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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
  Astroboletim #1971  
  27/01 a 30/01/2023  
     
 

APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
O Género das Estrelas

Data: 9 de fevereiro de 2023
Hora: 18:30-20:30
Nesta sessão que decorre poucos dias antes do dia internacional das mulheres e das raparigas na ciência, convidamos uma investigadora e um investigador a explicar como estudam as suas estrelas favoritas e o que nelas descobrem, com um especial destaque para as suas denominações. Depois deste diálogo, faremos observação astronómica com telescópio para também termos contacto visual com alguns segredos estelares.
Adulto:
 4€
Jovem: 2€
Menores de 12 anos: gratuito.
A observação astronómica depende de condições meteorológicas favoráveis.
Inscrições obrigatórias (info@ccvalg.pt)
Pré-inscrições válidas até às 17:00 do dia anterior à realização da atividade. Após a hora referida o lugar pode não ser garantido.
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
     
 
EFEMÉRIDES

DIA 27/01: 27.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1593, começa no Vaticano o julgamento de Giordano Bruno, que durou sete anos.
Em 1941 nascia Beatrice Tinsley, astrónoma e cosmóloga neo-zelandesa cuja pesquisa fez contribuições importantes para a compreensão de como as galáxias evoluem com o passar do tempo.
Em 1967, os astronautas da Apollo 1 - Virgil (Gus) Grissom, Edward H. White II e Roger B. Chaffee - morrem num incêndio na plataforma de lançamento, durante um teste da Apollo 204 (AS-204), que era para ser a primeira missão tripulada do programa lunar, com lançamento a 21 de fevereiro de 1967.

No mesmo ano, os Estados Unidos, o Reino Unido e a União Soviética assinam o Tratado do Espaço Exterior em Washington, D.C., proibindo a utilização de armas nucleares no espaço e limitando a Lua e os outros corpos espaciais para fins pacíficos.
Em 2011 é documentada, na direção da constelação de Ursa Menor, a anã branca H1504+65. Com uma temperatura de 200.000 K, foi considerada à altura como tendo a temperatura superficial mais quente conhecida (hoje está em segundo lugar).
HOJE, NO COSMOS:
Orionte está alto a sudeste logo após o anoitecer, e fica o mais alto a sul por volta das 21:00. Orionte é a mais brilhante das 88 constelações, mas o seu padrão principal é surpreendentemente pequeno em comparação com as suas vizinhas mais ténues. A maior delas é Erídano para oeste, enorme mas difícil de rastrear. A mais ténue constelação da Fornalha, para baixo e para a direita de Erídano, é quase tão grande quanto Orionte! Até o padrão principal de Lebre, situada por baixo dos pés do Caçador, não é assim muito mais pequena.
Conhece a constelação por baixo de Lebre? É difícil: Pomba, fraca e não muito parecida com o animal. Recorra a um mapa celeste se precisar de ajuda. A sua estrela mais brilhante, Alpha Columbae ou Phact, tem magnitude 2,6. Para a encontrar, desenhe uma linha a começar de Rigel e que passe por Beta Leporis (a frente do pescoço da lebre) e estenda-a uma distância igual na mesma direção.

 

DIA 28/01: 28.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1608 nascia Giovanni Alfonso Borelli, físico e matemático italiano e renascentista. Contribuiu para o princípio moderno da investigação científica através da continuação do costume de Galileu, de testar hipóteses contra observações. Fez também estudos prolongados das luas de Júpiter.
Em 1611, nascia Johannes Hevelius, que seria o primeiro astrónomo a observar as fases de Mercúrio.

