Apresentação às Estrelas | Super Luas Data: 8 de junho de 2022 Hora: 21:30-23:30 Local:Centro Ciência Viva do Algarve
Nesta sessão iremos tentar perceber como é que a órbita lunar torna as próximas duas luas cheias "mais super" do que as restantes do ano! Adulto: 4€ Jovem: 2€ Menores de 12 anos: gratuito.
A observação astronómica com telescópio depende de condições meteorológicas favoráveis. Pré-inscrição:siga este link Telefone: 289 890 920 E-mail: info@ccvalg.pt
Efemérides
Dia 27/05: 147.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1999, lançamento da missão STS-96 do vaivém Discovery. Observações: Capella põe-se a noroeste depois do anoitecer por estas noites (dependendo da latitude do observador). Isso deixa Vega e Arcturo como as estrelas mais brilhantes no céu noturno. Vega brilha a este-nordeste. Arcturo está muito alta a sul.
A um-terço do caminho entre Arcturo e Vega, procure o semicírculo de Coroa Boreal e a sua estrela Alphecca, de magnitude 2, a única moderadamente brilhante.
A dois-terços entre Arcturo e Vega está a constelação de Hércules, agora quase nivelada. Use binóculos ou um telescópio para observar a sua fronteira superior. A um-terço do percurso da fronteira esquerda, para a direita, está M13, de sexta magnitude, um dos dois grandes enxames globulares de Hércules. Um telescópio com 4 ou 6 polegadas começa a resolver parte do seu aspeto difuso. Localizado a 22.000 anos-luz de distância, bem acima do plano da Via Láctea, M13 contém várias centenas de milhares de estrelas num enxame com aproximadamente 140 anos-luz de diâmetro.
Dia 28/05: 148.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 585 AC, ocorre um eclipse solar, como previsto pelo filósofo e cientista grego Tales de Mileto, durante o qual Aliates II enfrenta Cyaxares na Batalha de Halys ou Batalha do Eclipse, o que leva a uma trégua. Esta é uma das datas mais importantes, a partir da qual outras datas podem ser calculadas. No entanto, vários especialistas disputam esta previsão, dado o conhecimento astronómico disponível na altura.
Em 1879, nascia Milutin Milankovitch, astrónomo, matemático, climatólogo, geofísico, engenheiro civil e doutor de tecnologia sérvio, que fez duas importantes contribuições para a Ciência. A primeira é a caracterização dos climas de todos os planetas do Sistema Solar e a segunda é a explicação dos ciclos climáticos da Terra a longo termo, provocados pela posição do nosso planeta em relação ao Sol, agora conhecidos como Ciclos de Milankovitch.
Em 1912, nascia Ruby Payne-Scott, australiana, a primeira radioastronónoma.
Em 1959, lançamento dos dois macacos Able & Baker. Passaram 16 minutos a viajar a uma altitude de 480 km.
Em 1971 era lançada a Mars 3 (USSR).
A 2 de dezembro do mesmo ano, alcançou Marte mas o "lander" enviou apenas 20 segundos de dados.
Em 1998, o asteroide 1998 KY26 era descoberto por Tom Gehrels. Usando observações por radar, a velocidade de rotação deste asteroide foi estimada em 10,7 minutos!
Em 2002, a Mars Odyssey descobre sinais de imensos depósitos de gelo no planeta Marte. Observações: Já viu Alpha Centauri? Com declinação -61º, este astro com magnitude zero está permanentemente fora de vista se estiver para norte da latitude 29º. Mas, abaixo, Alpha Cen raspa o horizonte o sul durante algum tempo por estas noites.
Quando é que isto ocorre? Quando se deve observar? Quando Alpha Librae, de Balança, estiver a sul.
Dia 29/05: 149.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1794, nascia Johann Heinrich von Mädler, astrónomo alemão.
Produziu os primeiros mapas verdadeiros de Marte, fez determinações preliminares do período de rotação de Marte com apenas poucos segundos de erro e produziu o primeiro mapa exato da Lua.
