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Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
 
  Astroboletim #2016  
  04/07 a 06/07/2023  
     
 

APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
O Regresso dos Gigantes

Data: 13 de julho
Hora: 21:30-23:00
Nesta sessão falaremos dos planetas gigantes que durante este verão começam a surgir acima do horizonte ao início da madrugada! Na segunda parte da atividade faremos uma observação noturna com telescópio, se o tempo o permitir.
Adulto:
 4€
Jovem: 2€
Menores de 12 anos: gratuito.
Inscrição obrigatória - seguir este link
Pré-inscrições válidas até às 17:00 do dia anterior à realização da atividade. Após a hora referida o lugar pode não ser garantido.
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
     
 
EFEMÉRIDES

DIA 04/07: 185.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1054, foi detetada pela primeira vez uma brilhante supernova registada pelos astrónomos chineses, árabes e possivelmente pelos povos indígenas do continente americano. Permaneceu visível durante meses, brilhante o suficiente para ser vista durante o dia. Deu origem ao remanescente de supernova chamado Nebulosa do Caranguejo, também conhecido por M1.
Em 1868 nascia Henrietta Swan Leavitt, astrónoma americana que examinou chapas fotográficas para medir e catalogar o brilho de estrelas.

Descobriu a relação entre a luminosidade e o período das estrelas variáveis Cefeidas. Foi a sua descoberta que permitiu aos astrónomos medirem a distância entre a Terra e as galáxias distantes. Após a sua morte, Edwin Hubble usou a relação do período-luminosidade das Cefeidas para determinar que a Via Láctea não era a única galáxia no Universo observável e que o Universo estava em expansão. 
Em 1997, a Pathfinder aterrava em Marte.
Em 1998, o Japão lança uma sonda para Marte e junta-se à lista de países que participam na exploração espacial. Devido a vários problemas com a Nozomi cerca de um ano depois, a missão foi abandonada.
Em 2005, a Deep Impact colide com o cometa Tempel 1
Em 2006, missão STS-121 do vaivém espacial Discovery.
Em 2012, é anunciada no CERN a descoberta de partículas consistentes com o bosão de Higgs no LHC (Large Hadron Collider).
HOJE, NO COSMOS:
Baixa a norte-nordeste após o anoitecer, a constelação de Cassiopeia começa lentamente a inclinar-se e a subir no céu. Cassiopeia representa uma antiga rainha da Etiópia (termo geográfico da Grécia Antiga, não o país que atualmente conhecemos). Por cima dela está o padrão em forma de casa do seu marido, o Rei Cefeu.

 

DIA 05/07: 186.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1687, era publicado o Philosophiae Naturalis Principia Mathematica de Isaac Newton.

Pela primeira vez era dada uma explicação para a causalidade do movimento dos planetas e satélites.
Em 2016, a sonda Juno chega a Júpiter.
HOJE, NO COSMOS:
A Terra alcança hoje o afélio, a sua posição mais longínqua do Sol, cerca de 152,1 milhões de quilómetros.
Temos agora uma breve janela de tempo entre um céu escuro sem Lua, depois do lusco-fusco, e o nascer do nosso satélite natural, cerca de meia-hora depois (dependendo da posição do observador). Utilize esta janela de tempo para observar o grande arco da Via Láctea. Vai desde o "bule de chá" de Sagitário a sul-sudeste, passa pela parte de baixo do Triângulo de Verão a este e desce por Cassiopeia e Perseu a norte-nordeste.

 

DIA 06/07: 187.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 2003, o radar planetário de Yevpatoria, com 70 metros, envia uma mensagem METI para 5 estrelas: Hip 4872HD 24540955 CancriHD 10307 e 47 Ursae Majoris, que chegará em 2036, 2040, 2044 e 2049, respetivamente.

HOJE, NO COSMOS:
A Lua nasce tarde, juntamente com o planeta Saturno. Estão altos a sul antes do amanhecer de dia 7.

 
 
   
Webb identifica os mais antigos "fios" da teia cósmica

As galáxias não estão espalhadas aleatoriamente pelo Universo. Elas juntam-se não só em enxames, mas em vastas estruturas filamentares interligadas, com gigantescos vazios estéreis pelo meio. Esta "teia cósmica" começou por ser ténue e foi-se tornando mais distinta ao longo do tempo, à medida que a gravidade ia juntando a matéria.

