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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
  Astroboletim #1995  
  21/04 a 24/04/2023  
     
 

NOITES ASTRONÓMICAS EM TAVIRA
Observação noturna

Data: 26 de abril de 2023
Hora: 21:00
Local: Forte do Rato
Nesta noite realiza-se a sessão de observação de estrelas e Lua no Forte do Rato. Será também feito um reconhecimento das constelações. A sessão é gratuita.
Participe!
Inscrição obrigatória.
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas e está sujeita a um número mínimo e máximo de participantes
Informações e inscrições:
281 326 231 | 924 452 528
E-mail: geral@cvtavira.pt

 
     
 

APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
Por baixo das nuvens de Vénus!

Data: 11 de maio de 2023
Hora: 20:30-22:30
Nesta atividade observaremos o céu a olho nu, falaremos um pouco sobre o planeta Vénus e voltaremos depois à observação do céu recorrendo ao telescópio, sem Lua no céu.
A observação astronómica com telescópio depende de condições meteorológicas favoráveis!
Adulto:
 4€
Jovem: 2€
Menores de 12 anos: gratuito.
Inscrição obrigatória
(info@ccvalg.pt)

Pré-inscrições válidas até às 17:00 do dia anterior à realização da atividade. Após a hora referida o lugar pode não ser garantido.
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
     
 
EFEMÉRIDES

DIA 21/04: 111.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1964, um satélite Transit-5bn falha a atingir órbita da Terra após lançamento. À medida que reentra na atmosfera, 0,95 kg de plutónio radioativo da sua fonte de alimentação SNAP RTG é largamente dispersado.
Em 1994, são anunciadas as primeiras descobertas de planetas extrasolares pelos astrónomos Alexander Wolszczan e Dale Frail. Descobiram dois planetas em órbita do pulsar PSR 1257+12
Em 2002, uma erupção no Sol providencia uma excelente oportunidade para uma panóplia de instrumentos nas sondas SOHO,
TRACE e RHESSI recolherem dados para comparação com o modelo Lin & Forbes de EMCs (ejeção de massa coronal).

HOJE, NO COSMOS:
Procure a fina Lua Crescente para baixo e um pouco para a direita de Vénus ao lusco-fusco. À medida que o céu escurece observe o aparecimento de Aldebarã e depois, muito mais ténue, do enxame das Plêiades.

 

DIA 22/04: 112.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1500, Pedro Álvares Cabral chegava pela primeira vez ao Brasil, numa viagem épica em que o Oceano era o equivalente atual do Espaço.
Em 1891, nascia Harold Jeffreys, astrogeofísico e o primeiro a teorizar o núcleo líquido da Terra. Jeffreys também fez contribuições para o nosso conhecimento da fricção de marés, nutação, estrutura planetária geral e da origem do Sistema Solar. 
Em 1904, nascia Robert Oppenheimer, físico americano mais conhecido pelo seu papel como diretor científico do Projeto Manhattan.

É por isso lembrado como o "Pai da Bomba Atómica". 
Em 1970 comemorava-se pela primeira vez o Dia da Terra.
HOJE, NO COSMOS:
Vénus, a Lua Crescente e Aldebarã formam um triângulo quase isósceles a oeste ao cair da noite.

 

DIA 23/04: 113.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1792, nascia John Thomas Romney Robinson, astrónomo irlandês que compilou o catálogo estelar Armagh, fez trabalhos sobre a construção de instrumentos astronómicos e foi também provavelmente o inventor de um aparelho que media a velocidade do vento, o anemómetro de Robinson. A cratera Robinson na Lua tem o seu nome.
Em 1858, nascia Max Planck, físico alemão considerado o fundador da teoria quântica, pela qual recebeu o Prémio Nobel da Física em 1918.

Em 1967, era lançada a missão Soyuz 1 com o Coronel Valentim Komarov a bordo, que viria a morrer no dia seguinte quando a nave se despenhou contra o solo na reentrada.
Em 2009, a explosão de raios-gama GRB 090423 é observada durante 10 segundos, classificada à data como o segundo objeto mais distante e antigo do Universo conhecido.
HOJE, NO COSMOS:
Esta noite o nosso satélite natural já brilha por cima do planeta Vénus durante e após o cair da noite.

 

DIA 24/04: 114.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1967, o cosmonauta Vladimir Komarov morre a bordo da Soyuz 1, quando o pára-quedas se recusa a abrir. É o primeiro ser humano a morrer numa missão espacial.
Em 1970, é lançado o primeiro satélite chinês, o Dong Fang Hong I.
Em 1971, a Soyuz 10 acopla com a Salyut 1. 
Em 1990, STS-31: o telescópio espacial Hubble é lançado a bordo do vaivém Discovery.

