APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
O Regresso dos Gigantes Data: 13 de julho Hora: 21:30-23:00
Nesta sessão falaremos dos planetas gigantes que durante este verão começam a surgir acima do horizonte ao início da madrugada! Na segunda parte da atividade faremos uma observação noturna com telescópio, se o tempo o permitir.
Adulto: 4€ Jovem: 2€ Menores de 12 anos: gratuito. Inscrição obrigatória - seguir este link
Pré-inscrições válidas até às 17:00 do dia anterior à realização da atividade. Após a hora referida o lugar pode não ser garantido. Telefone: 289 890 920 E-mail: info@ccvalg.pt
EFEMÉRIDES
DIA 27/06: 178.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1949 era descoberto o asteroide Ícaro, com um telescópio de 48 polegadas que entrou em funcionamento nove meses antes. Descobriu-se que o asteroide tem uma órbita acentuadamente excêntrica e uma distância perial de apenas 27 milhões e 358 mil quilómetros, mais próximo do Sol que Mercúrio (daí o seu nome). Estava apenas a 6 milhões e 500 mil quilómetros da Terra na altura da sua descoberta.
Em 1982 era lançada a missão STS-4 do vaivém Columbia.
Em 1995, lançamento da STS-71, do Atlantis, a primeira missão do vaivém espacial a atracar com a MIR.
Em 2013, a NASA lança o IRIS, uma sonda para observar o Sol. HOJE, NO COSMOS:
As estrelas centrais da constelação de Lira, que formam um pequeno triângulo e paralelograma, apoiam-se para baixo e para a direita de Vega a este. As duas estrelas mais brilhantes do padrão, depois de Vega, são as estrelas que perfazem a parte de baixo do paralelograma: Beta e Gamma Lyrae (Sheliak e Sulafat, respetivamente). Estão atualmente alinhadas na vertical. Beta é a que está no topo. Beta Lyrae é um binário eclipsante. Compare-o com Gamma sempre que observar Lira. Normalmente, Beta é apenas um ligeiramente mais ténue do que Gamma. Eventualmente, apanhará Beta quando é obviamente mais ténue do que o normal.
DIA 28/06: 179.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1911, rochas do meteorito Nakhla caem na Terra, perto de Alexandria, Egipto.
Descobriu-se mais tarde que estas 40 pedras vieram de Marte. A origem das rochas que caíram para a Terra pode ser determinada através da sua análise química. As rochas marcianas têm uma composição semelhante.
Em 2011, o Telescópio Espacial Hubble descobre outra lua em redor de Plutão, temporariamente denominada P4. A descoberta foi novamente verificada no dia 20 de julho do mesmo ano. O nome oficial da lua é agora Cérbero. HOJE, NO COSMOS:
Esta é a altura do ano em que, depois do cair da noite, a pequena Ursa Menor flutua para cima da Estrela Polar - como um balão de hélio preso a um fio que escapou de uma festa de verão. No entanto, através da poluição luminosa, tudo o que poderá ver da Ursa Menor é a Polar em baixo e Kochab, no topo.
DIA 29/06: 180.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1818, nascia Angelo Secchi, astrónomo italiano. Foi Diretor do Observatório da Universidade Gregoriana Pontifical durante 28 anos. Foi um pioneiro na espectroscopia astronómica, um dos primeiros cientistas a afirmar autoritariamente que o Sol era uma estrela.
Em 1868, nascia George Hale, astrónomo solar americano.
Foi quem sugeriu a Einstein (após este lhe ter perguntado) que a sua teoria da curvatura da luz devido à gravidade só poderia ser testada durante um eclipse solar total do Sol.
Em 1961 era lançado o primeiro satélite a energia nuclear, o satélite americano Transit 4A.
Em 1995, a missão STS-71 do vaivém Atlantis doca pela primeira vez com a estação espacial Mir. HOJE, NO COSMOS:
A Lua brilha a cerca de dois-terços da distância entre Espiga, bem para a sua direita, e Antares, à sua "espera" à esquerda.