Hevelius também ganhou reputação como "fundador da topografia lunar" e descreveu dez novas constelações, sete das quais são ainda hoje reconhecidas pelos astrónomos. Morreria neste mesmo dia em 1687, quando fazia 76 anos. 
Em 1612, Galileu observa pela primeira vez o planeta Neptuno, confundindo-o com uma estrela 233 anos antes da sua descoberta.
Em 1622 nascia Adrien Auzout, astrónomo francês que fez observações de cometas e argumentou a favor das suas órbitas elípticas ou parabólicas. Foi um dos membros fundadores do Observatório de Paris. 
Em 1986, o vaivém espacial Challenger explode 73 segundos depois de descolar. A tripulação inteira morre: Francis Scobee, Michael Smith, Judith Resnik, Ellison Onizuka, Ronald McNair, Gregory Jarvis e Sharon Christa McAuliffe.
HOJE, NO COSMOS:
Lua em Quarto Crescente, pelas 15:19. A Lua está a meio de caminho entre Marte (para a sua esquerda) e Júpiter (mais para baixo e para a sua direita). Durante o lusco-fusco, Vénus e Saturno completam um alinhamento baixos a oeste-sudoeste; uma linha a partir da Lua e que passe por Júpiter aponta para estes dois planetas - porque, claro, estão quase todos bem alinhados no grande plano da eclíptica. Úrano e Neptuno também fazem parte deste alinhamento noturno, mas não visíveis a olho nu.

 

DIA 29/01: 29.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
HOJE, NO COSMOS:
Logo após o anoitecer, volte-se para este e procure, bem alta, a estrela capella. Para a sua direita, a dois dedos à distância do braço esticado, está um pequeno e estreito triângulo de estrelas de 3.ª e 4.ª magnitudes conhecido como "As Crianças". Não são propriamente notáveis, mas formam um bonito asterismo com Capella.
A Lua brilha na fronteira de Touro, um pouco para oeste das Plêiades, de Marte e de Aldebarã.

 

DIA 30/01: 30.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1964, era lançada a sonda Ranger 6 da NASA.

A sua missão era filmar a Lua televisivamente até se despenhar sobre ela.
Em 2013, o Naro-1 torna-se o primeiro veículo de lançamento da Coreia do Sul.
HOJE, NO COSMOS:
Oportunidade fotográfica! Esta noite a Lua está entre as Plêiades e o planeta Marte. Aldebarã, a estrela mais brilhante da constelação de Touro, está um pouco para baixo de Marte.

 
 
   
Webb revela o lado negro da química pré-estelar dos gelos

Foi anunciada, por uma equipa internacional de astrónomos utilizando o Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA, a descoberta de diversos gelos nas regiões mais escuras e frias de uma nuvem molecular medidas até à data. Este resultado permite aos astrónomos examinar as geladas moléculas simples que serão incorporadas em futuros exoplanetas, ao mesmo tempo que abre uma nova janela sobre a origem das moléculas mais complexas que são o primeiro passo na criação dos blocos de construção da vida.

Se se quiser construir um planeta habitável, os gelos são um ingrediente vital, uma vez que são os principais portadores de vários elementos-chave leves - nomeadamente carbono, hidrogénio, oxigénio, azoto e enxofre (referidos coletivamente como CHONs). Estes elementos são ingredientes importantes tanto em atmosferas planetárias como em moléculas como açúcares, álcoois e aminoácidos simples. No nosso Sistema Solar, pensa-se que foram entregues à superfície da Terra por impactos com cometas gelados ou asteroides. Além disso, os astrónomos pensam que tais gelos já estavam muito provavelmente presentes na nuvem escura de poeira fria e gás que acabaria por colapsar para produzir o Sistema Solar. Nestas regiões do espaço, os grãos de poeira gelada fornecem um cenário único para que átomos e moléculas se encontrem, o que pode desencadear reações químicas que formam substâncias muito comuns como a água. Estudos laboratoriais detalhados demonstraram ainda que algumas moléculas pré-bióticas simples podem formar-se sob estas condições geladas.