Em 1919, um eclipse solar total foi observado por dois diferentes grupos de astrónomos (Arthur Eddington e Andrew Crommelin), tentando confirmar a Teoria da Relatividade Geral de Einstein, medindo se o Sol distorcia as posições aparentes das estrelas das Híades.
Em 1929, nascia Peter Higgs, físico teórico britânico, famoso pelo seu mecanismo Higgs, que prevê a existência do bosão de Higgs.
Em 1974 era lançada a Luna 22 (USSR).
Em 1999, o vaivém Discovery completa a sua primeira atracagem com a Estação Espacial Internacional. Observações:O brilhante planeta Júpiter e o mais ténue planeta Marte estão em conjunção, separados no céu por apenas 0,6º, antes do amanhecer deste domingo. Olhe para este-sudeste, não muito alto. Os binóculos ajudam com o aumento de brilho do nascer-do-Sol.
Dia 30/05: 150.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1966, lançamento da Surveyor 1, a primeira sonda sonda americana a aterrar em segurança noutro corpo planetário (neste caso, a Lua).
Em 1971 era lançada a Mariner 9. A 13 de novembro alcança a órbita de Marte. Envia 6.900 imagens, que corresponderam a 70% da superfície do planeta. Estudou também as mudanças temporais na atmosfera e à superfície.
Em 2020, a Crew Dragon Demo-2 levanta voo a partir do Centro Espacial Kennedy, tornando-se a primeira nave orbital tripulada a ser lançada a partir dos EUA desde 2011. Observações:Repita a observação de ontem dos planetas Júpiter e Marte. Repare a diferença de posição entre os dois astros, comparando com ontem. Binóculos ajudam.
Lua Nova, pelas 12:30.
Nova descoberta sobre galáxias distantes: as estrelas são mais massivas do que pensávamos
A Galáxia de Andrómeda, a nossa grande vizinha galáctica mais próxima, é o objeto mais distante que podemos observar no céu noturno à vista desarmada.
Crédito: Getty
Uma equipa de astrofísicos da Universidade de Copenhaga chegou a um resultado importante no que diz respeito às populações estelares para lá da Via Láctea. O resultado pode mudar a nossa compreensão de uma vasta gama de fenómenos astronómicos, incluindo a formação de buracos negros, supernovas e a razão pela qual as galáxias morrem.
Desde que os seres humanos estudam os céus que o aspeto das estrelas em galáxias distantes tem sido um mistério. Num estudo publicado na The Astrophysical Journal, uma equipa de investigadores do Instituto Niels Bohr da Universidade de Copenhaga está a colocar de lado a anterior compreensão das estrelas para lá da nossa própria Galáxia.
Desde 1955 que se assume que a composição das estrelas nas outras galáxias do Universo é semelhante à das centenas de milhares de milhões de estrelas dentro da nossa - uma mistura de estrelas massivas, de massa média e de massa baixa. Mas com a ajuda de observações de 140.000 galáxias em todo o Universo e de uma vasta gama de modelos avançados, a equipa testou se a mesma distribuição de estrelas aparente na Via Láctea se aplica noutros locais. A resposta é não. As estrelas em galáxias distantes são tipicamente mais massivas do que as do nosso "bairro local". A descoberta tem um grande impacto sobre o que pensamos saber sobre o Universo.
"A massa das estrelas diz muito aos astrónomos. Se mudarmos a massa, também mudamos o número de supernovas e buracos negros que surgem das estrelas massivas. Como tal, o nosso resultado significa que teremos de rever muitas das coisas que em tempos presumimos, porque as galáxias distantes parecem bastante diferentes da nossa," diz Albert Sneppen, estudante do Instituto Neils Bohr e primeiro autor do estudo.
A luz analisada de 140.000 galáxias
Os investigadores assumiram que o tamanho e massa das estrelas noutras galáxias eram semelhantes à nossa durante mais de cinquenta anos, pela simples razão de não as poderem observar através de um telescópio, como podiam fazer com as estrelas da nossa própria Galáxia.
