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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
 
  Astroboletim #2019  
  14/07 a 17/07/2023  
     
 
Astronomia no Verão pelo Centro Ciência Viva de Tavira
 

Observação noturna do céu na praia do Barril
Local: Ponte de acesso ao trilho para a praia do Barril
21/07/2023, 21:30 - Inscrição
21/08/2023, 21:00 - Inscrição

Observação noturna do céu em Tavira
Local: Forte do Rato
01/09/2023, 20:30 - Inscrição

 
Astronomia no Verão pelo Centro Ciência Viva do Algarve
 

Observar o Sol à sombra de Duarte Pacheco
Local: Monumento em homenagem ao eng. Duarte Pacheco, Loulé
Data: 18/07/2023
Horários: 16:00, 16:15, 16:30, 16:45, 17:00, 17:15

Astros nos Salgados
Local: Urbanização dos Salgados - Galé - Albufeira
20/07/2023, 20:15 - Inscrição

Astronomia na Praia da Marinha
Local: Miradouro da Praia da Marinha (Benagil, Lagoa)
22/07/2023, 20:30 - Inscrição

Astronomia no Centro Náutico
Local: Estacionamento do Centro Náutico da Praia de Faro
29/07/2023, 20:15 - Data esgotada - Lista de espera

Astros no Moinho de Maré - Quinta de Marim
Local: Quinta de Marim, Olhão
02/08/2023, 20:30 - Data esgotada - Lista de espera

Astronomia junto ao castelo de Paderne
04/08/2023, 20:15 - Inscrição

Observar Lua e Júpiter antes da praia!
Local: Estacionamento Central da Praia de Faro (canto sul, acesso ao areal junto do Bom Apetite)
Data: 08/08/2023
Horários: 08:30, 08:45, 09:00, 09:15, 09:30, 09:45 (Data esgotada - lista de espera)

Astronáufragos na Ria Formosa
12/08/2023, 20:30 - Inscrição

Astronomia em Vale do Álamo
Local: Vale do Álamo - Benafim - Loulé
14/08/2023, 20:15 - Data esgotada - Lista de espera

Astronomia nas Merendas do Arade de Messines
Local: Zona norte da ponte do Parque de Merendas de São Bartolomeu de Messines
17/08/2023, 20:15 - Inscrição

Astronomia no Alto da Ameixeira
Local: Miradouro do Alto da Ameixeira - São Brás de Alportel
18/08/2023, 20:30 - Inscrição

 

Programa em atualização
Consulte sempre a página das atividades para informações mais detalhadas como o itinerário, ponto de encontro, coordenadas GPS, etc., e para fazer a sua inscrição caso seja obrigatória.
Todas as atividades estão dependentes de condições meteorológicas favoráveis.
Não dispensa a consulta do FAQ no site da Ciência Viva no Verão

 
     
 
EFEMÉRIDES

DIA 14/07: 195.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1965, era realizado o primeiro voo rasante por Marte, pela sonda Mariner 4.
Em 2000, o Observatório Chandra observa raios-X do oxigénio e azoto do Cometa C/1999 S4. Isto mostra que os raios-X emitidos de cometas são produzidos por colisões de iões que se movimentam na direção oposta à do Sol (vento solar), em conjunto com o gás do cometa. No mesmo ano, uma poderosa proeminência solar, mais tarde denominada evento Dia da Bastilha, provoca uma tempestade geomagnética na Terra.
Em 2015, a primeira visita a Plutão e às suas luas.

