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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
  Astroboletim #1982  
  07/03 a 09/03/2023  
     
 

APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
Os Equinócios

Data: 9 de março de 2023
Hora: 18:30-19:30
Em março chega até nós a Primavera, e o momento que a anuncia é o equinócio. Este é o tema da apresentação que antecede a observação com telescópio nesta atividade. A observação astronómica com telescópio depende de condições meteorológicas favoráveis!
Adulto:
 4€
Jovem: 2€
Menores de 12 anos: gratuito.
Inscrições obrigatórias (info@ccvalg.pt)
Pré-inscrições válidas até às 17:00 do dia anterior à realização da atividade. Após a hora referida o lugar pode não ser garantido.
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
     
 
EFEMÉRIDES

DIA 07/03: 66.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1792 nascia John Herschel, astrónomo, matemático, químico e inventor/fotógrafo experimental, que deu nome a sete luas de Saturno e a quatro de Úrano.
Em 1837 nascia Henry Draper, o primeiro a fotografar o espectro estelar. Um importante catálogo de espectros estelares tem o seu nome.
Em 1958 nascia Alan Hale, astrónomo americano, codescobridor do Cometa Hale-Bopp
Em 2009, é lançado o observatório espacial Kepler, desenhado para descobrir planetas parecidos com a Terra em órbita de outras estrelas.

Em 2012, a LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) captura imagens do local de aterragem da Apollo 11. São visíveis as experiências, o equipamento e as pegadas de Buzz Aldrin e de Neil Armstrong.
HOJE, NO COSMOS:
Lua Cheia, pelas 12:40.
Fevereiro foi o mês em que Orionte se destacou o mais alto a sul ao início da noite. Agora, março empurra Orionte para oeste e traz o seu cão, Cão Maior, com Sirius no peito, para o meridiano.
Quer tentar observar Sirius B, a famosa anã branca? Este ano Sirius A e B estão na sua maior separação aparente da sua órbita de 50 anos: 11,3 segundos de arco. Vão assim permanecer, essencialmente nesta separação, durante os próximos anos, antes de voltarem a aproximar-se do ponto de vista da Terra.
Tem que possuir um telescópio de pelo menos 8 a 12 polegadas, uma noite de condições realmente excelentes e Sirius tem que estar o mais alta a sul (logo após o anoitecer). Sirius B está atualmente a este-nordeste de Sirius A e é 10 magnitudes mais fraca: um milésimo do brilho da componente principal. Use a ampliação máxima. Não se preocupe com o luar: o brilho de Sirius A é muito mais problemático.

 

DIA 08/03: 67.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1618, Johannes Kepler descobre a terceira lei do movimento planetário.
Em 1977, eram descobertos os anéis de Úrano durante observações aéreas de ocultações da NASA.

Em 1979, imagens obtidas pela Voyager 1 provam a existência de vulcões em Io, uma lua de Júpiter.
Em 1999, começa a primeira fase da missão de mapeamento de Marte pela sonda Mars Global Surveyor.
Em 2002, o asteroide 2002 EM7, com um tamanho entre 300 e 400 metros, passa a 450.000 quilómetros da Terra. Observadores só o descobriram quatro dias depois, a 12 de março.
HOJE, NO COSMOS:
Estamos no início de marte. Portanto, após o cair da noite, a Ursa Maior está a nordeste praticamente à mesma altura que Cassiopeia a noroeste. Entre as duas constelações está, como sempre, a Estrela Polar.
Mais tarde na noite, siga a curva da "pega da frigideira" de Ursa Maior, até chegar a Arcturo, a brilhante Estrela da Primavera. Ou o local onde ela nasce acima do horizonte.

 

DIA 09/03: 68.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1564 nascia David Fabricius, descobridor da primeira estrela variável (Mira, ou Omicron Ceti).
Em 1934, nascimento de Yuri Gagarin, cosmonauta soviético, o primeiro humano no espaço.