Em 1992, o COBE envia dados que confirmam a existência de flutuações de temperatura na radiação de fundo dos confins do Universo. Esta observação suporta a teoria do Big Bang
Em 2007, Gliese 581 d é descoberto por um observatório chileno, que se pensa ser um exoplaneta habitável.
HOJE, NO COSMOS:
A Lua deixa a vizinhança de Vénus e Aldebarã para começar a entrar na direção da constelação de Gémeos. Esta noite situa-se quase no ponto médio entre o planeta Vénus e o planeta Marte, que está mais para a esquerda e um pouco mais alto.

 
 
   
Investigadores descobrem uma pequena galáxia com extraordinária formação estelar no Universo distante

Utilizando as primeiras observações do seu género, pelo Telescópio Espacial James Webb, uma equipa liderada pela Universidade do Minnesota observou mais de 13 mil milhões de anos no passado para descobrir uma galáxia única e minúscula que gerou novas estrelas a um ritmo extremamente elevado para o seu tamanho. A galáxia é uma das mais pequenas alguma vez descobertas a esta distância - cerca de 500 milhões de anos após o Big Bang - e poderá ajudar os astrónomos a aprender mais sobre as galáxias que estavam presentes pouco depois do início do Universo.

O artigo científico foi publicado na revista Science. Os investigadores da Universidade do Minnesota foram das primeiras equipas a estudar uma galáxia distante utilizando o Telescópio Espacial James Webb e as suas descobertas estão entre as primeiras publicadas.

 
Imagem da pequena galáxia RX J2129-z95 descoberta graças ao JWST, formada apenas 500 milhões de anos após o Big Bang. O seu estudo poderá ajudar os astrónomos a aprender mais sobre as galáxias que existiam pouco depois do Big Bang.
Crédito: ESA/Webb, NASA e CSA, P. Kelly
 

O estudo de galáxias que estavam presentes quando o Universo era muito mais novo pode ajudar os cientistas a aproximarem-se da resposta a uma enorme questão em astronomia sobre como o Universo se tornou reionizado, mas a observação destes corpos distantes pode ser um desafio. Neste caso, os investigadores foram capazes de encontrar e estudar esta pequena galáxia devido a um fenómeno chamado lente gravitacional - onde a massa, como a de uma galáxia ou enxame de galáxias, curva e amplia a luz. Um enxame galáctico que atua como lente fez com que esta pequena galáxia de fundo aparecesse 20 vezes mais brilhante do que seria se o enxame não estivesse a ampliar a sua luz. Os investigadores utilizaram a espectroscopia para medir a distância da galáxia, para além das suas propriedades físicas e químicas.

"Esta galáxia está muito além do alcance de todos os telescópios exceto o James Webb e estas primeiras observações da distante galáxia são espetaculares", disse Patrick Kelly, autor sénior do artigo e professor assistente na Faculdade de Ciências e Engenharia da Universidade do Minnesota. "Aqui, somos capazes de ver a maior parte do caminho de volta ao Big Bang e nunca olhámos, com este nível de detalhe, para galáxias quando o Universo era tão jovem. O volume da galáxia é aproximadamente um milionésimo do da Via Láctea, mas podemos ver que ainda está a formar o mesmo número de estrelas todos os anos".

O Telescópio Espacial James Webb pode recolher cerca de 10 vezes mais luz do que o Telescópio Espacial Hubble e é muito mais sensível a comprimentos de onda mais longos e avermelhados no espectro infravermelho. Os investigadores disseram que isto permite aos cientistas acederem a uma janela de dados inteiramente nova.

"As galáxias que existiam quando o Universo estava na sua infância são muito diferentes das que vemos agora no Universo próximo", explicou Hayley Williams, primeira autora do artigo científico e estudante de doutoramento no Instituto de Astrofísica do Minnesota. "Esta descoberta pode ajudar-nos a aprender mais sobre as características dessas primeiras galáxias, como elas diferem das galáxias vizinhas e como as galáxias mais antigas se formaram".