As galáxias distantes estão a milhares de milhões de anos-luz de distância. Como resultado, apenas a luz das suas estrelas mais poderosas chega à Terra. Isto tem sido uma dor de cabeça para investigadores em todo o mundo durante anos, pois nunca puderam esclarecer com precisão como as estrelas de outras galáxias foram distribuídas, uma incerteza que os forçou a acreditar que estavam distribuídas largamente como as estrelas da nossa Via Láctea.
"Só conseguimos ver a ponta do iceberg e sabemos há muito tempo que esperar que outras galáxias se parecessem com a nossa não era um pressuposto particularmente bom de se fazer. Contudo, nunca ninguém foi capaz de provar que outras galáxias formam diferentes populações de estrelas. Este estudo permitiu-nos fazer exatamente isso, o que pode abrir a porta para uma compreensão mais profunda da formação e evolução das galáxias," diz o professor associado Charles Steinhardt, coautor do estudo.
No estudo, os investigadores analisaram a luz de 140.000 galáxias usando o catálogo COSMOS, uma grande base de dados internacional com mais de um milhão de observações da luz de outras galáxias. Estas galáxias estão distribuídas do ponto mais próximo ao mais distante do Universo, a partir do qual a luz viajou doze mil milhões de anos antes de poder ser observada na Terra.
As galáxias massivas morrem primeiro
De acordo com os investigadores, a nova descoberta terá uma vasta gama de implicações. Por exemplo, continua por resolver a razão pela qual as galáxias morrem e deixam de formar novas estrelas. O novo resultado sugere que isto poderá ser explicado por uma simples tendência.
"Agora que somos mais capazes de descodificar a massa das estrelas, podemos ver um novo padrão; as galáxias menos massivas continuam a formar estrelas, enquanto que as galáxias mais massivas param de formar novas estrelas. Isto sugere uma tendência notavelmente universal na morte das galáxias," conclui Albert Sneppen.
Uma equipa internacional de investigadores liderada pela ETH Zurique e pelo NCCR PlanetS (National Centre of Competence in Research PlanetS) reconstruiu a história inicial de vários asteroides com mais precisão do que nunca. Os seus resultados indicam que o Sistema Solar primitivo era mais caótico do que se pensava anteriormente.
Antes da formação da Terra e de outros planetas, o jovem Sol ainda estava rodeado de gás e poeira cósmica. Ao longo dos milénios, fragmentos de rocha de vários tamanhos formaram-se a partir da poeira. Muitos destes tornaram-se blocos de construção para os planetas posteriores. Outros não se tornaram parte de um planeta e ainda hoje orbitam o Sol, por exemplo como asteroides na cintura de asteroides.
Investigadores da ETH Zurique e do NCCR PlanetS (National Centre of Competence in Research PlanetS), em colaboração com uma equipa internacional, analisaram amostras de ferro dos núcleos de tais asteroides que aterraram na Terra como meteoritos. Ao fazê-lo, desvendaram parte da sua história inicial durante o tempo em que os planetas se formaram. Os seus resultados foram publicados na revista Nature Astronomy.
Impressão de artista do Sistema Solar primitivo à medida que a nebulosa solar começa a desaparecer, fazendo com que os asteroides acelerem e colidam.
Crédito: Tobias Stierli/flaeck
Testemunhas dos primórdios do Sistema Solar
"Estudos científicos anteriores mostraram que os asteroides no Sistema Solar permaneceram relativamente inalterados desde a sua formação, há milhares de milhões de anos atrás," explica Alison Hunt, autora do estudo e investigadora principal da ETH Zurique e do NCCR PlanetS. “São, portanto, um arquivo, no qual as condições do Sistema Solar primitivo estão preservadas", diz Hunt.
Mas para desbloquear este arquivo, os investigadores tiveram de preparar e examinar minuciosamente o material extraterrestre. A equipa obteve amostras de 18 diferentes meteoritos de ferro, que outrora faziam parte dos núcleos metálicos dos asteroides. Para realizar a sua análise, tiveram de dissolver as amostras para poderem isolar os elementos paládio, prata e platina para a sua análise detalhada. Com a ajuda de um espectrómetro de massa, mediram abundâncias de diferentes isótopos. Os isótopos são átomos distintos de determinados elementos que partilham todos o mesmo número de protões nos seus núcleos, mas variam no número de neutrões.