Em 1955, Walt Disney apresenta pessoalmente o primeiro programa televisivo de "Man in Space", no canal norte-americano ABC. Wernher von Braun, o engenheiro aeroespacial e Walt Dinsey, o artista, usaram este novo meio de comunicação que era a televisão para mostrar que os humanos podiam ir à Lua e além com base em tecnologias futuras e no desejo de exploração e descoberta. 
Em 1961, é lançado com sucesso o Sputnik 9, que transporta um boneco humano com a alcunha de Ivan Ivanovich e demonstra que a União Soviética está pronta para os voos espaciais tripulados.
Em 1974, voo rasante da sonda soviética Mars 7 por Marte.
Em 1997, observadores na China, Mongólia e partes da Sibéria têm a rara oportunidade de ver um espetáculo duplo: um eclipse permite ver o cometa Hale-Bopp durante o dia.
Em 2011, o vaivém Discovery faz a sua aterragem final após 39 voos.
HOJE, NO COSMOS:
Pollux e Castor, em Gémeos, passam quase por cima das nossas cabeças por volta das 21 horas.
Se ficar acordado(a) até mais tarde, poderá ver o nascer da Lua e, menos de uma hora depois, a estrela Virgem, situada para baixo do nosso satélite natural.

 
 
   
A erupção de uma estrela de neutrões revela a natureza de fenómenos apenas observados em buracos negros

Uma equipa internacional liderada pelo IAC (Instituto de Astrofísica das Canárias) encontrou uma estrela de neutrões que captura matéria de uma estrela companheira através de um processo violento e instável. Este mecanismo, anteriormente observado apenas em buracos negros muito brilhantes, mostra que a chamada "instabilidade de acreção" é na realidade um processo físico fundamental. Além disso, esta descoberta abre um novo cenário geral que explica a extrema acreção de matéria em objetos compactos. O estudo foi publicado na revista Nature.

 
Impressão de artista da erupção da estrela de neutrões Swift J1858 em comparação com o buraco negro GRS 1915+105.
Crédito: Gabriel Pérez Díaz (IAC)
 

Os binários de raios-X são sistemas formados por um objeto compacto, uma estrela de neutrões ou um buraco negro, e uma estrela de tamanho semelhante ao Sol. O objeto compacto engole matéria da estrela companheira através de um disco que emite grandes quantidades de luz, especialmente em raios-X. Este processo em que o objeto compacto atrai matéria, conhecido como acreção, ocorre normalmente em erupções violentas durante as quais o sistema se torna até mil vezes mais brilhante. Além disso, parte do material removido que espirala em direção ao objeto compacto no disco é ejetado de volta para o espaço através de ventos ou sob a forma de jatos de matéria.

O binário de raios-X conhecido como Swift J1858.6-0814 foi descoberto em 2018 durante um destes espetaculares episódios eruptivos, intrigando a comunidade astronómica desde as primeiras observações. O sistema mostrou surtos incríveis durante um ano, emitindo em todos os comprimentos de onda desde o rádio até aos raios-X. A origem destes "fogos-de-artifício cósmicos" permanecia desconhecida, mas eram tão brilhantes que a comunidade científica pensava que o objeto compacto devia ser um buraco negro. No entanto, a descoberta de explosões termonucleares em 2020 identificou a presença de uma superfície sólida no objeto compacto, confirmando assim que Swift J1858.6-0814 contém uma estrela de neutrões.

Graças a uma campanha internacional de vários telescópios liderada pelo IAC, a equipa descobriu que Swift J1858 exibe as mesmas instabilidades exóticas e acrecionárias que GRS 1915+105, um buraco negro que serviu de pedra de Roseta para decifrar o complexo comportamento desta estrela de neutrões. "Estas instabilidades ocorrem a luminosidades muito altas, dando origem a oscilações de grande amplitude do disco de acreção e a fortes ejeções de matéria", explica Federico Vincentelli, investigador do IAC e primeiro autor do artigo. "Este processo dramático permanece mal compreendido e, até agora, só foi observado em pormenor num sistema em que o objeto compacto é um buraco negro", acrescenta.

Ao comparar os dois sistemas, a equipa científica pôde verificar aspetos nunca antes observados. "Percebemos que podíamos explicar a complexa fenomenologia de ambos os objetos com três ingredientes: um disco de acreção instável, que produz emissões de raios-X extremamente variáveis à medida que as partes internas do disco esvaziam-se e enchem-se ciclicamente; ejeções repetidas de matéria (produzidas após o esvaziamento do disco), que podem ser vistas no rádio e no infravermelho; e ecos brilhantes destas variações internas nas áreas mais exteriores do disco, que podem observados desde o infravermelho até ao ultravioleta", diz Vincentelli.

"Este estudo demonstra que tal 'instabilidade' é um processo físico fundamental e independente da natureza do objeto compacto. Este trabalho apresenta um novo cenário que nos permite explicar o que acontece na proximidade destes objetos exóticos (estrelas de neutrões e buracos negros) quando acretam matéria a taxas muito elevadas", realça Montserrat Armas Padilla, investigadora do IAC e coautora do artigo científico.