New Horizons, uma missão da NASA lançada a 19 de janeiro de 2006, passa a 12.500 km de Plutão e a 28.800 km da sua lua Caronte.
HOJE, NO COSMOS:
Depois do anoitecer, Altair brilha a este-sudeste. É a segunda estrela mais brilhante do lado este do céu, após Vega alta para cima e para a sua esquerda. A terceira estrela do Triângulo de Verão é Deneb, menos brilhante, para a sua esquerda.
Por cima de Altair, a um dedo à distância do braço esticado, está Tarazed, de terceira magnitude e de tom alaranjado, que ajuda a identificá-la.
Altair é uma estrela de rápida rotação do tipo A, um pouco maior e mais quente do que o Sol, a apenas 17 anos-luz de distância. Gira tão depressa que, usando interferometria, os astrónomos foram capazes, em 1999, de confirmar que é mais larga no seu equador, como um elipsoide.

 

DIA 15/07: 196.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1943, nascia Jocelyn Bell, astrofísica britânica que descobriu os primeiros pulsares de rádio.

Em 1972, a Pioneer 10 torna-se o primeiro objeto feito pelo Homem a viajar pela cintura de asteroides.
Em 1975 eram lançadas as missões Apollo (18, número não oficial) e Soyuz 19 que viriam a efetuar o primeiro acoplamento internacional (Apollo/Soyuz) no espaço. Foi a última missão de uma nave Apollo e da família de foguetões Saturn.
HOJE, NO COSMOS:
Agora que Altair está a ficar alta a este-sudeste e as noites estão sem Lua, é altura de dar as boas-vindas a Golfinho e à Seta.
Procure a pequena constelação de Golfinho a cerca de um punho à distância do braço esticado para baixo e para a esquerda de Altair. Está a saltar para a esquerda, logo abaixo da Via Láctea.
Sagitta, ou Seta, é mais pequena e mais ténue. Procure-a mais perto e para cima e para a esquerda de Altair. A Seta aponta para baixo e para a esquerda, passando ao lado do nariz de Golfinho.
Também na vizinhança está o bonito asterismo binocular do Cabide. Está 4º (noroeste) da cauda da Seta e atualmente de cabeça para baixo.

 

DIA 16/07: 197.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1969, a Apollo 11 era lançada do cabo Kennedy.

Pousou na superfície lunar no dia 20 de julho de 1969, num local chamado Mar da Tranquilidade. Neil Armstrong (comandante do voo) e Edwin E. "Buzz" Aldrin (piloto do Módulo Lunar, chamado nesta missão de Eagle - Águia em inglês) tornaram-se os primeiros homens a caminhar no solo lunar. Michael Collins (piloto do Módulo de Comando, chamado nesta missão de Columbia) permaneceu em órbita no Módulo de Comando.
Em 1994, o cometa Shoemaker-Levy 9 colide com Júpiter. Os impactos continuam até dia 22 de julho.
HOJE, NO COSMOS:
Com o avançar do verão, o "bule de chá" de Sagitário encontra-se a sul-sudeste após o anoitecer. Tem mais ou menos o tamanho aparente do nosso punho à distância do braço esticado. O "bule de chá" está apenas a começar a inclinar-se para a direita como se fosse despejar chá. Vai inclinar-se cada vez mais durante o resto do verão - ou durante o resto da noite caso fique acordado(a).
Para baixo e para a direita do "bule de chá", a cauda de Escorpião está baixa a sul logo após o cair da noite. Quão baixa depende de quão para norte ou sul o observador vive: quanto mais para sul estiver, mais alta no céu estará.
Procure as duas estrelas especialmente perto uma da outra na cauda. Estas são Lambda e a mais ténue Upsilon Scorpii, conhecidas como os "Olhos de Gato". Estão inclinadas; o "gato" parece estar a inclinar a sua cabeça e a piscar um olho (Lambda é mais brilhante do que Upsilon; têm magnitudes 1,6 e 2,6). Ambas são supergigantes azul-esbranquiçadas, a 700 e 500 anos-luz de distância, respetivamente. A mais ténue está mais próxima de nós.
Entre os "Olhos de Gato" e a ponta do "bule de chá" estão os enxames abertos M6 e especialmente M7, incríveis através de binóculos.
Uma linha que passe pelos Olhos de Gato aponta para oeste (direita), e quase a um punho à distância do braço esticado, chega a Mu Scorpii, um par ainda mais íntimo conhecido como os "Olhos do Gato Pequeno". O par está orientado quase da mesma maneira que Lambda e Upsilon, mas com apenas uma separação de 0,1º Este não é um binário verdadeiro: estão a 800 e 500 anos-luz, respetivamente. E sim, neste par visual a estrela mais ténue também está mais próxima de nós.