 
Esta imagem, pelo instrumento NIRCam (Near-Infrared Camera) do Telescópio Espacial James Webb da NASA, mostra a região central da nuvem molecular escura Camaleão I, situada a 630 anos-luz de distância. O material da nuvem fria e ondulada (azul, centro) é iluminado no infravermelho pelo brilho da protoestrela Ced 110 IRS 4 (laranja, em cima à esquerda). A luz de várias estrelas de fundo, vistas como os pontos laranja por trás da nuvem, pode ser utilizada para detetar os gelos na nuvem, que absorvem a luz estelar que passa através dela (consulte aqui a versão anotada das estrelas de fundo).
Crédito: NASA, ESA, CSA e M. Zamani (ESA); ciência - F. Sun (Observatório Steward), Z. Smith (Open University) e equipa "Ice Age" dos programas ERS
 

Agora foi anunciado, por uma equipa internacional de astrónomos utilizando o Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA, um inventário detalhado dos mais profundos e frios gelos medidos até à data numa nuvem molecular. Para além de simples gelos como a água, a equipa foi capaz de identificar formas geladas de uma vasta gama de moléculas, desde sulfeto de carbonilo, amoníaco e metano, até à mais simples molécula orgânica complexa, o metanol (no meio interestelar, as moléculas orgânicas são consideradas complexas quando têm seis ou mais átomos). Este é o censo mais abrangente, até à data, dos ingredientes gelados disponíveis para fazer futuras gerações de estrelas e planetas, antes de serem aquecidos durante a formação de estrelas jovens. Estes grãos gelados crescem em tamanho à medida que são "afunilados" nos discos protoplanetários de gás e poeira em torno destas estrelas jovens, permitindo essencialmente aos astrónomos estudar todas as potenciais moléculas geladas que serão incorporadas nos futuros exoplanetas.

"Os nossos resultados dão-nos a conhecer a fase inicial e escura da química da formação de gelo nos grãos de poeira interestelar, que vão crescer até aos seixos centimétricos a partir dos quais os planetas se formam em discos", disse Melissa McClure, astrónoma do Observatório Leiden, que é a principal investigadora do programa de observação e autora principal do trabalho que descreve este resultado. "Estas observações abrem uma nova janela sobre os percursos de formação para as moléculas simples e complexas que são necessárias para fazer os blocos de construção da vida".

Para além das moléculas identificadas, a equipa encontrou evidências de moléculas pré-bióticas mais complexas do que o metanol nestas densas nuvens de gelo e, embora não tenham atribuído definitivamente estes sinais a moléculas específicas, isto prova pela primeira vez que moléculas complexas se formam nas profundezas geladas das nuvens moleculares antes das estrelas nascerem.

"A nossa identificação de moléculas orgânicas complexas, como o metanol e potencialmente o etanol, também sugere que os muitos sistemas estelares e planetários que se desenvolvem nesta nuvem específica vão herdar moléculas num estado químico bastante avançado", acrescentou Will Rocha, astrónomo do Observatório Leiden que contribuiu para esta descoberta. "Isto pode significar que a presença de moléculas pré-bióticas em sistemas planetários é um resultado comum da formação estelar e não uma característica única do nosso próprio Sistema Solar".

Ao detetar gelos contendo sulfeto de carbonilo, os investigadores conseguiram estimar pela primeira vez a quantidade de enxofre embebido em grãos pré-estelares de poeira gelada. Embora a quantidade medida seja maior do que o anteriormente observado, ainda é inferior à quantidade total que se espera que esteja presente nesta nuvem, com base na sua densidade. Isto também é verdade para os outros elementos CHONs. Um desafio chave para os astrónomos é compreender onde estes elementos se escondem: em gelos, em materiais semelhantes a fuligem ou em rochas. A quantidade de CHONs em cada tipo de material determina quanto destes elementos acaba em atmosferas exoplanetárias e quanto nos seus interiores.