// Universidade do Minnesota (comunicado de imprensa)
// Instituto de Astrofísica das Canárias (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Science)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

Formação estelar:
Wikipedia

Lentes gravitacionais:
Wikipedia

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
STScI (website para o público)
ESA
ESA/Webb
Wikipedia
Facebook
Twitter
Instagram
Blog do JWST (NASA)
Programas DD-ERS do Webb (STScI)
Programas GO do Webb (STScI)
NIRISS (NASA)
NIRCam (NASA)
MIRI (NASA)
NIRSpec (NASA)

 
   
As estrelas pobres em metais são mais "amigas da vida"

Cientistas dos Institutos Max Planck para a Investigação do Sistema Solar e para a Química descobriram que estrelas que contêm relativamente grandes quantidades de elementos pesados fornecem condições menos favoráveis para o aparecimento de vida complexa do que estrelas pobres em metais. A equipa mostrou como a metalicidade de uma estrela está ligada à capacidade dos seus planetas em se rodearem de uma camada protetora de ozono. Crucial para isto é a intensidade da luz ultravioleta que a estrela emite para o espaço em diferentes comprimentos de onda. O estudo fornece aos cientistas que procuram sistemas estelares habitáveis, com telescópios espaciais, pistas importantes sobre onde este esforço poderia ser particularmente promissor. Sugere também uma conclusão surpreendente: à medida que o Universo envelhece, torna-se cada vez mais hostil ao aparecimento de vida complexa em novos planetas.

 
Crédito: Instituto Max Planck/hormesdesign.de
 

Na procura por planetas habitáveis ou até mesmo habitados, em órbita de estrelas distantes, os investigadores têm-se concentrado cada vez mais, nos últimos anos, nos invólucros de gás destes mundos. Será que os dados observacionais mostram indícios de uma atmosfera? Será que contêm até gases como o oxigénio ou o metano, que na Terra são produzidos quase exclusivamente como produtos metabólicos de formas de vida? Nos próximos anos, tais observações serão empurradas para novos limites. O Telescópio Espacial James Webb da NASA permitirá não só caracterizar as atmosferas de gigantes gasosos como os super-Neptunos, mas também analisar pela primeira vez os sinais espectrográficos muito mais fracos das atmosferas de planetas rochosos.

Com a ajuda de simulações numéricas, o estudo atual, que foi publicado na revista Nature Communications, voltou-se agora para o conteúdo de ozono das atmosferas exoplanetárias. Tal como na Terra, esta molécula composta por três átomos de oxigénio pode proteger a superfície do planeta (e as formas de vida que nele residem) da radiação ultravioleta (UV) que danifica as células. Uma camada protetora de ozono é assim um pré-requisito importante para o aparecimento de vida complexa. "Queríamos compreender as propriedades que uma estrela deve ter para que os seus planetas formem uma camada protetora de ozono", Anna Shapiro, cientista do Instituto Max Planck para a Investigação do Sistema Solar e primeira autora do estudo atual, explica a ideia básica.

Como muitas vezes na ciência, esta ideia foi desencadeada por uma descoberta anterior. Há três anos, investigadores liderados pelo Instituto Max Planck para a Investigação do Sistema Solar compararam as variações de luminosidade do Sol com as centenas de estrelas semelhantes ao Sol. O resultado: a intensidade da luz visível de muitas destas estrelas flutua muito mais fortemente do que no caso do Sol. "Vimos enormes picos de intensidade", diz o Dr. Alexander Shapiro, que esteve envolvido tanto nas análises de há três anos atrás como no estudo atual. "É, portanto, bem possível que o Sol também seja capaz de tais picos de intensidade". Nesse caso, também a intensidade da luz ultravioleta aumentaria drasticamente", acrescenta. "Por isso, naturalmente, perguntámo-nos o que isto significaria para a vida na Terra e como é a situação noutros sistemas estelares", diz Sami Solanki, diretor do Instituto Max Planck para a Investigação do Sistema Solar e coautor de ambos os estudos.

O papel duplo da radiação UV

À superfície de cerca de metade de todas as estrelas em torno das quais foi demonstrado que os exoplanetas orbitam, as temperaturas variam entre cerca de 5000 e cerca de 6000 graus Celsius. Nos seus cálculos, os investigadores voltaram-se, portanto, para este subgrupo. Com uma temperatura de superfície de aproximadamente 5500º C, o Sol é também uma delas. "Na química atmosférica da Terra, a radiação ultravioleta do Sol desempenha um papel duplo", explica a Dra. Anna Shapiro, cuja investigação passada se centrou na influência da radiação solar na atmosfera da Terra. Nas reações com átomos individuais de oxigénio e moléculas de oxigénio, o ozono pode tanto ser criado como destruído. Enquanto a radiação UVB destrói o ozono, a radiação UVC ajuda a criar ozono protetor na atmosfera média. “Era, portanto, razoável assumir que a luz ultravioleta pode ter uma influência igualmente complexa nas atmosferas dos exoplanetas", acrescenta a astrónoma. Os comprimentos de onda precisos são cruciais.