Os astrónomos que utilizam o Telescópio Espacial James Webb da NASA descobriram um arranjo filamentoso de 10 galáxias que existia apenas 830 milhões de anos após o Big Bang. A estrutura com 3 milhões de anos-luz de comprimento é ancorada por um quasar luminoso - uma galáxia com um buraco negro ativo e supermassivo no seu núcleo. A equipa pensa que o filamento acabará por evoluir para um enxame massivo de galáxias, muito semelhante ao conhecido Enxame de Coma no Universo próximo.

 
Este campo profundo de galáxias obtido pelo instrumento NIRCam (Near-Infrared Camera) do Webb mostra um arranjo de 10 galáxias distantes marcadas por oito círculos brancos numa linha diagonal, semelhante a um fio. (Dois dos círculos contêm mais do que uma galáxia.) Este filamento com 3 milhões de anos-luz de comprimento é ancorado por um quasar muito distante e luminoso - uma galáxia com um buraco negro supermassivo e ativo no seu núcleo. O quasar, chamado J0305-3150, aparece no meio do enxame de três círculos no lado direito da imagem. O seu brilho ofusca a galáxia que o acolhe. As 10 galáxias assinaladas existiam apenas 830 milhões de anos após o Big Bang. A equipa pensa que o filamento acabará por evoluir para um enorme enxame de galáxias.
Crédito: NASA, ESA, CSA, Feige Wang (Universidade do Arizona) e Joseph DePasquale (STSCI)
 

"Fiquei surpreendido com o comprimento e com a fina espessura deste filamento", disse o membro da equipa Xiaohui Fan da Universidade do Arizona em Tucson. "Estava à espera de encontrar alguma coisa, mas não esperava uma estrutura tão longa e tão fina".

"Esta é uma das primeiras estruturas filamentares que alguma vez se encontrou associada a um quasar distante", acrescentou Feige Wang da Universidade do Arizona em Tucson, o investigador principal deste programa.

Esta descoberta faz parte do projeto ASPIRE (A SPectroscopic survey of biased halos In the Reionization Era), cujo principal objetivo é estudar os ambientes cósmicos dos primeiros buracos negros. No total, o programa vai observar 25 quasares que existiram nos primeiros mil milhões de anos após o Big Bang, uma época conhecida como a Época da Reionização.

"As últimas duas décadas de investigação em cosmologia deram-nos uma compreensão robusta de como a teia cósmica se forma e evolui. O ASPIRE pretende compreender como incorporar o aparecimento dos primeiros buracos negros massivos na nossa história atual da formação da estrutura cósmica", explicou Joseph Hennawi, membro da equipa, da Universidade da Califórnia, em Santa Barbara.

Monstros em crescimento

Outra parte do estudo investiga as propriedades de oito quasares no Universo jovem. A equipa confirmou que os seus buracos negros centrais, que existiram menos de mil milhões de anos após o Big Bang, têm uma massa que varia entre 600 milhões e 2 mil milhões de vezes a massa do nosso Sol. Os astrónomos continuam a procurar evidências que expliquem como é que estes buracos negros podem crescer tão rapidamente.

"Para formar estes buracos negros supermassivos em tão pouco tempo, é necessário satisfazer dois critérios. Em primeiro lugar, é necessário começar a crescer a partir de um buraco negro 'semente' massivo. Em segundo lugar, mesmo que esta semente comece com uma massa equivalente a mil sóis, ainda precisa de acrescentar um milhão de vezes mais matéria ao ritmo máximo possível durante toda a sua vida", explicou Wang.

"Estas observações sem precedentes estão a fornecer pistas importantes sobre a forma como os buracos negros são formados. Aprendemos que estes buracos negros estão situados em galáxias jovens e massivas que fornecem o reservatório de combustível para o seu crescimento," disse Jinyi Yang da Universidade do Arizona, que está a liderar o estudo dos buracos negros com o ASPIRE.

O Webb também forneceu as melhores evidências até à data de como os primeiros buracos negros supermassivos regulam, potencialmente, a formação de estrelas nas suas galáxias. Enquanto os buracos negros supermassivos acretam matéria, podem também gerar enormes fluxos de material. Estes ventos podem estender-se muito para além do próprio buraco negro, a uma escala galáctica, e podem ter um impacto significativo na formação estelar.

