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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
  Astroboletim #1948  
  08/11 a 10/11/2022  
     
 

Apresentação às Estrelas | Cometa do Ano Novo
Data: 10 de novembro de 2022
Hora: 18:30-20:30
Esta noite falaremos sobre cometas, para chamar a atenção para o "C/2022 E3 (ZTF)", que estará no céu antes do nascer-do-Sol, entre dezembro e janeiro especialmente. Após esta breve apresentação, e se a meteorologia o permitir, faremos observação noturna com telescópio.
Adulto: 4€
Jovem: 2€
Menores de 12 anos: gratuito.
A observação astronómica depende de condições meteorológicas favoráveis.
Inscrições obrigatórias (info@ccvalg.pt)
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
     
 

Noites Astronómicas em Tavira
Data: 11 de novembro de 2022
Hora: 19:30
Nesta noite realiza-se uma sessão astronómica no Forte do Rato pelas 19h30. Teremos a oportunidade de observar as luas de Júpiter através de um telescópio. A inscrição é gratuita mas obrigatória e o número de participantes é limitado.
Participe!
Local: Forte do Rato
INSCRIÇÃO OBRIGATÓRIA (a realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas e está sujeita a um número mínimo e máximo de participantes).
Informações e inscrições:
281 326 231 | 924 452 528
E-mail: geral@cvtavira.pt

 
     
 
Efemérides

Dia 08/11: 312.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1656 nascia Edmond Halley (no calendário juliano corresponde a 29 de outubro).

Halley foi um cientista inglês que usou a sua teoria das órbitas cometárias para calcular que o cometa de 1682 (Cometa Halley) era periódico e encorajou Isaac Newton a publicar a sua famosa obra de cálculo, gravidade, e das leis da gravidade. Também descobriu em 1718 que algumas das estrelas "fixas" (SiriusAldebarãBetelgeuse
Arcturo) na realidade tinham o que se chama de "movimento próprio", o que significa que não estão estacionárias ("fixas"). Pensava-se que as estrelas estavam fixas no céu desde a compilação da obra "Almagest" de Ptolomeu.
Em 1895, enquanto fazia experiências com eletricidade, Wilhelm Röntgen descobre os raios-X
Em 1984, lançamento da missão STS-51-A, do vaivém Discovery.
Em 2011, o asteroide potencialmente perigoso 2005 YU55 passa a 0,85 distâncias lunares da Terra (cerca de 324.600 km), a maior aproximação conhecida de um asteroide do seu brilho desde 2010 XC15 em 1976.
Observações: Lua Cheia, pelas 11:02.

Dia 09/11: 313.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1934 nascia Carl Sagan.

Carl Sagan começou a sua carreira na ciência da vida no Universo como assistente do prémio Nobel da medicina H. J. Muller nos anos 50. Conhecedor, tanto de Astronomia como de Biologia, as suas contribuições para o estudo da ciência planetária são a fundação da pesquisa atual. "Cosmos", a série televisiva original, ganhou vários prémios Emmy e Peabody. O livro, foi o livro científico mais vendido de sempre. O seu romance "Contacto" foi trazido para o cinema através da Warner Bros. Teve um papel fundamental nas sondas MarinerViking e Voyager, pelas quais recebeu a medalha de Feito Científico Excecional da NASA (duas vezes) e a medalha de Notável Seviço Público. Cofundador da Sociedade Planetária. Dr. Sagan recebeu o prémio Pulitzer, a medalha Oersted e muitos outros prémios - incluindo dezoito graduações de colégios e Universidades americanas - pelas suas contribuições à Ciência, literatura, educação e conservação do ambiente. Sagan teve o título de Professor David Duncan de Astronomia e Ciências Espaciais e foi diretor do Laboratório de Estudos Planetários na Universidade de Cornell. O prémio Masursky da Sociedade Astronómica Americana cita "as suas extraordinárias contribuições no desenvolvimento da ciência planetária". Morreu a 20 de dezembro de 1996. Hoje faria 87 anos.
Em 1967, a NASA lança a nave não-tripulada Apollo 4, no topo do primeiro foguetão Saturno V.
Em 2005, lançamento da missão europeia Venus Express
Observações: A Lua, pouco mais de um dia após a fase Cheia, nasce pelas 18:00 e brilha a este depois do cair da noite. Assim que esteja razoavelmente alta, procure as Plêiades logo para cima (binóculos ajudam a ver no luar), Aldebarã está para baixo e a brilhante Capella a dois ou três punhos à distância do braço esticado para a esquerda.
Marte também se encontra a dois ou três punhos à distância do braço esticado para baixo e para a esquerda do nosso satélite natural.