Começou uma nova era de descobertas exoplanetárias, graças a imagens de um "irmão mais novo" de Júpiter
O movimento do exoplaneta AF Lep b (mancha branca mais ou menos na posição das 10 horas do relógio) em torno da sua estrela hospedeira (centro) pode ser visto nestas duas imagens tiradas em dezembro de 2021 e fevereiro de 2023. As imagens foram obtidas usando o telescópio de 10 metros do Observatório W. M. Keck no Hawaii. Crédito: Kyle Franson, Universidade do Texas em Austin/W. M. Keck
Astrónomos, utilizando o Observatório W. M. Keck em Maunakea, no Hawaii, descobriram um dos planetas de menor massa cujas imagens foram captadas diretamente. Não só conseguiram medir a sua massa, como também determinaram que a sua órbita é semelhante à dos planetas gigantes do nosso próprio Sistema Solar.
O planeta, chamado AF Lep b, é um dos primeiros a ser descoberto através de uma técnica chamada astrometria; este método mede os movimentos subtis de uma estrela hospedeira ao longo de muitos anos para ajudar os astrónomos a determinar se companheiros orbitais difíceis de ver, incluindo planetas, estão a puxá-la gravitacionalmente.
O estudo, liderado por Kyle Franson, estudante de astronomia da Universidade do Texas em Austin (UT Austin), foi publicado na revista The Astrophysical Journal Letters.
"Quando processámos as observações com o telescópio Keck II em tempo real para remover cuidadosamente o brilho da estrela, o planeta apareceu imediatamente e tornou-se cada vez mais aparente quanto mais tempo observámos", disse Franson.
As imagens diretas que a equipa de Franson captou revelaram que AF Lep b tem cerca de três vezes a massa de Júpiter e orbita AF Leporis, uma jovem estrela semelhante ao Sol a cerca de 87,5 anos-luz de distância. A equipa de Franson captou uma série de imagens profundas do planeta a partir de dezembro de 2021; duas outras equipas também captaram imagens do mesmo planeta desde então.
"Esta é a primeira vez que este método é usado para encontrar um planeta gigante em órbita de uma jovem análoga do Sol", disse Brendan Bowler, professor assistente de astronomia na UT Austin e autor sénior do estudo. "Isto abre a porta à utilização desta abordagem como uma nova ferramenta para a descoberta de exoplanetas".
Apesar de ter uma massa muito mais pequena do que a da sua estrela hospedeira, um planeta em órbita faz com que a posição da estrela oscile ligeiramente em torno do centro de massa do sistema planetário. A astrometria usa esta mudança na posição de uma estrela no céu relativamente a outras estrelas para inferir a existência de planetas em órbita. Franson e Bowler identificaram a estrela AF Leporis como uma estrela que poderia albergar um planeta, dada a forma como se tinha movido durante 25 anos de observações dos satélites Hipparcos e Gaia.
Para obter imagens diretas do planeta, a equipa da UT Austin utilizou o sistema de ótica adaptativa do Observatório Keck, que corrige as flutuações causadas pela turbulência na atmosfera da Terra, em conjunto com o coronógrafo do instrumento NIRC2 (Near-Infrared Camera 2) do Telescópio Keck II, que suprime a luz da estrela hospedeira para que o planeta possa ser visto mais claramente. AF Lep b é cerca de 10.000 vezes mais fraco do que a sua estrela hospedeira e está localizado a cerca de 8 vezes a distância Terra-Sol.
Este gráfico mostra as massas e as distâncias orbitais de todos os exoplanetas que foram diretamente fotografados até agora. Os astrónomos confirmaram as massas de cinco (assinalados com estrelas) e estimaram as dos restantes (pontos). O novo planeta fotografado, AF Lep b (estrela amarela), tem uma massa e uma órbita que o tornam um dos exoplanetas mais parecidos com Júpiter fotografados até agora.
