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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
  Astroboletim #1950  
  15/11 a 17/11/2022  
     
 

Apresentação às Estrelas | Quando acaba este ano?
Data: 7 de dezembro de 2022
Hora: 18:30-20:30
Por que é que não se chama ao mês 12 Dozembro? Esta e outras curiosidades anuais estarão em destaque na apresentação, que será seguida de observação noturna com telescópio se a meteorologia o permitir.
Adulto: 4€
Jovem: 2€
Menores de 12 anos: gratuito.
A observação astronómica depende de condições meteorológicas favoráveis.
Inscrições obrigatórias (info@ccvalg.pt)
Pré-inscrições válidas até às 17:00 do dia anterior à realização da atividade. Após a hora referida o lugar pode não ser garantido.
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
     
 
Efemérides

Dia 15/11: 319.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1738, nascia William Herschel.

Foi o primeiro astrónomo a fazer observações sistemáticas do espaço para além do nosso Sistema Solar.
Descobriu Úrano (1781), o movimento do Sol na Via Láctea (1785), a companheira do binário de Castor (1804, e de acordo com as leis de Kepler) e a radiação infravermelha. Herschel também descobriu muitos enxamesnebulosas
galáxias enquanto observava o céu noturno e compilou catálogos cujos dados básicos são ainda hoje utilizados.
Em 1966, a Gemini 12 regressa à Terra caindo no Atlântico em segurança.
Em 1988, a União Soviética lança o seu primeiro e último vaivém espacial, o Buran.
Em 1990, o vaivém espacial Atlantis é lançado na missão STS-38.
Observações: Com a Lua já ausente das primeiras horas do céu noturno, tire vantagem destas noites escuras para explorar as galáxias dentro do canto noroeste do Grande Quadrado de Pégaso - magnitudes 11 a 13 - usando um telescópio com 6 polegadas ou maior. Para um maior desafio e um telescópio mais potente, tente o enxame galáctico Abell 194, na constelação de Baleia (Cetus).

Dia 16/11: 320.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1852, o astrónomo inglês John Russell Hind descobre o asteroide 22 Kalliope.
Em 1965, lançamento da sonda soviética Venera 3, cujo objetivo era estudar a atmosfera de Vénus. As comunicações falharam mesmo antes da entrada na atmosfera. Colidiu com Vénus.
Em 1973, a NASA lança o Skylab 4 com uma tripulação de 3 astronautas, numa missão com a duração de 84 dias.

Em 1974, a nova superfície do rádio-telescópio gigante de 1000 pés em Arecibo, Porto Rico, dedica-se ao envio de uma breve mensagem na direção do enxame globular M13, a uns 25.000 anos-luz de distância. A mensagem chegará a espaço vazio pois o enxame terá, entretanto, mudado de posição.
Observações: Lua em Quarto Minguante, pelas 13:27.
A Lua nasce pouco depois das 23 horas. Assim que esteja razoavelmente alta, procure a "foice" de Leão para a sua esquerda e para baixo. A Lua forma um triângulo equilátero com as duas estrelas mais brilhantes da "foice" de Leão: Régulo para baixo do nosso satélite natural e Gamma Leonis (Algieba) para baixo e para a esquerda da Lua.

Dia 17/11: 321.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1970, a União Soviética aterra o Lunokhod 1 em Mare Imbrium, na Lua. É o primeiro robô controlado remotamente a aterrar noutro mundo, transportado pela Luna 17.

Observações: Pico da chuva de meteoros das Leónidas. A luz da Lua vai interferir com as observações.

 
 
   
A morte de uma estrela revela um buraco negro de massa intermédia escondido numa galáxia anã

Um buraco negro de massa intermédia, escondido numa galáxia anã, revelou-se aos astrónomos quando devorou uma estrela azarada que se aproximou demasiado. A destruição da estrela, um evento de perturbação de marés, produziu um surto de radiação que brilhou, por breves instantes, mais do que a luz estelar combinada da galáxia anã hospedeira. O evento poderá ajudar os cientistas a compreender melhor as relações entre os buracos negros e as galáxias.

