Earendel existiu há tanto tempo que não pode ter tido todas as mesmas matérias-primas que as estrelas que nos rodeiam hoje," explicou Welch. "O estudo de Earendel será uma janela para uma era do Universo com a qual não estamos familiarizados, mas que nos levou a tudo o que sabemos. É como se estivéssemos a ler um livro realmente interessante, mas começámos com o segundo capítulo, e agora temos uma oportunidade de ver como tudo começou," disse Welch.

Quando as estrelas se alinham

A equipa de investigação estima que Earendel tem pelo menos 50 vezes a massa do nosso Sol e é milhões de vezes mais brilhante, rivalizando com as estrelas mais massivas conhecidas. Mas mesmo uma estrela tão brilhante e massiva seria impossível de ver a uma distância tão grande sem a ajuda da ampliação natural por um enorme enxame de galáxias, WHL0137-08, situado entre nós e Earendel. A massa do enxame de galáxias distorce o tecido do espaço, criando uma poderosa lupa natural que curva e amplia a luz de objetos distantes por trás dele.

Graças ao raro alinhamento com o enxame de galáxias de ampliação, a estrela Earendel aparece diretamente sobre, ou extremamente perto, de uma ondulação no tecido do espaço. Esta ondulação, que é definida na ótica como "cáustica", proporciona uma ampliação e aumento de brilho máximo. O efeito é análogo à superfície ondulada de uma piscina, criando padrões de luz brilhante no fundo da piscina num dia de Sol. As ondulações à superfície atuam como lentes e focam a luz solar ao brilho máximo no fundo da piscina.

Esta cáustica faz com que a estrela Earendel "salte à vista" do brilho geral da sua galáxia natal. O seu brilho é ampliado mil vezes ou mais. Neste ponto, os astrónomos não são capazes de determinar se Earendel é uma estrela binária, embora a maioria das estrelas massivas tenham pelo menos uma estrela companheira mais pequena.

 
A estrela apelidada Earendel (aqui indicada com uma seta na inserção) é posicionada ao longo de uma ondulação no espaço-tempo que lhe dá uma ampliação extrema, permitindo-lhe emergir da sua galáxia hospedeira, que aparece como uma mancha vermelha através do céu. Toda a cena é vista através da lente distorcida criada por um enxame massivo de galáxias no espaço interveniente, o que permite ver as características da galáxia, mas também distorce a sua aparência - um efeito a que os astrónomos chamam lentes gravitacionais. Os pontos vermelhos em ambos os lados de Earendel são um enxame de estrelas que é espelhado em ambos os lados da ondulação, um resultado da distorção gravitacional da lente. A galáxia inteira, chamada Arco do Sol Nascente, aparece três vezes, e os nós ao longo do seu comprimento são mais enxames estelares espelhados. A posição única de Earendel ao longo da linha de ampliação mais extrema permite a sua deteção, mesmo que não seja um enxame.
Com esta observação, o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA estabeleceu uma nova e extraordinária referência: detetar a luz de uma estrela que existiu nos primeiros mil milhões de anos após o nascimento do Universo no Big Bang (num desvio para o vermelho de 6,2) - a estrela individual mais distante alguma vez vista. Isto estabelece um importante alvo para o Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA no seu primeiro ano.
Crédito: NASA, ESA, B. Welch (Universidade Johns Hopkins), D. Coe (STScI), A. Pagan (STScI)
 

Confirmação com o Webb

Os astrónomos esperam que Earendel permaneça altamente ampliada nos próximos anos. Será observada pelo Telescópio Espacial James Webb da NASA. A alta sensibilidade do Webb à luz infravermelha é necessária para aprender mais sobre Earendel, porque a sua luz é esticada (desviada para o vermelho) para comprimentos de onda infravermelhos mais longos devido à expansão do Universo.

"Esperamos, recorrendo ao Webb, confirmar que Earendel é realmente uma estrela, bem como medir o seu brilho e temperatura," disse Coe. Estes detalhes irão restringir o seu tipo e fase no ciclo de vida estelar. "Também esperamos descobrir que a galáxia do Arco do Sol nascente carece de elementos pesados que se formam nas gerações seguintes de estrelas. Isto sugere que Earendel é uma rara e massiva estrela pobre em metal," disse Coe.

A composição de Earendel será de grande interesse para os astrónomos, pois formou-se antes do Universo ser preenchido com os elementos pesados produzidos por sucessivas gerações de estrelas massivas. Se estudos posteriores descobrirem que Earendel é apenas composta por hidrogénio e hélio primordiais, seria a primeira evidência para as lendárias estrelas de População III, que são teorizadas como sendo as primeiras estrelas nascidas após o Big Bang. Embora a probabilidade seja pequena, Welch admite que é aliciante na mesma.

