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NOTÍCIAS ASTRONÓMICAS - N.º 190
23 de Dezembro de 2005
arrow SISTEMA SOLAR ESTÁ CADA VEZ MAIS CONFUSO thingy


A órbita do 2003 EL61, que tem duas luas e o possível planeta 2003 UB313 em torno do Sol. A órbita a negro é de Neptuno.
Crédito: Mike Brown, Caltech

À medida que vão sendo descobertos novos planetas para além de Neptuno, cada vez o Sistema Solar se vai tornando mais intrigante. Um par de descobertas realizadas ao longo deste mês associadas a outras realizadas ao longo deste ano começaram a revelar aquilo que alguns astrónomos já suspeitavam. Parece que o Sistema Solar está cheio de "mundos" com trajectórias estranhas em torno do Sol e muitas vezes organizados em sistemas múltiplos.

O único problema que agora se levanta é que as teorias correntes da formação do Sistema Solar não conseguem explicar tudo.

O que é agora chamado de Cintura (ou Cinturão) foi proposto na década de 1940 pelo economista e astrónomo irlandês Kenneth Edgeworth e separadamente pelo astrónomo americano Gerard Kuiper em 1951. O primeiro objecto deste grupo a ser encontrado foi descoberto em 1992. Agora, já são conhecidos vários corpos com mais de um terço da massa de Plutão nas franjas do Sistema Solar, incluindo um que sabemos ser pelo menos tão grande como Plutão e que é considerado por alguns como sendo o 10º planeta (2003 UB313).

Entretanto, as descobertas de sistemas binários na Cintura de Kuiper levaram os astrónomos a estimar que pelo menos 10% dos Objectos da Cintura de Kuiper (KBO-Kuiper Belt Objects) são binários.

Na realidade, o primeiro planeta da Cintura de Kuiper foi descoberto em 1931 e chama-se Plutão. Este planeta é considerado por muita gente como um membro deste grupo e não um verdadeiro planeta, embora muita gente considere que devido ao seu significado e importância histórica deva ser mantido com um estatuto duplo. Em Outubro, como noticiado no Astroboletim nº 175, foram descobertas duas novas luas em torno de Plutão, para além da sua lua Caronte.

Foi descoberto em Janeiro que um KBO conhecido como 2003 EL61, e que tem cerca de um terço da massa de Plutão, possuía também uma lua a orbitar em torno dele. Este mês, uma equipa de investigadores liderada por Mike Brown do Caltech anunciou que tem um segundo satélite pequeno. Muitos outros KBOs poderão ter sistemas múltiplos, mas que não foram ainda detectados.

"Parece provável que outros KBOs [de grande dimensão] poderão ter também sistemas múltiplos," disse Brown.

A 13 de Dezembro outro grupo disse ter encontrado um objecto com metade da massa de Plutão orbitando ao dobro da distância de Neptuno ao Sol, e cuja trajectória os tem mantido intrigados.

O mundo longínquo foi catalogado como 2004 XR 190 e é conhecido temporariamente por Buffy. Foi descoberto a partir de imagens do varrimento do céu feito com o Telescópio Canada France no Havai.

"Era muito brilhante comparado com os KBOs que costumamos encontrar," disse Lynne Allen da Universidade de British Columbia, que fez parte da equipa internacional da descoberta. "Mas o que foi mais interessante foi a distância a que se encontrava."

O Buffy nunca se aproxima a menos de 52 unidades astronómicas (AU) do Sol . Neptuno encontra-se a 30 AU e Plutão vai das 30 às 50 AU. O que torna Buffy especial é a sua órbita praticamente circular .

"Encontrar um objecto com uma órbita muito pouco excêntrica para além das 50 AU é de facto intrigante," disse Brian Marsden, que dirige o Minor Planet Center onde todos estes objectos são catalogados.

Muitos outros KBOs conhecidos descrevem orbitais altamente elípticas vindo a menos de 38 AU e afastando-se a mais de 50 AU. A teoria planetária diz que Neptuno acelera gravitacionalmente estes objectos o que produz a excentricidade das suas trajectórias.

Para além dos KBOs que entram e saem da região, o espaço para além das 50 AU parece bastante vazio, pelo que esta distância representa o que se considera o fim da Cintura de Kuiper.

Mas depois existe Sedna que orbita com uma enorme excentricidade entre as 76 e 900 AU.

No final de 2004, Scott Kenyon do Smithsonian Astrophysical Observatory e Benjamin Bromley da Universidade do Utah propuseram que uma estrela de passagem pelo nosso Sistema Solar poderia explicar tudo isto.

Através de modelação computacional concluíram que a uma distância de 150-200 AU, a estrela poderia ter capturado objectos do exterior da Cintura de Kuiper e ter deixado Sedna pelo caminho numa orbita onde não afectaria Neptuno ou os planetas interiores.