 

DIA 17/07: 198.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1850, primeira fotografia de uma estrela (Vega) que não o Sol, captada pelo Observatório de Harvard.
Em 1894, nascia Georges Lemaître, padre, astrónomo e professor belga.

Foi o primeiro a propôr, academicamente, a teoria da expansão do Universo, largamente mal atribuída a Edwin Hubble. Foi também o primeiro a derivar o que é agora a Lei de Hubble e fez a primeira estimativa do que agora se chama a constante de Hubble, que publicou em 1927, dois anos antes do artigo de Hubble. Lemaître também propôs o que veio a ser conhecido como a teoria do Big Bang para a origem do Universo, que ele chamou de "hipótese do átomo primitivo" ou "Ovo Cósmico".
Em 1975, os módulos Apollo e Soyuz efetuam o primeiro acoplamento internacional (Apollo/Soyuz) no espaço. Os comandantes das missões dão o primeiro aperto de mão internacional no espaço.
Em 2007, descoberta do objeto trans-neptuniano 2007 OR10.
Em 2018, são descobertas 12 novas luas de Júpiter.
HOJE, NO COSMOS:
Lua Nova, pelas 19:32.
Cassiopeia já passou a sua posição mais baixa do ano, mesmo quando vista pouco depois do anoitecer. Procure o seu "W" inclinado razoavelmente baixo a norte-nordeste. Quanto mais para norte estiver o observador, mais alta estará.

 
 
   
Webb celebra o primeiro ano de ciência com uma imagem do nascimento de estrelas semelhantes ao Sol
 
A imagem lançada para celebrar o primeiro aniversário do Telescópio Espacial James Webb da NASA mostra o nascimento de estrelas como nunca foi visto antes, cheio de pormenores e texturas impressionistas. O objeto é o complexo de nuvens Rho Ophiuchi, a região de formação estelar mais próxima da Terra. É um berçário estelar relativamente pequeno e calmo, mas nunca o saberíamos pela caótica visão do Webb. Os jatos que irrompem de estrelas jovens atravessam a imagem, impactando o gás interestelar circundante e iluminando o hidrogénio molecular, mostrado a vermelho. Algumas estrelas exibem a sombra reveladora de um disco circunstelar, os ingredientes de futuros sistemas planetários.
Crédito: NASA, ESA, CSA, STScI, Klaus Pontoppidan (STScI)
 

Desde o nosso quintal cósmico no Sistema Solar até às galáxias distantes perto do início dos tempos, o Telescópio Espacial James Webb da NASA cumpriu a sua promessa de revelar o Universo como nunca antes no seu primeiro ano de operações científicas. Para celebrar a conclusão de um primeiro ano recheado de sucessos, a NASA divulgou a imagem, pelo Webb, de uma pequena região de formação estelar no complexo de nuvens Rho Ophiuchi.

"Em apenas um ano, o Telescópio Espacial James Webb transformou a visão que a humanidade tem do cosmos, espreitando para dentro de nuvens de poeira e vendo a luz de cantos longínquos do Universo pela primeira vez. Cada nova imagem é uma nova descoberta, dando aos cientistas de todo o mundo a possibilidade de fazerem e responderem a perguntas com as quais nunca sonharam", disse Bill Nelson, Administrador da NASA. "O Webb é um investimento na inovação americana, mas também um feito científico que se tornou possível com os parceiros internacionais da NASA que partilham um espírito de superação para ultrapassar os limites do que se sabe ser possível. Milhares de engenheiros, cientistas e líderes dedicaram as suas vidas a esta missão e os seus esforços vão continuar a melhorar a nossa compreensão das origens do Universo - e do nosso lugar nele".

