NOITES ASTRONÓMICAS EM TAVIRA
Observação noturna Data: 26 de abril de 2023 Hora: 21:00 Local:Forte do Rato
Nesta noite realiza-se a sessão de observação de estrelas e Lua no Forte do Rato. Será também feito um reconhecimento das constelações. A sessão é gratuita.
Participe! Inscrição obrigatória.
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas e está sujeita a um número mínimo e máximo de participantes Informações e inscrições:
281 326 231 | 924 452 528 E-mail: geral@cvtavira.pt
EFEMÉRIDES
DIA 18/04: 108.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1955, falecia Albert Einstein.
Em 2000, uma equipa de cientistas do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica usa o Observatório de raios-X Chandra durante 7,5 horas para obter imagens do espectro de um buraco negro estelar na direção da constelação de Ursa Maior. HOJE, NO COSMOS:
Logo após o anoitecer, Orionte ainda está razoavelmente alto a sudoeste na sua orientação primaveril: inclinado para a direita com a sua cintura na horizontal. O Hexágono de Inverno rodeia-o.
A cintura de Orionte aponta para a esquerda para Sirius e para a direita em direção a Aldebarã e, um pouco mais distantes, para as Plêiades e para Vénus.
DIA 19/04: 109.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1971, lançamento da Salyut 1, a primeira estação espacial.
Em 1975, lançamento do primeiro satélite da Índia, o Aryabhata.
Em 1966 nascia Brett J. Gladman, astrónomo canadiano, conhecido pelo seu trabalho na astronomia dinâmica do Sistema Solar. Estudou o transporte de meteoritos entre planetas, a entrega de meteoróides desde a cintura principal de asteroides e a possibilidade do transporte da vida via o mecanismo conhecido como panspérmia. Descobridor e codescobridor de muitos corpos astronómicos do Sistema Solar, asteroides, cometas da cintura de Kuiper e muitas luas dos planetas gigantes.
Em 2021, o helicóptero Ingenuity torna-se no primeiro veículo aéreo a voar noutro planeta. HOJE, NO COSMOS:
Arcturo brilha alta a este por estas noites. A igualmente brilhante Capella está a descer, também alta, mas a noroeste. Arcturo e Capella estão praticamente à mesma altura acima do horizonte algures entre as 21:30 e as 22:00, dependendo de quão para este oeste se encontra no fuso horário.
Arcturo é a estrela mais brilhante de Boieiro. É o fim do asterismo em forma de papagaio-de-papel formado pelas estrelas mais brilhantes da constelação. O papagaio-de-papel, um tanto ou quanto estreito, situa-se de momento de lado para a esquerda de Arcturo. A sua cabeça, muito para a esquerda, está ligeiramente dobrada para cima. O papagaio-de-papel mede 23º: cerca de dois punhos à distância do braço esticado.
DIA 20/04: 110.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1535, o fenómeno de parélio é observado por cima de Estocolmo e representado no quadro Vädersolstavlan.
Em 1865, o astrónomo Pietro Angelo Secchi demonstra o disco de Sechi, que mede a claridade da água, a bordo do iate do Papa Pio IX, o L'Imaculata Concezione.
Em 1972, a Apollo 16 aterra na Lua, uma das seis missões tripuladas à Lua com sucesso. John W. Young e Thomas K. Mattingly III alunaram numa área de nome Descartes. Este foi o primeiro estudo das terras altas, feito com várias câmaras e experiências. O "rover" lunar foi usado pela segunda vez. Os astronautas permaneceram 71 horas na superfície. Recolheram 95,8 kg de rochas lunares. HOJE, NO COSMOS:
Lua Nova, pelas 05:13.
Esta noite, use binóculos para observar M44, o enxame do Presépio.
Confirmada a presença de um planeta em torno de uma estrela "oscilante" recorrendo a dados do Gaia-Hipparcos
Os dados da missão espacial Gaia da ESA permitiram aos astrónomos detetar um exoplaneta gigante utilizando o Telescópio Subaru. Este mundo é o primeiro exoplaneta confirmado encontrado graças à capacidade do Gaia em sentir a atração gravitacional ou "oscilação" que um planeta induz na sua estrela. E a técnica aponta o caminho para o futuro da observação planetária direta.