"Os ventos fortes dos buracos negros podem suprimir a formação de estrelas na galáxia hospedeira. Tais ventos têm sido observados no Universo próximo, mas nunca foram observados diretamente na Época da Reionização", disse Yang. "A escala do vento está relacionada com a estrutura do quasar. Nas observações do Webb, estamos a ver que esses ventos existiam no Universo primitivo".

Estes resultados foram publicados dia 29 de junho em dois artigos da revista The Astrophysical Journal Letters.

// NASA (comunicado de imprensa)
// STScI (comunicado de imprensa)
// ESA/Webb (comunicado de imprensa)
// Universidade do Arizona (comunicado de imprensa)
// Artigo científico #1 (The Astrophysical Journal Letters)
// Artigo científico #1 (arXiv.org)
// Artigo científico #2 (The Astrophysical Journal Letters)
// Artigo científico #2 (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

Notícias relacionadas:
Universe Today
ScienceDaily
PHYSORG
COSMOS
ZME science

Época da Reionização:
Wikipedia

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
STScI (website para o público)
ESA
ESA/Webb
Wikipedia
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Blog do JWST (NASA)
Programas DD-ERS do Webb (STScI)
Programas GO do Webb (STScI)
NIRISS (NASA)
NIRCam (NASA)
MIRI (NASA)
NIRSpec (NASA)

 
   
Um planeta que desafia a morte
 
Representação artística do possível cenário em que Baedku era originalmente um sistema binário composto por uma estrela gigante vermelha em órbita de uma estrela anã branca. A proximidade do par estelar permitiu a transferência de material entre as duas estrelas, levando à sua eventual fusão. O planeta Halla está em primeiro plano, orbitando perigosamente perto, mas suficientemente longe para sobreviver ao impacto da colisão explosiva do par estelar.
Crédito: Observatório W. M. Keck/Adam Makarenko
 

Quando o nosso Sol chegar ao fim da sua vida, expandir-se-á até 100 vezes o seu tamanho atual, envolvendo a Terra. Muitos planetas noutros sistemas solares enfrentam um destino semelhante à medida que as suas estrelas hospedeiras envelhecem. Mas nem toda a esperança está perdida: astrónomos do IfA (Institute for Astronomy) da Universidade do Hawaii fizeram a notável descoberta da sobrevivência de um planeta após o que deveria ter sido a morte certa às mãos da sua estrela. O estudo foi publicado na revista Nature.

O planeta semelhante a Júpiter, 8 UMi b, oficialmente chamado Halla, orbita a estrela gigante vermelha Baekdu (8 UMi) a apenas metade da distância que separa a Terra do Sol. Utilizando dois observatórios na ilha do Hawaii - o Observatório W. M. Keck e o CFHT (Canada-France-Hawaii Telescope) - uma equipa de astrónomos liderada por Marc Hon, bolseiro do Hubble da NASA no IfA, descobriu que Halla persiste apesar da evolução normalmente perigosa de Baekdu. Utilizando observações das oscilações estelares de Baekdu feitas pelo TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA, descobriram que a estrela está a queimar hélio no seu núcleo, o que indica que já se tinha expandido enormemente até se tornar uma estrela gigante vermelha.

A estrela teria inchado até 1,5 vezes a distância orbital do planeta - engolindo o planeta no processo - antes de encolher para o seu tamanho atual a apenas um-décimo dessa distância.

"O engolfamento planetário tem consequências catastróficas para o planeta ou para a própria estrela - ou para ambos", disse Hon, autor principal do estudo. "O facto de Halla ter conseguido persistir na vizinhança imediata de uma estrela gigante que, de outra forma, o teria engolido, destaca o planeta como um sobrevivente extraordinário."