Este resultado foi obtido graças a uma intensa e simultânea campanha de observação em vários comprimentos de onda e com cinco telescópios espaciais e terrestres. Entre estes, encontra-se também o Telescópio Liverpool no Observatório Roque de los Muchachos, em La Palma.

Com vista à investigação futura, a recente descoberta fornece à comunidade científica novos ingredientes para compreender a origem das instabilidades acrecionárias. "Tencionamos agora alargar este tipo de estudo a outros sistemas muito luminosos para perceber mais sobre buracos negros e estrelas de neutrões quando incorporam matéria a velocidades extremas", conclui Vincentelli.

// IAC (comunicado de imprensa)
// Universidade de Oxford (comunicado de imprensa)
// Universidade de Tecnologia do Texas (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature)
// Artigo científico (arXiv.org)
// Instabilidades no ambiente de uma estrela de neutrões e de um buraco negro (IAC Astrofísica via YouTube)

 


Quer saber mais?

Binário de raios-X:
Wikipedia

Estrelas de neutrões:
Wikipedia
Universidade de Maryland

Observatório Roque de los Muchachos:
Página oficial
Wikipedia

 
   
Astrónomos descobrem galáxias ricas em metais no Universo primitivo

Estudando as primeiras imagens de uma bem conhecida galáxia primitiva, obtidas pelo Telescópio Espacial James Webb da NASA, astrónomos de Cornell ficaram intrigados ao ver uma mancha de luz perto da sua orla exterior.

O seu foco inicial, e o alvo do observatório infravermelho, era SPT0418-47, uma das galáxias poeirentas e formadoras de estrelas mais brilhantes do Universo primitivo, cuja distante luz foi curvada e ampliada, graças à gravidade de uma galáxia em primeiro plano, num círculo chamado anel de Einstein.

 
Pseudo-imagem de banda estreita, na gama do Hα, do sistema SPT0418. O anel de Einstein e duas fontes recentemente descobertas estão realçadas por um anel vermelho A e duas elipses cinzenta e preta B e C, respetivamente. A galáxia que atua como lente corresponde ao brilho central. O anel de Einstein (A), corresponde à galáxia que já se conhecia desde 2020, SPT0418-47. Pensa-se que as fontes B e C sejam imagens da mesma galáxia companheira, SPT0418-S, também sob o efeito de lente gravitacional.
Crédito: Peng et al., 2023
 

Mas uma análise mais profunda dos primeiros dados do JWST, divulgados no outono passado, produziu uma descoberta fortuita: uma galáxia companheira anteriormente escondida por detrás da luz da galáxia em primeiro plano, uma que surpreendentemente parece já ter acolhido várias gerações de estrelas apesar da sua jovem idade, estimada em 1,4 mil milhões de anos.

"Descobrimos que esta galáxia era quimicamente superabundante, algo que nenhum de nós esperava", disse Bo Peng, estudante de doutoramento em astronomia que liderou a análise dos dados. "O JWST muda a forma como vemos este sistema e abre novas maneiras de estudar como as estrelas e as galáxias se formaram no Universo primitivo".

Peng é o autor principal do artigo científico publicado a 17 de fevereiro na revista The Astrophysical Journal Letters, que contou também com a participação de oito coautores que são atuais ou antigos membros do Departamento de Astronomia da Faculdade de Artes e Ciências de Cornell.

Imagens anteriores do mesmo anel de Einstein, capturadas pelo ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) no Chile, continham pistas da companheira claramente resolvida pelo JWST, mas não podiam ser interpretadas como algo mais do que ruído aleatório, disse Amit Vishwas, associado de investigação no CCAPS (Cornell Center for Astrophysics and Planetary Sciences) e segundo autor do artigo.

Investigando dados espectrais incorporados em cada pixel de imagens do instrumento NIRSpec do Webb, Peng identificou uma segunda nova fonte de luz dentro do anel. Ele determinou que as duas novas fontes eram as imagens de uma nova galáxia a sofrer efeito de lente gravitacional pela mesma galáxia em primeiro plano, responsável pela criação do anel, embora fosse 8 a 16 vezes mais ténue - uma prova do poder da visão infravermelha do JWST.