Dia 10/11: 314.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1695, nascia John Bevis, médico e astrónomo inglês, conhecido por ter descoberto a Nebulosa do Caranguejo em 1731.
Em 1970 era lançada a sonda lunar Lunokhod 1.

Em 2008, após mais de cinco meses em Marte, a NASA declara a missão Phoenix como terminada depois da perda de comunicações com o "lander".
Observações: Já estamos quase a meio de novembro, e Deneb ainda brilha perto do zénite ao anoitecer. E a mais brilhante Vega não está muito longe, para oeste. E a terceira estrela do Triângulo de "Verão", Altair, permanece muito alta a sudoeste. Parecem estar mais ou menos por aqui há um par de meses! Porque é que "pararam"?
O que está a ver é o resultado do nascer-do-Sol e do anoitecer chegarem cada vez mais cedo durante o outono. O que significa que se sair à rua para observar as estrelas, pouco depois do anoitecer, estará a fazê-lo cada vez mais cedo, de acordo com os ponteiros do relógio. Isto contraria a viagem para oeste das constelações. Se se habituar a fazer as suas observações astronómicas sempre à mesma hora, as constelações teriam sempre o comportamento habitual.
Claro que este "efeito do Triângulo de Verão" aplica-se a toda a esfera celeste, não apenas ao Triângulo de Verão. Claro, como sempre no que respeita à mecânica celeste, o efeito oposto faz o avanço sazonal das constelações parecer "acelerar" na primavera. Os marcos primaveris de Virgem e Corvo vão mover-se para oeste semana a semana antes que nos apercebamos, graças à escuridão que vem mais tarde. Podemos chamar a este efeito de "efeito de Corvo".

 
 
   
Astrónomos confirmam, inequivocamente, o buraco negro mais próximo da Terra

Os astrónomos que utilizam o Observatório Gemini, operado pelo NOIRLab (National Optical-Infrared Astronomy Research Laboratory) da NSF (National Science Foundation), descobriram o buraco negro mais próximo da Terra. Esta é a primeira deteção inequívoca de um buraco negro de massa estelar dormente na Via Láctea. A sua proximidade da Terra, a apenas 1600 anos-luz de distância, fornece um intrigante alvo de estudo para o avanço da nossa compreensão da evolução dos sistemas binários.

 
Impressão de artista do buraco negro mais próximo da Terra e da sua estrela companheira, semelhante ao Sol.
Crédito: Observatório Internacional Gemini/NOIRLab/NSF/AURA/J. da Silva/Spaceengine/M. Zamani
 

Os buracos negros são os objetos mais extremos do Universo. As versões supermassivas destes objetos inimaginavelmente densos residem provavelmente nos centros de todas as grandes galáxias. Os buracos negros de massa estelar - que têm aproximadamente entre cinco a 100 vezes a massa do Sol - são muito mais comuns, com uma estimativa de 100 milhões só na Via Láctea. No entanto, apenas um punhado foi confirmado até à data e quase todos eles são "ativos" - o que significa que brilham em raios-X à medida que consomem material de uma companheira estelar próxima, ao contrário dos buracos negros adormecidos que não o fazem.

Os astrónomos que utilizam o telescópio Gemini North no Hawaii, um dos telescópios gémeos que perfazem o Observatório Gemini, operado pelo NOIRLab da NSF, descobriram o buraco negro mais próximo da Terra, que os investigadores apelidaram de Gaia BH1. Este buraco negro inativo é cerca de 10 vezes mais massivo do que o Sol e está localizado a cerca de 1600 anos-luz de distância na direção da constelação de Ofiúco, tornando-o três vezes mais próximo da Terra do que o anterior detentor do recorde, um binário de raios-X na direção da constelação de Unicórnio. A nova descoberta foi possível através de observações requintadas do movimento da companheira do buraco negro, uma estrela parecida com o Sol que orbita o buraco negro aproximadamente à mesma distância que a Terra orbita o Sol.