A nova imagem do Webb divulgada anteontem mostra a região de formação estelar mais próxima de nós. A sua proximidade, a 390 anos-luz, permite uma visão altamente detalhada, sem estrelas de primeiro plano no espaço intermédio.

"No seu primeiro aniversário, o Telescópio Espacial James Webb já cumpriu a sua promessa de desvendar o Universo, presenteando a humanidade com um tesouro de imagens e ciência de cortar a respiração que durará décadas", disse Nicola Fox, administradora associada do Diretorado de Missões Científicas da NASA em Washington. "Uma maravilha da engenharia construída pelos melhores cientistas e engenheiros do mundo, o Webb deu-nos uma compreensão mais intrincada do que nunca das galáxias, estrelas e atmosferas de planetas para lá do nosso Sistema Solar, lançando as bases para que a NASA lidere o mundo numa nova era de descobertas científicas e na procura por mundos habitáveis".

A imagem do Webb mostra uma região que contém cerca de 50 estrelas jovens, todas elas com uma massa semelhante à do Sol ou inferior. As áreas mais escuras são as mais densas, onde poeira espessa envolve protoestrelas ainda em formação. Enormes jatos bipolares de hidrogénio molecular, representados a vermelho, dominam a imagem, aparecendo horizontalmente no terço superior e verticalmente à direita. Estes ocorrem quando uma estrela irrompe pela primeira vez através do seu invólucro natal de poeira cósmica, lançando um par de jatos opostos para o espaço, tal como um recém-nascido que começa a esticar os braços para o mundo. Em contraste, a estrela S1 esculpiu uma caverna brilhante de poeira na metade inferior da imagem. É a única estrela na imagem que é significativamente mais massiva do que o Sol.

"A imagem de Rho Ophiuchi pelo Webb permite-nos testemunhar um período muito breve do ciclo de vida estelar com nova clareza. O nosso próprio Sol passou por uma fase como esta, há muito tempo, e agora temos a tecnologia para ver o início da história de outra estrela", disse Klaus Pontoppidan, que foi cientista do projeto Webb no STScI (Space Telescope Science Institute) em Baltimore, estado norte-americano de Maryland, desde antes do lançamento do telescópio e durante o primeiro ano de funcionamento.

Algumas estrelas na imagem mostram sombras que indicam discos protoplanetários - potenciais futuros sistemas planetários em formação.

Um ano inteiro, em todo o céu

 
O Telescópio Espacial James Webb da NASA produziu a imagem infravermelha mais profunda e nítida do Universo distante até à data. Conhecida como o Primeiro Campo Profundo do Webb, esta imagem do enxame de galáxias SMACS 0723 está repleta de detalhes. Milhares de galáxias - incluindo os objetos mais fracos já observados no infravermelho - apareceram pela primeira vez na visão do Webb.
Crédito: NASA, ESA, CSA e STScI
 

Desde a sua primeira imagem de campo profundo, revelada pelo Presidente Joe Biden, pela Vice-Presidente Kamala Harris e por Nelson em direto a partir da Casa Branca, o Webb cumpriu a sua promessa de nos mostrar mais do Universo do que nunca. No entanto, o Webb revelou muito mais do que galáxias distantes no início do Universo.

"A amplitude da ciência que o Webb é capaz de explorar torna-se realmente clara agora, quando temos um ano inteiro de dados de alvos em todo o céu", disse Eric Smith, diretor associado para a investigação na Divisão de Astrofísica na sede da NASA e cientista do programa Webb. "O primeiro ano de ciência do Webb não só nos ensinou coisas novas sobre o nosso Universo, como também revelou que as capacidades do telescópio são maiores do que as nossas expetativas, o que significa que as descobertas futuras serão ainda mais espantosas." A comunidade astronómica mundial passou o último ano a analisar com entusiasmo os primeiros dados públicos do Webb e a perceber como trabalhar com eles.