Quando se trata de detetar planetas em redor de outras estrelas, conhecidos como exoplanetas, os astrónomos têm uma variedade de métodos à sua disposição. Estas técnicas enquadram-se em duas grandes categorias: diretas e indiretas. Ambas têm vantagens e inconvenientes.
Este GIF mostra o movimento do planeta (dentro do círculo branco) em redor da estrela (centro), observado pelo Telescópio Subaru.
Crédito: T. Currie (Subaru/UTSA)
Historicamente, a maioria dos exoplanetas têm sido encontrados por métodos indiretos. Isto significa que se deduz que os planetas existem devido ao efeito que têm na sua estrela-mãe. Enquanto que na observação direta, um telescópio vê efetivamente o planeta.
Embora os astrónomos tenham detetado mais de 5000 exoplanetas utilizando meios indiretos, apenas cerca de 20 foram observados diretamente. Isto porque para que os planetas sejam visíveis com o nosso atual nível de tecnologia, devem estar amplamente separados da sua estrela-mãe e ser muito mais massivos do que Júpiter, o maior planeta do nosso Sistema Solar.
Como a natureza não forma muitos destes tipos de planetas, os astrónomos gostariam de saber exatamente onde procurar. A maioria das procuras diretas são "cegas", ou seja, visam simplesmente as estrelas com base na sua idade e distância e na esperança de que um planeta seja "apanhado no ato". Das centenas de estrelas investigadas desta forma, apenas um punhado produziu estrelas.
"Queríamos uma estratégia diferente", diz Thayne Currie, do NAOJ (National Astronomical Observatory of Japan), Hilo, Hawaii e da Universidade do Texas em San Antonio. Na tentativa de virar o jogo a seu favor, ele e colegas voltaram-se para a missão do Gaia para procurar estrelas que literalmente oscilam no céu.
Em particular, utilizaram o Catálogo de Acelerações Hipparcos-Gaia. Este catálogo combina dados do Gaia com os da anterior missão de mapeamento estelar da ESA, Hipparcos, para fornecer uma linha de base de 25 anos para a comparação das posições precisas das estrelas. A medição da posição de uma estrela no céu é conhecida como astrometria. A partir desta base de dados, a equipa identificou uma série de estrelas que pareciam mudar de posição no céu noturno de uma forma que sugeria que cada uma delas era orbitada por um planeta gigante.
A astrometria é o método que deteta o movimento de uma estrela ao fazer medições precisas da sua posição no céu. Esta técnica também pode ser utilizada para identificar planetas em redor de uma estrela, medindo pequenas alterações na posição da estrela à medida que esta vacila em torno do centro de massa do sistema.
A missão Gaia da ESA, através do seu levantamento sem precedentes da posição, brilho e movimento de mais de mil milhões de estrelas, está a gerar um grande conjunto de dados a partir do qual serão encontrados exoplanetas, quer através de alterações observadas na posição de uma estrela no céu devido a planetas em órbita à sua volta, quer através de uma queda no seu brilho à medida que um planeta transita pela sua face.
Crédito: ESA
Em seguida, voltaram-se para o Telescópio Subaru do NAOJ em Mauna Kea, Hawaii, e fizeram observações em julho e setembro de 2020, e em maio e outubro de 2021. Utilizaram o instrumento SCExAO (Subaru Coronagraphic Extreme Adaptive Optics) acoplado ao instrumento CHARIS (Coronagraphic High-Resolution Imager and Spectrograph) - e rapidamente encontraram um exoplaneta.
O planeta recentemente descoberto chama-se HIP 99770 b. Tem cerca de 16 vezes a massa de Júpiter e orbita uma estrela que tem quase duas vezes a massa do Sol. Embora a órbita do planeta seja mais de três vezes maior do que a órbita de Júpiter em torno do Sol, recebe quase a mesma quantidade de luz que Júpiter porque a sua estrela hospedeira é muito mais luminosa do que o Sol.
O sucesso em encontrar este planeta também tem implicações mais amplas.
"Proporciona um novo caminho para a descoberta de mais exoplanetas e caracteriza-os de uma forma muito mais holística do que conseguíamos fazer antes", acrescenta Thayne.