Os investigadores calcularam assim exatamente quais os comprimentos de onda que compõem a luz ultravioleta emitida pelas estrelas. Pela primeira vez, consideraram também a influência da metalicidade. Esta propriedade descreve a proporção entre o hidrogénio e os elementos mais pesados (simplista e de certa forma enganadoramente chamados "metais" pelos astrofísicos) no material de construção da estrela. No caso do Sol, existem mais de 31.000 átomos de hidrogénio por cada átomo de ferro. O estudo também considerou estrelas com menor e maior teor de ferro.

Interações simuladas da radiação UV com gases

Numa segunda fase, a equipa investigou como a radiação UV calculada afetaria as atmosferas dos planetas em órbita destas estrelas e a uma distância amiga da vida. As distâncias favoráveis à vida são aquelas que permitem temperaturas moderadas - nem demasiado quentes nem demasiado frias para a existência de água líquida - à superfície do planeta. Para tais mundos, a equipa simulou no computador exatamente que processos a luz UV, característica da estrela-mãe, põe em andamento na atmosfera do planeta.

Para calcular a composição das atmosferas planetárias os investigadores utilizaram um modelo químico-climático que simula os processos que controlam o oxigénio, o ozono e muitos outros gases e as suas interações com a luz ultravioleta das estrelas, com uma resolução espectral muito alta. Este modelo permitiu a investigação de uma grande variedade de condições em exoplanetas e a comparação com a história da atmosfera terrestre nos últimos quinhentos milhões de anos. Durante este período, foram estabelecidos o elevado teor de oxigénio atmosférico e a camada de ozono, que permitiram a evolução da vida em terra. "É viável que a história da Terra e da sua atmosfera contenha pistas sobre a evolução da vida que podem também aplicar-se aos exoplanetas", disse Jos Lelieveld, Diretor Geral do Instituto Max Planck para a Química, que esteve envolvido neste estudo.

Candidatos promissores

Os resultados das simulações foram surpreendentes para os cientistas. No geral, as estrelas pobres em metais emitem mais radiação UV do que as suas homólogas ricas em metais. Mas o rácio entre a radiação UVC, gerada de ozono, e a radiação UVB, destruidora de ozono, também depende criticamente da metalicidade: nas estrelas pobres em metais, a radiação UVC predomina, permitindo a formação de uma camada densa de ozono. Para estrelas ricas em metais, com a sua radiação UVB predominante, este invólucro protetor é muito mais esparso. "Ao contrário das expetativas, as estrelas pobres em metais devem assim proporcionar condições mais favoráveis ao aparecimento da vida", conclui Anna Shapiro.

Esta descoberta poderá ser útil para futuras missões espaciais, tais como a missão PLATO (PLAnetary Transits and Oscillations of stars) da ESA, que irá examinar uma vasta gama de estrelas em busca de sinais de exoplanetas habitáveis. Com 26 telescópios a bordo, a sonda será lançada para o espaço em 2026 e concentrará a sua atenção principalmente em planetas semelhantes à Terra que orbitam estrelas semelhantes ao Sol a distâncias favoráveis à vida. O centro de dados da missão está atualmente a ser criado no Instituto Max Planck para a Investigação do Sistema Solar. "O nosso estudo atual dá-nos pistas valiosas sobre quais as estrelas a que sonda Plato deve prestar especial atenção", diz Laurent Gizon, Diretor Geral do Instituto e coautor do estudo atual.

Conclusão paradoxal

Além disso, o estudo permite uma conclusão quase paradoxal: à medida que o Universo envelhece, é provável que se torne cada vez mais hostil à vida. Os metais e outros elementos pesados são formados dentro das estrelas no final da sua vida de vários milhares de milhões de anos e - dependendo da massa da estrela - são libertados para o espaço como vento estelar ou numa explosão de supernova: o material de construção da próxima geração de estrelas. "Cada estrela recém-formada tem, portanto, mais material de construção rico em metais do que as suas antecessoras. As estrelas no Universo estão a tornar-se mais ricas em metais com cada geração", diz Anna Shapiro. De acordo com o novo estudo, a probabilidade de os sistemas estelares produzirem vida também diminui à medida que o Universo envelhece. No entanto, a procura por vida não é impossível. Afinal de contas, muitas estrelas hospedeiras de exoplanetas têm uma idade semelhante à do Sol. E esta estrela é, de facto, conhecida por abrigar formas de vida complexas e interessantes em pelo menos um dos seus planetas.