A erupção foi capturada por astrónomos com o YSE (Young Supernova Experiment), um levantamento concebido para detetar explosões cósmicas e eventos astrofísicos transientes. Uma equipa internacional liderada por cientistas da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, do Instituto Niels Bohr da Universidade de Copenhaga e da Universidade do Estado de Washington relatou a descoberta num artigo publicado no dia 10 de novembro na revista Nature Astronomy.

 
Os astrónomos descobriram uma estrela a ser dilacerada por um buraco negro na galáxia SDSS J152120.07+140410.5, a 850 milhões de anos-luz da Terra. Os investigadores apontaram o Telescópio Espacial Hubble da NASA para examinar o rescaldo, um evento a que chamaram AT 2020neh, visto no centro da imagem. A câmara ultravioleta do Hubble viu um anel de estrelas a formar-se em torno do núcleo da galáxia onde AT 2020neh está localizado.
Crédito: NASA, ESA, Ryan Foley/Universidade da Califórnia em Santa Cruz
 

"Esta descoberta criou uma excitação generalizada porque podemos usar eventos de perturbação de marés não só para encontrar mais buracos negros de massa intermédia em galáxias anãs silenciosas, mas também para medir as suas massas", disse o coautor Ryan Foley, professor assistente de astronomia e astrofísica na Universidade da Califórnia em Santa Cruz, que ajudou a planear o levantamento YSE.

A primeira autora, Charlotte Angus do Instituto Niels Bohr, disse que as conclusões da equipa fornecem uma base para futuros estudos de buracos negros de massa intermédia.

"O facto de termos conseguido capturar este buraco negro de massa intermédia enquanto devorava uma estrela forneceu-nos uma oportunidade notável de detetar o que de outra forma teria ficado escondido", disse Angus. "Além disso, podemos utilizar as propriedades do próprio surto para melhor compreender este grupo elusivo de buracos negros de massa intermédia, que podem constituir a maioria dos buracos negros nos centros das galáxias".

Os buracos negros supermassivos podem ser encontrados nos centros de todas as galáxias massivas, incluindo a nossa própria Via Láctea. Os astrónomos especulam que estes enormes monstros, com milhões ou milhares de milhões de vezes a massa do Sol, podem ter crescido a partir de buracos negros mais pequenos, de "massa intermédia", com milhares a centenas de milhares de massas solares.

Uma teoria para a formação destes monstruosos buracos negros diz que o Universo primordial estava repleto de galáxias anãs com buracos negros de massa intermédia. Com o tempo, estas galáxias anãs ter-se-iam fundido ou sido devoradas por galáxias mais massivas, combinando cada vez mais os seus núcleos para assim acumular massa no centro da galáxia em crescimento. Este processo de fusão acabaria por criar os buracos negros supermassivos vistos hoje em dia.

"Se conseguirmos compreender a população de buracos negros de massa intermédia - quantos existem e onde estão localizados - podemos ajudar a determinar se as nossas teorias da formação de buracos negros supermassivos estão corretas", disse o coautor Enrico Ramirez-Ruiz, professor de astronomia e astrofísica na Universidade da Califórnia em Santa Cruz e professor do Instituto Neils Bohr na Universidade de Copenhaga.

Mas será que todas as galáxias anãs têm buracos negros de massa intermédia?

"Isso é difícil de afirmar, porque a deteção de buracos negros de massa intermédia é extremamente desafiante", disse Ramirez-Ruiz.

As técnicas clássicas de caça aos buracos negros, que procuram buracos negros em alimentação ativa, não são muitas vezes suficientemente sensíveis para descobrir buracos negros nos centros das galáxias anãs. Como resultado, apenas uma fração minúscula de galáxias anãs é conhecida por acolher buracos negros de massa intermédia. A descoberta de mais buracos negros de tamanho médio, com eventos de perturbação de marés, poderá ajudar a resolver o debate sobre a maneira como os buracos negros supermassivos se formam.