Para além das impressionantes imagens infravermelhas, o que realmente entusiasma os cientistas são os espetros nítidos do Webb - a informação detalhada que pode ser obtida da luz pelos instrumentos espectroscópicos do telescópio. Os espetros do Webb confirmaram as distâncias de algumas das galáxias mais longínquas alguma vez observadas e descobriram os buracos negros supermassivos mais antigos e mais distantes. Identificaram as composições das atmosferas de planetas (ou a falta delas) com mais pormenor do que nunca e reduziram pela primeira vez os tipos de atmosferas que podem existir em exoplanetas rochosos. Também revelaram a composição química de berçários estelares e discos protoplanetários, detetando água, moléculas orgânicas contendo carbono e muito mais. As observações do Webb já deram origem a centenas de artigos científicos que respondem a questões de longa data e levantam novas questões a abordar com o Webb.

A amplitude da ciência do Webb é também aparente nas suas observações da região do espaço que nos é mais familiar - o nosso próprio Sistema Solar. Anéis ténues de gigantes gasosos surgem da escuridão, pontilhados por luas, enquanto ao fundo o Webb mostra galáxias distantes. Ao comparar as deteções de água e outras moléculas no nosso Sistema Solar com as encontradas nos discos de outros sistemas planetários muito mais jovens, o Webb está a ajudar a acumular pistas sobre as nossas próprias origens - como a Terra se tornou o local ideal para a vida tal como a conhecemos.

"Com um ano de ciência, sabemos exatamente o quão poderoso é este telescópio e entregámos um ano de dados e descobertas espetaculares", disse Jane Rigby, cientista principal do projeto Webb, do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA. "Selecionámos um conjunto ambicioso de observações para o segundo ano - que se baseia em tudo o que aprendemos até agora. A missão científica do Webb está apenas a começar - há muito mais para vir."

// NASA (comunicado de imprensa)
// ESA (comunicado de imprensa)
// ESA/Webb (comunicado de imprensa)
// STScI (comunicado de imprensa)
// Space Sparks ep. 11 - Webb celebra o primeiro ano de ciência com uma imagem do nascimento de estrelas semelhantes ao Sol (HubbleWebbESA via YouTube)
// Space Sparks ep. 12 - O primeiro ano do Webb em imagens (HubbleWebbESA via YouTube)

 


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Notícias relacionadas:
EurekAlert!
SPACE.com
New Scientist
Inverse
Forbes
UPI
BBC News
CNN
Reuters

Complexo de nuvens Rho Ophiuchi:
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JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
STScI (website para o público)
ESA
ESA/Webb
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Blog do JWST (NASA)
Programas DD-ERS do Webb (STScI)
Ciclo 2 GO do Webb (STScI)
NIRISS (NASA)
NIRCam (NASA)
MIRI (NASA)
NIRSpec (NASA)

 
   
Cientistas usam dados da MESSENGER para medir crómio em Mercúrio

A origem de Mercúrio, o planeta mais próximo do Sol, é misteriosa em muitos aspetos. Tem um núcleo metálico, tal como a Terra, mas o seu núcleo constitui uma fração muito maior do seu volume - 85% em comparação com 15% da Terra.

A missão MESSENGER (Mercury Surface, Space Environment, Geochemistry and Ranging) da NASA, a primeira nave espacial a orbitar Mercúrio, registou medições que revelam que o planeta também difere fortemente da Terra em termos químicos. Mercúrio tem relativamente menos oxigénio, o que indica que se formou a partir de diferentes blocos de construção nos primórdios do Sistema Solar. No entanto, tem sido difícil determinar com exatidão o estado de oxidação de Mercúrio a partir dos dados disponíveis.