 
Os astrónomos fizeram um inventário dos gelos mais profundamente enraizados numa nuvem molecular fria até à data. Usaram a luz de uma estrela de fundo, chamada NIR38, para iluminar a nuvem escura chamada Camaleão I. Os gelos dentro da nuvem absorveram certos comprimentos de onda infravermelhos, deixando impressões digitais espectrais chamadas linhas de absorção. Estas linhas indicam que substâncias estão presentes no interior da nuvem molecular. Estes gráficos mostram dados espectrais de três dos instrumentos do Telescópio Espacial James Webb. Além de simples gelos como a água, a equipa científica foi capaz de identificar formas geladas de uma vasta gama de moléculas, desde dióxido de carbono, amoníaco e metano, até à mais simples molécula orgânica complexa, o metanol.
Crédito: NASA, ESA, CSA e J. Olmsted (STScI), M. K. McClure (Observatório Leiden), K. Pontoppidan (STScI), N. Crouzet (Universidade de Leiden) e Z. Smith (Open University)
 

"O facto de não termos visto todos os CHONs que esperamos pode indicar que estão 'fechados' em materiais mais rochosos ou fuliginosos que não podemos medir", explicou McClure. "Isto poderia permitir uma maior diversidade na composição dos planetas terrestres".

Os gelos foram detetados e medidos através do estudo da forma como a luz estelar, por detrás da nuvem molecular, foi absorvida por moléculas geladas em comprimentos de onda infravermelhos específicos visíveis ao Webb. Este processo deixa para trás impressões digitais químicas conhecidas como espectros de absorção que podem ser comparadas com dados laboratoriais para identificar quais os gelos presentes na nuvem molecular. Neste estudo, a equipa visou gelos enterrados numa região particularmente fria, densa e difícil de investigar da nuvem molecular Camaleão I, uma região a cerca de 500 anos-luz da Terra que está atualmente no processo de formar dúzias de estrelas jovens.

"Simplesmente não poderíamos ter observado estes gelos sem o Webb", elaborou Klaus Pontoppidan, cientista do projeto Webb no STScI (Space Telescope Science Institute) que esteve envolvido nesta investigação. "Os gelos aparecem como quedas contra um 'continuum' de luz estelar de fundo. Em regiões que são tão frias e densas, grande parte da luz estelar de fundo é bloqueada e foi necessária a sensibilidade requintada do Webb para detetar a luz estelar e, portanto, identificar os gelos na nuvem molecular".

Esta investigação faz parte do projeto "Ice Age", um dos 13 programas ERS (Early Release Science) do Webb. Estas observações são concebidas para mostrar as capacidades de observação do Webb e para permitir com que a comunidade astronómica aprenda a tirar o maior proveito dos seus instrumentos. A equipa do "Ice Age" já planeou outras observações e espera traçar o percurso dos gelos desde a sua formação até à "montagem" dos cometas gelados.

"Este é apenas o primeiro de uma série de instantâneos espectrais que vão vamos obter para ver como os gelos evoluem desde a sua síntese inicial até às regiões de formação cometária dos discos protoplanetários", concluiu McClure. "Isto dir-nos-á que mistura de gelos - e, portanto, que elementos - pode eventualmente ser entregue às superfícies de exoplanetas terrestres ou incorporada nas atmosferas de gigantes gasosos ou planetas gelados".

// ESA/Webb (comunicado de imprensa)
// ESA (comunicado de imprensa)
// NASA (comunicado de imprensa)
// STScI (comunicado de imprensa)
// Universidade de Leiden (comunicado de imprensa)
// Instituto Max Planck para Física Extraterrestre (comunicado de imprensa)
// Universidade de Berna (comunicado de imprensa)
// CNRS (comunicado de imprensa)
// NCCR PlanetS (comunicado de imprensa)
// Open University (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Astronomy)
// Artigo científico (arXiv.org)
// A Nuvem Molecular Camaleão I (HubbleWebbESA via YouTube)

 


Quer saber mais?