"Com o Webb, podemos ver estrelas ainda mais longe do que Earendel, o que seria incrivelmente excitante", disse Welch. "Vamos o mais longe que pudermos. Adoraria ver o Webb a bater o recorde de distância de Earendel."

// NASA (comunicado de imprensa)
// ESA/Hubble (comunicado de imprensa)
// Hubblesite (comunicado de imprensa)
// Universidade Johns Hopkins (comunicado de imprensa)
// Universidade Estatal do Arizona (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature)
// Artigo científico (PDF)
// Quebrado um recorde: Hubble encontra a estrela mais distante alguma vez vista (NASA Goddard via YouTube)
// Space Sparks Ep. 10 - Hubble encontra a estrela mais distante alguma vez vista (HubbleESA via YouTube)
// Rogier Windhorst: Hubble encontra a estrela mais distante alguma vez vista (Universidade Estatal do Arizona via YouTube)

 


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Earendel:
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Lentes gravitacionais:
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Enxames galácticos:
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Desvio para o vermelho:
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Cáustica (ótica):
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Universo:
A expansão acelerada do Universo (Wikipedia)
Universo (Wikipedia)
Idade do Universo (Wikipedia)
Época da Reionização (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Big Bang (Wikipedia)
Modelo Lambda-CDM (Wikipedia)

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
Hubblesite
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais
Programa RELICS (Reionization Lensing Cluster Survey)

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
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STScI
STScI (website para o público)
ESA
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Blog do JWST (NASA)
Onde está o Webb? (NASA)
Programas DD-ERS do Webb (STScI)

 
   
Os gigantescos vulcões de gelo de Plutão podem ter-se formado a partir de múltiplos eventos de erupção

Os cientistas da missão New Horizons da NASA determinaram que múltiplos episódios de criovulcanismo podem ter criado alguns tipos de estruturas à superfície de Plutão, nunca vistas em nenhum outro lugar do Sistema Solar. O material expulso de baixo da superfície deste distante planeta anão gelado poderia ter criado uma região de grandes cúpulas e elevações ladeadas por colinas, montes e depressões. A New Horizons foi a missão da NASA a fazer a primeira exploração de Plutão e do seu sistema de cinco luas.

"As estruturas particulares que estudámos são exclusivas de Plutão, pelo menos até agora," disse Kelsi Singer, cientista adjunta do projeto New Horizons do SwRI (Southwest Research Institute) em Boulder, no estado norte-americano do Colorado, e autora principal do artigo publicado na revista Nature Communications. "Em vez de erosão ou outros processos geológicos, a atividade criovulcânica parece ter extrudido grandes quantidades de material para o exterior de Plutão e ter ressurgido toda uma região do hemisfério que a New Horizons viu de perto."

 
Os cientistas da missão New Horizons determinaram que a atividade criovolcânica muito provavelmente criou estruturas únicas em Plutão ainda não vistas em nenhum outro lugar do Sistema Solar. A quantidade de material necessário para criar as formações sugere que a sua estrutura interior reteve calor em algum ponto da sua história, permitindo que materiais ricos em água se acumulassem e ressurgissem na região através de processos criovolcânicos. As névoas superficiais e atmosféricas de Plutão são aqui mostradas em escala de cinzentos, com uma interpretação artística de como processos vulcânicos passados podem ter funcionado sobrepostos a azul.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI/Isaac Herrera/Kelsi Singer
 

A equipa de Singer analisou a geomorfologia e composição de uma área localizada a sudoeste do brilhante e gelado "coração" de Plutão, Sputnik Planitia. A região criovulcânica contém várias grandes cúpulas, que vão de 1 a 7 quilómetros de altura e 30 a 100 ou mais quilómetros de largura, que por vezes se fundem para formar estruturas mais complexas. Colinas irregulares interligadas, montes e depressões cobrem os lados e os topos de muitas das estruturas maiores. Nesta área existem poucas ou nenhumas crateras, o que indica que é geologicamente jovem. As maiores estruturas da região rivalizam com o vulcão Mauna Loa no Hawaii.

Mesmo com a adição de amoníaco e outros componentes semelhantes a anticongelantes para baixar a temperatura de fusão da água gelada - um processo semelhante à forma como o sal inibe a formação de gelo nas ruas e estradas - as temperaturas extremamente baixas e as pressões atmosféricas em Plutão congelam rapidamente a água líquida à sua superfície.