De forma intrigante este modelo sugere que alguns KBOs do Sistema Solar (sem incluir Sedna) são de facto mundos alienígenas capturados na troca material provocada pela passagem da estrela.

"Uma passagem próxima de uma estrela resolveria dois mistérios de uma vez," disse na altura Bromley. "Explica quer a órbita de Sedna, quer o limite exterior da Cintura de Kuiper."

No entanto, esta passagem estelar não consegue explicar Buffy.


Vista no plano do nosso Sistema Solar mostrando a vermelho a órbita do 2004 XR 190 (alcunhado Buffy) e outros KBOs. .
Crédito: CFHT e CEA/DAPNIA

Buffy está demasiado longe para poder ser afectado por Neptuno, pelo menos na posição actual de Neptuno. No entanto Buffy encontra-se extremamente inclinado (47º) relativamente ao plano normal de órbita do sistema solar, o que levanta outra questão. Todos os planetas, cometas e KBOs ter-se-ão formado num disco material relativamente chato que envolvia o Sol há cerca de 4.500 milhões de anos. A maioria deles manteve-se neste plano após a formação a menos que fosse perturbado por algo.

"Para que uma estrela pudesse ter afectado Buffy dessa forma teria por certo provocado uma ruptura da Cintura de Kuiper," escrevem os investigadores que descobrira a Buffy. "Dado que os astrónomos não detectam essa ruptura é necessária uma teoria mais complexa para explicar a órbita de Buffy."

Especulam que talvez a resposta esteja encerrada num evento desconhecido ocorrido no início da formação do Sistema Solar. Talvez a órbita de Neptuno tenha vindo a crescer lentamente puxando alguns objectos para órbitas circulares inclinadas, de um modo que ainda necessita de modelação para verificar se é possível.

As respostas carecem de tecnologia que possa detectar objectos ainda mais ténues para verificar se Sedna está de facto só ou se também na região que nos parece vazia há mais objectos. É necessário fazer um inventário completo incluindo os objectos da Nuvem de Oort para podermos ter uma visão completa do sistema.

LINKS:

SPACE.com:
http://www.space.com/scienceastronomy/051219_mystery_monday.html

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arrow ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS thingy
     
Foto  
Gás e Poeira na Nebulosa da Roseta - Crédito: Nick Wright (University College London), IPHAS Collaboration
No limiar de uma Nuvem Molecular Gigante da constelação de Monocerotis (o Unicórnio), a cerca de 3,000 anos-luz de distância, os filamentos negros de poeira desta nuvem contrastam com o brilho do hidrogénio. Este zoom da Nebulosa da Roseta sugere que a região de formação estelar prossegue a sua actividade nesta região, com os filamentos escuros a serem esculpidos pelos ventos e radiação de estrelas jovens em formação. A radiação ultravioleta das estrelas jovens também ioniza o hidrogénio, que volta a recombinar-se com os electrões produzindo uma radiação com espectro de linhas a comprimentos de onda mais longos. No espectro visível, o comprimento de onda mais longo é o hidrogénio-alfa (ou simplesmente H-alfa) que é uma radiação de comprimento de onda na região dos vermelhos, sendo essa radiação a que é fotografada nesta imagem. Esta imagem abrange uma região de cerca de 25 anos-luz de largura.
Ver imagem em alta-resolução
     
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  ESPAÇO ABERTO  
 

Observação astronómica, dia 14 de Janeiro de 2006, na açoteia do CCVAlg, às 21:30. Acesso pelo portão do jardim. Entrada gratuita.
Observação dependente das condições atmosféricas.

 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 23/12: 346º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1672, Giovanni Cassini descobre a lua de Saturno Rea.
Observações: Às 05h00 (hora local) Vénus está estacionário.
Às 20h00 (hora local), a Lua atinge o Quarto Minguante.

Dia 24/12: 347º dia do calendário gregoriano.
Observações: Mostre o céu à sua família nesta noite de consoada.

Dia 25/12: 348º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1642, nascia Isaac Newton.
Em 2004, a sonda Huygens foi largada pela Cassini sobre Titã.
Observações: Às 14h00 (hora local), Espiga a 0,9ºS da Lua.

Dia 26/12: 349º dia do  calendário gregoriano.
História:  Em 1972, a Apollo 17, a última missão lunar tripulada regressava à Terra.
Em 1973, o cometa Kohoutek atingia o periélio.
No mesmo dia a Soyuz 13 voltava à Terra. Em 1974 era lançada a Salyut 4.
Observações: Aproveite para observar a Grande Nebulosa de Orionte (M42).

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
A Nuvem de Oort é considerada o limite externo do Sistema Solar, encontrando-se a cerca de 100,000 UA (1,5 anos-luz) do Sol. Pensa-se que os cometas de período longo provêm da nuvem de Oort. Jan Oort considerou que seria uma nuvem pois os cometas de longo período não possuem qualquer direcção privilegiada para a sua órbita.
 
 
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