// Instituto Max Planck (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Communications)

 


Quer saber mais?

Metalicidade:
Wikipedia

Camada de ozono:
Wikipedia

Ozono:
Wikipedia

Radiação ultravioleta:
Wikipedia

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Lista de exoplanetas candidatos a albergar água líquida (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
NASA
Exoplanet.eu

PLATO:
ESA
Wikipedia

 
   
TESS da NASA celebra quinto ano à procura de novos mundos
 
A Galáxia de Andrómeda (centro) brilha neste detalhe de um sector fotografado pela missão TESS da NASA.
Crédito: NASA/MIT/TESS e Ethan Kruse (Universidade de Maryland College Park)
 

Agora no seu quinto ano no espaço, o TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA continua a ser um grande sucesso. As câmaras do TESS mapearam mais de 93% de todo o céu, descobriram 329 novos mundos e milhares de candidatos e forneceram novos conhecimentos sobre uma vasta gama de fenómenos cósmicos, desde pulsações estelares e estrelas explosivas aos buracos negros supermassivos.

Usando as suas quatro câmaras, o TESS monitoriza grandes faixas do céu chamadas sectores durante cerca de um mês de cada vez. Cada sector mede 24 por 96 graus, cerca da largura de uma mão à distância do braço esticado desde o horizonte e até ao zénite. As câmaras captam um total de 192 milhões de pixéis em cada imagem completa. Durante a sua missão principal, o TESS capturou uma destas imagens a cada 30 minutos, mas esta "enxurrada" de dados tem aumentado com o tempo. As câmaras registam agora cada sector a cada 200 segundos.

"O volume de dados de alta qualidade, agora disponível, é bastante impressionante", disse Knicole Colón, cientista do projeto TESS no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. "Temos mais de 251 terabytes apenas para um dos principais produtos de dados, de nome imagens de quadro completo. Isto é o equivalente a fazer streaming de 167.000 filmes em 'full HD'".

"O TESS extrai partes de cada imagem de quadro completo para fazer recortes em torno de objetos cósmicos específicos - mais de 467.000 neste momento - e juntos criam um registo detalhado da mudança de brilho para cada um deles", disse Christina Hedges, chefe do Gabinete de Investigação Geral do TESS e investigadora na Universidade de Maryland e no Centro Goddard. "Utilizamos estes ficheiros para produzir curvas de luz, um produto que mostra graficamente como o brilho de uma fonte se altera ao longo do tempo".

Para encontrar exoplanetas, ou mundos para lá do nosso Sistema Solar, o TESS procura a diminuição de brilho estelar provocado por um planeta em órbita quando este passa à sua frente, da perspetiva do Sistema Solar. Mas as estrelas também mudam de brilho por outras razões: explodindo como supernovas, erupções repentinas, manchas estelares nas suas superfícies giratórias e até ligeiras alterações devido a oscilações impulsionadas por ondas sonoras internas. As observações rápidas e regulares do TESS permitem um estudo mais detalhado destes fenómenos.

Algumas estrelas dão ao TESS uma mistura destes comportamentos que alteram o seu brilho. Um exemplo é AU Microscopii, que se pensa ter cerca de 25 milhões de anos - uma jovem rebelde com menos de 1% da idade do nosso Sol. Regiões com manchas à superfície de AU Mic crescem e encolhem e a rotação da estrela trá-las para dentro e leva-as para fora de vista. A estrela tempestuosa também irrompe com surtos frequentes. Com tudo isto a acontecer, o TESS, com a ajuda do agora reformado Telescópio Espacial Spitzer da NASA, descobriu um planeta com cerca de quatro vezes o tamanho da Terra que completa uma órbita a cada 8,5 dias. E, em 2022, os cientistas anunciaram que os dados do TESS revelaram outro mundo, mais pequeno, quase três vezes maior do que a Terra com uma órbita de 18,9 dias. Estas descobertas tornaram o sistema muito importante no que toca a compreender como as estrelas e os planetas se formam e evoluem.