Crédito: Brendan Bowler, Universidade do Texas em Austin
"A obtenção de imagens de exoplanetas é um desafio", disse Franson. "Só temos cerca de 15 exemplos e pensamos que esta nova abordagem 'dinamicamente informada', possível graças ao telescópio Keck II, ao sistema de ótica adaptativa e ao NIRC2, será muito mais eficiente em comparação com os levantamentos cegos que têm sido efetuados nas últimas duas décadas."
As duas formas mais comuns de encontrar exoplanetas envolvem a observação de uma ligeira e periódica queda na luz estelar quando um planeta passa em frente da estrela - como um inseto que voa em torno de uma luz - e a medição de alterações mínimas nas frequências da luz estelar que resultam do facto de o planeta puxar a estrela para trás e para a frente na direção da Terra. Ambos os métodos tendem a funcionar melhor com planetas grandes que orbitam perto das suas estrelas hospedeiras, e ambos os métodos são indiretos: não vemos o planeta, apenas vemos a forma como ele influencia a estrela.
O método de combinar imagens diretas com astrometria pode ajudar os astrónomos a encontrar exoplanetas que antes eram difíceis de encontrar com outros métodos, porque estavam demasiado longe da sua estrela hospedeira, tinham uma massa demasiado baixa ou porque não tinham órbitas vistas de lado a partir da perspetiva da Terra. Outra vantagem desta técnica é que permite aos astrónomos medir diretamente a massa de um planeta, o que é difícil com outros métodos a grandes distâncias orbitais.
Bowler disse que a equipa planeia continuar a estudar AF Lep b.
"Este será um excelente alvo para caracterizar com o Telescópio Espacial James Webb e com a próxima geração de grandes telescópios terrestres como o GMT (Giant Magellan Telescope) e o TMT (Thirty Meter Telescope)," disse Bowler. "Já estamos a planear esforços de acompanhamento mais sensíveis, em comprimentos de onda maiores, para estudar as propriedades físicas e a química atmosférica deste planeta."
Este exoplaneta pode revelar segredos sobre o "limite da habitabilidade"
Impressão de artista que mostra a potencial evolução do exoplaneta LP 890-9c de uma Terra quente para um seco Vénus.
Crédito: Instituto Carl Sagan/R. Payne
A que distância pode um planeta rochoso estar de uma estrela e ainda assim ter água e vida?
De acordo com uma nova investigação liderada por Lisa Kaltenegger, diretora do Instituto Carl Sagan e professora de astronomia na Faculdade de Artes e Ciências da Universidade Cornell, um exoplaneta recentemente descoberto pode ser a chave para resolver esse mistério, fornecendo informações importantes sobre as condições no limite interior da zona habitável de uma estrela e sobre a razão pela qual a Terra e Vénus se desenvolveram de forma tão diferente.
A equipa de Kaltenegger descobriu que a "super-Terra" LP 890-9c (também designada por SPECULOOS-2c), que orbita perto do limite interior da zona habitável do seu sistema, terá um aspeto muito diferente consoante ainda tenha oceanos quentes, uma atmosfera de vapor ou caso tenha perdido a água, partindo do princípio de que já teve oceanos como a Terra.
"Olhar para este planeta dir-nos-á o que se passa no limite interior da zona habitável - quanto tempo um planeta rochoso pode manter a habitabilidade quando começa a aquecer", disse Kaltenegger. "Vai ensinar-nos algo fundamental sobre a forma como os planetas rochosos evoluem com o aumento da luz estelar e sobre o que um dia nos irá acontecer a nós e à Terra."
Kaltenegger é a autora principal de um artigo científico publicado a 21 de junho na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society: Letters. Os coautores são Rebecca Payne, investigadora do Departamento de Astronomia; Zifan Lin, estudante de doutoramento no MIT (Massachusetts Institute of Technology); James Kasting, professor emérito da Universidade Estatal da Pensilvânia; e Laetitia Delrez, investigadora pós-doutorada da Universidade de Liège, na Bélgica, que liderou uma equipa internacional que relatou a descoberta de LP 890-9c em setembro de 2022.