"Pegamos no Sistema Solar, pomos um buraco negro onde o Sol está, e o Sol onde a Terra está, e obtemos este sistema", explicou Kareem El-Badry, astrofísico do Centro para Astrofísica | Harvard & Smithsonian e do Instituto Max Planck para Astronomia, autor principal do artigo científico que descreve esta descoberta. "Embora tenham sido reivindicadas muitas deteções de sistemas como este, quase todas estas descobertas foram posteriormente refutadas. Esta é a primeira deteção inequívoca de uma estrela parecida com o Sol numa ampla órbita em torno de um buraco negro de massa estelar na nossa Galáxia".

Embora existam provavelmente milhões de buracos negros de massa estelar a vaguear pela Via Láctea, os poucos que foram detetados foram descobertos devido às suas interações energéticas com uma estrela companheira. À medida que o material de uma estrela próxima espirala em direção ao buraco negro, torna-se sobreaquecido e gera poderosos raios-X e jatos de material. Se um buraco negro não se alimenta ativamente (ou seja, está adormecido), ele simplesmente esconde-se no ambiente.

"Tenho procurado buracos negros adormecidos ao longo dos últimos quatro anos usando uma vasta gama de conjuntos de dados e métodos", disse El-Badry. "As minhas tentativas anteriores - bem como as de outros - deram origem a uma coleção de sistemas binários que se disfarçam de buracos negros, mas esta é a primeira vez que a investigação deu frutos".

A equipa identificou originalmente o sistema como potencialmente anfitrião de um buraco negro através da análise de dados da nave espacial Gaia da ESA. O observatório Gaia captou as minúsculas irregularidades no movimento da estrela provocadas pela gravidade de um objeto massivo e invisível. Para explorar o sistema com mais detalhe, El-Badry e a sua equipa voltaram-se para o instrumento GMOS (Gemini Multi-Object Spectrograph) no Gemini North, que mediu a velocidade da estrela companheira em órbita do buraco negro e forneceu uma medição precisa do seu período orbital. As observações de acompanhamento do Gemini foram cruciais para restringir o movimento orbital e, consequentemente, as massas dos dois componentes do sistema binário, permitindo à equipa identificar o corpo central como um buraco negro cerca de 10 vezes mais massivo do que o nosso Sol.

"As nossas observações de acompanhamento, com o Gemini, confirmaram, sem qualquer dúvida, que o binário contém uma estrela normal e pelo menos um buraco negro adormecido", elaborou El-Badry. "Não conseguimos encontrar nenhum cenário astrofísico plausível que possa explicar a órbita observada do sistema que não envolva pelo menos um buraco negro".

A equipa contou não só com as soberbas capacidades observacionais do Gemini North, mas também com a capacidade do Gemini em fornecer dados num prazo apertado, uma vez que a equipa dispunha apenas de uma pequena janela temporal para realizar as suas observações de acompanhamento.

"Quando obtivemos as primeiras indicações de que o sistema continha um buraco negro, tivemos apenas uma semana antes de os dois objetos se encontrarem na menor separação nas suas órbitas. As medições neste ponto são essenciais para fazer estimativas precisas de massa num sistema binário", disse El-Badry. "A capacidade do Gemini de fornecer observações num curto espaço de tempo foi fundamental para o sucesso do projeto. Se tivéssemos perdido aquela janela de tempo, teríamos de esperar mais um ano".

Os modelos atuais dos astrónomos sobre a evolução dos sistemas binários têm dificuldade em explicar como a peculiar configuração do sistema Gaia BH1 pode ter surgido. Especificamente, a estrela progenitora que mais tarde se transformou no buraco negro recentemente detetado teria sido pelo menos 20 vezes mais massiva do que o nosso Sol. Isto significa que teria vivido apenas alguns milhões de anos. Se ambas as estrelas se formaram ao mesmo tempo, esta estrela massiva ter-se-ia transformado rapidamente numa supergigante, inchando e engolindo a outra estrela antes de esta ter tido tempo de se tornar uma estrela normal de sequência principal, que queima hidrogénio, como o nosso Sol.