Nos primeiros milhões de anos do nosso Sistema Solar, os núcleos metálicos de asteroides foram aquecidos pelo decaimento radioativo dos isótopos. Quando começaram a arrefecer, um isótopo específico de prata produzido pelo decaimento radioativo começou a acumular-se. Medindo os atuais rácios de prata dentro dos meteoritos de ferro, os investigadores puderam determinar quando e quão rapidamente os núcleos de asteroides tinham arrefecido.
Os resultados mostraram que o arrefecimento foi rápido e provavelmente ocorreu devido a colisões graves noutros corpos, que quebraram o manto rochoso isolante dos asteroides e expuseram os seus núcleos metálicos ao frio do espaço. Embora o arrefecimento rápido tivesse sido indicado por estudos anteriores baseados em medições de isótopos de prata, a cronologia tinha permanecido dúbia.
"As nossas medições adicionais da abundância de isótopos de platina permitiram-nos corrigir as medições de isótopos de prata para distorções provocadas pela irradiação cósmica das amostras no espaço. Assim, conseguimos datar o momento das colisões com maior precisão do que nunca," relata Hunt. "E, para nossa surpresa, todos os núcleos de asteroides que examinámos tinham sido expostos quase simultaneamente, num período de tempo de 7,8 a 11,7 milhões de anos após a formação do Sistema Solar", diz a investigadora.
As colisões quase simultâneas dos diferentes asteroides indicaram à equipa que este período deve ter sido uma fase muito instável do Sistema Solar. "Tudo parece ter sido esmagado nessa altura," diz Hunt. "E nós queríamos saber porquê," acrescenta.
Uma das amostras de meteoritos de ferro que a equipa analisou.
Crédito: Aurelia Meister
Do laboratório à nebulosa solar
A equipa considerou causas diferentes ao combinar os seus resultados com os das mais recentes e sofisticadas simulações computorizadas do desenvolvimento do Sistema Solar. Juntas, estas fontes poderiam reduzir as explicações possíveis.
"A teoria que melhor explicava esta fase inicial energética do Sistema Solar indicava que ela era provocada principalmente pela dissipação da chamada nebulosa solar," explica Maria Schönbächler, coautora do estudo, membro do NCCR PlanetS e professora de Cosmoquímica na ETH Zurique. "Esta nebulosa solar é o remanescente de gás que sobrou da nuvem cósmica de onde o Sol nasceu. Durante alguns milhões de anos, ainda orbitou o jovem Sol até ser soprada pelos ventos solares e pela radiação," diz Schönbächler.
Enquanto a nebulosa ainda existia, abrandou os objetos em órbita do Sol no seu interior - semelhante à forma como a resistência do ar abranda um carro em movimento. Depois da nebulosa ter desaparecido, sugerem os investigadores, a falta de arrasto do gás permitiu que os asteroides acelerassem e colidissem uns com os outros - como carrinhos de choque em modo turbo.
"O nosso trabalho ilustra como as melhorias nas técnicas de medição em laboratório nos permitem inferir processos chave que tiveram lugar no Sistema Solar primitivo - como o tempo provável em que a nebulosa desapareceu. Planetas como a Terra ainda estavam no processo de nascer nessa altura. Em última análise, isto pode ajudar-nos a compreender melhor como nasceram os nossos próprios planetas, mas também nos dá uma visão sobre outros para lá do Sistema Solar", conclui Schönbächler.
Inteligência artificial revela matemática insuspeita subjacente à procura por exoplanetas
Algoritmos de inteligência artificial (IA), treinados em observações astronómicas reais, superaram agora o desempenho dos astrónomos na "peneiração" de grandes quantidades de dados para encontrar novas explosões estelares, identificar novos tipos de galáxias e detetar as fusões de estrelas massivas, acelerando o ritmo de novas descobertas na ciência mais antiga do mundo.