Isto porque os métodos diretos e indiretos de deteção fornecem informações diferentes sobre um planeta. A observação direta fornece excelentes restrições sobre a temperatura e composição de um planeta. Ao passo que os métodos indiretos proporcionam excelentes medições da massa e características orbitais de um planeta, especialmente quando são combinados com medições da posição do planeta a partir de imagens diretas.
Dados precisos de uma estrela "oscilante", nos dados da missão Gaia da ESA, permitiram aos astrónomos identificar um exoplaneta gigante e obter uma imagem direta. Este sistema exoplanetário pode assemelhar-se às regiões exteriores do nosso próprio Sistema Solar. O exoplaneta está pouco mais de três vezes mais longe da sua estrela hospedeira do que Júpiter está do Sol, mas recebe uma quantidade semelhante de luz porque a estrela é muito mais luminosa. O sistema também contém um disco poeirento que recebe uma quantidade de luz semelhante à do Cintura de Kuiper do Sistema Solar.
Crédito: ESA
A combinação dos dados do Gaia com as imagens do Subaru dá aos astrónomos o melhor de ambos os mundos. E isto é apenas o começo.
Agora que os astrónomos sabem que o planeta está lá e é visível, outros telescópios podem assumir o trabalho de analisar melhor a sua luz. "A descoberta deste planeta irá gerar dezenas de estudos de acompanhamento", diz Thayne.
E haverá mais descobertas a serem feitas com este método. HIP 99770 foi uma das primeiras estrelas observadas das candidatas do Gaia. Atualmente, Thayne e os seus colegas estão a analisar dados de cerca de 50 outras estrelas e o que viram fê-los prometer que vêm aí mais descobertas.
"[HIP 99770 b] é uma prova de conceito desta nova estratégia para encontrar planetas observáveis que vai melhorar muito nos próximos cinco anos", diz.
Este método de visar estrelas para a descoberta exoplanetária vai acelerar. Isto porque a quarta publicação de dados Gaia (DR4), que se baseará em 5,5 anos de dados (quase o dobro da linha de base do DR3), tornará muito mais fácil detetar quais as estrelas que estão a oscilar.
Em última análise, esta abordagem combinada permitir-nos-á visar outras Terras. A descoberta de um planeta como o nosso continua a ser o grande objetivo dos astrónomos. Um planeta como a Terra estará muito mais próximo da sua estrela e por isso passará muito tempo à frente ou atrás dessa estrela, tornando impossível a sua observação.
"Isto é uma espécie de teste para o tipo de estratégia que precisamos para poder observar uma outra Terra. Demonstra que um método indireto sensível à atração gravitacional de um planeta pode dizer-nos onde procurar e exatamente quando procurar com métodos diretos. Portanto, penso que isto é realmente excitante", conclui Thayne.
HD 169142 b, o terceiro protoplaneta confirmado até à data
Imagem do sistema HD 169142 que mostra o sinal do protoplaneta HD 169142 b (perto da posição correspondente às 11 horas), bem como um braço em espiral brilhante resultante da interação dinâmica entre o planeta e o disco em que se encontra. O sinal da estrela, 100.000 vezes mais brilhante do que o planeta, foi subtraído por uma combinação de componentes ópticos e processamento de imagem (máscara no centro da imagem). Observações em diferentes momentos mostram o planeta a avançar na sua órbita ao longo do tempo.
Crédito: VLT/SPHERE do ESO
Uma equipa internacional de investigadores publicou resultados da análise de dados que confirma a existência de um novo protoplaneta em torno da estrela HD 169142. Este resultado foi possível graças a ferramentas avançadas de processamento de imagem desenvolvidas pelo PSILab da Universidade de Liège. O artigo científico foi publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.
Os planetas formam-se a partir de aglomerados de material em discos que rodeiam estrelas recém-nascidas. Quando o planeta ainda está a formar-se, ou seja, quando ainda está a acretar material, é chamado de protoplaneta. Até à data, apenas dois protoplanetas tinham sido inequivocamente identificados como tal, PDS 70 b e c, ambos orbitando a estrela PDS 70. Este número aumentou agora para três com a descoberta e confirmação de um protoplaneta no disco de gás e poeira que envolve HD 169142, uma estrela a 374 anos-luz de distância.