Uma análise mais aprofundada da composição química da luz confirmou que fortes linhas de emissão de átomos de hidrogénio, azoto e enxofre apresentavam desvios para o vermelho semelhantes - uma medida de quanta luz de uma galáxia se estende para comprimentos de onda mais longos e avermelhados à medida que se afasta. Isto colocou as duas galáxias aproximadamente à mesma distância da Terra - calculada como um desvio para o vermelho de cerca de 4,2, ou cerca de 10% da idade do Universo - e na mesma vizinhança.

Para verificar a sua descoberta, os investigadores voltaram às observações anteriores do ALMA. Encontraram uma linha de emissão de carbono ionizado que correspondia de perto aos desvios para o vermelho observados pelo JWST.

 
Conjunto de imagens JWST (pelos instrumentos NIRCam e MIRI) a que foram subtraídas a fonte galáctica que atua como lente gravitacional. Cada título corresponde ao filtro utilizado. As imagens foram ajustadas manualmente para aumentar o contraste das fontes mais fracas.
Crédito: Peng et al., 2023, programa ERS (Early Release Science) do JWST
 

"Isso realmente cimentou o achado", disse Vishwas. "Dado que temos várias linhas de emissão desviadas exatamente pelo mesmo fator, não há dúvida de que esta nova galáxia está onde pensamos que está".

A equipa estimou que a galáxia companheira, que rotularam de SPT0418-SE, se encontrava a 5 quiloparsecs do anel (as Nuvens de Magalhães, satélites da Via Láctea, estão a cerca de 50 quiloparsecs de distância). Essa proximidade sugere que as galáxias estão a interagir entre si e potencialmente até a fundir-se, uma observação que contribui para a compreensão de como as galáxias primitivas podem ter evoluído para galáxias maiores.

As duas galáxias são modestas em termos de massa no contexto do Universo primitivo, com a "SE" sendo relativamente mais pequena e menos poeirenta, fazendo-a parecer mais azul do que o anel extremamente empoeirado. Com base em imagens de galáxias próximas com cores semelhantes, os investigadores sugerem que podem residir "num halo massivo de matéria escura com vizinhas ainda por descobrir".

O mais surpreendente sobre estas galáxias, considerando a sua idade e massa, foi a sua metalicidade madura - quantidades de elementos mais pesados do que o hélio e o hidrogénio, tais como carbono, oxigénio e azoto - que a equipa estimou ser semelhante ao nosso Sol. Em comparação com o Sol, que tem cerca de 4 mil milhões de anos e herdou a maioria dos seus metais a partir de gerações anteriores de estrelas que tiveram cerca de 8 mil milhões de anos para os construir, estamos a observar estas galáxias numa altura em que o Universo tinha menos de 1,5 mil milhões de anos.

"Estamos a ver os remanescentes de pelo menos um par de gerações de estrelas que viveram e morreram nos primeiros mil milhões de anos de existência do Universo, que não é o que tipicamente vemos ", disse Vishwas. "Especulamos que o processo de formação estelar nestas galáxias deve ter sido muito eficiente e ter começado muito cedo no Universo, particularmente para explicar a abundância medida de azoto em relação ao oxigénio, uma vez que esta proporção é uma medida fiável de quantas gerações de estrelas viveram e morreram".

Os investigadores apresentaram uma proposta para novo tempo de observação com o JWST e assim continuar o seu estudo do anel, da companheira e para conciliar as potenciais diferenças observadas entre o espectro ótico e o espectro infravermelho.

"Ainda estamos a trabalhar nesta galáxia", disse Peng. "Há mais a explorar nestes dados".

// Universidade de Cornell (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

CCVAlg - Astronomia:
14/08/2020 - ALMA observa a galáxia mais distante parecida com a Via Láctea

SPT0418-47:
Wikipedia

Lentes gravitacionais:
Wikipedia

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
STScI (website para o público)
ESA
ESA/Webb
Wikipedia
Facebook
Twitter
Instagram
Blog do JWST (NASA)
Programas DD-ERS do Webb (STScI)
Programas GO do Webb (STScI)
NIRISS (NASA)
NIRCam (NASA)
MIRI (NASA)
NIRSpec (NASA)

ALMA:
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (NAOJ)
ALMA (ESO)
Wikipedia

 
   
Como o Telescópio Espacial Roman irá "rebobinar" o Universo

Uma nova simulação mostra como o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman da NASA irá fazer recuar o relógio cósmico, revelando a evolução do Universo de formas nunca antes possíveis quando for lançado em maio de 2027. Com a sua capacidade de rapidamente fotografar enormes áreas do espaço, o Roman irá ajudar-nos a compreender como o Universo se transformou de um mar primordial de partículas carregadas na intricada rede de vastas estruturas cósmicas que vemos hoje.