 
Mapa da abundância de crómio, a cores, sobreposto a uma imagem de Mercúrio obtida pela sonda MESSENGER.
Crédito: Larry Nittler/Universidade do Estado do Arizona
 

Num novo estudo liderado pelo cientista Larry Nittler, da Escola de Exploração da Terra e do Espaço da Universidade do Estado do Arizona, EUA, foram utilizados dados adquiridos durante a missão MESSENGER para medir e mapear a abundância do elemento menor crómio na superfície de Mercúrio.

O crómio é vulgarmente conhecido por ser extremamente brilhante e resistente à corrosão na metalurgia, e dá cor aos rubis e às esmeraldas. Mas também pode existir numa grande variedade de estados químicos, pelo que a sua abundância pode fornecer informação sobre as condições químicas em que foi incorporado nas rochas.

Nittler e colaboradores descobriram que a quantidade de crómio varia em Mercúrio por um fator de aproximadamente quatro. Os investigadores calcularam modelos teóricos da quantidade de crómio que seria de esperar estar presente na superfície de Mercúrio quando o planeta se separou numa crosta, manto e núcleo em condições variáveis. Ao comparar estes modelos com a abundância de crómio medida, os investigadores descobriram que Mercúrio deve ter crómio no seu grande núcleo metálico e conseguiram estabelecer novos limites para o estado de oxidação global do planeta.

O trabalho aparece na edição de julho da revista Journal of Geophysical Research Planets.

"Esta é a primeira vez que o crómio é detetado diretamente e mapeado em qualquer superfície planetária", disse Nittler. "Dependendo da quantidade de oxigénio disponível, gosta de estar em minerais de óxido, sulfureto ou metal e, combinando os dados com modelos de última geração, podemos obter informações únicas sobre a origem e a história geológica de Mercúrio".

A coautora Asmaa Boujibar, da Western Washington University, que realizou a modelagem descrita no artigo, acrescentou: "O nosso modelo, baseado em experiências laboratoriais, confirma que a maior parte do crómio em Mercúrio está concentrada no seu núcleo. Devido à composição única e às condições de formação de Mercúrio, não podemos comparar diretamente a sua composição superficial com dados obtidos a partir de rochas terrestres. Por isso, é essencial realizar experiências que simulem o ambiente específico, deficiente em oxigénio, em que o planeta se formou, diferente da Terra ou de Marte".

No estudo, Nittler, Boujibar e os seus coautores compilaram dados de experiências laboratoriais e analisaram o comportamento do crómio sob diferentes abundâncias de oxigénio no sistema. Posteriormente, desenvolveram um modelo para investigar a distribuição do crómio entre as diferentes camadas de Mercúrio.

Os resultados demonstram que, à semelhança do ferro, uma parte substancial do crómio está de facto sequestrada no núcleo. Os investigadores também observaram que, à medida que o planeta se torna cada vez mais pobre em oxigénio, uma maior quantidade de crómio está escondida no seu interior. Este conhecimento aumenta significativamente a nossa compreensão da composição elementar e dos processos geológicos em jogo no planeta Mercúrio.

// Universidade do Estado do Arizona (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Journal of Geophysical Research Planets)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


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Mercúrio:
CCVAlg - Astronomia
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MESSENGER (Mercury Surface, Space Environment, Geochemistry and Ranging):
NASA 
JHUAPL
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Estudando rios de mundos distantes

Para além da Terra, há dois outros mundos no Sistema Solar onde os rios correm ou correram: Marte, onde rastos secos e crateras são tudo o que resta de antigos rios e lagos, e Titã, a maior lua de Saturno, onde ainda hoje correm rios de metano líquido.

 
Imagens da missão Cassini mostram redes fluviais que conduzem a lagos na região polar norte de Titã.
Crédito: NASA/JPL/USGS
 

Uma nova técnica desenvolvida por geólogos do MIT (Massachusetts Institute of Technology) permite aos cientistas ver a intensidade com que os rios correram em Marte e como correm atualmente em Titã. O método utiliza observações de satélite para estimar o ritmo a que os rios movem fluidos e sedimentos para jusante.