 
A região estudada situa-se a sudoeste do "coração" de Plutão, Sputnik Planitia, contém várias grandes cúpulas, sobe até 7 quilómetros de altura e tem 30 a 100 quilómetros de largura, com colinas interligadas, montes e depressões que cobrem os lados e os topos de muitas das estruturas maiores.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI/Isaac Herrera/Kelsi Singer
 

Uma vez que se trata de terrenos geológicos jovens e que foram necessárias grandes quantidades de material para os criar, é possível que a estrutura interior de Plutão tenha retido calor num passado relativamente recente, permitindo que materiais ricos em água fossem depositados à superfície. Os fluxos criovulcânicos capazes de criar as grandes estruturas poderiam ter ocorrido se o material tivesse uma consistência semelhante à da pasta de dentes, se se comportasse de certa forma como os glaciares sólidos de gelo na Terra ou se tivesse uma concha ou calota com material ainda capaz de fluir por baixo.

De acordo com a equipa, outros processos geológicos, considerados capazes de criar as características, são improváveis. Por exemplo, a área tem variações significativas nos altos e baixos do terreno que não poderiam ter sido criados através da erosão. A equipa de Singer também não viu evidências de erosão glaciar extensa ou de sublimação no terreno húmido que rodeia as maiores estruturas.

"Um dos benefícios de explorar novos lugares no Sistema Solar é que encontramos coisas que não estávamos à espera," disse Singer. "Estes gigantescos criovulcões de aspeto estranho, observados pela New Horizons, são um grande exemplo de como estamos a expandir o nosso conhecimento dos processos vulcânicos e da atividade geológica em mundos gelados."

 
Como parte da sua investigação, Kelsi Singer do SwRI e a equipa da New Horizons propuseram os nomes de duas estruturas na região criovolcânica em homenagem às pioneiras da aviação Bessie Coleman, a primeira afro-americana e nativa americana a obter uma licença de piloto, e Sally Ride, a primeira mulher americana no espaço. A União Astronómica Internacional aprovou os nomes Coleman Mons e Ride Rupes em outubro de 2021. Coleman Mons foi a chave para compreender esta região porque pode ser uma das mais recentes cúpulas vulcânicas formadas. Ride Rupes é um dos penhascos mais altos e longos de Plutão e indica que podem haver falhas profundas na área que possam permitir que a criolava flua para cima a partir do subsolo. Os valores de elevação nesta região variam mais de 8 quilómetros desde as áreas mais altas a vermelho/laranja até às áreas mais baixas a rosa/branco.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI/Kelsi Singer
 

Imagens obtidas em 2015 pela sonda New Horizons revelaram diversas características geológicas que povoam Plutão, incluindo montanhas, vales, planícies e glaciares. Foram particularmente intrigantes porque esperava-se que as temperaturas geladas à distância de Plutão produzissem um mundo gelado e geologicamente inativo.

"Este trabalho recentemente publicado é um verdadeiro marco, mostrando mais uma vez a personalidade geológica de Plutão para um planeta tão pequeno, e como tem sido incrivelmente ativo durante longos períodos," disse Alan Stern, investigador principal da New Horizons e do SwRI. "Mesmo anos após o 'flyby', estes novos resultados de Singer e colegas mostram que há muito mais a aprender sobre as maravilhas de Plutão do que imaginávamos antes de ser explorado de perto."

// JHUAPL (comunicado de imprensa)
// SwRI (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Communications)

 


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A morte misteriosa de uma estrela de carbono

Cientistas que estudavam V Hydrae (V Hya) testemunharam o misterioso "leito de morte" da estrela em detalhes sem precedentes. Usando o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) e dados do Telescópio Espacial Hubble, a equipa descobriu seis anéis em expansão lenta e duas estruturas em forma de ampulheta provocadas pela ejeção de matéria a alta velocidade para o espaço. Os resultados do estudo foram publicados na revista The Astrophysical Journal.

V Hya é uma estrela AGB (asymptotic giant branch) rica em carbono localizada a aproximadamente 1300 anos-luz da Terra na direção da constelação de Hidra. Mais de 90% das estrelas com uma massa igual ou superior à do Sol evoluem para estrelas AGB à medida que o combustível necessário para alimentar os processos nucleares é removido. Entre estes milhões de estrelas, V Hya tem sido de particular interesse para os cientistas devido aos seus comportamentos e características tão singulares, incluindo erupções de plasma a escalas extremas que ocorrem aproximadamente a cada 8,5 anos e a presença de uma estrela companheira quase invisível que contribui para o comportamento explosivo de V Hya.