"Os Telescópios Espaciais Hubble e James Webb estão otimizados para estudar objetos astronómicos em profundidade, por isso são como olhar o Universo através de um buraco de fechadura", disse Aaron Yung, pós-doutorado no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland, que liderou o estudo. "Para resolver os mistérios cósmicos nas maiores escalas, precisamos de um telescópio espacial que possa proporcionar uma visão muito mais larga. É exatamente isso que o Roman está concebido para fazer".

 
Nesta visão simulada do cosmos profundo, cada ponto representa uma galáxia. Os três quadrados pequenos mostram o campo de visão do Hubble e cada um revela uma região diferente do Universo sintético. O Roman será capaz de rapidamente observar uma área tão grande como a imagem com o zoom diminuído, o que nos dará um vislumbre das maiores estruturas do Universo.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA e A. Yung
 

A combinação da grande visão angular do Roman com a cobertura mais ampla, em termos de comprimento de onda, do Hubble, e as observações mais detalhadas do Webb, vão fornecer uma visão mais abrangente do Universo.

A simulação cobre uma mancha de dois graus quadrados do céu, o que equivale a cerca de 10 vezes o tamanho aparente de uma Lua Cheia, contendo mais de 5 milhões de galáxias. Baseia-se num modelo de formação galáctica bem testado que representa a nossa compreensão atual de como o Universo funciona. Utilizando uma técnica extremamente eficiente, a equipa pode simular dezenas de milhões de galáxias em menos de um dia - algo que pode levar anos a utilizar métodos convencionais. Quando o Roman for lançado para o espaço e começar a fornecer dados reais, os cientistas podem compará-los a uma série de simulações deste tipo, colocando os seus modelos à prova final. Isso ajudará a desvendar a física da formação de galáxias, a matéria escura - uma substância misteriosa observada através dos seus efeitos gravitacionais - e muito mais.

O artigo científico que descreve os resultados foi publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society em dezembro de 2022.

 

Esta imagem, contendo milhões de galáxias simuladas espalhadas pelo espaço e pelo tempo, mostram a área que o Hubble (quadrado branco) consegue capturar num único instantâneo. O Hubble levaria cerca de 85 anos a mapear toda a região vista na imagem à mesma profundidade, mas o Roman pode fazê-lo em apenas 63 dias. A visão mais ampla do Roman e as suas rápidas velocidades de levantamento vão revelar o Universo em evolução de formas nunca antes possíveis.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA e A. Yung

 

Desvendando a teia cósmica

As galáxias e enxames de galáxias brilham em aglomerados ao longo de fios invisíveis de matéria escura numa tapeçaria do tamanho do Universo observável. Com uma visão suficientemente ampla dessa tapeçaria, podemos ver que a estrutura em grande escala do Universo é semelhante a uma teia, com filamentos que se estendem por centenas de milhões de anos-luz. As galáxias encontram-se principalmente nas interseções dos filamentos, com vastos "vazios cósmicos" entre todos os filamentos brilhantes.

É assim que vemos o cosmos agora. Mas se pudéssemos rebobinar o Universo, veríamos algo muito diferente.

Em vez de estrelas gigantescas e flamejantes, espalhadas pelas galáxias, cada uma delas separadas por distâncias ainda mais imensas, encontrar-nos-íamos submersos num mar de plasma (partículas carregadas). Esta sopa primordial era quase completamente uniforme, mas felizmente para nós, existiam pequenos nós. Uma vez que estes aglomerados eram ligeiramente mais densos do que os seus arredores, tinham uma atração gravitacional ligeiramente maior.

Ao longo de centenas de milhões de anos, os aglomerados atraíram cada vez mais material. Tornaram-se suficientemente grandes para formar estrelas, que eram gravitacionalmente atraídas para a matéria escura que forma a espinha dorsal invisível do Universo. As galáxias nasceram e continuaram a evoluir, eventualmente surgindo sistemas planetários como o nosso.