Aplicando a sua nova técnica, a equipa do MIT calculou a velocidade e profundidade dos rios em certas regiões de Marte há mais de mil milhões de anos. Fizeram também estimativas semelhantes para os rios atualmente ativos em Titã, apesar de a espessa atmosfera da lua e a sua distância da Terra a tornarem mais difícil de explorar, com muito menos imagens disponíveis da sua superfície do que as de Marte.

"O que é excitante em Titã é o facto de estar ativa. Com esta técnica, temos um método para fazer previsões reais para um local onde não vamos obter mais dados durante muito tempo", diz Taylor Perron, professor no Departamento de Ciências da Terra, Atmosféricas e Planetárias do MIT. "E em Marte, dá-nos uma máquina do tempo, para pegar nos rios que estão mortos agora e ter uma noção de como eram quando corriam ativamente."

Perron e os seus colegas publicaram os seus resultados na revista PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences). Os coautores de Perron no MIT são o primeiro autor Samuel Birch, Paul Corlies e Jason Soderblom, com Rose Palermo e Andrew Ashton do WHOI (Woods Hole Oceanographic Institution), Gary Parker da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign e colaboradores da Universidade da Califórnia em Los Angeles, da Universidade de Yale e da Universidade de Cornell.

Matemática do rio

O estudo da equipa surgiu a partir da perplexidade de Perron e Birch sobre os rios de Titã. As imagens tiradas pela sonda Cassini da NASA mostraram uma curiosa ausência de deltas em forma de leque na foz da maioria dos rios da lua, ao contrário do que acontece com muitos rios na Terra. Será que os rios de Titã não transportam caudal ou sedimentos suficientes para construir deltas?

O grupo baseou-se no trabalho do coautor Gary Parker, que na década de 2000 desenvolveu uma série de equações matemáticas para descrever o caudal dos rios na Terra. Parker tinha estudado medições de rios efetuadas diretamente no terreno por outros. A partir destes dados, descobriu que existiam certas relações universais entre as dimensões físicas de um rio - a sua largura, profundidade e declive - e a velocidade com que fluía. Elaborou equações para descrever matematicamente estas relações, tendo em conta outras variáveis como o campo gravitacional que atua sobre o rio e o tamanho e densidade dos sedimentos que são empurrados ao longo do leito do rio.

"Isto significa que rios com gravidade e materiais diferentes devem seguir relações semelhantes", diz Perron. "Isso abriu a possibilidade de aplicar isto também a outros planetas".

 
Da esquerda para a direita: O rio Hólmkelsá perto de Svöðufoss, Islândia; antigos canais fluviais na superfície do delta de Jezero em Marte; e o Flumen Saraswati fluindo em direção à costa de Ontario Lacus em Titã.
Crédito: Imagem - Sam Birch (Islândia), NASA/JPL/Universidade do Arizona (Marte), NASA/JPL-Caltech/ASI/Equipa de Radar da Cassini (Titã)
 

Obtendo um vislumbre

Na Terra, os geólogos podem fazer medições de campo da largura, declive e tamanho médio dos sedimentos de um rio, que podem ser introduzidos nas equações de Parker para prever com precisão o caudal de um rio, ou a quantidade de água e sedimentos que pode mover a jusante. Mas para os rios de outros planetas, as medições são mais limitadas e baseiam-se em grande parte em imagens e medições de elevação recolhidas por satélites remotos. No caso de Marte, vários orbitadores captaram imagens de alta resolução do planeta. Relativamente a Titã, as imagens são escassas.