Notícias relacionadas:
EurekAlert!
SPACE.com
Universe Today
ScienceDaily
Inverse
Space Daily
spaceref
BBC News
Sky News
CNN
SAPO

Formação estelar:
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Discos protoplanetários:
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Formação planetária (Wikipedia)

CHON:
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Nuvem molecular Camaleão I:
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Programa "Ice Age":
Página principal
STScI

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
STScI (website para o público)
ESA
ESA/Webb
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Blog do JWST (NASA)
Programas DD-ERS do Webb (STScI)
Programas GO do Webb (STScI)
NIRISS (NASA)
NIRCam (NASA)
MIRI (NASA)
NIRSpec (NASA)

 
   
Astrónomos confirmam idade da galáxia mais distante com oxigénio

Um novo estudo, liderado por uma equipa conjunta da Universidade de Nagoya e do NAOJ (National Astronomical Observatory of Japan), mediu a idade cósmica de uma galáxia muito distante. A equipa utilizou o radiotelescópio ALMA para detetar um sinal de rádio que viajou durante aproximadamente 97% da idade do Universo. Esta descoberta confirma a existência de galáxias no Universo primitivo encontradas pelo Telescópio Espacial James Webb. A investigação foi publicada na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

 
O radiotelescópio ALMA determinou a idade cósmica exata de uma galáxia distante identificada com o JWST, GHZ2/GLASS-z12: 367 milhões de anos [após o Big Bang]. As observações espectroscópicas profundas do ALMA revelaram uma linha de emissão espectral associada ao oxigénio ionizado perto da galáxia, que foi desviada na sua frequência devido à expansão do Universo desde que a linha foi emitida. Esta observação confirma que o JWST é capaz de observar distâncias recorde, e anuncia um salto na nossa capacidade de compreender a formação das primeiras galáxias do Universo.
Crédito: NASA/ESA/CSA/T. Treu, UCLA/NAOJ/T. Bakx, Universidade de Nagoya
 

A galáxia, denominada GHZ2/GLASS-z12, foi inicialmente identificada no levantamento GLASS do JWST, um levantamento que observa o Universo distante e por trás de enxames massivos de galáxias. Estas observações consistem de várias imagens utilizando filtros de cor e de banda larga, semelhantes às cores RGB numa câmara. Para galáxias distantes, a luz demora tanto tempo a chegar até nós que a expansão do Universo desviou a cor desta luz para a extremidade vermelha do espectro visível, um fenómeno a que chamamos desvio para o vermelho. A cor vermelha de GHZ2/GLASS-z12 ajudou os investigadores, consequentemente, a identificá-la como um dos candidatos mais convincentes a galáxia distante que já observaram.

Foram identificadas tantas galáxias brilhantes e distantes nas primeiras semanas de observações do JWST que desafiou a nossa compreensão básica da formação das primeiras galáxias. No entanto, estas cores vermelhas são apenas indicativas de uma galáxia distante e, poderia, ao invés, ser uma galáxia muito rica em poeira que se mascara como objeto mais distante. Apenas observações diretas de linhas espectrais - linhas presentes no espetro de luz de uma galáxia utilizado para identificar elementos - podem confirmar com robustez as verdadeiras distâncias destas galáxias.

Imediatamente após a descoberta destes primeiros candidatos a galáxia, dois investigadores da Universidade de Nagoya e do NAOJ utilizaram os quarenta radiotelescópios do ALMA, no Chile, para caçar uma linha espectral e assim confirmar as verdadeiras idades das galáxias.

O ALMA também foi apontado para GHZ2/GLASS-z12 em busca de uma linha de emissão associada ao oxigénio, na frequência esperada sugerida pelas observações do JWST. O oxigénio é um elemento tipicamente abundante em galáxias distantes devido ao seu tempo relativamente curto de formação, pelo que a equipa optou por procurar uma linha de emissão de oxigénio de modo a aumentar as hipóteses de deteção.

Ao combinar o sinal de cada um dos seus telescópios de 12 metros, o ALMA foi capaz de detetar a linha de emissão perto da posição da galáxia. O desvio para o vermelho observado da linha indica que vemos a galáxia como era apenas 367 milhões de anos após o Big Bang.

"As primeiras imagens do Telescópio Espacial James Webb revelaram tantas galáxias iniciais que sentimos que tínhamos de testar os seus resultados usando o melhor observatório da Terra", disse o autor principal Tom Bakx da Universidade de Nagoya. "Foi uma época muito emocionante para os astrónomos observacionais e pudemos acompanhar o estado das observações que irão testar os resultados do JWST em tempo real".