Os cientistas utilizaram várias observações, entre 2015 e 2019, da estrela HD 169142 obtidas pelo instrumento SPHERE do VLT (Very Large Telescope) do ESO", explica Iain Hammond, investigador da Universidade Monash (Austrália) que fez parte do seu doutoramento na Universidade de Liège. Os planetas estão quentes quando se formam, pelo que o telescópio obteve imagens infravermelhas de HD 169142 para procurar a sua assinatura térmica. Com estes dados, puderam confirmar a presença de um planeta, HD 169142 b, a cerca de 37 UA (37 unidades astronómicas, ou 37 vezes a distância da Terra ao Sol) da sua estrela - ligeiramente mais longe do que a órbita de Neptuno.
Já em 2019, uma equipa de investigadores liderada por R. Gratton tinha anteriormente levantado a hipótese de que uma fonte compacta vista nas suas imagens poderia indicar a presença de um protoplaneta. O estudo recente confirma esta hipótese através de uma nova análise dos dados utilizados no seu estudo, bem como da inclusão de novas observações de melhor qualidade.
As imagens diferentes, obtidas com o instrumento SPHERE do VLT entre 2015 e 2019, revelam uma fonte compacta que se move ao longo do tempo como esperado para um planeta em órbita a 37 UA da sua estrela. Todos os conjuntos de dados obtidos com o instrumento SPHERE foram analisados com ferramentas de processamento de imagem de última geração desenvolvidas pela equipa do PSILab na Universidade de Liège. O último conjunto de dados considerado no estudo, obtido em 2019, é crucial para a confirmação do movimento do planeta", explica Valentin Christiaens, investigador do PSILab da Universidade de Liège. Este conjunto de dados não tinha sido publicado até agora.
Uma série de imagens do sistema HD 169142 mostrando o protoplaneta HD 169142 b em movimento na sua órbita ao longo do tempo. Um braço em espiral brilhante é visível no rasto do planeta, resultante da interação dinâmica entre o planeta e o disco em que se encontra. O sinal da estrela, que é 100.000 vezes mais brilhante do que o planeta, foi subtraído por uma combinação de componentes ópticos e processamento de imagem (máscara no centro da imagem).
Crédito: VLT/SPHERE do ESO
As novas imagens também confirmam que o planeta deve ter esculpido uma lacuna no disco - como previsto pelos modelos. Esta divisão é claramente visível nas observações de luz polarizada do disco. "No infravermelho, podemos também ver um braço em espiral no disco, provocado pelo planeta e visível no seu rasto, sugerindo que outros discos protoplanetários contendo espirais também podem abrigar planetas ainda não descobertos", diz Hammond. As imagens de luz polarizada, bem como o espectro infravermelho medido pela equipa de investigação, indicam ainda que o planeta está enterrado numa quantidade significativa de poeira acretada a partir do disco protoplanetário. Esta poeira pode estar na forma de um disco circumplanetário, um pequeno disco que se forma à volta do próprio planeta, o qual, por sua vez, pode formar luas. Esta descoberta importante demonstra que a deteção de planetas por observação direta é possível mesmo numa fase muito precoce da sua formação.
Ao longo dos últimos dez anos têm havido, no que toca às deteções de planetas em formação, muitos falsos positivos", diz Valentin Christiaens. Para além dos protoplanetas do sistema PDS 70, o estatuto dos outros candidatos é ainda calorosamente debatido na comunidade científica. "O protoplaneta HD 169142 b parece ter propriedades diferentes dos protoplanetas no sistema PDS 70, o que é muito interessante. Parece que foi capturado numa fase mais jovem da sua formação e evolução, uma vez que ainda está completamente enterrado ou rodeado por muita poeira". Dado o número muito pequeno de planetas em formação confirmados até à data, a descoberta desta fonte e o seu acompanhamento deverá dar-nos uma melhor compreensão de como os planetas, e em particular os planetas gigantes como Júpiter, são formados.
Uma maior caracterização do protoplaneta e confirmação independente poderá ser obtida com futuras observações pelo Telescópio Espacial James Webb. A elevada sensibilidade do JWST à luz infravermelha deverá, de facto, permitir aos investigadores detetar emissões térmicas provenientes da poeira quente em redor do planeta.