Observatórios Maunakea confirmam sobrevivente

O planeta Halla foi descoberto em 2015 por uma equipa de astrónomos da Coreia do Sul utilizando o método da velocidade radial, que mede o movimento periódico de uma estrela devido à força gravitacional do planeta que a orbita. Após a descoberta de que a estrela deve ter sido, em tempos, maior do que a órbita do planeta, a equipa do IfA realizou observações adicionais entre 2021 e 2022 usando o HIRES (High Resolution Echelle Spectrometer) do Observatório Keck e o instrumento ESPaDOnS (Echelle SpectroPolarimetric Device for the Observation of Stars) do CFHT. Estes novos dados confirmaram que a órbita quase circular de 93 dias do planeta permaneceu estável durante mais de uma década e que o movimento para trás e para a frente deve ser devido a um planeta.

"No seu conjunto, estas observações confirmaram a existência do planeta, deixando-nos com a questão premente de saber como é que o planeta realmente sobreviveu", disse o astrónomo do IfA, Daniel Huber, segundo autor do estudo. "As observações de múltiplos telescópios em Maunakea foram cruciais neste processo".

 
Caminhos evolutivos para o sistema 8 UMi. (Em cima) Se o planeta 8 UMi b tivesse orbitado de perto uma única estrela, a expansão da estrela teria destruído o planeta. (Meio e baixo) A fusão de duas estrelas oferece dois cenários que podem ter levado à sobrevivência do planeta em torno de uma estrela com núcleo de hélio, como se observa atualmente.
Crédito: Brooks G. Bays, Jr, SOEST/Universidade do Hawaii
 

Escapando ao engolfamento

A uma distância de 0,46 unidades astronómicas (UA, ou a distância Terra-Sol) da sua estrela, o planeta Halla assemelha-se a planetas "mornos" ou "quentes", parecidos a Júpiter, que se pensa terem começado em órbitas maiores antes de migrarem para o interior, perto das suas estrelas. No entanto, face a uma estrela hospedeira em rápida evolução, tal origem torna-se uma via de sobrevivência extremamente improvável para o planeta Halla.

Outra teoria para a sobrevivência do planeta é o facto de nunca ter enfrentado o perigo de ser engolido. Tal como o famoso planeta Tatooine da saga "Guerra das Estrelas", que orbita dois sóis, a estrela hospedeira Baekdu pode ter sido originalmente duas estrelas, segundo a equipa. A fusão destas duas estrelas pode ter impedido qualquer uma delas de se expandir o suficiente para engolir o planeta.

Uma terceira possibilidade é que Halla seja um relativo recém-nascido - que a colisão violenta entre as duas estrelas tenha produzido uma nuvem de gás a partir da qual o planeta se formou. Por outras palavras, o planeta Halla pode ser um planeta de "segunda geração" nascido recentemente.

"A maior parte das estrelas estão em sistemas binários, mas ainda não sabemos bem como se formam os planetas à sua volta", disse Hon. "Por isso, é plausível que existam mais planetas à volta de estrelas muito evoluídas graças às interações binárias."

// Observatório W. M. Keck (comunicado de imprensa)
// CFHT (comunicado de imprensa)
// Universidade do Hawaii (comunicado de imprensa)
// IA (comunicado de imprensa)
// Universidade de Sydney (comunicado de imprensa)
// Universidade de Nova Gales do Sul (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature)
// Artigo científico (arXiv.org)
// Vida após a morte: astrónomos do Hawaii descobrem um planeta que não deveria existir (Observatório Keck via vimeo)
// Vida após a morte: astrónomos do Hawaii descobrem um planeta que não deveria existir - #2 (Observatório Keck via vimeo)

 


Quer saber mais?

Notícias relacionadas:
ScienceDaily
PHYSORG
CNN
SAPO

8 Umi b:
NASA
ipac
Exoplanet.eu

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Lista de exoplanetas candidatos a albergar água líquida (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
NASA
Exoplanet.eu

Observatório W. M. Keck:
Página principal
Wikipedia

CFHT (Canada-France-Hawaii Telescope):
Página oficial
Wikipedia

TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite):
NASA
NASA/Goddard
Programa de Investigadores do TESS (HEASARC da NASA)
MAST (Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais)
Exoplanetas descobertos pelo TESS (NASA Exoplanet Archive)
Wikipedia

 
   
Lançamento bem-sucedido do Euclid da ESA
 
A descolagem do foguetão Falcon 9 da SpaceX, com o telescópio espacial Euclid da ESA a bordo, a partir de Cabo Canaveral, EUA.
Crédito: SpaceX
 

O telescópio espacial Euclid da ESA descolou num foguetão Falcon 9 da SpaceX a partir da Estação da Força Espacial de Cabo Canaveral na Flórida, EUA, às 16:12 (hora portuguesa) do dia 1 de julho. O lançamento bem-sucedido marca o início de uma ambiciosa missão para desvendar a natureza de dois misteriosos componentes do nosso Universo, a matéria escura e a energia escura, e ajudar-nos-á a responder à pergunta fundamental: de que é feito o Universo?