Não é de todo claro como a estrela de massa solar pode ter sobrevivido a esse episódio, acabando como uma estrela aparentemente normal, como indicam as observações do binário que alberga o buraco negro. Dos modelos teóricos que permitem a sobrevivência, todos preveem que a estrela de massa solar deveria ter acabado numa órbita muito mais íntima do que a atualmente observada.

Isto pode indicar que existem importantes lacunas na nossa compreensão de como os buracos negros se formam e evoluem nos sistemas binários e também sugere a existência de uma população ainda não explorada de buracos negros dormentes em binários.

"É interessante que este sistema não seja facilmente acomodado por modelos padrão de evolução binária", concluiu El-Badry. "Coloca muitas questões sobre como este sistema binário foi formado, bem como sobre quantos destes buracos negros adormecidos existem por aí".

"Como parte de uma rede de observatórios espaciais e terrestres, o Gemini North não só forneceu evidências forte do buraco negro mais próximo até à data, mas também do primeiro sistema imaculado com buraco negro, desobstruído do habitual gás quente que interage com o objeto", disse Martin Still, do Programa Gemini para a NSF. "Embora isto possa augurar futuras descobertas da população prevista de buracos negros adormecidos na nossa Galáxia, as observações também deixam um mistério por resolver - apesar de uma história partilhada com o seu vizinho exótico - porque é que a estrela companheira neste sistema binário é tão normal?"

 


Adenda pelo CCVAlg - Astronomia: a notícia publicada no passado dia 21 de outubro de 2022, "Investigadores descobrem novo buraco negro 'praticamente no nosso quintal'", diz respeito à descoberta do mesmo alvo. Como podemos constatar ao consultar os artigos científicos das duas notícias, o objeto está catalogado como Gaia DR3 4373465352415301632 em ambos, sendo que no artigo científico desta notícia mais recente os astrónomos decidem passar a referi-lo como Gaia BH1). Em resumo, duas equipas independentes alcançaram o mesmo resultado.


 

// Observatório Gemini (comunicado de imprensa)
// NOIRLab (comunicado de imprensa)
// Centro para Astrofísica | Harvard & Smithsonian (comunicado de imprensa)
// Instituto Max Planck para Astronomia (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)
// Artigo científico (arXiv.org)
// Uma estrela parecida com o Sol em órbita do buraco negro mais próximo da Terra (NOIRLab via YouTube)

 


Saiba mais

CCVAlg - Astronomia:
21/10/2022 - Investigadores descobrem novo buraco negro "praticamente no nosso quintal"

Notícias relacionadas:
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Público
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Observador

Buracos negros:
Wikipedia
Buraco negro de massa estelar (Wikipedia)

Observatório Gemini:
Página principal
Wikipedia

Gaia:
ESA
ESA - 2
Gaia/ESA
Programa Alertas de Ciência Fotométrica do Gaia
Catálogo DR3 do Gaia

 
   
IXPE revela forma e orientação de matéria quente em torno de buraco negro

Cygnus X-1, descoberto em 1964, foi o primeiro objeto cósmico alguma vez identificado como contendo um buraco negro. Agora, telescópios da NASA juntaram-se para revelar novos detalhes sobre a configuração da matéria quente em torno deste famoso buraco negro.

Num novo estudo publicado na revista Science, os astrónomos que utilizam os dados da missão IXPE (Imaging X-Ray Polarimetry Explorer) da NASA descobriram que o fluxo de matéria em direção ao disco do buraco negro encontra-se mais de lado do que se pensava anteriormente, o que significa que a orla do disco estará mais apontada em direção à Terra do que se esperava.

 
Esta ilustração mostra o sistema Cygnus X-1, localizado a mais de 6000 anos-luz da Terra. O buraco negro está no centro e a sua estrela companheira à esquerda. A imensa gravidade do buraco negro retira material da estrela, formando um disco chamado "disco de acreção" em torno do objeto exótico.
Crédito: John Paice
 

O IXPE, uma colaboração internacional entre a NASA e a Agência Espacial Italiana, possui a capacidade especial de olhar para a polarização dos raios-X. A polarização é uma propriedade da luz que nos diz mais sobre os campos elétricos e magnéticos interligados que compõem todos os comprimentos de onda da luz. A orientação e organização destes campos dá aos cientistas informações valiosas sobre objetos extremos como Cygnus X-1, tais como a forma como as partículas são aceleradas à sua volta.