Aqui ficam mais alguns dos maiores êxitos da missão:

  • O TESS observou, até agora, milhares de supernovas e centenas de outros candidatos transitórios, ou de curta duração;
  • TOI 700 d foi o primeiro planeta que o TESS descobriu que orbita dentro da zona habitável da sua estrela. Esta é a gama de distâncias orbitais onde a água líquida poderia, potencialmente, existir à superfície do planeta. Em janeiro, os astrónomos anunciaram que a este mundo do tamanho da Terra se juntou outro, TOI 700 e, que também orbita na zona habitável da estrela;
  • A galáxia ativa ESO 253-3 abriga um buraco negro com 78 milhões de vezes a massa do Sol com ciclos de atividade a cada 114 dias, o primeiro buraco negro supermassivo com surtos regulares. Para compreender porquê, os astrónomos combinaram observações terrestres das erupções com dados do TESS, do Swift e NuSTAR da NASA, e do satélite XMM-Newton operado pela ESA. A resposta mais provável, dizem, é que uma estrela gigante passa perto o suficiente do buraco negro monstruoso uma vez a cada órbita para a gravidade do buraco negro retirar algum gás estelar. Este material cai para dentro, criando um clarão quando atinge o vasto disco de gás que envolve o buraco negro;
  • O TESS descobriu um trio de mundos quentes maiores do que a Terra orbitando uma versão muito mais jovem do nosso Sol de nome TOI 451, localizada a cerca de 400 anos-luz de distância. O sistema foi encontrado num recém-descoberto "rio" de estrelas, chamado corrente Peixe-Erídano, que se estende por um-terço do céu. O TESS mostrou que muitas das estrelas reveladas tinham manchas estelares e giravam rapidamente - evidência clara de que a corrente tinha apenas 120 milhões de anos, ou um-oitavo da idade das estimativas anteriores.
 
Esta ilustração mostra as características principais de TOI 451, um sistema com três planetas localizado a 400 anos-luz de distância na direção da constelação de Erídano.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA
 

O enorme volume de dados que o TESS já capturou augura novas descobertas. É uma biblioteca de observações que os astrónomos vão continuar a explorar durante anos, mas há muito mais por vir.

"Estamos a celebrar o quinto ano de operações do TESS - e desejamos-lhe muitos parabéns!" disse Colón.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Imagem do céu, pelo TESS, celebrando o seu 5.º aniversário (NASA via YouTube)
// TESS encontra segundo planeta do tamanho da Terra no mesmo sistema (NASA Goddard via YouTube)
// Swift e TESS captam erupções de uma galáxia ativa (NASA Goddard via YouTube)

 


Quer saber mais?

TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite):
NASA
NASA/Goddard
Programa de Investigadores do TESS (HEASARC da NASA)
MAST (Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais)
Exoplanetas descobertos pelo TESS (NASA Exoplanet Archive)
Wikipedia

AU Mic:
Wikipedia
AU Mic b (Exoplanet.eu)
AU Mic c (Exoplanet.eu)

Sistema planetário TOI 700:
ipac/NASA
Wikipedia
TOI 700 b (NASA)
TOI 700 b (Exoplanet.eu)
TOI 700 c (NASA)
TOI 700 c (Exoplanet.eu)
TOI 700 d (NASA)
TOI 700 d (Exoplanet.eu)
TOI 700 d (Wikipedia)
TOI 700 e (Exoplanet.eu)

TOI 451:
Open Exoplanet Catalogue
TOI 451 b (NASA)
TOI 451 b (Exoplanet.eu)
TOI 451 c (NASA)
TOI 451 c (Exoplanet.eu)
TOI 451 d (NASA)
TOI 451 d (Exoplanet.eu)

 
   

Álbum de fotografias
NGC 3628: A Galáxia do Hambúrguer

(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Mike Selby e Mark Hanson
 
Imagens telescópicas de NGC 3628 mostram um disco galáctico inchado dividido por faixas de poeira escura. Naturalmente, este retrato profundo da magnífica galáxia espiral vista de lado coloca na mente dos astrónomos a sua alcunha popular, a Galáxia do Hambúrguer. Também revela uma ténue mas extensa cauda de maré. A cauda prolongada estende-se por cerca de 30.000 anos-luz, mesmo até para lá da borda esquerda da imagem. NGC 3628 partilha a sua vizinhança no Universo local com outras duas grandes espirais, M65 e M66, num grupo também conhecido como Tripleto de Leão. As interações gravitacionais com as suas vizinhas cósmicas são provavelmente responsáveis pela criação da cauda de maré, bem como pela distorção do disco desta espiral. O tentador universo-ilha tem cerca de 100.000 anos-luz de diâmetro e situa-se a 35 milhões de anos-luz de distância na direção da constelação de primavera, Leão.
 
   
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