"Uma das maiores questões em aberto na astronomia é atualmente a formação dos buracos negros supermassivos", disse a coautora Vivienne Baldassare, professora de física e astronomia na Universidade do Estado de Washington.

Dados do levantamento YSE permitiram à equipa detetar os primeiros sinais de luz, isto é, quando o buraco negro começou a devorar a estrela. A captura deste momento inicial foi fundamental para desbloquear o tamanho do buraco negro, porque a duração destes eventos pode ser usada para medir a massa do buraco negro central. Este método, que até agora só tinha sido mostrado funcionar bem para os buracos negros supermassivos, foi proposto pela primeira vez por Ramirez-Ruiz e pela coautora Brenna Mockler da Universidade da Califórnia em Santa Cruz.

"Esta erupção foi incrivelmente rápida, mas dado que os nossos dados YSE nos deram tanta informação tão cedo no evento, fomos realmente capazes de determinar a massa do buraco negro", disse Angus.

Este estudo teve por base dados de observatórios de todo o mundo, incluindo o Observatório W. M. Keck no Hawaii, o NOT (Nordic Optical Telescope), o Observatório Lick da Universidade da Califórnia, o Telescópio Espacial Hubble da NASA, o Observatório Gemini, o Observatório Palomar e o levantamento Pan-STARRS no Observatório Haleakala.

// Universidade da Califórnia em Santa Cruz (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Astronomy)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Saiba mais

Notícias relacionadas:
EurekAlert!
Science
SPACE.com
PHYSORG
Inverse

AT 2020neh:
TNS

Buracos negros:
Buraco negro de massa intermédia (Wikipedia)
Buraco negro supermassivo (Wikipedia)
Evento de perturbação de marés (Wikipedia)

Levantamento YSE (Young Supernova Experiment):
Página principal

Observatório W. M. Keck:
Página principal
Wikipedia

NOT (Nordic Optical Telescope):
Página principal
Wikipedia

Observatório Lick:
Página oficial
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
Hubblesite
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

Observatório Gemini:
Página principal
Wikipedia

Observatório Palomar:
Página principal
Wikipedia

Pan-STARRS:
STScI
Instituto de Astronomia da Universidade do Hawaii
Wikipedia

 
   
IXPE descobre poderosos campos magnéticos e crosta sólida numa estrela de neutrões

Menos de um ano após o lançamento, as observações de uma estrela de neutrões pelo IXPE (Imaging X-ray Polarimetry Explorer) da NASA levaram à confirmação do que os cientistas apenas teorizaram anteriormente: os magnetares têm campos magnéticos ultrafortes e são altamente polarizados.

Os cientistas utilizaram o IXPE para observar o magnetar 4U 0142+61, uma estrela de neutrões localizada na direção da constelação de Cassiopeia, a cerca de 13.000 anos-luz da Terra. Esta é a primeira observação de sempre da polarização de raios-X de um magnetar, uma estrela de neutrões com os campos magnéticos mais poderosos do Universo.

 
Foto que mostra a posição do magnetar 4U 0142+61 no Universo (ver vídeo para maior contexto). O magnetar é uma estrela de neutrões localizada na direção da constelação de Cassiopeia, a cerca de 13.000 anos-luz da Terra.
Crédito: Roberto Taverna
 

Os astrónomos descobriram que a estrela de neutrões provavelmente tem uma superfície sólida e nenhuma atmosfera. Esta é a primeira vez que os cientistas conseguem concluir com fiabilidade que uma estrela de neutrões tem uma crosta sólida, uma descoberta possibilitada pelas medições de polarização de raios-X do IXPE.