Mas a IA, também chamada de aprendizagem de máquina, pode revelar algo mais profundo, encontraram astrónomos da Universidade da Califórnia, em Berkeley: ligações insuspeitas escondidas na matemática complexa decorrente da relatividade geral - em particular, como essa teoria é aplicada à descoberta de novos planetas em torno de outras estrelas.
Impressão de artista de uma estrela parecida com o Sol (esquerda) e de um planeta rochoso cerca de 60% maior do que a Terra em órbita na zona habitável. As microlentes gravitacionais têm a capacidade de detetar tais sistemas planetários e de determinar as massas e distâncias orbitais, mesmo que o planeta propriamente dito seja demasiado ténue para ser visto.
Crédito: Centro Espacial Ames da NASA/JPL-Caltech/T. Pyle
Num artigo publicado esta semana na revista Nature Astronomy, os investigadores descrevem como um algoritmo de aprendizagem de máquina foi desenvolvido para detetar mais rapidamente os exoplanetas quando tais sistemas planetários passam em frente de uma estrela de fundo e a iluminam brevemente - um processo chamado microlente gravitacional - revelando que as teorias com décadas usadas agora para explicar estas observações estão lamentavelmente incompletas.
Em 1936, o próprio Albert Einstein utilizou a sua nova teoria da relatividade geral para mostrar como a luz de uma estrela distante pode ser "dobrada" pela gravidade de uma estrela de primeiro plano, não só a iluminando como vista da Terra, mas muitas vezes dividindo-a em vários pontos de luz ou distorcendo-a num anel, agora chamado anel de Einstein. Isto é semelhante à forma como uma lupa pode focar e intensificar a luz do Sol.
Mas quando o objeto em primeiro plano é uma estrela com um planeta, o aumento de brilho ao longo do tempo - a curva de luz - torna-se mais complicado. Além disso, existem frequentemente múltiplas órbitas planetárias que podem explicar igualmente bem uma dada curva de luz - as chamadas degenerações. Foi aí que os humanos simplificaram a matemática e perderam o panorama geral.
O algoritmo de inteligência artificial, contudo, apontou para uma forma matemática de unificar os dois principais tipos de degeneração na interpretação do que os telescópios detetam durante a microlente, mostrando que as duas "teorias" são realmente casos especiais de uma teoria mais ampla que, admitem os investigadores, é provável que ainda esteja incompleta.
"Um algoritmo de inferência de aprendizagem de máquina que desenvolvemos anteriormente levou-nos a descobrir algo novo e fundamental sobre as equações que governam o efeito relativista geral da distorção da luz por dois corpos massivos," escreveu Joshua Bloom num blog no ano passado quando colocou o artigo científico no servidor de pré-impressão, arXiv. Bloom é professor de astronomia na Universidade da Califórnia, em Berkeley, e presidente do departamento.
Ele comparou a descoberta feita pelo estudante Keming Zhang, da mesma universidade, com as ligações que a equipa de IA da Google, a DeepMind, fez recentemente entre duas áreas diferentes da matemática. Em conjunto, estes exemplos mostram que os sistemas de aprendizagem de máquina podem revelar associações fundamentais que os humanos falham em descobrir.
Visto da Terra, um sistema planetário movendo-se em frente de uma estrela de fundo ("source", direita) distorce a luz dessa estrela, fazendo-a brilhar até 10 ou 100 vezes mais. Uma vez que tanto a estrela como o exoplaneta do sistema "dobram" a luz da estrela de fundo, as massas e os parâmetros orbitais do sistema podem ser ambíguos. Um algoritmo de inteligência artificial desenvolvido por astrónomos da Universidade da Califórnia, em Berkeley, contornou esse problema, mas também apontou erros na forma como os astrónomos têm interpretado a matemática das microlentes gravitacionais.
Crédito: diagrama cortesia de Research Gate
"Defendo que constituem uma das primeiras, se não a primeira vez, que a IA foi usada para produzir diretamente novos conhecimentos teóricos na matemática e na astronomia," disse Bloom. "Tal como Steve Jobs sugeriu que os computadores poderiam ser as bicicletas da mente, temos procurado uma estrutura de inteligência artificial que servisse como um 'foguetão intelectual' para os cientistas."