JWST espreita os locais de nascimento dos exoplanetas
Investigadores, utilizando o Telescópio Espacial James Webb, deram uma primeira vista de olhos aos seus dados que sondam a química das regiões de discos em torno de jovens estrelas onde os planetas rochosos se formam. Já nesta fase, os dados revelam que os discos são quimicamente diversos e ricos em moléculas como água, dióxido de carbono e compostos orgânicos de hidrocarbonetos como o benzeno, bem como pequenos grãos de carbono e silicatos. O programa de observação MINDS do JWST, atualmente liderado pelo Instituto Max Planck para Astronomia, que reúne vários institutos de investigação europeus, promete fornecer uma visão revolucionária sobre as condições que precedem o nascimento dos planetas e, ao mesmo tempo, determinar as suas composições.
Impressão de artista de um disco de formação planetária em torno de uma estrela jovem. Os astrónomos, recorrendo ao espectrógrafo MIRI a bordo do JWST descobriram várias substâncias químicas nas regiões centrais de um primeiro conjunto de discos de formação planetária em torno de estrelasj ovens. As moléculas pertencem a várias espécies de hidrocarbonetos como o benzeno e dióxido de carbono, bem como água e o gás cianeto.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/MPIA
Novas observações, para uma amostra de discos de formação planetária em torno de jovens estrelas, obtidas com o MIRI (Mid-Infrared Instrument) a bordo do JWST (James Webb Space Telescope), fornecem um primeiro olhar sobre a forma como esta poderosa ferramenta irá melhorar o nosso conhecimento da formação de planetas terrestres. Astrónomos de 11 países europeus reuniram-se no projeto MINDS (MIRI mid-Infrared Disk Survey) para investigar as condições nas regiões interiores de tais discos onde se espera que se formem planetas rochosos a partir do gás e poeira que contêm. Dão o passo seguinte para decifrar as condições dos discos de formação planetária - um pré-requisito para identificar os processos que dão azo a corpos sólidos, tais como planetas e cometas, que constituem os sistemas planetários.
Os resultados iniciais apresentados em dois artigos científicos demonstram a diversidade dos "berçários" de planetas rochosos. Os discos variam desde ambientes ricos em compostos que contêm carbono, incluindo moléculas orgânicas tão complexas como o benzeno, até aglomerados que contêm dióxido de carbono e vestígios de água. Tal como as impressões digitais, estas substâncias químicas produzem assinaturas identificáveis nos espectros que os astrónomos obtêm com as suas observações. Um espectro é uma exposição da luz em forma de arco-íris ou, como neste caso, por exemplo, radiação infravermelha, dividindo-a nas cores de que é composta.
"Estamos impressionados com a qualidade dos dados produzidos pelo MIRI", diz Thomas Henning, Diretor do Instituto Max Planck para Astronomia em Heidelberg, Alemanha. Ele é o investigador principal do programa MINDS do GTO (Guaranteed Time Observation) do JWST. "Esta riqueza de linhas espectrais não revela apenas a composição química do material do disco, acabando por evoluir para planetas e para as suas atmosferas. Também nos permite determinar condições físicas como densidades e temperaturas através e dentro desses discos de formação planetária, diretamente onde os planetas crescem".
Um disco protoplanetário seco com dois tipos de dióxido de carbono
"Podemos agora estudar os componentes químicos desses discos com muito mais precisão", diz Sierra Grant, pós-doutorada no Instituto Max Planck para Física Extraterrestre em Garching, Alemanha. Ela é a autora principal de um artigo que analisa um disco em torno de uma jovem estrela de baixa massa. "O disco interior quente em torno de GW Lup parece estar bastante seco. Embora tenhamos detetado claramente moléculas contendo carbono e oxigénio, há muito menos água presente do que o esperado", explica Grant.
Espectro, obtido pelo MIRI, do disco em torno da jovem estrela GW Lup, entre os 13,5 e 16,5 micrómetros. Ao modelar o conteúdo químico, os cientistas conseguiram reproduzir o espectro medido (painel superior, linha preta). O modelo total (painel superior, área vermelha) é uma combinação de moléculas (painel inferior) tais como dióxido de carbono (CO2, verde e roxo), água (H20, azul), cianeto de hidrogénio (HCN, laranja), hidroxila (OH, rosa) e acetileno (C2H2, amarelo). Pode também consultar o espectro interativo aqui.