A vista panorâmica do Roman ajudar-nos-á a ver como o Universo era em diferentes fases e a preencher muitas lacunas na nossa compreensão. Por exemplo, embora os astrónomos tenham descoberto "halos" de matéria escura envolvendo galáxias, não têm a certeza de como se formaram. Ao ver como o efeito de lente gravitacional, causado pela matéria escura, curva o aspeto de objetos mais distantes, o Roman ajudar-nos-á a ver como os halos se desenvolveram ao longo do tempo cósmico.

"Simulações como esta serão cruciais na ligação de grandes levantamentos galácticos pelo Roman aos 'andaimes' invisíveis da matéria escura que determina a distribuição dessas galáxias", disse Sangeet Malhotra, astrofísica em Goddard e coautora do artigo científico.

 
Nesta vista lateral do Universo simulado, cada ponto representa uma galáxia cujo tamanho e luminosidade correspondem à sua massa. Fatias de diferentes épocas ilustram como o Roman será capaz de ver o Universo através da história cósmica. Os astrónomos vão utilizar tais observações para reconstituir como a evolução cósmica conduziu à estrutura semelhante a uma teia que vemos hoje.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA e A. Yung
 

Vendo o quadro geral

O estudo de estruturas cósmicas tão vastas com outros telescópios espaciais não é prático porque seriam necessárias centenas de anos de observações para "juntar" imagens suficientes para as ver.

"O Roman terá a capacidade única de igualar a profundidade do HUDF (Hubble Ultra Deep Field), mas cobrirá várias vezes mais área do céu do que levantamentos amplos como o CANDELS", disse Yung. "Uma visão tão completa do Universo primitivo ajudar-nos-á a compreender quão representativos são os instantâneos do Hubble do Webb do Universo naquela altura".

A ampla visão do Roman servirá também como um mapa que o Hubble e o Webb podem usar para ampliar áreas interessantes.

Os grandes levantamentos celestes do Roman serão capazes de mapear o Universo até mil vezes mais depressa do que o Hubble. Isso será possível devido à estrutura rígida do observatório, à sua veloz capacidade de orientação e ao grande campo de visão do telescópio. O Roman deslocar-se-á rapidamente de alvo cósmico para alvo cósmico. Uma vez adquirido um novo alvo, as vibrações assentam rapidamente porque estruturas potencialmente instáveis, como painéis solares, estão fixos no lugar.

"O Roman vai obter cerca de 100.000 imagens por ano", disse Jeffrey Kruk, astrofísico de Goddard. "Dado o maior campo de visão do Roman, levaria mais tempo do que as nossas vidas humanas para que até mesmo telescópios poderosos como o Hubble ou o Webb pudessem cobrir tanto céu".

Ao fornecer uma visão gigantesca e nítida dos ecossistemas cósmicos e ao associar-se a observatórios como o Hubble e o Webb, o Roman irá ajudar-nos a resolver alguns dos mistérios mais profundos da astrofísica.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

Universo:
A expansão acelerada do Universo (Wikipedia)
Universo (Wikipedia)
Idade do Universo (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Big Bang (Wikipedia)
Modelo Lambda-CDM (Wikipedia)
Indicadores de distâncias cósmicas (Wikipedia)
"Escada" de distâncias cósmicas (Wikipedia)

RST ([Nancy Grace] Roman Space Telescope, anteriormente WFIRST):
NASA
Wikipedia
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Álbum de fotografias
10 Dias de Vénus e Júpiter

(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Soumyadeep Mukherjee
 
Vénus e Júpiter podem ter atraído ultimamente a atenção do leitor. A conjunção dos dois brilhantes planetas, visíveis em céus noturnos claros, tem sido difícil de perder. Com Júpiter no topo, começando a 21 de fevereiro e terminando a 2 de março, a sua aproximação é relatada diariamente, da esquerda para a direita, nestes painéis obtidos a partir de Dhanbad, Índia. Perto do horizonte ocidental, as cores do céu e as exposições utilizadas para cada painel dependem das condições locais perto do pôr-do-Sol. No dia 22 de fevereiro, Júpiter e Vénus foram acompanhados pela jovem Lua Crescente. O par celeste parecia ter apenas a largura de uma Lua Cheia no dia 2 de março. Claro, nessa data os planetas estavam fisicamente separados por mais de 600 milhões de quilómetros nas suas órbitas em torno do Sol. Júpiter vai lentamente instalar-se por entre o clarão do pôr-do-Sol, mas Vénus continuará a afastar-se do Sol no céu a oeste para se destacar no seu papel atual como a brilhante estrela da tarde.
 
   
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