Um artigo complementar liderado por Jonathan Gomez Barrientos, estudante no Instituto de Tecnologia da Califórnia, demonstra que o Telescópio Espacial James Webb da NASA poderia distinguir entre as diferentes atmosferas potenciais do exoplaneta, tornando-o um alvo principal para o observatório. Kaltenegger é coautora juntamente com Ryan J. MacDonald, um antigo investigador de Cornell e agora bolseiro Sagan da NASA na Universidade de Michigan.
LP 890-9c é uma das duas super-Terras que orbitam uma estrela anã vermelha situada a 100 anos-luz da Terra, anunciou a equipa de Delrez - que incluía Kaltenegger - no ano passado (o TESS - Transiting Exoplanet Survey Satellite - da NASA já tinha identificado LP 890-9b). Segundo a equipa, é possível que exista água líquida ou uma atmosfera rica em vapor de água em LP 890-9c, que é cerca de 40% maior do que a Terra e completa uma órbita em torno da pequena e fria estrela a cada 8,5 dias.
Estes critérios sugeriram que era um dos melhores alvos para o Webb estudar entre os planetas terrestres conhecidos e potencialmente habitáveis, para além do sistema TRAPPIST-1.
"A professora Kaltenegger e eu pensávamos que este exoplaneta poderia ser um excelente alvo para o JWST," disse Barrientos, "mas agora provámos esta hipótese e que LP 890-9c pode, potencialmente, revelar se a vida é possível no limite - o limite interior da zona habitável."
Os modelos da sua equipa são os primeiros a detalhar as diferenças nas assinaturas químicas geradas por planetas rochosos perto do limite interior da zona habitável, com base em variáveis que incluem o tamanho do planeta, massa, composição química, temperatura e pressão à superfície, altura da atmosfera e cobertura de nuvens. Os cálculos foram fundamentais para estimar o tempo que o JWST necessitaria para confirmar a composição básica de uma atmosfera - a existir uma.
Os modelos abrangem vários cenários que se pensa refletirem as fases evolucionárias dos planetas rochosos, desde uma "Terra quente" onde a vida ainda é possível, até um Vénus desolado com uma atmosfera de dióxido de carbono. No meio estão fases que a Terra deverá experimentar à medida que o Sol se torna mais brilhante e mais quente com a idade, fazendo com que os oceanos se evaporem gradualmente e encham a atmosfera de vapor antes de entrarem em ebulição total.
Não se sabe quanto tempo demoram esses processos e os astrónomos dizem que LP 890-9c fornece uma rara oportunidade para explorar essa evolução.
"Este planeta é o primeiro alvo onde podemos testar estes diferentes cenários", disse Kaltenegger. "Se ainda for uma Terra quente - quente, mas com água líquida e condições para a vida - então o limite interior da zona habitável poderá estar repleto de vida. Se virmos que já é totalmente semelhante a Vénus, então a água pode perder-se mais depressa do que esperamos".
No artigo complementar, Kaltenegger e colegas propõem que o JWST possa confirmar a presença de uma atmosfera - e se é principalmente vapor de água - em apenas três trânsitos, ou passagens do planeta em frente da sua estrela hospedeira. Se forem necessárias mais observações, estimam que um total de oito trânsitos poderiam detetar uma atmosfera semelhante à de Vénus, enquanto 20 trânsitos poderiam encontrar provas de um cenário de "Terra quente" potencialmente habitável.
É possível que LP 890-9c não tenha atmosfera e não albergue vida, ou que se assemelhe a um Vénus com nuvens espessas que bloqueariam a reflexão da luz e, portanto, produziriam pouca informação. Uma investigação mais profunda promete fornecer pistas valiosas, disse Kaltenegger.