Uma das fontes de raios-X mais brilhantes da nossa Galáxia, Cygnus X-1 contém um buraco negro com 21 vezes a massa do Sol. O buraco negro está em órbita com uma estrela companheira que tem o equivalente em massa a 41 sóis.

A matéria é aquecida a milhões de graus à medida que é puxada para o buraco negro. Esta matéria quente brilha em raios-X. Os investigadores estão a usar medições da polarização destes raios-X para testar e refinar modelos que descrevem como os buracos negros engolem a matéria, tornando-se algumas das fontes de luz mais luminosas - incluindo raios-X - no Universo.

"Observações anteriores, em raios-X, de buracos negros apenas mediram a direção de chegada, a hora de chegada e a energia dos raios-X a partir do plasma quente que espirala em direção aos buracos negros", disse Henric Krawczynski, professor de física na Universidade de Washington em St. Louis e do Centro para Ciências Espaciais da mesma instituição de ensino. "O IXPE também mede a sua polarização linear, que transporta informação sobre como os raios-X foram emitidos - e se, e para onde, dispersam o material perto do buraco negro".

Os cientistas observaram que uma melhor compreensão da geometria do plasma em torno de um buraco negro pode revelar mais sobre o funcionamento interno dos buracos negros e da forma como acretam massa.

"Estes novos conhecimentos vão permitir melhores estudos, em raios-X, de como a gravidade curva o espaço e o tempo perto dos buracos negros", disse Krawczynski.

O horizonte de eventos de um buraco negro é o limite para além do qual nenhuma luz, nem mesmo os raios-X, conseguem escapar. Os raios-X detetados com o IXPE são emitidos pela matéria quente, ou plasma, numa região com 2000 km de diâmetro em redor do horizonte de eventos com 60 quilómetros de diâmetro do buraco negro.

O IXPE observou Cygnus X-1 de 15 a 21 de maio de 2022. A combinação dos dados do IXPE com observações simultâneas dos observatórios NICER (Neutron star Interior Composition Explorer) e NuSTAR (Nuclear Spectroscopic Telescope Array) da NASA em maio e junho de 2022 permitiu aos autores restringir a geometria - ou seja, a forma e localização - do plasma.

Os investigadores descobriram que o plasma estende-se perpendicularmente a um fluxo com dois lados, em forma de lápis, ou jato, observado em observações rádio anteriores. O alinhamento da direção da polarização dos raios-X e do jato apoia fortemente a hipótese de que os processos na região brilhante perto do buraco negro desempenham um papel crucial no lançamento do jato.

As observações correspondem a modelos que preveem que o anel de plasma quente, de nome "coroa", ou "sanduicha" o disco de matéria que espirala para o buraco negro ou substitui a porção interna desse disco. Os novos dados de polarização excluem modelos em que a coroa do buraco negro é uma coluna ou cone estreito de plasma ao longo do eixo do jato.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Universidade de Washington em St. Louis (comunicado de imprensa)
// Universidade de Turku (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Science)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Saiba mais

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Cygnus X-1:
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Buracos negros:
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Buraco negro de massa estelar (Wikipedia)

IXPE:
NASA
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NICER:
NASA
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NuSTAR:
NASA
Caltech
Wikipedia

 
   
Novo estudo cometário fornece uma visão sobre a composição química do Sistema Solar primitivo

Um novo estudo da Universidade da Flórida Central descobriu fortes evidências de que a emissão de moléculas dos cometas pode ser o resultado da composição do início do nosso Sistema Solar.

Os resultados foram publicados na revista The Planetary Science Journal.

O estudo foi liderado por Olga Harrington Pinto, candidata a doutoramento no Departamento de Física da mesma universidade.

 
Esta imagem, pelo WISE (Wide-field Infrared Survey Explorer) da NASA, mostra o cometa 65/P Gunn. Para este estudo, a investigadora compilou as quantidades de água, dióxido de carbono e monóxido de carbono de 25 cometas para testar as previsões de formação e evolução do Sistema Solar.
Crédito: NASA
 

A medição da proporção de certas moléculas presentes após a emissão de gases dos cometas pode fornecer conhecimentos sobre a composição química dos primeiros sistemas solares e do processamento físico dos cometas após a sua formação, diz Harrington Pinto. A libertação de gases ocorre quando os cometas, que são pequenos corpos de poeira, rocha e gelo no Sistema Solar, aquecem.