"Estávamos inicialmente preocupados com a ligeira variação de posição entre a linha de emissão detetada do oxigénio e a galáxia vista pelo Webb", salienta o autor Tom Bakx, "mas testámos em grande detalhe as observações para assim confirmar que se trata realmente de uma deteção robusta, e é muito difícil de explicar através de qualquer outra interpretação".

O coautor Jorge Zavala do NAOJ acrescenta: "A brilhante linha de emissão indica que esta galáxia enriqueceu rapidamente os seus reservatórios de gás com elementos mais pesados do que o hidrogénio e o hélio. Isto dá-nos algumas pistas sobre a formação e evolução da primeira geração de estrelas e da sua vida útil. A pequena separação que vemos entre o gás oxigénio e a emissão das estrelas pode também sugerir que estas primeiras galáxias sofreram explosões violentas que expeliram o gás do centro da galáxia para a região que rodeava a galáxia e mesmo para além dela".

"Estas profundas observações ALMA fornecem evidências robustas da existência de galáxias nas primeiras centenas de milhões de anos após o Big Bang e confirmam os resultados surpreendentes das observações do Webb. O trabalho do JWST apenas agora começou, mas já estamos a ajustar os nossos modelos de como as galáxias se formam no início do Universo para corresponder a estas observações. O poder combinado do Webb e da rede de radiotelescópios ALMA dá-nos a confiança para empurrar os nossos horizontes cósmicos cada vez mais perto do amanhecer do Universo".

// Sociedade Astronómica Real (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

GHZ2/GLASS-z12:
Wikipedia

Universo:
A expansão acelerada do Universo (Wikipedia)
Universo (Wikipedia)
Idade do Universo (Wikipedia)
Época da Reionização (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Big Bang (Wikipedia)
Modelo Lambda-CDM (Wikipedia)

Evolução galáctica:
Wikipedia

ALMA:
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ALMA (NRAO)
ALMA (NAOJ)
ALMA (ESO)
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Astrónomos capturam primeira imagem direta e confirmada de uma anã castanha em órbita de uma estrela das Híades

Uma equipa de astrónomos, usando dois Observatórios Maunakea no Hawaii - o Observatório W. M. Keck e o Telescópio Subaru - fotografou uma anã castanha em órbita de HIP 21152, uma jovem estrela parecida com o Sol no enxame das Híades.

Localizado a apenas 150 anos-luz de distância, o enxame estelar das Híades é o mais próximo da Terra e pode ser visto na direção da constelação de Touro - o seu padrão em forma de V é visível a olho nu. Dado que este grupo de estrelas jovens nasceu quase ao mesmo tempo, o enxame das Híades atraiu a atenção dos astrónomos como um importante alvo de investigação para o estudo da evolução das estrelas e planetas.

 
Quatro imagens diretas da anã castanha HIP 21152 B, capturadas utilizando o Telescópio Subaru e o Observatório Keck. A estrela hospedeira está escondida nas imagens (como notado pelo ícone da estrela amarela) e a anã castanha companheira está dentro do círculo.
Crédito: M. Kuzuhara et al./ Observatório W. M. Keck/Telescópio Subaru
 

A anã castanha recentemente encontrada neste enxame, chamada HIP 21152 B, é a primeira companheira subestelar confirmada de uma estrela de sequência principal nas Híades descoberta através de imagens diretas. A sua massa é semelhante à de um planeta gigante - entre 22-36 massas de Júpiter.

"Este resultado pode fornecer uma importante pista para compreender as atmosferas de planetas gigantes e de anãs castanhas com base em como e em quando apresentam características atmosféricas semelhantes às observadas nos planetas dos sistemas HR 8799 e HIP 21152 B", disse Masayuki Kuzuhara, professor assistente e autor principal do estudo. "Espera-se que HIP 21152 B desempenhe um papel importante como referência para o progresso futuro em astronomia e ciência planetária".