"Não sabemos como poderá ser este planeta no limite da habitabilidade, por isso temos de o observar", disse. "É disto que se trata a verdadeira exploração".
Estrela pulsante massiva fornece pistas para calibrar os modelos de evolução estelar
Uma colaboração internacional, com a participação do IAC (Instituto de Astrofísica de Canarias), determinou com um nível de precisão sem precedentes a massa, a idade e o perfil de rotação do núcleo de uma estrela pulsante massiva. Conhecida como HD 192575, tem sido observada continuamente pelo TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA durante mais de um ano. Os resultados lançam uma nova luz sobre a estrutura interna destas estrelas e a sua evolução até à morte, quando explodem como supernovas e formam estrelas de neutrões e buracos negros. A equipa científica também utilizou observações feitas com o telescópio Mercator, localizado no Observatório Roque de los Muchachos, em La Palma. O estudo foi publicado na revista Nature Astronomy.
Impressão de artista do interior da estrela HD 192575, que tem cerca de 12 vezes a massa do Sol.
Crédito: Gabriel Pérez Diaz (IAC)
As estrelas massivas têm uma vida extremamente curta no Universo; têm núcleos muitos densos e quentes, queimam rapidamente o seu combustível e morrem jovens. Quando estas estrelas colapsam, geram uma violenta explosão de supernova e, dependendo da sua massa e da estrutura do seu núcleo, acabam por formar uma estrela de neutrões ou um buraco negro. As estrelas massivas são, portanto, fundamentais, não só para compreender os processos físicos responsáveis pela sua evolução, mas também para resolver outras questões fundamentais sobre o Universo.
Um estudo internacional, liderado pela KU Leuven (Bélgica), aplicou a técnica de asterossismologia para estudar a variabilidade da estrela pulsante HD 192575 que o satélite TESS da NASA tem estado a observar durante mais de um ano. A asterossismologia é o estudo das ondas no interior das estrelas. Estas ondas são afetadas pelas propriedades internas das estrelas e, em particular, pela rotação do seu núcleo, o que nos permite aceder a informação sobre os processos físicos que ocorrem no interior das estrelas a partir das suas alterações de brilho. Estes processos físicos permanecem atualmente não calibrados, mas precisam de ser compreendidos para prever o destino final da estrela.
O estudo de estrelas massivas requer dados de alta precisão e de longo prazo para análises avançadas. Graças à missão TESS, o estudo de HD 192575 atingiu um nível de detalhe sem precedentes. "Os telescópios espaciais como o TESS, e antes o Kepler, são capazes de observar estrelas quase ininterruptamente durante longos períodos de tempo, o que os torna excelentes ferramentas para os asterossismólogos", diz Siemen Burssens, investigador da KU Leuven que liderou o estudo. "O TESS é especialmente importante para a asterossismologia de estrelas massivas, uma vez que os telescópios espaciais anteriores geralmente evitavam estrelas massivas brilhantes".
As novas ferramentas de modelagem desenvolvidas neste trabalho permitiram à equipa medir a massa de HD 192575 como sendo 12 vezes a massa do nosso Sol, e uma idade de 15 milhões de anos. Este facto faz de HD 192575 uma das estrelas mais raras e mais massivas alguma vez modeladas através da asterossismologia. Além disso, descobriu-se que o núcleo de HD 192575 gira cerca de 1,5 vezes mais depressa do que as suas camadas superficiais, o que não é previsto pelos modelos atuais.
"Tal como uma bailarina que gira mais depressa aproximando os seus braços esticados para perto do corpo, HD 192575 deveria ter um núcleo que gira mais depressa à medida que envelhece e encolhe. No entanto, a rotação do núcleo que medimos atualmente não é tão rápida em relação às suas camadas exteriores como previsto por modelos de rotação não magnéticos", explica Dominic Bowman, investigador da KU Leuven e coautor do estudo. "Isto levou-nos a refletir sobre a física responsável por HD 192575 ter o perfil de rotação medido".