A polarização é uma propriedade da luz que nos diz mais sobre os campos elétricos e magnéticos interligados que compõem todos os comprimentos de onda da luz. Estes campos oscilam, ou vibram, em ângulos retos em relação à trajetória da luz. Quando os seus campos elétricos vibram numa direção única e unificada, dizemos que a luz é polarizada.

Os astrónomos também descobriram que o ângulo de polarização depende da energia das partículas de luz, com luz altamente energética a um ângulo de polarização de 90 graus em comparação com luz menos energética.

"Descobrimos que o ângulo de polarização gira exatamente 90 graus, seguindo o que os modelos teóricos previam se a estrela tivesse uma crosta sólida rodeada por uma magnetosfera externa cheia de correntes elétricas", disse Roberto Taverna, da Universidade de Pádua, autor principal do novo estudo publicado na revista Science.

Os cientistas ficaram surpreendidos ao aprender que os níveis de energia podem afetar a polarização.

"Com base nas teorias atuais dos magnetares, esperávamos detetar a polarização, mas ninguém previu que a polarização dependesse da energia, como estamos a ver neste magnetar", disse Martin Weisskopf, cientista emérito da NASA que liderou a equipa IXPE desde o início da missão até à primavera de 2022.

Além disso, a polarização a baixas energias indica que o campo magnético é tão inimaginavelmente poderoso que poderia ter transformado a atmosfera em torno da estrela de neutrões num sólido ou num líquido.

"Este é um fenómeno conhecido como condensação magnética", disse o presidente do grupo de trabalho sobre o tema dos magnetares para o IXPE, Roberto Turolla, da Universidade de Pádua e do Colégio Universitário de Londres.

É ainda um tema de debate se os magnetares e outras estrelas de neutrões têm atmosferas.

Graças às medições de polarização por raios-X, os astrofísicos são agora capazes de verificar o grau de polarização e o seu ângulo de posição ao testar os parâmetros dos modelos de emissão de raios-X. Os resultados das observações do IXPE vão ajudar os astrónomos de raios-X a compreender melhor a física de objetos extremos como magnetares e buracos negros.

"Além do magnetar 4U 0142+61, o IXPE está a ser utilizado para estudar uma vasta gama de fontes de raios-X extremos, e estão a chegar muitos resultados excitantes", disse Fabio Muleri, cientista do projeto italiano do IXPE no INAF (Istituto Nazionale di Astrofisica) em Roma.

Para Weisskopf, é evidente que as observações do IXPE têm sido críticas.

"Na minha mente, não pode haver dúvidas de que o IXPE demonstrou que a polarimetria de raios-X é importante e relevante para promover a nossa compreensão de como estes fascinantes sistemas de raios-X funcionam", disse. "As futuras missões terão de ter esse facto em mente".

O IXPE baseia-se nas descobertas do Observatório de raios-X Chandra da NASA e de outros telescópios espaciais através da medição da polarização da luz de raios-X.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Science)
// Artigo científico (arXiv.org)
// IXPE descobre poderosos campos magnéticos e crosta sólida numa estrela de neutrões (Centro de Voo Espacial Marshall da NASA via YouTube)

 


Saiba mais

4U 0142+61:
Simbad
Wikipedia

Magnetar:
Wikipedia
AstronomyOnline.org

Estrelas de neutrões:
Wikipedia
Universidade de Maryland

IXPE:
NASA
Wikipedia

 
   
MAVEN observa espetáculo marciano de luz provocado por grande tempestade solar

Pela primeira vez nos seus oito anos em órbita de Marte, a missão MAVEN da NASA testemunhou simultaneamente dois tipos diferentes de auroras ultravioletas, o resultado de tempestades solares que começaram no dia 27 de agosto.

A missão MAVEN (Mars Atmosphere and Volatile Evolution) é o único recurso em Marte capaz de observar a atividade do Sol e a resposta da fina atmosfera marciana ao mesmo tempo. As análises e simulações em tempo real das erupções solares, pelo Gabinete de Análise Meteorológica Espacial M2M (Moon to Mars) da NASA, também permitiram à equipa da MAVEN prever corretamente quando a tempestade solar em desenvolvimento chegaria ao Planeta Vermelho.