 
A estrela rica em carbono V Hydrae está no seu ato final, e até agora, a sua morte tem-se revelado magnífica e violenta. Os cientistas que estudam a estrela descobriram seis anéis de escoamento (vistos aqui nesta composição) e outras estruturas criadas pela explosiva ejeção de massa de matéria para o espaço.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/S. Dagnello (NRAO/AUI/NSF)
 

"O nosso estudo confirma dramaticamente que o modelo tradicional de como as estrelas AGB morrem - através da ejeção em massa de combustível via um vento lento, relativamente estável e esférico ao longo de 100.000 anos ou mais - está, na melhor das hipóteses, incompleto, ou na pior, incorreto," disse Raghvendra Sahai, astrónomo no JPL da NASA e investigador principal do estudo. "É muito provável que uma companheira estelar ou subestelar próxima desempenhe um papel significativo nas suas mortes, e a compreensão da física das interações binárias é importante tanto na astrofísica como um dos seus maiores desafios. No caso de V Hya, a combinação de uma estrela companheira próxima e de uma hipotética companheira distante é responsável, pelo menos em certa medida, pela presença dos seus anéis e pelos fluxos velozes que estão a provocar a morte miraculosa da estrela."

Mark Morris, astrónomo da UCLA (Universidade da Califórnia, Los Angeles) e coautor da investigação, acrescentou, "V Hydra foi apanhada no processo de libertação da sua atmosfera - a maior parte da sua massa - o que é algo que a maior parte das estrelas gigantes vermelhas em fase final fazem. Para nossa surpresa, descobrimos que a matéria, neste caso, está a ser expelida como uma série de anéis de escoamento. Esta é a primeira e única vez que alguém viu que o gás a ser expelido de uma estrela AGB pode ser expelido sob a forma de 'anéis de fumo' em expansão."

Os seis anéis expandiram-se para longe de V Hya ao longo de mais ou menos 2100 anos, acrescentando matéria e impulsionando o crescimento de uma estrutura de alta densidade em forma de disco deformado à volta da estrela. A equipa apelidou esta estrutura de DUDE (Disk Undergoing Dynamical Expansion).

 
Os cientistas observaram, pela primeira vez, o misterioso "leito de morte" de uma estrela AGB rica em carbono. O ato final de V Hydrae é caracterizado pela ejeção em massa de matéria no espaço, resultando na expansão lenta de seis anéis e na formação de duas estruturas em forma de ampulheta mostradas aqui nesta impressão de artista.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/S. Dagnello (NRAO/AUI/NSF)
 

"O estado final da evolução estelar - quando as estrelas passam da fase de gigante vermelha e terminam como uma anã branca - é um processo complexo que não é bem compreendido," disse Morris. "A descoberta de que este processo pode envolver a ejeção de anéis de gás, em simultâneo com a produção de jatos intermitentes de material a alta velocidade, dá origem a uma nova e fascinante 'perturbação' à nossa exploração de como as estrelas morrem."

Sahai acrescentou, "V Hya está na breve, mas crítica fase de transição que não dura muito tempo e é difícil encontrar estrelas nesta fase, ou melhor, 'apanhá-las em flagrante'. Tivemos sorte e fomos capazes de imaginar todos os diferentes fenómenos de perda de massa em V Hya para compreender melhor como as estrelas moribundas perdem massa no final das suas vidas."

Para além de um conjunto completo de anéis em expansão e de um disco deformado, o ato final de V Hya apresenta duas estruturas em forma de ampulheta - e uma estrutura adicional em forma de jato - que se estão a expandir a velocidades elevadas de mais de 240 km/s. Estas estruturas em forma de ampulheta já tinham sido observadas anteriormente em nebulosas planetárias, incluindo MyCn 18 - também chamada de Nebulosa da Ampulheta -, uma jovem nebulosa de emissão localizada a cerca de 8000 anos-luz da Terra na direção da constelação do hemisfério sul da Mosca, e na mais conhecida Nebulosa Caranguejo do Sul, uma nebulosa de emissão localizada a aproximadamente 7000 anos-luz da Terra na direção da constelação de Centauro.

Sahai acrescentou: "Observámos pela primeira vez a presença de fluxos velozes em 1981. Depois, em 2022, encontrámos um fluxo em forma de jato constituído por bolhas de plasma compactas ejetadas a alta velocidade a partir de V Hya. E agora, a nossa descoberta de fluxos de grande angular em V Hya liga os pontos, revelando como todas estas estruturas podem ser criadas durante a fase evolutiva em que esta estrela gigante vermelha extraluminosa está agora."