O estudo, liderado pelo Centro de Astrobiologia do NINS (National Institutes of Natural Sciences) e pelo NAOJ (National Astronomical Observatory of Japan), foi publicado na revista The Astrophysical Journal Letters.

As anãs castanhas têm massas que se situam entre as de um planeta e de uma estrela; são mais massivas do que os planetas, mas não tão massivas como as estrelas. Estes objetos subestelares são úteis para estudar a evolução e as atmosferas dos planetas gigantes porque se espera que os planetas semelhantes a Júpiter e as anãs castanhas mais leves tenham características semelhantes.

As anãs castanhas flutuam sozinhas no espaço ou orbitam outras estrelas. Embora já tenham sido encontradas milhares de anãs castanhas desde a primeira descoberta em 1995, anãs castanhas como companheiras são raras, com uma frequência de apenas algumas por cada 100 estrelas. Por esta razão, os astrónomos têm tentado estabelecer uma forma eficiente de encontrar anãs castanhas companheiras.

A equipa derivou a massa de HIP 21152 B calculando a sua órbita usando um total de quatro imagens diretas capturadas usando os sistemas SCExAO (Subaru Coronagraphic Extreme Adaptive Optics) e CHARIS (Coronagraphic High Angular Resolution Imaging Spectrograph) do Telescópio Subaru, bem como as óticas adaptativas do Observatório Keck emparelhadas com a sua câmara NIRC2 (Near-Infrared Camera), de segunda geração.

Os investigadores também obtiveram espectros da anã castanha mostrando que a atmosfera de HIP 21152 B está a transitar entre uma anã castanha do "Tipo L" para uma anã castanha do "Tipo T", o que significa que está a ficar mais fria, com uma temperatura de 1200-1300 K.

Curiosamente, a anã castanha tem um espectro semelhante ao famoso sistema HR 8799, que é o primeiro sistema exoplanetário a ser fotografado utilizando dois Observatórios Maunakea - o Observatório Keck e o Observatório Gemini.

// Observatório W. M. Keck (comunicado de imprensa)
// Telescópio Subaru (comunicado de imprensa)
// NINS (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

Anãs castanhas:
Wikipedia
NASA
Andy Lloyd's Dark Star Theory

Enxame das Híades:
SEDS
Wikipedia

Observatório W. M. Keck:
Página principal
Wikipedia

Telescópio Subaru:
NAOJ
Wikipedia

 
   
Também em destaque
  Via Láctea é mais única do que se pensava (via Sociedade Astronómica Real)
Será que a Via Láctea é especial, ou, pelo menos, será que está num lugar especial no Universo? Uma equipa internacional de astrónomos descobriu que a resposta a essa pergunta é sim, de uma forma nunca antes apreciada. Um novo estudo mostra que a Via Láctea é demasiado grande para a "muralha cosmológica", algo que ainda não foi visto noutras galáxias. A nova investigação foi publicada na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. Ler fonte
 
   

Álbum de fotografias
LDN 1622: A Nebulosa do Papão

(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Joshua Carter
 
Para alguns, a forma escura parece um mítico bicho-papão. Cientificamente, a Nebulosa Escura de Lynds (em inglês "Lynds' Dark Nebula", ou LDN) 1622 aparece contra um fundo ténue de hidrogénio gasoso brilhante apenas visível em longas exposições telescópicas da região. Em contraste, a mais brilhante nebulosa de reflexão vdB 62 é mais facilmente vista logo acima e à direita do centro na imagem em destaque. LDN 1622 situa-se quase no plano da nossa Via Láctea, perto, no céu, do Loop de Barnard, uma grande nuvem em torno do rico complexo de nebulosas de emissão encontrada na Cintura e na Espada de Orionte. Pensa-se que a poeira escura de LDN 1622 está a uma distância semelhante, talvez a 1500 anos-luz de distância. A essa distância, este campo de visão com 2 graus de diâmetro abrangeria cerca de 60 anos-luz. Jovens estrelas encontram-se escondidas dentro da escuridão e foram reveladas em imagens infravermelhas pelo Telescópio Espacial Spitzer.
 
   
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