"Isto é uma espécie de marco na IA e na aprendizagem de máquina," sublinhou o coautor Scott Gaudi, professor de astronomia na Universidade do Estado do Ohio e um dos pioneiros da utilização de microlentes gravitacionais na descoberta de exoplanetas. "O algoritmo de aprendizagem de máquina de Keming descobriu esta degeneração que tinha permanecido perdida por especialistas na matéria durante décadas. Isto é sugestivo de como a investigação irá decorrer no futuro quando for auxiliada pela aprendizagem de máquina, o que é realmente excitante."
Descobrindo exoplanetas com microlentes
Já foram descobertos mais de 5000 exoplanetas, planetas para lá do Sistema Solar, em torno de estrelas na Via Láctea, embora poucos tenham sido realmente vistos através de um telescópio - são demasiado fracos. A maioria foi detetada porque criam um efeito Doppler nos movimentos das suas estrelas hospedeiras ou porque escurecem ligeiramente a luz da estrela quando passam em frente dela - trânsitos que foram o foco da missão Kepler da NASA. Pouco mais de 100 foram descobertos por uma terceira técnica, microlentes.
Um dos principais objetivos do Telescópio Espacial Nancy Grace Roman da NASA, com lançamento previsto para 2027, é descobrir mais milhares de exoplanetas através de microlentes. A técnica tem uma vantagem sobre as técnicas de velocidade radial e de trânsito na medida em que pode detetar planetas de baixa massa, incluindo os do tamanho da Terra, que estão longe das suas estrelas, a uma distância equivalente à de Júpiter ou Saturno no nosso Sistema Solar.
Bloom, Zhang e colegas decidiram, há dois anos, desenvolver um algoritmo de IA para analisar mais rapidamente os dados de microlentes a fim de determinar as massas estelares e planetárias destes sistemas e as distâncias a que os exoplanetas orbitam as suas estrelas. Tal algoritmo aceleraria a análise das prováveis centenas de milhares de eventos que o Telescópio Roman detetará para encontrar os 1% ou menos que são provocados pelos sistemas exoplanetários.
No entanto, um problema que os astrónomos encontram é que o sinal observado pode ser ambíguo. Quando uma estrela solitária em primeiro plano passa em frente de uma estrela de fundo, o brilho das estrelas de fundo sobe suavemente até um pico e depois cai simetricamente até ao seu brilho original. É fácil de compreender matematicamente e observacionalmente.
Mas se a estrela em primeiro plano tiver um planeta, o planeta cria um pico de luminosidade separado dentro do pico provocado pela estrela. Ao tentar reconstruir a configuração orbital do exoplaneta que produziu o sinal, a relatividade geral permite muitas vezes duas ou mais das chamadas soluções degeneradas, todas elas capazes de explicar as observações.
Este infográfico explica a curva de luz que os astrónomos detetam ao visualizar um evento de microlente, e a assinatura de um exoplaneta: uma subida adicional no brilho quando o exoplaneta atua como lente sobre a estrela de fundo.
Crédito: NASA/ESA/K. Sahu/STScI
Até à data, os astrónomos têm geralmente lidado com estas degenerações de formas simplistas e artificialmente distintas, disse Gaudi. Se a luz da estrela distante passar perto da estrela em primeiro plano, as observações podem ser interpretadas como uma órbita larga ou próxima do planeta - uma ambiguidade que os astrónomos podem muitas vezes resolver com outros dados. Um segundo tipo de degeneração ocorre quando a luz estelar de fundo passa perto do planeta. Neste caso, contudo, as duas soluções diferentes para a órbita planetária são geralmente apenas ligeiramente diferentes.