A previsão exata do clima espacial é fundamental para ajudar a proteger as missões atuais e os futuros exploradores humanos no Planeta Vermelho porque, ao contrário da Terra, Marte não tem um campo magnético global para se proteger contra a radiação nociva que as tempestades solares podem trazer.

 
Impressão de artista da sonda MAVEN em órbita de Marte.
Crédito: NASA
 

Começou com o Sol

No dia 27 de agosto, uma região ativa no Sol produziu uma série de erupções solares, que são intensas explosões de radiação. A atividade das erupções foi acompanhada por uma ejeção de massa coronal (EMC), uma explosão massiva de gás e energia magnética que deixa o Sol e se propaga através do espaço. Esta EMC interplanetária impactou Marte alguns dias mais tarde.

Esta EMC produziu um dos mais brilhantes eventos de partículas altamente energéticas que a nave espacial MAVEN alguma vez observou. As partículas que foram aceleradas antes da EMC foram observadas em Marte pelo detetor da MAVEN no dia 27 de agosto. De facto, muitos dos instrumentos da MAVEN foram coletivamente capazes de medir a força da tempestade solar, incluindo o EUV (Extreme Ultraviolet Monitor), o MAG (Magnetómetro), o SWIA (Solar Wind Ion Analyzer) e o SWEA (Solar Wind Electron Analyzer).

"Utilizando modelos meteorológicos espaciais da propagação das EMCs, determinámos quando a estrutura chegaria e teria impacto em Marte", disse Christina Lee, física espacial na Universidade da Califórnia, Berkeley, membro da equipa da missão MAVEN e que está a colaborar com cientistas do Gabinete de Análise Meteorológica Espacial M2M. "Isto permitiu à equipa MAVEN antecipar alguns distúrbios excitantes na atmosfera de Marte devido aos impactos da EMC interplanetária e das partículas energéticas solares associadas".

 
Coluna da esquerda: de cima para baixo, dados MAVEN que mostram o vento solar, as partículas energéticas solares, a força da aurora de protões e a força da aurora difusa. A 30 de agosto, uma tempestade solar (uma EMC, ou ejeção de massa coronal) impactou Marte e podem ser claramente vistos um aumento dos fluxos solares, bem como os dois tipos de auroras resultantes. Direita: um esquema do vento solar no lado diurno de Marte conduzindo a aurora de protões e as partículas energéticas solares no lado noturno de Marte conduzindo a aurora difusa.
Crédito: LASP/Universidade do Colorado, Boulder, Universidade da Califórnia, Berkeley
 

"Apanhando" o espetáculo marciano de luz

As partículas libertadas pela tempestade solar bombardearam a atmosfera de Marte, causando auroras brilhantes em comprimentos de onda ultravioletas. O instrumento IUVS (Imaging Ultraviolet Spectrograph) da MAVEN observou dois tipos: aurora difusa e aurora de protões.

Parte da razão pela qual esta incrível dupla foi observada ao mesmo tempo resumiu-se ao "timing". Marte está no final da época das tempestades de poeira, que ocorre todos os anos marcianos durante a sua maior aproximação do Sol. Estas tempestades de poeira aquecem a atmosfera o suficiente para permitir que o vapor de água atinja altitudes elevadas, onde é quebrado pela radiação solar ultravioleta, libertando átomos de hidrogénio no processo. Quando o vento solar que chega atinge este hidrogénio extra, o lado diurno do planeta ilumina-se com emissões ultravioletas. Estas "auroras de protões" coincidiram por acaso com a chegada de partículas energéticas ainda mais dinâmicas que penetraram ainda mais na atmosfera, criando auroras difusas visíveis ao longo de todo o lado noturno.