Birch apercebeu-se de que qualquer estimativa do caudal de um rio em Marte ou Titã teria de se basear nas poucas características que podem ser medidas a partir de imagens remotas e da topografia - nomeadamente, a largura e o declive de um rio. Com alguns ajustes algébricos, adaptou as equações de Parker para trabalharem apenas com dados de largura e declive. Depois reuniu dados de 491 rios da Terra, testou as equações modificadas nesses rios e descobriu que as previsões baseadas apenas na largura e no declive de cada rio eram exatas.

Seguidamente, aplicou as equações a Marte e, especificamente, aos antigos rios que conduzem às crateras Gale e Jezero, que se pensa terem sido lagos cheios de água há milhares de milhões de anos. Para prever o caudal de cada rio, introduziu nas equações a gravidade de Marte e estimativas da largura e declive de cada rio, com base em imagens e medições de elevação efetuadas por satélites em órbita.

A partir das suas previsões do caudal, a equipa descobriu que os rios provavelmente fluíram durante pelo menos 100.000 anos na cratera Gale e pelo menos 1 milhão de anos na cratera Jezero - tempo suficiente para possivelmente terem suportado vida. Também puderam comparar as suas previsões do tamanho médio dos sedimentos no leito de cada rio com medições reais de campo de grãos marcianos perto de cada rio, obtidas pelos rovers Curiosity e Perseverance da NASA. Estas poucas medições no terreno permitiram à equipa verificar que as suas equações, aplicadas em Marte, eram exatas.

A equipa debruçou-se então sobre Titã. Concentraram-se em dois locais onde os declives dos rios podem ser medidos, incluindo um rio que desagua num lago do tamanho do Lago Ontário. Este rio parece formar um delta quando desagua no lago. No entanto, o delta é um dos poucos que se pensa existirem na lua - quase todos os rios visíveis que correm para um lago não têm misteriosamente um delta. A equipa também aplicou o seu método a um destes outros rios sem delta.

Os investigadores calcularam o caudal de ambos os rios e descobriram que podem ser comparáveis a alguns dos maiores rios da Terra, com deltas que se estima terem um caudal tão grande como o do Rio Mississipi. Ambos os rios deveriam mover sedimentos suficientes para construir deltas. No entanto, a maioria dos rios de Titã não tem depósitos em forma de leque. Algo mais deve estar em jogo para explicar esta falta de depósitos fluviais.

Noutra descoberta, a equipa calculou que os rios em Titã deveriam ser mais largos e ter um declive mais suave do que os rios com o mesmo caudal na Terra ou em Marte. "Titã é o lugar mais parecido com a Terra", diz Birch. "Ainda só tivemos um vislumbre dele. Sabemos que há muito mais lá em baixo e esta técnica remota está a aproximar-nos um pouco mais".

// MIT (comunicado de imprensa)
// Universidade de Cornell (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Proceedings of the National Academy of Sciences)

 


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Notícias relacionadas:
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Marte:
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Rover Curiosity (MSL):
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Rover Perseverance:
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Sonda Cassini:
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Álbum de fotografias
Anéis e Barra da Galáxia Espiral NGC 1398

(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Mark Hanson; Dados - Mike Selby
 
Porque é que algumas galáxias espirais têm um anel à volta do centro? A galáxia espiral NGC 1398 não só tem um anel de estrelas nacaradas, gás e poeira à volta do seu centro, mas também uma barra de estrelas e gás ao longo do seu centro, e braços espirais que parecem fitas mais afastadas. A imagem profunda obtida pelo Observatório El Sauce, no Chile, mostra a grande galáxia espiral em impressionante detalhe. NGC 1398 encontra-se a cerca de 65 milhões de anos-luz, o que significa que a luz que vemos hoje deixou esta galáxia quando os dinossauros estavam a desaparecer da Terra. A galáxia fotogénica é visível com um pequeno telescópio na direção da constelação da Fornalha. O anel perto do centro é provavelmente uma onda de densidade de formação estelar em expansão, causada por um encontro gravitacional com outra galáxia ou pelas assimetrias gravitacionais da própria galáxia.
 
   
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