Crédito: S. Grant et al./MPIA
Uma lacuna em torno da estrela central desprovida de gás explicaria a falta de água. "Se essa divisão se prolongasse até entre as linhas de neve da água e do dióxido de carbono, isso explicaria porque encontramos ali tão pouco vapor de água", diz Grant. As linhas de neve indicam zonas em forma de anel a distâncias variáveis da estrela, onde as temperaturas descem para valores onde certos elementos químicos congelam. A linha de neve da água está mais perto da estrela do que a do dióxido de carbono.
Portanto, se uma cavidade se estender para além da linha de neve da água, o gás fora desse perímetro ainda conteria dióxido de carbono, mas apenas pouca água. Qualquer planeta que ali se formasse seria inicialmente bastante seco. Portanto, pequenos objetos gelados como cometas do sistema planetário exterior poderiam ser a única fonte substancial de água. Por outro lado, se um planeta que interagisse com o disco fosse responsável por tal lacuna, isto sugeriria que o planeta teria acumulado água durante a sua formação.
A equipa também detetou, pela primeira vez, uma versão muito mais rara da molécula dióxido de carbono num disco protoplanetário contendo um átomo de carbono que é ligeiramente mais pesado do que o tipo muito mais frequente. Em contraste com o dióxido de carbono "normal" que apenas sonda a superfície mais quente do disco, a radiação do irmão mais pesado pode escapar do disco a partir de camadas mais profundas e mais frias. A análise resulta em temperaturas de cerca de 200 Kelvin (-75º C) perto do plano médio do disco até aproximadamente 500 K (225º C) na sua superfície.
Química rica em carbono num disco em torno de uma estrela de massa muito baixa
A vida parece exigir carbono, formando compostos complexos. Enquanto moléculas simples de carbono, tais como monóxido de carbono e dióxido de carbono, permeiam a maioria dos discos de formação planetária, a química rica dos hidrocarbonetos do disco seguinte é bastante invulgar.
Espectro, obtido pelo MIRI, do disco em torno da jovem estrela J160532, entre os 14,5 e 16,0 micrómetros, com a emissão dominante do acetileno removida. Ao modelar o conteúdo químico, os cientistas conseguiram reproduzir o espectro medido (painel superior, linha preta). O modelo total (painel superior, área vermelha) é uma combinação de moléculas (painel inferior) tais como dióxido de carbono (CO2, azul), água (H20, azul), benzeno (C6H6, vermelho), acetileno (C2H2, verde) e diacetileno (C4H2, laranja). Pode também consultar o espectro interativo aqui.
Crédito: B. Tabone et al./MPIA
"O espectro do disco em torno da estrela de baixa massa J160532 revela gás hidrogénio quente e compostos de hidrogénio-carbono a temperaturas de cerca de 230º C", diz Benoît Tabone, investigador do CNRS (Centre national de la recherche scientifique) no Institut d’Astrophysique Spatiale, Universidade de Paris-Saclay, França, e o autor principal de outro estudo do projeto MINDS. O sinal espectral mais forte provém de moléculas quente de acetileno, constituído por dois átomos de carbono e dois de hidrogénio.
Outros gases igualmente quentes de moléculas orgânicas são o diacetileno e o benzeno, as primeiras deteções num disco protoplanetário, e provavelmente também o metano. Estas deteções indicam que este disco contém mais carbono do que oxigénio. Uma tal mistura na composição química poderia também influenciar as atmosferas dos planetas que aí se formam. Em contraste, a água parece quase ausente. Ao invés, a maior parte da água pode estar trancada em calhaus gelados no disco exterior mais frio, não rastreáveis por estas observações.
Erupções de estrelas jovens produzem sementes para os planetas
Para além do gás, o material sólido é um constituinte típico dos discos protoplanetários. Em grande parte, consiste de grãos de silicato, basicamente areia fina. Crescem de nanopartículas a agregados micrométricos e estruturados aleatoriamente. Quando aquecidos, podem assumir estruturas cristalinas. Um trabalho publicado por uma equipa liderada por Ágnes Kóspál (Instituto Max Planck para Astronomia e Observatório Konkoly, Budapeste, Hungria), que não faz parte do programa MINDS, demonstra como tais cristais podem entrar nos seixos rochosos que eventualmente constroem os planetas terrestres. Os cientistas encontram tais cristais também em cometas e na crosta da Terra.