Sumedha Gupta, investigadora pós-doutorada da equipa do IUVS no Laboratório de Física Atmosférica e Espacial da Universidade do Colorado, Boulder, notou pela primeira vez a coincidência durante a sua verificação de rotina dos dados recebidos alguns dias após o evento. "Fiquei tão surpreendida por ver a aurora de protões ao mesmo tempo que a aurora difusa, porque isso nunca tinha acontecido antes", disse. "Ambas estão a aumentar com a atividade solar, por isso esperamos que continue a acontecer!"

Um sinal das tempestades que se avizinham

Este espetáculo de luzes é um sinal do que está para vir para Marte e para a equipa da MAVEN. O Sol está a tornar-se cada vez mais ativo com eventos, como erupções ou EMCs, à medida que se aproxima do máximo solar em 2024-2025. O máximo solar é quando a atividade solar atinge o pico do ciclo solar de 11 anos do Sol, o que significa que as EMCs e as partículas energéticas devem aumentar em frequência e continuar a ter impacto na atmosfera de Marte.

"É excitante ainda estar a observar 'primeiros' como estas auroras simultâneas tantos anos na missão. Temos tanto a aprender sobre a atmosfera e como as tempestades solares afetam o Planeta Vermelho", disse Shannon Curry, investigadora principal da MAVEN na Universidade da Califórnia, Berkeley. "A nossa equipa mal consegue esperar pelos próximos anos a observar as condições mais extremas durante a vida da missão da MAVEN".

// NASA (comunicado de imprensa)

 


Saiba mais

Marte:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia
Atmosfera de Marte (Wikipedia)

Clima espacial:
Wikipedia

MAVEN:
NASA
NASA - 2
Wikipedia

 
   
Também em destaque
  Investigação revela o local de nascimento das estrelas "ricas em ouro" (via Sociedade Astronómica Real)
Uma equipa de investigadores da Universidade de Notre Dame e da Universidade de Tohoku revelou o local de nascimento das chamadas estrelas "ricas em ouro" - estrelas com uma abundância de elementos pesados para além do ferro, incluindo os "elementos de joalharia", ouro e platina. Ler fonte
     
  Os buracos negros nem sempre alimentam GRBs (via Universidade de Bath)
As explosões de raios-gama ("gamma-ray bursts", ou GRBs) foram detetadas por satélites em órbita da Terra como flashes luminosos da radiação gama mais energética, com duração de milissegundos a centenas de segundos. Estas explosões catastróficas ocorrem em galáxias distantes, a milhares de milhões de anos-luz da Terra. Ler fonte
 
   
Álbum de fotografias - Galáxias: Tripleto de Wild pelo Hubble
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: ESA/Hubble, NASA, Dark Energy Survey/DOE/FNAL/DECam/CTIO/NOIRLab/NSF/AURA, J. Dalcanton
 
Quantas galáxias estão aqui em interação? Este agrupamento de galáxias é chamado o Tripleto de Wild, que honra o seu descobridor e assinala também o número de galáxias brilhantes envolvidas. Tinha-se assumido que as três galáxias, catalogadas coletivamente como Arp 248, estão a interagir, mas investigações mais recentes revelam que apenas as duas galáxias mais brilhantes estão a lutar gravitacionalmente: as galáxias grandes no topo e em baixo. A
galáxia espiral no meio da imagem em destaque, pelo Telescópio Espacial Hubble, está na realidade muito mais longe, tal como a galáxia logo abaixo dela e todas as outras galáxias no campo. Um resultado marcante da luta destas gigantes é uma tremenda ponte de estrelas, gás e poeira que se estende entre elas - uma ponte com quase 200.000 anos-luz de comprimento. A luz que vemos hoje do Tripleto de Wild saiu há cerca de 200 milhões de anos, quando os dinossauros vagueavam pela Terra. Dentro de talvez mais ou menos mil milhões de anos, as duas galáxias em interação vão fundir-se para formar uma única grande galáxia espiral.
 
   
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