No seguimento do lançamento e da separação do foguetão, o ESOC (European Space Operations Centre) da ESA em Darmstadt, na Alemanha, confirmou a aquisição de sinal do Euclid através da estação terrestre de New Norcia na Austrália às 16:57 (hora portuguesa).

"O lançamento bem-sucedido do Euclid marca o início de uma nova aventura científica para nos ajudar a responder a uma das perguntas mais empolgantes da ciência moderna", afirmou o Diretor-Geral da ESA, Josef Aschbacher. "O Euclid tornou-se possível devido à liderança da ESA, ao esforço e à competência de centenas de instituições industriais e científicas europeias, bem como através da colaboração com parceiros internacionais. A busca de respostas a perguntas fundamentais sobre o nosso cosmos é o que nos torna humanos. E, frequentemente, é o que promove o avanço da ciência e o desenvolvimento de novas tecnologias potentes e de grande alcance. A ESA está empenhada em expandir as ambições e os sucessos da Europa no espaço para as gerações futuras."

"A missão Euclid é o resultado da paixão e da competência daqueles que contribuíram para a conceção e construção deste sofisticado telescópio espacial, da competência da nossa equipa de operações de voo e do espírito curioso da comunidade científica", afirma Giuseppe Racca, gestor do projeto Euclid da ESA. "Houve muitas dificuldades no decurso do projeto, mas trabalhámos arduamente e atingimos agora com sucesso este marco do lançamento, em conjunto com os nossos parceiros do Consórcio Euclid e da NASA."

O Consórcio Euclid contribuiu com dois instrumentos altamente avançados, o VIS (VISible, uma câmara que funciona no visível) e o NISP (Near-Infrared Spectrometer and Photometer). A NASA forneceu os detetores para o NISP.

Explorar o Universo escuro

O Euclid observará milhares de milhões de galáxias até 10 mil milhões de anos-luz para criar o maior e mais exato mapa 3D do Universo, sendo o próprio tempo a terceira dimensão. Este mapa detalhado da forma, posição e movimento das galáxias revelará como a matéria está distribuída através de distâncias imensas e como a expansão do Universo evoluiu ao longo da história cósmica, possibilitando aos astrónomos inferirem as propriedades da energia escura e da matéria escura. Isto ajudará a desenvolver um melhor entendimento do papel da gravidade e a determinar a natureza destas enigmáticas entidades.

"Hoje, celebramos o lançamento bem-sucedido de uma missão pioneira que coloca a Europa na vanguarda dos estudos cosmológicos", afirma Carole Mundell, Diretora de Ciência da ESA. "Se queremos compreender o Universo em que vivemos, precisamos de desvendar a natureza da matéria escura e da energia escura e compreender o papel que desempenharam na formação do nosso cosmos. Para dar resposta a estas perguntas fundamentais, o Euclid apresentará o mapa mais detalhado do céu para além da nossa Galáxia. Este manancial inestimável de dados também permitirá à comunidade científica investigar muitos outros aspetos da astronomia durante muitos anos".

Para alcançar o seu ambicioso objetivo, o Euclid está equipado com um telescópio refletor de 1,2 m que alimenta dois instrumentos científicos inovadores: o VIS, que tira imagens muito nítidas das galáxias ao longo de uma grande fração do céu e o NISP, que consegue analisar a luz infravermelha da galáxia para estabelecer exatamente a sua distância.

O veículo espacial e as comunicações serão controladas a partir do ESOC. Para lidar com as vastas quantidades de dados que o Euclid adquirirá, a rede Estrack de antenas de comunicação espacial da ESA foi atualizada. Estes dados serão analisados pelo Consórcio Euclid, um grupo de mais de 2000 cientistas de mais de 300 institutos da Europa, EUA, Canadá e Japão.