Como parte da sua investigação, Harrington Pinto compilou as quantidades de água, dióxido de carbono e monóxido de carbono de 25 cometas para testar as previsões da formação e evolução do Sistema Solar.

Isto permitiu o estudo de quase o dobro dos dados de monóxido de carbono/dióxido de carbono cometários. As medições vieram de uma variedade de publicações científicas. Ela combinou cuidadosamente os dados obtidos com diferentes telescópios e diferentes equipas de investigação quando as medições eram simultâneas e pôde confirmar que os dados estavam todos bem calibrados.

"Um dos resultados mais interessantes é que cometas muito longe do Sol com órbitas na nuvem de Oort que nunca, ou só raramente, orbitaram perto do Sol, foram vistos a produzir mais CO2 do que CO na sua cabeleira, enquanto que cometas que fizeram muitas mais viagens perto do Sol comportam-se de forma oposta", disse Harrington Pinto. "Isto nunca tinha sido visto de forma conclusiva antes".

"Curiosamente, os dados são consistentes com as previsões de que os cometas que têm permanecido muito longe do Sol, na nuvem de Oort, podem ter sido bombardeados por raios cósmicos na sua superfície de tal forma que criaram uma camada externa pobre em CO", explicou Harrington Pinto. "Depois da sua primeira ou segunda viagem perto do Sol, esta camada exterior processada é arrancada pelo Sol, revelando uma composição muito mais pura, que liberta muito mais CO".

A investigadora diz que o próximo passo do trabalho é analisar as primeiras observações de centauros que a sua equipa fez com o Telescópio Espacial James Webb a fim de medir diretamente o monóxido de carbono e dióxido de carbono e assim comparar os resultados com este estudo.

// Universidade da Flórida Central (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Planetary Science Journal)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Saiba mais

Cometas:
Wikipedia
NASA

Formação e evolução do Sistema Solar:
Wikipedia

 
   
Também em destaque
  Como o Telescópio Roman da NASA vai procurar explosões gigantescas (via NASA)
O que é que acontece quando as estrelas mais densas e massivas - que também são muito pequenas - colidem? Elas libertam explosões brilhantes conhecidas como quilonovas. Pensemos nestes eventos como o fogo-de-artifício do Universo. Os teóricos suspeitam que ocorrem periodicamente em todo o cosmos - tanto perto como longe. Os cientistas terão em breve um observatório adicional para ajudar a acompanhar e até mesmo examinar estes eventos notáveis: O Telescópio Espacial Nancy Grace Roman da NASA, cujo lançamento está previsto para maio de 2027. Ler fonte
 
   
Álbum de fotografias - M33: A Galáxia do Triângulo
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Processamento - Robert Gendler; Dados - Arquivo do Legado HubbleKPNONOIRLabNSFAuraRobert Gendler
 
A pequena constelação norte do Triângulo abriga esta espantosa galáxia espiral, M33. Entre os seus nomes populares destacam-se Galáxia do Cata-vento e Galáxia do Triângulo. M33 mede mais de 50.000 anos-luz em diâmetro e é a terceira maior galáxia do Grupo Local, a seguir à Galáxia de Andrómeda (M31) e à nossa Via Láctea. A cerca de 3 milhões de anos-luz da nossa Galáxia, pensa-se que a própria M33 seja uma galáxia satélite da Galáxia de Andrómeda e quaisquer astrónomos que se encontrassem nestas duas galáxias muito provavelmente teriam vistas espetaculares dos sistemas estelares espirais uma da outra. No que diz respeito à vista a partir da Via Láctea, esta imagem nítida combina dados de telescópios espaciais e no solo para mostrar os enxames azulados e regiões cor-de-rosa de formação estelar ao longo dos braços espirais de M33. De facto, a cavernosa NGC 604 é a região de formação estelar mais brilhante, vista aqui na posição da 1 hora a partir do centro da galáxia. Tal como M31, a bem-medida população de estrelas variáveis de M33 tem ajudado a fazer deste nosso vizinho galáctico uma espécie de "régua cósmica" para estabelecer a escala de distâncias do Universo.
 
   
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