 
Os cientistas que estudam a estrela moribunda rica em carbono V Hya descobriram seis anéis em lenta expansão que se formam à medida que a estrela expulsa a sua matéria. Visto aqui nesta composição, estes anéis de escoamento e a estrutura de arco difuso do sexto anel são moderadamente visíveis na linha de emissão de isótopos de carbono de 12CO, e tornam-se bem definidos nas vistas dos isótopos de carbono de 13CO. Estes anéis fazem parte de uma história anteriormente desconhecida sobre a morte de estrelas e estão a ajudar os cientistas a desvendar o que acontece no "ato final".
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/S. Dagnello (NRAO/AUI/NSF)
 

Devido tanto à distância como à densidade da poeira que envolve a estrela, o estudo de V Hya exigiu um instrumento único com o poder de ver claramente a matéria que está ao mesmo tempo muito longe e é também difícil ou impossível de detetar com a maioria dos telescópios óticos. A equipa alistou os recetores de Banda 6 (1,23 mm) e Banda 7 (0,85 mm) do ALMA, que revelaram os múltiplos anéis e os fluxos da estrela com grande clareza.

"Os processos que ocorrem nas fases finais das estrelas de baixa massa, e durante a fase AGB em particular, há muito que fascinam os astrónomos e têm sido difíceis de compreender," disse Joe Pesce, astrónomo e oficial do programa NSF para o NRAO/ALMA. "As capacidades e a resolução do ALMA estão finalmente a permitir-nos testemunhar estes eventos com o extraordinário detalhe necessário para fornecer algumas respostas e melhorar a nossa compreensão de um evento que acontece à maioria das estrelas no Universo".

Sahai acrescentou que a incorporação de dados infravermelhos, óticos e ultravioleta no estudo criou uma imagem completa em vários comprimentos de onda do que poderia ser um dos maiores espetáculos da Via Láctea, pelo menos para os astrónomos. "De cada vez que observamos V Hya com novas capacidades de observação, torna-se mais e mais como um circo, caracterizada por uma variedade ainda maior de proezas impressionantes. V Hydrae tem-nos impressionado com os seus múltiplos anéis e atos, e dado que o nosso próprio Sol pode um dia ter um destino semelhante, tem toda a nossa atenção."

// Observatório ALMA (comunicado de imprensa)
// NRAO (comunicado de imprensa)
// UCLA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


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V Hydrae:
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Estrela AGB:
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ALMA:
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ALMA (NRAO)
ALMA (NAOJ)
ALMA (ESO)
Wikipedia

 
   
Também em destaque
  Modelo climático pode determinar zonas habitáveis exoplanetárias (via Universidade do Alabama em Huntsville)
Um refinamento de um modelo climático espacial pode ajudar os cientistas a verificar quais os planetas fora do nosso Sistema Solar que provavelmente terão "alguém em casa". Investigadores da Universidade do Alabama em Hunstville desenvolveram um modelo de rastreio de partículas energéticas estelares que podem influenciar a origem de vida em exoplanetas. Estas partículas energéticas estelares estão demasiado afastadas para serem medidas diretamente, pelo que necessitam de ser modeladas a partir de inputs de deteção remota. Ler fonte
 
   
Álbum de fotografias - Arp 78: Galáxia Peculiar em Carneiro
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Observatório Internacional Gemini/NOIRLab/NSF/AURA; Processamento: T.A. Rector (Universidade do Alaska em Anchorage), J. Miller (Observatório Gemini/NOIRLab), M. Zamani e D. de Martin
 
A galáxia espiral peculiar Arp 78 encontra-se dentro dos limites da constelação de Carneiro. A cerca de 100 milhões de anos-luz para lá das estrelas e nebulosas da nossa Galáxia, a Via Láctea, este universo-ilha tem mais de 100.000 anos-luz de diâmetro. Também conhecida como NGC 772, ostenta um proeminente braço exterior em espiral neste detalhado retrato cósmico obtido pelo grande telescópio Gemini Norte, perto do cume do Maunakea, Hawaii, planeta Terra. Rastreando ao longo de faixas de poeira e alinhado com jovens enxames estelares azuis, o braço espiral de Arp 78 é provavelmente "bombeado" por interações de marés gravitacionais à escala galáctica. A galáxia companheira responsável é NGC 770, localizada para cima e para a direita desta cena. São claramente visíveis, no campo de visão cósmico, galáxias de fundo ainda mais distantes.
 
   
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