A equipa redescobriu cristais detetados há anos atrás no disco em torno da estrela em erupção recorrente, EX Lup, apenas recuperada de uma erupção recente. Proporcionou o calor necessário para o processo de cristalização. Após um período de ausência, estes cristais reaparecem agora nos seus espectros, embora a temperaturas muito mais baixas, afastando-os ainda mais da estrela. Esta redescoberta indica que os surtos repetidos podem ser essenciais para fornecer alguns dos blocos de construção dos sistemas planetários.
Uma era dourada da investigação astronómica
Estes resultados mostram que a chegada do JWST inaugura uma nova era dourada na investigação astronómica. Já nesta fase inicial, os resultados são inéditos. "Estamos ansiosos por saber novos resultados do JWST", declara Henning. Ao todo, o programa MINDS visará os discos de 50 estrelas jovens de baixa massa. "Estamos ansiosos por aprender mais sobre a diversidade que vamos encontrar".
"Ao aperfeiçoarmos os modelos utilizados para interpretar os espectros, também vamos melhorar os resultados em mão. Eventualmente, queremos explorar todas as capacidades do JWST e do MIRI para examinar estes berços planetários", acrescenta Inga Kamp, colaboradora do MINDS e cientista do Instituto Astronómico Kapteyn da Universidade de Groninga, Países Baixos.
Aprender mais sobre a formação de planetas em torno de estrelas de massa muito baixa, ou seja, estrelas cerca de cinco a dez vezes menos massivas do que o Sol, é particularmente gratificante. Os planetas rochosos são sobreabundantes em torno destas estrelas, com muitos planetas potencialmente habitáveis já detetados. Portanto, o programa MINDS promete esclarecer algumas das questões-chave acerca da formação de planetas semelhantes à Terra e talvez sobre o aparecimento da vida.
Sismos "gelados": tremores à superfície podem despoletar deslizamentos (via NASA)
Sabe-se que muitas das luas geladas que orbitam os planetas gigantes nos confins do nosso Sistema Solar são geologicamente ativas. Júpiter e Saturno têm uma gravidade tão forte que esticam e puxam os corpos em órbita, provocando sismos que podem quebrar as crostas e superfícies. Uma nova investigação mostra, pela primeira vez, como estes tremores podem desencadear deslizamentos de terra que levam a terrenos notavelmente suaves. O estudo, publicado na revista Icarus, esboça a ligação entre os sismos e os deslizamentos de terra, lançando nova luz sobre a forma como as superfícies geladas das luas e as texturas evoluem. Ler fonte
Será que os exoplanetas parecidos com a Terra têm campos magnéticos? Distante sinal de rádio é promissor (via NSF)
O campo magnético da Terra faz mais do que manter a agulha de uma bússola apontada na mesma direção. Também ajuda a preservar a fina atmosfera da Terra que sustenta a vida, defletindo partículas de altamente energéticas e plasma que regularmente são irradiadas do sol. Os investigadores identificaram agora um possível planeta do tamanho da Terra noutro sistema solar como um candidato a também ter um campo magnético - YZ Ceti b, um planeta rochoso que orbita uma estrela a cerca de 12 anos-luz da Terra. Ler fonte
Álbum de fotografias M2-9: Asas de uma Nebulosa da Borboleta
Será que as estrelas são mais apreciadas pela sua arte depois da sua morte? Na verdade, as estrelas geralmente costumam criar as suas telas mais artísticas durante a sua morte. No caso de estrelas de baixa massa como o nosso Sol e M2-9, na imagem em destaque, as estrelas transformam-se de normais para anãs brancas, expulsando as suas camadas gasosas exteriores. O gás gasto forma frequentemente uma impressionante exibição chamada nebulosa planetária que se desvanece gradualmente ao longo de milhares de anos. M2-9, uma nebulosa planetária em forma de borboleta a cerca de 2100 anos-luz de distância, tem asas que contam uma história estranha mas incompleta. No centro, duas estrelas orbitam dentro de um disco gasoso com 10 vezes o tamanho da órbita de Plutão. O invólucro expelido da estrela moribunda irrompe a partir do disco criando a aparência bipolar. Muito permanece desconhecido sobre os processos físicos que causam nebulosas planetárias.
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