Segundo Gaudi, estas duas simplificações da microlente gravitacional de dois corpos são normalmente suficientes para determinar as verdadeiras massas e distâncias orbitais. De facto, num artigo publicado no ano passado, Zhang, Bloom, Gaudi e dois outros coautores da Universidade da Califórnia, em Berkeley, a professora de astronomia Jessica Lu e a estudante Casey Lam, descreveram um novo algoritmo de IA que não se baseia de todo no conhecimento destas interpretações. O algoritmo acelera em muito a análise de observações de microlentes, fornecendo resultados em milissegundos, em vez de dias, reduzindo drasticamente o tempo de processamento.
Zhang testou então o novo algoritmo de IA em curvas de luz de microlentes de centenas de possíveis configurações orbitais de estrelas e exoplanetas e notou algo invulgar: existiam outras ambiguidades que as duas interpretações não tinham em conta. Concluiu que as interpretações comummente utilizadas de microlente eram, de facto, apenas casos especiais de uma teoria mais ampla que explica toda a variedade de ambiguidades em eventos de microlente.
"As duas teorias anteriores de degeneração tratam de casos em que a estrela de fundo parece passar perto da estrela em primeiro plano ou do planeta em primeiro plano," disse Zhang. "O algoritmo de IA mostrou-nos centenas de exemplos não só destes dois casos, mas também situações em que a estrela de fundo não passa perto nem da estrela nem do planeta em primeiro plano e não podem ser explicadas por nenhuma das teorias anteriores. Isso foi fundamental para nós, ao propormos a nova teoria unificadora."
Gaudi permaneceu cético ao início, mas aceitou as conclusões depois de Zhang ter produzido muitos exemplos em que as duas teorias anteriores não encaixavam nas observações e a nova teoria encaixava. Zhang olhou realmente para os dados de duas dúzias de artigos anteriores que relatavam a descoberta de exoplanetas através de microlentes e descobriu que, em todos os casos, a nova teoria encaixava melhor nos dados do que as teorias anteriores.
"As pessoas estavam a ver estes eventos de microlente, que na realidade estavam a exibir esta nova degeneração mas não perceberam," disse Gaudi. "Foi só mesmo quando a aprendizagem de máquina analisou milhares de eventos que se tornou impossível de não perceber."
Zhang e Gaudi submeteram um novo artigo científico que descreve rigorosamente a nova matemática baseada na relatividade geral e que explora a teoria em situações de microlentes em que mais do que um exoplaneta orbita a estrela em primeiro plano.
A nova teoria torna tecnicamente mais ambígua a interpretação das observações de microlentes, uma vez que existem mais soluções degeneradas para descrever as observações. Mas a teoria também demonstra claramente que a observação do mesmo evento de microlente a partir de duas perspetivas - da Terra e em órbita pelo Telescópio Espacial Roman, por exemplo - vai tornar mais fácil a determinação correta das órbitas e massas. É isso que os astrónomos planeiam atualmente fazer, disse Gaudi.
"A inteligência artificial sugeriu uma forma de olhar para a equação da lente sob uma nova luz e descobrir algo realmente profundo sobre a matemática da mesma," disse Bloom. "A inteligência artificial está a emergir não só como este tipo de ferramenta bruta na nossa caixa de ferramentas, mas como algo que na realidade é bastante inteligente. Ao lado de um perito como Keming, os dois foram capazes de fazer algo bastante fundamental."
O centro da Nebulosa da Lagoa é um redemoinho de espetacular formação estelar. Visíveis perto do centro da imagem, pelo menos duas longas nuvens em forma de funil, cada uma com cerca de meio ano-luz, foram formadas por ventos estelares extremos e luz estelar intensa e energética. Uma estrela vizinha tremendamente brilhante, Herschel 36, ilumina a área. Vastas paredes de poeira escondem e ruborizam outras estrelas jovens e quentes. À medida que a energia destas estrelas se deposita na poeira fria e no gás, grandes diferenças de temperatura em regiões adjacentes podem ser criadas gerando ventos velozes que formam os funis. Esta imagem, que abrange cerca de 10 anos-luz, combina imagens obtidas em seis cores pelo Telescópio Espacial Hubble em órbita. A Nebulosa da Lagoa, também conhecida como M8, situa-se a cerca de 5000 anos-luz na direção da constelação de Sagitário.
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