O telescópio Mercator, situado no Observatório Roque de los Muchachos em La Palma.
Crédito: KU Leuven
Padrão de referência único
Os dados do TESS, combinados com os do telescópio Mercator, situado no Observatório Roque de los Muchachos em La Palma, e da missão espacial Gaia da ESA, permitiram à equipa inferir com precisão a quantidade de mistura química nas profundezas de HD 192575 e a massa do seu núcleo, que é um indicador chave da evolução futura de uma estrela massiva e da explosão de supernova.
A determinação exata da massa do núcleo, da idade e do perfil de rotação de HD 192575 faz desta estrela massiva um ponto de calibração único para o ajuste de modelos de evolução estelar, que são, em última análise, fundamentais para compreender o impacto das estrelas massivas na evolução das galáxias e na infância do Universo.
"Este é apenas o início de um caminho muito promissor para um estudo semelhante ao de HD 192575 numa amostra muito maior de estrelas massivas da nossa Galáxia", diz Sergio Simón-Díaz, investigador do IAC, coautor do artigo e investigador principal do projeto IACOB, uma colaboração internacional liderada pelo IAC que tem vindo a utilizar vários telescópios nos Observatórios das Ilhas Canárias há mais de 15 anos para criar a maior base de dados de sempre de espectros de estrelas massivas da Via Láctea. "Os esforços continuados do projeto IACOB serão decisivos para otimizar os dados do satélite TESS e passar do estudo pioneiro de HD 192575 para várias centenas de estrelas dezenas de vezes mais massivas que o nosso Sol", conclui Simón-Díaz.
Webb deteta pela primeira vez uma molécula crucial de carbono num disco de formação planetária (via ESA)
Uma equipa internacional de cientistas utilizou dados recolhidos pelo Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA para detetar pela primeira vez uma molécula conhecida como catião metilo (CH3+), localizada no disco protoplanetário que rodeia uma estrela jovem. Conseguiram esta proeza através de uma análise interdisciplinar por peritos, incluindo contributos importantes de espectroscopistas laboratoriais. Ler fonte
Einstein e Euler postos à prova nos confins do Universo (via Universidade de Genebra)
O cosmos é um laboratório único para testar as leis da física, em particular as de Euler e Einstein. Euler descreveu os movimentos dos objetos celestes, enquanto Einstein descreveu a forma como os objetos celestes distorcem o Universo. Desde a descoberta da matéria escura e da aceleração da expansão do Universo, a validade das suas equações foi posta à prova: serão elas capazes de explicar estes fenómenos misteriosos? Uma equipa da Universidade de Genebra desenvolveu o primeiro método para o descobrir. Para o efeito, considera uma medição nunca antes utilizada: a distorção do tempo. Os resultados foram publicados na revista Nature Astronomy. Ler fonte
Os relâmpagos ocorrem apenas na Terra? Não. As naves espaciais detetaram relâmpagos noutros planetas, incluindo Marte, Júpiter e Saturno, e é provável que existam relâmpagos em Vénus, Úrano e Neptuno. Os relâmpagos são um súbito envio de partículas eletricamente carregadas de um local para outro. Na Terra, as correntes de ar gelado e gotículas de água em colisão criam normalmente a separação de cargas geradoras de relâmpagos, mas o que é que acontece em Júpiter? Imagens e dados da nave espacial Juno, da NASA, em órbita de Júpiter, reforçam a especulação anterior de que os relâmpagos de Júpiter também são criados em nuvens que contêm água e gelo. Na fotografia em destaque, obtida pela Juno, foi captado um clarão ótico num grande vórtice de nuvens perto do polo norte de Júpiter. Durante os próximos meses, a Juno irá efetuar várias passagens rasantes do lado noturno de Júpiter, o que provavelmente permitirá à sonda robótica captar mais dados e imagens dos relâmpagos de Júpiter.
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