À medida que a missão avança, o tesouro de dados do Euclid será lançado com uma cadência anual e estará acessível à comunidade científica global através do Science Archive alojado no Centro de Astronomia Espacial Europeu da ESA, em Espanha.

"Este é um grande momento para a ciência, um momento há muito ansiado: o lançamento do Euclid, numa missão para decifrar o enigma da matéria escura e da energia escura", afirma René Laureijs, Cientista do Projeto Euclid da ESA. "O grande mistério dos constituintes fundamentais do Universo está mesmo à nossa frente e oferece um desafio formidável. Graças ao seu telescópio avançado e a uma instrumentação científica potente, o Euclid está preparado para nos ajudar a desvendar este mistério."

 
A viagem do Euclid da ESA até L2.
Crédito: ESA
 

Viagem até ao segundo ponto de Lagrange

Nas próximas quatro semanas, o Euclid viajará na direção do Segundo Ponto de Lagrange Sol-Terra, um ponto de equilíbrio do sistema Sol-Terra localizado a 1,5 milhões de km da Terra (cerca de quatro vezes a distância da Terra à Lua) na direção oposta à do Sol. Ali, o Euclid será manobrado para órbita em torno deste ponto e os controladores da missão iniciarão as atividades para verificarem todas as funções do veículo espacial, verificar o telescópio e ligar, finalmente, os instrumentos científicos.

Os cientistas e engenheiros entrarão então numa fase intensa, com a duração de dois meses, de testes e calibração dos instrumentos científicos do Euclid e de preparação para observações de rotina. Ao longo de seis anos, o Euclid examinará um-terço do céu com uma exatidão e sensibilidade sem precedentes.

// ESA (comunicado de imprensa)
// Euclid | A missão da ESA ao desconhecido (ESA via YouTube)
// Descolagem do Falcon 9 com o Euclid a bordo (ESA via YouTube)

 


Quer saber mais?

Euclid:
ESA
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Matéria escura:
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Energia escura:
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Também em destaque
  Astrofísicos propõem uma nova forma de medir a expansão cósmica: ondas gravitacionais sobre o efeito de lentes (via UC Santa Barbara)
O Universo está a expandir-se; há cerca de um século que temos evidências disso. Mas a rapidez com que os objetos celestes se estão a afastar uns dos outros ainda é motivo de debate. Não é tarefa fácil medir a velocidade a que os objetos se afastam uns dos outros ao longo de grandes distâncias. Desde a descoberta da expansão cósmica, o seu ritmo tem sido medido e remedido com precisão crescente, com alguns dos valores mais recentes a variarem entre 67,4 e 76,5 quilómetros por segundo por megaparsec, o que relaciona a velocidade de recessão (em quilómetros por segundo) com a distância (em megaparsecs). Ler fonte
 
   

Álbum de fotografias
Três Galáxias em Dragão

(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: David Vernet , Jean-François Bax , Serge BrunierOCA/C2PU
 
Este trio tentador de galáxias, por vezes chamado Grupo de Dragão, está localizado na constelação setentrional de (adivinhou) Dragão. Da esquerda para a direita, a espiral NGC 5985, vista quase de face, a galáxia elíptica NGC 5982 e a espiral NGC 5981, vista de lado, todas encontradas neste campo telescópico que abrange um pouco mais do que a largura da Lua Cheia. Embora o grupo seja demasiado pequeno para perfazer um enxame de galáxias e não tenha sido catalogado como um grupo compacto de galáxias, as três galáxias encontram-se todas a cerca de 100 milhões de anos-luz do planeta Terra. Não sendo tão conhecido como outros grupos íntimos de galáxias, o contraste na aparência visual faz deste tripleto um objeto atraente para os astrónomos. Recorrendo a espectrógrafos, o núcleo brilhante da impressionante espiral NGC 5985 mostra uma emissão proeminente em comprimentos de onda específicos, levando os astrónomos a classificá-la como uma galáxia Seyfert, um tipo de galáxia ativa. Esta exposição impressionantemente profunda revela um halo ténue, juntamente com conchas que rodeiam a galáxia elíptica NGC 5982, evidência de fusões galácticas passadas. Revela também muitas galáxias de fundo ainda mais distantes.
 
   
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